Minério de ferro atinge o preço mais baixo desde julho de 2013
Parece que os chineses estão colhendo os frutos do seu crescimento, por
vezes desenfreado. O crescimento da China, que afetou o mundo como um
todo está cobrando o seu preço. Um dos problemas, de difícil solução,
que a China enfrenta é a poluição. O país tem o carvão como a sua
principal fonte de energia e é o maior produtor e importador desta
commodity do mundo. Como a maioria das usinas chinesas são antigas, o
nível de poluição delas é elevado e cresce exponencialmente. As
principais cidades chinesas já tem o ar mais poluído do planeta e,
muitas, começam a ser consideradas impróprias para a vida.
Somente agora o Governo Chinês está atacando o problema de frente e isso mexe com toda a indústria de base do gigante asiático.
É o caso das siderúrgicas mais antigas, que estão sob fogo cerrado graças a poluição que causam.
A indústria do aço chinesa produz 48% de todo o aço do mundo e tem uma
garganta profunda quando o assunto é minério de ferro, o seu insumo mais
precioso. Esta indústria está sendo controlada pelo Governo e muitas
plantas, antigas e obsoletas, estão sendo paralisadas o que, obviamente,
afeta o mercado do minério de ferro que começa a se acumular nos
pátios. É o efeito dos vasos comunicantes. Ao mesmo tempo, para
incentivar a produção de minério de ferro local, o Governo proibiu o
acesso das pequenas siderúrgicas ao minério de ferro importado, de alta
qualidade. Esta estratégia tem um preço, pois o minério de ferro chinês,
além de mais caro é o que mais gera poluição graças a sua baixa
qualidade.
Nesta conjuntura o preço do minério caiu, na segunda feira para US$117,7/t o menor preço em 9 meses.
A pergunta que fazemos é: até onde o Governo Chinês está disposto a ir
no combate à poluição? Em breve esse combate vai afetar seriamente a
economia do país e o Governo terá que fazer uma escolha...
Publicado em: 4/3/2014 12:49:00
terça-feira, 4 de março de 2014
Vírus gigante reativado após 30.000 anos
Vírus gigante reativado após 30.000 anos
Um vírus “gigante”, o maior jamais visto, com um diâmetro de 1,5 micras foi descoberto enterrado 30m no gelo do permafrost siberiano. O vírus é um Pithovirus Sibericum e ataca outros animais unicelulares como as amebas e não infecta, é o que os cientistas dizem, humanos e outros animais.
Após um estado de dormência de mais de 30.000 anos o vírus foi reativado e voltou a vida infectando e matando amebas. É a primeira vez que os cientistas conseguem reativar um vírus ainda capaz de se instalar, infectar e matar, após tanto tempo.
A descoberta levanta hipóteses sinistras de vírus potencialmente desastrosos para os seres humanos voltando à vida quando os seus jazigos gelados sejam alterados pelas mudanças climáticas ou pelo Homem através de obras e escavações.
Na realidade, alguns esquecem que esse fenômeno já vem ocorrendo nos últimos 11.000 anos, desde que a Terra entrou em um novo ciclo de aquecimento global. Neste período muitos metros de gelo foram degelados e, muitos vírus e, talvez, até bactérias foram liberados voltando à vida. Além disso, existe a chegada de milhões de pequenos meteoritos que podem conter vírus dormentes esperando por um ambiente propício para florescerem novamente, e que se chocam, todos os dias com o nosso planeta. Acredita-se que foi dessa forma, através de “sementes espaciais” que a vida iniciou no nosso planeta: a teoria da Pamspermia.
Talvez seja por isso que, volta e meia, tenhamos um surto de uma doença como a varíola ou uma gripe desconhecida que pode se transformar em uma pandemia.
São os riscos que temos, vivendo em um universo com tamanha diversidade. Por mais dramáticas que essas notícias possam ser elas não são diferentes do que aquilo que estamos enfrentando, todos os dias, desde o início da humanidade há milhões de anos.
Um vírus “gigante”, o maior jamais visto, com um diâmetro de 1,5 micras foi descoberto enterrado 30m no gelo do permafrost siberiano. O vírus é um Pithovirus Sibericum e ataca outros animais unicelulares como as amebas e não infecta, é o que os cientistas dizem, humanos e outros animais.
Após um estado de dormência de mais de 30.000 anos o vírus foi reativado e voltou a vida infectando e matando amebas. É a primeira vez que os cientistas conseguem reativar um vírus ainda capaz de se instalar, infectar e matar, após tanto tempo.
