quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Samarco: a hora das responsabilidades

Samarco: a hora das responsabilidades



Publicado em: 14/1/2016

Aqui no Brasil a lei existe..., mas raramente é cumprida.

No caso da Samarco, um incidente de proporções mundiais, a justiça brasileira parece estar, finalmente, com a vontade de punir os responsáveis, coisa não muito comum no passado.

Quem sabe influenciada pelos novos ares vindos da Lava Jato?

O fato é que a Polícia Federal (sempre ela) indiciou executivos, funcionários e empresas no processo do rompimento da barragem do Fundão da Samarco.

Neste processo está sendo indiciado o presidente da Samarco, Ricardo Vescosi, e, também, os técnicos responsáveis pela geotecnia, monitoramento de barragens, gerência de projetos e estabilidade da barragem.

Estes indiciamentos criam um novo cenário onde técnicos, abaixo da diretoria, passam a ser responsabilizados também. Se você trabalha em áreas sensíveis onde acidentes com impactos ambientais podem ocorrer, está na hora de rever a sua posição e colocar a boca no trombone caso haja risco.

Não seja o bode expiatório!

Todos, se considerados culpados, poderão cumprir entre 1 a 5 anos de prisão.

O principal crime é o de causar “poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade” , além dos danos à propriedade e as várias mortes resultantes da catástrofe.

Outras pessoas poderão ser indiciadas como os responsáveis pela segurança , treinamentos da população e alarmes de desastre, que nunca ocorreu e causou a maioria das mortes.

Áreas potencialmente ricas em diamantes no País, especialmente no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará.

Áreas potencialmente ricas em diamantes no País, especialmente no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará.

Oito especialistas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia, mapearam e identificaram dezenas de novas áreas potencialmente ricas em diamantes no País, especialmente no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará.
Essa iniciativa faz parte do projeto Diamante Brasil, cujas pesquisas de campo começaram em 2010. Desde então, os geólogos visitaram cerca de 800 localidades em diversos estados, recolheram amostras de rochas e efetuaram perfurações para descobrir mais informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O ponto de partida para as expedições foi uma lista deixada ao governo pela empresa De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes que prestava serviços para o Brasil na área de mineração. Neste documento, constavam as coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitos kimberlitos*. Apesar das informações sobre as possíveis localidades dessas jazidas, não havia detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras, impulsionando o trabalho de campo dos geólogos.
O objetivo principal dos pesquisadores era fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro, visando atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. Essas medidas podem trazer um aumento na produção de diamantes em território nacional e coibir as práticas ilegais relacionadas a essas pedras preciosas.
Atualmente, o Brasil conta principalmente com reservas dos chamados diamantes industriais e de gemas (para uso em jóias). Os de gemas são os que fazem girar mais dinheiro, considerando que um diamante desses pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Já o valor da pedra lapidada pode chegar à R$ 20 milhões.
Os detalhes dos achados ainda são mantidos em sigilo. Com o fim do trabalho de campo, os geólogos do Diamante Brasil darão início à descrição dos minerais encontrados e as análises das perfurações feitas pelas sondas. A intenção dos pesquisadores é divulgar todos os dados em 2014.
*O que é um Kimberlito?
De acordo com Mario Luiz Chaves, doutor em geologia pela Universidade de São Paulo e professor adjunto da UFMG, kimberlitos são rochas hibridas, ígneas ultrampaficas, potássicas e ricas em voláteis, com origem a mais de 150km de profundidade e que chegam a superfície por meio de pequenas chaminés vulcânicas ou diques. Normalmente, os diamantes são encontrados neste tipo de rocha. Confira uma foto:

