sexta-feira, 27 de julho de 2018

Ação contra a BHP: Justiça australiana é mais rápida que a brasileira


Ação contra a BHP: Justiça australiana é mais rápida que a brasileira

Um sinal de que a Justiça no Brasil – país onde ocorreu o maior desastre industrial do mundo envolvendo barragens – é lenta e ineficaz. Uma corte federal da Austrália – que fica logo ali, do outro lado do planeta – acaba de anunciar a notificação de um processo de ação coletiva da mineradora global BHP, sócia da empresa brasileira Vale no controle da mineradora Samarco. Para quem não se lembra, estas empresas são responsáveis pelo rompimento da barragem do Fundão no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município brasileiro de Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015.
O despejo de 62 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos minerais matou 19 pessoas e também o Rio Doce – cuja bacia hidrográfica abastecia com água 230 municípios dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Em nosso país, a Samarco e suas controladoras assinaram um acordo “cala a boca” com as autoridades em junho deste ano para resolver um processo de 20 bilhões de reais referente ao rompimento. Até hoje, não desembolsou um centavo sequer ou sofreu qualquer multa. A maquiagem já estava completa quando foi criada, em março de 2016, a Fundação Renova – um nome suave, ecológico e criativo para confundir a opinião pública, retardar todas e quaisquer multas e criar dificuldades jurídicas que pudessem levar às indenizações devidas, na realidade, a milhões de brasileiros – tumultuando todo o cenário. Toda a estratégia deu muito certo. Pelo menos no Brasil.
Como a corte suprema australiana tem preocupações muito mais dignas do que se imiscuir na vida político-eleitoreira do país ou priorizar, por exemplo, a concessão de habeas corpus a políticos corruptos, seus ministros impuseram esta “class action” pelas vidas humanas perdidas na tragédia mineira. Foi preciso que uma ordem partisse a mais de 18 mil quilômetros de distância do STF e demais tribunais para se fazer justiça por aqui – mesmo que por controle remoto. A alegação é a de que a BHP não cumpriu suas obrigações de informação aos investidores na letal catástrofe ambiental.
A seriedade de uma justiça que o brasileiro não conhece
A ação coletiva aberta pelo escritório de advocacia Phi Finney McDonald, no estado de Victoria, alega que houve problemas com a represa nos anos anteriores a 2015 e que a BHP deveria ter levado os riscos em conta e informado os investidores. A ação reivindica perdas sofridas pelos acionistas da empresa entre outubro de 2013 e novembro de 2015. Enquanto aqui vivemos a política de “uma mão lava a outra”, lá, na Austrália, “business is business”. É uma questão cultural.
O desastre de Mariana provocou forte queda nas ações da BHP no país localizado “down under” – num cantinho ao sul do planeta. Cerca de 3.000 investidores se associaram para apresentar a ação coletiva na Justiça. De 2015 até hoje, as ações da BHP despencaram 22% na bolsa de Sydney e 23% em Londres e Johanesburgo. O texto que abre o processo diz que “a ação coletiva buscará recuperar as perdas para os acionistas nesse período, no qual o valor de mercado combinado da BHP caiu mais de US$ 25 bilhões”.
No Brasil, mineradora conseguiu os objetivos
No mês passado, a BHP e a Vale chegaram a um acordo com as autoridades brasileiras para resolver uma ação civil de R$ 20 bilhões pela tragédia. Batizado de TAC Governança, o arranjo prevê maior participação dos atingidos na tragédia nas decisões referentes aos danos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015. Mas muda muito pouco. O acordo praticamente extingue a ação civil pública de R$ 20 bilhões contra as mineradoras e suspende, por até dois anos, a outra ação civil pública, de R$ 155 bilhões.
Nessa brincadeira de mau gosto, a mineradora também concordou em financiar um total de US$ 211 milhões em apoio financeiro à Fundação Renova – criada pela própria Samarco para ajudar as vítimas do desastre.
Fonte: Opinião e Notícia

