sábado, 26 de abril de 2014

kimberlito

kimberlito
Foto da rocha
Fotomicrografia
Kimberlito ultra-melanocrático com granulação fina.
Grande cristal de ortopiroxênio, com cor de interferência esverdeada, rodeado por cristais anedrais de olivina; nicóis cruzados; aumento 12,5x.

Mineralogia principal - olivina serpentinizada com quantidades variáveis de flogopita, ortopiroxênio, clinopiroxênio, carbonatos e cromita.
Minerais acessórios - melilita, granada piropo, magnetita, carbonatos, ilmenita, apatita, rutilo e pirovskita.
Estrutura - compacta, xenolítica ou fluidal.
Texturas Magmáticas
   Grau de cristalinidade - holocristalina a hipovítrea
   Grau de visibilidade - afanítica a subfanerítica
   Tamanho dos cristais - densa a fina
   Tamanho relativo dos cristais - porfirítica com matriz inequigranular
   Relação geométrica dos cristais - panidiomórfica a hipidiomórfica
   Articulação entre os cristais - irregular
   Arranjo (trama) - calçamento, poiquilítica
   Acidez - ultrabásica
   Sílica saturação - insaturada
   Relação de feldspatos - não se aplica (não apresenta feldspatos)
   Índice de coloração - ultramelanocrática
   Índice de alumina saturação - não se aplica
   Alcalinidade - alcalina potássica
Observações - Trata-se de um peridotito, muito comum na região de Kimberley, na África do Sul, onde é feita a extração de diamantes. Comumente é uma rocha porfirítica que ocorre na forma de chaminés verticais chamadas de "pipes".  Kimberlito é considerada a rocha matriz do diamante.

Europa busca o gás do folhelho americano

Europa busca o gás do folhelho americano
As ameaças da Rússia de cortar o abastecimento de gás da Ucrânia são suficientemente sérias para abalar a confiança dos europeus. Afinal os gasodutos russos passam, em primeiro lugar, pela Ucrânia. A russa Gazprom supre mais do que 25% de toda a demanda do continente europeu de gás natural, um volume imenso que pode simplesmente sumir.
É com essa ameaça na mente que os líderes europeus se voltam aos Estados Unidos onde está uma possível solução para os seus problemas.
Os Estados Unidos deverão, no curto prazo, exportar o seu carvão para a Europa. O carvão americano se tornou pouco competitivo devido aos baixíssimos preços do gás de folhelho. Os europeus, por sua vez, viram as suas minas de carvão fechar, a medida que as reservas se exauriram. É natural que eles aproveitem o excesso de carvão americano no momento da crise.
Já a possibilidade de uma exportação de grandes volumes de gás liquefeito dos Estados Unidos, no momento, é inexistente. Os americanos ainda estão aumentando a produção de gás com o objetivo de uma tão esperada autossuficiência, que está perto. Só após 2017 é que os americanos terão condições de enviar grandes quantidades de gás para a Europa. Para atingir esse feito enormes investimentos em turbinas, gasodutos e unidades de refrigeração deverão ser feitos. Hoje já existem mais de 3.000 pessoas trabalhando nesse projeto que permitirá a exportação do gás dos folhelhos, ou xistos como os brasileiros costumam erroneamente chamar essas rochas.
Somente a planta da Cheniere Energy, em Houston, com custos superiores a 7 bilhões de dólares,  poderá enviar mais do que 17% do que a Rússia exporta para toda a Europa.  Hoje, nos Estados Unidos existem mais de 20 projetos de grande porte para a exportação de gás de folhelho. Esse enorme investimento, acima de 100 bilhões de dólares, mostra o que muita gente aqui no Brasil não quer enxergar: o gás dos folhelhos é, realmente, a maior revolução energética dos Estados Unidos desde a descoberta do petróleo.
Enquanto as autoridades do Governo e a Petrobras continuam sem uma política de investimento e desenvolvimento para as imensas reservas brasileiras de gás e óleo do xisto os americanos revertem a sua dependência, baixam os custos locais, viabilizam o aço e novas indústrias e passam a ser exportadores de energia. Tudo isso em poucos anos.

Se não fosse pela produção do gás dos folhelhos os Estados Unidos estariam importando hoje (fonte: Governo Americano) 10 bilhões de pés cúbicos de gás natural por dia... Em 5 anos os Estados Unidos estarão exportando essa mesma quantidade de gás...nada mal para uma riqueza que uma década atrás estava no chão.
Os europeus, também, começam as pesquisas nos seus jazimentos de folhelhos em busca de gás e óleo.

O conflito do governo com indígenas na construção de 40 hidrelétricas na Amazônia

O conflito do governo com indígenas na construção de 40 hidrelétricas na Amazônia

Para construir o complexo, o governo terá de enfrentar 12 mil indígenas conhecidos secularmente por cortar a cabeça de seus inimigos


NA LINHA DE FRENTE 1. Valter quer a demarcação de suas terras no Médio Tapajós  2. Maria Leusa ocupou Belo Monte para  combater as usinas  3. Josias manda o recado ao governo. “Somos cortadores de cabeça” (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
Erguida em meio a uma imensidão de floresta, a 300 quilômetros do mais próximo centro urbano pela inacabada Rodovia Transamazônica, a cidade de Jacareacanga ganhou fama nacional ao estampar manchetes de jornais em fevereiro de 1956. Naquele ano, militares da Aeronáutica contrários ao então presidente, Juscelino Kubitschek, instalaram um quartel-general no município, dominaram territórios vizinhos e ensaiaram um golpe de Estado que acabou rapidamente reprimido. Enredo digno de cinema. Quase 60 anos depois daquela que ficou conhecida como Revolta de Jacareacanga, essa cidade do sudoeste do Pará ressurge agora como cenário de uma trama tão ou mais intrigante. Nas aldeias dos arredores, milhares de índios mundurucus – notáveis por cortar a cabeça de seus inimigos em batalhas e usá-las como troféus, prática que se estendeu até o final do século XIX – declararam guerra ao governo federal. No último ano, pintaram seus corpos, empunharam flechas e bordunas para dar este mesmo recado ao governo. “Somos caçadores de cabeça”, disse na semana passada Josias Manhuary, de 37 anos, o líder dos guerreiros. “Se eles insistirem na construção de hidrelétricas nas nossas terras, vamos atacar.”


