domingo, 16 de setembro de 2018
Marco de crise global, quebra do Lehman Brothers completa 10 anos
Marco de crise global, quebra do Lehman Brothers completa 10 anos
Agência Brasil - 15/09/2018 - 19:37

O marco da crise financeira internacional deste século, a quebra do banco de investimentos Lehman Brothers, completa 10 anos hoje (15). Conhecida também como crise do subprime, em referência aos créditos de alto risco vinculados a imóveis, que foram concedidos em larga escala e de forma irracional por décadas, esse processo resultou na formação de uma bolha financeira que explodiu no quarto maior banco de investimentos norte-americano, que tinha 158 anos.
O colapso dos mercados mundiais naquele dia e pelas semanas seguintes foi tão grave que obrigou o Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu (BCE), a injetar centenas de bilhões de dólares e euros no sistema financeiro. A crise alastrou-se mundo afora e causou impactos sem precedentes em países como Grécia, Espanha, Irlanda, Islândia e Portugal. Em todo o planeta, mais de 400 milhões de pessoas ficaram desempregadas na pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial, só comparável à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.
Os sinais dos problemas iniciaram-se em 2007, mas a crise dos subprime teve como início oficial a falência do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, quando a insolvência dos créditos imobiliários não pôde mais ser disfarçada e o FED não ajudou a instituição financeira. Na época, as agências de classificação avaliavam com nota máxima (baixo risco) grande parte dos títulos de contratos de hipoteca dos tomadores subprime, desconsiderando a renda e a estabilidade dos mutuários.
As condições de geração da crise partiram de uma questão localizada, no sistema de hipoteca imobiliária dos Estados Unidos, segundo o economista Reinaldo Gonçalves, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No entanto, a globalização financeira elevou as consequências para uma escala planetária. “Esses títulos ‘podres’ do subprime foram umas coisas mais inusitadas em 200 anos de história do sistema econômico moderno. Como a economia americana é o epicentro do sistema monetário e financeiro do planeta, os impactos foram extremos”, explica.
Professor de macroeconomia e economia internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), André Nassif diz que a crise do subprime é inerente ao próprio capitalismo. Segundo ele, em épocas de crescimento, como nos anos 1990 e 2000, o mercado exagerou no otimismo e ignorou riscos. “Dois anos antes do estouro da bolha, em 2006, o economista Nouriel Roubini [especialista em prever crises financeiras] havia detectado o excessivo endividamento das famílias norte-americanas e alertado para o estouro da bolha imobiliária, mas foi ignorado justamente porque a economia mundial vinha de um ciclo de 14 anos de expansão”, recorda.
Injeções de dinheiro
Gonçalves lembra que, em 2009, por causa da intervenção estatal do governo norte-americano para salvar o sistema financeiro, o déficit público da maior economia do mundo subiu a 12% do Produto Interno Público (PIB). A dívida pública dos Estados Unidos saltou de 55% para 100% do PIB em pouco tempo. Os gastos públicos diretos, em programas de infraestrutura, de geração de empregos e de salvamento de grandes empresas, como a montadora General Motors, somaram cerca de US$ 750 bilhões.
Apesar do elevado volume em valores absolutos, Nassif, da UFF, classifica de tímido o aumento de gastos públicos. “Para o tamanho do PIB dos Estados Unidos, esse volume [em torno de US$ 750 bilhões] não representou muito”, analisa. Ele relembra que a principal contribuição para debelar a crise, no entanto, foram os quantitative easings, injeções de dinheiro pelo Banco Central dos Estados Unidos, que superaram US$ 10 trilhões. A medida foi repetida pelos bancos centrais Europeu, do Reino Unido e do Japão.
Segundo Nassif, embora os livros tradicionais de economia não recomendem o afrouxamento monetário em momentos de baixo crescimento e baixa inflação, a experiência dos Estados Unidos só deu certo porque o dólar, como a principal moeda internacional, melhorou a competitividade da economia norte-americana. “Por causa da importância do dólar, as injeções de dólares vazaram para o sistema financeiro global, desvalorizando a moeda em todo o mundo e aumentando as exportações norte-americanas”, explica.
Regulação
Paralelamente, o governo norte-americano reintroduziu a regulação do sistema financeiro, que tinha sido derrubada a partir dos anos 1980. Em 2010, o governo Barack Obama conseguiu a aprovação da Lei Dodd-Frank, que impôs obrigações às grandes instituições financeiras, como alocação de reservas para grandes crises e testes financeiros de resistência. O atual presidente, Donald Trump, tenta flexibilizar pontos da legislação sob o argumento de destravar o mercado de crédito no país, que ficou mais restrito desde então.
Segundo Nassif, a manutenção de travas que obriguem as instituições financeiras a adotarem medidas de prudência é essencial para que a especulação financeira não volte a produzir bolhas como a do subprime. “Crises de estouro de bolhas especulativas ocorreram diversas vezes ao longo da história. Somente a regulação financeira é capaz de impedir a valorização de ativos descolada da realidade”, ressalta.
Perspectivas
Com 4,2% de crescimento em ritmo anualizado em julho (quando o resultado de um mês é projetado para os 12 meses anteriores) e com desemprego atual em 3,9%, a economia dos Estados Unidos está plenamente recuperada da pior crise desde a Grande Depressão de 1929. Nassif diz que a redução de impostos para empresas que entrou em vigor no ano passado turbinou a economia norte-americana. Ele, no entanto, acredita que o efeito durará pouco.
“Esse tipo de política, de desonerar grandes empresas para estimular a economia, é semelhante à praticada no Brasil no início desta década. Gera resultados no curto prazo, mas resulta em inflação e baixo crescimento no médio e no longo prazo porque estimula a demanda, enquanto os empresários entesouram [não gastam na produção] o que deixam de pagar de impostos”, explica o professor da UFF.
Fonte: MONEY TIMES
Cristalografia: Perguntas e respostas
Cristalografia: Perguntas e respostas