A descoberta levanta hipóteses sinistras de vírus potencialmente desastrosos para os seres humanos voltando à vida quando os seus jazigos gelados sejam alterados pelas mudanças climáticas ou pelo Homem através de obras e escavações.
Na realidade, alguns esquecem que esse fenômeno já vem ocorrendo nos últimos 11.000 anos, desde que a Terra entrou em um novo ciclo de aquecimento global. Neste período muitos metros de gelo foram degelados e, muitos vírus e, talvez, até bactérias foram liberados voltando à vida. Além disso, existe a chegada de milhões de pequenos meteoritos que podem conter vírus dormentes esperando por um ambiente propício para florescerem novamente, e que se chocam, todos os dias com o nosso planeta. Acredita-se que foi dessa forma, através de “sementes espaciais” que a vida iniciou no nosso planeta: a teoria da Pamspermia.
Talvez seja por isso que, volta e meia, tenhamos um surto de uma doença como a varíola ou uma gripe desconhecida que pode se transformar em uma pandemia.
São os riscos que temos, vivendo em um universo com tamanha diversidade. Por mais dramáticas que essas notícias possam ser elas não são diferentes do que aquilo que estamos enfrentando, todos os dias, desde o início da humanidade há milhões de anos.
Australianas vendem mais minério de ferro e Vale perde participação no mercado mundial
Australianas vendem mais minério de ferro e Vale perde participação no mercado mundial
A Vale que ainda é a maior exportadora individual de minério de ferro do mundo, vem vendo a sua liderança diminuir a cada ano. Ela tinha 32% do mercado de minério de ferro em 2007 e, agora, essa fatia foi reduzida para 25%. Os principais competidores que são as mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto, conseguiram, nesses anos, baixar custos e se tornar mais competitivas, deslocando o minério, considerado imbatível, da Vale.
A megamineradora vem enfrentando sérios problemas financeiros que, obviamente, nada ajudam no processo competitivo. Esses problemas fizeram os lucros da Vale desaparecerem em 2013, o que a distancia, mais ainda, das competidoras como a BHP, que teve um lucro 83% maior no último trimestre.
O ano de 2013 foi terrível para a Vale, pois, apesar das imensas margens de lucro, ela não conseguiu consolidar o lucro esperado por todos.
Em busca de uma virada de mesa a mineradora brasileira já vendeu ativos e, em 2014, deverá vender muito mais. Será o caso da planta da CSA onde a Vale tem 26,9% e investiu 2 bilhões de dólares. A planta se tornou rapidamente antieconômica e a sócia Thyssenkrupp já está pulando fora do barco. Para sair deste projeto a Vale tentará vender a sua participação, o que não parece ser nada fácil.
Mas, nem tudo é má notícia no lado da Vale. Em breve ela deverá iniciar a produção da superjazida de minério de ferro da Serra Sul que custará US$20 bilhões e adicionará 90 milhões de toneladas por ano às exportações da empresa ocasionando uma cirurgia radical nas finanças da empresa.
É uma pena que a Vale continuará exportando produtos de pouco ou nenhum valor agregado como o minério de ferro fino que irá retornar ao Brasil industrializado e caro. Se a empresa perdesse essa característica terceiro-mundista de só exportar produto bruto, os acionistas e o Brasil teriam, aí sim, um retorno adequado.
A Vale que ainda é a maior exportadora individual de minério de ferro do mundo, vem vendo a sua liderança diminuir a cada ano. Ela tinha 32% do mercado de minério de ferro em 2007 e, agora, essa fatia foi reduzida para 25%. Os principais competidores que são as mineradoras australianas BHP Billiton e Rio Tinto, conseguiram, nesses anos, baixar custos e se tornar mais competitivas, deslocando o minério, considerado imbatível, da Vale.
A megamineradora vem enfrentando sérios problemas financeiros que, obviamente, nada ajudam no processo competitivo. Esses problemas fizeram os lucros da Vale desaparecerem em 2013, o que a distancia, mais ainda, das competidoras como a BHP, que teve um lucro 83% maior no último trimestre.
O ano de 2013 foi terrível para a Vale, pois, apesar das imensas margens de lucro, ela não conseguiu consolidar o lucro esperado por todos.
Em busca de uma virada de mesa a mineradora brasileira já vendeu ativos e, em 2014, deverá vender muito mais. Será o caso da planta da CSA onde a Vale tem 26,9% e investiu 2 bilhões de dólares. A planta se tornou rapidamente antieconômica e a sócia Thyssenkrupp já está pulando fora do barco. Para sair deste projeto a Vale tentará vender a sua participação, o que não parece ser nada fácil.