O levante mundurucu é contra os planos da presidente Dilma Rousseff de erguer uma sequência de barragens na Bacia do Rio Tapajós – tida pelos ambientalistas como um dos ecossistemas da Amazônia mais complexos em biodiversidade e, pelos índios, como terra sagrada de seus ancestrais. Os inventários da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que prospectam o potencial hídrico do Brasil, mostram que o Rio Tapajós e seus afluentes espalhados por Mato Grosso e pelo Pará podem abrigar mais de 40 hidrelétricas – isso garantiria uma geração perto de 30.000 megawatts, quase o triplo da capacidade da polêmica Belo Monte. Dessas usinas, 14 já estão no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Duas delas, em especial, inspiram a atual discórdia com os indígenas: Luiz do Tapajós e Jatobá. Estão previstas para ocupar as redondezas das cidades de Itaituba, Trairão e Jacareacanga. Os empreendimentos estão em fase de estudos de viabilidade. Nos próximos meses, podem receber do governo o sinal verde para a construção.

RUA DE RIO As chuvas inundaram parte de Jacareacanga, no Pará. A cidade, com população indígena, é cercada pelas aldeias mundurucus (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
A saga de povos indígenas contra as grandes hidrelétricas na Amazônia não é nova. Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, demorou décadas para sair do papel por pressão dos movimentos solidários aos índios, aos ribeirinhos e ao meio ambiente. No caso das usinas do Tapajós, há dois novos agravantes. O primeiro é que, depois da Constituição de 1988 (um marco entre a ditadura e a democracia, que reconhece aos povos tradicionais o direito sobre o território que ocupam), nunca uma barragem no Brasil deixou uma aldeia debaixo d’água. E isso deverá acontecer se algumas das usinas previstas para o Tapajós se tornarem uma realidade. “As 43 hidrelétricas inundariam 1 milhão de hectares, e 22 dessas tocariam em terra indígena”, afirma o engenheiro Pedro Bara, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O segundo fato inédito é que, desta vez, o governo terá de enfrentar uma etnia com organização social sofisticada e forte histórico de resistência. Ao contrário dos povos afetados por Belo Monte, mais frágeis politicamente – eles acabaram falados pela prática de fazer “listinhas de pedidos” em troca de ceder ao empreendimento –, os mundurucus são mais difíceis de dobrar. Ao menos até agora.
>> Belo Monte de concreto e aço
Enquanto outras etnias delegam poder de decisão a alguns líderes, a tradição dos mundurucus é buscar o consenso da comunidade. Sem consenso, não há decisão – e unanimidade não é o forte nas discussões em torno das usinas. Até mesmo o aval para me receber com o fotógrafo foi discutido em grupo, na língua mundurucu. Durante a deliberação, era possível compreender poucas palavras em meio às falas atropeladas: jornalista, despachar, hidrelétrica, compensação.
Os primeiros contatos dos mundurucus com os brancos ocorreram no final do século XVIII. Embora tenham abandonado seus rituais de guerra ao longo da colonização, eles mantiveram a fama de lutadores aguerridos, devido à prática de cortar a cabeça dos inimigos e mumificá-la. Os troféus de cabeça tinham a função de atribuir poderes mágicos aos guerreiros. Para deixar clara sua braveza, retiravam os dentes das vítimas e os penduravam em colares no pescoço. Aquarelas do século XIX pintadas pelo explorador francês Hércules Florence mostram o porte avantajado dos indígenas na época – bem diferente dos mundurucus atarracados de hoje. Seus homens dificilmente perdiam uma batalha.

OS SEM-PAPEL Um garoto na roça da aldeia Sawre Muybu. Ainda não demarcada, a reserva poderá ir para debaixo d’água (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
A população mundurucu é estimada em 12 mil indígenas, distribuídos por 130 aldeias nos Estados de Amazonas, Mato Grosso e Pará. Eles formam um núcleo duro de combate que, ao longo do ano passado, deu algumas provas de que será difícil dissuadi-los. Em maio, cerca de 140 homens, mulheres, jovens e crianças partiram de ônibus rumo a Altamira, a 830 quilômetros de Jacareacanga. A intenção era ocupar o canteiro de obras de Belo Monte. Por duas vezes, invadiram o empreendimento. A paralisação durou um total de 17 dias. A índia Maria Leusa Kabá, de 26 anos, estava grávida de cinco meses quando deixou seus outros filhos em casa para travar a batalha contra o governo. Líder das mulheres, mãe, estudante do ensino médio e responsável por percorrer as aldeias mostrando com vídeos e relatos o sofrimento dos “parentes” afetados por hidrelétricas já em andamento, ela está na linha de frente da resistência. “A gente não troca a vida de nossas crianças e o lugar onde vivemos por negociação nenhuma. Dinheiro acaba, nossas florestas e rios não”, diz.


