17/1/2014 13:28:13
Minério de ferro: grandes mineradores acreditam que a China deverá importar mais
O gráfico ao lado não mente. Apesar do desaquecimento e de um
crescimento menor a China continua aumentando as suas importações de
minério de ferro. O motivo principal, deste fenômeno, é a crescente
urbanização do país.
É isso que faz gigantes como a Rio Tinto, Vale, BHP e Fortescue
investirem grandes somas na expansão de suas minas e projetos. Segundo o
CEO da Fortescue Neville Power a urbanização chinesa “vai requerer uma
grande quantidade de aço nos próximos anos”. Sam Walsh o CEO da Rio
Tinto também acredita e diz que “o crescimento da China continua”. Essas
demonstrações de otimismo ocorreram em um almoço na Câmara de Comércio
de Perth.
Neste encontro Walsh disse mais: “ a China é o nosso mais importante
mercado” e a Rio vai continuar expandindo suas minas australianas para
acomodar a crescente demanda chinesa, que , segundo o Instituto Chinês
de Metalurgia e Planejamento deverá crescer para 850Mt neste 2014.
Apesar de todo o otimismo o preço do minério de ferro caiu, hoje, abaixo dos US$130/t após quase 6 meses de estabilidade.
Níquel: solução à moda chinesa
A Indonésia deu um tiro mortal no gusa-níquel chinês
ao proibir a exportação do minério laterítico de baixíssimo valor que
alimentava as plantas de gusa chinesas.
Isso é o que todos acreditam.
Como toda a história tem mais de uma versão a versão dos chineses poderá, em curto prazo, reverter completamente esta situação.
A solução, bem a moda chinesa, é a de remeter as plantas de gusa,
inteiras, para a Indonésia ou construir plantas para concentrar o
minério de baixo teor para um concentrado de 4% de Ni que, segundo as
novas leis da Indonésia, poderá ser exportado. Esse concentrado de 4% de
níquel será remetido para as siderúrgicas chinesas que irão terminar o
processo fazendo um gusa-níquel a ser utilizado na indústria do aço
inoxidável.
Se você acha que essa solução vai demorar anos é bom tirar o cavalinho
da chuva. Os chineses ainda tem 40 milhões de toneladas de minério
laterítico estocados na China, o equivalente a 1 ano de consumo e ,
enquanto processam o estoque, irão montar as suas novas plantas na
Indonésia. Ou seja: o mundo não irá sentir a quebra de continuidade na
oferta do níquel e os preços não deverão escalar como anunciado pelo
banco Macquaire.
Cool, uma solução bem a moda chinesa.
É bom a Vale começar a pensar em soluções metalúrgicas mais baratas ou...
17/1/2014 13:23:57
Vale corre o risco de perder Simandou
O projeto de minério de ferro de Simandou na Guiné é um dos maiores
jazimentos ainda não desenvolvido do mundo. Desde o seu início, Simandou
foi cercado de lances confusos envolvendo corrupção. Por trás dos
bastidores o bilionário Beny Steinmetz, dono da BSG Resources. A BSG
conseguiu tirar a Rio Tinto de parte do jazimento após uma jogada que,
segundo muitos, envolveu pagamentos bilionários que possivelmente foram
distribuídos até o topo do poder na Guiné. Com a chegada de um novo
governo o assunto está sendo investigado e a verdade sobre o caso será
decidida em breve pela justiça da Guiné.
Ocorre que Steinmetz, após ter abocanhado a parte da Rio Tinto, negociou
a entrada da Vale em outro acordo que, fala-se, custou mais de 1,5
bilhões de dólares à mineradora brasileira.
Agora, a sorte da Vale em Simandou depende da decisão, que sai em menos
de um mês. Se o comitê de mineração concluir que a BSG agiu ilegalmente
as concessões serão cassadas. Neste caso é possível que a Vale perca os
bilhões investidos assim como a sua participação em um dos maiores
jazimentos de minério de ferro do mundo.
Minério de ferro: a era dos minidepósitos?
