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Usiminas apura lucro de R$ 360 milhões até setembro e antecipará pagamentos
Maior empresa produtora de aços planos no Brasil antecipará para dezembro próximo e janeiro de 2018 o pagamento de duas das parcelas do pacote de renegociação da dívida de R$ 6,9 bilhões da companhia que foi acertado junto a bancos credores
28/10/2017
(foto: MPerez/Divulgação)
Com novo balanço positivo apurado de julho a setembro, a Usiminas, maior empresa produtora de aços planos no Brasil, antecipará para dezembro próximo e janeiro de 2018 o pagamento de duas das parcelas do pacote de renegociação da dívida de R$ 6,9 bilhões da companhia que foi acertado junto a bancos credores. O presidente da siderúrgica mineira, Sérgio Leite, informou ontem que a decisão tem impacto importante na confiança gerada pela Usiminas ante investidores, clientes e instituições financeiras, além do efeito favorável da redução dos encargos da rolagem do endividamento.
A empresa reverteu prejuízo em lucro líquido de R$ 76 milhões no terceiro trimestre do ano. De julho a setembro de 2016, teve perdas de R$ 107 milhões. Quando analisado o ganho líquido no acumulado de 2017, obteve R$ 360 milhões, enquanto em 2016 havia fechado o período no vermelho, em R$ 382 milhões. “Se a nossa geração de resultados é positiva, e usamos parte deles para pagar a dívida isso reforça a confiança do mercado na companhia e na gestão interna que está sendo feita”, afirmou o presidente da Usiminas.
De acordo com Sérgio Leite, a empresa vai amortizar cerca de R$ 900 milhões com quase dois anos de antecedência, tendo em vista as condições negociadas com as instituições financeiras credoras. A primeira parcela será de equivalentes US$ 90 milhões, a ser paga em dezembro e uma segunda parte, corresponde a US$ 180 milhões, está prevista para janeiro do ano que vem. Outro bom destaque do balanço do terceiro trimestre, que justificaria a decisão de quitar dívida antecipadamente, foi a geração de caixa, medida pelo chamado Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortizações) ajustado de R$ 453 milhões, representando aumento de quase 48% frente um ano atrás.
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Depois de um longo esforço interno para reduzir custos, melhorar a eficiência de suas operações e renegociar com bancos credores, a empresa conseguiu, como destacou Sérgio Leite, retornar aos níveis de geração de caixa anteriores à crise que a Usiminas enfrenta desde o fim de 2014, e que a fez correr o risco de um pedido de recuperação financeira. Os principais acionistas da companhia, a japonesa Nippon Steel e o grupo italo-argentino Ternium/Techint vivem desde então uma disputa judicial.
O valor do Ebitda dos últimos 12 meses até setembro alcançou R$ 1,98 bilhão, montante superior ao resultado de 2013 e 2014, de R$ 1,85 bilhão. A despeito dos números no azul, o mercado financeiro não perdoou a companhia e as ações da Usiminas reagiram em queda, ontem, de 7,26% do papel preferencial PNA, na contramão da valorização que vinham registrando neste ano. Ante o resultado do segundo trimestre, o lucro líquido diminuiu 57%. Contudo, ontem não foi um bom dia no mercado acionário para as siderúrgicas. Enfrentaram queda também as ações do grupo Gerdau – o papel GGBR4 caiu 1,36% – e da Companhia Siderúrgica Nacional, com desvalorização de 5,03% da ação CSNA3.
Nas linhas do balanço da Usiminas, da mesma forma, está evidente a recuperação da demanda por aço, uma reação moderada, segundo Sérgio Leite. As vendas de 1,016 milhão de toneladas, de julho a setembro, cresceram 6% ante 2016 e 3% frente ao segundo trimestre. A receita alcançou R$ 2,737 bilhões de julho a setembro.