Mas, nem tudo é má notícia no lado da Vale. Em breve ela deverá iniciar a produção da superjazida de minério de ferro da Serra Sul que custará US$20 bilhões e adicionará 90 milhões de toneladas por ano às exportações da empresa ocasionando uma cirurgia radical nas finanças da empresa.
É uma pena que a Vale continuará exportando produtos de pouco ou nenhum valor agregado como o minério de ferro fino que irá retornar ao Brasil industrializado e caro. Se a empresa perdesse essa característica terceiro-mundista de só exportar produto bruto, os acionistas e o Brasil teriam, aí sim, um retorno adequado.
Em 5 anos, Pará deve ser líder em mineração
Em 5 anos, Pará deve ser líder em mineração
Atualmente, Minas Gerais produz 40% dos minerais extraídos no país, e o Pará, 20%. Mas o fluxo de investimentos previstos para os próximos quatro anos deve dar novo impulso à produção no Estado, proporcionando escala sem precedentes à sua indústria mineral, como mostra a reportagem de Agnaldo Brito.FOLHA DE SÃO PAULO
.
Dados do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) indicam que só o Pará vai receber US$ 41 bilhões em novos recursos até 2016.
Desse total, US$ 24 bilhões serão aplicados apenas na exploração mineral, do ferro ao cobre, do níquel ao ouro, da bauxita à cassiterita.
O jornalista viajou para Paragominas (PA), município de 47 anos que surgiu às margens da rodovia Belém-Brasília. Vista como um "faroeste", a cidade converteu-se em "município verde" --um exemplo que virou modelo replicado pelo Estado do Pará.
http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/1086045-em-5-anos-para-deve-ser-lider-em-mineracao-veja.shtml
Em “Serra Pelada”, o documentário, a história de um sonho
Em “Serra Pelada”, o documentário, a história de um sonho que virou realidade e deu em nada
Abro na página 165, assim sem querer, e leio:
“E, afinal, o que é esse ideal da sociedade moderna senão o sonho muito antigo dos pobres e despossuídos, que pode ser encantador como sonho, mas que se transforma em uma felicidade ilusória logo que realizado”.
Fecho o livro, olho mais alguns títulos, compro um saco de pipocas e entro na sala. Decidi assistir ao documentário “Serra Pelada, a Lenda da Montanha de Ouro”, dirigido por Victor Lopes, antes de assistir à ficção sobre a mesma história (dirigida por Heitor Dhalila). Gosto mais de documentários e esse tema me deixa especialmente curiosa. A imagem daqueles homens com a pele encardida, sem camisa, com um balde nas costas subindo feito formigas aquela montanha imensa é impactante. A possibilidade de eles, depois de terem passado horrores – inclusive nas mãos do Major Curió quando assumiu o espaço e transformou-os praticamente em escravos – e saírem dali ricos também alimenta muito a minha imaginação.
Não me arrependi da escolha que fiz naquele momento (ainda vou assistir à ficção, há boas recomendações). É que não se joga fora nem um dos 110 minutos do documentário de Victor Lopes. Ao que parece, o diretor preferiu, em vez de transformar a obra numa crítica ou denúncia, perscrutar justamente a condição humana.
Lopes oferece ao espectador, por exemplo, a história do garimpeiro caboclo, de pele escura e dentes brancos como sói, que tendo ganhado muito dinheiro decidiu fazer um agrado à mulher e levá-la a conhecer o Rio de Janeiro. Com sua melhor roupa, o casal foi ao aeroporto e precisou enfrentar uma fila para comprar a passagem. Em determinada hora, porém, o garimpeiro achou que a atendente estava olhando enviesado para ele, possivelmente pelo fato de não estar usando terno e gravata como a maioria dos outros passageiros. Não teve dúvidas: tirou o dinheiro do bolso, mandou fretar um avião, e fez o percurso Belém – Rio de Janeiro com sua mulher, ocupando apenas duas das mais de 400 poltronas do Boeing 747.
Aqui no Rio ele passeou pela praia de Copacabana, ficou hospedado num belo hotel. Depois voltou para o mesmo casebre onde morava em Marabá, e onde mora até hoje com a mesma mulher. Nada mudou na vida do garimpeiro que pôde gastar 45 milhões de cruzeiros (moeda da época) para fazer uma simples viagem.
“Do jeito que o garimpo deu, ele tomou”, vaticina o homem, um dos personagens que mais fala no documentário. No quintal de terra de sua casa, ao lado da mulher que o acompanhou na aventura ao Rio, de um jeito simples mas sem hesitação, próprio de homens que já viram de tudo na vida, ele mostra que o garimpo de Serra Pelada, hoje nas mãos da empresa canadense Colossus Minerals, ainda tem muita riqueza para dar:
“Tem um aluvião de ouro aqui embaixo, entre a bananeira e o pé de laranja”, diz.
