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Grau de cristalinidade - holocristalina
a hipovítrea
Grau de visibilidade - afanítica a
subfanerítica
Tamanho dos cristais - densa a fina
Tamanho relativo dos cristais - porfirítica
com matriz inequigranular
Relação geométrica dos cristais - panidiomórfica
a hipidiomórfica
Articulação entre os cristais - irregular
Arranjo (trama) - calçamento,
poiquilítica
Acidez - ultrabásica
Sílica saturação - insaturada
Relação de feldspatos - não
se aplica (não apresenta feldspatos)
Índice de coloração - ultramelanocrática
Índice de alumina saturação - não
se aplica
Alcalinidade - alcalina
potássica
Observações - Trata-se de um
peridotito, muito comum na região de Kimberley, na África do Sul, onde é feita a
extração de diamantes. Comumente é uma rocha porfirítica que ocorre na forma de
chaminés verticais chamadas de "pipes". Kimberlito é
considerada a rocha
matriz do diamante.
Europa busca o gás do folhelho americano
As ameaças da Rússia de cortar o abastecimento de gás
da Ucrânia são suficientemente sérias para abalar a confiança dos
europeus. Afinal os gasodutos russos passam, em primeiro lugar, pela
Ucrânia. A russa Gazprom supre mais do que 25% de toda a demanda do
continente europeu de gás natural, um volume imenso que pode
simplesmente sumir.
É com essa ameaça na mente que os líderes europeus se voltam aos Estados
Unidos onde está uma possível solução para os seus problemas.
Os Estados Unidos deverão, no curto prazo, exportar o seu carvão para a
Europa. O carvão americano se tornou pouco competitivo devido aos
baixíssimos preços do gás de folhelho. Os europeus, por sua vez, viram
as suas minas de carvão fechar, a medida que as reservas se exauriram. É
natural que eles aproveitem o excesso de carvão americano no momento da
crise.
Já a possibilidade de uma exportação de grandes volumes de gás
liquefeito dos Estados Unidos, no momento, é inexistente. Os americanos
ainda estão aumentando a produção de gás com o objetivo de uma tão
esperada autossuficiência, que está perto. Só após 2017 é que os
americanos terão condições de enviar grandes quantidades de gás para a
Europa. Para atingir esse feito enormes investimentos em turbinas,
gasodutos e unidades de refrigeração deverão ser feitos. Hoje já existem
mais de 3.000 pessoas trabalhando nesse projeto que permitirá a
exportação do gás dos folhelhos, ou xistos como os brasileiros costumam
erroneamente chamar essas rochas.
Somente a planta da Cheniere Energy, em Houston, com custos superiores a
7 bilhões de dólares, poderá enviar mais do que 17% do que a Rússia
exporta para toda a Europa. Hoje, nos Estados Unidos existem mais de 20
projetos de grande porte para a exportação de gás de folhelho. Esse
enorme investimento, acima de 100 bilhões de dólares, mostra o que muita
gente aqui no Brasil não quer enxergar: o gás dos folhelhos é,
realmente, a maior revolução energética dos Estados Unidos desde a
descoberta do petróleo.
Enquanto as autoridades do Governo e a Petrobras continuam sem uma
política de investimento e desenvolvimento para as imensas reservas
brasileiras de gás e óleo do xisto os americanos revertem a sua
dependência, baixam os custos locais, viabilizam o aço e novas
indústrias e passam a ser exportadores de energia. Tudo isso em poucos
anos.
Se não fosse pela produção do gás dos folhelhos os
Estados Unidos estariam importando hoje (fonte: Governo Americano) 10
bilhões de pés cúbicos de gás natural por dia... Em 5 anos os
Estados Unidos estarão exportando essa mesma quantidade de gás...nada
mal para uma riqueza que uma década atrás estava no chão.
Os europeus, também, começam as pesquisas nos seus jazimentos de folhelhos em busca de gás e óleo.
O conflito do governo com indígenas na construção de 40 hidrelétricas na Amazônia
Para construir o complexo, o governo terá de
enfrentar 12 mil indígenas conhecidos secularmente por cortar a cabeça
de seus inimigos
Erguida em meio a uma imensidão de floresta, a 300 quilômetros do mais
próximo centro urbano pela inacabada Rodovia Transamazônica, a cidade de
Jacareacanga ganhou fama nacional ao estampar manchetes de jornais em
fevereiro de 1956. Naquele ano, militares da Aeronáutica contrários ao
então presidente, Juscelino Kubitschek, instalaram um quartel-general no
município, dominaram territórios vizinhos e ensaiaram um golpe de
Estado que acabou rapidamente reprimido. Enredo digno de cinema.
Quase 60 anos depois daquela que ficou conhecida como Revolta de
Jacareacanga, essa cidade do sudoeste do Pará ressurge agora como
cenário de uma trama tão ou mais intrigante. Nas aldeias dos arredores,
milhares de índios mundurucus – notáveis por cortar a cabeça de seus
inimigos em batalhas e usá-las como troféus, prática que se estendeu até
o final do século XIX – declararam guerra ao governo federal. No último
ano, pintaram seus corpos, empunharam flechas e bordunas para dar este
mesmo recado ao governo. “Somos caçadores de cabeça”, disse na semana
passada Josias Manhuary, de 37 anos, o líder dos guerreiros. “Se eles
insistirem na construção de hidrelétricas nas nossas terras, vamos
atacar.”