Os cinco maiores diamantes lapidados do mundo

A obra Diamante: a pedra, a gema, a lenda, de autoria do professor doutor Mario Luiz Chaves e do doutor em engenharia de minas Luís Chambel, aborda aspectos geológicos e de mineração relacionados aos famosos minerais e traz diversas curiosidades para os leitores. Abaixo separamos uma lista baseada no livro com dados sobre os maiores diamantes do mundo e fotos incríveis de cada um deles.
1)    Cullinan I
Essa pedra foi encontrada em 1905 na África e recebeu o nome de Cullinan em homenagem ao dono da mina, Thomas Cullinan. É considerado o maior diamante já encontrado e pesa 3.106 quilates. Atualmente, adorna o Cetro do Soberano, propriedade real da Inglaterra.
2)    Incomparable
O Incomparable, ou Imcomparável, tem uma história curiosa: foi encontrado em 1984 por uma garota em uma pilha de cascalho próxima à mina MIBA Diamond, no Congo. Considerado inútil pela administração da mina, o cascalho foi descartado com a pedra, e a menina acabou descobrindo o segundo maior diamante bruto do mundo, com 890 quilates. O corte do diamante gerou 14 gemas menores e o Incomparável, um diamante dourado com 407,48 quilates.
3)    Cullinan II
O Cullinan II, conhecido como Pequena Estrela da África, foi encontrado no mesmo ano e local que o Cullinan I. Com 317.4 quilates (63.48 g) é o terceiro maior diamante lapidado do mundo, e foi colocado na coroa imperial, também pertencente à realeza da Inglaterra.
4)    Grão Mogol
Encontrado na Índia em 1550, pesa 793 quilates. A pedra deu nome a um município em Minas Gerais. O paradeiro atual desta preciosidade é desconhecido.
5)    Nizam
O Nizam é o diamante mais antigo desta lista e foi descoberto na Índia em 1830. A pedra tem 227 quilates e já adornou coroas e joias reais (Elizabeth). Atualmente ninguém sabe ao certo qual foi o seu último destino.