Na ocasião de ocupação de Belo Monte, Maria Leusa só deixou o canteiro de obras depois que o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, o homem designado pela presidente Dilma como interlocutor com os indígenas, enviou uma carta convidando os manifestantes para uma reunião em Brasília. Os mundurucus viajaram até a capital federal em dois aviões camuflados da Força Aérea Brasileira (FAB). Saíram de lá com a promessa de que seus direitos serão respeitados.
Dias depois de retornar às aldeias, os índios deram uma nova demonstração de que a briga está só começando. Um grupo de caçadores encontrou câmeras fotográficas espalhadas por uma de suas reservas, enquanto percorriam a mata atrás de animais. Eram parte do material usado por biólogos de uma empresa a serviço do governo federal, a Concremat, para realizar os estudos de biodiversidade mas áreas atingidas pelas barragens. Na noite do mesmo dia, os caciques decidiram prender os pesquisadores. Cerca de 150 guerreiros atravessaram o rio na manhã seguinte até o acampamento da equipe na margem oposta. Capturaram os três chefes da pesquisa e expulsaram os outros. “A gente tinha deixado nosso recado em Brasília de que não queria ninguém em nossas terras”, diz o índio Cândido Waro. Depois de passar a noite na aldeia, os biólogos foram levados pelos índios até Jacareacanga. Com os braços amarrados, permaneceram expostos no coreto da cidade. Só foram liberados quando representantes do governo chegaram de Brasília para negociar. Os índios contam que, durante o sequestro, fizeram uma reunião para decidir se manteriam os biólogos vivos. “É isso mesmo, votei a favor de matar e cortar a cabeça”, afirma Waro. A Concremat diz que seus funcionários não podem comentar o caso.
Desde então, todas as incursões de pesquisadores pelas florestas próximas às áreas das usinas foram acompanhadas por tropas da Força Nacional. No Rio Tapajós, barcos carregados de soldados se emparelhavam às embarcações dos cientistas. Nos ares, segundo relatos dos locais, aeronaves faziam voos rasantes para intimidar. A Força Nacional foi criada em 2004 para conter a ordem, sempre que a situação foge ao controle da segurança local. Em seu formato original, só podia ser acionada pelo governador do Estado. A presidente Dilma alterou o papel da Força em decreto de março do ano passado. Agora, seus homens podem ser convocados por qualquer ministro. Também são cedidos para “prestar auxílio à realização de levantamentos sobre impactos ambientais negativos”. “Na prática, ela funciona como uma milícia do Estado para reprimir quem é contra um empreendimento”, diz um funcionário do governo federal. Procurado, o Ministério da Justiça não se manifestou.

O CUSTO DA GERAÇÃO
O imbróglio em torno das usinas só faz crescer porque, para se desenvolver, o país precisa de energia. Represar os rios é fundamental para garantir a geração de energia mesmo em períodos de estiagem, como a que atinge as hidrelétricas do Sul e Sudeste do país. Segundo o governo, o Brasil tem o terceiro maior potencial hidráulico do mundo, depois da China e da Rússia. “Até agora, só usamos um terço desse potencial”, afirma o engenheiro Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). “Graças às hidrelétricas, o país responde por só 0,4% das emissões de todo o setor elétrico do mundo, mesmo sendo a sétima maior economia do planeta.”


Para manter limpa a matriz energética, o Brasil pode investir em energias alternativas, como eólica e solar. Ou ainda nas pequenas hidrelétricas no Centro-Sul do país, com reservatórios menores. Ainda assim, dependerá das grandes barragens – por ora, mais competitivas em capacidade de geração e preço – para suprir a demanda nos próximos anos. A despeito de as hidrelétricas terem vantagens climáticas, seus custos social e ambiental são altos e, na opinião dos críticos, desconsiderados na construção dos empreendimentos. “É preciso que haja um sacrifício lado a lado, um equilíbrio entre a exploração do potencial de geração e a preservação da riqueza natural e dos direitos humanos”, afirma o advogado Raul do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA). Em coro com outros opositores, ele reivindica que, antes de erguer as usinas do Tapajós, o governo faça um estudo integrado dos impactos previstos para toda a bacia – e não relatórios individuais de cada hidrelétrica, como ocorre hoje. “Um dos problemas centrais é que continuamos discutindo caso a caso cada usina, sem olhar para o conjunto da obra.”

Uma sequência de paredões (Foto: reprodução)
Sempre que o assunto é a supressão de seus direitos, os mundurucus sacam o argumento de que o Brasil desrespeita um acordo internacional em vigor desde 2004. Trata-se da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ela assegura que os índios sejam consultados toda vez que uma obra afete suas áreas. Com base nisso, o Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça para suspender o licenciamento da usina São Luiz do Tapajós. Seus procuradores entendem que os mundurucus devem ser ouvidos antes que os estudos de impacto socioambiental, parte do licenciamento, aconteçam. “O país é cobrado lá fora”, afirma o procurador Felício Pontes. Ele foi um dos líderes da oposição jurídica a Belo Monte, em nome da defesa dos povos da floresta. “Todos os empreendimentos do PAC na Amazônia, sem exceção, não ouviram as comunidades tradicionais.”
>> Grandes hidrelétricas não são economicamente viáveis, diz estudo
Há uma divergência de interpretação da Convenção 169 entre o MPF e a Advocacia-Geral da União (AGU), responsável por defender o Estado, sobre em que momento falar com os índios. Na visão da AGU, a consulta deve ocorrer depois de terminados os estudos e concedida a licença prévia. “Antes da licença prévia, não é possível saber se o empreendimento será construído”, diz Marcelo de Siqueira, procurador-geral da AGU. Depois de um vaivém pelos tribunais que interrompeu o licenciamento por um curto período, o processo agora está liberado. Escutadas antes ou depois, as populações tradicionais de todo modo não têm poder para mudar os planos do governo. “Nossa interpretação muito clara é que não é necessário haver concordância, não cabe às comunidades indígenas a decisão sobre o prosseguimento”, afirma Siqueira.

