| Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia | |||
Com a extensão de 2,7 milhões de hectares de pura floresta Amazônica, esta área tem o tamanho de paises como à Bélgica ou 20 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Essa imensidão verde no chamado “Paralelo 11” é onde está localizada a nação dos últimos descendente dos Tupis. A tribo Cinta Larga teve suas terras demarcadas no inicio dos anos 70, porém o Brasil só ouviu falar delas pela primeira vez após a sua invasão por milhares de mineradores. Invasão essa que resultou no massacre de 29 garimpeiros, ocorrido em abril de 2004, atraindo para a região as atenções de todo o planeta. Desde a demarcação de suas terras, os 1.394 índios que formam a nação Cinta Larga, até hoje não foram incluídos em nenhum programa de ajuda do Governo Federal. Abandonados ao longo desse período pela ausência do poder público, os índios Cinta Larga se viram forçados a fazerem alianças com organizações de idoneidade muitas vezes duvidosas, para obter dinheiro e trazer as melhorias para a tribo. Na década de 80, eram os madeireiros que invadiam a reserva na extração clandestina do mogno e da cerejeira. No fim da década de 90 juntaram-se aos garimpeiros e contrabandistas de diamantes que há muito se interessam pela região. Região essa que esconde aquilo que pode ser uma das maiores jazidas de diamante do mundo. Riqueza incalculável A riqueza que dorme no subsolo da Roosevelt é incalculável. As terras da Reserva Roosevelt abrigam várias rochas de kimberlitos, que ao brotarem do subsolo, trazem os diamantes das profundezas da terra para perto da superfície. Para entender o significado dessa descoberta, basta dizer que as maiores jazidas de diamante do mundo têm, cada uma, um único kimberlito. No período de 2003 a 2004, milhares de garimpeiros, despertados pela cobiça dessas imensas riquezas transformaram a área em terra de ninguém. A corrupção na região se tornou endêmica, envolvendo garimpeiros, policiais e contrabandistas, que ora se associavam na extração ilegal de diamantes, ora brigavam entre si. Hoje, o garimpo está deserto, mas se houver uma brecha, em 24 horas pode ser invadido por milhares de “Garimpeiros” e “Rodados”, que só esperam a oportunidade certa para participar da “Varação”. Uma vez dentro da reserva invadem os baixões e grotas agindo como em um assalto programado. Ficam ali algumas semanas, retiram milhões em pedras e vão embora, deixando atrás de si um rastro de destruição e degradação ambiental com a devastação ecológica da flora e da fauna em torno do garimpo, sem falar na poluição e assoreamento dos rios. Essa corrida desenfreada na extração de diamantes atraiu para a região traficantes, contrabandistas e a prostituição, gerando uma situação de tensão e violência às quais os índios não estavam acostumados e que atualmente não querem mais se submeter. Com essa riqueza ao alcance das mãos e tantos interesses em jogo os fatos são distorcidos. As lideranças indígenas, aos olhos da sociedade, passaram a ser os bandidos da história, mas, na realidade, pela sua ingenuidade e a falta de conhecimento da malandragem do branco, são ludibriados pelos receptadores, pelos servidores públicos corruptos e donos de máquinas. Agem de acordo com sua cultura, embora pareçam estar envolvidos com os brancos, mas a realidade é bem outra. Após os grandes levantes ocorridos no interior do garimpo durante os últimos anos, os índios ao que parece aprenderam com o revés sofrido. As atividades no garimpo diminuíram, os índios passaram a se organizar com o surgimento de associações e cooperativas para melhor administrar suas terras e riquezas. Construção de hidrelétrica Após anos de contato com o chamado mundo dos brancos, novas lideranças começam a surgir entre os Cinta Larga. Entre essas lideranças o maior destaque é João Bravo, líder emergente da comunidade Tenente Marques. João Bravo é o responsável pelas grandes mudanças ocorridas na sua aldeia. Em 2001 o líder tribal deu inicio a construção de uma usina hidrelétrica na bifurcação do Rio Roosevelt, com capacidade para gerar 20 CV que fornece energia elétrica para toda a aldeia que fica a dois kilometros do local. Todo o projeto da construção da usina, mais o canal de 110 metros em concreto que leva a água até a casa de máquinas onde fica a unidade geradora de energia. “Todo esse trabalho foi feito pela comunidade, não teve ajuda nenhuma do governo”, afirmou João Bravo, enquanto apontava para o longo canal de concreto. Ao caminhar pela Aldeia Tenente Marques as