domingo, 24 de janeiro de 2016

Jade a pedra dos deuses

Jade
a pedra dos deuses
Jade é um material usado desde os tempos pré-históricos, devido à sua dureza, era apreciado para confecção de armas e instrumentos.
Na China, seu uso fazia parte da fabricação de figuras e símbolos religiosos utilizados em cultos aos deuses. Na América Central pré-colombiana, a jade era mais valorizada que o ouro. Na joalheria, por volta do século XVII, descobriu-se que a jade era perfeita para compor adornos e acessórios.

O termo jade origina-se do espanhol “piedra de ijada”, que significa “pedra para dor do lado”. Recebeu esse nome quando os espanhóis, exploradores da América Central, viram que os nativos usavam a pedra para curar os rins. Os chineses se referem à jade como “yu”, que significa “celestial” ou “imperial”, e a tem como “pedra dos deuses”.
Na China, a jade é considerado tão preciosa que há um ditado chinês que diz: “o ouro é valioso; jade é inestimável”. Eles acreditam que ela tenha propriedades de fortalecimento da saúde e da longevidade. Os chineses frequentemente esculpem a jade em figuras tradicionais que trazem ainda mais significado, tais como dragões, que são símbolos de poder e prosperidade.

Na Nova Zelândia, a jade também tem um papel importante. Foi usada por muitos anos na confecção de armas, formões e anzóis.

Em 1863, foi descoberto, na França, que a pedra conhecida como jade é composta de duas espécies de minerais, que foram denominados jadeíta e nefrita. Como a distinção das duas é difícil, o termo jade continua sendo utilizado para as duas formas.

 A jadeíta é resistente e dura, composta de silicato de sódio e alumínio, em feltro de fibras. Já a nefrita é um silicato de cálcio, magnésio e ferro, mais resistente que a jadeíta, formada em cristais fibrosos reticulados.

Sendo mais rara, a jadeíta é mais valiosa. A jade imperial é uma jadeíta de um verde impressionante, considerada a mais valiosa.
Tanto a jade como a nefrita tem uma textura bonita, tenacidade e cores, que vão dos tons pastéis a tons intensos e terrosos e o verde mais conhecido. Na joalheria é muito utilizada e apreciada.
No passado, algumas pessoas se encantaram tanto que se tornaram obcecadas por ela.
Durante os séculos, em relatos históricos, a jade aparece com uma importante participação, pois essa obsessão inflamou guerras, como a do Imperador Chinês Qianlong que era fanático pela gema e invadiu a antiga Birmânia em busca de suas jazidas. A coleção de esculturas, peças e joias da dinastia Qin, a qual faz parte o imperador, é conhecida como uma das mais maiores e mais valiosas.

O valor da jade incentivou, também, os saques dos tesouros imperiais, por franceses, britânicos e japoneses, além de aventureiros e bandidos. Ela ainda cativou os ricos e famosos que passaram a colecionar peças com a gema -, tudo isso ajudou a levar seu preço às alturas.
E todas essas histórias geraram a ideia de um livro, idealizado por dois jornalistas - Adrian Levy e Cathy Scott-Clark, que fizeram um estudo ambicioso para mostrar a história intrigante dessa gema valiosa.

Em 1997, a “Christie” vendeu o famoso colar de jade “Doubly Fortunate” por quase 10 milhões de dólares e, em 2014, esse recorde foi quebrado com a venda do colar Hutton Mdivani, com fecho de rubi da Cartier por mais de 27 milhões de dólares.
A jadeíta apresenta um característico espectro de absorção na região da luz visível, observado através das bordas nas gemas mais opacas. Apresenta um brilho mate nas superfícies de fratura que, quando polido, se torna um brilho gorduroso.
A nefrita é uma variedade agregada fibrosa da série do mineral actinolita-tremolita, por isso sua estrutura é mais forte que a da jadeíta. A maioria delas apresenta manchas e bandas, entretanto, podem ser encontrados exemplares com cores homogêneas.
Os principais depósitos de jadeíta são encontrados em Myanmar (Birmânia), também é a única fonte da jadeíta imperial - falaremos mais sobre ela mais adiante. Há, também, minas no Japão, Canadá, Guatemala, Cazaquistão, Rússia, Turquia, Cuba e na Califórnia.
Os depósitos de nefrita são encontrados na Nova Zelândia, com muitos exemplares verdes. E, também, na China, Birmânia, Austrália, Brasil, Canadá, Zimbábue, Rússia, Taiwan e Alaska.

