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sábado, 28 de junho de 2014
Empresa "sem receita" chega a subir 1.000% em 1 mês na Bolsa; diretor explica
Empresa "sem receita" chega a subir 1.000% em 1 mês na Bolsa; diretor explica
Empresa pré-operacional do setor de mineração, All
Ore viu suas ações despencarem mais de 90% em maio, mas vem se
recuperando desde então
SÃO PAULO - A All Ore Mineração (AORE3), empresa pré-operacional criada em 2008, vem chamando atenção do mercado nas últimas semanas. A então "adormecida" ação na Bovespa despencou quase 90% em maio, para depois ensaiar uma disparada de quase 600%
do final de maio até este pregão. A movimentação atípica despertou o
mercado para a companhia: primeiro porque até aquele momento o papel
registrava desde sua listagem na Bolsa baixíssimo giro financeiro por
pregão; segundo, o panorama da
empresa seguia o mesmo, ou seja, incerto. A companhia ainda não possui
receitas uma vez que não iniciou suas atividades de exploração
minerárias.
Na Bolsa, a situação da pacata ação mudou drasticamente. De uma hora
para outra, a ação que operava desde o começo do ano entre R$ 0,80 e R$
1,00, despencou para quase R$ 0,06 em maio. Tudo ocorreu por conta de um
leilão significativo das ações da empresa no dia 20 de maio, que levou a
queda de 93% dos papéis nos cinco pregões
seguintes, passando de R$ 1 para R$ 0,06, comentou Marcelo Bernardez
Fernandez, diretor estatutário da All Ore, em entrevista ao InfoMoney.
Posteriormente a queda, as ações da empresa reagiram - em um misto de
reajuste de mercado e movimento especulativo. Da mínima do dia 27 de
maio (R$ 0,06) até a máxima de 24 de junho (R$ 0,75), os papéis
saltaram 1.152%. No pregão da última quinta-feira (26), eles fecharam com queda de 22,9%,
para R$ 0,37 - da máxima pra cá, são 50% de desvalorização. Mas não foi
somente a disparada que impressionou, o volume financeiro movimentado
com o papel também mudou bastante nesses dias. Antes girando entre R$ 1
mil e R$ 2 mil por dia, as ações alcançaram no dia 24 de junho um volume
financeiro de R$ 5,13 milhões - maior patamar histórico.
All Ore Mineração, empresa pré-operacional e
normalmente pouco movimentada em Bolsa, disparou quase 600% em um mês
(Heinz-Peter Bader/Reuters)
A explicação da empresa para a drástica queda foi que um fundo de
investimentos fez no final de maio um leilão para venda de um volume
significativo de ações da empresa a preço de R$ 0,01 - isto mesmo, um
centavo. "Foi um impacto muito grande nos papéis, que estavam cotados
próximos a R$ 1. Não sabemos as razões que levaram o fundo a vender os
papéis, mas isso provocou um forte efeito nas ações", disse Bernardez.
Segundo ele, o que ocorreu depois foi ainda mais "estranho". "Nunca
tivemos muita movimentação em Bolsa e o que vimos nos últimos dias foi
um volume bem acima da nossa média diária. O que tentamos fazer agora é
evitar que essas oscilações continuem", comentou. A história da empresa Sem fazer muito alarde, a
empresa é negociada em Bolsa desde 2009. A sua listagem na Bovespa, no
entanto, não foi com o objetivo de captação de recursos, uma vez que a
empresa não solicitou o registro de oferta pública de ações, mas somente
o registro de negociação dos papéis na Bolsa.
"Fizemos uma emissão privada e a ação começou a operar em bolsa.
Posteriormente, ia ter uma subscrição, mas ela não foi adiante pois
houve uma série de incompreensões do mercado em adquirir o papel", disse
Bernardez. Desde o início, o principal investidor e acionista
controlador da empresa é o fundo alemão Metropolis Capital Markets, que
possui atualmente 89,78% das ações da empresa.
Segundo o diretor, a história da empresa iniciou quando o mundo
inteiro estava em colapso e o Brasil se tornou uma oportunidade. "Isso
fez com que o fundo Metropolis Capital Markets encontrasse na empresa
uma alternativa de investimento no setor de mineração. Aí começamos a
fazer prospecção de projetos mas tudo no setor é lento", disse.
Até por conta dessa demora e por a empresa ainda ser pré-operacional,
Bernardez acredita que a companhia não atraiu tanta atenção do mercado -
pelo menos era o cenário até o final de maio. "É um projeto demorado e
que geralmente falha e você precisa ter uma garantia de retorno de
investimento", comentou.
Além das dificuldades naturais em encontrar investidores, o diretor
comentou que a derrocada das empresas pré-operacionais de Eike Batista
ajudaram ainda mais a endurecer os fundos de investimentos. "O
investidor estrangeiro ficou mais apreensivo e regrediu. A abertura de
capital de empresas pré-operacionais ficou muito comprometida. Quase
ninguém quer comprar papel de uma empresa que ainda não está operando",
apontou.
Entretanto, o panorama da empresa pode
mudar até março do ano. Isso porque é o prazo para que tenha uma
resposta se seus projetos serão viáveis ou será preciso encontrar uma
alternativa para seu desenvolvimento. Atualmente, a empresa tem cinco
projetos de ouro no Brasil, no Pará e Paraíba. Apesar do futuro ainda incerto, um
forte baque veio no ano passado, depois que a empresa concluiu que seu
principal projeto não era viável economicamente (o projeto Igaracy 1).
Os demais estão ainda em aguardo de definições do novo código de
mineração. No primeiro trimestre deste ano, a companhia
anunciou que colocou suas atividades no Brasil sob atenção e adotou
medidas de redução de custos a níveis muito baixos, citando que
continuará adotando medidas adicionais para corte ainda mais severos de
custos nos próximos meses. Além do declínio em seu principal projeto, a
companhia salientou o clima difícil para pequenas e médas no mercado
financeiro no Brasil e exterior.
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