margens do rio, o visitante pode comprovar as inúmeras inovações que foram introduzidas pelo líder indígena. Novas casas As antigas choupanas de pau a pique e barro batido cobertas de sapé que formavam a aldeia, deram lugar a novas casas de madeira cobertas com telhas e pintadas na cor verde e amarela. “Igual às cores da bandeira do Brasil”, afirma orgulhoso João Bravo. São novidades que estão mudando o ritmo de vida dos moradores. Nessa verdadeira evolução a comunidade ganhou três pistas de pouso para pequenas aeronaves e desfruta de boas estradas, interligando a aldeia às demais comunidade. Todo esse trabalho foi executado com a utilização de tratores e caminhões caçambas da própria comunidade indígena. Recentemente o Cacique João Bravo implantou o projeto de piscicultura na aldeia, com a construção de tanques onde foram colocados 100 mil alevinos. Esse projeto pioneiro na área indígena tem como principal objetivo atender ao consumo da população e também a comercialização da produção excedente. A pecuária também já entrou forte nas terras da aldeia. Funcionários foram contratados para erguer milhares de metros de cerca nas pastagens de braquiúra com a tecnologia da eletrificação. Currais modernos foram construídos para facilitar o manejo dos rebanhos que é feito por vaqueiros não índios contratados pela aldeia. Saúde e Educação Na saúde o líder da tribo investiu na aquisição de ambulância traçada e medicamentos para o postinho. Agentes de saúde contratados fazem o acompanhamento diário da população local, principalmente das crianças. Segundo levantamentos feitos pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), a taxa de mortalidade infantil na reserva é zero. Na educação, João Bravo brigou até com o Governo do Estado para viabilizar a construção de uma nova escola para a comunidade. “O governador não queria fazer a escola. Eu mandei prender carro da Seduc na aldeia, só depois que começou a construção da escola eu liberei carro”, comentou o chefe da aldeia. Depois dessa suposta briga pela construção da nova escola, uma parceria foi firmada com o Governo do Estado, que através do Setor de Educação Indígena da Seduc equiparou as escolas na tribo. Professores indígenas foram graduados e hoje são capacitados para atuar na rede de ensino, atendendo em sala de aula toda a clientela da aldeia em idade escolar. Com esse trabalho dirigido pelos próprios professores da comunidade, conseguem manter suas tradições em harmonia com a modernidade. Mesmo sendo conhecedor da imensa riqueza em forma de diamantes que repousa sobre os seus pés, o líder João Bravo, que é conhecido por todos como “Um homem muito sistemático”, utiliza essa riqueza e a liderança que exerce, não em beneficio próprio, mas em projetos de bem estar comum, que geram o desenvolvimento e o conforto para a sua comunidade. “Muitos falam que eu sou rico, mas não verdade tudo aqui não é meu, pertence à comunidade”, defende-se o velho líder. Lições a governantes A liberação ou não do garimpo da Reserva Roosevelt ainda será tema para longas discussões nos luxuosos gabinetes de Brasilia, mas enquanto a situação não se define, esse emergente líder indígena segue, dando lições a muitos governantes de como se administra os recursos de uma comunidade. Hoje a aldeia de João Bravo tem a estrutura de uma verdadeira empresa, gerando emprego a dezenas de funcionários não índios que moram e trabalham na comunidade, executando trabalhos em diferentes setores que mantem em perfeito funcionamento toda a estrutura da aldeia. “Aqui cada um tem a sua ocupação. Quando amanhece cada qual já vai para o serviço, é como em qualquer empresa”, afirmou o vaqueiro Joaquim Calvacante, que trabalha há quase dois anos na aldeia. Apesar desse progresso que algumas aldeias têm conseguido, a sombra do garimpo com sua riqueza e seus perigos é uma ameaça constante a essa paz momentânea que a tribo desfruta. Todos na aldeia sabem que para defender suas terras, suas mulheres e crianças contra a invasão dos ambiciosos aventureiros que teimam em rondar suas fronteiras, os índios Cinta Larga hoje contam apenas com a coragem de líderes como João Bravo, | |||
segunda-feira, 10 de março de 2014
Cacique usa garimpo de diamantes para desenvolver aldeia
Siderúrgicas chinesas atingem a produção máxima. Importações de minério de ferro devem cair
Siderúrgicas chinesas atingem a produção máxima. Importações de minério de ferro devem cair
A produção do aço chinês atingiu 779 milhões de toneladas em 2013, o que pode ser considerado o máximo possível.
