Com pouco mais de 1% do
território brasileiro, Santa Catarina abriga verdadeiros tesouros em seu
território. Há minas de ouro em Gaspar e Ilhota e no Litoral Norte,
mina de diamante em Lages, de rubi em Barra Velha, mármores e granitos
em Jaraguá do Sul, bauxita em Correia Pinto, e muitos outros minerais.
Quem alerta sobre essas riquezas e a
falta de uma maior exploração sustentável para incrementar a economia é o
engenheiro civil e estudioso do tema, Fernando Camacho. Ele acredita
que o recente curso de Geologia da Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC) e trabalho de reunião de publicações e pesquisas sobre o
tema pela Fapesc vão ajudar a chamar a atenção para esse potencial.
Minerais e riqueza
O engenheiro Fernando Camacho cita
como investimentos de ponta com base na exploração mineral do Estado a
Cebrace, indústria de vidros de Barra Velha, que utiliza areia do
município de Balneário Barra do Sul, e a Buschle&Lepper, de
Joinville, que produz magnésio, produto utilizado em medicamentos,
extraído da água do mar de Barra do Sul.
Segundo ele, entre os potenciais a
serem explorados estão os granitos e mármores, que podem ser processados
e utilizados na construção civil. Graduado na Escola Nacional de
Engenharia do Rio, Camacho trabalhou na construção da BR-101 em 1969 e,
depois, na sua duplicação, a partir de 1996. Ex-diretor da SDR de
Joinville, hoje é consultor.
EM BUSCA DOS DIAMANTES
Ex-garimpeiro garante que
o rio Pardo ainda tem pedras e pensa em lançar um livro
“Basta ter paciência”.
Essa era a receita dada pelo saudoso professor Hélio Castanho
de Almeida — morto em 1995 — para quem quisesse encontrar
um diamante no rio Pardo. Dez anos antes de sua morte, Castanho
era enfático ao garantir que, apesar de mais de 200 garimpeiros
terem explorado o Pardo na década de 50, o rio ainda guardaria
pedras.
Pode até ser. Mas se encontrar o diamante já é
difícil, ainda pior é achar alguém que saiba
procurá-lo: um garimpeiro “de verdade”. A prática
tão comum em Santa Cruz do Rio Pardo há algumas
décadas perdeu-se e as novas gerações pouco
ou nada sabem sobre o assunto.
É por isso que Paulo Afonso dos Santos, 70 — mineiro
de Jequitaí radicado em Santa Cruz há 20 anos —
quer colocar em um livro as técnicas do garimpo que aprendeu
com seu pai. Junto ao sonho de escrever o livro, Paulo cultiva
outro há duas décadas: encontrar, nas águas
do Pardo, um diamante. “Já sonhei diversas vezes que
estava achando esse diamante. Quando acordo, fico triste de ser
só sonho”, conta.
Paulo, assim como apostava o professor Hélio Castanho de
Almeida, tem absoluta certeza de que ainda há diamantes
no rio Pardo. Certeza que brotou de um comentário de um
parente, quando ele ainda morava em Minas Gerais e estava prestes
a se casar com uma santa-cruzense. “Você vai para Santa
Cruz do Rio Pardo? Lá tem diamante no rio”, foi a
observação feita pelo familiar.
A certeza foi aumentando quando, já instalado na cidade,
Paulo passou a observar o cascalho que vem na areia grossa para
reformas de casas. Chegando aqui, porém, o garimpeiro começou
a trabalhar no ramo de calçados e deixou adormecer, por
longos anos, o sonho do diamante. Mas a vontade de encontrá-lo
e a certeza dessa possibilidade brotaram novamente depois que
o ex-garimpeiro realizou pesquisas no rio Pardo, recolhendo cascalho
para examinar o tipo de pedra que o compõe.
Certos
tipos de pedras costumam acompanhar o diamante e o bom garimpeiro
sabe “ler” essa mensagem. Paulo aprendeu a garimpar
ainda menino, por volta dos oito anos, em um Estado onde praticamente
todos faziam isso — em alguns locais de Minas Gerais, aliás,
o garimpo ainda é freqüente. Ele já praticou
os três tipos de garimpo existentes: no leito do rio, de
gupiara (fora do leito do rio) e de virada — quando se constrói
uma barragem para desviar o curso do rio e facilitar o garimpo.
Foi no garimpo de virada em Minas Gerais que Paulo, na época
com apenas 20 anos, encontrou 126 diamantes. Renderam um bom dinheiro,
que foi dividido com colegas. Sua parte, porém, gastou
nos anos seguintes.
O tipo de garimpo mais praticado é o de leito de rio —
talvez porque nessa modalidade o garimpeiro não tenha que
pagar comissão a nenhum meieiro, o que ocorre no garimpo
de gupiara e de virada. Mas é uma técnica trabalhosa.