O levante mundurucu é contra os planos da presidente Dilma Rousseff de erguer uma sequência de barragens na Bacia do Rio Tapajós – tida pelos ambientalistas como um dos ecossistemas da Amazônia
mais complexos em biodiversidade e, pelos índios, como terra sagrada de
seus ancestrais. Os inventários da Agência Nacional de Energia Elétrica
(Aneel), que prospectam o potencial hídrico do Brasil,
mostram que o Rio Tapajós e seus afluentes espalhados por Mato Grosso e
pelo Pará podem abrigar mais de 40 hidrelétricas – isso garantiria uma
geração perto de 30.000 megawatts, quase o triplo da capacidade da
polêmica Belo Monte. Dessas usinas, 14 já estão no Plano de Aceleração
do Crescimento (PAC) do governo federal. Duas delas, em especial,
inspiram a atual discórdia com os indígenas: Luiz do Tapajós e Jatobá.
Estão previstas para ocupar as redondezas das cidades de Itaituba,
Trairão e Jacareacanga. Os empreendimentos estão em fase de estudos de
viabilidade. Nos próximos meses, podem receber do governo o sinal verde
para a construção.
A saga de povos indígenas contra as grandes hidrelétricas na Amazônia
não é nova. Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, demorou décadas para sair
do papel por pressão dos movimentos solidários aos índios, aos
ribeirinhos e ao meio ambiente. No caso das usinas do Tapajós, há dois
novos agravantes. O primeiro é que, depois da Constituição de 1988 (um
marco entre a ditadura e a democracia, que reconhece aos povos
tradicionais o direito sobre o território que ocupam), nunca uma
barragem no Brasil deixou uma aldeia debaixo d’água. E isso deverá
acontecer se algumas das usinas previstas para o Tapajós se tornarem uma
realidade. “As 43 hidrelétricas inundariam 1 milhão de hectares, e 22
dessas tocariam em terra indígena”, afirma o engenheiro Pedro Bara,
pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
O segundo fato inédito é que, desta vez, o governo terá de enfrentar
uma etnia com organização social sofisticada e forte histórico de
resistência. Ao contrário dos povos afetados por Belo Monte,
mais frágeis politicamente – eles acabaram falados pela prática de
fazer “listinhas de pedidos” em troca de ceder ao empreendimento –, os
mundurucus são mais difíceis de dobrar. Ao menos até agora. >> Belo Monte de concreto e aço
Enquanto outras etnias delegam poder de decisão a alguns líderes, a
tradição dos mundurucus é buscar o consenso da comunidade. Sem consenso,
não há decisão – e unanimidade não é o forte nas discussões em torno
das usinas. Até mesmo o aval para me receber com o fotógrafo foi
discutido em grupo, na língua mundurucu. Durante a deliberação, era
possível compreender poucas palavras em meio às falas atropeladas:
jornalista, despachar, hidrelétrica, compensação.
Os primeiros contatos dos mundurucus com os brancos ocorreram no final
do século XVIII. Embora tenham abandonado seus rituais de guerra ao
longo da colonização, eles mantiveram a fama de lutadores aguerridos,
devido à prática de cortar a cabeça dos inimigos e mumificá-la. Os
troféus de cabeça tinham a função de atribuir poderes mágicos aos
guerreiros. Para deixar clara sua braveza, retiravam os dentes das
vítimas e os penduravam em colares no pescoço. Aquarelas do século XIX
pintadas pelo explorador francês Hércules Florence mostram o porte
avantajado dos indígenas na época – bem diferente dos mundurucus
atarracados de hoje. Seus homens dificilmente perdiam uma batalha.
A população mundurucu é estimada em 12 mil indígenas, distribuídos por
130 aldeias nos Estados de Amazonas, Mato Grosso e Pará. Eles formam um
núcleo duro de combate que, ao longo do ano passado, deu algumas provas
de que será difícil dissuadi-los. Em maio, cerca de 140 homens,
mulheres, jovens e crianças partiram de ônibus rumo a Altamira, a 830
quilômetros de Jacareacanga. A intenção era ocupar o canteiro de obras
de Belo Monte. Por duas vezes, invadiram o empreendimento. A paralisação
durou um total de 17 dias. A índia Maria Leusa Kabá, de 26 anos, estava
grávida de cinco meses quando deixou seus outros filhos em casa para
travar a batalha contra o governo. Líder das mulheres, mãe, estudante do
ensino médio e responsável por percorrer as aldeias mostrando com
vídeos e relatos o sofrimento dos “parentes” afetados por hidrelétricas
já em andamento, ela está na linha de frente da resistência. “A gente
não troca a vida de nossas crianças e o lugar onde vivemos por
negociação nenhuma. Dinheiro acaba, nossas florestas e rios não”, diz.
Na ocasião de ocupação de Belo Monte, Maria Leusa só deixou o canteiro
de obras depois que o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da
Presidência, o homem designado pela presidente Dilma como interlocutor
com os indígenas, enviou uma carta convidando os manifestantes para uma
reunião em Brasília. Os mundurucus viajaram até a capital federal em
dois aviões camuflados da Força Aérea Brasileira (FAB). Saíram de lá com
a promessa de que seus direitos serão respeitados.
Dias depois de retornar às aldeias, os índios deram uma nova
demonstração de que a briga está só começando. Um grupo de caçadores
encontrou câmeras fotográficas espalhadas por uma de suas reservas,
enquanto percorriam a mata atrás de animais. Eram parte do material
usado por biólogos de uma empresa a serviço do governo federal, a
Concremat, para realizar os estudos de biodiversidade mas áreas
atingidas pelas barragens. Na noite do mesmo dia, os caciques decidiram
prender os pesquisadores. Cerca de 150 guerreiros atravessaram o rio na
manhã seguinte até o acampamento da equipe na margem oposta. Capturaram
os três chefes da pesquisa e expulsaram os outros. “A gente tinha
deixado nosso recado em Brasília de que não queria ninguém em nossas
terras”, diz o índio Cândido Waro. Depois de passar a noite na aldeia,
os biólogos foram levados pelos índios até Jacareacanga. Com os braços
amarrados, permaneceram expostos no coreto da cidade. Só foram liberados
quando representantes do governo chegaram de Brasília para negociar. Os
índios contam que, durante o sequestro, fizeram uma reunião para
decidir se manteriam os biólogos vivos. “É isso mesmo, votei a favor de
matar e cortar a cabeça”, afirma Waro. A Concremat diz que seus
funcionários não podem comentar o caso.