O novo boom da exploração mineral e o Brasil

O novo boom da exploração mineral e o Brasil

A exaustão de muitas minas antigas juntamente com o crescimento da economia mundial e, principalmente, da China está forçando as mineradoras à um novo ciclo de exploração mineral.
Para podermos entender um boom exploratório como o que se inicia, evitando a repetição dos erros passados,  é importante revermos os conceitos e a história.
A exploração mineral no Brasil
Nas últimas décadas o Brasil passou por várias fases exploratórias distintas. Todas ditadas pelo mercado mundial e pelas suas expectativas. A evolução foi drástica. Mudaram as commodities , a metodologia, a tecnologia, os enfoques, a estratégia e a eficiência. Independente dessa imensa evolução ainda é necessário o mais importante: o ser humano que irá digerir e transformar  todos estes parâmetros em uma descoberta: o exploracionista.
Carajás e o seu impacto na exploração mineral brasileira
No nosso país, o grande divisor de águas na exploração mineral foi, sem sombra de dúvidas, a descoberta da Província Mineral de Carajás.
Até então os principais levantamentos brasileiros constituíam-se em projetos de mapeamento geológico direcionados  a embasar os trabalhos exploratórios subsequentes. A busca de petróleo na Amazônia, a descoberta de manganês na Serra do Navio, do estanho de Rondônia e da bauxita do Trombetas são os fatores determinantes que pavimentaram a descoberta maior que só ocorreu 1967.
Foi lá, em Carajás,  que a história mudou.
Nesta época, década de 60, as multinacionais americanas, como a Union Carbide e a US Steel, haviam invadido a Amazônia em busca de manganês. Foi um caso clássico de serendipity que  até hoje é discutido nas fogueiras dos acampamentos.
A US Steel, comandada pelo excepcional Gene Tolbert, chegou primeiro ao topo da Serra e a descoberta da maior jazida de ferro de alto teor do planeta foi feita.
Poucos anos depois, por intermédio de uma empresa, fruto direto de Carajás, a Terraservice, o Brasil ingressou na fase exploratória tecnológica e que, pela primeira vez, vimos a aplicação de métodos exploratórios regionais que combinavam a geologia, a geoquímica de sedimentos de corrente e a geofísica aérea. Por incrível que pareça as primeiras anomalias significativas de cobre e ouro em  Carajás, efetuadas por essa metodologia exploratória, são as mesmas que geraram os depósitos de ouro e cobre do Igarapé Bahia, Salobo, Alemão e Sossego (estes três últimos ainda não entraram em produção).
Era o acerto da equação mais importante na exploração mineral: o homem certo no lugar certo usando o método certo.
A Terraservice, que alguns anos mais tarde se transformaria em Docegeo, foi a primeira grande empresa de exploração mineral do Brasil e, provavelmente, uma das maiores e melhores do mundo naquela época.
A empresa, criada pelo mesmo Gene Tolbert de Carajás, para ser o braço exploratório da CVRD nasceu gigante, ambiciosa e vencedora. O próprio Tolbert pessoalmente entrevistou e contratou a maioria de um dos mais seletos grupos de consultores e de geólogos de exploração que o Brasil viu. A idéia era, simplesmente ambiciosa, atacar a Amazônia, o Centro-Oeste, o Centro e o Nordeste.
Tudo ao mesmo tempo.
Para realizar tal feito foram contratados, a peso de ouro, os consultores Australianos, Peruanos e Americanos cujo principal papel seria o de implantar o maior e mais avançado programa exploratório que o país havia visto, transferindo o know-how para  a equipe brasileira que seria, em 3 anos, a base da Docegeo. 
Em pouquíssimos anos o País se transformou e a década de 70 viu a melhor fase da exploração mineral brasileira. Assim como no Canadá de hoje, a exploração mineral simplesmente entrou em ebulição.
De um lado o Governo, por meio do DNPM, da CPRM, Radam e da Petrobras e do outro a Docegeo, as grandes multinacionais como a Shell, INCO, De Beers, Anglo American e outras dezenas de empresas mineradoras se digladiavam em busca de novas anomalias e novas descobertas em todo o território nacional. O geólogo de exploração era uma commodity rara e muito bem paga.
Foi quando o Brasil teve o seu território coberto por imagens de Radar e por mapeamentos geológicos regionais enquanto o Governo criava projetos pioneiros de geoquímica-geofísica e geologia em cooperação com o países como o Canadá. Tempos áureos.
Os booms exploratórios
Era a fase dos metais básicos. O mundo precisava de cobre, chumbo, zinco e níquel para alimentar as suas indústrias.
Até então já havíamos visto booms similares mas que nunca haviam atingido de forma tão marcante o Brasil.
O interessante é que a exploração mineral, na época, era feita somente pelas major companies. No após guerra a exploração consistia de levantamentos geológicos seguidos de detalhamentos e sondagens. Era um processo voltado para a descoberta dos grandes depósitos aflorantes. A medida que o mercado mundial se tornava mais voraz e exigente e que os corpos aflorantes escassearam, a exploração mineral começou a se sofisticar. Afinal já não haviam tantos grandes depósitos a espera do martelo do geólogo para serem descobertos. Foi quando iniciaram-se os programas de base os grass roots. Estes programas contavam com a geoquímica de sedimentos de corrente e com a geofísica aérea como ferramentas para melhor discriminar e detectar as anomalias tão fundamentais.
Na época as grandes exploradoras eram empresas como a Kennecott, a Anaconda e a Western Mining. A Kennecott havia basicamente desenvolvido métodos geoquímicos exploratórios voltados para a descoberta de porphyry coppers nos EUA, Canada e na Nova Guiné. Por outro lado novas descobertas estavam sendo realizadas no Canadá, a partir da geofísica aérea.
Os principais booms exploratórios podem ser sintetizados conforme abaixo:
  • De 1950-60 a busca do urânio.
  • De 1960-77 busca por metais básicos.
  • De 1977-hoje a busca pelo ouro.
  • De 1990-hoje a busca pelos diamantes.