DESUNIÃO INDÍGENA
Mais de 40% dos 41 mil moradores de Jacareacanga, de acordo com o Censo de 2010, são indígenas. Pelo menos outros 20%, estima-se, são caboclos. Ao andar pelas ruas de terra vermelha da cidade (apenas uma ou outra tem pavimento), é comum encontrar grupos deles aglomerados pelos cantos, raramente interagindo com um branco. Rodeada de garimpos e ponto de parada de viajantes, Jacareacanga funciona como o que os moradores do Norte chamam de corrutela: lugarejos longe dos centros regionais que, no passado, davam apoio a caixeiros-viajantes e tropeiros. Há prostíbulos e vendas mercantis aos montes.
A população indígena está representada na política da cidade. Tanto o vice-prefeito quanto quatro dos 11 vereadores são mundurucus. Esse quadro, apesar de positivo, tornou-se o estopim da tensão que vem quebrando o clima pacato de Jacareacanga. Há cerca de 20 anos, os mundurucus realizam assembleias para decidir sobre os mais variados temas, da educação das crianças à demarcação de terras. Sempre nas aldeias. Em agosto do ano passado, esse encontro ocorreu pela primeira vez na cidade. No ginásio de esportes, centenas de indígenas, convocados pela Associação Pusuru, até então a principal representante da etnia, esperavam pela reunião. O clima esquentou quando o prefeito Raulien Queiroz, do Partido dos Trabalhadores (PT), mudou o rumo da prosa.


Acompanhado de policiais armados, vereadores e assessores políticos, Queiroz conduziu a reestruturação da diretoria da Pusuru sem ouvir, segundo os indígenas, quase nenhum dos 62 caciques presentes. As faixas contra as hidrelétricas foram retiradas. Os registros fotográficos e em vídeo da reunião proibidos. Maria Leusa Kabá, a índia que meses antes ocupara o canteiro de Belo Monte, foi destituída do cargo de vice-coordenadora. Ela afirma que alguns membros da associação foram trocados e só ficaram nos postos os aliciados pelo governo, que cederão às usinas em troca de benefícios. “Cadê a prova? Cadê a prova de que a gente recebe dinheiro das barragens”, diz Cândido Waro, que continua como coordenador da Pusuru. Para os mundurucus, o encontro foi uma tentativa de golpe para fragilizar a resistência. O prefeito Queiroz não respondeu aos pedidos de entrevista de ÉPOCA. Na semana passada, ele se livrou em primeira instância da cassação por uma denúncia de compra de votos nas eleições de 2012. A Secretaria-Geral da Presidência afirma, em nota, que o governo federal não tem interesse na divisão do povo mundurucu e que a dissidência na organização foi uma decisão da maioria dos caciques.

O PRÉ E O PÓS-USINAS
A cerca de 350 quilômetros de Jacareacanga, duas pequenas aldeias mundurucus existem retiradas das demais desde os anos 1980. Seus caciques Valter Datie e Juarez Saw fundaram novas reservas depois de sair fugidos de suas antigas casas. Isso porque, pela tradição mundurucu, eles são considerados pajés bravos, responsáveis por doenças, falta de peixe, brigas e toda desgraça que pode acometer um grupo. Quando um pajé bom – aquele que cura e tem as premonições – reconhece um bravo, este último deve ir embora sob o risco de ser assassinado. Como ocupam esse território há relativamente pouco tempo, as terras  dos caciques conhecidas por Sawre Muybu ainda não foram demarcadas.

NA LAMA Um caminhão  encalhado na inacabada Transamazônica.  Na época de chuvas,  muitos trechos  ficam intransitáveis (Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA)
E pode ser que demorem a ser. A demarcação de terra indígena exige um relatório de identificação que atesta a ocupação da região pela população tradicional. No caso Sawre Muybu, esse documento está na mesa da presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília desde o ano passado – o prazo para ser assinado era junho. O dilema: sua aprovação pode causar um mal-estar com o Ministério de Minas e Energia, porque a Sawre Muybu está na área que será alagada pela usina São Luiz do Tapajós. “Alagar terra indígena é inconstitucional”, afirma o cacique Valter Datie. A Funai informou que o processo está em análise e deve “ser conduzido em diálogo com diversos setores do governo para diminuir eventuais conflitos”.
Enquanto a Sawre Muybu sofre com a indefinição prévia às usinas, as cidades ao redor precisam se preparar para o impacto futuro. Se construídas, as hidrelétricas trazem uma sucessão de mudanças para os centros urbanos. Itaituba, o maior da região, com cerca de 97 mil habitantes, deverá sentir mais. Tanto os efeitos positivos, como geração de empregos e impostos, quanto os negativos, como o aumento na violência e na especulação imobiliária. Tolmasquim, da EPE, afirma que os municípios vizinhos devem passar incólumes por estar longe dos paredões das barragens. Líder do consórcio de empresas que estudam a viabilidade dos empreendimentos, a Eletrobras informa que nem Itaituba nem Jacareacanga serão alagadas (a cheia natural do rio no último mês – uma cheia recorde – cobriu de água as ruas dos municípios).
Para aplacar as críticas de inundações de aldeias, alagamento de cidades, deslocamentos humanos, o governo alardeia que as usinas seguirão o conceito das plataformas de petróleo, aquelas enormes estruturas usadas na exploração em alto-mar. Ao ser construídas isoladas no meio da floresta, diz, pouparão o transtorno que a aglomeração populacional em volta das obras historicamente costuma causar. Além de reduzir o impacto à biodiversidade.
O primeiro problema dessa ideia é que ela desconsidera o impacto indireto do empreendimento. A maior devastação associada a uma hidrelétrica não ocorre dentro do canteiro de obras. São o desmatamento e a explosão de conflitos fundiários num raio de centenas de quilômetros, gerados pelo aumento da movimentação de gente e pela infraestrutura, como estradas e acampamentos.  O segundo problema é a ausência de detalhes sobre como as gigantescas máquinas necessárias para a construção assim como as toneladas de cimento, pedra, areia e ferro chegariam ao local. Especialistas dizem que, pelo rio, o transporte de equipamentos para a obra seria impossível, especialmente no período de seca. Por ar, impagável. Tolmasquim afirma que o uso das plataformas é especialmente adequado no Tapajós, porque se trata de uma região vazia. “É uma área não antropizada, quase não tem gente ali. É muito diferente do que acontece em Belo Monte.” Difícil mesmo será explicar aos mundurucus que suas aldeias estão no meio desse deserto popula