Variedades de jadeíta e nefrita
A jadeíta pura é branca. Tanto a jadeíta como a nefrita, devido à presença de impurezas como por exemplo, ferro e manganês, podem se apresentar em diversas cores como já citamos. As cores tendem a ser pastéis e opacas, com exceção da jade imperial, que tem um brilho especial e é translúcida ou semi transparente. As jadeítas com cores uniformes são mais valorizadas. No Ocidente, verde esmeralda, espinafre e maçã verde são consideradas particularmente valiosas. No Extremo Oriente, por outro lado, o branco puro e o amarelo com um fundo rosa claro, são muito apreciados.



Jade imperial
Tem uma cor verde esmeralda de translúcida a transparente. É a variedade mais apreciada e procurada, consequentemente, a mais cara. Essa cor vívida se dá devido à presença de cromo.É uma jadeíta encontrada na Birmânia, em Myanmar (foto lado esquerdo).
Alguns exemplares podem apresentar pequenas inclusões negras. Em relação ao tamanho, são menores, porém perfeitas.
Jade yünan
Esse é o nome chinês dado à jadeíta, devido ao nome da província chinesa pela qual a jade era importada da Birmânia (foto lado direito). São jadeítas de menor qualidade quando comparadas à jade imperial.
São encontradas no norte da Birmânia em depósitos secundários como conglomerados ou seixos rolados. Apresentam-se, também, em camadas intercaladas com serpentina.

Jade albita
Duas variedades recebem esse nome. Uma é a mescla de jadeíta com albita, é verde com manchas negras, vem da Birmânia. A outra é uma cloromelanita.
Composta de kosmoklor, uma material relacionado à jadeíta, combinada com albita, jadeíta e outros minerais. A presença de clorita, dá à ela uma cor verde profunda, com veios e pontos verdes escuros.
Também é encontrada na Birmânia.
Jade nefrita

A nefrita é constantemente chamada somente de jade. As cores são menos delicadas e puras que da jadeíta. Vão de verde escuro (com presença de óxido de ferro) aos tons pastéis (ricos em magnésio). Podem apresentar manchas, bandas ou serem homogêneas.
O tom típico da nefrita é o verde sálvia ou espinafre. O verde muito escuro aparenta ser preto.
Se as fibras da nefrita estiverem alinhadas paralelamente é possível conseguir um efeito “chatoyance” (efeito olho de gato, brilho), que não se consegue na jadeíta por sua composição granular.


Cor e Tingimento
A jade é, frequentemente, submetida à tratamentos. Pode ser branqueada com ácido para remover os pigmentos ou manchas. Esse tratamento faz com que a gema se torne mais porosa e mais propensa à ruptura, então, geralmente é feito um preenchimento das fraturas com um polímero, que melhora a sua aparência. Esse tratamento ou até um tingimento pode ser verificado com um “filtro de Chelsea” (é um filtro que foi desenvolvido para distinguir esmeraldas puras de imitações, porém é muito usado para outras gemas). Apesar de uma grande quantidade de jade ser tratada, não é difícil encontrar jades naturais.
Classificação
A indústria de jade chinesa utiliza um sistema de classificação para classificá-las, de acordo com a quantidade de melhorias que recebeu. Esse sistema é descrito em graus - de A a D:
Grau A - a jadeíta não é tingida nem preenchida, mas pode ter recebido um revestimento, é considerada estável.
Grau B - pode ter sido preenchida e branqueada mas não é tingida.
Grau C - tingida e preenchida.
Drau D - não é uma jade natural.
Lapidação e Aplicação
A jade é extremamente versátil e pode ser tanto lapidada como esculpida, até mesmo em formas intrincadas. É esculpida em uma variedade de figuras tradicionais chinesas, como Budas, cães, dragões, morcegos e borboletas mas também em formas arredondadas, geométricas, enfim, ela tem muitas possibilidades que variam de acordo com o design da peça que a utilizará. Outras opções, esculpidas a partir de seixos e cascalhos, são as miçangas, em forma de pérolas para anéis, broches e pingentes. Pulseiras inteiras também são feitas de jade. A maioria das jades são cortadas em Taiwan, China e Hong Kong.
O cabochão é uma das escolhas preferidas para jade, para os anéis, ou em esferas ou discos, para colares. Jade é ideal para homens e mulheres. Pode ser misturado com outras pedras preciosas, com ouro ou prata. Sua versatilidade é tão grande que pode ser utilizada em peças com preços acessíveis ou em peças sofisticadas e caras.
Para os homens, os itens mais populares são anéis robustos, prendedores de gravata, abotoaduras e pingentes. Para as mulheres, a jade pode ser usada como pingentes, colares de contas ou braceletes, pulseiras, anéis, brincos e, até, enfeites de cabelo. No Oriente, os pais costumam dar pulseiras de jade para as crianças.

