segunda-feira, 25 de julho de 2022

Alívio do bitcoin sugere que pior fase do inverno cripto já pode ter passado, analisa Glassnode

 


Após um mês de consolidação na zona de US$ 20 mil, o preço do bitcoin passou pelo tão aguardado rali de alívio. A força no curto prazo é favorável, mas ainda exige paciência do investidor.

Após um mês de consolidação, o preço do bitcoin (BTC) passou pelo tão aguardado rali de “alívio”, finalizando 9% acima do preço de abertura semanal. A ação de preço havia começado a última semana em US$ 20,781, atingindo um auge de US$ 24.179 antes de voltar para as altas da faixa de consolidação durante o fim de semana.

Nesta edição, a Glassnode avalia a sustentabilidade do atual rali do bitcoin por meio dos seguintes conceitos:

– avaliar as zonas de preço de interesse a partir das concentrações de fornecimento e modelos de precificação técnicos e “on-chain” (ao verificar movimentações registradas na própria blockchain);

– analisar a reação do mercado às diversas métricas que atingiram uma “supercorreção” estatisticamente significativa;

– medir a força do movimento de alta ao avaliar a convergência entre os osciladores de impulso — o oscilador de gradiente do mercado realizado (MRGO) e as médias móveis.

Preço do bitcoin na trigésima semana do ano (Imagem: Glassnode)

Concentração do fornecimento por HODLers

Conforme o preço do bitcoin caiu em mais de 75% em 2022, traders especuladores foram expulsos da rede. Durante esse processo, aconteceu uma redistribuição de moedas saindo da posse de holders com menos pulso firme para holders com mais pulso firme

Esse é um mecanismo nativo a qualquer ciclo de mercado onde ativos são transferidos para HODLers mais indiferentes ao preço, que investem pensando em períodos mais longos de tempo e permitem que suas moedas amadureçam no armazenamento frio (do inglês “cold storage”, como em carteiras de hardware, fora de corretoras).

Podemos observar esse fenômeno pela métrica URPD — distribuição de preço realizado de transações de saída não gastas (ou UTXO) —, dividida pelos grupos de holders a curto e longo prazo. Perceba que o limite entre holders a curto e longo prazo (155 dias) data de meados de fevereiro, quando o preço do bitcoin estava em US$ 40 mil.

– A região de US$ 20 mil atraiu um aglomerado maior de volume de moedas por holders a curto prazo. É uma consequência da transferência significativa de propriedade das moedas de vendedores que capitularam (desistiram dos ganhos ao vender suas posições por conta da queda) para compradores novos e mais otimistas.

– Os nós de demanda por holders a curto prazo também podem ser percebidos nos níveis de preço psicológico de US$ 40 mil, US$ 30 mil e US$ 20 mil. Grande parte desse fornecimento (incluído o fornecimento de holders a longo prazo acima) não foi capitulada, apesar de o preço ter sido negociado em mais de 50% abaixo de seu nível de aquisição. Isso provavelmente indica a apropriação por compradores relativamente indiferentes ao preço.

Se essas moedas armazenadas por holders a curto prazo entre US$ 40 mil e US$ 50 mil começassem a amadurecer para o status de moedas de holders a longo prazo nas próximas semanas, seria algo positivo para fortalecer esse argumento.

Distribuição de preço realizado de transações de saída não gastas (ou UTXO) em bitcoin ajustado por entidades (Imagem: Glassnode)

Ao analisar a métrica URPD por grupo, é possível observar a distribuição do fornecimento de bitcoin pelo momento em que as moedas foram transacionadas pela última vez. Existem dois pontos fundamentais:

– a demanda elevada também pode ser notada próxima da região de US$ 20 mil em que a grande maioria das transações recentes acontecem nesta zona. Essa área também contém o segundo e quarto maiores nós URPD (em torno de 900 mil BTC) indicando que houve uma grande transferência de propriedade nesta zona.

