sábado, 23 de junho de 2018

Exploração de diamantes no Brasil

Como anda a exploração de diamantes no Brasil? O Brasil é um país de dimensões continentais e de imensa riqueza tanto em superfície quanto em grandes profundidades. As reservas de minério de ferro de qualidade tornam o país o segundo maior exportador do mundo, atrás da Austrália e seguido por Rússia e China. Dentre as gemas preciosas, destacam-se os diamantes, cristal de alto valor agregado no mercado mundial de grande interesse de companhias multinacionais em explorar nossas terras à procura de minas ou jazidas de diamantes.
Na TV, a exploração de diamantes é lembrada na trama da novela da Rede Globo, “Império”, onde o “comendador Zé Alfredo” (interpretado por Alexandre Nero) acumula fortunas e esbanja vaidades com sua família, vivendo uma série de problemas que envolvem a sua história desde o garimpo, onde foi à procura do sonho da riqueza. É a ficção imitando a realidade, lembrando do caso da Serra dos Carajás, no Pará, em que reuniram-se milhares de pessoas em busca do sonho de se tornarem ricos às custas de muito sofrimento, solidão, doenças, violência, tudo em nome da fama e da riqueza.

Segredos que valem ouro

O número de locais com diamantes no Brasil não é divulgado com precisão, mas sabe-se que há reservas gigantescas de diamantes no país, principalmente nos estados de Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso.
Dizem os especialistas que, em reservas indígenas, preservadas por leis da Constituição Brasileira e pela Fundação Nacional do Índio (Funai), há enormes jazidas, mas não estão autorizadas para exploração de diamantes. Não é de hoje que o país sofre com a exploração das suas terras em todos os sentidos, minerais, agrícolas, fauna e flora, desde os tempos do Império. Não se tem a conta de quantos bilhões de dólares já se perderam ao longo dos anos com o envio de pedras preciosas para o exterior.
Para se ter uma idéia das riquezas ocultas no solo brasileiro, em 2014, foi divulgado na internet, em sites especializados, que a exploração de diamantes em terras indígenas do Parque Aripuanã e de Serra Morena, em Rondônia e Mato Grosso, respectivamente, pode render algo em torno de 40 bilhões de dólares por ano, caso seja regulamentada, já que o garimpo em terras indígenas é proibido e, além do que, no Brasil, o que se observa é que, após a extração de minerais preciosos por garimpagem, é uma prática insustentável e que degrada completamente a região explorada, não há políticas de reflorestamento e de revitalização do solo e de programas que beneficiem as populações que vivem acerca da mesma.

Profissionais que brilham

As pesquisas e levantamentos sobre reservas diamantíferas estão a cargo de geólogos e outros especialistas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), vinculado ao Ministério das Minas e Energia junto de empresas multinacionais, como a gigante multinacional De Beers, com sede na Àfrica do Sul. As descobertas levaram a aproximadamente 1.200 pontos de exploração de diamantes no Brasil, entretanto, sem haver informações precisas acerca da quantidade e qualidade dos diamantes.
De acordo com os geólogos envolvidos na pesquisa, atualmente, o país dispõe de reservas de diamantes industriais e de gemas, utilizados para fabrico de jóias. Em média, um diamante no garimpo pode ser comercializado por 2 milhões de reais em forma bruta, mas, depois de lapidada, chega a 20 milhões de reais.
Exploração de diamantes
Exploração de diamantes
Mas a procura por pedras preciosas começou bem antes disso, na era dos desbravamentos dos bandeirantes, no século 17 em diante, tendo as primeiras descobertas no estado das Minas Gerais. O cuidado das reservas e de sua exploração era por conta da chamada Intendência das Minas, quer estava obviamente subordinada à metrópole – já que o Brasil era uma colônia – portuguesa. Como nos dias de hoje, a corrupção e o contrabando das riquezas nacionais eram comuns. Para coibir essas manobras, a Corte Portuguesa criou um núcleo de fiscalização de nome Casa de Fundição ao mesmo tempo em que deixava a extração aos cuidados de “contratadores”.
Ainda que houvesse extração e exportação de ouro e diamante para Lisboa, muitas benfeitorias à época puderam ser vistas com o passar dos anos, mudanças políticas, sociais, econômicas e culturais.

