sexta-feira, 10 de julho de 2015

Quais as pedras preciosas mais caras

Quais as pedras preciosas mais caras


Quais as pedras preciosas mais caras
As pedras preciosas, ou gemas, são desde o início dos tempos um dos minerais mais apreciados e desejados, pelas suas bonitas cores e efeitos óticos que as tornam verdadeiros tesouros. É impossível ficar indiferente a uma pedra preciosa bem lapidada, dá vontade de a ter nem que seja para colocar na estante e ficar a admirá-la por longos períodos. No que se refere ao valor comercial das pedras preciosas, este está susceptível a oscilações, no entanto há uma seleção de gemas que se têm mantido no topo por muito tempo, sendo consideradas objeto de desejo de muitas pessoas, sobretudo por mulheres e joalheiros.
  • 1. Diamante vermelho


    O Diamante vermelho é a gema mais rara do mundo, uma das razões pelas quais, além do seu brilho e cor impressionantes, é também considerada a mais cara. Especula-se que existam apenas cerca de 25 verdadeiras gemas destas, cujo valor ronda os 5 milhões de reais por quilate, podendo diminuir caso o seu tom de vermelho arroxeado não seja tão intenso. A sua extração localiza-se na Austrália, no entanto são encontrados pouquíssimos exemplares por ano e a maioria deles não ultrapassa os dois quilates. O mais caro alguma vez vendido foi o Argyle Phoenix (o da imagem), de 1,56 quilates, com o valor de 4,5 milhões de reais.
    Imagem: brecorder.com
    1. Diamante vermelho
  • 2. Serendibite


    Originária do Sri Lanka e da Birmânia, esta gema de coloração azul esverdeada escura é extremamente rara, existindo apenas 3 exemplares lapidados a nível mundial, todos rondando os 0,50 quilates. As duas primeiras foram encontradas por D.P. Gunasekera, um especialista em pedras raras, e compradas a um professor suíço. Atualmente as gemas de serendibite são vendidas a cerca de 4 milhões de reais por quilate. Da sua composição invulgar e complexa fazem parte o alumínio, cálcio, magnésio, oxigênio e silicone.
    Imagem: jewelsdujour.com
    2. Serendibite
  • 3. Garnet azul


    A gema garnet surge em várias cores tais como púrpura, laranja, amarelo, verde, castanho ou até mesmo sem cor. No entanto a mais rara de todas é a azul, encontrada durante o ano de 1990 em Madagascar, o que faz dela a garnet mais cara, atualmente valendo cerca de 3 milhões de reais por quilate. Depois disso também já foi descoberta na Rússia, Turquia e Estados Unidos. Devido aos altos níveis de vanádio na sua composição, a cor da garnet azul, que na verdade é um azul esverdeado, muda para roxo na presença de luz incandescente, o que a torna ainda mais especial e cativante.
    Imagem: sedagems.com
    3. Garnet azul
  • 4. Grandidierite


    Descoberta pela primeira vez nas montanhas do Sri Lanka, pelo explorador francês Alfred Grandidier que lhe deu o nome, esta gema foi confundida com uma Serendibite. Atualmente é encontrada em Madagascar e vale cerca de 226 mil reais por quilate. A Grandidierite apresenta uma composição de magnésio, alumínio, borossilicato e ferro, sendo que este último elemento é o responsável pela sua cor verde azulada, que também se pode revelar esbranquiçada sob a luz.
    Imagem: howtobeads.com
    4. Grandidierite
  • 5. Painite


    Até ao ano de 2005 só se conheciam apenas 18 exemplares lapidados desta pedra preciosa, fato que a manteve durante alguns anos no Guiness Book of World Records como a gema mais rara do mundo. No entanto, mais recentemente, várias Painites foram encontradas na Birmânia, o que fez com que ela abandonasse essa posição. Esta pedra foi descoberta em 1950 por Arthur C.D. Pain, mineralogista e negociante de pedras preciosas, e caracteriza-se pela sua cor vermelho amarronzado, que apresenta várias matizes consoante o ângulo em que é observada. Atualmente está a valer entre 115 mil e 135 mil reais por quilate.
    Imagem: jewelsdujour.com
    5. Painite
  • 6. Musgravite