  • De 2003...retomada da exploração mineral para cobre, níquel, ouro, diamantes, zinco, ferro, alumínio, manganês.
A tecnologia acima da geologia
Como vimos o  Brasil foi catapultado ao primeiro mundo da exploração mineral no início da década de 70. A partir deste momento não existiram avanços tecnológicos ou métodos exploratórios que não tenham sido usados exaustivamente no nosso País.
Nesta fase muitos começaram a acreditar que era possível achar depósitos minerais sem a geologia básica. Segundo esta ótica bastava um computador repleto de dados geoquímicos, geofísicos, gráficos e de imagens de satélite para gerar todas os alvos e a estratégia do programa. Foi quando o geólogo tinha que encaixar, de qualquer forma, o seu projeto em um modelo pré-existente.
A situação foi levada a extremos e os absurdos se repetiram de empresa a empresa. Os trabalhos publicados, quase todos, mostram um geólogo de exploração preocupado em provar que o seu projeto era do tipo A ou B. Se o projeto não se enquadrasse em um modelo existente de interesse da empresa o projeto era, geralmente, bombardeado pelos experts de plantão e descartado.
Esta tendência levou as grandes empresas a perder centenas de milhões de dólares ao apostar as suas fichas na tecnologia em descompasso com o homem. Os novos softwares geram literalmente incontáveis novos alvos que se superpõem formando um oceano de anomalias que tragam o orçamento, os recursos e, frequentemente, a criatividade dos seus geólogos de exploração.
O tratamento de dados, hoje, faz a equipe de exploração ter que lidar com camadas de geologia, geoquímica e de geofísica superpostas a imagens de satélites tratadas e filtradas. A cada novo parâmetro adicionado ou modificado nesta equação são várias as "anomalias" que aparecem ou desaparecem. A situação é tão drástica que geralmente consegue paralisar a grande maioria dos geólogos de exploração que acabam ficando reféns dos gráficos e mapas coloridos.
São poucos aqueles que ainda conseguem focalizar o mais importante: a geologia que está por trás das cores e números.
Como a major é uma empresa conservadora por definição é natural que este conservadorismo se reflita também na chefia dos programas de exploração. O somatório final é, quase que invariavelmente, o insucesso. Todos fazem exatamente o previsível que, quase sempre, tem a concordância da maioria.
Ocorre que na exploração mineral a maioria está quase sempre errada. A descoberta de um novo depósito mineral está sempre relacionada a uma visão totalmente nova e revolucionária. Descobrir outros depósitos similares qualquer empresa pode fazer. Afinal, depois de Colombo, qualquer um pode colocar o "ovo de pé".
A história mostra que são poucas as pessoas equipadas com essa capacidade de visão e abstração que é fundamental  ao sucesso de um programa exploratório.
Saber identificar os exploracionistas deveria ser uma das principais funções da chefia.
A exploração mineral, por mais fechada e hermética que possa ser,  nunca consegue manter os seus segredos do mercado. Um bom exemplo é o da tecnologia de exploração para kimberlitos férteis a partir de minerais indicadores. Por anos a De Beers escondeu, até dos seus geólogos locais, uma série de parâmetros exploratórios que acreditavam se constituir em uma das grandes vantagens competitivas da empresa. Estes gráficos e dados são guardados a sete chaves e utilizados somente pelos analistas do core. Com o tempo outras empresas como a Rio Tinto também desenvolveram programas exploratórios e metodologias próprias que, também, foram consideradas segredos de estado e que pareciam a solução para qualquer programa exploratório.
As junior companies
A história mostra que essas "vantagens tecnológicas" nem sempre se refletem em dinheiro para os acionistas. No caso do diamante estes métodos não impediram que as duas maiores exploradoras de diamantes do mundo a De Beers e a Rio Tinto de gastassem bilhões de dólares sem absolutamente nenhum sucesso palpável.
Quem mudou a história recente dos diamantes não dispunha dessa tecnologia e nem de grandes equipes  e sofisticados  computadores. O Chuck Fipke, trabalhando praticamente só, movido pela sua inteligência, persistência e por um aguçado espírito exploratório descobriu no Canadá os kimberlitos que hoje fazem a alegria dos investidores. Após a descoberta de Fipke as majors tiveram que reinventar os seus programas e "receitas de bolo", comprar aquilo que poderia ser comprado e começar uma nova fase exploratória.
São homens como Fipke ( Lac de Gras), Lowell ( Pierina) ou Bob Friedland (Turquoise Hill, Voisey's Bay) que re-escreveram a história da exploração mineral.
Eles e as  junior companies são responsáveis por mais de 30% de todas as descobertas feitas a partir de 1975.  O fenômeno junior cresceu fomentado pelo boom das bolsas canadenses da década de 90. Somente em 1998 a fraude da BreX (6 bilhões de dólares) conseguiu por um fim ao explosivo cenário causado pelas junior companies no mundo da exploração mineral.
Depois da BreX o mercado ficou mais exigente e os investidores se voltaram para a bolha de tecnologia, as empresas .com .
As junior companies serviram para mostrar ao mundo as enormes fraquezas das majors companies na exploração mineral. A eficiência dos programas exploratórios das grandes empresas é baixíssima e a história está aí para provar.
As principais histórias de sucesso datam da década de 70 quando ainda se fazia exploração mineral com o "pé no chão e a mão no martelo". Foi nesta época que as empresas como a CRA e a Western Mining descobriram os principais depósitos australianos e que a Terraservice/Docegeo descobriu a maioria dos depósitos e anomalias de Carajás.
Nas décadas de 80 e 90 o mundo viu as majors afundarem bilhões de dólares em programas exploratórios quase sempre infrutíferos. De outro lado começaram a aparecer pequenas empresas com pequenos orçamentos e grande sucesso. Algo estava errado. Como um Davi pode bater vários Golias  sistematicamente em várias batalhas tão distintas?
