sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Como achar um filão de ouro?

Como achar um filão de ouro?




1-procurar as grotas pequenas, nas cabeceiras que deram muito ouro;
2-levantar essas grotas com a ajuda de quem mais conhece-las e com GPS
3- Colocar todas essas informações num mapa dando importância a direção das grotas; por exemplo, se uma grota cortou um filão o atravessando, ela vai ficar enriquecida quando atravessar o filão. Aí o ouro vai ser mais grosso e vai ter mais; abaixo ele vai afinar e diminuir a produção; mas quando uma grota esta dando grosso e rica de cabo a rabo, é que ela esta seguindo o filão; ai vai se saber em que margem pagou mais, o da esquerda ou o da direita; assim com todas essas informações captadas da inteligência dos garimpeiros, deduz-se que há uma fonte primária com os seus derrames de uma direção e um comprimento definido.

Mas não se tocou ainda nesta fonte; só esta se imaginando mais ou menos onde ela esta, e a imprecisão é só de algumas centenas de metros; e também só sabemos mais ou menos do que ela é feita; se há muito cascalho manso de quartzo, é que ela é de filões ou casqueiros, se há pedras de gossan vermelhas no cascalho, estamos com a possibilidade de um gossan
Para definir a posição deste corpo primário, temos que fazer uma malha de bateia no solo na escala de 200 x 40 m, esse sistema é extremamente eficaz na prospecção de ouro, permitindo que o andamento da pesquisa seja orientado a cada dia, já que os resultados são obtidos de imediato no campo.
Lava-se o solo retirado com uma draga do tipo de fincar as estacas de fazenda e lava-se a terra com extremo cuidado; o segredo é na observação do fundo da bateia, conferindo os fagulhos e vendo o tamanho deles comparados a uma tabela de pintas;
Mais se aproxima da fonte primária, o ouro vai engrossando e vai ter mais fagulhos. Assim vira uma caça. O resultado da véspera indica onde ir amanhã; detalha-se até chegar onde tem bastante fagulhos e grossos.

Três histórias de garimpo

Três histórias de garimpo
A praga do garimpeiro
Ilustração de Marcos JardimUm dia, um garimpeiro encontrou um enorme diamante. Não disse a ninguém e, de madrugada, no meio do nevoeiro, abandonou o garimpo. Não percebeu ele que dois outros garimpeiros o vigiavam e o seguiam. No caminho de Vila Rica, esses dois o assaltaram, esfaqueando-o. Este, ao morrer, praguejou:
— Amaldiçôo esta pedra. Quem a retiver nas mãos será castigado com morte violenta!
Logo, ali, um dos assaltantes quis ficar com a responsabilidade da guarda do diamante. O outro retrucou com uma punhalada certeira no coração. Apossou-se da pedra amaldiçoada e partiu para Vila Rica.
Em Vila Rica do Ouro Preto já havia denunciantes de seus crimes. Foi preso. Tentou fugir e acabou baleado. O soldado que o revistou, escondeu consigo o diamante. Não disse a ninguém, a não ser à sua amásia. A mulher, que gostava de um vendeiro, de quem também era amante, contou a este o segredo. De noite, o vendeiro foi à casa da mulher e matou a ambos, o soldado e a amásia. Levou consigo o diamante. Ninguém poderia imaginar que ele fosse o criminoso, mas o remorso o remoía. Foi, noutro dia, à igreja e no confessionário revelou ao padre o seu crime. A igreja estava deserta. O padre, ao ver a pedra, foi açoutado pela ambição e, quando o vendeiro rezava a penitência, matou-o pelas costas, com terrível pancada. Tirando as vestes sacerdotais, o padre fugiu para a cidade de São Sebastião.
Num dos pousos, foi reconhecido pelo estalajadeiro. De noite, o dono da hospedaria viu pela fresta o padre examinando o grande diamante. Entrou no quarto armado e exigiu a pedra. O padre não aceitou e o estalajadeiro matou o hóspede.
Como outros viajantes ali de passagem acorressem ao local, o estalajadeiro só teve tempo de fugir para o quintal e partir num dos cavalos que ali estavam. Os outros foram atrás num tiroteio tremendo. Por fim caiu ferido o estalajadeiro, mas não querendo que ninguém visse a pedra, jogou-a num rio que tranqüilamente ali passava...