– o amadurecimento parece ter diminuído desde o recorde de preço ao atual valor de mercado, refletindo a duração da predominante tendência de queda. Enormes volumes de moedas acumulados há mais de seis meses, que estão armazenando grandes prejuízos não realizados, parecem não estar sendo vendidos.

Ambos os formatos da URPD apresentam um argumento de que uma proporção cada vez maior do fornecimento está sendo armazenado por HODLers que estão permitindo que moedas amadureçam apesar de registrarem prejuízos. Seus fluxos de demanda estão focados nas zonas psicológicas de consolidação de US$ 20 mil, US$ 30 mil e US$ 40 mil.

Porém, é importante destacar que, durante esse processo, muitos holders a longo prazo contribuíram com a venda e os gráficos da URPD basicamente representam a condição “pós-baixa-poeira” até agora. Além disso, é possível que esses nós de concentração de alto fornecimento possam atuar como uma forte resistência quando o mercado tentar se recuperar ainda mais.

Distribuição de preço realizado de transações de saída não gastas (ou UTXO) em bitcoin ajustado por entidades (Imagem: Glassnode)

Recuperação após a extrapolação

O preço do bitcoin respondeu positivamente na última semana, ultrapassando a recente zona de consolidação. Isso aconteceu após o que pode ser considerado como uma “supercorreção” significativa no curto prazo, pois muitas métricas atingiram desvios estatísticos extremos.

Isso foi bastante direcionado por um período de rápida desalavancagem pelo mercado, pois muitos credores, investidores e empresas de negociação estão tendo suas garantias liquidadas, seja por livre e espontânea vontade ou por vendas forçadas.

múltiplo de Mayer pode ser usado para avaliar os desvios entre o preço “spot” (à vista) e a média móvel de 200 dias.

O múltiplo de Mayer é útil para avaliar condições de sobrecompra e sobrevenda que incorporam pontos de dados e englobam a durabilidade do bitcoin. Já a média móvel de 200 dias é bastante usada na análise técnica tradicional como uma ferramenta de distinção entre tendências macro de alta e baixa.

No momento mais extremo durante esta correção de preço, o múltiplo de Mayer chegou abaixo de 0,55, sinalizando que o mercado estava sendo negociado a um desconto de 45% em relação à média móvel de 200 dias. Tais eventos são bastante incomuns e só representam 127 fechamentos em 4.186 dias — um total de 3% no histórico de negociação.

Múltiplo de Mayer no bitcoin (Imagem: Glassnode)

A métrica de valor de mercado/valor realizado (MVRV) é outra ferramenta poderosa para avaliar esses desvios entre o preço à vista e a base de custo total do mercado.

Conforme o preço do bitcoin ultrapassou o preço realizado na última semana, fazendo o mercado voltar ao lucro total, o panorama a curto prazo ascendeu, pois participantes estão na expectativa por qualquer tipo de rali de alívio.

O bitcoin, como um ativo, está em constante amadurecimento. Nos últimos anos, atraiu o interesse a nível institucional e internacional. Assim, para levar em consideração os climas dinâmicos e econômicos, um escore Z móvel de quatro anos é usado para normalizar os dados enquanto também captura o ciclo comum do “halving”.

– Desvios-padrão abaixo de -1 historicamente ajudaram bastante a identificar uma formação de fundo. Até agora, sinalizou uma desvalorização para fundos em todos os ciclos de baixa, incluindo em 2015, 2018 e a queda súbita em março de 2020.

– A queda no preço em junho produziu o menor escore Z móvel de quatro anos já registrado, sugerindo que um desvio estatisticamente extremo foi atingido, colocando mais lenha no atual rali de alívio.

Tesla tem prejuízo de US$ 170 milhões com Bitcoin no primeiro semestre do ano

 

Cripto 1 hora atrás (25.07.2022 12:52)
Tesla tem prejuízo de US$ 170 milhões com Bitcoin no primeiro semestre do ano© Reuters.

