domingo, 29 de outubro de 2017
Diamantes com uma história de amor
Diamantes com uma história de amor
A casa de leilões Sotheby’s realizará, em Genebra, no dia 15 de novembro, uma grande venda de joias. Como ponto alto do evento estarão os Diamantes Donnersmarck, de cor amarela e de origem aristocrática. Com uma famosa história de amor como pano de fundo, eles podem atingir preço de US$ 14 milhões. Eles foram dados pelo Conde Guido Henckel von Donnersmarck (1830-1916) à sua então esposa conhecida como La Païva, Condessa Henckel von Donnersmarck (1819-1884). Ela atraiu um dos homens mais ricos da Europa depois de se tornar a mais famosa cortesã da França no século XIX.Numa história que lembra o libreto de óperas como La Traviata, ela nasceu na Rússia, como Esther Lachman, chegou a Paris aos 18 anos de idade e se tornou amiga de grandes celebridades, como o compositor Richard Wagner (1813-1883). Chegou a se casar por apenas um dia com um marquês português, antes de começar o romance com o alemão Von Donnersmarck, que depois se tornou príncipe. Após o falecimento de sua esposa, ele manteve os diamantes até a sua morte em 1916. As joias só saíram das mãos da família em 2007.
Fonte: IstoÉDinheiro
Vale a pena ser motorista do Uber?
Vale a pena ser motorista do Uber?
Para os motoristas que trabalham com o aplicativo, onda de bons rendimentos se foi e ganho é pequeno hoje
Investir em um carro Uber requer preparação e conhecimento
Quem perde o emprego ou quer fazer uma renda extra analisa se vale ou não a pena ser um motorista Uber, o aplicativo que virou febre no mundo e motivo de polêmica com os taxistas no Brasil. Não há uma resposta única, mas alguns indícios – e contas – a fazer antes de empreender nesse negócio.
“No começo valia a pena, mas hoje existem muitos carros Uber na praça por causa do desemprego”, afirma Emerson Paulo, motorista Uber desde dezembro do ano passado. Ele e seu colega Maviael de Arruda, que também dirige um Uber, constatam na prática uma rotina muito mais dura do que observavam há um ano em São Paulo, capital. “Antigamente, a cada 10 ou 15 minutos o aplicativo te chamava para uma corrida. Agora, com o inchaço de carros, leva uma hora ou mais”, diz Maviael.
Em setembro do ano passado, o Uber assumiu o compromisso de criar 30 mil novas oportunidades de trabalho até outubro de 2016. Quando informou essa projeção existiam cinco mil carros utilizando a plataforma no Brasil. De lá para cá este número dobrou. E a estimativa é de que existam mais de um milhão de usuários em todo o País.
Ponta do Lápis
Ante de se aventurar, é bom saber que tipo de negócio é o Uber e quanto você pode gastar – e ganhar – com o serviço. O primeiro passo é compreender que existem no mercado dois tipos de carros Uber: a categoria X, que cobra 25% do total da corrida, paga em cartão de crédito, ao aplicativo; e a Black, com uma cobrança menor, de 20%.
A diferença entre o Uber X e o Black está no veículo e no conforto oferecido. Enquanto no X exigem-se veículos a partir de 2008, com carroceria quatro portas, cinco lugares e ar-condicionado, na categoria Black os carros devem ser sedans pretos ou SUV, fabricados a partir de 2010, com bancos de couro e ar-condicionado.
No Black sugere-se também que o motorista trabalhe de terno e gravata, enquanto no UberX, calça e camisa social. Além disso, os carros Black podem oferecer aos passageiros bebidas e balas, que serão ou não cobrados à parte dependendo do motorista.
O detalhe é que o aplicativo promove uma espécie de avaliação, de zero a cinco, do usuário. Periodicamente, o Uber contabiliza essas notas e pode inclusive descredenciar motoristas que tiverem uma performance inferior a 4,6 pontos.
Custos
Ao contrário dos taxistas, o motorista do Uber arca com o custo total do carro, isto é, não tem isenção alguma na compra do veículo. Comparativamente, os taxistas – dependo do Estado no qual o automóvel circulará – têm abatimentos de ICMS (as alíquotas variam) e um bom desconto em concessionárias, que pode chegar a até 30% no ato da compra em São Paulo.