O poço do diamante
Logo que se casaram, vieram morar, ali, à beira daquele regato no Serro. Seu Raimundo vinha com vontade de enriquecer. O que seus pais lhe deixaram só dera para comprar aquela casa à beira do regato, com meio alqueire de terra. Mal dava para plantar umas hortaliças. Raimundo queria era minerar diamante. Mas não tinha sorte. Não havia meios de encontrá-lo. E assim iam passando os anos, os filhos nascendo e ele sempre esperando achar diamantes. A mulher não o desanimava:
— Espera, seu Raimundo, Deus há de ter pena de vosmicê.
E assim passaram-se os anos.
Raimundo já envelhecera. Os filhos e filhas já estavam crescidos. Ele já nem tinha forças para minerar.
— Olha, mulher. A nossa terra está cansada. Eu vou fazer o regato passar por entre a roça. A água vai melhorar o terreno.
Com a ajuda dos filhos, abriram a vala e fizeram as águas seguirem novo curso. Qual foi a admiração do garimpeiro quando descobriu no leito do regato um poço;
— Credo! — gritou com a satisfação. — O fundo do poço está cheio de diamantes.
Estava mesmo. Mal soubera ele, durante tantos anos, que tinha aquela riqueza ao pé de sua casa.

O diamante de pai João
Pai João era um negro muito sabido. Quando ele morava em Diamantina, um dia apareceu na casa do ouvidor e perguntou ao dito:
— Seu ouvidô, um diamante desse tamanhão — e fez um gesto expressivo — quanto deve valê?
O ouvidor, pensando que pai João tinha achado um diamante tão grande, tratou logo de agradá-lo. Convidou-o para almoçar. Tratou-o à tripa forra. Mas, quando falou em comprar, o negro informou:
— Vontade tenho de vendê para vosmecê, mas o sargento-mor tá me esperando para falá sobre isso...
E foi se despedindo.
Correu à casa do sargento-mor e fez a mesma indagação:
— Seu sargento, um diamante desse tamanhão quanto deve valê?
O sargento arregalou os olhos e procurou ajudar a pai João, convidando-o para cear. O negro encheu o pandulho, mas não fez negócio por que primeiro queria ouvir a proposta do ouvidor.
E assim, durante várias semanas, o negro enganou a ambos, comendo do bom e do melhor, sem nada decidir. O ouvidor e o sargento-mor resolveram entrar em acordo para comprar de sociedade o enorme diamante. E assim o propuseram a pai João. Este respondeu:
— Tá bom. Quando ieu encontrá um diamante desse tamanhão, eu vendo a vosmicês.
— Você, então, não tinha o diamante, negro safado?
— Ieu não disse a vosmicês que tinha. Perguntei só quanto valia...

Neguinha, histórias do garimpo

Neguinha, histórias do garimpo

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Se escutamos o termo “buscador de ouro” nossa mente possivelmente voará ao Velho Oeste, ao longínquo Oeste norte-americano de que tantos filmes temos visto, e imaginará homens com bateias tentando tirar alguma “pepita” de ouro da areia de um rio. Porém essa imagem não é propriamente exclusiva dali, senão que aconteceu em outros lugares do planeta, e de fato ainda ocorre, sem mudar quase nada, no norte do Brasil e ao sul da Venezuela.

Durante os anos 80 e 90 a pequena cidade de Boa Vista (a capital do estado nortista brasileiro de Roraima) era um dos grandes centros mundiais de extração de ouro e diamantes e em suas ruas, os pequenos negócios encarregados de sua compra existiam por centenas. As cifras são difíceis de assimilar, imagine que nos tempos de maior atividade era possível, em um único dia, ver em seu pequeno aeroporto até 600 aterrisagens e decolagens de pequenos aviões que levavam pessoas e mantimentos ao garimpo e traziam o encontrado, uma grande quantidade de ouro e diamantes.

Anúncio de um dos estabelecimentos que ainda se dedicam ao comércio de ouro e diamantes na cidade de Boa Vista.
As condições em que viviam aqueles que realizavam esta atividade eram terrivelmente duras. O trabalho era esgotante e tinham que dormir em barracas de campanha no meio da selva a centenas de quilômetros de qualquer localidade, vulneráveis às doenças e em um território sem lei.