Fonte: Estado de Minas
Luxemburgo é um pequeno país de 500 mil habitantes, quantidade semelhante a população de Florianópolis. Faz fronteira com a Bélgica, Alemanha e França. É o único grão-ducado do mundo e tem um dos maiores PIB per capita. O país é um paraíso para quem quer ser professor escolar. Eles são um dos mais bem pagos do mundo, mas para ser professor tem que dominar o francês, alemão e luxemburguês. O Grão-Ducado é um dos membros fundadores da União Europeia e muito famoso por seus bancos.
1. Festinhas de vila
Todo fim de semana tem alguma vilazinha aqui que resolve fazer um evento. É festa da maçã, das nozes, do vinho, dos passarinhos, de Páscoa, de Natal, de fim do inverno, Oktoberfest, festa medieval, festa anos 20, festa “Playcenter” (Schueberfouer, onde um grande “Playcenter” é montado no coração da cidade), festa de qualquer coisa! É realmente algo impressionante! No fim de semana, você pode acessar o jornal local pela internet e escolher o evento para participar. Nessas festas sempre tem coisas gostosas e gordas para comer, como salsichas, Apfelstrudel (um bolo de maçã alemão), crepes e waffles. Tem sempre algo para as crianças brincarem também.
Eu não entendo exatamente se é algo coletivo, os luxemburgueses gostam de fazer tais eventos, ou se é o governo que incentiva. Numa festa, a Intercultural de Dudelange (vilazinha), eu conversei com uma moça da tenda brasileira (aliás, matei a saudade de feijoada e pudim) e ela disse que não custava nada montar a tenda nesse evento! Talvez o governo incentive mesmo, pois a população ocupada com comida, dança, festa e diversão, dizem as boas línguas que a afasta de drogas, criminalidade, etc.
2. Possibilidade de falar várias línguas
Para os apreciadores de línguas, aqui é o país para praticar o que está aprendendo. Além das 3 línguas oficiais do governo – francês, alemão e luxemburguês, é muito comum entre os estrangeiros falar inglês. O português é a língua mais falada aqui entre os estrangeiros, já que é o maior grupo de estrangeiros que migraram para Luxemburgo. Os portugueses estão em Luxemburgo há mais de 60 anos. Muitos deles falam todas as línguas do país, já que foram aqui alfabetizados.
De acordo com o jornal Wort, cada habitante do país fala entre 3 a 6 línguas, um número incrível!
Para os que visitam Luxemburgo e escutam que aqui o salário mínimo é de 1800 euros (quase 6 mil reais ao câmbio atual) a vontade que dá é de largar tudo e ficar por aqui! Mas espera para escutar o resto: aluguel mínimo de um apartamento de 2 quartos é entre 1000 e 1500 euros. Creche é entre 700 e 1200 euros, compras de mercado… ninguém sabe, porque todo mundo vai comprar na Alemanha!
Sim, o país é rico, se ganha bem, mas se gasta bem também. Não dá para se iludir com o salário mínimo aqui. Você pode também ter escutado sobre a quantidade de benefícios sociais que se ganha – ajuda mensal para as mães que não trabalham, dinheiro mensal para as crianças até completarem 18 anos, bolsa para fazer universidade no exterior, ajuda para o inverno, salário desemprego de 3 anos, e por aí vai. Uma pesquisadora e economista do país de uma palestra que assisti na Câmara do Comércio disse que esse esbanjamento consegue talvez se manter por mais 40 anos e depois o governo vai falir, pois vão ter mais pessoas aposentadas e precisando de benefícios do que pessoas gerando trabalho produtivo para pagar as contas desses.
4. Se perder no centro da vila, em seus vários cafés e bares
Quando o evento do fim de semana não te interessar, vá para o Centre Ville e se perca entre as ruazinhas, cafés e bares. Sempre está cheio! E lá você pode escutar as pessoas falando as mais variadas línguas, pode tomar dos mais variados cafés e comer docinhos de qualquer canto desse mundo.
É possível também encontrar muitas pessoas tocando e cantando na rua.
5. Levar as crianças nos parques da cidade
Luxemburgo é fã de crianças! Há muitos parques para elas brincarem, há inclusive sites dedicados a atividades para se fazer com crianças aqui, seja em dias de sol, de chuva ou de neve. Mas nos parques, seja qual for a temperatura, você sempre vai encontrar crianças brincando. Porque eles são realmente um encanto!