A partir de 2014 a importação de minério de ferro deverá cair pressionada por uma produção de aço menor causada pelo fechamento das indústrias que estão poluindo. A situação da poluição do ar na China é grave e está obrigando o Governo Chinês a fechar várias plantas obsoletas que poluem acima dos níveis determinados pela lei. No momento ainda é difícil estimar qual será o nível das importações de minério de ferro em 2014 pela China. As grandes mineradoras como a Vale, BHP e Rio, ainda continuam ampliando e investindo no aumento de produção. Elas acreditam que o seu principal trunfo, o custo operacional muito baixo, irá mantê-las no jogo e deslocar as mineradoras da China e Índia que produzem com custos mais altos.
Vai ser mais uma batalha de preços e vencerão aqueles com all-in cash cost mais baixo.
A produção do aço chinês atingiu 779 milhões de toneladas em 2013, o que pode ser considerado o máximo possível.
A partir de 2014 a importação de minério de ferro deverá cair pressionada por uma produção de aço menor causada pelo fechamento das indústrias que estão poluindo. A situação da poluição do ar na China é grave e está obrigando o Governo Chinês a fechar várias plantas obsoletas que poluem acima dos níveis determinados pela lei. No momento ainda é difícil estimar qual será o nível das importações de minério de ferro em 2014 pela China. As grandes mineradoras como a Vale, BHP e Rio, ainda continuam ampliando e investindo no aumento de produção. Elas acreditam que o seu principal trunfo, o custo operacional muito baixo, irá mantê-las no jogo e deslocar as mineradoras da China e Índia que produzem com custos mais altos.
Vai ser mais uma batalha de preços e vencerão aqueles com all-in cash cost mais baixo.
Mineração Duas Barras vende diamantes a mercado futuro
Mineração Duas Barras vende diamantes a mercado futuro
A Brazil Minerals, dona da Mineração Duas Barras que está iniciando a produção de diamantes em mina aluvionar na Bahia, informa que recebeu quinhentos mil dólares de investidores. Esse dinheiro será utilizado para a compra de equipamentos da Mina de Duas Barras. Os investidores receberão, em troca, diamantes lapidados durante um período de 1 ano. A última venda da Brasil Minerals teve um preço médio, por quilate, de US$5.400
A Brazil Minerals, dona da Mineração Duas Barras que está iniciando a produção de diamantes em mina aluvionar na Bahia, informa que recebeu quinhentos mil dólares de investidores. Esse dinheiro será utilizado para a compra de equipamentos da Mina de Duas Barras. Os investidores receberão, em troca, diamantes lapidados durante um período de 1 ano. A última venda da Brasil Minerals teve um preço médio, por quilate, de US$5.400
Deu no Repórter 70: Superintendente do DNPM do Pará não cumpre a lei e "esquece" o direito de prioridade
Deu no Repórter 70: Superintendente do DNPM do Pará não cumpre a lei e "esquece" o direito de prioridade
Em um “trailer” de um futuro nefasto, com as novas regras do MRM o Superintendente do DNPM do Pará mostra o total desrespeito pelo código mineral em vigência e permite a sobreposição de pedidos novos sobre antigos ainda vigentes. Segundo O Liberal de 9 de março, na coluna Repórter70 (veja a imagem) , esse burocrata está usando de sua posição para negociar em proveito próprio e de seu padrinho político, o Deputado Federal José Priante.