Quando se fala em jazimentos de minério de ferro
sempre pensamos em tamanhos fora da escala, em bilhões de toneladas. Ou,
mais raramente, em pequenos depósitos de altíssimo teor com minério
saindo direto do britador para o forno.
Nunca, até hoje, havíamos visto no Brasil um projeto baseado em um
depósito de pouco mais de 100 milhões de toneladas de minério, um
minidepósito se comparado aos gigantescos da Vale, CSN, Minas-Rio,
O2iron , Caetité e outros que estão em fase de construção. O mais
interessante é que este minidepósito tem os teores de ferro bem abaixo
dos teores de outros jazimentos brasileiros.
Estamos falando de Jambreiro, uma jazida controlada pela australiana
Centaurus Metals que tem 128Mt e um teor médio de apenas 27,2%.
O que faz Jambreiro interessante do ponto de vista econômico?
O pulo do gato nesse jazimento está nos baixos custos de lavra e
processamento. O minério é friável e pode ser cominuído em moinho de
bolas, com baixíssimo custo. O undersize terá um processo simples e
barato de beneficiamento com jigs, espirais de concentração e separação
magnética que fará um produto, de baixo custo, com 65% Fe.
Desta forma serão concentrados, durante a vida útil da mina, 18 milhões
de toneladas a 65% de Fe. O all-in cash cost sera baixo: US$22/t FOB
mina. O CAPEX total é de US$53 milhões o que deve gerar um lucro de
algumas centenas de milhões de dólares ao longo de 18 anos e uma TIR de
33%.
Tudo isso com uma produção anual de apenas 1Mt de concentrado... Já com o
relatório aprovado e com as licenças em dia a produção deverá iniciar
no primeiro trimestre de 2015.
Será uma nova tendência na mineração de ferro? Um caso de Davi contra Golias?
O que conta em um caso desses, são as margens de lucro. No caso de
Jambreiro o minério concentrado deve ser vendido no Brasil, mas, na pior
das hipóteses, chegará a qualquer porto Chinês com um custo ainda bem
abaixo dos US$60/t. Ou seja, com um preço altamente competitivo.
Um novo gold rush na África do Sul cria, também, uma corrida imobiliária
Durante séculos os rejeitos das profundas minas de ouro do Witwatersrand
se acumularam nas proximidades de Johannesburg e Pretória, ao longo de
quilômetros quadrados de áreas perdidas, nas margens da bacia
sedimentar do Wits. O acúmulo de rejeitos passou a ser uma herança
maldita desde a descoberta dos imensos jazimentos de ouro do
Witwatersrand, que causou uma das maiores corridas de ouro do mundo, em
1886.
No entanto a visão de uns e a tecnologia de outros está mudando a economia do lugar.
Esses rejeitos contêm quantidades econômicas de ouro que são o resultado
da lavra de minérios de alto teor em épocas de menor tecnologia e
recuperações mais baixas.
A cidade literalmente envolveu esses tailings e o que se vê é um risco aos milhões de habitantes das redondezas.
Pois bem, hoje, com os avanços tecnológicos, milhões de toneladas de
rejeitos, antes um risco, começam a ser tratados e o seu ouro contido
recuperado. O processo de recuperação dos rejeitos não só recupera o
ouro, mas, também, o meio ambiente, a paisagem e alimenta a mais nova
corrida imobiliária da região. Áreas antes ocupadas pelas pilhas de
rejeito voltam a ser ocupadas por projetos imobiliários que fazem um
novo boom econômico em Johannesburg ao mesmo tempo em que injetam
significativas somas nos cofres das mineradoras de ouro do
Witwatersrand.
Em alguns casos como em Mogale, os rejeitos ainda tem uma concentração
de urânio que deverá ser tratada antes que a área seja entregue à
população.
Estima-se que mais de 40% de todo o ouro ainda contido nos rejeitos serão recuperados independente da granulometria.
É a mais nova corrida de ouro da África do Sul e uma interessante lição aos mineradores do mundo todo.