sábado, 22 de fevereiro de 2020
Entenda por que o dólar se tornou refúgio global de investidores contra o coronavírus
Entenda por que o dólar se tornou refúgio global de investidores contra o coronavírus

Da Redação , 6 Minutos - São Paulo
22/02/2020 - 10:00
A valorização do dólar em relação ao real neste ano está próxima de 10%. Não se trata de um fenômeno localizado. Nos principais mercados mundiais, operadores de câmbio aumentam cada vez mais a demanda pela moeda americana em busca de proteção enquanto o coronavírus aumenta o sobe-e-desce dos mercados financeiros.
O dólar mostra ganhos em relação às 30 principais moedas mundiais no último mês, coincidindo com a crescente preocupação de investidores e analistas com o impacto econômico da doença. Nem mesmo o iene japonês e o franco suíço, duas moedas consideradas portos seguros tradicionais, não conseguem acompanhar o desempenho. O franco suíço mostra queda de 1,7% neste ano, enquanto o iene acumula baixa de 3%.
A valorização do dólar contradiz o consenso de fim de ano de que economias internacionais se fortaleceriam e atrairiam recursos dos Estados Unidos. O surto de coronavírus distorceu essa narrativa, e investidores famintos por rendimentos também evitam juros negativos na Ásia e na Europa. E, sem uma perspectiva de curto prazo para o fim dos impactos causados pela epidemia, o momento parece favorecer o dólar.
Economia americana mais imune
“O crescimento dos EUA está mais isolado do impacto causado pelo vírus do que a demanda na Ásia e na Europa”, disse à Bloomberg, por e-mail, Ed Al-Hussainy, da gestora de investimentos Columbia Threadneedle. Segundo ele, os diferenciais de juros também tornam o dólar uma aposta segura “excepcionalmente atraente”.
Com o aumento das preocupações com o coronavírus, Al-Hussainy, analista sênior de juros e câmbio, disse que a gestora de ativos reduziu a exposição a moedas de mercados emergentes.
O dólar atingiu a sua maior cotação em relação ao iene em dez meses, em meio ao temor de que os efeitos do coronavírus causem recessão no Japão. Nos EUA, o crescimento permanece sólido.
Makoto Noji, estrategista-chefe da SMBC Nikko Securities, em Tóquio, prevê que a desvalorização do iene atinja nível visto pela última vez em 2017 caso o crescimento dos EUA e do Japão continue divergindo.
Para Momtchil Pojarliev, chefe de câmbio do BNP Paribas Asset Management, o iene já está barato o suficiente. Ele comprou a moeda japonesa na quinta-feira (dia 20) com a visão de que a sua tradição de ativo seguro irá predominar caso o impacto do vírus comece a aparecer nos dados econômicos americanos.
Outros oásis
Mas existem outros oásis para investidores em meio às incertezas globais: o ouro atingiu a maior cotação em sete anos na quinta-feira, enquanto o retorno (yield) da nota do Tesouro de 10 anos caiu para menos de 1,5%, a menor desde setembro. Quanto maior a procura de investidores por um papel, menor o retorno pago.
“O mercado começa a discernir melhor entre as moedas e os ativos que deseja manter neste mundo nervoso pelo vírus”, disse Alan Ruskin, estrategista-chefe internacional do Deutsche Bank.
“Na área de câmbio, o dólar americano é top”, afirma o analista.
Fonte: Bloomberg
Apreensão com coronavírus reforça cautela pré-Carnaval e Ibovespa fecha semana em queda
Apreensão com coronavírus reforça cautela pré-Carnaval e Ibovespa fecha semana em queda
Ações19 horas atrás (21.02.2020 18:33)
© Reuters. Apreensão com coronavírus reforça cautela pré-Carnaval e Ibovespa fecha semana em queda
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O tom negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta sexta-feira, fazendo o Ibovespa acumular queda na semana, afetado pela aversão a risco no exterior, conforme permanecem as preocupações relacionadas aos efeitos do surto de coronavírus na economia chinesa e seus reflexos na atividade global.
O viés de baixa foi avalizado pelo forte recuo dos papéis da Vale, após prejuízo trimestral bilionário e risco de nova provisão também bilionária relacionada ao desastre em Brumadinho (MG), e pelo fim de semana prolongado no Brasil em razão do Carnaval, com a B3 reabrindo apenas na quarta-feira.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 113.681,42 pontos, contabilizando uma perda de 0,6% na semana. O volume financeiro nesta sexta-feira somou 21,8 bilhões de reais.
