sábado, 22 de julho de 2017

ENTREVISTA COM O VEREADOR PENINHA SOBRE O LEILÃO DE ÁREAS DE GARIMPO

terça-feira, 18 de julho de 2017

ENTREVISTA COM O VEREADOR PENINHA SOBRE O LEILÃO DE ÁREAS DE GARIMPO



A questão mineral no Tapajós vem sendo debatida há muitos anos, com  varias leis, portarias, decretos e realização de muitas audiências e reuniões, mas os problemas continuam e agora parece se agravar mais com a nova medida que o Ministério das Minas e Energia, através do DNPM está tomando. O alerta é do vereador PENINHA, que na semana reuniu a imprensa em Itaituba para uma coletiva, quando falou sobre o leilão de áreas de garimpagem no Brasil, mas que atingirá principalmente a Província Aurífera do Tapajós. A reportagem do Jornal O IMPACTO entrevistou o vereador PENINHA.
O IMPACTO:  Qual a atual situação da garimpagem na região do Tapajós?
PENINHA:  Falta de estabilidade. Quem está trabalhando há dezenas de anos, a maioria, mesmo não tendo  nenhum documento, não tem o mínimo conhecimento das novas medidas que o governo está adotando, assim como os que estão documentados, minoria, não sabe o que vai acontecer daqui pra frente. A verdade é que o Governo toma medidas sem ouvir os envolvidos na questão e depois usando a força faz o que bem entende. As medidas provocam revolta da população da região, que já vive abandonada, sem assistência do poder publico e quando está trabalhando ainda sofre represálias. É complicado esta situação.
Baixões do Garimpo

O IMPACTO: O senhor como um dos conhecedores da questão garimpeira, como analisa estas propostas de leilão das áreas minerais?
PENINHA: Vejo com tristeza, porque os garimpeiros tradicionais não vão ter a mínima condição de participar destes certames. O governo vai entregar estas áreas para os estrangeiros por preço de banana. Isto posso garantir porque as áreas vão ser arrematadas pelas empresas, que possuem dinheiro. Garimpeiro não sabe o que é leilão. Não tem noção de como e pra onde vai esta questão. Esta medida é para acabar com a figura do GARIMPEIRO. As áreas já estudadas, ou seja o “filé” da garimpagem do Tapajós vão dar de mão beijada para os grupos internacionais. Hoje temos em torno de 615 PLGs –Permissão de Lavra Garimpeira, que representam 100.500 hectares. Tem mais 6.684 Requerimentos tramitando de PLGs, com uma área de 919.000 hectares. Juntos as PLGs já expedida e as requeridas somam mais de 1.019.500 hectares. Temos ainda 673 Alvarás de pesquisas, que somam uma área de 2.633.000 hectares e mais 621 requerimentos solicitando alvarás de pesquisa, que somam uma área de 3.200.000 hectares. Juntos os alvarás de pesquisa em vigor e os requerimentos de alvarás de pesquisas somam uma área de 5.833.000 hectares. Somadas as áreas de PLGs e de Alvarás de pesquisa chegam a 6.852.500 hectares. Pelo que soubemos, a metade destas áreas vão a leilão.
Balsas conhecidas como " Dragas"