A maioria das minas estavam localizadas em território yanomami. Afortunadamente no ano 1.991 o Governo Federal brasileiro as homologou como Terra Indígena e proibiu o garimpo, o que aliviou em grande parte a situação dos índios, que vinham sofrendo as enfermidades trazidas pelo homem branco e contra as quais não tem defesas naturais, e uma crescente contaminação cultural com o pior de nosso mundo, o álcool, a prostituição, etc.

Quando a atividade mineira acabou alguns dos milhares de garimpeiros ficaram ao redor de Boa Vista, onde viviam suas mulheres e filhos, porém muitos, sem vislumbrar outro futuro e picados pelo mosquito do “pode ser que amanhã eu encontre a pepita de ouro que me tire da miséria” partiram para Venezuela, onde continuam em sua busca sem fim.

Assim é o ouro quando se encontra na natureza.
Em Boa Vista conhecemos Neguinha, uma mulher alegre e cheia de energia que viveu no garimpo durante 5 anos. Neguinha não se nega de contar-nos sua história, a única condição é que não coloquemos sua imagem.
De onde você veio?

Como a grande maioria dos garimpeiros, venho de uma família pobre do nordeste do país. Éramos gente do Maranhão, Ceará, Piauí, Pará, Rondônia,... Ali a situação era muito difícil. Então te encontravas com alguém que tinha ido às minas e regressava com muito dinheiro, suficiente para comprar gado, casa, terras, montar um comércio... Isso te fazia pensar que tú podes conseguir o mesmo. Por isso quis ir ali, para ver si realmente era certo o que diziam.
Nem todos os que iam voltavam assim, o normal era que quem saía não regressava nunca. Recordo uma brincadeira que se contava em minha cidade naqueles anos: “Um burro estava coçando as costas na parede de uma casa e sem querer toca com a pata na porta, “toc toc toc”, a dona da casa diz lá de dentro: “pode entrar, meu marido está no garimpo”.

A perspectiva de enriquecer de um dia para outro fez que muitos homens, inclusive pais de família com filhos, deixaram suas casas e se foram. Uns poucos voltaram ricos porém a grande maioria ficou no garimpo e não voltou. Ali os homens se encontravam com um mundo de prostituição, droga, e também ambição, inveja e morte. Conheço uma história de dois cunhados que foram juntos às minas, um dia um encontrou uma pepita de ouro que pesava um quilo e meio. Seu cunhado o matou e voltou a casa com o ouro. Acredito que ainda hoje sua mulher não sabe que foi ele quem matou seu irmão.

Porém nem tudo era perverso, também houve muitas histórias de companheirismo, de pequenos grupos que colocaram tudo o que tinham para tirar de avião um companheiro enfermo, de gente que carregou um amigo caminhando durante dias para salvar-lhe a vida,... como em todos os lugares tem gente boa e má.

Em teu caso, como foi a decisão de ir ao garimpo?

Briguei com meu companheiro e nesse momento chegaram duas amigas que voltavam das minas. Me convidaram e não duvidei, peguei uma bolsa, meti a roupa que tinha e me fui, saí sem um tostão.

Como foi o começo?

Comecei no estado do Pará trabalhando como cozinheira. A atividade nas minas começava muito cedo, me levantava às 4 da manhã para fazer fogo. Depois passava o dia cozinhando, preparando arroz, feijão e carne de sol.

Pensava que conseguiria dinheiro fácil, porém foi uma desilusão. A vida era muito dura, peguei muitas malárias, contei 38, e alguma hepatite. Nunca ninguém me bateu nem me machucou de alguma maneira. Só recordo de um bêbado que tentou me obrigar a dormir com ele uma noite. Subi em uma árvore da selva e não desci até a manhã seguinte. Os gritos dos macacos me salvaram porque me assustavam tanto que não podia dormir e assim não caí da árvore. O homem me pediu perdão de manhã e nunca voltou a acontecer nada. As mulheres vão ao garimpo trabalhar como cozinheiras ou prostitutas, estas últimas chegavam ao acampamento, montavam umas barracas de pano provisórias, faziam seu trabalho, cobravam e se mandavam.

Cobrabas um salário?