O Politburo do Partido Comunista chinês, conduzido pelo presidente Xi Jinping, disse que o momento de virada do surto de coronavírus na China ainda não aconteceu, enquanto o jornal do partido alertou que seria um erro imaginar que já se pode ver uma vitória.
"Tememos que o impacto econômico na Ásia possa ser maior do que pensávamos, pois mais interrupções foram relatadas devido a medidas de contenção", afirmou a equipe do Barclays (LON:BARC) em nota a clientes.
Os riscos relacionados ao coronavírus para a economia global devem ser discutidos por líderes financeiros do G20, que se reúnem na Arábia Saudita no fim de semana, em meio a tentativas de evitar que o surto vire uma pandemia global.
"O aumento dos novos casos de coronavírus fora da China deixa os mercados preocupados", acrescentou o gestor Ricardo Campos, sócio na Reach Capital, chamando a atenção também para dados mais fracos da economia chinesa recentemente, que têm elevado o temor de um efeito maior e mais prolongado no PIB.
"O sinal é de cautela no mercado externo", reforçou, citando o movimento do ouro, que atingiu máxima de sete anos nesta sexta-feira.
DESTAQUES
- VALE ON (SA:VALE3) recuou 3,97%, após reportar prejuízo líquido de 1,56 bilhão de dólares no quarto trimestre de 2019, principalmente devido a baixas contábeis e provisões relacionadas ao rompimento de barragem em janeiro de 2019, bem como afirmar que avalia provisão adicional de 1 bilhão a 2 bilhões de dólares relacionada ao desastre. BRADESPAR PN (SA:BRAP4), holding que concentra seus investimentos na Vale, caiu 1,5%.
- PETROBRAS PN (SA:PETR4) perdeu 2,6% e PETROBRAS ON (SA:PETR3) cedeu 2,8%, em sessão de queda dos preços do petróleo no exterior.
- ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,18%, afetado pelo viés negativo no mercado como um todo, com BRADESCO PN (SA:BBDC4) recuando 0,8%.
- LOJAS AMERICANAS PN (SA:LAME4) avançou 7,7%, maior alta do Ibovespa, tendo de pano de fundo o balanço do quarto trimestre, com lucro líquido de 398 milhões de reais, avanço de 62% sobre o desempenho de um ano antes, com vendas maiores e avanço das operações de comércio eletrônico do grupo.
- B2W (SA:BTOW3), controlada pela Lojas Americanas, fechou em alta de 2,5%, revertendo fraqueza no começo do pregão. A varejista de comércio eletrônico divulgou prejuízo líquido de 22,3 milhões de reais no quarto trimestre, embora menor do que a perda de 69,4 milhões no mesmo período de 2018. Em teleconferência, executivos afirmaram que busca até 2022 acelerar crescimento e geração de caixa, bem como reduzir investimentos em 2021 e 2022 ante 2020.
- WEG ON (SA:WEGE3) valorizou-se 4,86%, ainda refletindo avaliação positiva sobre os números da companhia no último trimestre divulgados nesta semana, que superaram as expectativas.
- MARFRIG ON (SA:MRFG3) subiu 1,6% e JBS ON (SA:JBSS3) avançou 0,74%, ganhando fôlego no final da sessão após a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, anunciar no Twitter que os Estados Unidos reabriram o mercado de carne bovina "in natura" para exportações do Brasil. Fora do Ibovespa, MINERVA ON (SA:BEEF3) fechou em alta de 2,8%.
- CCR ON (SA:CCRO3) caiu 1,4%, tendo no radar leilão de trecho da BR-101 em Santa Catarina, vencido pela empresa com oferta de deságio de tarifa de pedágio de mais de 60%. A companhia superou oferta da rival ECORODOVIAS (SA:ECOR3), que caiu 0,9%.
Fonte: Reuters
Montadoras usam blockchain para coibir ‘cobalto de sangue’
O mercado de baterias de íon-lítio tem crescido exponencialmente durante os últimos anos, puxados principalmente pelo mercado de carros elétricos na China e no mundo.
Em 2018, a frota global atingiu 5,1 milhões de automóveis, mais do que o dobro do ano anterior, quando 2 milhões de carros foram produzidos, segundo a Agência Internacional de Energia.