Contexto geológico de kimberlitos, lamproítos e ocorrências diamantíferas do Brasil

Contexto geológico de kimberlitos, lamproítos e ocorrências diamantíferas do Brasil


D.P. SviseroI; L.A. ChieregatiII
IDepartamento de Mineralogia e Petrologia, Instituto de Geociências/USP, São Paulo
IICPRM, São Paulo



O diamante foi e continua sendo um mineral de importância histórica no Brasil. Existem ocorrências praticamente em todo o território nacional, exceptuando-se alguns estados nordestinos e ilhas oceânicas. O Brasil foi o primeiro país do ocidente a lavrar diamante a partir da descoberta de depósitos detríticos na região de Diamantina (MG) no início do século dezoito, assumindo logo a seguir a posição de primeiro produtor mundial. Essa situação perdurou até a segunda metade do século dezenove, quando a descoberta da rocha matriz do diamante na África do Sul modificou o panorama geoeconômico do diamante. O Brasil nunca mais recuperou sua posição anterior e nos últimos anos a produção vem representando apenas 1% do montante mundial
A  mostras as principais ocorrências diamantíferas brasileiras, aqui representadas por meio de um centro geográfico local. Partindo da região de Tibaji (PR) que representa os depósitos mais meridionais do país, o diamante ocorre nas regiões sul (Itararé) e nordeste (Patrocínio Paulista) de São Paulo, Alto Paranaíba (Abaeté, Coromandel, Patos, Estrela do Sul, Romaria) e região central de Minas (Diamantina, Grão Mogol), Chapada Diamantina na Bahia, Pará (Marabá), Piauí (Gilbués), Maranhão (Imperatriz), Mato Grosso (Barra dos Garças, Chapada dos Guimarães, Aripuanã, Juína), Goiás (Aragarças, Piranhas), Mato Grosso do Sul (Coxim), Amapá, Rondônia e Roraima. Tudo indica que existem pelo menos duas idades distintas para o diamante: uma proterozóica, representada pelas ocorrências do Espinhaço e de Roraima, e outra mesozóica, para o caso dos depósitos do Alto Paranaíba (MG). Eventualmente, os depósitos periféricos das bacias paleozóicas poderiam representar uma terceira idade de mineralização.
Apesar da extensão das ocorrências, que traz embutida a idéia de um grande potencial econômico, os primeiros trabalhos de prospecção de kimberlitos só começaram no final dos anos sessenta. A partir de 1968, a Sopemi, na época uma empresa francesa ligada ao BRGM, deslanchou uma prospecção sistemática de kimberlitos baseada no rastreamento de minerais pesados (granada piropo, ilmenita magnesiana, diopsídio, cromioespinélio) nos municípios da região do Alto Paranaíba, Minas Gerais, que em pouco tempo conduziu à localização de um grande número de intrusões kimberlíticas. Nos anos seguintes a Sopemi estendeu esses trabalhos para os estados de Goiás, Mato Grosso, Bahia, Pará, Rondônia, Piauí, Roraima, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ampliando ainda mais o número de corpos conhecidos. Paralelamente às atividades da Sopemi, tivemos a Prospec no início dos anos setenta e a BP no início dos anos oitenta que também realizaram prospecção de kimberlitos em vários pontos do Brasil Nenhuma informação foi publicada por essas empresas, mas BARBOSA (1985) estima que o número de corpos encontrados ultrapassa cinco centenas.
As primeiras informações dos kimberlitos do Alto Paranaíba foram apresentadas por BARBOSA et al. (1976) e SVISERO et aL (1979). Basicamente, existe na região um grande número de corpos vulcânicos com diâmetros entre 100 e 800 m, em geral cobertos por um solo de alteração (yellow ground) que dificulta o mapeamento e a obtenção de rochas frescas. Contudo, análises químicas de minerais residuais (granada, ilmenita, diopsídio e espinélio) recolhidos sobre os diatremas permitiram identificar os Kimberlitos Vargem, Boqueirão, Coqueiros, Tamborete, Japecanga, Morungá, Capão da Erva, Lagoa Seca, Santa Clara, Forca, Santa Rosa, Bonito, Tabões, Mascate e Mouras (SVISERO et aL, 1984). A aplicação de métodos geofísicos, por outro lado, permitiu mapear os diatremas Limeira, Sucuri, Indaiá, Vargem 1 e 2 e Poço Verde. Recentemente foram divulgados dados químicos do Kimberlito Matinha (SVISERO & MEYER, 1986) e de um lamproíto próximo a Presidente Olegário (LEONARDOS & ULBRICH, 1987). Encontram-se em fase de estudos as intrusões do Pântano, Tapera, Rocinha, Divino, Santana dos Patos, Veridiana, Ponte, Malaquias, Três Fazendas, Mirante, Serrinha, Paraíso, Almas, Wilson e outras. Estão incluídas aqui rochas com características de kimberlitos, em geral alteradas e formando relevo negativo, bem como lamproítos que formam diatremas comparavelmente maiores, com relevo positivo e rochas frescas. Observações de campo indicaram que as intrusões do Alto Paranaíba constituem uma província kimberlítica que se estende de Catalão (GO) até Boa Esperança (MG), acompanhando aproximadamente a área do Soerguimento do Alto Paranaíba. Na região de Bambuí, BARBOSA (1985) localizou os Kimberlitos Cana Verde, Boa Esperança, Ingá, Almeida e Quartéis.