A contrapartida dos impostos é que a legislação é mais branda para o Uber comparada a táxi. Não existem taxas para órgãos públicos ou necessidade de licenças para atuar – o alvará de funcionamento no caso dos taxistas. Mas há outras exigências que envolvem gastos importantes para quem deseja operar um carro Uber.
Os motoristas Uber precisam ter carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada – EAR, e passam por checagem de antecedentes criminais em nível federal e estadual. Além disso, os carros precisam ser cadastrados com a apresentação de Certidão de Registro e Licenciamento do Veículo, Bilhete de DPVAT do ano corrente e apólice de seguro com cobertura APP (Acidentes Pessoais a Passageiros) a partir de R$ 50 mil por passageiro.
Ganho
Tudo computado, quanto ganha hoje um motorista do Uber? Para Guilherme Cury, gerente de operações do aplicativo Parpe (locação de veículos) e especialista em Uber, os ganhos dependem muito do esforço – leiam-se horas trabalhadas – do motorista. Mas ele confirma o que vários trabalhadores já perceberam na prática: fatura-se bem menos atualmente do que há um ano, quando existiam menos carros Uber na praça.
“Hoje, trabalhando-se duro, dez horas por dia, de segunda a sábado, dá para tirar líquido algo entre R$ 2 mil a R$ 3 mil”, afirma. O esforço é muito grande para um ganho tão pequeno, afirma Cury, já que existem opções melhores de empreender do que o Uber segundo ele.
Simulação
A maior parte dos motoristas que adere ao Uber já possui um carro próprio. Mas para quem quiser empreender, e comprar um automóvel, é bom fazer uma conta simples antes de arriscar. Tomando-se como exemplo um carro para Uber X e outro para o Black, o cálculo a ser feito é em quanto tempo você pagará o investimento feito no veículo, o que os economistas chamam de “payback”.
Um carro da Fiat Grand Siena novo, que serviria para o Uber X, sai por R$ 49.460,00. Isto sem contar documentação e emplacamento. Com uma renda estimada de R$ 3.000,00 líquida e uma prestação mensal em torno de R$ 1.000,00 o carro seria pago em pouco mais de quatro anos. E sobrariam R$ 2.000,00 por mês ao motorista de renda com uma jornada de dez horas diárias.
Na compra de um Corolla preto (R$ 68.740,00), também sem emplacamento e documentação para operar o Uber Black, no mesmo caso descrito acima o carro seria pago em cinco anos e sete meses.
Fonte: Exame
“No começo valia a pena, mas hoje existem muitos carros Uber na praça por causa do desemprego”, afirma Emerson Paulo, motorista Uber desde dezembro do ano passado. Ele e seu colega Maviael de Arruda, que também dirige um Uber, constatam na prática uma rotina muito mais dura do que observavam há um ano em São Paulo, capital. “Antigamente, a cada 10 ou 15 minutos o aplicativo te chamava para uma corrida. Agora, com o inchaço de carros, leva uma hora ou mais”, diz Maviael.
Em setembro do ano passado, o Uber assumiu o compromisso de criar 30 mil novas oportunidades de trabalho até outubro de 2016. Quando informou essa projeção existiam cinco mil carros utilizando a plataforma no Brasil. De lá para cá este número dobrou. E a estimativa é de que existam mais de um milhão de usuários em todo o País.
Ponta do Lápis
Ante de se aventurar, é bom saber que tipo de negócio é o Uber e quanto você pode gastar – e ganhar – com o serviço. O primeiro passo é compreender que existem no mercado dois tipos de carros Uber: a categoria X, que cobra 25% do total da corrida, paga em cartão de crédito, ao aplicativo; e a Black, com uma cobrança menor, de 20%.
A diferença entre o Uber X e o Black está no veículo e no conforto oferecido. Enquanto no X exigem-se veículos a partir de 2008, com carroceria quatro portas, cinco lugares e ar-condicionado, na categoria Black os carros devem ser sedans pretos ou SUV, fabricados a partir de 2010, com bancos de couro e ar-condicionado.