Como funciona uma exploração de diamantes

A exploração de diamantes em uma jazida descoberta não é diferente no Brasil ou na África do Sul. Geralmente, existem máquinas gigantes que operam escavando altas profundidades – já que as pedras costumam estar localizadas a centenas de metros abaixo da superfície – com a ajuda de explosivos, alta tecnologia e garimpeiros em busca das pedras preciosas. Daí, elas são separadas do cascalho e identificadas por um sistema de raio-X. As minas então são criadas sobre região com alta concentração de kimberlito, rocha formada pelo resfriamento do magma vulcânico. Durante a exploração nas minas, as rochas são pulverizadas como cascalhos por meio de explosões em áreas profundas da mina.
Águas de rios e lençóis freáticos transportam pedras que se concentram em áreas superficiais e por isso são “peneirados” pelos mineradores. Da separação por tamanho, as pedras seguem para flotação. Entra em cena uma máquina de triagem em forma de raio-X que funciona para separar o que é diamante e o que não é, passando em seguida a uma apuração manual de cada pedra.
Muita gente ouve diamante como uma jóia preciosa, é verdade, mas a parte menos valiosa, que não é denominada gema, é destinada à indústria para a fabricação de peças de corte, discos, brocas, serras, bisturis, equipamentos cirúrgicos em geral e termômetros de precisão.
Fonte: TécnicoeMineração

Supermáquinas, explosivos e alta tecnologia são usados para vasculhar toneladas de rocha

Como funciona uma mina de diamantes?

Supermáquinas, explosivos e alta tecnologia são usados para vasculhar toneladas de rocha

Na maioria dos casos, máquinas gigantes escavam em busca das pedras preciosas, que são separadas do cascalho pelo peso e identificadas por um sofisticado sistema de raios x. As minas são criadas em regiões com alta concentração de um tipo de rocha, denominado pelos geólogos de kimberlito. Esse material é formado pelo resfriamento do magma, que chegou até a superfície há milhões de anos, carregando elementos de regiões profundas da Terra. Feitos de carbono submetido a altíssima pressão, os diamantes foram forjados até 200 km abaixo da superfície há pelo menos 3 bilhões de anos.
O tipo mais comum de mina é o de poço aberto – como a representada no infográfico a seguir –, baseada na escavação do kimberlito, e a maioria delas está na África. No Brasil, a produção se concentra em minas formadas por erosão de kimberlito. As águas de rios e lençóis freáticos carregam pedras, que se concentram em áreas superficiais e passam a ser exploradas por mineradores. As 26 toneladas de diamante produzidas no mundo movimentam US$ 13 bilhões. O maior comprador é a China.
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TRABALHO ÁRDUO
Supermáquinas, explosivos e alta tecnologia são usados para vasculhar toneladas de rocha.
Amaciando a terra
Após encontrar provas geológicas da presença de diamantes, os mineiros escavam o kimberlito. Mas a ferramenta deles não é picareta, não: os caras colocam explosivos em buracos de até 17 m de profundidade feitos pela perfuradora. O objetivo é fazer a rocha dura virar cascalho.
Trio parada dura
Três máquinas gigantes fazem o trabalho pesado: a perfuradora abre buracos na rocha para a colocação de explosivos, a escavadora movimenta até 50 toneladas de rocha por minuto e o caminhão mineiro leva 100 toneladas de material para o beneficiamento.
Buraco fundo
Com o avanço da escavação, o poço fica mais afunilado, chegando a centenas de metros de profundidade e a quilômetros de largura. A maior mina de diamantes em operação, com 600 m de profundidade e 1,6 km de diâmetro na parte mais larga, é a Argyle Diamond, na Austrália.
Plano B
Quando a escavação afunila demais, é preciso cavar um túnel paralelo ao poço. Do túnel principal, partem túneis perpendiculares para extrair a rocha mais profunda. No subterrâneo, são usadas versões menores das máquinas empregadas na superfície.
Coisa fina
O material extraído da mina vai para o processamento. O cascalho é triturado duas vezes, lavado e peneirado. Em seguida, as pedrinhas – de 1,5 a 15 mm – vão para um tanque de flotação. As pedras mais pesadas, com potencial de ser diamantes, ficam no fundo e as mais leves são descartadas.
Catando milho
Uma máquina de triagem equipada com raios X identifica os diamantes. Ao rolarem na esteira e serem atingidos pela radiação, eles ficam fluorescentes. Um sensor registra essa luz e aciona um jato de ar, que separa o que importa do restante das pedras. Por último, rola uma checagem manual.
Feitos para brilhar
Cerca de 30% dos diamantes são gemas, ou seja, têm características ideais para se tornar joias: cor, claridade, tamanho e possibilidade de lapidação. O restante é usado na indústria para a produção de peças de corte, como brocas, discos, serras e bisturis. Como transmitem calor rapidamente, diamantes também são usados em termômetros de precisão.
VALE QUANTO PESA
Cada tonelada de terra extraída rende 1 quilate de diamantes (0,2 g)
Valor de mercado
Um caminhão carregado rende até 20 diamantes de 1 g. Pedras usadas em joias valem, em média, US$ 1 mil/quilate. Para uso industrial, paga-se em torno de US$ 10/quilate.
Além do brilho
O valor do diamante é baseado em cor, claridade, tamanho e lapidação. Gemas azuis, laranja, vermelhas e rosa são raras. Brancas e amareladas são mais comuns (98% do total).
Joia da coroa
O maior dos diamantes foi extraído na África do Sul em 1905. A pedra bruta tinha 3,1 mil quilates e foi lapidada em nove. As duas maiores (Cullinan I e II) foram dadas à realeza britânica.
– Em 1714, foi encontrado o primeiro diamante no brasil, em um garimpo de ouro próximo a Diamantina, MG.
– O diamante mais caro do mundo foi leiloado em Londres por US$ 46 milhões. O Graf Pink pesa 24,78 quilates e tem coloração rosada.