O IMPACTO: O que causará na região se esta medida for tomada pelo Governo?
PENINHA: Meu amigo, esta gente em Brasília não tem ideia do que vão causar na região e os reflexos ao Estado do Pará e ao Pais. Primeiro, lembrar que hoje já temos mineradoras na região, e quero deixar bem claro que sou a favor das empresas, mas defendo os pequenos, que são a maioria e que derramam o suor dia e noite para a sobrevivência de suas famílias. As mineradoras pouco deixam na região, a começar pelo ouro, que não é vendido em Itaituba. É levado para outros estados. Segundo, o pequeno, ou seja os garimpeiros tradicionais, moram aqui, vendem o pouco ouro que exploram aqui, gastam o dinheiro aqui. Para se ter uma ideia, a Província Aurífera do Tapajós que abrange os municípios de Jacareacanga, Itaituba, Novo Progresso e Trairão, contam com cerca de 4.000 pares de maquinas trabalhando na extração de ouro. Cada maquina desta conta com o trabalho de cerca de 5 pessoas diretamente. Estes motores, num calculo feito, consumem anualmente em torno de 172 milhões e 800 mil  litros de óleo diesel. Temos outros equipamentos trabalhando na garimpagem, as conhecidas escavadeiras-PCs. Calculamos que existem trabalhando nesta região cerca de 1.000 escavadeiras. Cada  escavadeira funciona com 2 profissionais. Anualmente estas 1.000 PCs consume em torno de 6 milhões e 800 mil litros de diesel. Veja, o estrago que vai acontecer na economia da região. Os milhares de garimpeiros vão viver de que?. Vão fechar compras de ouro, vão fechar distribuidoras de combustível, vão fechar postos de combustível,   mecânicos destes equipamentos vão ficar desempregados, com isso vão demitir esta gente, vão fechar lojas de equipamentos de garimpos.
Compras de Ouro, Lojas de Equipamentos de Garimpo e Posto de Combustível

 As revendedoras de maquinas pesadas, PCs vão fechar e quem vai pagar estes equipamentos que foram comprados a prazo. O que é ainda mais preocupante é que esses milhares de trabalhadores de garimpo, além de ficarem sem seus trabalhos, sem seu pão de cada dia, não vão ter alternativa de migrar para outros garimpos de outras regiões, pois as medidas são horizontais para todo o Brasil. Só vai sobreviver por enquanto,  quem tem áreas legalizadas com PLG’S e que não sabemos até quando conseguirão renovar essas PLG’s, por que o governo pode dificultar para indeferir e LEILOAR.
Revendedoras de Máquinas Pesadas
  Estas respostas o Governo não nós dá. Além destes, ainda podemos citar o prejuízo na arrecadação, que tanto os municípios, como o Estado vão ter, seja de ICMS sobre o combustível, seja do ISO,, CFEM do ouro extraído na região. Em 2015, Itaituba recebeu só da CFEM- Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais R$ 2.734.542,81. Já em 2016, este valor aumentou para R$ 4.872.216,40. Em 2015, só Itaituba produziu 5 toneladas e 450 quilos de ouro. Já em 2016, produziu 13 toneladas e 508 quilos de ouro. Isto somente do ouro controlado, ou seja legal, segundo dados do DNPM.O que posso garantir, que a nossa região vive do OURO e esta medida vai acabar com a região, pode tomar nota do que estou dizendo.
O IMPACTO:  O que pode ser feito para evitar esta medida do Governo Federal?
PENINHA: A questão Mineral do Tapajós temos discutido permanentemente, mas entre nós da região. Não somos consultados pelos órgãos em Brasilia. Quando aqui vem um representante destes órgãos, ouvem nossa propostas, porém, não levam a serio. Aqui até o Marco Regulatório da Mineração já foi discutido com a presença dos membros da Comissão na Câmara Federal, mas até agora nossas propostas ainda não saíram do papel. O que mais nos revolta, é ver nossos representantes, deputados federais e senadores e até o Governo do estado assistir estas medidas sem se manifestar. Pelo que estou  vendo, só eu estou levantando esta questão.