6. Apreciar as trilhas
O país é cheio de trilhas! Seja perto de casa, seja nas regiões com mais florestas. Há inclusive organizações que oferecem serviços de guia nas trilhas, e você pode participar todo fim de semana. Se você cumprir a trilha em um bom tempo, pode até ganhar um pão com café.
Aqui você encontra algumas dicas.
7. Contraste entre Altstadt e Kirchberg
Luxemburgo é um país antigo, cheio de castelinhos para se visitar, mas também é um país moderno, cheio de organizações internacionais e bancos. Essa diferença é perceptível quando você vai do centro (Altstadt, Centre Ville, a cidade antiga) para o bairro Kirchberg, onde se encontra o Banco Europeu de Investimento, a Corte de Justiça da União Europeia, Deutsche Bank e por aí vai.
Foto via Wikipedia
Foto via Survol de France
8.Conversar com os queridos portugas!
Algo que faz um brasileiro se sentir muito em casa quando está de passagem pelo Grão-Ducado é a possibilidade de falar português! Não brasileiro, português. Para muitos dos meus amigos, o que eu falo é “brasileiro”. É difícil também conseguir escapar das piadas referentes ao jeito de nós brasucas falarmos. “Fecha o olho” – qual? Direito ou esquerdo? Você vai visitar sua tchia (tia)? Tchia, leitchi, chocolatchi! Vai emprestar seu lapi topi e comer no Burger Kingui?
9. Fazer amizades
Para quem é carente de amigos, Luxemburgo é perfeita. É simplesmente muito fácil fazer amizades aqui (portugas ou não). E amizades interessantes! Alguns dos nossos amigos conhecemos em parquinho infantil, na sala de espera de médico, curso de línguas e no ônibus. Uma de nossas amigas aqui diz que Luxemburgo é Erasmus para adultos, porque além de você fazer amigos, você faz amigos das mais variadas culturas.
10. Conhecer casais internacionais
É raro encontrar um casal aqui em que os dois tenham a mesma nacionalidade. As misturas são as mais variadas possíveis! Alemã com francês, martinicana com islandês, peruana com belga, ucraniana com romeno, brasileira com luxembuguês, indiana com alemão, finlandesa com holandês, a mistura não para. Estamos para encontrar ainda marciano com terráqueo!
E a conversa que mais rola entre os casais são sobre as diferenças culturais. Afinal, conviver com sogros franceses é muito diferente e alto de conviver com sogros alemães!
11. A 30 minutos de vários países
Além de toda internacionalidade do país, se você quer passear e conhecer outro país europeu em menos de 20 ou 30 minutos você pode estar na Bélgica, Alemanha ou França! Os residentes aqui de Luxemburgo gostam bastante de passar um fim de semana numa vilinha desses outros países. Muitos ainda vão fazer compras nesses países ou se beneficiar em geral da praticidade de entrar em contato com outra cultura… Sim, viver em Luxemburgo é apreciar e mergulhar em outras culturas non-stop!
Brasil de volta ao clube dos grandes produtores de diamante
Descoberta na Bahia estimula corrida pelo mineral. País pode subir a 11º lugar no ranking
Após a descoberta na cidade de Nordestina, no interior da Bahia, de uma reserva de diamante capaz de multiplicar a produção nacional da pedra preciosa numa escala superior a dez vezes, o país voltou a ficar na mira de investidores. Ao menos três empresas estão prospectando a pedra preciosa no país — na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais — num movimento que deve colocar o Brasil de volta no mapa mundial dos diamantes. Um mercado seleto, com apenas 21 nações produtoras e que em 2015 movimentou US$ 13 bilhões.