Cuidados
A jade é um material resistente, porém, deve ser tratada com cuidado para manter seu brilho. Pode ser lavada com água e sabão neutro, deve ser bem enxaguada e seca com um pano macio. Produtos de limpeza e abrasivos não devem ser utilizados. Não deve ser usada ao fazer exercícios. E, como outras pedras preciosas, deve ser armazenada em caixas de veludo ou cobertas por um pano macio para evitar riscos.
Mitos e lendas
No período pré-colombiano, os maias, astecas e olmecas davam à jade importância maior que ao ouro. Os Maoris da Nova Zelândia entalhavam armas e instrumentos de culto acreditando no poder da gema. No antigo Egito, jade era considerada a pedra do amor, da paz interior, da harmonia e do equilíbrio. Por volta de 3000 aC, a jade era conhecida na China como “yu”, a “verdadeira jóia”. Além de usada em objetos e figuras de culto, as joias de jade eram usadas pelos altos membros da família imperial.
Hoje, a jade também é considerada como um símbolo do bem, do belo e do encantador. Na Antiguidade e na Idade Média, as pessoas acreditavam que o cosmos é refletido em pedras preciosas, atribuindo à jade as energias de Júpiter e Plutão.
No esoterismo são atribuídos à ela, poderes de cura para doenças renais, que já eram mencionados durante séculos por curandeiros e pajés.

Ágata - poder energizador

Ágata - poder energizador

Ágata
poder energizador
A ágata sempre foi muito valorizada, desde a antiguidade, por egípcios e sumérios. Diversas crenças acreditam que ela tenha o poder de energizar quem a usa e promover curas.

Como todas as outras gemas, diversos tipos de poder e propriedades místicas são atribuídos à ela. Porém, é uma gema notável por suas bandas multicoloridas ou de nuances da mesma cor. Na joalheria, proporciona uma aplicação versátil em vários tipos de design.
É caracterizada pela variedade de cores, geralmente dispostas em faixas paralelas. Quando são cortadas transversalmente, exibem uma sucessão de linhas paralelas, com padrões de cores e nuances extremamente fascinantes. Esses padrões fazem com que a ágata seja uma pedra única e original.
Por muito tempo, foi usada para compor peças de decoração, ornamentos e utilidades como cinzeiros, cabos de talheres e saboneteiras. Em construções antigas, não é raro encontrar maçanetas de ágata.
A história da ágata está intimamente ligada à cidade alemã de Idar-Oberstein. Nela, foram encontradas ágatas e jásper. Essa região evoluiu como um importante centro de pedras preciosas.
É considerado o maior centro de lapidação e polimento de ágatas do mundo. Até o início do século XIX, Idar-Oberstein possuía as mais importantes jazidas de ágata, porém, a partir desta data, elas estão esgotadas.

Por volta de 1800, foram descobertos depósitos enormes de ágata no Rio Grande do Sul, aqui no Brasil, por imigrantes de Idar-Oberstein. Imediatamente, as pedras foram enviadas à Idar-Oberstein para corte e polimento.
Como um centro importante de corte e polimento, seus artesãos executam verdadeiras obras de arte. Hoje, as jazidas mais importantes, além das brasileiras, se encontram no norte do Uruguai.