 A nossa sugestão é garantir aos garimpeiros o trabalho dentro da área da Reserva Garimpeira, que tem em torno de 18 milhões de hectares. Esta área foi destinada, através de portaria em 1981 para este fim, mas já tiraram tanto pedaço dela para criação de unidades de conservação que hoje não sei mais qual é seu tamanho. Se o governo assegurar esta área para a livre garimpagem já está de bom tamanho, porém parece que as áreas que vão para leilão estão exatamente dentro desta Reserva Garimpeira. Outra questão que temos que garantir, é os garimpeiros que possuem Permissão de Lavra GARIMPEIRA e Alvará de Pesquisa. Até agora o Governo não disse como vai proceder com esta gente. Temos que esgotar todas as formas de negociação com o governo, que espero que nos deem essa chance, no mínimo se tiver mesmo que leiloar áreas dentro da Reserva Garimpeira do Tapajós, que sejam para PLG’S e para trabalhadores reconhecidamente da região.
Vereador Peninha visitando o Garimpo
O IMPACTO: Porque você acha que o Governo esta tomando esta medida com relação a mineração no Brasil?
PENINHA: Veja bem, o governo até hoje não conseguiu definir a questão da mineração no Brasil. Mas, uma coisa tem que ficar clara, a mineração praticada na região do Tapajós, não pode ser igual a praticada em Minas Gerais. Nossa atividade mineral tem que ser tratada diferenciada. Este tem sido o grande problema. O governo só dificulta a legalização da atividade mineral no Tapajós.  Só tivemos um avanço nesta atividade na região, quando o Estado, justiça seja feita, o ex-secretario estadual de Meio Ambiente, José Colares se mudou para Itaituba e região e veio discutir esta questão com a gente. Ouve muitos avanços e esta questão temos que continuar discutindo. O que estamos vendo hoje é só fiscalização, repreensão e o pior com a destruição de equipamentos caros, que na sua maioria seus donos ainda estão pagando.
"Dragas"

 Sobre sua pergunta, o que posso responder é que um grupo de gente que está dentro do DNPM está querendo leiloar nossas áreas de garimpo para empresas estrangeiras e volto a dizer só as áreas consideradas “filés”. Estas empresas vão comprar estas áreas por valores por hectare menores do que hoje custa uma grama de ouro na região. Outra coisa, o DNPM, segundo informações vai leiloar primeiramente 1.000 áreas de um total de 20.000. Nestas áreas que vão a leilão com certeza tem gente trabalhando, mesmo ilegalmente, mas há anos está ali. Isto não vai criar um conflito entre quem arrematou a área com quem nela está trabalhando. Vão retirar esta gente na marra, na força, destruindo os equipamentos. Precisamos de resposta e o DNPM não fala nada sobre esta questão. O órgão, antes de lançar o leilão, tem que apresentar um relatório mostrando onde estão estas áreas.
Estrada do garimpo de Marupá

O IMPACTO: O que você sugere para o DNPM fazer de imediato através do seu Escritório de Itaituba?
PENINHA: Que o DNPM desloque urgentemente equipes para estudar processos de PLGS pendentes de análises,  mas visando publicação de títulos de PLGS, ou seja produzir títulos para os garimpeiros trabalharem em paz, pois o que se sabe é que o número de títulos de PLG’s  aqui na região é menos de 10 por cento do que número de processos pendentes de análises aqui no Escritório do Órgão.
O IMPACTO: Com todas estas dificuldades, você acha que melhorou a garimpagem no Tapajós?
PENINHA: Com certeza. Anos atrás o garimpeiro trabalhava na extração de ouro com pá, bateia e picareta. Hoje ele já tem mais opções de equipamentos, como a PCs, conhecida como escavadeira. Ela hoje facilita muito a abertura para que o garimpeiro possa produzir mais. Também temos hoje a perfuração de poços em rochas. Nos últimos anos novos equipamentos estão sendo utilizados na exploração de ouro, o que vem aumentando a nossa produção. Basta comparar a produção de 2015 com a produção de ouro de 2016. O aumento foi mais de 70%.
O IMPACTO: E o futuro da região, como o senhor ver?
PENINHA: A Deus pertence, mas vejo com nuvens escuras. Uma região que vive a mais de 50 anos do ouro, não pode do dia para noite mudar sua economia, até porque já vimos que outros empreendimentos chegaram a Itaituba, mas o ouro ainda é que dá sobrevivência, não apenas para Itaituba mas a região toda. Os portos, pouco tem contribuído com Itaituba. A madeira, hoje não é mais aquele coqueluche que se vendia a preço de ouro. Veja, vários terminais de combustível estão se implantando em Miritituba. Se não me falha a memoria, 3 grande bases estão se instalando em Itaituba, mas não é para atender os empurradores das balsas.
Vereador Peninha visitando o Garimpo
 A maior quantidade de petróleo  que é vendida hoje é para a região garimpeira. Diariamente dezenas de carros tanques, carretas atravessam a balsa de Itaituba-Miritituba levando óleo diesel para a região garimpeira. Ali que é o forte do consumo, como já falei anteriormente. São milhares de litros de óleo diesel consumidos diariamente no serviço de extração de ouro. O ouro é a nossa economia. Vivemos do ouro em Itaituba e região. Se acabar com a figura do garimpeiro, vai ser crise, colapso, problemas sociais é esperar para ver. Quem está falando é que conhece de ponta a ponta a região. Fui eu que em 1988 comecei a trabalhar pela divisão territorial de Itaituba, pela criação dos municípios de Jacareacanga, Trairão, Novo Progresso e Crepuri. Infelizmente o Crepuri não conseguimos criar. Por isso posso afirmar, esta medida, além de ser INCONSTITUCIONAL, porque fere o Código da Mineração, vai acabar com os garimpos do Tapajós.
 Vereador Peninha visita o garimpo do Marupá