Além da região oeste de Minas Gerais, existem dados sobre alguns corpos isolados em outros estados. Assim sendo, são conhecidos os Kimberlitos do Redondão (SVISERO et aL, 1975) e Açude (SVISERO & MEYER, 1986) respectivamente no sul e leste do Piauí; Pimenta Bueno (SVISERO et aL, 1984) no leste de Rondônia; Batovi (SVISERO & MEYER, 1986) no centro de Mato Grosso, e Janjão (SCHEIBE, 1980) no centro leste de Santa Catarina. Além disso, existem informações de caráter geral sobre a existência de kimberlitos em vários locais do Brasil coincidindo com os dados relatados anteriormente. Além de BARBOSA (1985) que menciona vários kimberlitos em Minas Gerais, Rondônia, Piauí e Mato Grosso, FRAGOMENI (1976) menciona a existência de quatro dezenas de intrusões na região de Paranatinga (MT) e SCHOBENHAUS et aL (1981) inclui no mapa geológico do Brasil vários kimberlitos em Minas Gerais, Mato Grosso e Rondônia.
Retornando  observa-se que os kimberlitos, lamproítos e intrusões conexas do oeste mineiro situam-se sobre a Faixa de Dobramentos Araxaídes, ou seja, a oeste e fora do Cráton do São Francisco. No sul da África, os kimberlitos mineralizados encontram-se dentro do Cráton do Kaapvaal (DAWSON, 1980). Circundando aquele cráton, mas fora dele, ocorrem kimberlitos estéreis, nefelinitos, melilititos e carbonatitos (MTTCHELL, 1986). Tendo em conta esse modelo, os kimberlitos do oeste mineiro teriam poucas chances de serem mineralizados. Contudo, considerando-se o quadro geológico dos lamproítos da região noroeste da Austrália (JACQUES et aL, 1985), é muito provável que no oeste mineiro exista um grande número de intrusões lamproíticas, e entre elas corpos mineralizados. É possível até que o número de lamproítos predomine sobre o de kimberlitos. Quanto ao diamante, sabe-se que uma das intrusões do Grupo Três Ranchos (GO) é mineralizada, embora o teor não seja comercial. Além desse corpo, outras duas intrusões próximas de Coromandel (MG) possuem microdiamantes. Algumas intrusões do Alto Paranaíba já foram datadas: o Kimberlito Poço Verde (DAVIS, 1977) possui 80 Ma. e o Limeira (SVISERO & BASEI, em preparação) 110 Ma. Esses números mostram que o diamante do Alto Paranaíba é cretácico concordando com as observações regionais q[ue mostram a presença de diamante associado a granadas e ilmenitas kimberlíticas nos conglomerados cretácicos em Romaria e Coromandel (SVISERO et al., 1980). Parece claro que as diatremas foram cortadas pela erosão no final do período Cretáceo, e os eventuais diamante» incorporados nos conglomerados Bauru que hoje coroam os chapadões que cobrem o Araxá e o Bambuí na região. Não obstante esses fatos, TOMPIKINS & GONZAGA (1989) defendem ponto de vista contrário e relacionam o diamante do oeste mineiro à geleiras pré-cambrianas que teriam se deslocado de norte para sul. Fora de Minas Gerais os dados são ainda incipientes e não permitem fazer qualquer avaliação sobre a origem do diamante. Sabe-se apenas que existem corpos mineralizados nas regiões de Pimenta Bueno (RO) e Juína (MT).
Concluindo, podemos dizer que embora o diamante venha sendo explorado desde o início do século dezoito no Brasil, existem poucas informações sobre suas fontes primárias, kimberlitos e lamproítos. Embora as pesquisas de kimberlitos tenham começado tardiamente em nosso país, e não obstante dificuldades de vários tipos, dispomos de dados que permitem afirmar que existem no Brasil pelo menos doze Províncias Kimberlíticas a saber: Alto Paranaíba (MG), Bambuí (MG), Amorinópolis (GO), Paranatinga (MT), Fontanilas (MT), Pontes e Lacerda (MT), Pimenta Bueno (RO), Urariquera (RR), Gilbués (PI), Picos (PI), Lages (SC) e Jaguari (RS), conforme esquema.
A Província do Alto Paranaíba é a mais conhecida e nela já foram localizados pelo menos duas centenas de corpos com características de kimberlitos e lamproítos. Faltam estudos de química mineral para definir a petrogênese dessas rochas.