O garimpeiro deve, em primeiro lugar, localizar a concentração
de cascalho do rio. Paulo explica que o rio tem “bolsas”
no fundo — o que nós chamamos de “fossos”
do Pardo. Há dois tipos de bolsas: a fêmea, larga
na boca e cheia de cascalho, e o macho, de boca larga, mas estreito
no fundo. “A melhor para pegar cascalho é a fêmea”,
ensina Paulo.
Para achar as bolsas, o garimpeiro precisa ir de barco pelo rio
e usar uma sonda — uma barra de ferro comprida — para
“medir” a profundidade. O local da bolsa também
deve ser especial — não pode ser muito fundo, já
que o garimpeiro deverá retirar cerca de 50 latas de cascalho.
Depois de encontrada a bolsa, o garimpeiro deve preparar o terreiro
na margem, em um local sem barrancos. É preciso limpar
e socar o terreno, deixando a terra nua e bem plana. Com as próprias
mãos, o garimpeiro separa as pedras grandes do cascalho
— não servem para nada. O que sobra é passado
no ralo, um tipo de funil quadrado feito de ferro que separa mais
uma parte de pedras grandes.
O que restou deve ser peneirado, dentro da água. Primeiro
na peneira grossa, de aço, especial. O tamanho dos furos
impede que as pedras maiores vazem para a peneira de baixo, a
mais fina. O garimpeiro descarta novamente as pedras maiores —
mas tomando o cuidado de verificar se nenhum diamante “enorme”
ficou lá.
Quando
a peneira fina está com a quantia certa de pedras —
coisa que o garimpeiro de verdade “sente” — começa
a parte mais interessante. O garimpeiro passa a rodar a peneira,
chocando-a de vez em quando contra a água para fazer pressão.
Ao final de algumas rodadas e outras tantas batidas, ele vira
a peneira de uma só vez no terreiro preparado, para fazer
o “resumo” — o exame detalhado das pedras.
No chão, forma-se um círculo de cascalho perfeitamente
desenhado: nas bordas, apenas umas pedras minúsculas, que
podem ser amareladas ou cinzentas. O tamanho das pedras vai aumentando
gradativamente e simetricamente em direção ao centro
da peneira. Bem no meio fica o “caboclo”: as pedras
maiores e escuras, pretas ou marrons, que durante o processo vão
se aglutinando no “fundo” da peneira. Se houver diamante,
estará ali. “No meio das pedras escuras, ele salta
aos olhos. Não tem como não ver”, conta Paulo.
A sensação de encontrar um diamante, segundo o ex-garimpeiro,
é indescritível. Uma sensação que
Paulo ainda espera vivenciar no Pardo. “Acho que tudo tem
seu dia e sua hora”, comenta, cheio de esperança.
Finalmente! O primeiro kimberlito brasileiro vai entrar em produção
A canadense Majescor Resources informa que o Projeto
Braúna, para a extração de diamantes do kimberlito Braúna 3, recebeu a
licença para a construção.
Quando em produção o kimberlito Braúna 3 será a primeira mina de diamante primário em rocha kimberlítica do Brasil.
O Brasil tem mais de 1.500 kimberlitos descobertos ao longo de muitas
décadas pela De Beers, Rio Tinto, Octa Mineração, D10 e Vaaldiam. Muitos
desses pipes são diamantíferos. No entanto, graças a crise de 2008
nenhum projeto foi promovido à mina.
O kimberlito Braúna , localizado em Nordestina na Bahia, é um dos 22 kimberlitos descobertos pela De Beers há várias décadas.
A mina será a céu aberto e irá produzir 360.000 quilates por ano. Os
diamantes do Braúna são de alta qualidade com um preço médio de US$338
por quilate.
Mineração: por que devemos investir no diamante do Brasil?
O tempo de comprar é “quando houver sangue nas ruas”.
Esta é a frase de um banqueiro, o Barão de Rotschild, feita no século 18
após a derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo.
Ele estava certo e ganhou fortunas se beneficiando do pânico que seguiu a derrota da França.
Nós hoje estamos chegando a mais um momento de quase pânico entre os
investidores que não sabem o que fazer com o seu precioso dinheiro.
De um lado temos a guerra dos preços do minério de ferro que está
arrasando, a nível global, projetos, minas e mineradoras. Do outro os
preços do petróleo, também em queda, fazem o mesmo com as empresas de
energia e com as economias exportadoras.
Empresas como a Petrobras, que já foi uma das três maiores do mundo,
podem virar lixo, um penny stock com preços abaixo de US$5 por ação
sendo listadas somente em bolsas especiais para as empresas nanicas...