Desde então, todas as incursões de pesquisadores pelas florestas
próximas às áreas das usinas foram acompanhadas por tropas da Força
Nacional. No Rio Tapajós, barcos carregados de soldados se emparelhavam
às embarcações dos cientistas. Nos ares, segundo relatos dos locais,
aeronaves faziam voos rasantes para intimidar. A Força Nacional foi
criada em 2004 para conter a ordem, sempre que a situação foge ao
controle da segurança local. Em seu formato original, só podia ser
acionada pelo governador do Estado. A presidente Dilma alterou o papel
da Força em decreto de março do ano passado. Agora, seus homens podem
ser convocados por qualquer ministro. Também são cedidos para “prestar
auxílio à realização de levantamentos sobre impactos ambientais
negativos”. “Na prática, ela funciona como uma milícia do Estado para
reprimir quem é contra um empreendimento”, diz um funcionário do governo
federal. Procurado, o Ministério da Justiça não se manifestou.
O CUSTO DA GERAÇÃO
O imbróglio em torno das usinas só faz crescer porque, para se
desenvolver, o país precisa de energia. Represar os rios é fundamental
para garantir a geração de energia mesmo em períodos de estiagem, como a
que atinge as hidrelétricas do Sul e Sudeste do país. Segundo o
governo, o Brasil tem o terceiro maior potencial hidráulico do mundo,
depois da China e da Rússia. “Até agora, só usamos um terço desse
potencial”, afirma o engenheiro Mauricio Tolmasquim, presidente da
Empresa de Pesquisa Energética (EPE). “Graças às hidrelétricas, o país
responde por só 0,4% das emissões de todo o setor elétrico do mundo,
mesmo sendo a sétima maior economia do planeta.”
Para manter limpa a matriz energética, o Brasil pode investir em
energias alternativas, como eólica e solar. Ou ainda nas pequenas
hidrelétricas no Centro-Sul do país, com reservatórios menores. Ainda
assim, dependerá das grandes barragens – por ora, mais competitivas em
capacidade de geração e preço – para suprir a demanda nos próximos anos.
A despeito de as hidrelétricas terem vantagens climáticas, seus custos
social e ambiental são altos e, na opinião dos críticos, desconsiderados
na construção dos empreendimentos. “É preciso que haja um sacrifício
lado a lado, um equilíbrio entre a exploração do potencial de geração e a
preservação da riqueza natural e dos direitos humanos”, afirma o
advogado Raul do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA). Em coro com
outros opositores, ele reivindica que, antes de erguer as usinas do
Tapajós, o governo faça um estudo integrado dos impactos previstos para
toda a bacia – e não relatórios individuais de cada hidrelétrica, como
ocorre hoje. “Um dos problemas centrais é que continuamos discutindo
caso a caso cada usina, sem olhar para o conjunto da obra.”
Sempre que o assunto é a supressão de seus direitos, os mundurucus
sacam o argumento de que o Brasil desrespeita um acordo internacional em
vigor desde 2004. Trata-se da Convenção 169 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT). Ela assegura que os índios sejam
consultados toda vez que uma obra afete suas áreas. Com base nisso, o
Ministério Público Federal (MPF) entrou na Justiça para suspender o
licenciamento da usina São Luiz do Tapajós. Seus procuradores entendem
que os mundurucus devem ser ouvidos antes que os estudos de impacto
socioambiental, parte do licenciamento, aconteçam. “O país é cobrado lá
fora”, afirma o procurador Felício Pontes. Ele foi um dos líderes da
oposição jurídica a Belo Monte, em nome da defesa dos povos da floresta.
“Todos os empreendimentos do PAC na Amazônia, sem exceção, não ouviram
as comunidades tradicionais.” >> Grandes hidrelétricas não são economicamente viáveis, diz estudo
Há uma divergência de interpretação da Convenção 169 entre o MPF e a
Advocacia-Geral da União (AGU), responsável por defender o Estado, sobre
em que momento falar com os índios. Na visão da AGU, a consulta deve
ocorrer depois de terminados os estudos e concedida a licença prévia.
“Antes da licença prévia, não é possível saber se o empreendimento será
construído”, diz Marcelo de Siqueira, procurador-geral da AGU. Depois de
um vaivém pelos tribunais que interrompeu o licenciamento por um curto
período, o processo agora está liberado. Escutadas antes ou depois, as
populações tradicionais de todo modo não têm poder para mudar os planos
do governo. “Nossa interpretação muito clara é que não é necessário
haver concordância, não cabe às comunidades indígenas a decisão sobre o
prosseguimento”, afirma Siqueira.
DESUNIÃO INDÍGENA
Mais de 40% dos 41 mil moradores de Jacareacanga, de acordo com o Censo
de 2010, são indígenas. Pelo menos outros 20%, estima-se, são caboclos.
Ao andar pelas ruas de terra vermelha da cidade (apenas uma ou outra
tem pavimento), é comum encontrar grupos deles aglomerados pelos cantos,
raramente interagindo com um branco. Rodeada de garimpos e ponto de
parada de viajantes, Jacareacanga funciona como o que os moradores do
Norte chamam de corrutela: lugarejos longe dos centros regionais que, no
passado, davam apoio a caixeiros-viajantes e tropeiros. Há prostíbulos e
vendas mercantis aos montes.