O pior é que esses atos de corrupção, se confirmados, estão sendo feitos por alguém do alto escalão do Governo, o que causa uma indignação generalizada na área mineral além de incentivar conflitos no setor e, possivelmente, mortes.
É assim que será o nosso futuro se o novo Código Mineral for aprovado sem o direito de prioridade. Preparem-se, pois essa é, apenas, a ponta do iceberg...
Em um “trailer” de um futuro nefasto, com as novas regras do MRM o Superintendente do DNPM do Pará mostra o total desrespeito pelo código mineral em vigência e permite a sobreposição de pedidos novos sobre antigos ainda vigentes. Segundo O Liberal de 9 de março, na coluna Repórter70 (veja a imagem) , esse burocrata está usando de sua posição para negociar em proveito próprio e de seu padrinho político, o Deputado Federal José Priante.
O pior é que esses atos de corrupção, se confirmados, estão sendo feitos por alguém do alto escalão do Governo, o que causa uma indignação generalizada na área mineral além de incentivar conflitos no setor e, possivelmente, mortes.
É assim que será o nosso futuro se o novo Código Mineral for aprovado sem o direito de prioridade. Preparem-se, pois essa é, apenas, a ponta do iceberg...
domingo, 9 de março de 2014
HISTÓRIA DO GARIMPO DE CUMARU
GARIMPO DE CUMARU
INTRODUÇÃO
A descoberta em 1980 de ouro residual de alto teor na região de Cumaru, nome retirado de um fruto muito comum na região (Foto 01) , localizada no sudeste do estado do Pará, no município de São Félix do Xingu, distando cerca de 90 km do vilarejo de Redenção, fez com que imediatamente inúmeras frentes de garimpagem ocupassem uma área de 15.120 km compreendida entre os rios Naja e Branco, afluentes da margem direita do Rio Fresco. As frentes de garimpo mais ricas, denominadas de Maria Bonita, Cumaru, Retiro do Guará-Pará e Macedônia ( Figura 2 ), localizam-se em bacias do Rio Naja.
A criação do Projeto Cumaru pelo governo Federal no início dos anos 80, objetivando controlar a produção local de ouro, levou a um aumento significativo de garimpeiros na região. Todavia o aprofundamento das cavas e poços dos garimpeiros e o progressivo esgotamento de minério residual de alto teor, resultaria no desmantelamento do Projeto Cumaru, permitindo a entrada na área de companhias de mineração.
MODO DE OCORRÊNCIA
O perfil dos sedimentos modernos que preenchem as calhas dos drenos representam uma seqüência típica de depósitos aluvionares. Da base para o topo observa-se respectivamente:
· argila de diversas cores e denominada pelos garimpeiros de "la grese"
· um ou até três níveis de cascalho, formados de seixos angulosos de quartzo leitoso,
arenito, quartzito e rocha vulcânica. O nível mais inferior é denominado de cascalho
propriamente dito e ao superior o garimpeiro denomina de bagerê.
· capeamento formado por camadas alternadas de areia, silte e argila
· solo rico em matéria orgânica
Via de regra todo o perfil da aluvião exibe mineralização aurífera, todavia, tão somente o cascalho, e raramente o bagerê, exibem teores de ouro em quantidades possíveis de serem explorados economicamente pelos métodos tradicionais de garimpagem.