Fonte: CPRM

Pequenos tesouros verdes

Era o inicio dos anos 1990, época de incerteza política e financeira no Brasil. A fiscalização pegava leve e não era tão difícil entrar em outros países. Isso facilitava o trânsito de vendedores de pedras preciosas autônomos para o Leste Europeu, que simplesmente vendiam as pedras  para clientes de hotéis luxuosos.
Meu pai era um deles.
Ele possuía uma lapidação em Governador Valadares, um negócio quase inexplorado no Brasil, e ainda hoje diz que aquela foi uma época muito próspera, pois o dinheiro entrava em caixa com facilidade. As margens de lucro eram absolutamente imensas, por exemplo: 50 quilates de ametista (ou seja, 10 gramas) comprados em Minas Gerais por U$ 200 tinham margens de lucro de até U$ 2 mil. O resultado desta matemática foram centenas de histórias homéricas do meu velho pelo mundo, demonstrando que o mesmo se tornara um dia um bon vivant.
Essa é a historia do meu pai. A minha nasceu por conta de um garimpo de esmeraldas.

Pequenos tesouros verdes

Eis uma riqueza adormecida no coração da terra
Estava concluindo os estudos do ensino médio e, diferentemente da maioria dos meus amigos que se preparavam para o vestibular, eu me preparava para ir a um garimpo de esmeraldas. Localizado em Nova Era (MG), o Garimpo de Capoeirana foi referência em qualidade de esmeraldas por mais de 20 anos. Dizia-se que, no inicio dos anos 1990, as pessoas não precisavam ir muito fundo para encontrar pedras de qualidade, e infelizmente o acesso a muito dinheiro para pessoas com pouco conhecimento trouxe um resultado bastante negativo.
Quando lá cheguei, comecei a ouvir diversas histórias sobre mortes por conta de roubos de pedras ou desacertos de sócios. Lembrava-me os bons filmes de Velho Oeste dos anos 1960, só que dessa vez as histórias eram reais. Nada disso me desanimou, muito pelo contrário: fui tomado pela curiosidade. Queria saber como funcionava todo o sistema, como o garimpeiro, apesar do pouco conhecimento teórico, lidava com o fato de poder se tornar milionário com apenas a detonação de algumas dinamites.
Compramos um bom shaft (o acesso ao nível subterrâneo) que funcionara alguns anos antes e que fora impedido judicialmente por conta de rixa de antigos sócios. Pegamos o serviço praticamente pronto, era só continuar. Imaginem o que é descer pela primeira vez em um buraco estreito (perto de 1,5m de largura) e profundo (por volta de 100m de extensão) pendurado!
Essa é só a primeira etapa.
Lá embaixo, na primeira galeria, havia um antigo troller (à la Indiana Jones) que foi reativado. Descemos através dele mais algumas dezenas de metros até chegarmos em um segundo guincho com cabo de aço e mais um cavalo para descer outros 150m. Foi uma viagem alucinante visitar aquelas galerias que foram trabalhadas havia dezenas de anos por homens em busca da gema verde, cheios de sonhos e projetos megalomaníacos.