A população indígena está representada na política da cidade. Tanto o
vice-prefeito quanto quatro dos 11 vereadores são mundurucus. Esse
quadro, apesar de positivo, tornou-se o estopim da tensão que vem
quebrando o clima pacato de Jacareacanga. Há cerca de 20 anos, os
mundurucus realizam assembleias para decidir sobre os mais variados
temas, da educação das crianças à demarcação de terras. Sempre nas
aldeias. Em agosto do ano passado, esse encontro ocorreu pela primeira
vez na cidade. No ginásio de esportes, centenas de indígenas, convocados
pela Associação Pusuru, até então a principal representante da etnia,
esperavam pela reunião. O clima esquentou quando o prefeito Raulien
Queiroz, do Partido dos Trabalhadores (PT), mudou o rumo da prosa.
Acompanhado de policiais armados, vereadores e assessores políticos,
Queiroz conduziu a reestruturação da diretoria da Pusuru sem ouvir,
segundo os indígenas, quase nenhum dos 62 caciques presentes. As faixas
contra as hidrelétricas foram retiradas. Os registros fotográficos e em
vídeo da reunião proibidos. Maria Leusa Kabá, a índia que meses antes
ocupara o canteiro de Belo Monte, foi destituída do cargo de
vice-coordenadora. Ela afirma que alguns membros da associação foram
trocados e só ficaram nos postos os aliciados pelo governo, que cederão
às usinas em troca de benefícios. “Cadê a prova? Cadê a prova de que a
gente recebe dinheiro das barragens”, diz Cândido Waro, que continua
como coordenador da Pusuru. Para os mundurucus, o encontro foi uma
tentativa de golpe para fragilizar a resistência. O prefeito Queiroz não
respondeu aos pedidos de entrevista de ÉPOCA. Na semana passada, ele se
livrou em primeira instância da cassação por uma denúncia de compra de
votos nas eleições de 2012. A Secretaria-Geral da Presidência afirma, em
nota, que o governo federal não tem interesse na divisão do povo
mundurucu e que a dissidência na organização foi uma decisão da maioria
dos caciques.
O PRÉ E O PÓS-USINAS
A cerca de 350 quilômetros de Jacareacanga, duas pequenas aldeias
mundurucus existem retiradas das demais desde os anos 1980. Seus
caciques Valter Datie e Juarez Saw fundaram novas reservas depois de
sair fugidos de suas antigas casas. Isso porque, pela tradição
mundurucu, eles são considerados pajés bravos, responsáveis por doenças,
falta de peixe, brigas e toda desgraça que pode acometer um grupo.
Quando um pajé bom – aquele que cura e tem as premonições – reconhece um
bravo, este último deve ir embora sob o risco de ser assassinado. Como
ocupam esse território há relativamente pouco tempo, as terras dos
caciques conhecidas por Sawre Muybu ainda não foram demarcadas.
E pode ser que demorem a ser. A demarcação de terra indígena exige um
relatório de identificação que atesta a ocupação da região pela
população tradicional. No caso Sawre Muybu, esse documento está na mesa
da presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Brasília desde o
ano passado – o prazo para ser assinado era junho. O dilema: sua
aprovação pode causar um mal-estar com o Ministério de Minas e Energia,
porque a Sawre Muybu está na área que será alagada pela usina São Luiz
do Tapajós. “Alagar terra indígena é inconstitucional”, afirma o cacique
Valter Datie. A Funai informou que o processo está em análise e deve
“ser conduzido em diálogo com diversos setores do governo para diminuir
eventuais conflitos”.
Enquanto a Sawre Muybu sofre com a indefinição prévia às usinas, as
cidades ao redor precisam se preparar para o impacto futuro. Se
construídas, as hidrelétricas trazem uma sucessão de mudanças para os
centros urbanos. Itaituba, o maior da região, com cerca de 97 mil
habitantes, deverá sentir mais. Tanto os efeitos positivos, como geração
de empregos e impostos, quanto os negativos, como o aumento na
violência e na especulação imobiliária. Tolmasquim, da EPE, afirma que
os municípios vizinhos devem passar incólumes por estar longe dos
paredões das barragens. Líder do consórcio de empresas que estudam a
viabilidade dos empreendimentos, a Eletrobras informa que nem Itaituba
nem Jacareacanga serão alagadas (a cheia natural do rio no último mês –
uma cheia recorde – cobriu de água as ruas dos municípios).
Para aplacar as críticas de inundações de aldeias, alagamento de
cidades, deslocamentos humanos, o governo alardeia que as usinas
seguirão o conceito das plataformas de petróleo, aquelas enormes
estruturas usadas na exploração em alto-mar. Ao ser construídas isoladas
no meio da floresta, diz, pouparão o transtorno que a aglomeração
populacional em volta das obras historicamente costuma causar. Além de
reduzir o impacto à biodiversidade.
O primeiro problema dessa ideia é que ela desconsidera o impacto
indireto do empreendimento. A maior devastação associada a uma
hidrelétrica não ocorre dentro do canteiro de obras. São o desmatamento e
a explosão de conflitos fundiários num raio de centenas de quilômetros,
gerados pelo aumento da movimentação de gente e pela infraestrutura,
como estradas e acampamentos. O segundo problema é a ausência de
detalhes sobre como as gigantescas máquinas necessárias para a
construção assim como as toneladas de cimento, pedra, areia e ferro
chegariam ao local. Especialistas dizem que, pelo rio, o transporte de
equipamentos para a obra seria impossível, especialmente no período de
seca. Por ar, impagável. Tolmasquim afirma que o uso das plataformas é
especialmente adequado no Tapajós, porque se trata de uma região vazia.
