quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Como fabricar um diamante do nada

Como fabricar um diamante do nada


Direito de imagem Getty Images

De vez em quando, Dan Frost escuta um forte estampido e o chão de seu escritório vibra. Só pode ser uma coisa: um de seus experimentos explodiu de novo.
Ao descer para o laboratório, ele pode ver o susto na cara dos colegas. É como se uma pequena bomba tivesse estourado. "O barulho é assustador, mas não é perigoso. Está tudo protegido", explica ele.
As explosões fazem parte do trabalho de Frost. Cientista no Bayerisches Geoinstitut, na Alemanha, ele está tentando reproduzir as condições do manto, a camada da Terra situada a milhares de quilômetros de profundidade. Isso significa submeter rochas a algumas das pressões mais altas já conhecidas pela humanidade.
Não é de se espantar que ocorram alguns percalços.
Como parte de sua pesquisa, Frost descobriu maneiras surpreendentes de fabricar diamantes. A partir de gás carbônico, por exemplo. Ou de pasta de amendoim.
Em comparação com nossos enormes avanços na exploração espacial, sabemos bem pouco sobre o universo que se estende debaixo de nossos pés.
A geologia elementar nos explica que o interior da Terra pode ser dividido em três camadas: o núcleo, o manto e a crosta. Mas a exata composição dessas camadas ainda é um mistério. Uma enorme falha no conhecimento humano.

Camadas da TerraDireito de imagem Science Photo Library
Image caption Pouco se sabe sobre a exata composição das camadas da Terra
"Se quisermos entender como a Terra se formou, uma das coisas que precisamos saber é o material do qual o planeta é feito", explica Frost.
Muitos geólogos assumem que a Terra é feita da mesma matéria que os meteoritos do Cinturão de Asteroides. O problema é que a maioria dos meteoritos que caem na Terra tem uma proporção mais alta de silício do que encontramos na crosta terrestre. Onde todo esse silício foi parar? Uma das teorias é de que esteja retido no manto.
Para responder a essa pergunta, Frost utiliza dois tipos de prensa. A primeira usa um potente pistão para espremer minúsculas amostras de cristais a uma pressão até 280 mil vezes mais alta do que a pressão atmosférica, ao mesmo tempo em que elas são "assadas" em uma fornalha.
Isso recria as condições das camadas superiores do manto, que ficam a cerca de 900 quilômetros abaixo da superfície terrestre, fazendo com que os átomos do cristal se rearranjem em estruturas mais densas.
Uma segunda bigorna então esmaga os minerais recém-formados para que eles ganhem um aspecto parecido com aqueles encontrados em camadas ainda mais profundas da Terra.
Esse equipamento é composto por dois minúsculos diamantes que achatam os cristais lentamente. O resultado é 1,3 milhão de vezes maior que a pressão atmosférica.
Enquanto a amostra ainda está no aparelho, o cientista mede a maneira como o som viaja através do cristal resultante. Ao comparar esses dados com a leitura de ondas sísmicas que se propagam no interior da Terra, ele pode definir se a amostra está ou não próxima da composição do manto.

Sequestradores de carbono


Pasta de amendoimDireito de imagem Thinkstock
Image caption Rica em carbono, a pasta de amendoim poderia servir para a 'fabricação' de diamantes
As descobertas de Frost têm sido algo surpreendentes: o manto não parece conter uma proporção suficientemente alta de silício para se equiparar à composição dos meteoritos.
"Talvez ele tenha penetrado ainda mais profundamente, até o núcleo", diz o cientista.
Outra possibilidade é que a Terra inicialmente tivesse uma crosta muito mais espessa, cheia de silício, que foi então expelido pelos inúmeros impactos de meteoritos. Ou talvez tenhamos que repensar toda a questão do material de que é feita a Terra.
O processo de pressão intensa também criou um mineral chamado ringwoodita, um silicato de ferro e magnésio de cor azul que pode reter água. A descoberta sugere que o manto pode estar escondendo "oceanos" nas profundezas da Terra.
Os experimentos podem até, intuitivamente, nos contar mais sobre o ar que respiramos. E é aqui que entram os diamantes de Frost.
Ele suspeita que uma série de processos geológicos poderia retirar CO2 dos oceanos e injetá-lo em rochas, até o manto, onde seria transformado em diamante. "Essas pedras preciosas são menos voláteis que outras formas de carbono, o que significa que elas têm menos chances de serem liberadas de volta à atmosfera", diz o cientista. Um manto cravejado de diamantes poderia, portanto, ter desacelerado o aquecimento da terra, potencialmente ajudando na evolução da vida.
Para Frost, o principal ingrediente para esse processo é o ferro. As altas pressões do manto forçam o dióxido de carbono das rochas para os minerais ricos em ferro, que retiram o oxigênio e deixam o carbono para formar um diamante.
E isso é exatamente o que Frost descobriu quando recriou o processo usando as prensas – basicamente fabricando um diamante do nada.