O que acontece no subsolo fica no subsolo?

Do garimpo, eu trouxe boas histórias, como essas:

  • A luz acabou!
Já estávamos a quase 700m abaixo da terra. Para se chegar na linha de frente demorávamos cerca de 1 hora e 20 minutos. O processo de descida era extremamente cansativo, mas chegar naquele lugar, ver aquele veio de cristal e ter a possibilidade de tirar as esmeraldas me fazia esquecer um pouco do cansaço. A parte da detonação não era madeirada, ou seja, sustentada por um conjunto de vigas de madeira. Isso era preocupante.
De repente, a luz apaga.
Não víamos coisa alguma e estávamos na linha de frente! Eu comecei a ficar mais preocupado. Ficamos no breu por quase três horas, até que o eletricista do nosso serviço encontrou o local do corte da energia e consertou. Voltamos ao trabalho...
Link YouTube | Filmagem feita pelo autor em mina de Nova Era

  • "Saiba negociar. Sua vida depende disso"
Em certo dia, tiramos um lote de esmeraldas bom, avaliado em R$ 50 mil. Pegamos as pedras e fomos negociar com os judeus e indianos, que geralmente ficam no local comprando as mercadorias. Vocês pensam que quem pechincha é turco? Fale isso para os judeus e os indianos! Os caras choram preço o tempo inteiro!
Começaram ofertando R$ 5 mil, acreditem! Isso também se deve ao fato de que o garimpeiro é um homem humilde, que passa por muitas dificuldades durante o ano e, quando vê algumas pedras, as vende a preço de banana. Por isso, era importante manter uma ideologia fixa sobre valores, afinal eu tinha plena convicção de que os gringos venderiam as pedras com margens de lucro de, no mínimo, 100%.

Garimpeiro: profissão que exige culhões

Por meio destas aventuras, descobri que a profissão de garimpeiro é algo nobre. E que é preciso ter bolas para enfrentar os problemas e os dilemas com os quais esses profissionais lidam todos os dias. Afinal, não é para qualquer um descer 700m no subsolo e voltar com uma única pedra.
Mas o risco é altamente compensador. Esta única pedra pode definir o seu futuro financeiro.
Fonte: Blog PAPO DE HOMEM

O Ouro do Tapajós: o começo?

O Ouro do Tapajós: o começo?