“É uma área não antropizada, quase não tem gente ali. É muito diferente
do que acontece em Belo Monte.” Difícil mesmo será explicar aos
mundurucus que suas aldeias estão no meio desse deserto popula
Contexto geológico de kimberlitos, lamproítos e ocorrências diamantíferas do Brasil
D.P. SviseroI; L.A. ChieregatiII IDepartamento de Mineralogia e Petrologia, Instituto de Geociências/USP, São Paulo IICPRM, São Paulo
O
diamante foi e continua sendo um mineral de importância histórica no
Brasil. Existem ocorrências praticamente em todo o território nacional,
exceptuando-se alguns estados nordestinos e ilhas oceânicas. O Brasil
foi o primeiro país do ocidente a lavrar diamante a partir da descoberta
de depósitos detríticos na região de Diamantina (MG) no início do
século dezoito, assumindo logo a seguir a posição de primeiro produtor
mundial. Essa situação perdurou até a segunda metade do século dezenove,
quando a descoberta da rocha matriz do diamante na África do Sul
modificou o panorama geoeconômico do diamante. O Brasil nunca mais
recuperou sua posição anterior e nos últimos anos a produção vem
representando apenas 1% do montante mundial A
mostras as principais ocorrências diamantíferas brasileiras, aqui
representadas por meio de um centro geográfico local. Partindo da região
de Tibaji (PR) que representa os depósitos mais meridionais do país, o
diamante ocorre nas regiões sul (Itararé) e nordeste (Patrocínio
Paulista) de São Paulo, Alto Paranaíba (Abaeté, Coromandel, Patos,
Estrela do Sul, Romaria) e região central de Minas (Diamantina, Grão
Mogol), Chapada Diamantina na Bahia, Pará (Marabá), Piauí (Gilbués),
Maranhão (Imperatriz), Mato Grosso (Barra dos Garças, Chapada dos
Guimarães, Aripuanã, Juína), Goiás (Aragarças, Piranhas), Mato Grosso do
Sul (Coxim), Amapá, Rondônia e Roraima. Tudo indica que existem pelo
menos duas idades distintas para o diamante: uma proterozóica,
representada pelas ocorrências do Espinhaço e de Roraima, e outra
mesozóica, para o caso dos depósitos do Alto Paranaíba (MG).
Eventualmente, os depósitos periféricos das bacias paleozóicas poderiam
representar uma terceira idade de mineralização. Apesar
da extensão das ocorrências, que traz embutida a idéia de um grande
potencial econômico, os primeiros trabalhos de prospecção de kimberlitos
só começaram no final dos anos sessenta. A partir de 1968, a Sopemi, na
época uma empresa francesa ligada ao BRGM, deslanchou uma prospecção
sistemática de kimberlitos baseada no rastreamento de minerais pesados
(granada piropo, ilmenita magnesiana, diopsídio, cromioespinélio) nos
municípios da região do Alto Paranaíba, Minas Gerais, que em pouco tempo
conduziu à localização de um grande número de intrusões kimberlíticas.
Nos anos seguintes a Sopemi estendeu esses trabalhos para os estados de
Goiás, Mato Grosso, Bahia, Pará, Rondônia, Piauí, Roraima, Mato Grosso
do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ampliando ainda mais
o número de corpos conhecidos. Paralelamente às atividades da Sopemi,
tivemos a Prospec no início dos anos setenta e a BP no início dos anos
oitenta que também realizaram prospecção de kimberlitos em vários pontos
do Brasil Nenhuma informação foi publicada por essas empresas, mas
BARBOSA (1985) estima que o número de corpos encontrados ultrapassa
cinco centenas. As
primeiras informações dos kimberlitos do Alto Paranaíba foram
apresentadas por BARBOSA et al. (1976) e SVISERO et aL (1979).
Basicamente, existe na região um grande número de corpos vulcânicos com
diâmetros entre 100 e 800 m, em geral cobertos por um solo de alteração
(yellow ground) que dificulta o mapeamento e a obtenção de rochas
frescas. Contudo, análises químicas de minerais residuais (granada,
ilmenita, diopsídio e espinélio) recolhidos sobre os diatremas
permitiram identificar os Kimberlitos Vargem, Boqueirão, Coqueiros,
Tamborete, Japecanga, Morungá, Capão da Erva, Lagoa Seca, Santa Clara,
Forca, Santa Rosa, Bonito, Tabões, Mascate e Mouras (SVISERO et aL,
1984). A aplicação de métodos geofísicos, por outro lado, permitiu
mapear os diatremas Limeira, Sucuri, Indaiá, Vargem 1 e 2 e Poço Verde.
Recentemente foram divulgados dados químicos do Kimberlito Matinha
(SVISERO & MEYER, 1986) e de um lamproíto próximo a Presidente
Olegário (LEONARDOS & ULBRICH, 1987). Encontram-se em fase de
estudos as intrusões do Pântano, Tapera, Rocinha, Divino, Santana dos
Patos, Veridiana, Ponte, Malaquias, Três Fazendas, Mirante, Serrinha,
Paraíso, Almas, Wilson e outras. Estão incluídas aqui rochas com
características de kimberlitos, em geral alteradas e formando relevo
negativo, bem como lamproítos que formam diatremas comparavelmente
maiores, com relevo positivo e rochas frescas. Observações de campo
indicaram que as intrusões do Alto Paranaíba constituem uma província
kimberlítica que se estende de Catalão (GO) até Boa Esperança (MG),
acompanhando aproximadamente a área do Soerguimento do Alto Paranaíba.