Volume de vendas de aço pela Usiminas cai 1% no 2º trimestre


Volume de vendas de aço pela Usiminas cai 1% no 2º trimestre

O volume de venda de aço pela Usiminas no segundo trimestre do ano caiu 1% na relação anual, para 977 mil toneladas. A queda trimestral, que demonstra os efeitos da greve dos caminhoneiros, foi de 10%. No primeiro semestre o volume de vendas chegou em 2,066 milhões de toneladas, aumento de 8%.
Das vendas realizadas no segundo trimestre do ano, um volume de 143 mil toneladas foi destinado às exportações. Ante o primeiro trimestre do ano, a queda das exportações foi de 16%. O principal destino das vendas externas da Usiminas foi a Argentina, com uma fatia de 34%. Depois está a Alemanha, com 25%.
Segundo o documento que acompanha o demonstrativo financeiro da Usiminas, a receita líquida da unidade de siderurgia foi de R$ 2,9 bilhões no trimestre, 2,7% a menos do que o verificado no primeiro trimestre do ano. Segundo a companhia, esse recuo se deu por conta do menor volume de vendas nesse período, mas foi parcialmente compensado por melhores preços, sendo 7,1% maiores no mercado interno e 20% superiores no externo.
Fonte: Isto É

Os 8 estados que mais sofreram com a crise econômica no Brasil


Os 8 estados que mais sofreram com a crise econômica no Brasil

Nenhum estado sofreu tanto quanto o Espírito Santo durante a crise econômica brasileira, enquanto Roraima e Pará foram os menos afetados. Os cálculos são da consultoria Tendências com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A queda acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil no período de 2015 e 2016 foi de 6,9%, mas passou dos 9% em 8 unidades da federação. Veja quais são elas:
Queda acumulada 2015/2016
Espírito Santo 12,3%
Sergipe 11,8%
Maranhão 11,5%
Amapá 11,1%
Pernambuco 10,5%
Amazonas 10,2%
Bahia 9,9%
Piauí 9,3%
O líder em queda foi o Espírito Santo. Segundo Camila Saito, economista da Tendências, a economia do estado é muito dependente da indústria extrativa, afetada em cheio pelo desastre da mineradora Samarco. A barragem de Fundão que se rompeu é em Mariana, no estado de Minas Gerais, mas o efeito da lama atingiu em cheio o estado vizinho.
“Ainda há muita incerteza, mas a previsão é que a produção da empresa comece a mostrar uma retomada mais forte mais só para o final de 2019”, diz ela. Chama a atenção o contraste entre dois estados vizinhos: de um lado, o Pará foi o segundo estado brasileiro menos afetado pela recessão, com queda acumulada de apenas 1,2%. Segundo Camila, a explicação está na maturação de vários projetos de mineração da Vale no estado.
Do outro lado, o Amazonas apresentou queda de dois dígitos. Um dos motivos é que grande parte da atividade do estado está concentrada na Zona Franca de Manaus, um pólo de produção de eletroeletrônicos, muito sensível ao ciclo econômico. “A indústria em geral foi uma das mais prejudicadas no país. O mapa mostra que sofreram mais as regiões onde é maior o peso dos setores mais afetados, como automotivo, construção civil e bens de capital”, diz Camila.
As menores quedas de PIB estaduais foram de Roraima (-0,4%), do já citado Pará (-1,3%), do Distrito Federal (-4,2%) e do Acre (-4,6%). Perto da média nacional (-6,9%) estão as duas maiores economias estaduais: São Paulo, com queda de 7%, e Rio de Janeiro, com queda de 6,6%. O Rio compartilha com outros estados da federação, como Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, outro fator que é ao mesmo tempo causa e consequência da recessão: a crise fiscal.
“Isso prejudicou o desempenho. Em casos extremos como o carioca, por exemplo, o atraso no pagamentos de servidor afeta diretamente o consumo das famílias e a massa de renda”, diz Camila. O corte dos investimentos públicos, que atingiram em 2017 seu menor nível em 50 anos como proporção do PIB, também teve o seu papel.
A região Nordeste, mais dependente deste tipo de recurso, tem vários estados entre as maiores quedas de PIB e a previsão de Tendências é que a recuperação deve ser demorada. Os estados de Maranhão, Piauí e Bahia, especificamente, também sofreram com uma “quebra severa da safra agrícola” no período em questão, segundo a consultoria.
Fonte: Exame