O Brasil já liderou a produção global de diamante no século XVIII e, hoje, representa ínfimo 0,02% desse mercado, ocupando a 19ª posição do ranking, capitaneado pelos russos. Considerando o pico de produção na mina de Nordestina, em 2020, estimado em 400 mil quilates, o Brasil será alçado ao 11º lugar, mantida estável a produção dos demais países. Em 2015, foram produzidos 127,4 milhões de quilates de diamantes no mundo.
Paralelamente à chegada de novos investidores, está em fase final de revisão um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão do governo federal, com áreas potenciais para exploração de diamantes.
O projeto Diamante Brasil identificou 1.344 dos chamados corpos kimberlíticos e rochas associadas, reunidos em 23 campos. É nessas áreas de nome esquisito que se encontra o diamante primário, incrustado em rochas e cuja produtividade é bem maior que a do diamante secundário, geralmente encontrado nos rios.
É sobre esse mapa da mina que as empresas estão se debruçando atrás de novas jazidas. Uma atividade cara e de risco. Estima-se que apenas 1% dos corpos kimberlíticos tenha diamantes economicamente viáveis. No mundo, pouco mais de 20 jazidas de kimberlíticos estão em produção. Até ano passado, o Brasil estava fora dessa estatística. Produzia somente diamantes secundários, muito explorados por cooperativas de garimpeiros.
A descoberta de Nordestina mudou o cenário. Em meados de 2016, deu-se início a primeira produção comercial de diamante primário no Brasil. Liderada pela belga Lipari, a produção deve alcançar este ano 220 mil quilates — em 2015, último dado fechado, a produção nacional havia sido de 31 mil quilates.
Segundo o canadense Ken Johnson, presidente da empresa, as terras onde a Lipari prospecta diamantes foram adquiridas da sul-africana De Beers, em 2005. Desde então, foram investidos R$ 214 milhões. A produção será exportada.
"O trabalho na mina é de 24 horas por dia. Temos 270 funcionários e devemos chegar a 290 empregados no fim do ano. E isso é só o começo. Estamos olhando outras áreas em Rondônia e Minas Gerais", diz Johnson.
Descompasso entre oferta e demanda
O diamante é feito de carbono e é formado na base da crosta terrestre, a pelo menos 150 quilômetros de profundidade. Para que se forme, é necessário que esteja em ambiente estável, com elevadíssimas temperaturas e determinadas condições de pressão. Com a movimentação no interior da Terra, há liberação de energia. O magma, então, busca uma válvula de escape e aproveita falhas geológicas para chegar à superfície. O diamante “pega carona” no magma.
"Quando esse percurso é feito em poucas horas ou poucos dias, o que é bastante raro, o diamante é preservado. Caso contrário, desestabiliza-se e vira grafite", explica a geóloga Lys Cunha, uma das chefes do projeto Diamante Brasil.
Ao chegar à superfície, o magma se solidifica e forma as chamadas rochas kimberlíticas. O diamante primário fica incrustado nessas rochas. Com o passar do tempo, as rochas sofrem processo de erosão e o diamante acaba sendo carregado para outras áreas, alojando-se ao longo de rios. Nesse caso, passa a ser chamado de diamante secundário. Segundo empresários e especialistas, não há diferença de qualidade entre eles. O que muda são os meios de extração empregados e a sua produtividade.
"O diamante secundário tem uma produção errática, pois fica mais espalhado. Além disso, não se costuma cavar mais de 15 metros a 20 metros de profundidade para encontrá-lo. Já o diamante primário fica mais concentrado. No processo de extração, pode-se perfurar de 200 metros a 300 metros de profundidade, o que exige uma produção bastante mecanizada e investimento bem maior. O volume de produção também é muito superior", explicou Francisco Ribeiro, sócio da Gar Mineração. "Por isso, temos a oportunidade de voltar a ocupar posição de destaque no ranking global".
A empresa, de capital nacional, atua há 60 anos no Brasil e hoje produz cerca de 3.600 quilates a 4.800 quilates por ano de diamante secundário no Triângulo Mineiro. Agora se prepara para estrear na produção de primário. Segundo Ribeiro, a companhia está em fase de qualificação das reservas, também em Minas Gerais. E a estimativa para iniciar a produção é de um a dois anos.
