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quarta-feira, 31 de julho de 2013

Poeira da morte


Poeira da morte


Pouco mais de 25 mil quilos de ouro já foram retirados da serra de Jacobina em 20 anos de exploração mecanizada. O potencial de toda a reserva, de acordo com os técnicos, chega a 1,2 mil toneladas. Diante da expectativa de muito tempo de trabalho, a preocupação dos operários é com a saúde. A sílica, a poeira que sai da rocha, é um veneno. Provoca a silicose, que ataca os pulmões e mata. Ninguém trabalha sem a máscara de proteção. Mas, no passado, nem os trabalhadores nem a empresa davam importância ao equipamento, e a doença se espalhou.
"Não tem remédio. Quase todos que estavam lá dentro já morreram, são 280 mortos. Então, eu vou esperar o quê? A morte também", diz o mineiro Agnelo Pereira de Aquino (foto).
Agnelo passou 15 anos trabalhando na mina. Ele era operador da perfuratriz e quando começou a usar a máscara já era tarde.
"Eu sinto falta de ar, dor no corpo, tenho tosse seca e até sangue eu ponho pela boca", conta o mineiro.
Agnelo, Antonio e Vanderlei, vítimas da silicose, são amigos de Arivaldo da Silva, que morreu aos 42 anos. A viúva, Catarina, sofria com ele a agonia da doença.
"Era como se o sofrimento fosse em mim. Ele não conseguia andar, tínhamos que segurá-lo e abaná-lo, porque ele não conseguia respirar", lembra ela.
Quando ficou sem condições de trabalhar, Arivaldo foi demitido da mineração de ouro. Nem a pensão pela morte dele a viúva recebe.

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