O salário das cozinheiras era fixo, uma grama de ouro por dia, 30 gramas por mês porém não dava para muito porque ali tudo chegava de avião e era muito caro. Um pacote de cigarro custava 1 grama de ouro e eu fumava dois pacotes por dia, ou seja 2 gramas. Para pagar mendigava entre os companheiros e também ia ao rio e garimpava, tirava algo de ouro.

Havia tanto ouro?

Uma noite dormi na barraca com 5 quilos. O dono chegaria de avião às 8 da manhã, me chamava todo o tempo pelo rádio para ver se estava acordada. Minha vida com aqueles 5 quilos de ouro não valia nada, tinha um revólver porém os garimpeiros que o tinha tirado sabiam que eu tinha e também estavam armados, ali todo mundo estava armado.

Como se organiza o trabalho?

Normalmente se trabalha em uma equipe de 4 pessoas mais uma cozinheira. Os homens trabalham com uma máquina que vai limpando o fundo do rio. Do ouro que se tira, 30% se divide entre os 4 garimpeiros e o resto é para o dono da máquina, que é quem realmente se enriquece. Ser garimpeiro é muito sofrido, o trabalho é duro e ao final tem que pagar tudo, o avião, o diesel para a máquina, a comida,… Isso sem contar com os mosquitos, a malária, os perigos,…

Como chega o garimpeiro até as minas? Encontra trabalho facilmente?

Normalmente chega de avião. Vai porque escutou alguma “fofoca”, algum rumor de que tem ouro no lugar. Chega, coloca sua rede em algum lado e espera que surja uma vaga, que outro garimpeiro se vá. Ninguém lhe convida, ele tem que chegar e esperar que surja a oportunidade. Serão poucos dias, dois ou três. Tem quem leve sua bateia (espécie de peneira) e vão trabalhando em solitário, normalmente são estes que descobrem novas minas porque vão a lugares ainda não explorados, quando o encontram voltam à currutela (o povoado onde tem diversos serviços como um bar-armazém), tomam umas cachaças, se embebedam e soltam o rumor.

Nem sempre um rumor é real, já ocorreu de que a gente chega a um lugar no que não tem nada e depois não tem dinheiro para pagar o vôo de volta. A situação se complica e passará muita fome.

Havia indígenas nas áreas em que voce esteve? Como era a relação com eles?

Sim, os yanomami. Normalmente tínhamos uma relação de troca, eles nos davam farinha, beijú, pimenta,... e nós facas, ferramentas,…

Para ser sincera, quando os conheci pela primeira vez pensava que não eram como nós, que não eram pessoas. Não podia entender sua cultura, não choravam, queimavam seus mortos e comiam as cinzas, realizavam infanticídio,... para mim não eram gente. Porém em uma ocasião chegaram com seus filhos nos braços, doentes de gripe, chorando e implorando desesperados que levássemos seus filhos a Boa Vista no “guru-guru”, no avião, para salvar-lhes a vida. O branco lhes tinha levado as doenças. Ali entendi que éramos iguais.

Por quê deixou o mundo do garimpo?

No ano 1.992, quando a área yanomami foi homologada como Terra Indígena a polícia federal entrou no garimpo para desmantelá-lo. Eu, com anos de trabalho, tinha podido ter uma maquinaria e tinha uma equipe trabalhando para mim. Então chegaram onde estávamos e destruíram aquilo em segundos. Meteram pedras no motor e o ligaram, cortaram as mangueiras com machado, queimaram os barracos,… não ficou nada. Quando se foram nem sequer nos tiraram dali. Éramos nove pessoas e não tínhamos comida. Demoramos 22 dias para chegar a algum lugar descendo em uma balsa pelo rio. Pescávamos e parávamos na margem do rio para fazer fogo e cozinhar. As vezes os peixes vinham cheios de vermes porém com a fome que tínhamos os comíamos igual.

Naquele momento me chateei muito, porém hoje podem me oferecer 3 quilos de ouro para ir que não aceito. Tenho consciência do mal que fizemos, da destruição que causamos, do lixo que ficou, não quero mais isso. Quando cheguei a Boa Vista me ajoelhei e prometi nunca mais voltar ao garimpo, ainda que fosse na porta de minha casa, e assim tem sido, já se passaram 15 anos.

