Lucro de corretoras cresce 66%, com setor concentrado
Empresas apostam em diversificação e
presença digital para manter relevância
presença digital para manter relevância
19/11/2017 - 13h15 - Atualizada às 13h15 - POR AGÊNCIA O GLOBO
Nos dois extremos da tabela, uma corrida por investimentos, diversificação de produtos e presença digital tem se acelerado com o objetivo de fazer frente a essa concentração de mercado. Todas tentam se aproximar do modelo de shopping de investimento preconizado pela XP, abrir novas fontes de receita ou se tornaram alvo das fintechs, que incomodam cada vez mais os bancos.
A história da Pilla ilustra essas transformações. Fundada há 50 anos, ela se estabeleceu como uma das mais tradicionais de Porto Alegre. Nessas décadas, viveu exclusivamente de corretagem, sem qualquer operação de renda fixa. Com a crise global de 2008 e a recessão brasileira, seus negócios evaporaram, e, em 2016, ela operou apenas R$ 15,3 milhões em volume bruto na Bolsa. Até que a salvação veio de uma companhia que simboliza os novos tempos: uma fintech recém-nascida, premiada em competições americanas e fundada por ex-sócios da XP.
Em agosto, após acumular prejuízo de R$ 6,4 milhões desde o início de 2016, a Pilla foi comprada (por valor não divulgado) pela plataforma digital de investimentos Warren, de Marcelo Maisonnave, Tito Gusmão, Eduardo Glitz e Pedro Englert. "As corretoras não conseguiram mudar seu business. Permaneceram vivendo de corretagem e se estagnaram. A Pilla caminhava para fechar as portas", explicou Gusmão.
"Por isso compramos a Pilla. Montar uma corretora no Brasil do zero demora até dois anos. Compramos mais a casca da corretora, o CNPJ, mas aproveitamos parte da equipe. E o preço foi ótimo", afirmou Gusmão.
Na outra ponta, a Easynvest deve à sua filosofia start-up — modelo 100% eletrônico e reinvestimento de grande parte do caixa — o protagonismo entre as mais lucrativas. A companhia também soube se diversificar, e hoje apenas um quinto das receitas vêm dos negócios com ações.
"Somos um shopping de investimento on-line exclusivo para pessoas físicas. Nosso negócio é gerar caixa para fazer investimento. Temos preocupação com Ebitda (medida de geração de caixa), não com o lucro", afirmou o sócio-fundador Marcio Cardoso.
Mesmo assim, a companhia lucrou R$ 23,7 milhões desde 2016. Além do investimento em tecnologia, outro pilar é o marketing, também puramente eletrônico. No ano passado, foram R$ 6 milhões aplicados em mídia, segundo Cardoso; o plano é fechar 2017 com R$ 15 milhões.
Contratação de rivais
"O novo comando ampliou a gama de produtos e contratou profissionais seniores. Conseguimos atrair os clientes das casas onde essas pessoas eram referência", afirmou Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae.
Na CM Capital Markets, o diretor Fábio Feola explica que a corretora tem tido prejuízo (R$ 11,6 milhões em um ano e meio) porque está financiando o investimento no segmento de administração de fundos, iniciado em janeiro de 2016 e que já conta com R$ 3 bilhões sob gestão.
Na paulista Novinvest, fundada em 1969, foram R$ 12,4 milhões perdidos desde 2016, além do fechamento da filial do Rio. Segundo o sócio José Oswaldo Morales Junior, as principais razões foram mesmo as crises — tanto a mundial, de 2008, como a local, dos últimos dois anos.
"Nunca passamos por uma crise igual a essa. Foi quase uma década jogada fora. Muitas desistiram, mas não eu", lamentou Morales Junior, que tentará recuperar os ganhos com o investimento em um novo site e a ampliação da oferta de produtos de renda fixa.
A Spinelli, com 63 anos de história, atribui os prejuízos (R$ 5,6 milhões desde 2016) ao investimento em tecnologia, como a migração para um novo data center, e a custos não recorrentes como processos trabalhistas e gastos advocatícios. Segundo um porta-voz da empresa, o objetivo é voltar ao lucro adotando o modelo de shopping de investimentos. As corretoras do grupo XP e a Icap (que teve prejuízo de R$ 2,7 milhões no semestre) não comentaram.
Fonte: O GLOBO
