Vale vai vender o ouro de Salobo
No início da década de 90 a Vale não tinha a mínima ideia dos teores reais de ouro do seu projeto Salobo.
Quando os técnicos da Rio Tinto estudavam o projeto com o objetivo de
uma aquisição perceberam que a Vale, na época, analisava o ouro em
alíquotas muito pequenas de 5 a 15 gramas. Ou seja, a variância
introduzida, uma função da granulometria do ouro e do pequeno tamanho da
alíquota analisada, era simplesmente gigantesca e os resultados finais
eram subestimados e espúrios.
Quando o assunto foi ventilado com os técnicos da Vale a mineradora
aumentou o tamanho das alíquotas e, então, apareceram os resultados
consistentes do ouro de Salobo.
Agora a Vale informa que irá vender 25% do ouro do Salobo para a Silver Wheaton.
Esta transação deverá ocorrer até o final da vida útil de Salobo.
Para concretizar o offtake agreement a Silver Wheaton pagará um valor
inicial de US$900 milhões. A partir daí ela irá pagar a onça de ouro com
um preço deflacionado, que será o menor valor entre US$400 e o preço do
mercado.
Salobo, uma jazida de mais de 1 bilhão de toneladas com 069% de cobre e
0,43g/t de ouro e créditos de molibdênio e prata, terá a capacidade de
24 Mtpa (ROM) após a expansão.
O interessante é que Salobo foi descoberta no final da década de 60 e a
Vale ficou literalmente “sentada” em cima deste depósito por mais de 42
anos...
PDAC: em época de dinheiro escasso junior companies se tornam criativas
No meio do PDAC, a maior convenção da mineração mundial em Toronto, a briga por investimentos é de vida ou morte.
Todos querem levantar algum financiamento para os seus projetos, mas
poucos estão conseguindo. A principal fonte de financiamentos está quase
seca e são poucas as junior companies que estão conseguindo fechar
algum negócio.
Muitas estão partindo para formas de financiamento pouco ortodoxas já
que as formas tradicionais de IPOs, equity financing, RTOs e private
placements estão secando.
Agora, a palavra do momento é o crowdfunding.
Crowdfunding, por incrível que pareça, é o levantamento de fundos
através das redes sociais e, principalmente, da internet. É uma
inteligente forma alternativa de conseguir dinheiro em levantamentos de
pesquisa mineral em áreas pouco desenvolvidas, mas com bom potencial
econômico.
Hoje, no PDAC, onde 25.000 prospectores de mais de 103 países lutam
pelos parcos milhões de dólares, ser criativo é o caminho do sucesso.
Para a maioria a situação é desesperadora.
Esse PDAC poderá ser o último para muitas empresas de pesquisa e
exploração mineral que jogam todas as fichas para conseguir o tão
esperado financiamento.
Nesta luta por investimentos quase tudo vale.
Na continuação veja o que os nossos competidores estão fazendo que nós
não fazemos e por que os brasileiros terão mais dificuldades para
conseguir financiamentos... Neste cenário de quase guerra o
empresário tem que provar não só a qualidade econômica e o potencial
dos seus prospectos, mas, também, a atratividade de sua região e país em
relação as demais competidoras. São dezenas de milhares de prospectos
competindo por um dinheiro escasso.
Nestas circunstâncias o investidor é o rei.
É no quesito Brasil que os brasileiros já começam em tremenda desvantagem.
O Brasil está incrivelmente mal cotado no PDAC.
Não é para menos. O Ministério de Minas e Energia e o DNPM fizeram um
“bom” trabalho, nos últimos anos, conseguindo espantar os investidores e
literalmente congelar a pesquisa mineral no Brasil como um todo.
Hoje o que se vê no Brasil é o desemprego e a desesperança.
Os laboratórios de análises químicas e as empresas de sondagem, que são
os termômetros da pesquisa mineral, estão à beira da falência, fazendo o
que for preciso para sobreviver mais um ano.
Este relatório coloca o Brasil na posição 52 quando o assunto é
atratividade de investimentos e na posição 87 no Índice de Percepção de
Políticas (IPP). Este índice considera a atratividade, ou não, das
políticas governamentais considerando pontos como legislação ambiental,
incertezas criadas pela legislação e processos administrativos, sistema
legal, impostos, incertezas referentes a áreas protegidas, áreas em
litígio, condições socioeconômicas das comunidades afetadas pela
mineração, barreiras tarifárias, estabilidade política, qualidade do
banco de dados geológico-geofísico-geoquímico e qualidade da mão de obra
existente.