A história do diamante no Brasil remonta ao século XVIII. Não se sabe ao certo quando houve a primeira descoberta, mas historiadores apontam o ano de 1729 como o que o então governador da capitania de Minas Gerais, Dom Lourenço de Almeida, oficializou a existência das minas à metrópole. Até então, as descobertas da pedra preciosa corriam à boca pequena e enriqueciam quem se aventurava na clandestinidade.
Com a Coroa ciente, a produção no então Arraial do Tijuco (atual Diamantina, Minas Gerais) ganhou novo impulso e o Brasil assumiu a liderança mundial do diamante, desbancando a Índia. Durante quase 150 anos, manteve a dianteira. Em 1867, a descoberta de um diamante nos arredores de Kimberley, na África do Sul, levou a uma corrida pela pedra preciosa no país. O Brasil, então, perdeu a hegemonia e está hoje na lanterna da produção global, à frente apenas de Costa do Marfim e Camarões.
Nos EUA, peça essencial do noivado
Desde 2010, a produção mundial está estacionada na faixa dos 130 milhões de quilates. Recente relatório da consultoria Bain&Company, porém, estima que a demanda vai crescer a um ritmo de 2% a 5% ao ano até 2030, embalada pelo consumo da classe média americana e chinesa. Cobiçado por casais apaixonados, o diamante brilha com frequência em joias que os maridos americanos dão a suas esposas. Pesquisa mostra que 71% dos americanos nascidos entre os anos 1980 e 2000 consideram o diamante um elemento essencial do anel de noivado.
A oferta de diamantes, no entanto, não deve acompanhar a retomada do consumo. A consultoria projeta queda de 1% a 2% por ano na produção da pedra até 2030, devido ao esgotamento das minas. É nesse desequilíbrio que está a oportunidade para o Brasil voltar ao clube.
"O Brasil, de alguma forma, foi ignorado pelos maiores produtores e a oportunidade de identificar e desenvolver novas minas é única. Em uma recente viagem a Antuérpia, houve empolgação quanto à qualidade dos diamantes brasileiros. O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global de novo", diz Joe Burke, diretor de Marketing da Five Star Diamond.
A empresa foi fundada por um geólogo australiano, que se associou a investidores estrangeiros e a um advogado brasileiro. Juntos, compraram áreas em diferentes regiões no Brasil para prospectar diamante. Segundo Burke, em 15 dos cerca de cem corpos kimberlíticos que a companhia tem no portfólio há grande chance de ocorrência de diamante. A Five Star já levantou US$ 7 milhões com investidores e se prepara para listar a empresa no mercado de capitais canadense. A produção no Brasil deve começar em Goiás, onde o projeto está mais avançado, no fim do ano.
Burocracia e falta de segurança
A ausência de guerras civis e religiosas no Brasil é apontada por fontes do setor como um atrativo. A exploração da pedra preciosa sempre levantou polêmica porque costumava ser usada para financiar conflitos civis na África. Com o filme “Diamante de sangue”, estrelado por Leonardo DiCaprio em 2006, a crueldade das guerras e a associação à produção do diamante se tornaram mundialmente conhecidos.
O diamante produzido legalmente no Brasil e em outros países, no entanto, segue o processo de certificação Kimberley, espécie de atestado de origem criado justamente para inibir o comércio ilegal. A burocracia no país para emitir os certificados, no entanto, é uma trava na expansão do mercado, alertam empresários. Antes de ser exportado, o diamante precisa ser pesado, medido e analisado. Isso é feito por um funcionário do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) em uma unidade regional do órgão.
Como o certificado precisa da assinatura do diretor-geral do DNPM e o sistema não é informatizado, ele é enviado por Sedex até Brasília, sede da instituição, e retorna ao produtor igualmente pelo correio. O processo leva de dez a 15 dias, segundo João da Gomeia Silva, da coordenação de ordenamento e extração mineral do DNPM.