Fonte: Blog do Peninha

Conhecem os guias para encontrar diamante

Conhecem os guias para encontrar diamante

Os diamantes até nos aluviões ricos são raros e dificilmente podem ser encontrados através de testes. O prospector de diamante não procura a pedra diretamente, mas através de guias. Se achar esses guias, pode se abrir uma cata para encontrar alguns diamantes pequenos e se achar esses diamantes pequenos numa cata, poderá ter diamantes maiores numa pista de 50 metros.

Os garimpeiros de diamante conhecem os guias ou acompanhantes do diamante ou satélites como os técnicos prefiram falar. Quando os encontram num cascalho, sabem que pode haver a preciosa pedra. Só que eles conhecem pela terminologia garimpeira.
Se o garimpeiro falar em esmeralda, cuidado, não é a belíssima pedra verde, é tão somente zircon;
Iremos apresentar esses guias pelo nome garimpeiro e traduzir pelo nome técnico internacionalmente conhecido..


Alguns dos satélites (guias) mais importantes do Diamante:

Figado de galinha.--------Jaspe vermelho (Heliotropo)
Marumbé.--------------------Jaspe amarelo ou marrom
Palha de arroz.--------------Cianita
Chicória.-----------------------Granada piropo
Fundo.--------------------------Diamantes menores que um ponto
Ferragem.----------------------Rutilo
Fava.----------------------------Monazita (fosfato de Cerio)
Feijão preto.-------------------Goetita
Ovo de pomba.---------------Quartzo hialino rolado
Osso de cavalo.-------------Cianita
(Osso de cavalo e palha de arroz è a mesma coisa)
Cativo.---------------------------Martita
Pedra de Santana.-----------Pirita limonitizada
Pretinha.------------------------Turmalinitos
Pretinha reluzente.-----------Turmalina
Esmeralda.----------------------Zircão
Resina.---------------------------Estaurolita
Ilmenita.--------------------------Ilmenita magnesiana


Lista fornecida pelo geólogo Fernando Lemos


No tapajós, observa-se grande quantidade de feijão preto e ovo de pombo e pouca chicória

E OS GOSSANS DO TAPAJÓS ?

E OS GOSSANS DO TAPAJÓS ?

