sábado, 8 de outubro de 2016

RONDÔNIA DE ONTEM- Garimpo de Ouro

RONDÔNIA DE ONTEM- Garimpo de Ouro
 
 


 




O ronco dos motores e a escavação de grotas profundas no garimpo Topless começavam às 4h, em Colorado do Oeste. Cheguei lá de táxi, acompanhado pelo fotógrafo José Varella, a serviço 
do Jornal do Brasil. Por que Topless? Na estrada se contemplam dois morros salientes, lembrando seios de mulher.

Corria o ano de 1985. Nas ruas da pequena cidade, paranaenses sem tradição na cata do ouro se misturavam a algumas centenas de homens procedentes de diferentes lugares da Amazônia. Traziam apenas a roupa do corpo, a mochila, o rádio de pilha e algum dinheiro.

A maioria chegava atraída por notícias divulgadas pela Rádio Nacional de Brasília, dando conta da existência de um metal fino com 14% a 16% de impurezas.

Aquela região distante quase 800 quilômetros (por estrada) da capital rondoniense recebeu garimpeiros vindos de Itaituba, Jacareacanga e Serra Pelada (ambas no Pará), Alta Floresta e Cuiabá (MT), ou expulsos pela cheia do Rio Madeira.

Hotéis, pensões e dormitórios cobravam diárias de 20, 25 e 30 mil cruzeiros. Em matéria da criatividade de nomes, as “fofocas” de Colorado iam além do Topless: Sete Voltas, Grota do Armando, Serra da Tanguinha, Grota da Rolinha e Baixão do Enganado.

O grupo Anglo American colocava os pés na região, negociando ouro e diamantes por meio de suas prepostas, as minerações Sopeme, São João e Tanagra. Percebendo isso, a Companhia de Mineração de Rondônia (CMR) instalava um escritório e começava a comprar também, pagando 120 mil cruzeiros o grama.

As grotas com sete a dez metros produziam 40 a 50g por dia. Muito pouco, segundo o gaúcho Anibaldo Augustini, que alertava: “Ouro aqui só dá no fundo do terreno. Por enquanto, só estamos no rastro”.
 Colorado
O mais conhecido bamburro (achado) de ouro em Colorado coube ao garimpeiro Zé Goiano: ele obteve três quilos depois de quatro meses de escavações. O piauiense José Marques de Souza, retirante de Serra Pelada, dizia ter encontrado ametista em Xambioá (PA), aventurando-se depois na Bolívia, de onde saiu deportado com outros brasileiros. “Lá na serra eu me lasquei: perdi minha caminhonete D10 e Cr$ 100 milhões que paguei para os diaristas que trabalhavam comigo. Só para tirar trezentos gramas de ouro”, lamentava ao repórter.

Da batalha contra a Docegeo em Serra Pelada aos morros de Colorado, a parada foi dura para garimpeiros que já estavam em Rondônia e para os que chegavam depois das notícias dadas pelo rádio.

O cearense Pedro Lino Silva teve que correr de Espigão do Oeste, trazendo junto um grupo com mais de 20 companheiros. Haviam sido despejados pela Mequimbrás, porque retiravam cassiterita de uma mina abandonada pela empresa. Os empregados confiscaram-lhes peneiras, bateias, pás e picaretas. A polícia ficava com todos esses equipamentos de trabalho.

Como fabricar diamantes?



A Flórida, nos EUA, é uma das capitais mundiais do diamente. A empresa Gemesis criou um processo especial para gerar as raras e preciosas pedras artificialmente.diamante
incubadoras gemesisO processo conta com dezenas de encubadeiras, que não geram monstros alienigenas, mas diamantes. As encubadeiras da Gemesis permitem a coleta de até 40 pedras por dia.
A máquina é carregada com uma “semente”, um pequeno diamante, que é colocado em uma cápsula de grafite. A cápsula e o diamante são derretidos a uma pressão atmosférica 58 mil vezes maior que a normal. É como se uma enorme montanha estivesse sobre o diamante e o grafite e isto gera um calor imenso. Braços hidráulicos e fechaduras de aço maciço selam cada encubadeira para gerar a pressão.
incubadoras gemesisEm seguida, o derretimento do diamante verdadeiro começa a transformar o próprio grafite em diamante. São 4 dias até um diamante ser produzido.
Os diamantes amarelos da Gemesis são muito valiosos no mercado. São bilhões de dólares por ano. O diamante amarelo é a substância mais dura que existe e por isso é lapidado em uma mesa giratória. Cada gema leva dias de trabalho para ficar com uma forma simétrica.
Após a lapidação o diamante é certificado pelo Institulo Gemológico Internacional. Apenas um poderoso microscópio nas mãos de um especialista permite distinguir qual pedra é artificial e qual é natural.
As pedras são então marcadas e vão para o mercado para esvaziarem o bolso dos homens e se tornarem os melhores amigos das mulheres. 