A ÁGUA NA TERRA ESTÁ SE ESGOTANDO?

A ÁGUA NA TERRA ESTÁ SE ESGOTANDO? É VERDADE QUE NO FUTURO PRÓXIMO TEREMOS UMA GUERRA PELA ÁGUA?



Em vista desta histeria coletiva que se alastra pela mídia mundial contaminando a todos os menos avisados nós resolvemos elucidar uma série de pontos cuja divulgação está causando esta enorme celeuma.
O Alarmismo
O relatório anual das Nações Unidas faz terríveis projeções para o futuro da humanidade. A ONU prevê que em 2050 mais de 45% da população mundial não poderá contar com a porção mínima individual de água para necessidades básicas. Segundo dados estatísticos existem hoje 1,1 bilhão de pessoas praticamente sem acesso à água doce. Estas mesmas estatísticas projetam o caos em pouco mais de 40 anos, quando a população atingir a cifra de 10 bilhões de indivíduos.
A partir destes dados projeta-se que a próxima guerra mundial será pela água  e não pelo petróleo.
Qual o volume de água potável disponível?
  • Os dados que são utilizados pela mídia mundial são: De toda a água disponível na terra 97,6%  está concentrada nos oceanos (tabela 1.1). A água fresca corresponde aos 2,4% restantes. Você acha 2,4% pouco? Então ouça isso: destes 2,4% somente 0,31% não estão concentrados nos pólos na forma de gelo. Resumindo: de toda a água na superfície da terra menos de 0,02% está disponível em rios e lagos na forma de água fresca pronta para consumo.
    Assustado? A realidade não é tão terrível quanto estes números parecem apontar. Em sua grande maioria estes números estão sendo manipulados, por alguns, de forma a criar uma verdadeira histeria coletiva em relação a água.
    Local
    Volume (km3)
    Percentual do total (%)
    Oceanos 1.370.000 97,61
    Calotas polares e geleiras 29.000 2,08
    Água subterrânea 4.000 0,29
    Água doce de lagos 125 0,009
    Água salgada de lagos 104 0,008
    Água misturada no solo 67 0,005
    Rios 1,2 0,00009
    Vapor d’água na atmosfera 14 0,0009
    Fonte: R.G. Wetzel, 1983.
    tabela 1.1
O que está sendo feito em relação a isso?
  • Em decorrência das notícias alarmistas vários países já começam a se preparar para a venda de grandes volumes de água, pensando em lucrar em cima da necessidade dos outros. No Canadá, por exemplo, a preocupação já é com a legislação que não permite a venda de grandes volumes como é feito com o petróleo.
  • A população se prepara para tempos ruins, onde o consumo de água deverá ser significativamente reduzido. Existe uma tendência mundial de culpar e perseguir aqueles que, mesmo pagando, consomem mais.
Neste relatório iremos fornecer alguns dados, cientificamente embasados, que irão adicionar uma nova perspectiva àquela gerada pelas projeções catastróficas acima.
As reservas mundiais de água
Em primeiro lugar é importante falar que nós Brasileiros, no que diz respeito a água,  estamos muito bem, obrigado. O Brasil, Rússia, China e Canadá são os países que basicamente "controlam" as reservas de água fresca mundial.
A distribuição da água no Mundo é muito desigual e, uma grande parte do planeta está situada em regiões com carência de água. No momento cabe a estes países, em caráter de urgência, desenvolver tecnologias que permitam a captação, armazenamento e preservação da água e seus mananciais.
Antes de nos aprofundarmos nesse assunto é muito importante dizer que  apesar de termos a impressão de que a água está desaparecendo, a quantidade de água na Terra é praticamente invariável há centenas de milhões de anos. Ou seja a quantidade de água permanece a mesma o que muda é a sua distribuição e seu estado.
CICLO HIDROLÓGICO: clique na foto para aumentar
O causador deste fenômeno é um processo chamado Ciclo Hidrológico, através do qual as águas do mar e dos continentes se evaporam, formam nuvens e voltam a cair na terra sob a forma de chuva, neblina e neve. Depois escorrem para rios, lagos ou para o subsolo formando os importantes aquíferos subterrâneos, e aos poucos correm de novo para o mar mantendo o equilíbrio no sistema hidrológico do planeta (clique na foto para detalhes).
A água somente passa a ser perdida para o consumo basicamente graças à poluição e à contaminação, nunca devido ao assoreamento como muitos dizem. São estes fatores que irão inviabilizar a reutilização, causando uma redução do volume de água aproveitável da Terra.
O Brasil é altamente privilegiado em termos de disponibilidade hídrica global. Nós temos um volume médio anual de 8.130 km3, que representa um volume per capita de 50.810 m3/hab.ano. Estes números devem ser encarados com uma certa reserva pois a distribuição de água no Brasil, como veremos adiante, também é bastante irregular. A Amazônia, o lugar mais rico em água potável superficial de todo o Planeta está distante dos grandes centros urbanos nacionais.
Conclusão 1: O gerenciamento da água é que deve ser considerado o grande problema e não seu "desaparecimento". Desta forma quando o Governo tenta culpar o usuário pelo consumo excessivo de água está, na realidade, confessando a sua incapacidade em suprir este excesso de água no presente e, possivelmente, no futuro. O cidadão pode e deve evitar perdas desnecessárias do produto, mas não deve, sob hipótese nenhuma, ser responsabilizado pela falta de água. A única forma de inviabilizar a água para o consumo é a contaminação da mesma por poluentes. Portanto cabe, mais uma vez as autoridades criar leis severas que punam exemplarmente aqueles que poluem e contaminam as águas.
Como é consumida a água?
O consumo de água no planeta é que ditará as políticas de gerenciamento da água.
O consumo de água per capita varia de país para país e de lugar para lugar. Alguns exemplos abaixo.
PAÍS
CONSUMO DE ÁGUA PER CAPITA
Escócia
410 litros/pessoa/dia
Estados Unidos/Canadá
300 litros/pessoa/dia
Austrália
270 litros/pessoa/dia
Brasil RJ
140 litros/pessoa/dia
Brasil MG
124 litros/pessoa/dia
Brasil DF
225 litros/pessoa/dia
Brasil Norte
140 litros/pessoa/dia
Na tabela acima observamos que o consumo é significativamente maior nos países desenvolvidos quando comparados ao Brasil. No Brasil o maior consumo per capita é observado no Distrito Federal que é ainda 33% menor que o consumo médio do Canadá.
O principal uso de água é, sem dúvida nenhuma, na agricultura. As águas públicas, que precisam tratamento e transporte tem uma distribuição diferente. Aproximadamente 60% desta água será usada para fins domésticos, 15% para fins comerciais e 13% em indústrias. O restante para fins públicos e outras necessidades.
No Brasil o consumo de água per capita multiplicou-se por mais de dez ao longo do século 20. Mesmo assim existem milhões de cidadãos sem acesso a água de qualidade. Da mesma forma milhões de casas não tem rede de esgotos.