O que é um sistema cristalino?
Um sistema cristalino é um conjunto de eixos de referência usados para definir a geometria de cristais e estruturas cristalinas. Os sistemas cristalinos são sete: cúbico, tetragonal, ortorrômbico, monoclínico, triclínico, hexagonal e trigonal. Trata-se de sistemas de eixos de referência com direção e magnitude, que são, portanto, vetores. Eles podem ser definidos pelos seus comprimentos e pelos ângulos interaxiais.
Os três eixos de referência são denominados a, b e c, e os ângulos entre as porções positivas dos eixos são α, β e γ, em que α é o ângulo entre +b e +c, β, o ângulo entre +a e +c, e γ, o ângulo entre +a e +b.
Os ângulos considerados são iguais ou maiores que 90o, exceto no sistema trigonal. Nas ilustrações, em geral, o eixo a é representado se projetando para fora do plano da página, em direção ao leitor, o eixo b é voltado para a direita e o eixo c aponta para o topo da página.
O que são celas unitárias?
Todos os cristais podem ser construídos pelo empilhamento regular de um pequeno volume de material, denominado cela unitária. Os vértices da cela unitária são, em geral, considerados paralelos aos eixos dos vetores a, b e c dos sete sistemas cristalinos.
O comprimento das arestas da cela unitária é escrito como a, b e c, e os ângulos entre as arestas são indicados por α, β e γ. Os valores de a, b, c, α, β e γ são denominados parâmetros de cela unitária ou parâmetros de retículo de uma dada substância cristalina.
Que informações são necessárias para descrever uma estrutura cristalina?
A mínima informação necessária para descrever uma estrutura cristalina é o tipo de cela unitária, ou seja, cúbica, tetragonal etc., os parâmetros de cela unitária e a posição dos átomos na cela unitária. O conteúdo atômico da cela unitária é um número inteiro Z múltiplo da composição do material.
O valor de Z é igual ao número de unidades de fórmula do sólido na cela unitária. As posições atômicas são expressas em termos das coordenadas x, y e z. Esses valores são frações das arestas da cela unitária, a, b, c, por exemplo, ½, ½, ¼.
Tudo a ver
Com abordagem atualíssima, a Cristalografia: cristais e estruturas cristalinas apresenta os conceitos básicos no estudo de cristais e estruturas cristalinas, como simetria em duas e três dimensões, retículo, mosaicos, construção de estruturas, difração, representação de estruturas cristalinas e defeitos cristalinos, além de introduzir temas especializados, como estruturas modeladas, quasicristais e proteínas.
Fonte: CPRM
Como se formam os diamantes
Como se formam os diamantes
Diamante é uma palavra derivada do grego adamas, que significa indestrutível e o diamante é, na verdade, a substância natural mais dura conhecida pelo homem e, segundo estudos, os primeiros diamantes se formaram há aproximadamente 2,5 bilhões de anos!
É formado por um único elemento químico, o carbono, e ao contrário da crença popular de que o diamante vem do carvão, ele raramente tem algum papel na formação dos diamantes. Na verdade, na história da Terra, os diamantes surgiram antes do carvão.
Os diamantes encontrados próximo à crosta terrestre são formados através de quatro processos diferentes, conforme ilustração acima.
1. Erupções vulcânicas
Formados no manto terrestre e ascenderam à superfície por meio de erupções vulcânicas. São formados sob enorme pressão e temperatura (por volta de 1050 C°), a aproximadamente 160 km da superfície.
Aqueles formados no manto são estocados em uma zona de estabilidade de diamantes. Erupções vulcânicas muito profundas levam os diamantes à superfície da Terra. Esse tipo de evento é muito raro, sendo que nenhuma erupção desse tipo foi observada, desde que a ciência se tornou capaz de detectá-las. À medida que a mistura de magma, minerais e fragmentos de rocha se aproximam da superfície, uma estrutura de cano começa a se formar. Essa estrutura se chama Kimberlito. Eles são a fonte que os grandes mineradores de diamante procuram.
2. Formação em Depressão Tectônica
A depressão tectônica ou zona de subducção é uma área onde uma placa tectônica é forçada para baixo de outra. As placas ficam sujeitas à temperatura e pressão muito elevadas. Diamantes já foram encontrados em placas que já estiveram por baixo de outra e, posteriormente, voltaram à superfície; porém, a quantidade encontrada é muito pequena e pouco conveniente para exploração comercial.