Alexandrita

Alexandrita




É um aluminato de berilo (Br O4), variedade gemológica do Crisoberilo. Possui um brilho vítreo e graxo, que varia entre a cor verde quando exposto à luz solar e vermelho quando à luz artificial. Por isso diz-se dele que é uma esmeralda de dia e um rubi à noite. Sua substância corante é o cromo. Traço branco. Fratura concóide, frágil, clivagem perfeita.Encontra-se em placers.
À luz do dia apresenta as colorações verde-amarelada, amarronzada, acinzentada ou azulada. E, à luz artificial apresentara as colorações vermelho-alaranjada, amarronzada ou arroxeada. Existe a variedade alexandrita olho-de-gato (que é bastante rara).
O nome alexandrita devido ao aniversário de 12 anos de idade de Alexandre Nicolaievitch, o futuro czar Alexandre II, que coincidiu com o dia em que o explorador sueco Nils Nordenskiöld encontrou a pedra, pela primeira vez, nos montes Urais da Federação Russa.
Nils Nordenskiöld percebeu que a variação de coloração da pedra encontrada, quando esta se apresentava sob a luz do sol e a luz incandescente, coincidiam com as cores do exército do czar: verde e vermelho. Devido s tal coincidência a Alexandrita passou a ser um símbolo nacional da Rússia.





A Rússia foi o único produtor dessa variedade de crisoberilo por muito tempo, até que, entre 1960 e 1980, devido ao esgotamento de suas reservas, o Sri Lanka passou a ser o produtor mais importante.
A maior alexandrita já lapidada, com 65 quilates, foi encontrada no Sri Lanka e atualmente se encontra no Museu de História Natural de Washington (EUA). Ainda, no Sri Lanka, encontrou-se uma alexandrita que pesou 375g em seu estado bruto.
Entre 1970 e 1980 o Brasil também se tornou um produtor de alexandrita com extrações na Bahia, Espírito Santo e, principalmente, Minas Gerais, onde, inicialmente, a alexandrita era extraída no município de Malacacheta.
Em 1986 descobriu-se grande quantidade dessa gema em Hematita, no município de Antônio Dias, o que provocou o abandono dos demais garimpos. A jazida de hematita levou o Brasil à condição de maior produtor mundial.
Desde 1970 se produz alexandrita sintética, e há também, no mercado, imitações feitas com espinélio sintético, ao qual se adicionou óxido de vanádio.
As imitações são vendidas sob os nomes de Alexandrina, alexandrita sintética ou simplesmente alexandrita, o que pode provocar confusão na hora da compra.

Araguanã já forneceu minerais durante a 2ª Guerra Mundial

Araguanã já forneceu minerais durante a 2ª Guerra Mundial

Garimpos da época deram origem à cidade que hoje é rota do turismo.
Cerca de 20 mil pessoas visitaram o município no último fim de semana.

Do G1 TO
O garimpeiro João Pereira da Silva, 62 anos, chegou em Araguanã na época da formação da cidade (Foto: Ademir dos Anjos/Casa Militar)O garimpeiro João Pereira da Silva, 62 anos, chegou em Araguanã quando tinha 19 anos, época do início
da formação da cidade (Foto: Ademir dos Anjos/Casa Militar)
Araguanã é conhecida hoje pelas belas praias e está entre os 34 municípios do Tocantins, que são destino certo dos turistas que querem aproveitar a natureza. Mas a história da cidade ainda é pouco conhecida no estado. De acordo com o governo estadual, Araguanã nasceu dos garimpos que exploravam o quartzo (cristal de rocha), mineral que foi muito utilizado durante a 2ª Guerra Mundial.
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As belezas da praia Ilha Grande, em Araguanã, atrai vários turistas no fim de semana (Foto: Ademir dos Anjos/Casa Militar)As belezas da praia Ilha Grande, em Araguanã, atrai
vários turistas nos finais de semana
(Foto: Ademir dos Anjos/Casa Militar)
O quartzo serviu como matéria-prima nos sonares dos submarinos, segundo uma pesquisa divulgada pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG). Os cristais eram transportados para o Rio de Janeiro e para Minas Gerais, que eram as principais capitais do país na época (1940-1950).
Para o garimpeiro João Pereira da Silva, 62 anos, também conhecido como 'João Moreno', trabalhar no garimpo não era fácil. "A gente acampava próximo ao local de extração [dos minerais] porque naquele tempo não tinha muita escolha. Não tinha médico, remédio era tudo de erva que a gente achava no mato. Eu vi os filhos dos meus conhecidos morrerem, era um tempo muito difícil", conta ele.
Turismo
No último fim de semana (20 e 21 de julho), a praia da Ilha Grande recebeu cerca de 20 mil pessoas, segundo informações da Secretaria Municipal de Turismo. No local, os banhistas recebem orientações e têm o apoio da atenção básica em saúde da área estadual e municipal. Os agentes também distribuem kits contendo preservativos masculino e feminino.
Praia Ilha Grande já é destino certo dos turistas (Foto: Ademir dos Anjos/Casa Militar)Praia Ilha Grande já é destino certo dos turistas (Foto: Ademir dos Anjos/Casa Militar)

Localização
O acesso à cidade é pela TO-164. Araguanã fica na região norte do Tocantins, a 500km de Palmas e a 100 Km de Araguaína.

