quinta-feira, 28 de agosto de 2014

batalha de vida ou morte para mineradores de minério de ferro chineses já começou

A batalha de vida ou morte para mineradores de minério de ferro chineses já começou




A grande maioria das minas de minério de ferro chinesas estão, rapidamente, se tornando obsoletas e antieconômicas. Segundo analistas locais, como Komesaroff,  os custos médios estão acima de US$105/t, atingindo US$125/t (veja o gráfico.

Como competir com gigantes como a Vale e a Rio Tinto que colocam seus produtos em portos chineses com custos abaixo de US$40/t?

É óbvio que essas minas, todas, estão fadadas ao insucesso. Não é o desaquecimento chinês que está causando esse desequilíbrio. Os chineses continuam produzindo mais aço em 2014 do que em 2013, um crescimento acima de 5% e a demanda para minério importado cresceu 15% em 2014.

O que mata essas minas é o excesso de oferta, artificialmente criado pela trinca das gigamineradoras,  a Vale, a Rio e a BHP. É essa oferta que está derrubando os preços, que já estão cotados abaixo de US$90/t.

Esta estratégia, como já discutida amplamente pelo Portal do Geólogo visa, exclusivamente, acabar com as minas dos concorrentes. É a guerra do minério de ferro em ação.

Ironicamente as expectativas do mercado é que os preços deverão voltar a subir aos patamares de US$120/t assim que as minas chinesas e outras de alto custo, deixarem de existir.

É isso que o governo chinês quer evitar quando idealizou o megaconglomerado liderado pela Ansteel, que objetiva comprar minas competitivas em qualquer lugar do mundo para suprir, no mínimo, 50% do minério de ferro que é produzido hoje na China.

A Ansteel vai produzir, no mínimo, 440 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Esta será a resposta chinesa às investidas da trinca.

Conseguirão os chineses alcançar as suas metas? 

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Desinteresse! Candidatos debatem Brasil, mas não mencionam, em nenhum momento, a mineração

Desinteresse! Candidatos debatem Brasil, mas não mencionam, em nenhum momento, a mineração
Você sabia que existem mais de 8.870 empresas de mineração no Brasil, que geram mais de 175.000 empregos diretos e 2.275.000 empregos indiretos?

Sabia que a mineração é um importante componente do PIB brasileiro e que somente a exportação dos bens primários (sem considerar os produtos industrializados dela derivados)  correspondem a mais de 16% de toda a exportação do país?

Tenho certeza que a maioria que está lendo esta matéria já sabia. 

O que nos surpreende é que a mineração não foi mencionada em nenhum momento do longo debate, feito essa madrugada, entre os candidatos à presidência,.

  Somente o programa de Aécio toca, uma única vez, neste tema.

Parece que os candidatos ainda não entenderam que sem a mineração a economia do país não poderá se desenvolver. A mineração está na raiz da economia, na base de todas as indústrias e na composição de todos os bens industriais.

De onde vem esse desinteresse?

Será pura e simplesmente ignorância?

Minas-Rio: depois de anos de entraves a primeira polpa de minério chega ao Porto de Açu

Minas-Rio: depois de anos de entraves a primeira polpa de minério chega ao Porto de Açu
Aos poucos o conturbado projeto Minas-Rio da Anglo American começa a se materializar.

Nesta semana chegou, ao Porto de Açu, a primeira polpa de minério de ferro bombeada por 529 Km de mineroduto. Trata-se de um importante marco.

O mineroduto do Minas-Rio foi um dos principais entraves ao andamento do projeto.

No processo de implantação do mineroduto ocorreram inúmeros entraves legais, ambientais e negociações com proprietários que pareciam não ter fim.

Na primeira fase o Minas-Rio produzirá 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro sem valor agregado destinadas exclusivamente à exportação.

Bancos chineses recebem permissão para importar ouro

 Bancos chineses recebem permissão para importar ouro
O governo chinês está permitindo, a vários bancos locais, atuar na importação de ouro. Com isso a China, que já é a maior importadora do metal, passará a ter um maior poder de barganha no mercado de ouro mundial.

Os primeiros a receber a licença para importar ouro foram os bancos Shanghai Pudong Development Bank Co Ltd e o China Mer-chants Bank Co Ltd .