    O nome desta gema deve-se ao local onde foi encontrada: Musgrave, na Austrália, em 1967. Mais tarde outros exemplares foram encontrados na Gronelândia e Madagascar, no entanto não com a mesma qualidade dos dois encontrados no Sri Lanka em 1993. Esta gema surge em algumas cores, das quais as mais predominantes são o verde e violeta e os seus principais elementos são o magnésio, berílio e alumínio. É facilmente confundida com uma Taaffeite e apenas o espectroscópio Micro-Raman as pode distinguir com exatidão. A Musgravite chega a tingir os 79 mil reais por quilate.
    Imagem: pinterest.com
    6. Musgravite
  • 7. Jadeíta


    Esta aparente simples pedra verde e opaca está atualmente a valer cerca de 45 mil reais por quilate. Existem algumas fontes que referem erroneamente que ela rende mais de 3 milhões de dólares por quilate, mas esse dado baseia-se na venda em leilão em 1997 do colar Doubly Fortunate do qual fazem parte várias jadeítas. Esta gema apresenta-se em diferentes tons de verde e quanto mais intensa for a cor, mais cara ela se tornará. É considerada mística por muitos, é originária da Guatemala e também já foram encontrados alguns exemplares na Califórnia.
    Imagem: the10mostknown.com
    7. Jadeíta
  • 8. Rubi


    Esta gema toda a gente conhece, mas provavelmente poucos sabem que, na verdade, ela se trata de uma safira vermelha. É uma pedra preciosa extremamente cara devido à sua popularidade e raridade de bons exemplares, valendo cerca de 33 mil reais por quilate. O rubi mais valioso encontrado até hoje tem o nome de Pigeon-Blood e caracteriza-se pela particularidade de ter uma ligeira tonalidade de violeta. Atualmente são produzidos rubis artificiais que se vendem por valores mais baixos que os verdadeiros.
    Imagem: thenaturalsapphirecompany.com
    8. Rubi
  • 9. Diamante


    Conhecido por ser a gema mais dura à face da terra, o diamante partilha o mesmo valor comercial que o rubi: aproximadamente 33 mil reais por quilate. Esta pedra preciosa não é tão rara quanto a maioria presente neste artigo, mas é sem dúvida a mais popular ao longo de toda a história. É conhecida por ser incolor e transparente, no entanto por vezes surge também noutras tonalidades, sendo essas sim raras, sobretudo se forem vermelhas - o maior diamante vermelho tem o nome de Moussaieff, pesa 5.11 quilates e foi encontrado em Alto Paranaíba, no Brasil, em 1990 por um fazendeiro.
    Imagem: kleberusx.blogspot.pt
    9. Diamante
  • 10. Turmalina Paraíba


    Também em Paraíba, no Brasil, foi encontrada pela primeira vez uma gema muito valiosa, que ficou conhecida como Turmalina Paraíba. As Turmalinas são encontradas um pouco por todo o mundo, no entanto esta, também chamada de Neon Turmaline devido ao seu azul vívido, alcançou o preço mais alto, sendo avaliada em 27 mil reais por quilate. A nível mundial existem apenas 5 minas onde se pode encontrar esta gema, sendo que três delas se situam em Paraíba.
    Imagem: estudandogeologia.blogspot.pt
    10. Turmalina Paraíba
  • 11. Berilo Vermelho


    Também chamada de Bixbite ou Esmeralda Vermelha, esta gema que agora vale aproximadamente 22 mil reais por quilate, foi descoberta por acidente em 1904 pelo mineralogista Maynard Bixby, quando este procurava por urânio. Existem poucas minas de onde ela é extraída, mas a mais conhecida situa-se em Utah, nos Estados Unidos, onde ocorreu um fenômeno vulcânico que a originou. À semelhança do que acontece com as Esmeraldas, quando o Berilo Vermelho é lapidado revela veios no seu interior que tornam cada exemplar único.
    Imagem: johndyergems.com
    11. Berilo Vermelho
  • 12. Alexandrita


    Esta gema mineral muda de cor consoante a luz que incide nela, o que a torna numa das mais fascinantes e caras em todo o mundo, valendo aproximadamente 22 mil reais por quilate. Foi encontrada pela primeira vez na Rússia pelo filandês Gustaf Nordenskiold e o seu nome surge em homenagem ao Czar Alexandre II desse país. É especialmente popular na China e o Japão e atualmente é encontrada nos Montes Urais na Rússia e no estado brasileiro de Minas Gerais, mais concretamente no município de Antônio Dias.
    Imagem: blumejoias.com.br
    12. Alexandrita
  • 13. Esmeralda