GARIMPAGEM
A incursão de garimpeiros na região de Cumaru no início da década de 80, em áreas com alvarás de pesquisa expedidos pelo Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) a empresas de mineração, áreas estas com significativa atividade agropastoril, e suas constantes incursões na reserva indígena dos Gorotires, resultaram em conflitos nesta imensa região. Objetivando evitar as tensões sociais, o governo federal elaborou e deu início em março de 1981 ao Projeto Cumaru, convocando vários órgãos federais e estaduais sob a tutela do extinto Conselho de Segurança Nacional, representado por uma Coordenação. A esta Coordenação cabia supervisionar e estabelecer as diretrizes a serem executadas pelos diversos órgãos atuantes na região O (DNPM) deveria prestar as primeiras informações aos garimpeiros, orientando-os por ocasião da entrega dos Certificados de Matrícula de Garimpeiro (CMG), assim como ensinando-os a maneira de obter o máximo aproveitamento do ouro contido em seus garimpos, supervisionando a instalação das máquinas rudimentares, na segurança do trabalho e na solução de pendências entre os mesmos. A Rio Doce Geologia e Mineração S/A (DOCEGEO), utilizando-se de verbas do Banco Central (BC); repassadas pela Caixa Econômica Federal (CEF), responsabilizava-se pela compra do ouro produzido na região. A CEF respondia pelo apoio logístico e a manutenção da infra-estrutura, funcionando também como agência bancária. A Secretaria da Receita Federal (SRF) expedia gratuitamente aos garimpeiros CMG e CPF informando-os dos tributos sobre bens minerais e impostos. A Força Aérea Brasileira (FAB) realizava o transporte das equipes para as diversas frentes de garimpo e responsabilizava-se pelo transporte do ouro. A Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL) vendia gêneros alimentícios para os garimpeiros a preços compatíveis. O Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPES) dispunha de pequeno hospital e um ônibus dotado de ambulatório para dar assistência médico hospitalar aos garimpeiros. No campo da medicina preventiva uma equipe da Superintendência de Campanha de Saúde Pública (SUCAM), vacinava e efetuava exames de sangues. Tratando-se de área nas imediações da reserva indígena Gorotire, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) alocou na região um indigenista de seu quadro.
METODOLOGIA DO GARIMPO
Comprovada a existência do ouro delimita-se uma frente de serviço, paralela a calha do rio, com 20 metros de extensão, que se estende perpendicularmente até a outra margem do rio. Após o desmatamento, abre-se a primeira cata, geralmente com 10 x 10 metros e que recebe o nome de "banda" pelas garimpeiros.
Como a primeira cata é aberta no leito ativo do rio é necessário desviar o curso d’água para um canal paralelo construído lateralmente e denominado "tilim". Feito o tilim o garimpeiro inicia o trabalho a partir do leito do rio ou da grota, no sentido de uma das margens, abrindo uma seqüência de barrancos de modo que cada barranco aberto e explorado seja entulhado com o rejeito do barranco seguinte. Esta seqüência de atividades só é efetuada se o teor de ouro do cascalho, à medida que se avança para a sua margem for compensatório, pois caso contrário a seqüência de trabalho passa a ser longitudinal acompanhando o leito da grota ou rio.
Na abertura de um barranco são empregadas em média três pessoas, que se revezam no desmonte e retirada de material. À medida que o barranco vai se aprofundando, as paredes dos mesmos são escoradas com troncos de árvores.
O cascalho é retirado e antes de ser lavado é misturado com água, ato este denominado pelo garimpeiros de "traçar" para formar uma polpa e retirar a argila dos seixos. Quando a matriz do ouro é muito argilosa e o ouro é fino o garimpeiro adiciona sabão em pó a polpa, objetivando uma melhor recuperação do ouro. A polpa é jogada então em um plano inclinado construído de madeira a mais recentemente alumínio , que dispõe de tariscas a intervalos regulares e que serve de anteparo para diminuir a velocidade da água e onde se deposita o ouro que é mais denso que os demais minerais que compõem o cascalho.