É necessário um investimento significativo, por parte das autoridades, neste setor. Se este investimento não for efetuado, em pouco tempo teremos o caos social derivado pela falta d'água. Neste caso o grande culpado será, mais uma vez, a falta de previsão e de investimentos do setor público e não o cidadão.
Já, nos outros países onde além do problema de gerenciamento existe a falta de reservas de água o problema poderá ser, realmente, gravíssimo no futuro próximo.
A água no Brasil
O nosso país, conforme dito, é privilegiado. Temos gigantescas reservas de água praticamente em todos os Estados com exceção dos situados no semi-árido do Nordeste.
Isso não é nenhuma novidade!
O que a maioria não sabe é que existem reservas simplesmente gigantescas, maiores ainda que aquelas contidas nos rios e lagos de superfície. São as reservas dos aquíferos subterrâneos.
A grande reserva Brasileira de água: os aquíferos subterrâneos
Lembre-se que no ciclo hidrológico, uma parte da água superficial penetra nas rochas permeáveis formando vastos lençóis freáticos também chamados de aquíferos.
O maior aqüífero conhecido do mundo, O AQÜÍFERO GUARANI, está localizado em rochas da Bacia Sedimentar do Paraná e ocupa uma área de mais de 1,2 milhões de km2. Este super-aquífero estende-se pelo Brasil, (Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul com 840.000 Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina, (255.000 Km²).
Este aqüífero pode conter mais de 40 mil quilômetros cúbicos de água o que é superior a toda a água contida nos rios e lagos de todo o planeta. Somente este fato poderia significar que o abastecimento de água Brasileiro estaria garantido , sem reciclagem e reaproveitamento por milhares e milhares de anos...imagine então se fizermos uma reciclagem, tratamento e reaproveitamento eficientes...teremos água para todo o sempre.
Estima-se que por ano o Aquífero Guarani receba 160 quilômetros cúbicos de água adicional vindas da superfície. Este é um ponto que pode ser considerado um problema ou uma solução. Se estas águas superficiais estiverem contaminadas   o aquífero será terrivelmente atingido.
A água do Guarani já abastece muitas comunidades nos Estados do Sul-Sudeste do País.
Reservatórios subterrâneos de água potável são conhecidos em todos os terrenos e regiões do Brasil. Mesmo no semi-árido do Nordeste existem gigantescos reservatórios. Somente um deles possui um volume de 18 trilhões de metros cúbicos de água disponível para o consumo humano, volume este suficiente para abastecer toda a atual população brasileira por um período de, no mínimo, 60 anos isso sem reciclagem ou reaproveitamento desta água.
O potencial de descoberta de novos aquíferos, inclusive maiores do que o próprio Guarani é muito grande. É só lembrar que 3/4 dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados da superfície Brasileira correspondem a Bacias Sedimentares como a do Paraná. Todas estas bacias contém unidades sedimentares porosas e permeáveis que podem formar excelentes aquíferos de dimensões continentais.
Em sondagens profundas (>400m) na Bacia do Amazonas (PA) podemos constatar esta verdade. Intersectamos um gigantesco aqüífero com artesianismo que até hoje fornece água ininterrupta à comunidade da Transamazônica. Este reservatório, ainda não mapeado, foi intersectado em poucos furos distantes dezenas de quilômetros o que dá uma idéia de seu volume.
Mais interessante ainda é que os aquíferos tem uma água pura, sem poluentes ou contaminantes podendo ser utilizada diretamente para consumo. Em outras palavras uma água barata e pura que não necessita de tratamento.
Conclusão 2: O Brasil tem, provavelmente, as maiores reservas de água do mundo. Estas reservas estão distribuídas em todo o Território Nacional. O mapeamento dos principais mananciais subterrâneos do Brasil deve ser uma prioridade. Mais ainda é fundamental que seja monitorada a qualidade da água que penetra nos aquíferos evitando, por intermédio de pesadas multas, a poluição e contaminação desta água o que pode comprometer um dos maiores bens do País.
Reservas alternativas de água
A única maneira de acabar com a água da Terra é acabando com o planeta.
A água está presente em praticamente todos os ambientes conhecidos. Na atmosfera, na superfície, nos aquíferos subterrâneos, nos seres vivos, nas emanações vulcânicas e também na maioria das rochas.
As rochas da crosta terrestre são ricas em minerais hidratados. Se alguém tiver interesse em calcular a quantidade de água encerrada na estrutura de minerais formadores de rocha verá que o volume é simplesmente imenso. É lógico que , nas condições atuais essas reservas são apenas teóricas, já que o custo da extração desta água será muito elevado e anti-econômico. No entanto esta tecnologia poderá ser útil na conquista de planetas com pouca água como Marte.
Soluções mais óbvias que estão sendo ou serão praticadas em breve são:
Dessalinização: A dessalinização das águas do mar e de aquíferos subterrâneos com salinidade elevada será a solução para vários países que tenham o capital, a tecnologia e o acesso à água salgada. Infelizmente a água potável gerada por estas usinas ainda será um produto caro e, naturalmente inacessível a muitos.
Tratamento de águas servidas: No processo de gerenciamento de águas este é um ponto fundamental. Os países mais desenvolvidos estão investindo pesado nesse campo. No Brasil cidades como Brasília estão se destacando no tratamento e reaproveitamento dessas águas.
Captação das águas da chuva: Em países com estações chuvosas é possível maximizar os reservatórios e estoques de água pelo uso inteligente da água de precipitação.
Por exemplo: somente a água que é precipitada na Grande S. Paulo durante os meses de janeiro a março é superior em volume a todo o consumo desta cidade em um ano. Este exemplo é válido para quase todos os locais onde existem estações chuvosas.

    Precipitação média mensal (mm) em São Paulo no período 1961-1990
 
Conclusão final: A água da terra não está acabando. Na realidade a água da superfície terrestre pode estar aumentando pela adição de água vulcânica. O valor da água deverá aumentar consideravelmente pois existem países carentes que terão que utilizar tecnologias caras ou importar água de países ricos. O Brasil não deverá ter problema de falta de água se os governantes investirem adequadamente no gerenciamento, armazenagem, tratamento e distribuição das águas. Evitar a poluição das águas deve ser considerada a prioridade número um dos Governantes.