O mecanismo da produção natural da ágata ainda não é bem compreendido, acredita-se que há um preenchimento, em ciclos, das lacunas de rochas vulcânicas, por fluídos ricos em sílica ou dióxido de silício. Esse preenchimento pode ser parcial ou total, a partir da borda para o centro, através de microfissuras ou canais de infiltração. O padrão e largura das zonas depende da concentração de sílica nos fluídos, da temperatura, pressão, e do tempo dos fluxos desses fluídos.
Há, também, a teoria que as gotas de silícia fluída se resfriam, simultaneamente à rocha, na lava, formando uma cristalização em zonas a partir do seu exterior.
Além das minas do Brasil e Uruguai, a ágata pode ser encontrada na Austrália, China, Índia, Rússia, Egito, EUA, México, entre outros.
Os depósitos onde são extraídas as ágatas são, geralmente, muito grandes, proporcionando que esta gema tenha um preço acessível. No entanto, quando ela apresenta um padrão de faixas finas e bem delineadas e uma coloração natural forte, seu valor aumenta naturalmente. Estas são mais difíceis de encontrar.
Variedades
A cada variedade e forma, a ágata apresenta um nome.  Algumas por localidades geográficas específicas ou por padrões e cores, também específicos, como a ágata de fogo e a ágata olho. Algumas espécies de calcedônia recebem o nome ágata, porém não são verdadeiras cientificamente porque não apresentam as bandas ou faixas. As mais comuns são: ágata dendrítica, ágata paisagem, pedra mosquito e ágata musgosa. Apesar disso, são tradicionalmente chamadas de ágata e reconhecidas como tal por comerciantes e colecionadores. Como alguns tipos de cornalina, sardônica e ônix, que apresentam as faixas, também são chamados e classificados, comercialmente, como ágatas. Muitas vezes um mesmo exemplar de ágata pode ser classificado com dois ou mais nomes comerciais. A seguir você verá alguns tipos de ágata.




Materiais orgânicos agatizados

Lapidação e Aplicação
As ágatas podem ser encontradas em tamanhos grandes e em uma grande variedade de formas. São, na maioria, lapidadas em cabochões para realçar sua beleza. São, também, encontradas em formas de placas com cortes simples, que normalmente são usados ​​para desenhos ornamentais, como camafeus e outras esculturas.
Essa gema pode ser usadas em qualquer tipo de design de joia, em brincos, anéis, colares, pingentes e pulseiras. Por isso, é considerada uma gema versátil, além da possibilidade de tingimento, que dá à ela diversas cores e tons. Tem alta durabilidade por sua dureza.

Cor e Tingimento
As ágatas alemãs eram mundialmente conhecidas e apreciadas devido à suas cores que variavam de um delicado vermelho, róseo a castanho, separadas por capas intermediárias de cor cinza luminosa. Hoje, as encontradas em outras jazidas, revelam tons de cinza a cinza azulado, algumas, principalmente as brasileiras, apresentam tons de branco, preto, marrom, vermelho, amarelo, entre outros.
Em torno de 40% das ágatas brasileiras são submetidas à tingimento e, em outros países, os números chegam a passar dos 50%. Como ela é porosa, aceita facilmente os processos de tingimento, além disso, é resistente ao calor e aos ácidos. Pode-se obter lindas cores como rosa, roxo, verde e azul. Estima-se que pelo menos 90% das ágatas vendidas no mundo são tingidas. Como conseqüência das exigências dos lapidadores estrangeiros, a extração de ágata concentrou-se nas margens do Rio Jacuí - RS.
No processo de tingimento, a ágata é colocada numa solução de ferrocianeto de potássio, ácido crômico com cloreto de amônio, açúcar ou percloreto de ferro com ácido nítrico e sucata de ferro.
O tingimento frio é mais lento que o tingimento com aquecimento.
Como o grau de porosidade é variável nas ágatas, algumas absorvem mais o corante, isso proporciona um maior contraste entre as cores.
Essa solução não tem grande penetração na gema, por isso o tingimento é feito depois da peça ser cortada e desbastada e antes do polimento, pois ele obstrui os poros, dificultando a penetração do corante.
O tingimento não altera o preço das ágatas, porém, se os corantes usados forem inorgânicos, a cor será estável. Já com corantes orgânicos (usados, por exemplo, para obter cor rosa ou verde), a cor ficará enfraquecida com o tempo.

Cuidados
Ágatas podem ser limpas com água morna, sabão neutro e uma escova macia. Deve-se evitar a exposição prolongada ao calor extremo. Armazene as joias com ágatas em caixas forradas com tecido de veludo. Evite que entre em contato com outras pedras para não ocorrer riscos ou fraturas. Mesmo sendo uma gema durável e resistente não é indicado o uso de  produtos químicos. Evite que sua ágata fique exposta à luz por muito tempo pois, dependendo do processo de tingimento que ela foi submetida, poderá ter a cor enfraquecida.