Trabalho de tempo

Mas Frost provavelmente terá dificuldades em ficar rico com sua fabricação. Os diamantes levam longo tempo para serem formados.
"Para ter um diamante de 2 a 3 milímetros, teria que esperar semanas", diz. Isso não o deteve na experimentação de novas fontes para sua máquina de fazer diamantes.
A pedido de uma emissora de televisão alemã, ele tentou criar alguns diamantes a partir da pasta de amendoim, material rico em carbono. "Muito hidrogênio foi liberado, o que destruiu o experimento. Mas depois disso, consegui os diamantes."
Experiências malucas à parte, o instituto alemão agora se concentra em descobrir se consegue produzir diamante artificial com diferentes propriedades. Adicionar boro aos diamantes poderia torná-los semicondutores mais eficientes para artigos eletrônicos, que não aquecem com o uso – um dos maiores desperdícios de energia na indústria eletrônica atualmente.
Utilizar outras estruturas de carbono como matéria-prima, na forma de nanotubos, pode até fazer com que se chegue a um tipo de diamante superforte, mais resistente do que qualquer material que conhecemos.
Frost, no entanto, ainda gosta de se dedicar a desvendar os segredos sobre a história da Terra – e, potencialmente, sobre a vida extraterrestre.
"Estamos interessados em saber como o interior da Terra interagiu com a superfície; ao longo da existência da Terra, isso foi muito importante", diz. "E se estamos procurando por outros planetas habitáveis, teremos que considerar muitos desses processos."
Um trabalho vital que certamente compensa o sacrifício de um pouco de pasta de amendoim – e explosões ocasionais.