No Black sugere-se também que o motorista trabalhe de terno e gravata, enquanto no UberX, calça e camisa social. Além disso, os carros Black podem oferecer aos passageiros bebidas e balas, que serão ou não cobrados à parte dependendo do motorista.
O detalhe é que o aplicativo promove uma espécie de avaliação, de zero a cinco, do usuário. Periodicamente, o Uber contabiliza essas notas e pode inclusive descredenciar motoristas que tiverem uma performance inferior a 4,6 pontos.
Custos
Ao contrário dos taxistas, o motorista do Uber arca com o custo total do carro, isto é, não tem isenção alguma na compra do veículo. Comparativamente, os taxistas – dependo do Estado no qual o automóvel circulará – têm abatimentos de ICMS (as alíquotas variam) e um bom desconto em concessionárias, que pode chegar a até 30% no ato da compra em São Paulo.
A contrapartida dos impostos é que a legislação é mais branda para o Uber comparada a táxi. Não existem taxas para órgãos públicos ou necessidade de licenças para atuar – o alvará de funcionamento no caso dos taxistas. Mas há outras exigências que envolvem gastos importantes para quem deseja operar um carro Uber.
Os motoristas Uber precisam ter carteira de motorista com licença para exercer atividade remunerada – EAR, e passam por checagem de antecedentes criminais em nível federal e estadual. Além disso, os carros precisam ser cadastrados com a apresentação de Certidão de Registro e Licenciamento do Veículo, Bilhete de DPVAT do ano corrente e apólice de seguro com cobertura APP (Acidentes Pessoais a Passageiros) a partir de R$ 50 mil por passageiro.
Ganho
Tudo computado, quanto ganha hoje um motorista do Uber? Para Guilherme Cury, gerente de operações do aplicativo Parpe (locação de veículos) e especialista em Uber, os ganhos dependem muito do esforço – leiam-se horas trabalhadas – do motorista. Mas ele confirma o que vários trabalhadores já perceberam na prática: fatura-se bem menos atualmente do que há um ano, quando existiam menos carros Uber na praça.
“Hoje, trabalhando-se duro, dez horas por dia, de segunda a sábado, dá para tirar líquido algo entre R$ 2 mil a R$ 3 mil”, afirma. O esforço é muito grande para um ganho tão pequeno, afirma Cury, já que existem opções melhores de empreender do que o Uber segundo ele.
Simulação
A maior parte dos motoristas que adere ao Uber já possui um carro próprio. Mas para quem quiser empreender, e comprar um automóvel, é bom fazer uma conta simples antes de arriscar. Tomando-se como exemplo um carro para Uber X e outro para o Black, o cálculo a ser feito é em quanto tempo você pagará o investimento feito no veículo, o que os economistas chamam de “payback”.
Um carro da Fiat Grand Siena novo, que serviria para o Uber X, sai por R$ 49.460,00. Isto sem contar documentação e emplacamento. Com uma renda estimada de R$ 3.000,00 líquida e uma prestação mensal em torno de R$ 1.000,00 o carro seria pago em pouco mais de quatro anos. E sobrariam R$ 2.000,00 por mês ao motorista de renda com uma jornada de dez horas diárias.
Na compra de um Corolla preto (R$ 68.740,00), também sem emplacamento e documentação para operar o Uber Black, no mesmo caso descrito acima o carro seria pago em cinco anos e sete meses.
Fonte: Exame
sábado, 28 de outubro de 2017
AZEVICHE, UMA SURPRESA ESPANHOLA
AZEVICHE, UMA SURPRESA ESPANHOLA
O azeviche é uma variedade compacta de linhito, ou seja, é um tipo de carvão (os carvões compreendem turfa, linhito, hulha e antracito). Trata-se, portanto, de uma gema orgânica, não mineral como a grande maioria.
É compacto, finamente granulado, de cor preta ou castanha e aspecto aveludado, com br. resinoso. É um material fácil de polir, adquirindo bom brilho.
O azeviche foi muito usado na segunda metade do século XIX, principalmente em objetos religiosos e de luto, mas a informação que eu tinha era de que estava hoje praticamente em desuso.