Ao longo de toda a história da humanidade, o ouro foi escolhido como meio de troca, substituindo o sal e outras formas de escambo, principalmente por ser, além de raro, bonito, brilhante, imune à corrosão e fácil de ser derretido e moldado. Foi o rei Cresus da Lídia, uma região da atual Turquia, que pela primeira vez cunhou moedas do metal com sua insígnia, por volta de 560 a.C. A partir daí o ouro virou dinheiro, auxiliando comerciantes na realização de seus negócios.
A necessidade de descobrir jazidas de ouro e prata para satisfazer o “apetite” voraz da Corte Portuguesa (e por tabela, de outros reinos europeus), além da ambição de riqueza imediata (da mesma forma que ocorre nestes dias) foram os principais motivos para que os bandeirantes adentrassem além dos limites do Tratado de Tordesilhas, o qual limitava as terras portuguesas e as espanholas, para descobrir um novo potencial mineral no país.
Os bandeirantes já haviam se arriscado desde São Paulo por Goiás e Minas Gerais na tentativa de descobrir mais e mais jazidas de ouro e prata, resolvendo se atrever ainda mais pelo limite da linha imaginária que demarcava o Tratado.    
Um deles, em 1718, chamado Pascoal Moreira Cabral Leme chegou a região que seria chamada, posteriormente, de Mato Grosso (batizadas em 1734 pelos irmãos Paes de Barros, impressionados com a exuberância das 7 léguas de mato espesso) e subindo o rio Coxipó descobriu enormes jazidas de ouro, dando início à corrida do ouro, fato que ajudou a povoar esta região.
Em virtude de possível esgotamento das jazidas auríferas do Mato Grosso e da vontade de empreender novos horizontes, os aventureiros continuaram explorando a região ao redor e além dos limites conhecidos. Um deles, cabo Leonardo de Oliveira, vindo do Mato Grosso, adentrou em 1742, chegando a boca do rio Tapajós.[1] Sobre esta viagem temos poucas informações, estando o único documento que fala deste feito arquivado em Évora – Portugal (informação do historiador Sidney Canto). Em 1746/1747, o ituano João de Souza Azevedo, desceu o rio Tapajós, a partir do rio Preto (dos Arinos e, posteriormente, Teles Pires) até Santarém, onde foi preso por ordem do padre Manoel dos Santos, por desobedecer às ordens da Coroa portuguesa, que proibia o trânsito entre o Mato Grosso e o Pará via acesso hidroviário[2]. Na sua viagem “achou outra mina no riacho Três-barras, afluente do Tapajós, e descendo por este em 1747 até a sua foz, com trinta e cinco dias de viagem passou ao Pará, participou a descoberta de sua navegação ao Governador do Estado Francisco Pedro de Mendonça Gurjão, que também a comunicou à Corte[3].
Após o episódio de João de Souza Azevedo ocorre uma lacuna histórica e não temos (ainda) ocorrência descrita sobre a exploração aurífera nesta região até o final do ano de 1950, tendo início a grande exploração de ouro do Vale do Tapajós, quando Nilson (ou Nilçon) Barroso Pinheiro, encontrou uma grande concentração aurífera na região do rio das Tropas[4], dando início à grande corrida do ouro na região que perdurou, com intensidade, até 1990. Tão logo surgiu a notícia da “descoberta de uma gigantesca jazida de ouro num igarapé chamado Pacu, próximo de Itaituba, e que mais tarde ficou conhecida como a maior área aurífera do mundo, com cerca de dois mil quilômetros quadrados[5], milhares de pessoas (na maioria nordestinos) vieram para esta região na tentativa de enriquecimento rápido.
Em 1962, o então deputado Ferro Costa, da UDN/Pará, em entrevista exclusiva ao “Diário de Notícias” dizia que fez uma exposição ao ministro Gabriel Passos sobre a exploração de ouro no vale do Tapajós e pedindo que “fossem colocadas homens de gabarito na SPVEA e não politiqueiros. Alertava também que “a Amazônia pode tornar-se um dos esteios da economia nacional, sem precisar ser colocada na humilhante condição de pedinte”[6]
Os garimpos do Tapajós tiveram intensa movimentação, a partir de sua “descoberta”, quando os garimpeiros encaravam “varações” intermináveis, dias infindáveis em barcos e canoas subindo os rios da região no afã de descobrir novos garimpos, até que a aviação dominasse o acesso.
Atualmente a atividade garimpeira de ouro ainda é intensa, mesmo com a displicência governamental em subsidiar as pesquisas e minimizar a dilapidação deste bem mineral.
Mas aí já é outra história.

Fonte: CPRM/DNPM

Como é um garimpo ilegal em reserva na Amazônia

Como é um garimpo ilegal em reserva na Amazônia

Mesmo quando a Renca proibia a mineração em área no Pará e Amapá, a atividade garimpeira não parava. Nos garimpos dentro da Floresta Estadual do Paru, por exemplo, nenhum agente governamental coloca o pé desde 2008