Durante esse período, os diamantes ficam em cofres das próprias empresas produtoras ou de seguradoras, trazendo risco à segurança das companhias e dos funcionários. Mês passado, a Lipari foi invadida e teve parte de sua produção roubada. Se depender da agilidade do poder público, as mineradoras continuarão vulneráveis.
"O DNPM está na era digital. Até 2018, a ideia é eliminar o papel", diz Silva.
Lítio: Uma corrida louca que vai do Congo à Cornualha
Com o equilíbrio do mercado ainda longe de ser atingido e as grandes potências a posicionarem-se perante a procura deste metal no futuro, várias mineiras procuram oportunidades em vários continentes.
Bloomberg 28 de outubro de 2017
Para se ter uma ideia da procura a que está a ser sujeito o lítio, elemento utilizado no fabrico de baterias, basta olhar para a australiana AVZ Minerals Ltd. Uma empresa com acções "penny stock" há apenas alguns meses, a promissora mineira valorizou em bolsa cerca de 1.300% este ano. A sua proposta: voltar a explorar uma mina de estanho remota e centenária na República Democrática do Congo para fornecer o lítio necessário para dar energia aos carros eléctricos.
Embora a subida tenha sido dramática, a AVZ não está sozinha na corrida por um lugar na "explosão" das baterias recarregáveis. No Reino Unido, a empresa fundada por um antigo banqueiro de investimento, Jeremy Wrathall, planeia aproveitar nascentes termais na Cornualha, uma região que é mais famosa pelas suas enseadas. Outras empresas estão à procura de depósitos - desde a Alemanha até ao Mali - e até o Afeganistão está a planear leiloar licenças de exploração.
"Há uma grande disputa por depósitos e uma procura que parece impressionante, a questão está sempre do lado da oferta," afirma Paul Gait, um analista na Sanford C. Bernstein Ltd. em Londres. Na pressa de corresponder à procura, há o risco de que venham a ser desenvolvidas muitas minas e de que seja fornecido demasiado metal, considera Gait. "Quando a maré recuar, aqueles que não tiverem uma boa geologia não estarão à altura."
O preço do lítio, que é dominado por três grandes produtores, tem aumentado à medida que cresce a procura por baterias de iões de lítio usadas em veículos eléctricos e em sistemas de armazenamento de electricidade. A Bloomberg New Energy Finance estima que os veículos eléctricos representarão mais de metade das novas vendas de automóveis a nível global até 2040. E a incerteza em torno do crescimento da produção global significa que os fabricantes de carros estão a procurar garantir a oferta futura de metal.
Ainda que a produção possa ter dificuldades iniciais em acompanhar o crescimento da procura, o lítio não é verdadeiramente raro quando comparado com outros metais para baterias, como o cobalto e a grafite, de acordo com o analista da Bloomberg Intelligence, Eily Ong. E a história da mineração está cheia de exemplos prudentes de "explosões" que terminaram em fracassos, quando a corrida para impulsionar a produção superou o crescimento da procura.
O minério de ferro é um exemplo recente, com o "boom" na produção de aço na China a impulsionar a construção de novas minas. Acabou mal para muitos dos recém-chegados ao sector que, quando preparavam projectos no terreno ou começaram a produzir depararam com a queda dos preços daquela matéria-prima.
Mais tarde ou mais cedo, haverá excesso de produção
A produção mundial de lítio aumentou cerca de 12% no ano passado, com as baterias a representar cerca de 39% do consumo, de acordo com o U.S. Geological Survey. Apesar de a Austrália ser o maior produtor em 2016, os seus recursos identificados são pequenos quando comparados com a Argentina e Bolívia, cada um com cerca de 9 milhões de toneladas, e o Chile, com mais de 7,5 milhões.
"Este não é um metal que vá estar isento das leis normais da economia das commodities," afirma Gait. "Mais tarde ou mais cedo, teremos sobreprodução.
Há cerca de uma dezena de projectos a serem construídos ou ampliados a nível mundial, de acordo com a Liberum Capital Ltd. Estes, a que se junta uma mão cheia de outros cujo avanço é visto como provável, poderão ajudar a quase triplicar a oferta de lítio até 2025, que ainda assim ficará aquém da procura prevista.
