domingo, 3 de dezembro de 2017

Por que desprendimento de iceberg gigante na Patagônia intriga cientistas

Por que desprendimento de iceberg gigante na Patagônia intriga cientistas

O iceberg foi visto pela primeira vez no dia 27 de novembro© Foto: AFP O iceberg foi visto pela primeira vez no dia 27 de novembro Um iceberg gigante que se desprendeu da geleira Grey, no sul do Chile, pegou de surpresa autoridades locais e está intrigando especialistas.
Funcionários da Corporação Florestal Nacional, entidade vinculada ao governo que responde pela política florestal do país, afirmam ter se deparado com o fenômeno na última segunda-feira.
O glaciar é uma das formações de gelo do Parque Nacional Torres del Paine, uma área formada por montanhas, lagos e geleiras na Patagônia chilena.

Encontrar blocos de gelo soltos na região não é incomum, mas esse caso foi classificado como "especial".
De acordo com o glaciologista Andrés Rivera, há algum tempo não era visto um iceberg com características tão particulares.
"É um iceberg muito grande, por sua forma e dimensão", disse ele, especialista do Centro de Investigações Científicas chileno.
Mapa mostra a localização da geleira, que, segundo especialistas, tem sofrido perda de massa e diminuiu nos últimos anos© Foto: Fornecida por BBC Mapa mostra a localização da geleira, que, segundo especialistas, tem sofrido perda de massa e diminuiu nos últimos anos O especialista detalhou quais características tornam esse iceberg tão inusitado:

1. Seu tamanho

Análises preliminares indicam que o iceberg tem cerca de 350 metros de comprimento por 300 metros de largura, o que significa uma área de aproximadamente 100 mil metros quadrados.
Para efeito de comparação, seria algo equivalente a 16 campos de futebol profissional.
"Sempre há a liberação de icebergs, mas essa geleira tem sofrido recuos e perdido massa praticamente durante todo o século 20. E isso se acelerou na última década", observa Rivera.
No caso do glaciar Grey, o especialista atribui esse grande desprendimento à perda de massa do gelo originado recentemente.
EPA Imagem mostra bloco de gelo que se soltou da geleira Grey O bloco de gelo visto no Parque Nacional Torres del Paine tem o formato de mesa, considerado incomum para icebergs 1

2. Seu formato incomum

É muito comum a formação de grandes blocos de gelo ou icebergs, mas não como o visto nesta semana.
Ele tem uma forma muito retangular, ao contrário da maioria dos icebergs, que são muito irregulares.
"Em geral, eles (os icebergs) são menores e têm características complexas, mas não um formato de mesa. O nome desse tipo de iceberg é tabular. Não há muitos vistos com esse formato. É um fenômeno incomum", explica Rivera.
Já foram registrados desprendimentos maiores que este na geleira Grey, especificamente em 1997 e 2011. A diferença é que nesses dois casos foram produzidas dezenas de icebergs, e não apenas um com esse formato.
"A grande surpresa deste caso é que se gerou um grande bloco tabular", diz o glaciologista.
3. O risco de fragmentação
Enquanto esse iceberg permanecer como um bloco grande de gelo, ele não representa perigo.
Mas os especialistas acreditam que, ao ficar à deriva e sujeito a um derretimento natural, ele se fragmentará nas próximas semanas - e isso traz riscos.
Um deles é à navegação de embarcações turísticas, que representam uma das principais fontes de renda para a economia local.
"Esses lagos são visitados por milhares de turistas, e a presença de icebergs pode impedir e dificultar o deslocamento dessas embarcações", disse Rivera.
O glaciologista Ricardo Jaña, do Instituto Antártico Chileno, concorda que o iceberg pode ser uma ameaça quando houver a desfragmentação, segundo apontou em um comunicado.
De 1945 até hoje foram perdidos cerca de 500 quilômetros quadrados na área de gelo da América do Sul, segundo Rivera, o que tem efeitos colaterais nas encostas de terra que estão descobertas.
"À medida que ocorrem esses desprendimentos, essas encostas ficam instáveis, e há a queda de rochas. É um risco geológico importante."