Por Senad Karaahmetovic

Em um documento regulatório divulgado hoje, a Tesla (BVMF:TSLA34)(NASDAQ:TSLA) disse que registrou US$ 170 milhões em perdas decorrentes de oscilações no valor da sua carteira de Bitcoins (BTC) no período de seis meses até 30 de junho.

Além disso, a gigante dos veículos elétricos disse que obteve “ganhos de US$ 64 milhões em determinadas conversões de Bitcoin em moeda fiduciária”.

Na semana passada, a Tesla informou que vendeu 75% do seu portfólio de Bitcoins, o que gerou US$ 936 milhões em caixa no seu balanço. Elon Musk, CEO da empresa, esclareceu a razão para essa ação da Tesla durante a teleconferência de resultados.

“É preciso mencionar que a razão para a venda de parte da nossa carteira de Bitcoins é que estávamos inseguros quanto a um alívio nos bloqueios sanitários contra a Covid-19 na China. Portanto, era importante para nós maximizar nossa posição de caixa, em vista da incerteza com os lockdowns contra o coronavírus no país asiático”.

“Sem dúvida estamos abertos para aumentar nossas posições em Bitcoin no futuro, portanto isso não deve ser interpretado como um veredito sobre o Bitcoin. Estávamos apenas preocupados com a liquidez geral da empresa, em vista das restrições contra a Covid-19 na China. E não vendemos nenhum dos nossos Dogecoins”.

No fim do 2º tri, o valor total dos Bitcoins restantes da Tesla era de US$ 218 milhões.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

Dólar renova máxima em 6 meses e sobe 1,7% em semana pré-Fed

 

Moedas 2 horas atrás (22.07.2022 17:55)
Dólar renova máxima em 6 meses e sobe 1,7% em semana pré-Fed© Reuters. Notas de dólar 14/02/2022 REUTERS/Dado Ruvic

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) -O dólar anulou as perdas de mais cedo e fechou em apenas alta numérica nesta sexta-feira, mas suficiente para renovar a máxima em seis meses, com um aumento da busca por segurança no fim da tarde dando fôlego à moeda norte-americana antes da aguardada decisão de juros nos EUA da próxima semana.

O dólar ficou praticamente estável no encerramento do pregão à vista, com ligeira valorização de 0,02%, a 5,4976 reais. É o maior patamar para fechamento desde 24 de janeiro (5,5070 reais).

Mesmo terminando no zero a zero, a tônica do dólar foi mais forte na segunda metade da sessão, já que a moeda veio de queda de 1,11%, a 5,4357 reais, na mínima de mais cedo. Na máxima, alcançou 5,5052 reais, ganho de 0,16%.

A moeda foi beneficiada por fluxos de segurança conforme Wall Street passou a ser alvo de vendas e os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano --a classe de ativos mais segura do mundo-- caíram, num claro aumento de procura por refúgio após uma leva de dados fracos em todo o mundo que endossaram temores de recessão.

Esses receios podem se acentuar a depender das sinalizações para a política monetária a serem emitidas pelo banco central dos EUA na próxima quarta-feira. A expectativa atual é de alta de 0,75 ponto percentual na taxa de juros --chegou a ser de 1 ponto--, mas a inflação persistentemente elevada mantém investidores com um pé atrás.

"O contínuo agravamento das condições globais continuará prejudicando o real", disseram Leonardo Porto, Paulo Lopes e Thais Ortega, em relatório do Citi, vendo possibilidade de aumento das incertezas relacionadas à política fiscal à medida que se aproximam as eleições presidenciais.

"Portanto, esperamos dólar de 5,42 reais até o fim do ano de 2022", disseram, ante projeção anterior de 5,25 reais.

Na semana, o dólar subiu 1,70%, deixando o real na terceira pior colocação num grupo de sete divisas emergentes no período. Nas últimas oito semanas, a moeda apreciou em sete, totalizando ganhos de 16,02%.

Em julho, o dólar salta 5,09% ante o real, também o terceiro pior desempenho, reduzindo as perdas no ano para apenas 1,36%.

(Edição de Bernardo Caram)


Fonte: Reuters