Na região de Bambuí, BARBOSA (1985) localizou os Kimberlitos Cana Verde,
Boa Esperança, Ingá, Almeida e Quartéis. Além
da região oeste de Minas Gerais, existem dados sobre alguns corpos
isolados em outros estados. Assim sendo, são conhecidos os Kimberlitos
do Redondão (SVISERO et aL, 1975) e Açude (SVISERO & MEYER, 1986)
respectivamente no sul e leste do Piauí; Pimenta Bueno (SVISERO et aL,
1984) no leste de Rondônia; Batovi (SVISERO & MEYER, 1986) no centro
de Mato Grosso, e Janjão (SCHEIBE, 1980) no centro leste de Santa
Catarina. Além disso, existem informações de caráter geral sobre a
existência de kimberlitos em vários locais do Brasil coincidindo com os
dados relatados anteriormente. Além de BARBOSA (1985) que menciona
vários kimberlitos em Minas Gerais, Rondônia, Piauí e Mato Grosso,
FRAGOMENI (1976) menciona a existência de quatro dezenas de intrusões na
região de Paranatinga (MT) e SCHOBENHAUS et aL (1981) inclui no mapa
geológico do Brasil vários kimberlitos em Minas Gerais, Mato Grosso e
Rondônia. Retornando
observa-se que os kimberlitos, lamproítos e intrusões conexas do oeste
mineiro situam-se sobre a Faixa de Dobramentos Araxaídes, ou seja, a
oeste e fora do Cráton do São Francisco. No sul da África, os
kimberlitos mineralizados encontram-se dentro do Cráton do Kaapvaal
(DAWSON, 1980). Circundando aquele cráton, mas fora dele, ocorrem
kimberlitos estéreis, nefelinitos, melilititos e carbonatitos (MTTCHELL,
1986). Tendo em conta esse modelo, os kimberlitos do oeste mineiro
teriam poucas chances de serem mineralizados. Contudo, considerando-se o
quadro geológico dos lamproítos da região noroeste da Austrália
(JACQUES et aL, 1985), é muito provável que no oeste mineiro exista um
grande número de intrusões lamproíticas, e entre elas corpos
mineralizados. É possível até que o número de lamproítos predomine sobre
o de kimberlitos. Quanto ao diamante, sabe-se que uma das intrusões do
Grupo Três Ranchos (GO) é mineralizada, embora o teor não seja
comercial. Além desse corpo, outras duas intrusões próximas de
Coromandel (MG) possuem microdiamantes. Algumas intrusões do Alto
Paranaíba já foram datadas: o Kimberlito Poço Verde (DAVIS, 1977) possui
80 Ma. e o Limeira (SVISERO & BASEI, em preparação) 110 Ma. Esses
números mostram que o diamante do Alto Paranaíba é cretácico concordando
com as observações regionais q[ue mostram a presença de diamante
associado a granadas e ilmenitas kimberlíticas nos conglomerados
cretácicos em Romaria e Coromandel (SVISERO et al., 1980). Parece claro
que as diatremas foram cortadas pela erosão no final do período
Cretáceo, e os eventuais diamante» incorporados nos conglomerados Bauru
que hoje coroam os chapadões que cobrem o Araxá e o Bambuí na região.
Não obstante esses fatos, TOMPIKINS & GONZAGA (1989) defendem ponto
de vista contrário e relacionam o diamante do oeste mineiro à geleiras
pré-cambrianas que teriam se deslocado de norte para sul. Fora de Minas
Gerais os dados são ainda incipientes e não permitem fazer qualquer
avaliação sobre a origem do diamante. Sabe-se apenas que existem corpos
mineralizados nas regiões de Pimenta Bueno (RO) e Juína (MT). Concluindo,
podemos dizer que embora o diamante venha sendo explorado desde o
início do século dezoito no Brasil, existem poucas informações sobre
suas fontes primárias, kimberlitos e lamproítos. Embora as pesquisas de
kimberlitos tenham começado tardiamente em nosso país, e não obstante
dificuldades de vários tipos, dispomos de dados que permitem afirmar que
existem no Brasil pelo menos doze Províncias Kimberlíticas a saber:
Alto Paranaíba (MG), Bambuí (MG), Amorinópolis (GO), Paranatinga (MT),
Fontanilas (MT), Pontes e Lacerda (MT), Pimenta Bueno (RO), Urariquera
(RR), Gilbués (PI), Picos (PI), Lages (SC) e Jaguari (RS), conforme
esquema. A
Província do Alto Paranaíba é a mais conhecida e nela já foram
localizados pelo menos duas centenas de corpos com características de
kimberlitos e lamproítos. Faltam estudos de química mineral para definir
a petrogênese dessas rochas.
Em
vista desta histeria coletiva que se alastra pela mídia mundial contaminando
a todos os menos avisados nós resolvemos elucidar
uma série de pontos cuja divulgação está causando esta enorme
celeuma.
O Alarmismo
O relatório anual
das Nações Unidas faz terríveis projeções para o futuro
da humanidade. A ONU prevê que em 2050 mais de 45% da população mundial não poderá
contar com a porção mínima individual de água para necessidades básicas. Segundo
dados estatísticos existem hoje 1,1 bilhão de pessoas praticamente sem acesso à
água doce. Estas mesmas estatísticas projetam o caos em pouco mais de 40 anos,
quando a população atingir a cifra de 10 bilhões de indivíduos.
A partir destes dados projeta-se que a próxima guerra
mundial será pela água e não
pelo petróleo.
Qual o volume de
água potável disponível?
Os dados que são utilizados pela mídia
mundial são: De toda a água disponível na terra 97,6% está concentrada nos
oceanos (tabela 1.1). A água fresca corresponde aos 2,4% restantes. Você acha 2,4% pouco? Então ouça isso:
destes 2,4% somente 0,31% não estão concentrados nos pólos na forma
de gelo. Resumindo: de toda a água na superfície da terra menos de 0,02% está disponível em
rios e lagos na forma de
água fresca pronta para consumo.
Assustado? A realidade
não é tão terrível quanto estes números parecem apontar. Em sua grande maioria estes
números estão sendo manipulados, por alguns, de forma a criar uma verdadeira
histeria coletiva em relação a água.