3. Formação em Zonas de Impacto de asteróides
A Terra já foi – e ainda será – atingida repetidas vezes por grandes asteroides. Esse tipo de evento cria temperatura e pressão altíssimas: condições ideais para formação de diamantes. De fato, pequenos diamantes já foram encontrados próximos a zonas de impacto. No entanto, a quantidade ofertada por esse tipo de fonte é praticamente desprezível.
4. Formação no Espaço
Diamantes também estão perdidos por aí, no espaço e o universo é, sem dúvida, um fornecedor dos mais diversos tipos de materiais e elementos químicos. Existem enormes estrelas de diamantes, chamadas diamantes cósmicos, como a estrela Lucy, na ilustração, em referência à musica dos Beatles “Lucy in the sky with diamonds”. Tecnicamente, esse diamante fica no interior de uma anã branca, que é o corpo que sobra de uma estrela após ela queimar toda sua energia e morrer. Descoberto em 2004, o Lucy, também conhecido como BPM 37093, fica a 50 anos luz da Terra.
CURIOSIDADE
Em 1905, na África, um diamante bruto foi encontrado por Frederick Wells, a nove metros de profundidade, na parede de uma mina, pesando 3.106,75 cts (cerca de 612g). Ele é considerado o maior diamante bruto já encontrado e foi batizado de Cullinan, em homenagem ao dono da mina onde foi achado, Thomas Cullinan.
O Cullinan foi dividido em três grandes partes. Os três pedaços deram origem a nove gemas (Cullinan I ao Cullinan IX) e a noventa e seis pequenos brilhantes. Os diamantes foram lapidados e polidos.
Das nove gemas principais, que resultaram da clivagem* do diamante Cullinan, as duas maiores pedras foram nomeadas de Great Star of Africa (Cullinan I) e Lesser Star of Africa (Cullinan II). As duas pedras fazem parte das joias da Coroa Real Britânica
*As pedras preciosas tendem a se partir seguindo planos relacionados à sua estrutura atômica. Essa tendência ou propriedade é chamada de clivagem.
Fontes: Geology.com e Livro Diamante: a pedra, a gema, a lenda.
Novas jazidas de diamantes no Brasil
Novas jazidas de diamantes no Brasil
Oito especialistas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) mapearam e identificaram dezenas de novas áreas potencialmente ricas em diamantes no País. Confira a seguir os resultados dessa pesquisa!
Essa iniciativa faz parte do projeto Diamante Brasil, cujas pesquisas de campo começaram em 2010. Desde então, os geólogos visitaram cerca de 800 localidades em diversos estados, recolheram amostras de rochas e efetuaram perfurações para descobrir mais informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O ponto de partida para as expedições foi uma lista deixada ao governo pela empresa De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes que prestava serviços para o Brasil na área de mineração. Neste documento, constavam as coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitos kimberlitos*. Apesar das informações sobre as possíveis localidades dessas jazidas, não havia detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras, impulsionando o trabalho de campo dos geólogos.
O objetivo principal dos pesquisadores era fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro, visando atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. Essas medidas podem trazer um aumento na produção de diamantes em território nacional e coibir as práticas ilegais relacionadas a essas pedras preciosas.
Atualmente, o Brasil conta principalmente com reservas dos chamados diamantes industriais e de gemas (para uso em jóias). Os de gemas são os que fazem girar mais dinheiro, considerando que um diamante desses pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Já o valor da pedra lapidada pode chegar à R$ 20 milhões.
Os detalhes dos achados ainda são mantidos em sigilo. Com o fim do trabalho de campo, os geólogos do Diamante Brasil darão início à descrição dos minerais encontrados e as análises das perfurações feitas pelas sondas. A intenção dos pesquisadores é divulgar todos os dados em 2014.
*O que é um Kimberlito?
De acordo com Mario Luiz Chaves, doutor em geologia pela Universidade de São Paulo e professor adjunto da UFMG, kimberlitos são rochas hibridas, ígneas ultrampaficas, potássicas e ricas em voláteis, com origem a mais de 150km de profundidade e que chegam a superfície por meio de pequenas chaminés vulcânicas ou diques. Normalmente, os diamantes são encontrados neste tipo de rocha. Confira uma foto:

Os cinco maiores diamantes lapidados do mundo
A obra Diamante: a pedra, a gema, a lenda, de autoria do professor doutor Mario Luiz Chaves e do doutor em engenharia de minas Luís Chambel, aborda aspectos geológicos e de mineração relacionados aos famosos minerais e traz diversas curiosidades para os leitores. Abaixo separamos uma lista baseada no livro com dados sobre os maiores diamantes do mundo e fotos incríveis de cada um deles.
1) Cullinan I
Essa pedra foi encontrada em 1905 na África e recebeu o nome de Cullinan em homenagem ao dono da mina, Thomas Cullinan. É considerado o maior diamante já encontrado e pesa 3.106 quilates. Atualmente, adorna o Cetro do Soberano, propriedade real da Inglaterra.

2) Incomparable
O Incomparable, ou Imcomparável, tem uma história curiosa: foi encontrado em 1984 por uma garota em uma pilha de cascalho próxima à mina MIBA Diamond, no Congo. Considerado inútil pela administração da mina, o cascalho foi descartado com a pedra, e a menina acabou descobrindo o segundo maior diamante bruto do mundo, com 890 quilates. O corte do diamante gerou 14 gemas menores e o Incomparável, um diamante dourado com 407,48 quilates.

3) Cullinan II
O Cullinan II, conhecido como Pequena Estrela da África, foi encontrado no mesmo ano e local que o Cullinan I. Com 317.4 quilates (63.48 g) é o terceiro maior diamante lapidado do mundo, e foi colocado na coroa imperial, também pertencente à realeza da Inglaterra.

4) Grão Mogol
Encontrado na Índia em 1550, pesa 793 quilates. A pedra deu nome a um município em Minas Gerais. O paradeiro atual desta preciosidade é desconhecido.

5) Nizam
O Nizam é o diamante mais antigo desta lista e foi descoberto na Índia em 1830. A pedra tem 227 quilates e já adornou coroas e joias reais (Elizabeth). Atualmente ninguém sabe ao certo qual foi o seu último destino.

Fonte: CPRM/DNPM
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