Ametista - quartzo violeta

Ametista - quartzo violeta

Ametista
original e sedutora
Considerada a representante mais marcante dos quartzos, a ametista sempre foi cobiçada.
A rainha Catarina, a Grande, tinha verdadeira adoração por esta gema.
Foi considerada, por muito tempo, uma pedra tão preciosa como a safira, o diamante e a esmeralda.
Hoje, pela descoberta de jazidas abundantes já não tem tanto valor.
Seu valor diminuiu - mas sua beleza sedutora continua intacta.

A variedade violeta ou púrpura do quartzo, a ametista, além de ser muito usada como pedra preciosa até o século XVIII, também tem, em torno dela, uma aura de misticismo. Muitos “poderes” são atribuídos à ela, em diversos tipos de culturas. Algumas pessoas dizem que o nome ametista vem de uma antiga crença que esta pedra protegia seu dono da embriaguez. O nome vem do termo grego “amethuskein”, onde o “a” significa não e o “methuskein” significa intoxicar. Contudo, há algumas controvérsias da origem do nome.
Sua cor vem da presença de impurezas de ferro e traços de alumínio, algumas variedades apresentam as cores por exposição à radiação. As cores variam do púrpura ou roxo claro ao escuro, sendo que as escuras com maior transparência são melhor conceituadas e, consequentemente, mais caras. Algumas podem mudar totalmente de cor se submetidas à tratamento térmico, conforme você vai ver mais adiante.


A ametista não tem uma homogeneidade de distribuição da cor. Ela aparece em fragmentos, em cantos desiguais e/ou externos. Essa característica determina, muitas vezes, o tipo de lapidação para melhor aproveitamento da gema e sua valorização. As ametistas com distribuição perfeita das cores são muito raras e, quando encontradas, têm alto preço.

A ametista é composta por uma sobreposição irregular de lâminas alternadas de quartzo, dos lados esquerdo e direito. Em consequência desta formação, a ametista pode se quebrar com uma fratura ondulada ou mostrar “impressões digitais” Alguns mineralogistas aplicam o nome de ametista a todos os quartzos que exibem esta estrutura, independentemente da sua cor.
Os cristais sempre crescem sobre uma base. Quando têm formato de pirâmides, a cor mais intensa predomina nas pontas destes cristais. Existem algumas variedades de ametista que podem apresentar faixas brancas de quartzo leitoso. As ametistas são encontradas principalmente nas crostas cristalizadas de enormes rochas vulcânicas, como o basalto.
A comercialização da ametista é abundante e com preços bem acessíveis, porém, as variedades mais bonitas e valiosas se encontram em poucos locais. Estas, tem cores mais profundas, púrpuras ou violetas. As jazidas mais importantes estão no Brasil, porém, apenas em torno de 3% das ametistas brasileiras são adequadas para serem lapidadas e utilizadas em joias. As outras são utilizadas para dar origem ao citrino e, ainda, usadas em decoração ou coleções. Outras importantes jazidas estão no Uruguai, Índia, Rússia, Sri Lanka, Madagascar e Estados Unidos. Também são produtores de ametista a Argentina, Bolívia, México, Namíbia, Zâmbia, África do Sul e Canadá.
Por apresentar tonalidades e nuances diferentes, elas costumam receber o nome do país de origem, ex. ametista brasileira, boliviana, etc.

Avaliação
Já falamos, em outras edições da revista, sobre os 4C’s de avaliação de diamantes. Apesar de ser um padrão de classificação instituído pelo GIA (Gemological Institute of America) para diamantes, ele é o mais aceito no mundo e muito utilizado para outras gemas e, ainda, por diversos laboratórios, gemólogos e peritos avaliadores. Color, Carat, Clarity e Cut em português, cor, peso, grau de pureza e corte são os 4C´s que são usados para avaliar as ametistas também. Cor - As ametistas mais valiosas tem um roxo forte puxando para o avermelhado e sem zoneamento de cor, ou seja, a cor é distribuída uniformemente por toda a pedra. Ametistas muito escuras não são tão valiosas pois há uma grande redução de brilho. A presença de tons castanhos ou bronze nas ametistas também reduzem o seu valor. Para identificar, a olho nu, alguns zoneamentos de cor, os compradores costumam colocar a ametista em uma mesa com superfície branca.
Grau de pureza - as inclusões são um dos fatores que determinam o grau de pureza da ametista. Quanto menor a quantidade de inclusões maior o valor e melhor a classificação. A maior parte das ametistas facetadas à venda no mercado não tem inclusões perceptíveis a olho nu, porém, elas estão presentes na grande maioria delas. Fraturas também são normalmente encontradas.
Peso/Tamanho - O peso dessa gema é avaliado em quilates. Assim como a maioria das gemas, as ametistas são encontradas em diversos tamanhos e calibradas em milímetros. Pedras grandes centrais são extremamente usadas e vendidas na joalheria, desde que o preço final não seja alto.