Além disso, há mais oito projectos que ainda não asseguraram financiamento mas que podem conduzir o mercado a um excedente de produção até 2025, refere um relatório da Liberum.
Negócio do lítio é uma "mina"
Os preços do carbonato de lítio mais do que duplicaram nos últimos dois anos, segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence. "Com os preços actuais, não há mina potencial de lítio no mundo que não venha a fazer uma extraordinária quantidade de dinheiro," afirma Richard Knights, analista na Liberum. "Há todo o incentivo para estimular a oferta."
As actuais necessidades podem reduzir-se até 2019-2020, com base na resposta forte do lado da oferta, diz o analista Joel Jackson, da BMO Capital Markets, numa nota de 24 de Outubro. No entanto, a incerteza sobre premissas como a penetração dos veículos eléctricos, a tecnologia de baterias e o crescimento do fornecimento de lítio torna difícil de prever quando é que o mercado atingirá o equilíbrio, acrescenta.
No Congo, a AVZ ainda tem de provar que a extracção de lítio é economicamente viável. É também necessário reabilitar uma velha central eléctrica e construir mais de 600 quilómetros de estradas para ligar a mina à capital regional de Lubumbashi para garantir as exportações. Ainda assim o projecto está a atrair investidores, como a chinesa Zhejiang Huayou Cobalt Co., uma das maiores refinadoras de cobalto do mundo.
"As maiores empresas da China estão a fazer fila," disse o chairman da AVZ, Klaus Eckhof, a partir do Dubai. "Todos eles querem participar porque não têm uma cadeia de fornecimento, o meu telefone não pára de tocar."
Portugal também nos radares internacionais
O interesse desperto pelo lítio também está a ter efeito em Portugal, que historicamente extrai o mineral para aplicação na indústria cerâmica. No ano passado entraram na Direcção Geral de Energia e Geologia 30 pedidos de direitos de prospecção e pesquisa de lítio, que têm subjacentes cerca de 3,8 milhões de euros de propostas de investimento nos primeiros dois a três anos, numa área total de 2.500 quilómetros quadrados.
O mineral extraído no país tem sido usado pela indústria para reduzir o ponto de fusão para produção de pastas cerâmicas – baixando o consumo energético –, mas segundo o relatório do grupo de trabalho "lítio" encomendado pelo Governo e concluído em Março passado, as ocorrências de lítio detectadas em Portugal têm potencialidade para uso também na indústria de compostos de lítio para obter concentrados de minerais de lítio de alto teor, como os que são usados na construção de baterias para os automóveis eléctricos.
Segundo o grupo de trabalho, e de acordo com relatórios técnicos de cinco empresas, com direitos atribuídos de prospecção e pesquisa e de exploração, é possível estimar um total de 29,74 milhões de toneladas em recursos mineralizados de lítio no país.
Exemplos de empresas que anunciaram a entrada no país são a Novo Lítio (anteriormente Dakota Minerals, que tem operado em Sepeda, Montalegre – onde pondera uma instalação de produção de concentrado de lítio - e está em litígio com a Lusorecursos, a detentora da licença de prospecção) e a Savannah, sediada em Londres, que em Maio anunciou a compra de parte dos direitos de exploração de quartzo, feldspato e lítio na Mina do Barroso, concelho de Boticas, Trás-os-Montes.
Portugal tem segundo aquele relatório nove regiões com ocorrência de mineralizações de lítio caracterizado por intrusões pegmatíticas, concentradas no Centro e Norte do país: Serra de Arga, Barroso-Alvão, Seixoso-Vieiros, Almendra, Barca de Alva-Escalhão, Massueime, Guarda, Argemela e Segura.
O grupo de trabalho refere ainda que a DGEG definiu 11 "campos" correspondentes às zonas de potencial interesse das empresas (onde : Arga, Sepeda-Barroso-Alvão, Covas do Barroso-Barroso-Alvão, Murça, Almendra, Penedono, Amarante Seixoso-Vieiros, Massueime, Gonçalo Guarda-Mangualde, Segura e Portalegre.