NÃO EXISTEM OU NÃO FORAM IDENTIFICADOS?
“Gossans” são corpos derivados do intemperismo de corpos rochosos sulfetados rasos, pertos da superfície.
Via de regra, são enriquecidos em óxidos e hidróxidos de ferro que se preservados formam os conhecidos “chapéus de ferro”.
Os gossans de cobre, ouro, prata são conhecidos a centenas de anos.
De acordo com a literatura os requisitos para o desenvolvimento de gossans são presença de corpos sulfetados passíveis de ser atingidos por águas de superfície oxigenadas.
No tapajós nos últimos anos tem sido reveladas dezenas de corpos sulfetados.
Tem sido divulgado que na região do tapajós proliferam corpos hidrotermalizados, gigantescas caldeiras vulcânicas e sequências vulcano –sedimentares que de acordo com a literatura são ambientes favoráveis a desenvolvimento de “GOSSANS”.
Gossans, gossans onde estás que não te encontram!
JO responde:
Caro colega, os gossans remanescentes são realmente raros no Tapajós.
Tem um bem definido no garimpo Água Azul a margem direita da cabeceira do Rio Marupá, detectado pela geoquímica de bateia e desconhecido dos garimpeiros por ser afastado de qualquer igarapé, outro insipiente na Transgarimpeira próximo ao Creporizão e tem um, mas pouco mineralizado, portanto sem interesse econômico no garimpo Boa Vista. Quando você faz fiscalização só fica 2 (dois) dias e não dá para mostrar todo o resultado de anos de trabalho.
Mas realmente esses poucos exemplos não condizem com a portentosa província aurífera do Tapajós.
A causa possível desta raridade? O gossan sendo superficial pode ter sido lavrado pelos garimpeiros: muitas estórias garimpeiras de bamburros e de explicação a respeito de cor roxa do solo levam e esta hipótese. Parece ser o caso do bamburro de 1 (uma) tonelada de ouro superficial no garimpo Nossa Senhora da Conceição, de Ivan de Almeida a margem esquerda do Rio Marupá, já no município de Jacareacanga.

Se usar o nome inglês “gossan” ou “chapéu de ferro” português, ou “ Chapeau de fer “ francês ninguém vai entender, mas tente a tradução em linguagem local: “ MOCORORO” e logo vão aparecer um monte de exemplos só que a maior parte lavrados.
Se perguntar aos garimpeiros: “encontrou ouro no MOCORORO? “ via de regra, vai  responder sim, e que ele for mostrar o local onde extraiu o ouro deste mocororo, vai encontrar  fragmentos bem escuros de rejeito de gossan.
Extraído do glossário do garimpo (Ouro no barraco)

“Mucororo. ou Mocororo S. m. Material arenoso cimentado por material  ferruginoso de cor vermelha, localizado abaixo ou acima do cascalho, ou substituindo o mesmo. Geralmente mineralizado e muito duro, exige a moagem para ser bem aproveitado”

Fonte: Jornal do ouro

Wellington apresenta potencialidades do Piauí no Canadá

Wellington apresenta potencialidades do Piauí no Canadá


O governador Wellington Dias, em viagem à cidade de Toronto, no Canadá, apresentou a empresários canadenses e representantes da Câmara de Comércio Brasil-Canadá e da Federação de Comércio Brasil-Canadá uma carta de projetos e possibilidades de investimentos no Piauí, que vão desde a área de energias renováveis, mineração,(Opalas e diamantes) turismo, educação e agronegócio. O encontro foi mediado pelo Consulado Brasileiro no Canadá.
Na oportunidade, o chefe do Executivo piauiense fez uma apresentação de como o Piauí se destaca no cenário nacional brasileiro pelo trabalho, organização e pela estabilidade dos indicadores socioeconômicos. “Tem sido uma visita excepcional, que cria um impacto muito importante, mudando nossa agenda e rotina de planejamento diplomático e do nosso trabalho de aproximação econômica e política entre os dois países”, explica o cônsul adjunto do Brasil no Canadá, Ademar Seabra.
Para Wellington, a visita tem potencial de gerar boas oportunidades para o desenvolvimento do Piauí. “Eu saio daqui bastante animado, primeiro pela competência e pelo compromisso da Embaixada do Brasil no Canadá. Nesse encontro, focamos no potencial de negócios, de investimentos, por meio de fundos de pensão”, explica o governador.
Após o contato inicial, as tratativas deverão ser mediadas pelo Escritório de Representação do Canadá, em São Paulo; pela Embaixada do Canadá, em Brasília.  “Esse processo é para que haja um maior entendimento entre as partes e a elaboração de estratégicas para que a necessidade de investimento piauiense coadune com a oferta muito grande e generosa e com as potencialidades que existem aqui no país para fazer essa associação com Estado”, disse Dias.
Wellington segue no Canadá até o dia 25 de julho, onde visita o sistema prisional e de ressocialização de presos daquele país, além de apresentar propostas de intercâmbio das línguas Francês e Inglês para o Piauí, por meio de professores canadenses, e intercâmbio da língua portuguesa para alunos da rede pública de ensino do Canadá.