Fonte: BBC

Prefeitos do Pará se mobilizam para enfrentar a crise econômica

Prefeitos do Pará se mobilizam para enfrentar a crise econômica


“Os últimos dias tem sido de muito do sofrimento. Os municípios estão à beira da falência e a culpa não é nossa e nosso povo é quem paga”. A fala é da prefeita de Primavera, Ana Renata Sousa, que fala sobre o momento de crise vivida pelos municípios. Ela e outros prefeitos e prefeitas estiveram em Belém, nessa segunda-feira (16) para o “Dia de Mobilização e Reação: Municípios em Crise”.
A programação de iniciativa da Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (Famep), juntamente com as Associações e Consórcios Regionais, incluiu diversas atividades voltadas para chamar a atenção dos poderes Executivo e Legislativo, Federal e Estadual sobre o momento de crise intensa dos municípios.
A primeira ação do dia foi a participação dos gestores municipais na Sessão Especial, realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Pará, sobre as Medidas Provisórias que tramitam no Congresso Nacional acerca do Novo Código de Mineração. Na ocasião, alguns prefeitos de municípios mineradores e a Famep puderam falar sobre a importância de mudar as alíquotas, bem como sobre melhorarias na fiscalização da atividade mineradora, entre outros pontos.
“Acho que é muito importante a nossa luta não é lutar por aumento de alíquota e sim estamos falando de justiça. Entendemos que uma alíquota de 4% permite que União, Estados e municípios possam tocar e cuidar dos impactos que acontecem”, explicou o prefeito de Parauapebas, Darci Lermen.
O presidente da Famep, Xarão Leão, entregou à Comissão Mista um documento com as propostas elaboradas pelo movimento municipalista. A pressão sobre as alterações no Novo Código de Mineração é fundamental nesse momento, porque o tema vai para a votação no Congresso Nacional até o 28 dia de novembro, e se aprovadas as contribuições do movimento municipalista, os municípios poderão ter retorno em breve dessa arrecadação.
Articulação – O segundo momento do Dia de Mobilização foi uma audiência com o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará(Alepa), Márcio Miranda. Prefeitos e prefeitas solicitaram apoio do parlamento Estadual para articulação junto ao Governo do Estado de providências que ajudem os municípios nesse momento de crise.
Além de um apoio, os gestores municipais querem que o Estado assuma algumas despesas estaduais que os municípios acabam tendo que arcar. “Nós também estamos carregando parte do Estado nas nossas costas. Muitos funcionários da Adepará, Polícia Civil, Escolas Estaduais, do Estado, que estão sendo pagos pela nossa folha. Passamos desde janeiro tapando buraco de estradas estaduais, e o combustível que tínhamos para gastar nos ramais nós não temos mais”, declarou o prefeito de Alenquer e vice-presidente da Associação dos Municípios da Calha Norte, Juraci Sousa.
O presidente da Alepa propôs que os gestores montem uma pauta de reinvindicações que ele atuará como mediador junto ao Governo do Estado.
Assembleia Geral – Bloqueios do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), dívidas previdenciárias, despesas com pessoal e projetos de responsabilidades de outros entes federativos. Esses são alguns dos problemas enfrentados pelos municípios paraenses que estão agravando a situação de crise econômica enfrentadas pelas gestões estaduais. Como parte das ações do “Dia de Mobilização e Reação”, os prefeitos se reuniram em uma Assembleia Geral para tentar construir uma estratégia de pressionar por uma ajuda da União.
“Precisamos nos mobilizar em busca de novo Apoio Financeiro dos Municípios (AFM) no valor de R$ 4 bilhões. O pedido de liberação de verba extra foi protocolado pela CNM e FAMEP na presidência da República. Por meio de ofício, e solicitamos ao Executivo que o repasse seja por meio do FPM, nos moldes da medida emergencial feita anteriormente, sem vinculações e sem descontos”, disse o presidente da Famep, Xarão Leão.
Essa será uma das ações dos gestores: pressionar para que Deputados e Senadores aprovem esse AFM, como já foi feito no ano de 2013. Na Assembleia, os gestores municipais definiram que irão solicitar ao Governo do Estado, uma transferência extra de ICMS para os municípios ainda este ano. “Vamos pedir pauta para o Governo do Estado para que se una aos municípios, porque os problemas estão aqui nos municípios e são eles que sofrem com recursos cada vez menores”, afirmou Leão.
Receita – No último ato do dia, os prefeitos e prefeitas seguiram à Superintendência da Receita Federal, para dialogar sobre possibilidades de arrecadação. Foi sugerido aos gestores que façam a adesão imediata a Rede Sim, pela qual a Receita Federal poderá ajudar a administração a conhecer as empresas existentes na cidade e aplicar a justiça fiscal.
Em poucos meses, as gestões poderão aumentar a arrecadação sem penalizar a população. “Há muitas questões em que as parcerias da Receita Federal com os municípios, com trocas de informação, para que o prefeito possa construir um modelo de que as receitas próprias dos municípios possam ter um significado maior”, disse o superintendente adjunto da Receita Federal no Pará, Marcos Aurélio Antunes.
Por FAMEP
Fonte: Folha do Progresso
 

SEC processa Rio Tinto

SEC processa Rio Tinto


A Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC) anunciou nesta terça-feira ter iniciado um processo judicial contra a gigante anglo-australiana de mineração Rio Tinto e dois de seus diretores, no caso relacionado a minas de carvão em Moçambique. Na ação, apresentada a um tribunal de Manhattan, a SEC acusa a Rio Tinto, Thomas Alabanese e Guy Elliott – respectivamente presidente e diretor financeiro do grupo de mineração no momento dos fatos – de ignorar as advertências de responsáveis operacionais sobre uma filial moçambicana adquirida em 2011.
A unidade foi comprada por 3,7 bilhões de dólares, e depois revendida por apenas 50 milhões. Na época da aquisição, Rio Tinto apostava que as minas de carvão em Moçambique lhe dariam um enorme lucro, mas o grupo mudou rapidamente de opinião quando o governo moçambicano negou autorização para exploração. A decisão afetou consideravelmente o valor dos ativos, e Albanese e Elliott decidiram ocultar o prejuízo dos investidores, afirma a SEC. “Tentaram retardar e inclusive ocultar a natureza e a extensão dos acontecimentos negativos no conselho de administração, no comitê auditor, com os auditores independentes e com os investidores”, segundo a SEC.
Fonte: EM