Local
Volume (km3)
Percentual
do total (%)
Oceanos
1.370.000
97,61
Calotas
polares e geleiras
29.000
2,08
Água
subterrânea
4.000
0,29
Água doce de
lagos
125
0,009
Água salgada
de lagos
104
0,008
Água misturada
no solo
67
0,005
Rios
1,2
0,00009
Vapor d’água
na atmosfera
14
0,0009
Fonte: R.G. Wetzel, 1983.
tabela 1.1
O que está sendo feito em relação a isso?
Em
decorrência das notícias alarmistas vários países já começam a se preparar para a venda de grandes volumes de
água, pensando em lucrar em cima da necessidade dos outros. No Canadá, por
exemplo, a preocupação já é com a legislação que não permite a venda de grandes
volumes como é feito com o petróleo.
A população
se prepara para tempos ruins, onde o consumo de água deverá ser
significativamente reduzido. Existe uma tendência mundial de culpar e
perseguir aqueles que, mesmo pagando, consomem mais.
Neste relatório iremos fornecer alguns dados, cientificamente embasados, que irão
adicionar uma nova perspectiva àquela gerada pelas projeções catastróficas
acima.
As reservas mundiais de água
Em primeiro lugar é
importante falar que nós Brasileiros, no que diz respeito a água, estamos muito bem, obrigado. O Brasil, Rússia, China e
Canadá são os países que basicamente "controlam" as reservas de água fresca
mundial.
A distribuição da água no Mundo é muito desigual e, uma
grande parte do planeta está situada em regiões com carência de água. No momento
cabe a estes países, em caráter de urgência, desenvolver tecnologias que
permitam a captação, armazenamento e preservação da água e seus mananciais.
Antes de nos aprofundarmos nesse assunto é muito importante
dizer que apesar de termos a
impressão de que a água está desaparecendo, a quantidade de água na Terra é
praticamente invariável há centenas de milhões de anos. Ou seja a quantidade
de água permanece a mesma o que muda é a sua distribuição e seu estado.
CICLO HIDROLÓGICO: clique na
foto para aumentar
O
causador deste fenômeno é um processo chamado Ciclo Hidrológico, através do qual as águas do
mar e dos
continentes se evaporam, formam nuvens e voltam a cair na terra sob a forma
de chuva, neblina e neve. Depois escorrem para rios, lagos ou para o subsolo
formando os importantes aquíferos subterrâneos, e aos poucos correm de novo para o mar mantendo o equilíbrio no sistema
hidrológico do planeta (clique na foto para detalhes).
A água somente passa a ser perdida para o consumo basicamente
graças à poluição e à contaminação, nunca
devido ao assoreamento como muitos dizem. São estes fatores que irão
inviabilizar a reutilização, causando uma redução do volume de água
aproveitável da Terra.
O Brasil é altamente privilegiado em termos de
disponibilidade hídrica global. Nós temos um volume médio anual de 8.130 km3,
que representa um volume per capita de 50.810 m3/hab.ano. Estes números
devem ser encarados com uma certa reserva pois a distribuição de água no
Brasil, como veremos adiante, também é bastante irregular. A Amazônia,
o lugar mais rico em água potável superficial de todo o Planeta está
distante dos grandes centros urbanos nacionais.
Conclusão 1:
O gerenciamento da água é que deve ser considerado
o grande problema e não seu "desaparecimento". Desta forma quando o Governo
tenta culpar o usuário pelo consumo excessivo de água está, na realidade,
confessando a sua incapacidade em suprir este excesso de água no presente e,
possivelmente, no futuro. O cidadão pode e deve evitar perdas desnecessárias
do produto, mas não deve, sob hipótese nenhuma, ser responsabilizado pela
falta de água. A única forma de inviabilizar a água para o consumo é a
contaminação da mesma por poluentes. Portanto cabe, mais uma vez as
autoridades criar leis severas que punam exemplarmente aqueles que poluem e
contaminam as águas.
Como é consumida a água?
O consumo de água no planeta é que ditará as políticas de
gerenciamento da água.
O consumo de água per capita varia de país para
país e de lugar para lugar. Alguns exemplos abaixo.
PAÍS
CONSUMO DE ÁGUA
PER CAPITA
Escócia
410
litros/pessoa/dia
Estados Unidos/Canadá
300
litros/pessoa/dia
Austrália
270 litros/pessoa/dia
Brasil RJ
140
litros/pessoa/dia
Brasil MG
124
litros/pessoa/dia
Brasil DF
225
litros/pessoa/dia
Brasil Norte
140
litros/pessoa/dia
Na tabela acima observamos que o consumo é
significativamente maior nos países desenvolvidos quando comparados ao
Brasil. No Brasil o maior consumo per capita é observado no Distrito Federal
que é ainda 33% menor que o consumo médio do Canadá.
O principal uso de água é, sem dúvida nenhuma, na
agricultura. As águas públicas, que precisam tratamento e transporte tem
uma distribuição diferente. Aproximadamente 60% desta água será usada para
fins domésticos, 15% para fins comerciais e 13% em indústrias. O restante
para fins públicos e outras necessidades.
No Brasil o
consumo de água per capita multiplicou-se por
mais de dez ao longo do século 20. Mesmo assim existem milhões de cidadãos sem
acesso a água de qualidade. Da mesma forma milhões de casas não tem rede de
esgotos.
É necessário um investimento significativo, por parte das
autoridades, neste setor. Se este investimento não for efetuado,
em pouco tempo teremos o caos social derivado pela falta d'água. Neste caso o
grande culpado será, mais uma vez, a falta de previsão e de investimentos do
setor público e não o cidadão.
Já, nos outros países onde além do problema de gerenciamento
existe a falta de reservas de água o problema poderá ser, realmente, gravíssimo
no futuro próximo.
A água no Brasil
O nosso país, conforme dito, é privilegiado. Temos
gigantescas reservas de água praticamente em todos os Estados com
exceção dos situados no semi-árido do Nordeste.
Isso não é nenhuma novidade!
