quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Mineração: adicionar valor ou morrer tentando...

Mineração: adicionar valor ou morrer tentando...




Durante décadas a maioria dos mineradores do mundo, incluindo as gigantes Vale, Rio Tinto e BHP, se restringiram a produzir minério com o menor valor agregado possível.

Quanto muito elas produziam concentrados, deixando para as metalúrgicas o trabalho do refino e da produção de produtos mais elaborados e, obviamente, muito mais caros.

Elas reduziam os custos e amealhavam imensos lucros sem maiores preocupações.

Este foi o modelo usado para o minério de ferro onde as mineradoras venderam bilhões de toneladas de um produto moído, baratíssimo, quase sem nenhum valor agregado, que era transformado nos países importadores como a China, Japão e Coréia em carros, eletroeletrônicos e uma miríade de mercadorias valiosas posteriormente compradas pelo país exportador.

Valor Agregado Minério de Ferro
Se olharmos essas exportações dentro de uma ótica nacionalista a venda de produtos sem adição de valor é um crime lesa-pátria. As mineradoras que estão fazendo essa lavra predatória estão pouco interessadas se a exportação de minério sem valor agregado está acabando com a riqueza de um povo, transferindo bilhões de dólares para os países importadores.

Mas esta depredação das riquezas minerais pode estar chegando ao fim.

O primeiro país a tornar ilegal a exportação de minério sem valor agregado foi a Indonésia.

Apesar da gigantesca campanha movida pelas mineradoras contra o Governo Indonésio e a significativa perda de recursos (perdeu mais de quatro bilhões de dólares no primeiro ano) , o país finalmente ganhou a queda de braço. As grandes produtoras de cobre e níquel se dobraram as leis locais e começaram a investir bilhões em plantas de processamento e metalurgia, tudo em solo da Indonésia.

Entretanto, com a queda dos preços das commodities muitas mineradoras como a Freeport não finalizaram os suas plantas metalúrgicas e solicitaram extensões de prazo e novas cotas para a exportação de concentrados. É uma nova fase da negociação.

Enquanto isso os países exportadores de matéria prime sem valor agregado como o Brasil, Austrália e países africanos, permanecem inertes sem fazer a revolução que a Indonésia corajosamente começou.

Isso obviamente dá força para as mineradoras que continuam a lucrar sem se preocupar com a dilapidação das riquezas minerais dos países onde atuam.

Apesar do modelo Indonésio não ter decolado um novo fator está forçando as mineradoras a adicionar valor aos seus produtos: a crise mundial.

A crise mundial está derrubando os preços das commodities e forçando as empresas de mineração a se adaptar. Todas estão otimizando e baixando custos, mas como estamos vendo só isso não é o suficiente.

Muitas contraíram grandes empréstimos na época das vacas gordas, que agora não mais conseguem pagar.

Todas estão lutando para sobreviver e todas terão que reinventar o business e adicionar valor aos seus produtos.

Ou morrer tentando.

É por isso que a Rio Tinto começa a processar o cobre de outras empresas e que a Vale criou um mega terminal de US$1,4 bilhões para a blendagem do seu minério na Malásia, criando novos produtos personalizados para atender diferentes clientes. A Anglo criou uma nova divisão comercial para a venda de ródio e paládio que anteriormente não eram separados. A Fortescue conseguiu o impensável e está chegando a custos operacionais por tonelada abaixo de US$18, podendo competir em melhores condições com a Vale, Rio e BHP.

Por anos as mineradoras deixaram para as grandes traders como a Trafigura, e Glencore as tarefas de blendagem de minério, refino e comércio, mas isso está mudando em decorrência da crise.

É hora de adicionar valor e isso implica em uma verdadeira reengenharia que irá afetar a geologia, mineração, processo e as demais áreas comerciais.

Em breve veremos as mineradoras procurando joint ventures ou se aventurando na produção de ferro gusa e de aço, tirando das metalúrgicas chinesas, japonesas e coreanas um grande naco do valor agregado.

Da mesma forma veremos vários países proibirem a exportação de produtos brutos, assim como foi feito na Indonésia.

É a lei da sobrevivência aplicada à mineração: se adaptar ou desaparecer.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fim do mundo? Nem tanto...

Fim do mundo? Nem tanto...




Nesta segunda, o mundo econômico acordou em meio ao pânico.

Para muitos o fim do mundo, mais um “black Monday” para outros menos criativos.

Mas o efeito manada que estamos vendo ainda é puramente especulativo e segue uma forte queda da Bolsa de Xangai de 8,5%.

Para entendermos o que o futuro nos reserva é muito importante entender o combustível que alimenta esta nova crise, que se resume em uma única frase:

O mundo está apavorado com a possibilidade de que a China não vá crescer os 7% estimados pelo governo chinês.

O que ninguém realmente sabe é se essa expectativa é verdadeira. Se for, qual será o tamanho da queda?

Como tudo que se relaciona às Bolsas de Valores, o mercado reage no boato. E, neste caso, reagiu dramaticamente, com a pouca inteligência que lhe é peculiar.

As bolsas caíram, os prejuízos serão contabilizados em trilhões de dólares. Somente a Bolsa de Xangai já teve um prejuízo de quatro trilhões de dólares desde a primeira desvalorização do Yuan em 11 de agosto deste ano.

Lembre-se que no ano passado essa mesma angústia foi repetida como um mantra, fazendo as bolsas oscilarem...e a China, mesmo assim, cresceu 7,4%, bem mais do que o estimado pelos analistas.