O quê aconteceu com outros garimpeiros quando se fechou a área yanomami?

Muitos se foram a área de Raposa Serra do Sol, porém eram minas de diamantes e não sabiam trabalhar bem com eles, perdiam dinheiro e se foram em seguida para Venezuela. Acredito que lá agora tem mais garimpeiros brasileiros que venezuelanos.

Qual é a situação atual do garimpo?

Diminuiu muito, porém não desapareceu. Não tem vigilância de organismos federais, só os indígenas estão fiscalizando. O garimpeiro encontra a maneira de chegar, seja andando, seja de canoa ou avião. As vezes os indígenas se zangam com os garimpeiros e ocorre algum enfrentamento. Depois as coisas se tranquilizam durante um tempo até que os garimpeiros voltem.

Desde o aeroporto já não se pode voar sem autorização, os aviões clandestinos saem de pistas no lavrado (no cerrado), porém tem radares e se é detectado o piloto tem que dar milhares de explicações, pode perder o avião e inclusive ir para a cadeia.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Riqueza dos diamantes de Tibagi não é compartilhada

Riqueza dos diamantes de Tibagi não é compartilhada

Antonio Liccardo/Divulgação
Feita há três séculos em Tibagi, exploração de diamantes não rendeu recursos ao município.
Falar de Tibagi, na região dos Campos Gerais, é falar da exploração de diamantes no Paraná. Com peneiras, escafandro ou dragas, de forma artesanal ou industrial, a exploração da pedra preciosa acontece na cidade há quase três séculos. No entanto, a riqueza que pode ter feito parte de coroas de reis europeus está longe de se traduzir em qualidade de vida para a população local. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tibagiano é um dos piores do Estado, ocupando a posição 371.º entre os 399 municípios.

A produção mundial de diamantes movimenta anualmente em torno de US$ 80 bilhões. Um campo de diamante pode ser comparado a um campo de petróleo. Mas hoje, em Tibagi, mais que o próprio diamante, é a cultura em torno do garimpo que faz parte da vida da população. E muito da perda com a extração é porque, legalmente, a atividade praticamente não existe.
Quando declarada, a produção tem que liberar uma parte dos recursos para o município e para a União. Agora, depois de dois anos no qual a exploração foi interrompida, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) concedeu a primeira guia de utilização para que uma empresa volte a atuar no Tibagi, a Tibagiana Ltda., pelo prazo de um ano.

Em Tibagi, a realidade da extração dos diamantes está muito longe da mostrada no filme Diamante de Sangue, baseado na história real da exploração do diamante que acontecia em Serra Leoa, na África, cuja venda na Europa financiava mutilações e grupos rebeldes no continente africano.
Divulgação
Registro histórico do garimpo.
No entanto, a cautela dos órgãos responsáveis pela liberação da atividade do diamante no Tibagi está no fato de que ainda não se conseguiu decifrar o "DNA do diamante", ou seja, praticamente não se consegue distinguir um diamante achado no Paraná de uma pedra garimpada na África ou no Canadá. E é aí que mora o problema. "A impossibilidade de se assegurar a origem do diamante é um forte fator atrativo para atividades irregulares, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em diversos lugares do mundo", afirma o geólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Antonio Liccardo.

De acordo com Liccardo, os diamantes encontrados no Tibagi são considerados bons, apesar de pequenos (variam de 0,04 a 2 quilates e, excepcionalmente, até 10 quilates). Cada quilate equivale a 0,2 grama. A maior parte deles é branco ou com tonalidade amarela. Os preços seguem uma tabela internacional e o valor eleva-se depois da pedra lapidada.

Um diamante de um quilate na sua melhor cor, puro, tem seu preço girando em torno de US$ 12 mil. Além da boa qualidade para aproveitamento em jóias, com os diamantes podem ser fabricadas ferramentas.

Autorização

A reportagem de O Estado questionou o DNPM sobre os pedidos de outras empresas para exploração da atividade no Rio Tibagi. A resposta do órgão foi de que as informações só poderiam ser repassadas após requerimento formal e consulta à sede em Brasília. O DNPM afirmou que a decisão foi tomada porque envolve empresas com pendências judiciais que possuem sigilo até autorização superior dentro do DNPM.