Garimpo ilegal nas margens do rio Jari, na Amazônia (Foto: Imazon)
A atividade de mineração na Floresta Amazônica ficou no centro do debate público nos últimos dias. Primeiro, o governo do presidente Michel Temer editou um decreto extinguindo a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), liberando uma área entre Pará e Amapá para a mineração. Após repercussão negativa, Temer voltou atrás e editou novo decreto, mantendo a extinção da Renca, mas, desta vez, detalhando que isso não significa uma permissão para minerar em área protegida, como unidades de conservação e terras indígenas.
Apesar de existir no papel, a Renca nunca conseguiu impedir o garimpo na região, incluindo em áreas de importância biológica. A ausência do Estado na Amazônia e a péssima implementação das unidades de conservação fizeram florescer a mineração ilegal de ouro. Essa mineração de pequena escala é a mais perigosa. Coloca em risco a saúde dos garimpeiros e não há nenhuma preocupação com a proteção ambiental, resultando em desmatamento ilegal e contaminação de rios e peixes por mercúrio.
A pesquisadora Jakeline Pereira, do Imazon, visitou alguns desses garimpos ilegais em áreas protegidas na região da Renca. Jakeline foi uma das técnicas responsáveis pelo plano de manejo de duas áreas protegidas no local, a Floresta Estadual do Paru e a Reserva Biológica Maicuru. Durante a elaboração do plano, ela e agentes da Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Pará entrevistaram garimpeiros e foram aos locais de extração de ouro, em 2008. "É uma área de difícil acesso e perigo iminente", diz. Segundo ela, desde então nenhum funcionário do governo entrou novamente nas áreas. Ou seja, em quase uma década a região não viu nenhum tipo de presença do Estado. As fotos que ilustram esta reportagem são do arquivo dessa época.
Desde então, segundo a pesquisadora, o garimpo ilegal se intensificou. Na época da realização do plano de manejo, em 2008, eles constataram que cerca de 1.000 garimpeiros trabalhavam ilegalmente nas duas áreas protegidas. Hoje, com base em estimativas feitas pela quantidade de voos que saem do município de Laranjal do Jari, no Amapá, para os garimpos, acredita-se que 2 mil garimpeiros atuam na região.
A atividade de mineração começa com um "dono". Não é, evidentemente, alguém que tenha a posse da área, já que se trata de uma atividade ilegal. Esse dono geralmente é uma pessoa com maior recurso financeiro que tem a posse do maquinário necessário para abrir o garimpo. Ele raramente se desloca ao local de mineração. Para isso, contrata um "gerente", que é quem organiza a atividade no local, a moradia dos trabalhadores e comércio.
Os garimpeiros formam a população mais vulnerável. São em sua maioria homens que trabalhavam na agricultura ou construção civil e foram atraídos pela riqueza do ouro. A maior parte tem pouca educação formal. Na pesquisa feita para o plano de manejo, 36% eram analfabetos e outros 40% tinham o ensino fundamental incompleto. Eles trabalham em média 60 horas por semana e recebem entre 20% e 30% do valor da produção do ouro. Os frutos do trabalho ficam, em grande parte, no próprio garimpo. Tudo é cobrado: alimento, roupas, bebidas. A moeda que circula é o ouro. Até um refrigerante se compra com ouro. E os produtos são caríssimos, já que são trazidos para o garimpo por avião ou barco.
Garimpo de filão em Nova Esperança, dentro da Floresta Estadual do Paru (Foto: Imazon)
Ouro encontrado em garimpo ilegal na Floresta Estadual do Paru, no Pará (Foto: Imazon)
A maior preocupação deles é com a saúde, especialmente com a malária – relatos de infestação da doença são comuns. Outro risco muito alto é a exposição ao mercúrio, substância usada na extração do ouro. A violência também é um problema. Em 2014, por exemplo, o gestor de uma das unidades de conservação autuou garimpeiros que estavam trafegando pelo Rio Jari. Ele foi ameaçado de morte e acabou solicitando uma transferência.
Segundo Jakeline, o garimpo ilegal só prospera porque o Estado não se preocupa em implementar políticas públicas na região. "As áreas protegidas precisam ser implementadas, precisam de políticas públicas. Mas falta gente, faltam recursos. Na Floresta Estadual do Paru, por exemplo, são duas pessoas para administrar 7 milhões de hectares. É um descaso com as áreas protegidas, tanto dos governos do Pará e Amapá quanto do governo federal", diz.
Garimpo Nova Esperança, uma atividade ilegal dentro da Floresta Estadual do Paru, no Pará (Foto: Imazon)
O novo decreto assinado pelo governo para extinguir a Renca procurou deixar claro que esse tipo de garimpo, pequeno, ilegal e danoso para a saúde e o meio ambiente, continua proibido. A promessa do governo é permitir uma mineração mais moderna, industrial e de escala na região, com empresas que sejam responsáveis por possíveis danos ambientais e possam pôr em prática políticas de compensação ambiental. O resultado, entretanto, pode ser o contrário, segundo Marco Lentine, da WWF-Brasil. "O grande problema é abrir a área para mineração em uma região frágil ambientalmente, sem fazer o ordenamento do território, sem políticas públicas e sem salvaguardas ambientais", diz.
Segundo ele, o recuo de Temer e a mudança no texto têm pontos positivos, como ressaltar que áreas protegidas continuam fechadas para a mineração. Porém, ele diz que, no contexto geral, com o decreto se somando a outras medidas delicadas do ponto de vista ambiental, como a redução da Floresta Nacional do Jamanxim, mudanças nas regras de licenciamento ambiental, o governo passa uma mensagem negativa. "A mensagem política é que a Amazônia está aberta à exploração." O temor é de que essa mensagem mostre aos donos dos garimpos ilegais que a atividade deles tem respaldo governamental, iniciando uma verdadeira corrida para o ouro no coração da floresta.
Fonte: EXAME