O que a maioria não sabe é que existem reservas
simplesmente gigantescas, maiores ainda que aquelas contidas nos
rios e lagos de superfície. São as reservas dos aquíferos subterrâneos.
A grande reserva Brasileira de água: os aquíferos
subterrâneos
Lembre-se que no ciclo hidrológico, uma parte da água
superficial penetra nas rochas permeáveis formando vastos lençóis
freáticos também chamados de aquíferos.
O maior aqüífero conhecido do mundo,
O AQÜÍFERO GUARANI,
está localizado em rochas da Bacia Sedimentar do Paraná e ocupa uma área
de mais de 1,2 milhões de km2. Este super-aquífero estende-se pelo
Brasil, (Goiás,
Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul com 840.000 Km²), Paraguai (58.500
Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina, (255.000 Km²).
Este aqüífero pode conter
mais de 40
mil quilômetros cúbicos de água o que é superior a toda a água
contida nos rios e lagos de todo o planeta. Somente este fato poderia
significar que o abastecimento de água Brasileiro estaria garantido ,
sem reciclagem e reaproveitamento por milhares e milhares de anos...imagine
então se fizermos uma reciclagem, tratamento e reaproveitamento
eficientes...teremos água para todo o sempre.
Estima-se que por ano o Aquífero Guarani
receba 160 quilômetros cúbicos de água adicional vindas da superfície.
Este é um ponto que pode ser considerado um problema ou uma solução. Se
estas águas superficiais estiverem contaminadas o aquífero
será terrivelmente atingido.
A água do Guarani já abastece muitas comunidades nos Estados do Sul-Sudeste do País.
Reservatórios subterrâneos de água potável são
conhecidos em todos os terrenos e regiões do Brasil. Mesmo no semi-árido
do Nordeste
existem gigantescos reservatórios. Somente um
deles
possui um volume de 18 trilhões de metros cúbicos de água disponível
para o consumo humano, volume este suficiente para abastecer toda a
atual população brasileira por um período de, no mínimo, 60 anos isso
sem reciclagem ou reaproveitamento desta água.
O potencial de descoberta de novos aquíferos,
inclusive maiores do que o próprio Guarani é muito grande. É só
lembrar que 3/4 dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados da
superfície Brasileira correspondem a Bacias Sedimentares como a do
Paraná. Todas estas bacias contém unidades sedimentares porosas e
permeáveis que podem formar excelentes aquíferos de dimensões
continentais.
Em sondagens profundas (>400m) na Bacia do Amazonas
(PA) podemos constatar esta verdade. Intersectamos um gigantesco
aqüífero com artesianismo que até hoje fornece água ininterrupta à
comunidade da Transamazônica. Este reservatório, ainda não mapeado, foi
intersectado em poucos furos distantes dezenas de quilômetros o que dá
uma idéia de seu volume.
Mais interessante ainda é que os aquíferos tem uma
água pura, sem poluentes ou contaminantes podendo ser utilizada
diretamente para consumo. Em outras palavras uma água barata e pura que não
necessita de tratamento.
Conclusão 2:
O Brasil tem, provavelmente, as maiores
reservas de água do mundo. Estas reservas estão distribuídas em todo o
Território Nacional. O mapeamento dos principais mananciais subterrâneos
do Brasil deve ser uma prioridade. Mais ainda é fundamental que seja
monitorada a qualidade da água que penetra nos aquíferos evitando, por
intermédio de pesadas multas, a poluição e contaminação desta água o que
pode comprometer um dos maiores bens do País.
Reservas
alternativas de água
A
única maneira de acabar com a água da Terra é acabando com o planeta.
A água está presente em praticamente todos os ambientes conhecidos. Na
atmosfera, na superfície, nos aquíferos subterrâneos, nos seres vivos, nas
emanações vulcânicas e também na maioria das rochas.
As rochas da crosta terrestre são ricas em minerais hidratados.
Se alguém tiver interesse em calcular a quantidade de água encerrada na
estrutura de minerais formadores de rocha verá que o volume é simplesmente
imenso. É lógico que , nas condições atuais essas reservas são apenas teóricas,
já que o custo da extração desta água será muito elevado e anti-econômico. No
entanto esta tecnologia poderá ser útil na conquista de planetas com pouca água
como Marte.
Soluções mais óbvias que estão sendo ou serão praticadas em breve
são:
Dessalinização: A dessalinização das águas do mar e de aquíferos
subterrâneos com salinidade elevada será a solução para vários países que tenham
o capital, a tecnologia e o acesso à água salgada. Infelizmente a água potável
gerada por estas usinas ainda será um produto caro e, naturalmente inacessível a
muitos.
Tratamento de águas servidas: No processo de gerenciamento de águas este
é um ponto fundamental. Os países mais desenvolvidos estão investindo pesado
nesse campo. No Brasil cidades como Brasília estão se destacando no tratamento e
reaproveitamento dessas águas.
Captação das águas da chuva: Em países com estações chuvosas é possível
maximizar os reservatórios e estoques de água pelo uso inteligente da água de
precipitação.
Por exemplo:somente a água que
é precipitada na Grande S. Paulo durante os meses de janeiro a março é superior
em volume a todo o consumo desta cidade em um ano. Este exemplo é válido para
quase todos os locais onde existem estações chuvosas.
Precipitação média mensal (mm) em São Paulo no período 1961-1990
Conclusão final: A água da terra não está acabando. Na realidade a água da
superfície terrestre pode estar aumentando pela adição de água vulcânica. O
valor da água deverá aumentar consideravelmente pois existem países carentes que
terão que utilizar tecnologias caras ou importar água de países ricos. O Brasil
não deverá ter problema de falta de água se os governantes investirem
adequadamente no gerenciamento, armazenagem, tratamento e distribuição das
águas. Evitar a poluição das águas deve ser considerada a prioridade número um
dos Governantes.