RECUPERAÇÃO DO OURO
O principal responsável pela baixa recuperação do ouro de Cumaru advém do uso de maquinário rústico construído no próprio local. Assim a retenção do ouro nos planos inclinados dotados de tariscas é função direta da qualidade do maquinário, da instalação do mesmo e da experiência do garimpeiro. O tamanho do plano inclinado, geralmente de reduzidas dimensões; a não uniformidade da distribuição da água; a qualidade desta água, que por ser continuamente reciclada, fica densa pela presença de argila; o ângulo de inclinação do plano inclinado; a distribuição e a altura das tariscas, são os fatores determinantes para uma melhor ou pior recuperação do ouro, devendo ser salientado que por mais experiente que seja o garimpeiro sempre ocorria significativa perda de ouro.
Estudos efetuados por diversos técnicos em Cumaru, apontam para uma enorme variação na perda de ouro nos garimpos daquela região, perda esta que varia de 15% a até 90%.
INTRODUÇÃO
A descoberta em 1980 de ouro residual de alto teor na região de Cumaru, nome retirado de um fruto muito comum na região (Foto 01) , localizada no sudeste do estado do Pará, no município de São Félix do Xingu, distando cerca de 90 km do vilarejo de Redenção, fez com que imediatamente inúmeras frentes de garimpagem ocupassem uma área de 15.120 km compreendida entre os rios Naja e Branco, afluentes da margem direita do Rio Fresco. As frentes de garimpo mais ricas, denominadas de Maria Bonita, Cumaru, Retiro do Guará-Pará e Macedônia ( Figura 2 ), localizam-se em bacias do Rio Naja.
A criação do Projeto Cumaru pelo governo Federal no início dos anos 80, objetivando controlar a produção local de ouro, levou a um aumento significativo de garimpeiros na região. Todavia o aprofundamento das cavas e poços dos garimpeiros e o progressivo esgotamento de minério residual de alto teor, resultaria no desmantelamento do Projeto Cumaru, permitindo a entrada na área de companhias de mineração.
MODO DE OCORRÊNCIA
O perfil dos sedimentos modernos que preenchem as calhas dos drenos representam uma seqüência típica de depósitos aluvionares. Da base para o topo observa-se respectivamente:
· argila de diversas cores e denominada pelos garimpeiros de "la grese"
· um ou até três níveis de cascalho, formados de seixos angulosos de quartzo leitoso,
arenito, quartzito e rocha vulcânica. O nível mais inferior é denominado de cascalho
propriamente dito e ao superior o garimpeiro denomina de bagerê.
· capeamento formado por camadas alternadas de areia, silte e argila
· solo rico em matéria orgânica
Via de regra todo o perfil da aluvião exibe mineralização aurífera, todavia, tão somente o cascalho, e raramente o bagerê, exibem teores de ouro em quantidades possíveis de serem explorados economicamente pelos métodos tradicionais de garimpagem.