Fonte: BBC


Risco de Guerra na Coreia do Norte aumenta a cada dia, alerta conselheiro de segurança dos EUA

Risco de Guerra na Coreia do Norte aumenta a cada dia, alerta conselheiro de segurança dos EUA

© Imagem divulgada pela agência de notícias oficial da Coreia do Norte mostra Kim Jong-un durante visi... AIMI VALLEY, Califórnia — O risco de uma guerra entre os EUA e a Coreia do Norte aumenta a cada dia, afirmou nesta sábado Herbert Raymond McMaster, Conselheiro de Segurança Nacional dos EUA. Em palestra no Fórum de Defesa Nacional Reagan, em Simi Valley, na Califórnia, o general afirmou que o regime de Kim Jong-un é “a maior ameaça imediata aos Estados Unidos”.
— Eu acho que aumenta todos os dias, o que significa que estamos numa corrida, realmente, uma corrida para sermos capazes de resolver esse problema — afirmou McMaster.
Ao ser questionado sobre o último teste norte-coreano com míssil balístico, o conselheiro respondeu que o presidente americano, Donald Trump, está comprometido com a desnuclearização da Península Coreana. Apesar de reconhecer o risco de guerra, McMaster afirmou ser possível resolver a questão de forma pacífica, destacando o papel da China, que poderia impor sanções econômicas mais rigorosas, pois o país possui “tremendo poder econômico coercitivo” sobre Pyongyang.
— Existem maneiras de abordar este problema sem o conflito armado, mas é uma corrida porque Kim Jong-un está cada vez mais perto, e não temos muito tempo — comentou o general. — Nós estamos pedindo um favor à China não para nós. Nós estamos pedindo que a China atue nos interesses da China, como deveria, e acreditamos que é interesse urgente da China fazer mais.
Segundo McMaster, a China poderia cortar o comércio de petróleo com a Coreia do Norte, acrescentando que tanto ele como Trump acreditam que um embargo total nas vendas de petróleo para o regime de Kim Jong-un seria “apropriado neste ponto”.
— Você não pode disparar um míssil sem combustível — pontuou.
Na visão do militar, é improvável que Pyongyang retroceda com seu programa de mísseis “sem novas ações significativas em forma de sanções muito mais severas” e “a execução completa das sanções que estão em vigor”.
Após a exibição norte-coreana de poder na semana passada, a Agência de Defesa contra Mísseis busca reforçar os sistemas instalados no país. Segundo o congressista Mike Rogers, que preside o subcomitê de forças estratégicas do Congresso, a agência procura por lugares para a instalação de dois novos sistemas antimísseis, provavelmente incluindo o THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude, na sigla em inglês).
— É apenas uma questão de localização, e a agência fará uma recomendação sobre qual local atende aos seus critérios, mas também o impacto ambiental — afirmou Rogers.
O último míssil testado por Puongyang percorreu 950 quilômetros antes de cair no mar perto do Japão. Segundo cálculos militares, o armamento tem potencial para atingir alvos a até 13 mil quilômetros de distância, o que coloca todo o território americano sob ameaça.
Fonte: MSN