Por isso, foi uma grande surpresa descobrir que em Santiago de Compostela, na Espanha, não só ele é muito usado como há toda uma rede de dezenove joalherias especializadas em joias com esta gema.
Eu estava andando pela cidade quando vi uma vitrine cheia de belas joias feitas com uma gema preta. Entrei para saber o que era e fiquei então sabendo que era nada menos que o azeviche.
Alfonso Iglesias, o atencioso dono da joalheria, me deu um fragmento de azeviche bruto (foto acima) e contou-me que esse azeviche que ele usa vem das Astúrias, província do norte da Espanha, onde estão as melhores jazidas do mundo. Mas, há outras fontes.
As fotos dão bem uma ideia de como é diversificado o trabalho feito com a prata e o azeviche, pois são peças produzidas por um único joalheiro.
Na foto abaixo, vê-se um colar com uma lapidação que é típica daquela região da Espanha.
É tradicional também a figa feita com azeviche, antigamente usada como amuleto para espantar serpentes.
É tradicional também a figa feita com azeviche, antigamente usada como amuleto para espantar serpentes.
Continuando o passeio pela cidade, pude ver várias das muitas joalheiras que trabalham com essa gema. E um folheto sobre ela que Alfonso me deu informa que é uma pedra-símbolo de Santiago de Compostela, onde é usada desde o século XIII.
O azeviche queima como carvão e, quando atritado, exala forte odor.
O azeviche queima como carvão e, quando atritado, exala forte odor.
Lapidado, ele assemelha-se a ônix, melanita, turmalina negra e a obsidiana. Mas, ao contrário dessas gemas, queima quando em contato com uma agulha aquecida, produzindo fumaça.
Entre as substâncias que o imitam estão o vidro, plásticos e borracha vulcanizada dura, esta conhecida como vulcanite. Sob ação da agulha aquecida, a vulcanite provoca fumaça, mas com cheiro de borracha queimada; se for plástico, o odor variará de aromático a fétido, mas sem se assemelhar ao de carvão.
Fonte: Geologo.com
O que dá para aprender com Lautrec, Munch, Van Gogh e Winehouse?
O que as pinturas de Van Gogh, Toulousse-Lautrec e Edvard Munch têm em comum com a música de Amy Winehouse? Genialidade, poderia-se pensar logo de cara. Para a psiquiatria, porém, são biografias recheadas de elementos fascinantes sobre o que se deve e o que não se deve fazer no tratamento das dependências.
Todos os quatro artistas tiveram infâncias problemáticas no que se refere a carências afetivas e doenças ou transtornos negligenciados. Buracos que, no decorrer de suas vidas, foram preenchidos por bebidas, drogas ilícitas e comportamentos, muitas vezes, promíscuos, algumas vezes glamourizados pelo brilhantismo de suas obras e o uso de entorpecentes.
“Quanto mais eu estudava sobre Amy, mais apaixonada e dolorida eu ficava. Quando ela morreu, aos 27 anos, as pessoas ficavam se perguntando: como é que uma menina de classe média, talentosa, bem-nascida, chegou a esse ponto?”, lembra a psiquiatra Analice Giglioti, do Rio de Janeiro, especialista em dependências químicas, que falou sobre a artista no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em São Paulo.
Analice avalia que Amy já apresentava, desde pequena, sinais claros da síndrome de borderline, também conhecida como transtorno da personalidade limítrofe, quadro agravado pelo uso abusivo de drogas a partir de seus 22, 23 anos.
Comorbidade. O que foi ignorado no caso de Amy e, há quase dois séculos, nos três pintores expressionistas citados acima é o que costuma ser negligenciado também hoje na abordagem das dependências: a comorbidade, que é a presença de outros quadros de transtornos que podem causar sofrimento, tornar propensas as adicções e agravar seus problemas. “Quase 80% das dependências cursam com comorbidades que, se não forem detectadas, fazem com que o tratamento tenha um prognóstico muito ruim”, afirma a psiquiatra Ana Cecília Marques, que falou sobre o caso de Van Gogh no seminário.