Garimpo nas areias cariocas Gente que cata objetos perdidos nas praias tem ‘renda’ mensal de até R$ 3 mil

Garimpo nas areias cariocas Gente que cata objetos perdidos nas praias tem ‘renda’ mensal de até R$ 3 mil


Fonte: O Dia

Rio – Tem muito carioca que acorda cedo para bater ponto na praia — e não é para pegar sol. São os garimpeiros urbanos, que da areia retiram ouro, prata e fortunas que já sustentam famílias inteiras. No lugar de barracas, carregam curiosos apetrechos que chegam a valer R$ 600 e passam as primeiras horas da manhã revolvendo a orla da Zona Sul.
Com a ajuda de uma rapina — cabo de aço com espécie de cesta na ponta —, máscara com snorkel ou até a olho nu, os ‘profissionais’ garimpam joias, relógios, óculos e moedas perdidos pelos banhistas na areia e na água. Os bens encontrados são vendidos para clientes fixos ou ourives. Leva quem oferecer mais dinheiro. Um cordão de ouro chega a valer R$ 2 mil e pode compensar o trabalho de um mês inteiro.

Garimpeiro mais antigo da cidade, Jorge Ribeiro Mariano, 62 anos, desenvolve há 39 o ofício. No currículo, trabalhou até em praias hoje vazias, como Ilha do Governador e Ramos, e já encontrou anel com 16 diamantes no valor de 1,6 mil dólares e cordão de ouro de R$ 2,6 mil. O anel, encontrado em Araruama, foi vendido para turista em Copa e o colar, arrendado por um ourives. O salário não é fixo (gira em torno de R$ 1 mil em meses fracos), mas os achados no mar sempre foram suficientes para sustentar os cinco filhos e a esposa — que nunca trabalhou.
Segundo Jorge, mais conhecido como La Bamba, os dias mais rentáveis são os de ressaca, quando a força das ondas ‘revela’ as joias perdidas na areia. Mas, independentemente do teor dos ventos, La Bamba bate ponto todos os dias na orla e percorre do Recreio a Copacabana, passando pelo Flamengo e Urca. Ele calcula que haja 10 garimpeiros fixos na cidade, mas, em dias de ressaca, o número sobe para 70. Os clientes são mais ou menos 40, a maioria madames. “O mar é milionário, e o ouro não acaba. Óculos e relógios, vendo para bombeiros e outras pessoas, já moedas de outros países eu troco. Só evito pegar oferenda”, disse.
Durante cinco anos, Oswaldo Oliveira, 46, trabalhou como contador de imobiliária em Copacabana. Quando a empresa faliu, em 2007, bastou atravessar alguns quarteirões da Rua Santa Clara para chegar à sede do novo emprego: o mar de Copacabana. O garimpo, que antes se resumia a um hobby para ‘engordar’ o salário de R$ 6 mil, tornou-se o principal trabalho do ex-contador.
Hoje, a renda mensal do morador de São Gonçalo caiu — varia de R$ 1,5 mil a R$ 3 mil —, mas ele não se arrepende de ter trocado horários fixos e cobrança do chefe pela liberdade que o garimpo proporciona. “Aprendi com os veteranos e virei profissional. Fugi da imobiliária para catar ouro, que é prazeroso: procuro o que não perdi e ainda ganho dinheiro”, frisa.
Mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, quem diria, são amigas dos garimpeiros. Oceanógrafo e chefe do Departamento de Análise Geoambiental da UFF, Julio César Wasserman explica que as joias encontradas não são trazidas pelo mar, mas desenterradas da areia com a força das ondas, mais fortes por causa das ressacas — que se tornaram mais frequentes. Para encontrar riquezas no fundo do mar, rapinas não seriam suficientes, e o garimpeiro precisaria de um detector de metais. “No verão, a faixa de areia é maior, porque há menos ressaca. Com o passar do tempo, as joias perdidas vão sendo ‘enterradas’ na praia. No inverno, porém, com mais ressacas, o ouro é descoberto, para alegria dos garimpeiros”, explica.
Lucro que sai do lixo e abastece bazar
Não é só da praia que saem objetos que podem dar lucro. Roupas, chapéus, partes de computadores e até um cachorro e uma tartaruga vivos já foram encontrados no lixo coletado pelas 12 mulheres da cooperativa CoopCarmos, de Mesquita. Há 11 anos, os achados vão para um bazar, às sextas-feiras. Com as vendas, a cooperativa fatura R$ 1 mil por mês, dinheiro que ajuda na manutenção do local, segundo a coordenadora Hada Silva. “Se não tivéssemos o bazar, nosso gasto seria maior. Devolvemos a tartaruga para a dona e o cachorro ficou conosco três anos, mas acabou morrendo”, contou.
Na abertura da Copa deste ano, o achado das catadoras da cooperativa CoopCarmo no lixo as acompanhou durante o torneio: uma bandeira do Brasil. O item ajudou na torcida e, com a desclassificação brasileira, ficou no rol de achados inusitados. “Achei um desrespeito jogarem o símbolo da Pátria no lixo, mas nós aproveitamos”, ralhou Hada.