Como se não bastasse a enorme dificuldade de vender o seu projeto os
mineradores brasileiros, em busca de financiamentos no PDAC, ainda tem
que lutar contra o péssimo desserviço do Governo Brasileiro que os
colocou em posições insustentáveis, como essas evidenciadas pelo
Relatório Fraser.
Mas nem todo mundo está assim tão mal representado como os mineradores brasileiros.
Isso, por exemplo, não acontece com o Peru, que além de ter um Índice de
Atratividade de Investimentos muito superior ao do Brasil está
representado, no PDAC, por uma grande comitiva liderada pelo seu
Ministro de Economia e Finanças, Alonso Segura e pela Ministra de Minas e
Energia Rosa Ortiz.
Os nossos Ministros da área continuam em Brasília tratando de assuntos “mais importantes”...
Com essa comitiva de peso o Peru passa uma mensagem importante aos
mineradores mundiais que lá querem investir. O Ministro Alonso bate
incessantemente na tecla do baixo custo de produção que a mineração
peruana tem. Alonso tem um arsenal de argumentos para atrair
investidores, entre os quais o excelente desempenho econômico do Peru
nos últimos 10 anos e as políticas governamentais que amparam e auxiliam
os mineradores.
Será que os brasileiros conseguirão atrair mais investimentos do que o pequeno Peru?
Se depender do interesse dos nossos governantes a resposta é não!.
BRICS, RICS ou CHIN? Será a hora de mudar o acrônimo BRIC retirando o B do Brasil?
O Brasil está desapontando, com a sua performance pífia, não só aos
brasileiros mas a toda uma comunidade internacional que contava com a
sua antiga pujança para vencer os obstáculos globais.
O acrônimo foi cunhado por Jim O´Neill e deveria representar aqueles
países emergentes que estavam crescendo muito acima da média e cuja
economia somada já representava uma das maiores potências econômicas do
mundo. Era a época do Brasil, Rússia, China, Índia e da África do Sul,
que caiu no colo dos BRIC, mais recentemente.
Muita coisa mudou nestes últimos três anos de gestão Dilma e o “B” dos
BRICS esmaeceu e, se nada mudar, tenderá ao desaparecimento.
O ano de 2015 será fundamental nesta equação. Se os planos do novo
Ministro Joaquim Levy não prosperarem o sonho dos BRICS será dissolvido
assim como boa parte da economia brasileira.
O que irá restar serão os RICs e, se a Rússia e a África do Sul também
tropeçarem, o que parece provável, só os CHIN (China + Índia)
sobreviverão...
Minério de ferro abaixo de US$60/t, o pior preço em 15 anos
O pior aconteceu. O preço do minério de ferro despencou mais ainda.
Agora ele foi cotado a US$59,73 em Qingdao, na China.
Em parte puxado pela previsão de um crescimento chinês de 7% e em parte
devido ao aumento da oferta causada pelo incremento da produção das
grandes mineradoras Vale, Rio Tinto e BHP, ele continua caindo até um
patamar desconhecido.
Apesar de tudo, os chineses estão aumentando a produção de aço em relação aos anos anteriores.
Somente nos primeiros dias de fevereiro a China aumentou a produção de aço em 8,14%.
A queda de 4,5% é prenúncio de mais mineradoras quebrando e paralisando.
A única coisa que sabemos é que no final desta guerra o mercado global será controlado por apenas três...
O Projeto de ouro Coringa já tem recursos calculados
A canadense Magellan Minerals está finalizando um estudo de viabilidade econômica em seu projeto Coringa oa Tapajós, Pará.
Coringa é uma mineralização de ouro associada a veios hospedados em
granitos e riolitos. A jazida será lavrada, principalmente, em uma
operação subterrânea. Segundo os estudos da Magellan o depósito Coringa
tem:
Reservas medidas: 0,93Mt @ 8,1g/t Au
Reservas indicadas: 1,29Mt @ 6,6g/t Au
Reservas inferidas: 2,7Mt @ 4,7g/t Au
O cut-off é de 2g/t ouro.
A parte do projeto que será lavrada a céu aberto tem uma reserva de 82.000 onças de ouro.