    Famosa pela sua cativante cor verde, esta gema foi encontrada durante anos com relativa frequência, no entanto a maioria delas surge com inclusões, o que faz com que apenas raros exemplares sejam realmente valiosos. Atualmente um bom exemplar de Esmeralda translúcida ronda os 18 mil reais por quilate. É uma das pedras preciosas com maior dureza, situando-se entre 7.5 e 8.0 na escala da Mohs e é principalmente explorada na Colômbia, podendo também ser encontrada no Brasil, Rússia e Zimbábue.
    Imagem: infojoia.com.br
    13. Esmeralda
  • Outras pedras preciosas caras


    A lista de gemas raras e caras prolonga-se, no entanto neste artigo preferimos dar destaque apenas às treze primeiras. Além dessas sucedem-se as seguintes, de valores abaixo dos 10 mil reais:
    • Benitoite: de cor violeta e encontrada sobretudo na Califórnia, EUA, o seu preço ronda os 7 mil reais por quilate.
    • Poudretteite: descoberta pela primeira vez no Canadá, esta gema de tom rosa ronda também os 7 mil reais por quilate.
    • Demantoide: variedade em cor verde da pedra Garnet vale cerca de 4.500 reais por quilate.
    • Opala preta: com um espectro de cores fascinante, esta gema é encontrada sobretudo na Austrália e vale aproximadamente 5 mil reais por quilate.
    • Taaffeite: semelhante à Musgravite mas menos valiosa, o seu preço ronda os 4 mil reais.
    • Jeremejevita: uma bonita gema de tom azul translúcido descoberta em 1883 na Rússia. Vale cerca de 4 mil reais por quilate.
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Conselhos
  • Neste artigo as gemas estão apresentadas segundo o seu valor no mercado, da mais cara para a menos cara. No entanto esses valores todos os dias estão sujeitos a oscilações, o que significa que ao longo do tempo elas poderão tornar-se mais ou menos valiosas em relação umas às outras.

Ibama legaliza garimpo de ametista em Marabá/PA

Ibama legaliza garimpo de ametista em Marabá/PA

Mais de quatro mil garimpeiros serão beneficiados com assinatura do TAC – Termo de Ajustamento de Conduta que legalizará as atividades de exploração de ametista em garimpo na Fazenda José Miranda, em Marabá (PA). O TAC será discutido nesta segunda-feira (30) por representantes do Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, da Coopergemas – Cooperativa de Gemas do Garimpo de Ametista de Alto Bonito, do MPF – Ministério Público Federal, do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, e da SEICOM – Secretaria Estadual de Indústria e Comércio e da SECTAM – Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.
Segundo o gerente executivo do Ibama, Marcílio Monteiro, o TAC que está sendo proposto aos garimpeiros assegura direitos trabalhistas e condições dignas de vida a 4.500 garimpeiros. A decisão também beneficia dez mil famílias que participam do processo de extração de pedras semipreciosas.
O garimpo, há mais de 20 anos na ilegalidade, é explorado em terras de propriedade da família Miranda. Segundo o gerente do Ibama em Marabá, Ademir Martins, o instituto aplicou multa de R$ 21.000,00 porque o proprietário estava explorando ametista sem nenhum tipo de controle por parte de órgão ambiental numa área de lavra de 14 hectares considerada APP – Área de Preservação Permanente e, suspendeu, as atividades de extração de ametista no garimpo.
Martins explica que os garimpeiros se organizaram em cooperativa obedecendo às leis mineral e ambiental. Por isso, o Ibama em comum acordo com outros órgãos federais e estaduais está propondo que as atividades do garimpo sejam retomadas com regras estabelecidas em Termo de Ajustamento de Conduta para que se promova a inclusão social na exploração do garimpo na região.
O garimpo de Alto Bonito está localizado a 100 quilômetros na área rural de Marabá (PA), próximo à divisa do município de Parauapebas. Surgiu em 1983, mas, efetivamente começou a produzir a partir de 1984, entre 50 a 100 toneladas/mês de ametista do tipo lilás e amarelo. O mercado para pedras semipreciosas são os Estados Unidos, países europeus e asiáticos, explica o géologo Taylor Collier, diretor de mineração da Seicom.