Mas se a eletrificação dos veículos atende ao discurso de um mundo mais sustentável, a indústria de baterias ainda enfrenta um problema para poder se proclamar "politicamente correta".
Para produzir energia, o lítio reage com uma série de elementos nas baterias. Um deles, utilizado em larga escala na indústria, é o cobalto.
A demanda do metal tem crescido no mesmo ritmo das baterias. A consultoria Benchmark Mineral Intelligence estima que o uso deve crescer de 115 mil toneladas, em 2018, para 345 mil toneladas em 2038.
O setor automobilístico é o maior consumidor. Em 2018, segundo a consultoria Roskill, 70% das baterias produzidas no mundo em 2018 foram para a indústria automotiva. Em 2010, a participação era 6%. A China é o principal mercado consumidor.
A República Democrática do Congo é o principal produtor de cobalto do mundo, responsável por extrair 78% do mineral do planeta. É lá que a indústria de baterias tenta evitar seu "diamante de sangue".
Em 2016, a Anistia Internacional denunciou a ligação entre minas de cobalto no sul do Congo que desrespeitavam direitos humanos e grandes empresas de tecnologia que consumiam a matéria-prima.
O relatório da organização citava crianças que ganhavam entre US$ 1 e US$ 6 por dia (cerca de R$ 4,15 a R$ 30) para carregar sacos de terra em jornadas de 12 horas e garimpeiros sem nenhum equipamento de segurança, além de mais de 80 mortes em menos de um ano por acidentes de trabalho.
"A questão é que é muito difícil de rastrear o cobalto ao longo da cadeia de fornecimento, então a indústria de baterias pode, inadvertidamente, estar comprando material proveniente desse tipo de mineração", afirma Caspar Rawles, analista sênior da Benchmark Mineral Intelligence.
Segundo ele, apesar de o material ilegal ser uma pequena porcentagem na produção, na falta de uma cadeia rastreável, o risco de esse material acabar em equipamentos como celulares e baterias é muito grande.
Empresas do setor se mobilizam agora para criar uma cadeia segura de rastreamento do metal usando tecnologia blockchain.
Uma parceria entre as empresas IBM, Ford, LG Chem e Huayou Cobalt e a auditoria RCS Global testa um projeto-piloto que monitora cada movimento do minério na cadeia produtiva em um registro digital criptografado e inviolável, o blockchain.
A auditoria certifica as condições de trabalho da mineradora, que registra no sistema o lote comercializado segundo suas características minerais únicas. Na refinaria, esse lote é processado e sua entrada e venda registrada novamente no sistema.
"O piloto está em teste, a intenção é expandir para outros minérios e também para pequenas fornecedoras. As pequenas mineradoras, que operam legalmente, têm dificuldade de provar a segurança dos seus recursos e fechar contratos com grandes consumidores. O blockchain pode ajudá-las nisso", comenta Carlos Rischioto, líder técnico de blockchain da IBM Brasil.
Dessa maneira, o usuário final, a montadora, consegue rastrear de qual mina veio o cobalto utilizado nos seus carros. A criptografia evita fraudes como esquentar material ilegal com documentação falsa.
A Tesla também já fez seu movimento, seus carros elétricos de luxo diminuíram a quantidade do metal nas baterias ao longo dos anos. O primeiro modelo, em 2009, demandava 11 kg de cobalto por unidade. O lançamento de 2018 requer 4,5 kg.
A Panasonic, que disputa a liderança do mercado de baterias de íon-lítio com a LG Chem, e é fornecedora exclusiva da Tesla, anunciou em 2018 que pretende desenvolver baterias sem cobalto nos próximos anos.
Mas a meta parece estar distante. Segundo a Reuters, citando fontes da indústria mineral, a empresa pretende triplicar a demanda pelo metal até 2025. À agência, a Panasonic disse que não revela planos para o futuro.
A estratégia é uma maneira de se proteger de flutuações do preço do cobalto, que responde à alta demanda e oferta mais escassa após contratos em larga escala de refinarias com minas congolesas.
"Vemos movimentos de grandes players para tentar travar sua cadeia de suprimentos. Há uma série de mineradoras na RDC que trabalham sem garimpo. Uma vez que o material delas esteja com a venda já comprometida, será mais desafiador para outras indústrias comprarem material sustentável no mercado", diz Rawles.
Fonte: Seleções
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