Sob a ótica humana, o garimpo de Serra Pelada pode servir também para mostrar a potência de homens sem rédeas. Tudo começou quando o finado Genésio, dono da Fazenda Três Barras, encontrou uma pepita de ouro em suas terras. A história se alastrou, muita gente correu. Até o pároco saiu de Marabá, vestiu calção, bota, e foi tentar a sorte. Tinha diamante, esmeralda, platina, ouro branco, ouro amarelo. Em pouco tempo eram três mil homens subindo e descendo, peneirando, vendendo o resultado na cidade.
Tudo ia andando, não havia conflito, a riqueza era de todos, ou melhor, de quem tivesse força física para enfrentar o calor dos diabos, a falta de água, condições insalubres. Um único interesse movia todos, para que brigar? Como nas sociedades antigas, os mais fortes passaram a coordenar, surgiu a necessidade de se organizar o trabalho: uns peneiravam, outros carregavam os sacos de terra, outros ainda somente levavam o produto e traziam o dinheiro. Para todos havia recompensa, mas não havia um só governante.
“Se nosso país fosse igual Serra Pelada, tinha igualdade social”, fala um garimpeiro.
Diz Hannah Arendt: “O governo de ninguém não é necessariamente um não-governo; pode, de fato, em certas circunstâncias, vir a ser uma das suas mais cruéis e tirânicas versões… Ao invés de ação, a sociedade espera de cada um dos seus membros certo tipo de comportamento, impondo inúmeras e variadas regras”.
Até que… surge a lei, sob a figura de um único homem. O Major Curió, conhecido e famoso, acusado de ter cometido atrocidades sob as ordens do regime militar. Curió tem espaço para falar muito no documentário de Lopes. Afinal, não é ali que ele será julgado pelos crimes contra a humanidade. Na película, Curió serve à história. Aparece sendo ovacionado pelo povo quando, microfone nas mãos, eleva a voz, impõe a ordem e diz que está ali para organizar o trabalho.
Proibiu mulheres em Serra Pelada; o homem que fosse apanhado bêbado, sofreria as piores torturas. Organizou a “bagunça” e, é claro, cobrou seu quinhão:
“Era um campo de concentração tropical. Quem entrava não saía, quem saísse não poderia entrar novamente”, conta um ex-empresário, um dos coordenadores do garimpo quando ainda era um mutirão popular e que hoje só pensa numa coisa: mudar-se de Serra Pelada. “Não gosto mais daqui, isso é um grande cassino, e o tempo pode te vencer”, diz ele.
O ouro jorrou ainda durante muito tempo, Curió foi afastado, o regime militar terminou, as mulheres e a bebida voltaram ao garimpo. Mas o território não recebeu, em momento algum, um olhar cuidadoso de quem sorvia da terra tanta riqueza. Escola, hospital, saneamento, casas arrumadas, nada disso entrou na conta de quem gastava o dinheiro. Ainda hoje Serra Pelada é um lugar pobre, sem melhoramentos, que priva de confortos básicos os moradores.
“Como pode morrer de fome em cima de uma mina de ouro?”, pergunta-se hoje um garimpeiro.
A condição humana, de novo. Recorro à Hannah Arendt: “O tempo excedente do animal laborans (o indivíduo que trabalha e consome, na visão da autora) jamais é empregado em algo que não seja o consumo, e quanto maior é o tempo de que ele dispõe, mais ávidos e ardentes são os seus apetites”.
O filme termina em 2012. Sorridentes representantes da Colossus Minerals falam sobre estratégia, ferramentas, metas. Daqui a pouco falarão também sobre responsabilidade social, sustentabilidade. Caberá a eles, talvez, o papel de organizar o território seguindo seus próprios conceitos.
A turba, essa fica nos retratos tirados por Sebastião Salgado, nas histórias contadas pelas biroscas do local. Nas muitas cenas que morreram com tantos homens sob a terra que, ali mesmo, lhes serviu de última morada. E na certeza – vai saber? – de que o lago que se formou depois de tantas escavações ainda guarda muita riqueza:
“Tenho certeza de que nós não tiramos nem um terço do ouro que tem aqui”, diz um dos muitos garimpeiros que ainda orbitam por lá. Afinal, reza a lenda, garimpeiro de verdade nunca abandona seu garimpo. É mais forte do que ele, é humano, demasiado humano.
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