Ocorrência de molibdênio de região de Carnaíba será estudada

Ocorrência de molibdênio de região de Carnaíba será estudada



O Estado da Bahia tem um dos poucos depósitos do molibdênio do Brasil. A região de Carnaíba, no município de Pindobaçu, é famosa pela ocorrência de esmeraldas e alexandrita e desde os anos 1960 abriga garimpeiros que buscam essas gemas, que em geral são mais valorizadas que diamante. Na região, entretanto, é muito mais frequente o aparecimento de um mineral cinza, assemelhado à grafita. Trata-se da molibdenita (MoS2), que é a principal fonte de molibdênio, elemento essencial para a produção de aços inoxidáveis usados ambientes ricos em cloretos, como na água do mar. O molibdênio é essencial para a produção de materiais de construção usados em vários segmentos industriais, incluindo a indústria de petróleo.  
A UFBA, através do Laboratório de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa, do Departamento de Ciência e Tecnologia dos Materiais da Escola Politécnica teve um projeto de pesquisa aprovado no âmbito do Edital MCT/CT-Mineral/CNPq Nº 44/2010 (Pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação aplicados às linhas temáticas do Projeto Tendências Tecnológicas do Setor Mineral). O projeto “Utilização de Técnicas Hidrometalúrgicas para Recuperação e Purificação de Molibdênio Metálico” é coordenado por Prof. Luiz Rogério Pinho de Andrade Lima e prevê a aquisição de equipamentos analíticos para completar a infraestrutura desse laboratório, que atualmente é o único da Bahia dedicado ao desenvolvimento de estudos nas áreas de Tratamento de Minérios, Hidrometalurgia, Eletrometalurgia, Pirometalurgia e Reciclagem de Materiais Inorgânicos, tão importantes para a economia do Estado da Bahia.
O laboratório participa da organização do XXIV Encontro Nacional de Tratamento de Minérios e Metalurgia Extrativa , que acontecerá no Hotel Pestana Bahia  e reunirá os principais pesquisadores do Brasil nessa área, além de importantes especialistas estrangeiros, como Fathi Habashi, professor emérito da Université Laval (Canadá).  

A turquesa de Itacupim, Pará

A turquesa de Itacupim, Pará




RESUMO
Na ilha de Itacupim, localizada na região costeira do nordeste do Pará, foram encontrados veios de fosfatos de alumínio contendo turquesa, além de quartzo e argilominerais. A ilha é sustentada por espesso perfil laterítico maturo desenvolvido sobre complexo alcalino-ultramáfico mineralizado em apatita. Os veios e vênulas são de espessura centimétrica, normalmente constituídos de wavellita fibro-radial, onde pode ser observada turquesa verde-azulada, em massas subesferolíticas, microcristalinas, intercrescidas com caulinita e oxi-hidróxidos de Mn, além de quartzo. A identificação mineral foi realizada por DRX, microscopia óptica, análises químicas de rocha total, MEV/SED. Os teores de CuO são inferiores aos das turquesas em geral, compensados por Fe2O3 e ZnO. Os subesferolitos de turquesa contêm inúmeras inclusões micrométricas de goyazita ou svanbergita. A ocorrência da turquesa, na forma de veios e vênulas, seu aspecto porcelanado e a conhecida relação desse mineral com ambiente hidrotermal sugerem que a turquesa de Itacupim também seja de origem hidrotermal, reforçada pela sua associação com wavellita, goyazita ou svanbergita, quartzo e argilominerais. Ela não foi encontrada no perfil laterítico. Seu aspecto compacto e sua cor esverdeada abrem perspectivas para seu uso como mineral de gema.
Palavras-chave: Turquesa, fosfatos de alumínio, wavellita, apatita, ilha de Itacupim, Amazônia, Brasil.

ABSTRACT
Veins and veinlets of aluminum phosphates with turquoise occur at the Itacupim Island in the coastal plain northeast the state of Pará. A thick mature lateritic iron crust rich in aluminum phosphates developed an apatite-bearing alkaline-ultramafic complex which constitutes the Island. The veins and veinlets are cm-thick, usually constituted by wavellite, fibrous to radialfibrous, with bony or porcelaneous aspect, and can turquoise. Pebbles of these phosphates inside of apatite-bearing ultramafic rocks are very common at the base of the hang wall, and locally form expressive agglomerates. Turquoise forms half spheroids and is bluish-green, microcrystalline, and is intergrown with kaolinite and Mn oxy-hydroxides. The mineral identification was carried out by XRD optic microscopy, chemical analyses by wet methods and by SEM/EDS. The lower CuO values, in comparison to turquoise elsewhere, are compensated by the higher Fe2O3 and ZnO. The spheroids display countless inclusions of micrometric goyazite or svanbergite. The turquoise relation to veins and veinlets with wavellite, goyazite or svanbergite, quartz and clay minerals, its porcelaneous aspect and well-known occurrence of turquoise in hydrothermal environment indicate that the Itacupim turquoise was formed by the same mechanism. It doesn't display any clear relationship to laterite profile. The color and compact aspect of this turquoise make it suitable for use as gems.
Keywords: Turquoise, aluminum phosphate, apatite, Itacupim island, Amazon region, Brazil.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Geológos identificam jazidas de diamantes