Desta forma a China terá 15 grandes bancos capazes de importar ouro e de operar na bolsa de ouro de Xangai,  e na zona de livre comércio que será inaugurada em setembro.

Com essa estratégia a China criará um processo de precificação de ouro próprio, assim como ocorre com os preços do minério de ferro.

O que o Brasil pode aprender com a Indonésia?

 O que o Brasil pode aprender com a Indonésia?
No início do ano a Indonésia proibiu a exportação de matérias-primas sem valor agregado. Em apenas uma assinatura o governo proibiu a venda de bauxita, níquel laterítico, e de outros minérios. Até os concentrados de cobre, mais nobres, mas com pouco valor adicionado,  entraram na lista de produtos a serem supertaxados.

Foi um Deus nos acuda.

As mineradoras pararam, os chineses gritaram e o mundo todo voltou o foco para ver os desdobramentos desta estratégia.

A forma abrupta como o Governo implantou o plano quase levou a Indonésia à falência. Parecia que a economia do país iria implodir e que o plano iria se tornar em um imenso desastre econômico. Mas, apesar dos prejuízos bilionários o Governo da Indonésia se manteve firme e, aos poucos, as mineradoras, os importadores e as siderúrgicas, forçados pelos prejuízos,  e sem ter a quem recorrer, aceitaram negociar.

Ao contrário do que nós imaginamos a Indonésia estava no controle

Como parte das negociações e das liberações das exportações as mineradoras foram obrigadas a investir pesadamente em novas plantas metalúrgicas onde o minério, que antes era exportado em bruto, passa a ter um elevado aumento de valor, resultado da transformação metalúrgica. Foi assim para o cobre, níquel, alumínio, estanho  etc...

Os motivos da rápida negociação são fáceis de entender:

Em julho as siderúrgicas chinesas importaram somente 3,1 milhões de toneladas de bauxita: uma monstruosa queda de 52,3%. A principal causa é a dificuldade que os chineses estão tendo de importar bauxita de outros países produtores, um minério barato que só dá lucro aos importadores que irão ganhar em toda a vasta cadeia do alumínio.

No mesmo período de 2013 somente a Indonésia havia exportado 4 milhões de toneladas de bauxita para a China.

Desde então os chineses tentam suprir as necessidades com minérios da Malásia e Austrália, mas não estão conseguindo equilibrar a equação.

Restou, portanto, capitular e investir na Indonésia como era a estratégia do país.

A decisão do governo obrigou os chineses a montar novas plantas de alumina e alumínio na Indonésia o que vai aumentar exponencialmente os investimentos, impostos e número de empregos, afetando a indústria e a economia local.

Assim como no alumínio várias plantas metalúrgicas estão sendo construídas em solo indonésio em um investimento bilionário que está mudando a economia do país.

Um passo gigantesco no processo de transformação. A Indonésia está deixando de ser um mero exportador de matéria prima como o Brasil ainda é para se tornar exportador de produtos nobres e industrializados.

Os resultados que a Indonésia começa a colher são extraordinários.

É uma pena que o país não negociou, previamente, com as mineradoras, uma transição inteligente evitando os megaprejuízos que essas e o próprio país tiveram.

A Indonésia é um dos primeiros países exportadores de matéria-prima a quebrar os grilhões do subdesenvolvimento mineral, coisa que até a Austrália, um país de elevado IDH ainda não conseguiu fazer.

Os australianos começam, agora, a se ressentir do fato de terem apostado no modelo extrativista-importador sem desenvolver a metalurgia e as indústrias.

O exemplo da Indonésia é, no nosso entender, um exemplo a ser seguido.

O Brasil não pode continuar a exportar quase meio bilhão de toneladas de minério de ferro, sem nenhum valor agregado, deixando aos países importadores, toda àquela gigantesca fatia dos lucros derivados da industrialização e da verticalização.

Não podemos, de forma nenhuma, nos gabar de ser um megaexportador de matéria prima.

Pelo contrário, isso deveria ser considerado um crime lesa-pátria, que as nossas gerações futuras ainda irão se ressentir.

Temos que aplicar, aqui, o exemplo que a Indonésia deu.

Esse exemplo, se bem gerenciado, pode ser adotado no Brasil e dará frutos em pouquíssimo tempo, terminando com o nosso estigma de exportadores de matéria-prima de terceiro mundo.