Fazendo parte da história

Fábio Alexandre
Lauro Borges e Noel Lucas, garimpeiros artesanais.
Mais que a produção empresarial, a história dos diamantes em Tibagi passa pelos garimpeiros artesanais. Para Lauro Borges de Campos, de 74 anos, o garimpo de diamante começou há 50 anos. "É um esporte. Muitas vezes saí de casa de manhã sem ter dinheiro para comprar uma caixa de fósforos e a sorte mudava ao longo do dia", relembra. Campos era um dos escafandristas que, com todo o aparato, mergulhava em busca das brilhantes pedras brancas. "No meu tempo era bem diferente. Além do capacete de bronze de 15 quilos, todo o resto da roupa com os equipamentos para mergulho dava outros 60 quilos. Não se enxergava nada no fundo do rio", conta o veterano garimpeiro, que garante que ainda hoje poderia descer e procurar as pedras.

Já aposentado, Noel Lucas dos Santos, 75 anos, resolveu começar a garimpar 20 anos atrás. "É uma satisfação e um prazer muito grande estar no rio procurando", diz. Paciente e atento, seu trabalho era peneirar o cascalho na beira do rio, trabalho para o qual precisa ter prática. Caso contrário, o resultado é nulo. "Anos atrás chegávamos a encontrar de oito a dez diamantes por dia. Hoje é mais difícil", avalia. Numa dessas vezes, ao atravessar o rio, seu Noel perdeu seu picuá (lugar em que se guardam os diamantes) com 12 pedras.

Investigações em andamento

Após suspeitas de irregularidades na comercialização dos diamantes e extração ilegal, a Polícia Federal deflagrou em 2006 a Operação Tibagi em todo o território nacional. A operação serviu para verificar o possível "esquentamento" de minerais vindos de outras regiões e fraude na comprovação da origem dos diamantes. Na época, investigações do Ministério Público Federal (MPF) indicaram que a extração e comercialização ilegal de diamantes no Paraná poderiam chegar a um volume quatro vezes maior que o declarado oficialmente. As investigações continuam em andamento na procuradoria da República de Ponta Grossa.

A ilegalidade foi descoberta durante os estudos para implantação da Usina de Mauá, quando foram verificados equipamentos de grande porte, como balsas e dragas, fazendo a extração sem a permissão do DNPM. 

Certificados

Para certificar a origem do diamante, a comunidade internacional definiu o Certificado Kimberley, garantia de que o diamante está dentro das normas internacionais e não pertence a áreas de conflito. No Brasil, a Comissão de Certificação Kimberley, em Brasília, credencia o diamante produzido no País.

CRISTAL DE ROCHA

CRISTAL DE ROCHA

O cristal de rocha faz parte da família do quartzo. É uma pedra anteriormente chamada de semi-preciosa. Ela ocorre como cristais coloridos e incolores ou fumê.

Há grandes blocos de quartzo natural pesando várias toneladas, enquanto alguns são muito pequenos, mesmo microscópicos. É habitado por pequenas inclusões de rutilo, turmalina, goethita e até mesmo ouro.
De boa qualidade, é translúcido como o vidro ou gelo. O cristal de rocha antigamente era usado extensivamente na fabricação de objetos. No período Art Deco foi amplamente utilizado na decoração de objetos de jóias finas. A base do prêmio Palma de Ouro em Cannes é em cristal de rocha. Por sua transparência perfeita, o cristal de rocha esculpida às vezes substitui mesmo o diamante.
Nós temos colares de cristal de rocha de excelente qualidade, estes são raros que nós compramos no Brasil para esculpir.
Há também o quartzo agulhas rutilo: é um quartzo fumê muito específico e em pequenas agulhas de rutilo dentro. Essas inclusões são fenômenos naturais devidos a um elemento: o dióxido de titânio: dando a impressão de cabelos dourados, daí o nome "Vênus de cabelo" para essas inclusões. As agulhas de pedra de quartzo rutilo é de uso pouco conhecido pelos joalheiro, mesmo que ele possa projetar criações muito originais.
Você pode encontrar quartzo cristal de rocha e agulhas de rutilo no Brasil, Madagascar e dos Alpes. Sua dureza é de 7 na escala de Mohs.