Sofrimento. De volta à Amy, começando por sua infância. Nas definições do pai, Mitch Winehouse, criança nenhuma gritava tanto quanto ela. A própria cantora, tempos depois, disse que sempre gritou muito porque nunca era ouvida em casa. Foi expulsa de todos os colégios por mau comportamento.
Sua mãe, Janis, tinha como lema não reprimir a filha, pois não queria repetir com ela a rigidez de seus pais. A avó era a única que controlava Amy. Em uma festa em que a artista se embriagou aos 14 anos, disse: “Essa menina é alcoólatra”.
Antes disso, sinais de transtornos alimentares. Nada foi feito. A mãe adoeceu, a avó morreu de câncer. Veio a fama, e o pai sumido após o divórcio se reaproximou para gerenciar seu dinheiro.
O relacionamento turbulento com Blake Civil foi sua ponte para drogas pesadas como heroína e crack – bebida e maconha sempre foram rotina. Eles romperam, e ela compôs o disco “Back to Black”.
Sem tratamento. Posteriormente, Amy acabou sendo internada várias vezes, mas drogas chegavam às clínicas, e ela nunca passou 90 dias seguidos em nenhum tratamento. Em uma das internações, os médicos acharam em sua corrente sanguínea álcool, maconha, cocaína, heroína, crack e quetamina (medicamento que produz sedação).
“Cercada por parasitas e paparazzis, ela morreu de intoxicação alcoólica aos 27 anos, com um nível de álcool de sangue cinco vezes maior do que o tolerável”, lembra a médica.
Filho de uma família tradicional na Holanda, desde muito pequeno Vincent Van Gogh se mostrava perspicaz, falava várias línguas, mas se relacionava muito pouco. Seu irmão mais novo, Theo, era seu único amigo. Só quando ele foi morar em Paris, aos 34 anos, despertou-se sua sensibilidade para a pintura, herdada da mãe. “Até então não tinha nenhum contato com droga ou bebida, mas começou a ser influenciado por amigos, entre eles, o próprio Toulouse-Lautrec, e passou a beber”, relata a psiquiatra Analice Giglioti.
Na época, o absinto era a bebida da moda entre os artistas. Vale lembrar seu teor alcoólico próximo de 90% e, com isso, seu poder de provocar alucinações. “Ele tem 860 quadros, mas, vivo, conseguiu vender apenas um. Só se relacionava com prostitutas”, conta Analice.
Outros sintomas. Estudos mostraram que o pintor apresentava sintomas de outras doenças que, junto com o efeito crônico do álcool, contribuíram para sua morte precoce, aos 37 anos, em 1890 – há dúvidas de que tenha suicidado-se ou sido assassinado em uma situação envolvendo bebida.
“Há alguns relatos de que Van Gogh teria alguma lesão neurológica primária que faria com que ele apresentasse, antes do absinto, tremores leves nas mãos”, disse a psiquiatra Ana Cecília. A partir do momento em que usa a bebida, começa a ter convulsões. Nada disso foi percebido na infância, diz a médica, quando havia relatos de introspecção.
Outras investigações apontaram a existência possível de um transtorno bipolar, diz a psiquiatra. Nessa fase ele chega a cortar a própria orelha e a envia para sua prostituta favorita. Foi então internado, após ela chamar a polícia. Foi a primeira de várias internações, sem sucesso.
Fonte: O Tempo
Todos os quatro artistas tiveram infâncias problemáticas no que se refere a carências afetivas e doenças ou transtornos negligenciados. Buracos que, no decorrer de suas vidas, foram preenchidos por bebidas, drogas ilícitas e comportamentos, muitas vezes, promíscuos, algumas vezes glamourizados pelo brilhantismo de suas obras e o uso de entorpecentes.
“Quanto mais eu estudava sobre Amy, mais apaixonada e dolorida eu ficava. Quando ela morreu, aos 27 anos, as pessoas ficavam se perguntando: como é que uma menina de classe média, talentosa, bem-nascida, chegou a esse ponto?”, lembra a psiquiatra Analice Giglioti, do Rio de Janeiro, especialista em dependências químicas, que falou sobre a artista no Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em São Paulo.