sábado, 2 de dezembro de 2017

Pé na Praia: Garimpo na Amazônia

O jornalista alemão Thomas Fischermann conta como foi conhecer um acampamento ilegal de garimpeiros: onde o Estado é ausente, e as pessoas se veem como cães dos infernos, para quem não há leis nesta terra.
Às sete horas da manhã começa o café no Bar Emoções. O dono, um tipo pequeno e gorducho, serve uísque no balcão. Estamos sentados em um povoado que tem como único acesso uma pista de lama para pouso de avião, no meio da Floresta Amazônica. Aqui há casas de madeira, uma mercearia, bares e bordéis. Tem confusão de vez em quando no bar? Brigas, por exemplo? "Naaaaauumm", diz o dono do bar e sorri. Dá para ver que ele não possui mais os dentes caninos. Aqui faz três anos que não tem um homicídio sequer.
Uma coisa fica bem clara: não tem muitos "gringos" que vêm aqui. Para as pessoas desse lugarejo, sou o visitante vindo de Marte. Assim como também não estou me sentindo no meu planeta. O lugar é um acampamento de garimpeiros. Do ar dava para vislumbrar a pista de pouso e em seu redor um pequeno inferno: árvores serradas e quebradas, buracos de tratores e poços cheios de água suja. Algumas centenas de garimpeiros cavam no chão da floresta, acampam debaixo de tendas brancas e protegem armados a sua escavação de ouro.
O aglomerado é ilegal: vai contra várias leis brasileiras. Não é permitido simplesmente chegar e ir procurando por ouro ou diamantes e destruir as árvores. Mas o Estado raramente aparece por aqui e, se aparece, os garimpeiros retornam em pouco tempo. Eles se veem como cães dos infernos, para os quais não há leis nesta terra. Alguns estão aqui porque são procurados pela polícia em outros lugares do país.
Um bêbado cambaleia para seu café da manhã no Bar Emoções. "Hey, garimpeiros!" chama. Quer pedir dinheiro emprestado, os homens no balcão acenam para ele. "Ele tem que parar de beber e voltar ao trabalho", diz o dono. "Caso triste. Atirou na sua mulher e nos filhos."
Eu gostaria de entender se estes homens levam realmente uma vida sem lei. "Vocês acreditam realmente ter encontrado a liberdade aqui?" A vida no garimpo, assim descobri na minha estadia, é excepcionalmente dura. Cavar, colocar a mangueira da bomba, operar máquinas pesadas, tudo isso numa lama com cheiro podre sob o sol escaldante da Amazônia.
Quem não quiser trabalhar ou não puder trabalhar por causa da malária fica rapidamente sem dinheiro. Quem trabalha, precisa, além da perseverança, de sorte. Um garimpeiro pode não ganhar nada por semanas ou obter num só golpe 2 mil, 3 mil reais. A maioria deles gasta tudo rapidamente com bebida e prostitutas.
"Existe uma regra clara entre nós", afirma um garimpeiro mais velho, que veio se juntar a mim no bar. Ele procura ouro há anos aqui. Por exemplo, não se deve andar de sapatos sobre o ouro. Isso é uma superstição antiga que ninguém consegue explicar direito. E não se deve dormir em redes de outras pessoas, isso só traz problemas.
Quem não paga as prostitutas ou não tem por elas o devido respeito, tem que partir. As pessoas dizem que esses valentões dão azar. O ouro acaba logo. (Faz-se uma exceção de cortesia para pais de família e evangélicos.) Não se deve chamar ninguém de amigo, e sobretudo não vingar ninguém, se ele for esfaqueado ou baleado. Sábia regra para se evitar a escalada da violência.
Mas também vale: onde há sangue derramado, tiros nos bares e assaltos entre os garimpeiros - as pessoas pegam suas coisas e se mudam para lá. Para os garimpeiros no Amazonas é assim: se as pessoas brigam, é porque deve haver muito ouro.
Thomas Fischermann é correspondente do jornal alemão Die Zeitna América do Sul. Na coluna Pé na praia,publicada às quartas-feiras na DW Brasil, faz relatos sobre encontros, acontecimentos e mal-entendidos - no Rio de Janeiro e durante suas viagens pelo Brasil. É possível segui-lo no Twitter e no Instagram: @strandreporter.
Fonte: O Liberal

Bilionário do Uber promete doar metade da sua fortuna para caridade

Bilionário do Uber promete doar metade da sua fortuna para caridade




Getty Images

Uma viagem a Paris em 2008 – onde, com o amigo Travis Kalanick, teve dificuldade de conseguir um táxi devido ao mau tempo – inspirou Garret Camp a se tornar um dos fundadores da Uber, a gigante empresa de transporte por aplicativo que o tornou bilionário. Atualmente, quase uma década depois, Camp novamente encontrou inspiração durante uma viagem – desta vez, para doar metade de seus bilhões.
Depois de passar duas semana no Quênia, onde foi para participar de um safári e aproveitou para conhecer áreas rurais e pequenas cidades, Camp anunciou em seu blog sua filiação ao Giving Pledge, campanha criada por Bill Gates e Warren Buffett para estimular bilionários a doar ao menos metade de suas fortunas para causas filantrópicas. “Eu passei 15 anos focado especialmente em startups e, apesar de ainda ter paixão pela criação de produtos úteis, eu também percebi que não deveria esperar para começar a oferecer o retorno”, escreveu Camp.
O magnata de 39 anos que, segundo a última lista de FORBES possui patrimônio de US$ 5,1 bilhões, diz que logo irá se restabelecer e começar a pesquisar para onde quer direcionar seus esforços. “Minha meta é encontrar algumas áreas de interesse onde eu possa trabalhar com outras pessoas para criar sistemas e produtos que terão um grande impacto positivo”, disse.
Cidadão canadense com residência em São Francisco, Camp cofundou a ferramenta de descoberta de sites e conteúdos web StumbleUpon in 2001, quando ainda era um estudante na Universidade de Calgary. O jovem visionário vendeu a StumbleUpon para o eBay em 2007, por US$ 75 milhões, mas a comprou de volta e continua sendo o presidente da empresa. Em 2013, fundou a Expa, uma startup que conta com investidores do porte de Richard Branson e Meg Whitman.
Camp mantém seu cargo de diretor na Uber, companhia avaliada em US$ 68 bilhões no passado por investidores privados, mas que vem sofrendo desvalorização devido a uma série de escândalos e erros. Em junho, o cofundador Travis Kalanick renunciou ao comando da empresa em meio à pressão dos investidores. Na semana passada, a companhia confessou que hackers roubaram dados pessoais de 57 milhões de clientes e de motoristas em 2016 – e que executivos da Uber encobriram o vazamento das informações por um ano.
Camp, talvez se referindo à recente turbulência, terminou seu anúncio dizendo: “Obrigado a todos que me ajudaram a colocar as coisas em perspectiva nos últimos meses”.