GARIMPAGEM
A incursão de garimpeiros na região de Cumaru no início da década de 80, em áreas com alvarás de pesquisa expedidos pelo Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM) a empresas de mineração, áreas estas com significativa atividade agropastoril, e suas constantes incursões na reserva indígena dos Gorotires, resultaram em conflitos nesta imensa região. Objetivando evitar as tensões sociais, o governo federal elaborou e deu início em março de 1981 ao Projeto Cumaru, convocando vários órgãos federais e estaduais sob a tutela do extinto Conselho de Segurança Nacional, representado por uma Coordenação. A esta Coordenação cabia supervisionar e estabelecer as diretrizes a serem executadas pelos diversos órgãos atuantes na região O (DNPM) deveria prestar as primeiras informações aos garimpeiros, orientando-os por ocasião da entrega dos Certificados de Matrícula de Garimpeiro (CMG), assim como ensinando-os a maneira de obter o máximo aproveitamento do ouro contido em seus garimpos, supervisionando a instalação das máquinas rudimentares, na segurança do trabalho e na solução de pendências entre os mesmos. A Rio Doce Geologia e Mineração S/A (DOCEGEO), utilizando-se de verbas do Banco Central (BC); repassadas pela Caixa Econômica Federal (CEF), responsabilizava-se pela compra do ouro produzido na região. A CEF respondia pelo apoio logístico e a manutenção da infra-estrutura, funcionando também como agência bancária. A Secretaria da Receita Federal (SRF) expedia gratuitamente aos garimpeiros CMG e CPF informando-os dos tributos sobre bens minerais e impostos. A Força Aérea Brasileira (FAB) realizava o transporte das equipes para as diversas frentes de garimpo e responsabilizava-se pelo transporte do ouro. A Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL) vendia gêneros alimentícios para os garimpeiros a preços compatíveis. O Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPES) dispunha de pequeno hospital e um ônibus dotado de ambulatório para dar assistência médico hospitalar aos garimpeiros. No campo da medicina preventiva uma equipe da Superintendência de Campanha de Saúde Pública (SUCAM), vacinava e efetuava exames de sangues. Tratando-se de área nas imediações da reserva indígena Gorotire, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) alocou na região um indigenista de seu quadro.
METODOLOGIA DO GARIMPO
Comprovada a existência do ouro delimita-se uma frente de serviço, paralela a calha do rio, com 20 metros de extensão, que se estende perpendicularmente até a outra margem do rio. Após o desmatamento, abre-se a primeira cata, geralmente com 10 x 10 metros e que recebe o nome de "banda" pelas garimpeiros.
Como a primeira cata é aberta no leito ativo do rio é necessário desviar o curso d’água para um canal paralelo construído lateralmente e denominado "tilim". Feito o tilim o garimpeiro inicia o trabalho a partir do leito do rio ou da grota, no sentido de uma das margens, abrindo uma seqüência de barrancos de modo que cada barranco aberto e explorado seja entulhado com o rejeito do barranco seguinte. Esta seqüência de atividades só é efetuada se o teor de ouro do cascalho, à medida que se avança para a sua margem for compensatório, pois caso contrário a seqüência de trabalho passa a ser longitudinal acompanhando o leito da grota ou rio.
Na abertura de um barranco são empregadas em média três pessoas, que se revezam no desmonte e retirada de material. À medida que o barranco vai se aprofundando, as paredes dos mesmos são escoradas com troncos de árvores.
O cascalho é retirado e antes de ser lavado é misturado com água, ato este denominado pelo garimpeiros de "traçar" para formar uma polpa e retirar a argila dos seixos. Quando a matriz do ouro é muito argilosa e o ouro é fino o garimpeiro adiciona sabão em pó a polpa, objetivando uma melhor recuperação do ouro. A polpa é jogada então em um plano inclinado construído de madeira a mais recentemente alumínio , que dispõe de tariscas a intervalos regulares e que serve de anteparo para diminuir a velocidade da água e onde se deposita o ouro que é mais denso que os demais minerais que compõem o cascalho.
RECUPERAÇÃO DO OURO
O principal responsável pela baixa recuperação do ouro de Cumaru advém do uso de maquinário rústico construído no próprio local. Assim a retenção do ouro nos planos inclinados dotados de tariscas é função direta da qualidade do maquinário, da instalação do mesmo e da experiência do garimpeiro. O tamanho do plano inclinado, geralmente de reduzidas dimensões; a não uniformidade da distribuição da água; a qualidade desta água, que por ser continuamente reciclada, fica densa pela presença de argila; o ângulo de inclinação do plano inclinado; a distribuição e a altura das tariscas, são os fatores determinantes para uma melhor ou pior recuperação do ouro, devendo ser salientado que por mais experiente que seja o garimpeiro sempre ocorria significativa perda de ouro.
Estudos efetuados por diversos técnicos em Cumaru, apontam para uma enorme variação na perda de ouro nos garimpos daquela região, perda esta que varia de 15% a até 90%.
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