O exploracionista
A resposta óbvia está nas características intrínsecas do gerenciamento de uma grande mineradora e de uma pequena. A diferença está no homem e não no orçamento. Os programas de exploração de sucesso sempre tem em comum um tipo de homem que está no timão: o exploracionista. Ele é um visionário, com grande experiência e coragem, que navega com muita facilidade nas várias áreas da geologia e que consegue como ninguém traduzir as evidências, que outros tem dificuldade de ver ou entender, em uma descoberta.
As grandes empresas se tornaram grandes após uma fase exploratória de sucesso. Com o sucesso na exploração vieram as minas e a necessidade de empregar profissionais com perfis muito diferentes dos perfis de um exploracionista.
Os novos chefes são responsáveis por grandes orçamentos e estão muito mais preocupados com cash-flows e retornos sobre os ativos existentes do que na estória impalpável e improvável que um geólogo de exploração possa estar contando. Estes dirigentes de grandes empresas são, em sua imensa maioria, burocratas conservadores totalmente incompatíveis com os riscos e a imponderabilidade da exploração mineral. De uma forma geral eles entendem muito bem os mecanismos das aquisições, das fusões e joint ventures e quase nada da exploração mineral. Naturalmente os novos chefes se cercaram de clones que tentam imitá-los e às suas habilidades e conhecimentos em detrimento de outras virtudes mais importantes mas agora desprezadas. Nas grandes empresas os geólogos passaram então a saber tudo sobre cash-flows, rate of returns, EVA e, cada vez menos sobre spinifex,  gossans, ou outros parâmetros fundamentais da arte exploratória. Os geólogos destas empresas podem falar sobre Kuroko sem nunca ter estado no Japão, mas a maioria é incapaz de distinguir um boxwork de pirrotita de um de calcopirita. O resultado dessa tendência foi o insucesso de quase todos os programas exploratórios mundiais conduzidos pelas grandes mineradoras. As excessões são poucas e quase desprezíveis quando considerarmos os investimentos efetuados.
Impulsionados pela mesmice das grandes empresas os verdadeiros exploracionistas começaram a criar asas e voar por intermédio de sua própria empresa. Uma junior company.
Os resultados desta nova estratégia não se fez esperar: a maioria das grandes descobertas da última década foram feitas por junior companies e não pelas majors.
A competência das juniors e incompetência das majors na exploração mineral é um assunto polêmico e gerador de debates acirrados. No entanto o que parecia ser uma simples constatação estatística passa a ter um suporte inesperado, das próprias major companies. As grandes mineradoras , a cada dia que passa, começam a reconhecer as suas limitações e passam a apoiar a exploração feita pelas pequenas empresas. Essa mudança de estratégia  coloca na devida perspectiva as áreas tão diferentes quanto exploração mineral e mineração.
Desta forma a junior, mais flexível e dinâmica, passa a ser financiada por uma grande empresa ou pelo público ou ambos, acumulando  tão somente as funções inerentes à exploração mineral.
A fórmula é altamente interessante para todos e empresas como a Rio Tinto, por exemplo, já investem milhões de dólares nesta associação com pequenas exploradoras minerais (mais).
O novo boom
O ano de 2004 inicia com o prenúncio de um novo boom exploratório. Este parece ser mais sólido que os anteriores e está sendo causado pelo reaquecimento da economia mundial do pós 11 de setembro de 2001. Somente em 2003 a maior potência do planeta, os EUA, cresceram mais de 7%. Por outro lado a China, a maior concentração humana do planeta está, também, crescendo em ritmo alucinante.
Os chineses passaram os japoneses e americanos e tornaram-se, em poucos meses, os maiores importadores mundiais de ferro e cobre (mais). Se o país continuar a crescer neste ritmo, em menos de dez anos, será uma das maiores, se não a maior, economia do planeta passando os EUA como o mais importante consumidor global.
Não há melhor motivo para aquecer as turbinas da exploração mineral. As minas de metais básicos estão no limite máximo de produção, tentando, sem êxito, suprir a voracidade do mercado. Como nos últimos 20 anos a prospecção para cobre-chumbo-zinco-níquel e outros metais básicos foi simplesmente reduzida a zero,  substituída pela procura de ouro e de diamantes, praticamente não existem novos depósitos minerais destas commodities entrando em produção no futuro próximo.
As honrosas exceções ficam por conta de Turquoise Hill na Mongólia, Phoenix em Nevada, Rosario no Chile e Sossego em Carajás. estas minas não terão a capacidade de suprir a demanda aquecida e a queda da produção das minas em exaustão.
No Brasil a situação é quase confortável para a CVRD que deverá colocar em produção vários depósitos de cobre e possivelmente ouro e níquel nos próximos anos.
Por incrível que pareça os nossos depósitos de níquel laterítico (Onça, Puma) e todos os depósitos que a CVRD poderá colocar em produção nos próximos anos (Sossego, Salobo, Cristalino, Alemão, Vermelho, S.J. do Piauí) são descobertas direta ou indiretamente na década de 70 pela Terraservice/Docegeo ou pela INCO.
Suportado pela China e pelo crescimento da economia mundial o ano de 2004 se prenuncia como um forte divisor de águas. Neste ano veremos as majors focarem no desenvolvimento e expansão de projetos existentes e nas aquisições e fusões. As juniors deverão ter os seus projetos financiados pelas bolsas canadenses e, cada vez mais, pelas majors.
O grande diferencial de 2004 não será de caráter qualitativo, mas sim quantitativo. O que vai mudar em relação aos anos anteriores será a velocidade e o ritmo de instalação de novos projetos e dos novos negócios.
Vamos limpar os martelos e arregaçar as mangas, que o novo boom está aí e não espera aos retardatários!