Geológos identificam jazidas de diamantes

Uma equipe de geólogos do governo federal identificou dezenas de novas áreas pelo país potencialmente ricas em diamantes. A maioria está no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará. Até então, informações oficiais sobre esses pontos eram escassas ou não existiam. Os detalhes dos achados ainda são mantidos em reserva. A previsão é que sejam divulgados em 2016. O governo avalia que os dados poderão atrair empresas e levar a um aumento da produção de diamantes no país.
Os trabalhos fazem parte do projeto Diamante Brasil, do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia. As pesquisas de campo começaram em 2010 e desde então geólogos visitaram cerca de 800 localidades em todo o país, recolhendo amostras de rochas, fazendo perfurações e levantando informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O objetivo, segundo o geólogo Francisco Valdir Silveira, chefe do Departamento de Recursos Minerais do CPRM e coordenador do projeto é fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro. É um levantamento inédito.
O ponto de partida da equipe foi uma lista que a De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes, deixou com o governo após anos de investimentos e atividades no Brasil. Da lista constavam coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitos kimberlitos, mas nada de detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras dessas áreas. Kimberlito é um tipo de rocha que serve como um canal do subsolo até a superfície e na qual em geral os diamantes são encontrados.
“O projeto Diamante Brasil não foi concebido para descobrir novas áreas de diamantes. Mas a grande surpresa foi que conseguimos registrar novos kimberlitos e áreas com potencial para que outros kimberlitos sejam descobertos”, disse Silveira ao Valor.
“O projeto já descobriu e cadastrou mais de 50 corpos [possíveis depósitos de diamantes no subsolo]“, disse. Em praticamente todos os Estados, segundo ele, a equipe identificou áreas com potencial para produção de diamantes. Várias delas não constavam nem do documento da De Beers. Caso, por exemplo, de um kimberlito descoberto no Rio Grande do Norte. Mas as maiores novidades estão no Norte e Centro-Oeste (Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará).
Este ano, com o trabalho de campo praticamente concluído, os geólogos do Diamante Brasil passam a se dedicar mais à descrição dos minerais encontrados e às análises dos furos das sondas. O projeto se encerra em 2014.
O diagnóstico ajudará a atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. E com isso, aumentar a produção de diamantes no país. Hoje, a produção nacional é pequena e em grande parte ilegal, diz. Brasil é signatário do Processo de Certificação Kimberley, um acordo internacional chancelado pela ONU, que exige dos países participantes documentação que ateste procedência em áreas legalizadas.
Todo o diamante que sai do Brasil é ainda produzido em áreas de aluvião – pedras retiradas de leitos de rio ou do solo. Minas Gerais, Rondônia e Mato Grosso são alguns dos Estados com atividade garimpeira expressiva. O país não tem mina aberta extraindo diamante em rocha primária, no subsolo, onde estão depósitos maiores e as pedras mais valiosas. Os novos achados podem abrir caminho para potenciais novas minas.
Reservas dos chamados diamantes industriais e também de gemas (para uso em joias) se espalham pelo país, segundo Silveira. Estes últimos são os que fazem girar mais dinheiro.
Um diamante pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Depois, um atravessador de Israel ou da Europa paga R$ 10 milhões pela pedra. E ela pode chegar a Antuérpia, por exemplo, para ser lapidada, ao preço de R$ 17 milhões, R$ 20 milhões.
Esses diamantes brutos, grandes e valiosos, também estão no radar do CPRM. O projeto ainda não conseguiu desvendar um mistério sobre a origem dos maiores diamantes do Brasil. O alvo principal é o município de Coromandel e região, no leste de Minas Gerais, onde foram encontrados nas últimas décadas grandes exemplares. Vários acima dos 400 quilates.