Fonte: UOL

OPALAS NOBRES DE PEDRO II PIAUÍ

OPALAS NOBRES DE PEDRO II PIAUÍ

Mas, para encontrar pedra preciosa, é preciso sorte e dedicação.
Mineral é encontrado apenas em Pedro II e na Austrália.


Na pequena cidade de Pedro II, no norte do Piauí, a opala extra, pedra encontrada apenas nessa região e no interior da Austrália - que faz o mineral ser considerado precioso e chega a custar três vezes mais que o ouro - é o que move a economia local. Por ano, a cidade vende perto de 400 quilos de joias feitas com a pedra para os mercados interno e externo.
Processo de mineração da Mina do Boi Morto, em Pedro II, no Piauí. (Foto: Divulgação/Sebrae)Processo de mineração da Mina do Boi Morto, em Pedro II, no Piauí. (Foto: Marcelo Morais/Sebrae)

Tamanho é o valor do mineral que um garimpeiro chega a “achar” - com sorte e muita insistência - até R$ 60 mil em pedras em um mês. Normalmente, o ganho não atinge essa cifra com tanta frequência. No entanto, segundo José Cícero da Silva Oliveira, presidente da cooperativa dos garimpeiros de Pedro II, a atividade tem se desenvolvido, e o setor vem mantendo boas expectativas de crescimento - sustentável. Hoje, são explorados, legalmente, cerca de 700 hectares, o equivalente a 7 milhões de metros quadrados.
“A exploração não é mais desordenada. Todos os trabalhadores da cooperativa trabalham em áreas regulares, com licenciamento, com equipamento de segurança. Sempre recebemos a visita de fiscais de vários ministérios”, afirmou. No regime de cooperativa, 10% de tudo o que se ganha em vendas é dividido entre os 150 associados. “Mas se um encontra uma pedra maior, por exemplo, fica para ele. Se não fosse assim, não daria certo, né?”, ponderou.
Na chamada Suíça piauiense, devido às temperaturas mais amenas, que não castigam a cidade, diferente de muitos municípios do Nordeste, Pedro II tem cerca de 500 famílias, entre garimpeiros, lapidários, joalheiros e lojistas que vivem da opala, de acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) do Piauí. A população de Pedro II, segundo o Censo de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 37.500 pessoas.
Opala bruta (E) e anéis feitos com a pedra, em Pedro II. (Foto: Carlos Augusto Ferreira Lima/Sebrae)Opala bruta (esq.) e anéis feitos com a pedra, em Pedro II. (Foto: Carlos Augusto Ferreira Lima/Sebrae)


Pedro II tem se consolidado, nos últimos anos, como um polo de lapidação de joias. “Além da opala, também usamos pedras de outros estados do Sudeste, do Sul. Compramos essas pedras, lapidamos e fazemos as joias”, contou a presidente da Associação dos Joalheiros e Lapidários de Pedro II, Surlene Almeida. Esse tipo de atividade é desenvolvida há cerca de oito anos.

Em relação ao tempo em que as minas de opala são exploradas, a transformação das pedras em joias é recente, mas está evoluindo. Na cidade, já foi instalado um centro técnico de ensino de lapidação, design e joalheria, segundo Surlene. “É como se fosse um curso técnico mesmo, onde as pessoas se especializam nessa atividade.”

Apesar de o forte da economia de Pedro II ser a mineração, a cidade também vive da agricultura familiar. Durante o inverno, que tem períodos mais chuvosos, muitos garimpeiros migram para esse outro tipo de sustento.
Fonte: Globo.com