Pesquisa do IGC/UFMG estuda as rochas que dão origem aos diamantes




Pesquisa do IGC/UFMG estuda as rochas que dão origem aos diamantes


Passeando pelas ruas de algumas cidades do interior de Minas Gerais, visitando igrejas e praças, percebe-se a presença de um de seus elementos históricos mais marcantes: o diamante. Ele já motivou tropeiros e comendadores e tornou famosa a escrava Xica da Silva. Ao lado da importância histórico-cultural e econômica, a pedra preciosa desperta também o interesse da geologia. Mais do que o próprio diamante, o que tem motivado pesquisas nas universidades mineiras é a rocha que encerra o mesmo: o kimberlito.

O kimberlito é um conduto vulcânico, ou seja, uma estrutura que conecta a superfície da Terra ao seu interior e por onde o magma (material expelido pela parte visível do vulcão) flui, a partir das partes mais profundas, onde ele se forma. Para visualizar seu formato, basta lembrar que, em inglês, conduto significa neck, ou seja, pescoço.

Kimberlitos são objetos de estudos de pesquisadores do Departamento de Geologia do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob a coordenação do professor Geraldo Norberto Chaves Sgarbi. Com o apoio da FAPEMIG, o projeto denominado “Identificação de kimberlitos nas regiões Oeste e Central de Minas Gerais” teve início no ano passado e começou abrangendo as cidades da região do Alto Paranaíba, como Carmo do Paranaíba, Patos de Minas, Arapuá, Coromandel, Patrocínio, Lagoa Formosa e Tiros. A segunda fase do projeto, aprovada pela Fundação no final do ano passado, vai aprofundar as pesquisas já realizadas e abranger também a região central do Estado.


A vegetação indica a presença de rochas vulcânicas
Diamantes mineiros
O diamante forma-se no interior da Terra, em profundidades de cerca de 150 km, sob altas pressões e temperatu-ras, por átomos de carbono. Segundo o professor Geraldo, o conduto vulcânico atua como uma espécie de “táxi” para a pedra preciosa, visto que o magma, ao subir em direção à superfície, a uma velocidade de aproximadamente 800 km/h, transporta a pedra, que se encontra em estado bruto. Alguns geólogos fazem uma analogia desse magma, que sobe em altíssima velocidade, com uma “perfuradeira química”, que dissolve as rochas encontradas durante sua ascensão.

Todo esse material é submetido a uma pressão muito alta no interior da Terra, a qual é liberada ao atingir a superfície. Nesse momento, o magma kimberlítico geralmente explode, devido à súbita redução da pressão, e se solidifica em uma rocha denominada kimberlito. Quanto aos diamantes, apenas uma ínfima fração resiste a esse transporte até a superfície.

O processo de formação de kimberlitos ocorreu, no oeste mineiro, há cerca de 85 milhões de anos e, hoje, os pesquisadores se deparam com um “enigma geológico”: no Brasil, temos muitos kimberlitos estéreis, ou seja, sem diamantes. Entretanto, a pedra pode ser encontrada em alguns leitos dos rios dessas regiões. Curiosamente, alguns países de dimensões continentais como a Austrália, África do Sul, Canadá e Rússia produzem diamantes não somente através dos leitos dos rios, como no Brasil, mas direto da fonte, ou seja, através dos kimberlitos. Isso fez com que esses países sejam grandes produtores, ultrapassando o Brasil, que foi o maior produtor mundial no século XIX.