CEO da Vale vê preços firmes para minério mesmo diante de disputas comerciais


CEO da Vale vê preços firmes para minério mesmo diante de disputas comerciais

Uma estabilidade dos preços globais do minério de ferro e a boa demanda da China pelo produto de qualidade foram destacadas nesta quinta-feira pelo presidente da Vale, maior produtora global da commodity. Segundo Fabio Schvartsman, os preços do minério de ferro seguem firmes mesmo diante de notícias de guerra comercial, na esteira da boa demanda da China por minério de qualidade.
“A gente crê que não existe qualquer impacto relevante derivado disso (da guerra comercial)… tendo em vista o cenário de escassez de minérios de qualidade… o que garante para a Vale desempenho adequado em qualquer condição”, declarou ele, ressaltando a qualidade do produto da companhia. E
le afirmou durante teleconferência para comentar os resultados do segundo trimestre que há probabilidade grande de que os preços do minério de ferro “fiquem ancorados onde estão”, em um cenário normal.
Para Schvartsman, seria necessário um problema grave na economia global para atingir os negócios de minério de ferro. Ele disse que as operações de minério de ferro da Vale vão continuar produzindo boas notícias, com prêmios aumentando a cada trimestre.
Fonte: Reuters

Australiana Fortescue investe para entrar em novos mercados


Australiana Fortescue investe para entrar em novos mercados

A Fortescue Metals Group, mineradora do bilionário Andrew Forrest, aumentou o orçamento para exploração em dois continentes, em um esforço de diversificação para além do minério de ferro. O gasto anual com exploração cresceu em um terço para US$ 67 milhões nos 12 meses até junho e deve haver “elevação modesta nessas atividades” também neste ano fiscal.
A empresa já faz perfurações no Estado de New South Wales, na Austrália, e está prestes a começar os trabalhos no Equador, de acordo com a presidente Elizabeth Gaines. A receita no último ano é estimada em US$ 7 bilhões, gerada totalmente pelo minério de ferro.
Estudos em parceria com uma empresa menor em áreas potenciais de cobre e ouro perto de Orange, em New South Wales, continuarão por pelo menos mais 18 meses, disse Gaines. A Fortescue abriu um novo escritório na Argentina, além da operação em Quito, para apoiar as buscas por metais de base, metais preciosos e lítio na região, informou a executiva.
A Fortescue tem 32 concessões de mineração no Equador, que cobrem aproximadamente 1.300 quilômetros quadrados, e tenta obter direitos de exploração na Colômbia. “Nossa abordagem na Argentina é um pouco diferente, com presença no país e identificando oportunidades de parceria”, disse Gaines.
Pelo menos metade do gasto com exploração continua sendo na região de minério de ferro de Pilbara, no Oeste da Austrália, onde a Fortescue é a mineradora com a maior carteira de terrenos, acrescentou ela.
Quarta maior exportadora mundial de minério de ferro, a empresa avalia oportunidades fora de seu principal mercado e trabalha no desenvolvimento de uma nova mina de minério de ferro de US$ 1,5 bilhão. A companhia estuda o desenvolvimento do projeto Iron Bridge, voltado para pelotas e produto concentrado de maior qualidade.
As vendas e custos do minério de ferro neste ano fiscal devem se manter estáveis, de acordo com comunicado distribuído anteriormente pela empresa sediada em Perth.
Embora a Fortescue espere que a forte produção de aço na China continue alimentando a demanda por minério de ferro naquele país, a perspectiva de uma guerra comercial prolongada pode colocar o crescimento global em risco, disse Gaines. “No mínimo, isso cria volatilidade em torno de alguns fatores importantes para nós, como taxas de câmbio e preços de combustíveis. Essa incerteza pode ter efeitos indiretos.”
Fonte: Bloomberg