Nas suas conclusões, o grupo defende a criação de um programa de fomento mineiro para avaliar os recursos minerais de lítio existentes no país e a implementação de duas unidades experimentais – minero-metalúrgica e de demonstração, em consórcio com empresas exploradoras - para aferir da viabilidade económica da cadeia de valor.
Esta casa de 14 milhões de dólares é a mais segura dos EUA
"Esta é uma casa na qual poderia pendurar um quadro de 20 milhões de dólares na parede e dormir tranquilamente à noite", disse o corretor do anúncio, Paul Wegener,
Bloomberg
28 de outubro de 2017
É conhecida por Mansão Wayne do Sul. A fachada creme com colunas da Rice House, construída numa área de 1,4 hectares nos arredores de Atlanta, EUA, esconde muito mais do que um cinema privado, pista de bowling e uma piscina "infinita".
O quarto principal e os de hóspedes têm portas à prova de bala, capazes de resistir aos disparos de uma AK-47. A garagem de carros tem capacidade para 30 veículos com entrada projectada para ficar escondida por uma cascata. As portas secretas levam a um bunker de 4.500 metros quadrados no qual um dono com problemas poderia, teoricamente, esconder-se durante vários anos, com electricidade independente da rede pública e água extraída de três poços com 300 metros de profundidade. A casa teve o seu próprio arquitecto de segurança, que trabalhou durante duas décadas em projectos de edifícios seguros para o Departamento de Justiça dos EUA.
O anúncio de venda afirma que esta é "uma das casas ou a casa mais segura dos EUA".
"Esta é uma casa na qual poderia pendurar um quadro de 20 milhões de dólares na parede e dormir tranquilamente à noite", disse o corretor do anúncio, Paul Wegener, da Atlanta Fine Homes Sotheby’s International Realty. "O mesmo vale para a sua família."
O empreendedor dono da Rice House investiu seis anos e cerca de 30 milhões de dólares para construir essa fortaleza de 10.900 metros quadrados, disse Wegener à Bloomberg. Apenas por diversão.
"Ele disse-me: ’Se alguém me quiser pegar, encontram-me no [restaurante] Chick-fil-A’", disse Wegener. Foi uma espécie de exercício intelectual criar uma casa impenetrável, uma Batcaverna pessoal da qual o dono pode sair a acelerar com um Bugatti Veyron.
A casa acaba de ser anunciada com novo preço, 14,7 milhões de dólares, menos que os 17,5 milhões originais. Além disso, a propriedade precisa ainda de ser concluída, o que custaria entre 3 a 5 milhões adicionais, estima Wegener.
O proprietário planeou a Rice House para que fosse um legado familiar, mas no fim das contas o seu filho preferiu não morar lá. A casa em si está completamente construída, com oito quartos, 14 casas de banho, três cozinhas, um museu privado, uma adega, um campo de tiro interno e elevadores de nível comercial. Mas em vez de realizar os acabamentos adequados para a colecção de móveis do século XVIII, deixou a tarefa para o próximo proprietário.
Embora a informação não esteja incluída no anúncio - para manter o sigilo -, a Rice House fica no Country Club of the South, uma comunidade fechada de relvados bem cuidados em Alpharetta, Geórgia, a cerca de 30 minutos de carro do centro de Atlanta. As casas mais baratas da subdivisão de 733 unidades custam várias centenas de milhares de dólares.
Ao longo dos anos, várias celebridades teriam tido casas no Country Club of the South, entre elas o antigo jogador de basebol do Atlanta Braves Tom Glavine, Usher, Whitney Houston e a ex-estrela da NBA Allen Iverson. O bairro tem 19 campos de ténis, um campo de golfe com 18 buracos desenhado por Jack Nicklaus, campos de basquetebol, uma instalação para espectáculos e, claro, segurança 24 horas.
Não que os novos proprietários precisem disso.
Fonte: Bloomberg