Por que não fazemos o mesmo? Porque, pelo que se sabe até então, não temos kimberlitos mineralizados em diamantes. É justamente esse o contexto do enigma: não temos kimberlitos mineralizados, mas temos aluviões com diamantes nas mesmas regiões onde se encontram esses kimberlitos. Então, a pergunta correta é: qual a origem dos diamantes mineiros? Um fator que ajuda a compreender a dificuldade na realização dessas pesquisas é o clima brasileiro, pois, em climas tropicais úmidos, a água aumenta consideravelmente a velocidade das reações químicas. Assim, como os minerais que formam a massa principal do kimberlito não são muito resistentes à degradação química, este se transforma e se confunde com outras rochas.


A pesquisa desenvolvida pela UFMG é pioneira no Estado. Além da importância econômica, que não pode ser desconsiderada quando se trata de diamantes, sobretudo em um país de tradição diamantífera, a pesquisa cons-titui uma base para a geologia, para o conhecimento da terra e dos recursos de que dispomos.

O que os olhos vêem, o coração senteTodas as transformações que ocorrem nas camadas internas da Terra, assim como os elementos que ali se formam, produzem efeitos visíveis na superfície do Planeta. Sendo assim, para descobrir kimberlitos, é possível utilizar alguns critérios físicos que funcionam como indicadores. Segundo o pesquisador, a partir dos estudos teóricos, a equipe, composta de um biólogo e três geólogos, foi a campo em busca dos elementos que pudessem dar indícios da presença de kimberlitos.

Ele destaca o critério geobotâ- nico, que diz respeito à presença das espécies arbóreas Terminalia argentea (capitão), Pseudobombax sp (paineira) e Myrcine sp (pororoca), pois elas utilizam em sua dieta elementos constitutivos do kimberlito. Quanto aos critérios geológicos, tem-se, por exemplo, a presença de uma depressão de formato circular no terreno. Esta pode ter se originado da alteração do conduto vulcânico, considerando-se que, na medida em que essa rocha sobe em direção à superfície, ao longo do tempo, torna-se menos resistente e, portanto, mais suscetível a alterações. Em certos locais, como na África do Sul, a depressão é tão acentuada que o acúmulo de água permite a formação de um lago. Ela é conhecida como cratera “Maar”.

A água também fornece outro indicativo. As chuvas enfrentam dificuldade para erodir as rochas kimberlíticas, pois as mesmas possuem consistência argilosa. Por isso, é comum a formação de rios ou cursos d’água na zona de contato entre o kimberlito e a rocha não-mineralizada que estiver em contato, chamada de rocha encaixante. Dessa maneira, muitos kimberlitos são, a priori, identificados em função de uma diferença física entre as duas rochas. É preciso considerar que essa zona de contato já vem recebendo um fluxo de água há milhões de anos, o que propicia uma espécie de abertura prévia, um canal natural. Assim, o rio evolui, causando erosão em ambas as rochas.

Outro critério de campo é a ocorrência de uma “capa de canga”, rocha rica em ferro. Essa formação, que possui cor avermelhada, ocorre apenas sobre o kimberlito, porque o mesmo é composto de minerais ricos em ferro, como magnetita e hematita (produto de alteração da magnetita). A existência de ferro condiciona também a presença de cupinzeiros de cor vermelha, ao passo que os cupinzeiros de cor clara são aqueles que se instalam sobre alguns tipos de rochas encaixantes.

A vegetação natural, assim como a agricultura, também pode ser usada para identificar kimberlitos. É que o solo composto por rochas kimberlíticas é mais fértil devido à forte presença de elementos como potássio, cálcio e magnésio. Por isso, as espécies vegetais encontradas sobre o kimberlito são mais saudáveis que aquelas encontradas no entorno. As rochas encaixantes são relativamente estéreis, em decorrência da forte presença de alumínio e sílica. Como pode ser visto na fotografia acima, referente ao kimberlito batizado pelos pesquisadores de “Larissa”, a cor e a textura fazem a diferenciação entre o kimberlito (verde-escuro) e a rocha encaixante (verde mais claro). Ao fundo, existe o vale de um córrego que flui no contato entre o kimberlito e sua encaixante. Essa estrutura encontra-se na cidade de Carmo do Paranaíba.