   

terça-feira, 17 de outubro de 2017

CNI quer estimular investimentos dos Emirados Árabes no Brasil

CNI quer estimular investimentos dos Emirados Árabes no Brasil

O cenário econômico positivo, com a inflação em baixa e a previsão de crescimento econômico do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,7% apontam para um cenário positivo para investimentos no país. A avaliação é do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, para quem o momento é favorável a investimentos dos Emirados Árabes no Brasil.
“A inflação e os juros brasileiros estão em trajetória de queda, criando um ambiente oportuno para novos investimentos, sobretudo na produção e na comercialização de bens e serviços”, disse hoje (17) Andrade, ao participar, em Abu Dhabi, do 1º Encontro Brasil-Emirados Árabes Unidos. “há uma grande quantidade de recursos disponíveis na economia mundial e as commodities estão com preços elevados. Por outro, há indicadores de que a recessão está ficando para trás e a economia vai retomar a trajetória positiva”, acrescentou.
O cenário econômico brasileiro aponta para uma estimativa de inflação em 3,2%, próxima do limite inferior da meta. Já a taxa básica de juros (Selic) chegará em dezembro a 7% ao ano. No seminário, realizado em parceria com a Embaixada do Brasil nos Emirados Árabes, foram apresentadas oportunidades de negócios bilaterais e traçado um panorama do atual cenário econômico.
A CNI defende uma agenda internacional para a indústria, que inclui a melhoria no ambiente de negócios no Brasil, a defesa de acordos destinados a evitar a dupla tributação e para facilitar o aumento dos investimentos no país. “Os investidores aqui presentes, assim como os governos dos dois países, podem contar com o apoio da CNI para negociar e concluir esses acordos fundamentais para as nossas relações bilaterais”,  disse Andrade.
O diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI, Carlos Abijaodi, disse que o empresariado árabe ainda desconhece as potencialidades de investimento no Brasil. “Tivemos aqui representantes muito importantes dos Emirados Árabes, são empresários que realmente anseiam por conhecer o Brasil, que ainda é desconhecido para eles”, disse Abijaodi. “Nós realmente precisamos sair do Brasil e vir trazer uma mensagem de que o país tem potencial, oferece condições para um bom investimento e tem oportunidades tanto para projetos pequenos como para grandes projetos de investimento, como as concessões e privatizações”.
Para o diretor de escritórios internacionais da Câmara de Comércio de Dubai, Omar Khan, o encontro favorece o contato direto entre o empresariado dos dois países, o que ajuda o ambiente de negócios. “O encontro foi um excelente começo, e nós precisamos continuar a estreitar essa relação entre o Brasil e os Emirados Árabes”, afirmou.
Fonte: Exame

Investidor poderá entrar no IPO da BR com R$ 200

Investidor poderá entrar no IPO da BR com R$ 200

A abertura de capital da BR Distribuidora, da Petrobras, contará com um fundo de investimento em ações que será constituído para a oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Na prática é um fundo que ajudará os investidores pessoas físicas a investirem na companhia, com um tíquete menor. Mesmo instrumento foi desenhado em 2010, na megacapitalização da Petrobras (PETR3) (PETR4).
Segundo a lâmina do fundo, com o detalhamento do produto, o fundo é destinado a investidores pessoas físicas, jurídicas e ainda fundos de investimento. O valor mínimo para aplicação em tal fundo é de R$ 200 e máximo de R$ 1 milhão. A política de investimento prevê que a carteira terá entre 90% e 100% de sua carteira investida em ações ordinárias da BR.
No formulário de informações complementares do fundo não consta, ainda, o nome do administrador e gestor. No prospecto, publicado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o fundo será constituído por “determinadas instituições participantes da oferta”. Os bancos coordenadores são o Citi (líder), Bank of America Merrill Lynch, Banco do Brasil, Bradesco BBI, Itaú BBA, JP Morgan, Morgan Stanley e Santander.
A minuta do prospecto preliminar, publicada no site da CVM, ainda não possui intervalo do preço da ação, volume de ações a serem ofertadas ou o cronograma do IPO, mas prevê que a oferta será concluída neste ano. O prospecto prevê a colocação do lote suplementar no limite de 15% do montante de ações a serem ofertadas e, ainda, mais 20%, referente ao lote adicional, caso a demanda seja aquecida.
A listagem da BR será no Novo Mercado, segmento de mais elevadas práticas de governança corporativa da B3. A BR chegou perto de fazer seu IPO em 2015, mas o agravamento da crise política e econômica fez com que a empresa voltasse atrás.
Depois disso, a tentativa foi de uma venda direta. O ativo chamou muito a atenção de investidores nacionais e estrangeiros, mas houve uma pressão para que a Petrobras vendesse o controle da BR, o que não era seu desejo. Agora, com o IPO, a ideia é que a oferta englobe entre 25% e 40% das ações da BR detidas pela Petrobras. O prospecto confirma que a oferta será apenas secundária, ou seja, os recursos oriundos do IPO não irão ao caixa da BR, mas sim do acionista vendedor, ou seja, a Petrobras.
Fonte: Agência Estado