Agora o mundo econômico está de joelhos e os investidores vendem o que podem acentuando, mais ainda, as quedas: é o efeito manada!

O que temos de concreto é que, ao contrário dos Estados Unidos e do Brasil, a Bolsa de Xangai estava subindo dramaticamente ao longo do ano (veja o gráfico abaixo) fazendo a alegria dos investidores chineses.


Comparativo índices
Importante lembrar que em se tratando de bolsa o investidor só realiza lucro (ou prejuízo) no momento da venda. Ou seja: até poucas semanas atrás a Bolsa de Xangai estava em alta e os lucros não estavam ainda consolidados. Agora, que já se percebe a fumaça no circo, todos os investidores chineses vendem, apavorados e realizam, desta forma, o lucro de seus investimentos.

Era só o que todos esperavam: uma grande realização de lucros, pois, no momento ainda não existe nada de concreto sobre o tamanho da desaceleração chinesa.

Uma pesquisa feita na China mostra que os investidores que ocasionaram a queda disseram estar desapontados com a falta de políticas governamentais que deveriam amenizar as quedas da semana passada.

O Governo chinês reagiu e autoriza os gigantescos fundos de pensão, com ativos de US$3,5 trilhões, a investir até 30% no mercado no que pode se tornar um influxo de capital superior a um trilhão de dólares.

Para muitos não é o suficiente, mas é um primeiro passo.

A semana promete...

Bolsas caem, dólar e ouro disparam

Bolsas caem, dólar e ouro disparam




A queda das bolsas mundiais espalhou o pânico, muitos investidores buscaram refúgio no ouro.

No Brasil o grama disparou alavancado pela cotação internacional e pela alta do dólar.

O dólar, que já vinha na estratosfera, influenciado pelos inúmeros problemas brasileiros, pulou para um novo patamar de R$3,58.

Mesmo assim nem todas as ações das mineradoras subiram.

A Yamana Gold cai 3,32% a Kinross está em queda de 3,31% e a Barrick cai quase 5%.

Temores contaminam bolsas mundiais. Ações das mineradoras despencam

Temores contaminam bolsas mundiais. Ações das mineradoras despencam



O mundo acordou assustado com as notícias vindas da China.

As bolsas asiáticas despencaram com o medo da desaceleração mais rápida do que o esperado da economia da segunda maior economia mundial: a China.

A bolsa de Xangai caiu 8,5% detonando um processo de pânico que atingiu a todas as bolsas mundiais.

É a pior queda diária desde 2007.

O desastre reflete a rápida queda dos mercados financeiros, a falta de liquidez no sistema bancário chinês, a depreciação do Yuan e a desaceleração da economia chinesa.

O mundo começa a desacreditar que o país conseguirá crescer 7% conforme estimado.

Novas desvalorizações do Yuan são esperadas. A cada desvalorização da moeda chinesa os produtos de exportação chineses ficam mais baratos e os importados mais caros.

Os mercados reagiram e as commodities automaticamente caíram. O minério de ferro despencou 5,03% para US$53,28/t.

O barril de petróleo, cotado abaixo de US$40, tira o sono dos membros da OPEP, reduzindo drasticamente a riqueza dos árabes, mas baixando os custos dos países importadores.

É o pior preço desde 2009.

Com esse preço a maioria dos poços de petróleo do pré-sal passam a ser inviáveis se considerados os all-in sustaining costs (AISC).

A Petrobras balança, mas sobreviverá graças às importações de petróleo e ao não atrelamento dos preços de combustíveis do Brasil aos do mercado internacional.

Bom para a Petrobras, ruim para o povo e para as ameaçadas indústrias nacionais que não verão uma redução nos preços dos combustíveis.

Do outro lado do espectro as mineradoras veem um futuro incerto com os preços das commodities em baixa.

É o caos para aqueles países que sobrevivem da exportação para a China como o Brasil, e Austrália.

As ações da Vale caem 4%, Fortescue 14,6%, BHP 4,85% e Rio Tinto despenca quase 7% .

No meio deste cenário de fim do mundo as ações das mineradoras de ouro sobem impulsionadas pela subida do ouro acima de US$1.170/onça. A maior alta é a da AngloGold Ashanti que ultrapassa 6,4%.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Kinross reprocessará minério em Paracatu

Kinross reprocessará minério em Paracatu


A Kinross pretende iniciar no último trimestre de 2016 o projeto de reprocessamento de pilhas de minério em Paracatu, com o qual espera obter uma produção de 34 mil onças por ano, a um custo de produção de US$ 400 por onça, por um período de nove anos.
A empresa reportou que, em todas as suas operações, registrou uma queda de produção no primeiro trimestre de 2015, com um volume de 629,3 mil onças, contra 664,9 mil onças em igual período de 2014. As receitas também tiveram redução, passando de US$ 817,4 milhões no primeiro trimestre de 2014 para US$ 781,4 milhões de janeiro a março de 2015.
Em compensação, o custo de produção caiu de US$ 727 para US$ 709 por onça e All-in Sustaining Cost passou de US$ 1.001 para US$ 964. O lucro, no primeiro trimestre, somou US$ 15,3 milhões, ou US$ 0,01 por ação. No ano de 2015, a Kinross espera produzir entre 2,4 e 2,6 milhões de onças, a um custo de produção entre US$ 720 e US$ 780 por onça. Os investimentos programados devem somar US$ 725 milhões no ano.