Amostra de Kimberlitos, rochas associadas à presença de diamantes
Do campo para o laboratórioUma vez identificados visualmente esses aspectos, os pesquisadores partem para a procuraefetiva do kimberlito, cavando a terra. De acordo com os conhecimentos teóricos sobre a rocha intrusiva, os pesquisadores coletam o material desejado e levam para o peneiramento. Para facilitar a busca, considera-se a presença de pequenos minerais coloridos, como piropo, ilmenita, diopsídio e espinélio, minerais satélites ou indicadores de diamantes que, por sua vez, apontam para a existência de kimberlitos, pois desenvolvem-se junto aos diamantes e são resistentes ao clima tropical úmido. Se o resultado observado na peneira apresentar um aspecto de gradação do claro (borda) para o escuro (centro), com a presença desses minerais indicadores, significa que temos um kimberlito.

Os estudos não param por aí. Com o intuito de refinar a pesquisa, os mine-rais encontrados são levados para análises mineralógicas e químicas na UFMG. A análise mineralógica é feita através de um método denominado Espectroscopia Raman, que visa a identificar o tipo de mineral. Cada amostra é levada até uma sonda, que emite um feixe de laser, fazendo com que o mineral emane energia de acordo com seu sistema cristalino. Cada mineral possui seu espectro próprio, como uma impressão digital, que permite distingui-lo entre os demais. Essa técnica é utilizada para checagem de jóias, a fim de atestar se a mesma é verdadeira ou falsa, natural ou sintética. O próximo passo é a análise química, realizada por meio de uma microssonda eletrônica. Esse aparelho permite determinar os componentes químicos dos minerais. Numa análise direcionada aos kimberlitos, o resultado que indica a possibilidade de se obter diamantes expressa altos teores de cromo e magnésio, e baixos de cálcio. Todos esses equipamentos foram adquiridos com os recursos da FAPEMIG.

Subindo o leito do rioA pesquisa desenvolvida vem investigando a existência de diamantes nas crateras kimberlíticas, ou seja, direto da fonte. Mas, como saber se os diamantes encontrados nos leitos dos rios são de fato originados dessas rochas ou vieram transportados de outros locais? De acordo com o professor Geraldo, a próxima etapa da pesquisa é fazer o caminho inverso, ou seja, partir do leito do rio em direção às possíveis fontes kimberlíticas. O objetivo é verificar qual a localização do kimberlito erodido que fez com que os minerais fossem encontrados em determinado rio. O pesquisador conta que, em função dos minerais satélites – pois o diamante em si é muito difícil de ser encontrado –, os pesquisadores começam a subir o rio em direção contrária ao seu escoamento, que é sempre em função da gravidade. Assim, tem-se a rocha fonte dos minerais indicadores e, portanto, do diamante.

Outro aspecto teórico da segunda parte da pesquisa é o cálculo da distância de transporte do mineral, através do formato do grão. Quanto mais longa a distância em que foi transportado por um rio, mais arredondado é o fragmento, pois o atrito ocasiona a perda dos cantos. Além da pesquisa de campo, os geólogos utilizarão um equipamento importado, semelhante a um tambor giratório, que simula a erosão de um rio, para a realização desse cálculo.

O geólogo ressalta, ainda, o interesse que a pesquisa despertou nos garimpeiros, através de divulgação na mídia eletrônica especializada. Muitos entraram em contato com ele através de e-mail para adquirir mais informações sobre o assunto, além de procurá-lo no próprio campo. Ele lamenta, porém, a falta de iniciativas governamentais, como cursos de capacitação, no sentido de preparar melhor esses trabalhadores e conscientizar sobre a preservação do meio ambiente. Para o professor Geraldo, os garimpeiros são pessoas inteligentes e intuitivas, mas que não tiveram oportunidade de estudar. “Se eles tivessem oportunidade de conhecer a Geologia, porque, no final das contas, eles estão trabalhando como geólogos, acho que o trabalho seria mais produtivo e traria menos impactos ao meio ambiente”, completa.

Amostra de kimberlito procedente do Alto Paranaíba


Amostra de kimberlito procedente do Alto Paranaíba
kimberlito   Amostra de kimberlito procedente do Alto Paranaíba, região de Coromandel, MG
(o comprimento da face polida é de 11 cm).

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Fotos da região do rio Santo Antônio do Bonito, mun. de Coromandel, onde a empresa Brazilian Diamonds (ex-Black Swan) está realizando pesquisa mineral  Note-se que na calha deste rio foi encontrado em 1938
o Presidente Vargas, o maior diamante das Américas.