No meio deste tiroteio os investidores correm, atabalhoadamente, para o
ouro na expectativa de que as quedas possam ser revertidas em 2016.
Será que isso vai ocorrer?
Entretanto, a maioria esquece que o diamante está se consolidando como
um dos melhores investimentos da década e que nós no Brasil temos uma
gigantesca região cratônica, favorável, que produziu milhões de quilates
onde ainda não existem minas primárias de diamante.
O que faz o diamante tão interessante?
Simples. A produção mundial está caindo (veja o gráfico) e o consumo
mundial só faz aumentar criando um descompasso que faz os preços subirem
exponencialmente (veja o gráfico do preço do diamante de 1 quilate).
No gráfico de preços por tamanho observa-se que os preços sobem em
função da procura por um específico tamanho de pedra. De 2010 para cá as
pedras com tamanho entre 3 a 4 quilates foram as que mais subiram. São
elas que irão propiciar a lapidação de diamantes de 1 a 2 quilates tão
procurados pelas joalherias, cujas pedras atingem, quando excepcionais,
até US$33.000 por quilate.
Os diamantes pequenos, que são quase todos lapidados na Índia também estão tendo uma grande procura.
O mais interessante é que esta tendência não está sendo revertida, pois
para que isso ocorra, é preciso que as novas descobertas consigam
superar a demanda: isso está muito longe de acontecer.
Quando observamos a localização dos principais produtores do mundo
vemos que 70% deles estão na África (Congo,Botswana, Angola, Zimbabwe,
África do Sul e Namíbia), o restante no Canadá, Rússia e na Austrália.
No mapa mundi vemos, com clareza, que a produção de diamante mundial está, principalmente associada às regiões cratônicas.
São nessas regiões geologicamente estáveis e frias que ocorrem na
África, Canadá, Austrália, Rússia e Brasil que o foco da exploração e
pesquisa mundial para diamantes está concentrado. Em todas essas
regiões, com exceção do Brasil existem importantes minas primárias de diamante.
Por que não no Brasil?
É que as empresas que investiram na exploração mineral (De Beers e Rio
Tinto) e que descobriram a grande maioria dos mais de 1.500 kimberlitos
brasileiros, mesmo tendo encontrado vários pipes com teores econômicos,
nunca evidenciaram um depósito que elas considerassem de classe mundial.
Ou seja, o que elas descobriram foi, na época, considerado pequeno.
As grandes multinacionais, é lógico, também não tinham nenhum interesse
em colocar em produção novas minas brasileiras que iriam competir com as
suas próprias minas já em produção. Era muito mais interessante “sentar
em cima” do que desenvolver. Foi o que a Rio Tinto e a De Beers
fizeram.
Eventualmente elas foram embora do Brasil deixando para trás inúmeros
kimberlitos interessantes sem um bom trabalho de detalhamento. Somente
agora, que a crise de 2008 passou, e os preços subiram, alguns poderão
ser lavrados economicamente.
É o caso do kimberlito Braúna descoberto, muitas décadas atrás, pela De
Beers na Bahia, em um cluster com outros 21 corpos. O Braúna foi
retomado pela junior Lipari e, somente agora, está sendo promovido à
mina.
O Braúna deverá produzir em torno de 225.000 quilates de diamantes por
ano, por 7 anos e será o primeiro kimberlito a ser lavrado em toda a
América do Sul.
Casos similares ocorrem em todas as regiões cratônicas do Brasil, onde
são produzidos anualmente grandes quantidades de diamantes, quase todos
fora do radar do DNPM. Para o Brasil se tornar um grande produtor de
diamantes primários é só uma questão de fomento e investimento.
É óbvio que algumas coisas deverão ser mudadas na legislação, com a
aprovação de um novo Código Mineral justo, que fomente e incentive a
pesquisa mineral no país, mantendo os direitos de prioridade e
protegendo aqueles que investem.
Por que a queda do petróleo é boa para os produtores de minério de ferro?
A queda dos preços do petróleo está causando, também, uma forte redução
nos custos em vários segmentos da economia que precisam do combustível
para sobreviver.
É o caso dos transportes, por exemplo.
O frete transoceânico já caiu mais de 40%, somente neste ano, sendo que a maior parte nos últimos meses.
A Rio Tinto que ainda tem que transportar o seu minério de ferro até a
China deverá economizar US$450 milhões em um ano de frete.
No caso da Vale que tem um frete bem mais elevado, a economia será de
US$2/t de minério. Este valor é muito significativo e representa US$700
milhões de economia a cada ano, ou o equivalente ao faturamento bruto de
uma grande mina de minério de ferro com uma produção de 11 milhões de
toneladas ano.
No caso da BHP, que também é produtora de petróleo, não haverão ganhos.