Analice avalia que Amy já apresentava, desde pequena, sinais claros da síndrome de borderline, também conhecida como transtorno da personalidade limítrofe, quadro agravado pelo uso abusivo de drogas a partir de seus 22, 23 anos.
Comorbidade. O que foi ignorado no caso de Amy e, há quase dois séculos, nos três pintores expressionistas citados acima é o que costuma ser negligenciado também hoje na abordagem das dependências: a comorbidade, que é a presença de outros quadros de transtornos que podem causar sofrimento, tornar propensas as adicções e agravar seus problemas. “Quase 80% das dependências cursam com comorbidades que, se não forem detectadas, fazem com que o tratamento tenha um prognóstico muito ruim”, afirma a psiquiatra Ana Cecília Marques, que falou sobre o caso de Van Gogh no seminário.
Sofrimento. De volta à Amy, começando por sua infância. Nas definições do pai, Mitch Winehouse, criança nenhuma gritava tanto quanto ela. A própria cantora, tempos depois, disse que sempre gritou muito porque nunca era ouvida em casa. Foi expulsa de todos os colégios por mau comportamento.
Sua mãe, Janis, tinha como lema não reprimir a filha, pois não queria repetir com ela a rigidez de seus pais. A avó era a única que controlava Amy. Em uma festa em que a artista se embriagou aos 14 anos, disse: “Essa menina é alcoólatra”.
Antes disso, sinais de transtornos alimentares. Nada foi feito. A mãe adoeceu, a avó morreu de câncer. Veio a fama, e o pai sumido após o divórcio se reaproximou para gerenciar seu dinheiro.
O relacionamento turbulento com Blake Civil foi sua ponte para drogas pesadas como heroína e crack – bebida e maconha sempre foram rotina. Eles romperam, e ela compôs o disco “Back to Black”.
Sem tratamento. Posteriormente, Amy acabou sendo internada várias vezes, mas drogas chegavam às clínicas, e ela nunca passou 90 dias seguidos em nenhum tratamento. Em uma das internações, os médicos acharam em sua corrente sanguínea álcool, maconha, cocaína, heroína, crack e quetamina (medicamento que produz sedação).
“Cercada por parasitas e paparazzis, ela morreu de intoxicação alcoólica aos 27 anos, com um nível de álcool de sangue cinco vezes maior do que o tolerável”, lembra a médica.
A curta vida de Vicent Van Gogh
Filho de uma família tradicional na Holanda, desde muito pequeno Vincent Van Gogh se mostrava perspicaz, falava várias línguas, mas se relacionava muito pouco. Seu irmão mais novo, Theo, era seu único amigo. Só quando ele foi morar em Paris, aos 34 anos, despertou-se sua sensibilidade para a pintura, herdada da mãe. “Até então não tinha nenhum contato com droga ou bebida, mas começou a ser influenciado por amigos, entre eles, o próprio Toulouse-Lautrec, e passou a beber”, relata a psiquiatra Analice Giglioti.Na época, o absinto era a bebida da moda entre os artistas. Vale lembrar seu teor alcoólico próximo de 90% e, com isso, seu poder de provocar alucinações. “Ele tem 860 quadros, mas, vivo, conseguiu vender apenas um. Só se relacionava com prostitutas”, conta Analice.
Outros sintomas. Estudos mostraram que o pintor apresentava sintomas de outras doenças que, junto com o efeito crônico do álcool, contribuíram para sua morte precoce, aos 37 anos, em 1890 – há dúvidas de que tenha suicidado-se ou sido assassinado em uma situação envolvendo bebida.
“Há alguns relatos de que Van Gogh teria alguma lesão neurológica primária que faria com que ele apresentasse, antes do absinto, tremores leves nas mãos”, disse a psiquiatra Ana Cecília. A partir do momento em que usa a bebida, começa a ter convulsões. Nada disso foi percebido na infância, diz a médica, quando havia relatos de introspecção.
Outras investigações apontaram a existência possível de um transtorno bipolar, diz a psiquiatra. Nessa fase ele chega a cortar a própria orelha e a envia para sua prostituta favorita. Foi então internado, após ela chamar a polícia. Foi a primeira de várias internações, sem sucesso.
Fonte: O Tempo
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