Na Nova Zelândia, uma batalha entre o sagrado e 8500 quilos de ouro

Na Nova Zelândia, uma batalha entre o sagrado e 8500 quilos de ouro


Descobrir ouro numa área protegida é, à partida, uma garantia de conflito entre uma empresa mineira e os activistas da defesa da natureza. O caso que agora envolve o desfiladeiro de Karangahake, na Nova Zelândia, e a empresa New Talisman Gold Mines não é excepção. A comunidade local está a protestar contra os trabalhos de mineração previstos para esta área de grande riqueza natural, visitada anualmente por milhares de turistas nacionais e estrangeiros.
É que, segundo o diário britânico The Guardian, a New Talisman revelou na semana passada ter encontrado um filão de ouro no desfiladeiro no valor de dezenas de milhões de dólares neozelandeses (hoje cotado a 0,63 euros) – 8500kg de ouro da mais elevada qualidade. O director de operações da empresa, Wayne Chowles, já veio dizer que a New Talisman tenciona começar a extrair pequenas quantidades daquele metal precioso no início de 2018, o que gerou de imediato protestos da comunidade local.
O desfiladeiro de Karangahake, que fica em terras que pertencem ao Estado, a hora e meia de carro de Auckland, a maior cidade do país, é muito popular devido à sua beleza natural e à riqueza da sua história. Fica na ponta sul da península de Coromandel, na ilha Norte, e é considerado sagrado pela comunidade indígena local.
“O Governo e o departamento de conservação falharam na protecção desta terra que é um tesouro”, acusa um dos membros do grupo de protesto Protect Karangahake, Ruby Janel Powell, uma organização cívica que tem intensificado as suas acções no desfiladeiro na última semana, mas que há anos se bate pela sua preservação.
“Esta é uma área recreativa muito popular e a fonte de água local vem da mina”, continua Powell, explicando ao Guardian as principais razões dos protestos em relação ao projecto da New Talisman, empresa com a qual a comunidade já não mantém qualquer tipo de comunicação. “No geral a nossa cultura e a nossa economia estão profundamente ligadas ao ecoturismo e à vida ao ar-livre na região de Coromandel. A mineração ameaça tudo isso”, diz.
No site do grupo são muitas as mensagens que revelam a indignação de todos os que procuram defender aquela área protegida.
“Não interessa a quantidade de ouro que eles encontraram. Isso não alterará o facto de os neozelandezes estarem a ser expulsos de terra protegida para que alguns, poucos, possam lucrar com ela”, diz outro membro da comunidade local, Susan Durcan, referindo-se à área que a empresa delimitou, fechada com um portão. “O desfiladeiro de Karangahake é um dos sítios mais populares da Nova Zelândia – o que é que esta situação diz aos nossos visitantes estrangeiros sobre a forma como valorizamos os nossos recursos naturais?”, questiona.
Catherine Delahunty, ambientalista e deputada pelos Verdes, está entre os que combatem activamente os projectos de mineração em áreas protegidas em todo o país. “Nos territórios de uma reserva não devia haver portões, arame farpado e seguranças a proteger indústrias tóxicas”, defendeu.
O director de operações da New Talisman diz que não há motivos para preocupações, já que a exploração será feita afectando “apenas” meio hectare e trará grandes benefícios à região, sem “perturbar de forma significativa a paz e a beleza do desfiladeiro”. A empresa está a trabalhar, explicou ainda, usando estruturas mineiras pré-xistentes (houve minas na região entre 1892 e 1992). A realidade, contrapõe a activista Ruby Janel Powell, é que as minas de ouro dão muito dinheiro a ganhar a muito poucas pessoas.
Em 2009, a empresa recebeu do Governo neozelandês uma licença de exploração no desfiladeiro até 2034. É por isso que a comunidade local enfrenta agora grandes dificuldades para travar o projecto. Lembra o Guardian que na Nova Zelândia é permitido explorar minas em áreas naturais, desde que se tenha autorização para tal. A New Talisman tem. Até Maio, eram 43 as minas a operar em zonas protegidas no país.
Fonte: Publico.PT