Corte/Lapidação - Como já dissemos, a maioria das ametistas são facetadas, para um melhor aproveitamento da distribuição de cor e, também, de localizar o menor número de inclusões possível. Se essas inclusões forem muito visíveis são lapidadas em cabochões pequenos ou grânulos.
Ovais, pêra, cortes de esmeralda, triangulares, marquise e almofada, são cortes bastante utilizados. Alguns arranjos e combinações de corte aparecem nessa gema como os cortes de etapa e cortes mistos facetados. Há, ainda, diversificações de cortes chamados cortes fantasia que exibem determinadas facetas côncavas - normalmente são produzidos em massa para determinadas coleções. Até esculturas de animais são feitas com ametistas. Na prática, a cor e o grau de pureza sobressaem na avaliação das ametistas. Pela alta oferta, a demanda diminui, tornando-a uma gema relativamente barata e fácil de comprar. Porém, as ametistas não caem de moda e estão sempre presentes, tanto em joias caras como em peças mais baratas.

Variedades de tons
As ametistas tem uma grande variedade de tons de acordo com o local de origem. As do Uruguai e do Arizona tem uma cor púrpura-azul profundo. As ametistas da Rússia são conhecidas como “siberian” e tem cores muito profundas com tons avermelhados e azulados. Originam-se de depósitos que já foram esgotados e, portanto, tem um preço mais elevado. A África produz ametistas com cores mais profundas que o Brasil e outros países sul-americanos. O termo ametista africana pode ser usado para designar ametistas com diversos tons ou mais escuras, porém nem sempre significa que esta é a sua origem. O Brasil, é considerado o maior produtor de ametistas, embora a maioria das ametistas brasileiras são tratadas e vendidas como citrino aquecido. Aqui as pedras estão disponíveis em todos os tamanhos e formas. As cores não são tão boas quanto as da África, mas atendem à demanda de mercado.
Tratamentos e sintéticos
O tratamento térmico pode ser utilizado para clarear a cor da ametista quando for muito escura, escurecer quando claras ou retirar inclusões acastanhadas. A radiação ultravioleta também é usada para melhorar ou alterar a cor das ametistas. Os tratamentos de fraturas raramente são feitos, em virtude da disponibilidade alta dos exemplares que não as apresentam a olho nu. O tratamento térmico causa uma expansão das inclusões, o que pode gerar fraturas na gema, ele aumenta também o efeito do zoneamento de cor.
Normalmente, as inclusões e expansões de zoneamento são usadas para diferenciar uma ametista tratada de uma não tratada ou sintética.


Quando a ametista é aquecida à altas temperaturas, em torno de 470ºC a 750ºC, as impurezas de ferro são reduzidas tendo, como resultado, o citrino aquecido. Embora este tratamento seja altamente utilizado, a cor obtida do citrino nem sempre é permanente. Falaremos mais sobre isso na matéria sobre citrino em uma próxima edição.
Ametistas sintéticas podem ser produzidas a partir de métodos hidrotermais, neste caso pequenos fragmentos de quartzo e uma solução de carbonato de cálcio, por exemplo, são colocados em um recipiente selado com alta pressão. Isso faz com que os cristais se fundam e recristalizem após o aquecimento.
 Alguns especialistas em gemas dizem que as ametistas sintéticas estão amplamente misturadas, no mercado, com as naturais, porém como os testes de identificação - no caso delas - não são muito utilizados, não se pode afirmar. Outros dizem que a oferta é tão alta que a produção das sintéticas se limita ao uso em rádios, relógios e outros aparelhos elétricos.
Propriedades terapêuticas
Antigamente a ametista era muito usada para proteger os indivíduos da embriaguez e intoxicação, daí o nome. Hoje, as pessoas usam ametistas para manter a fé, trazer a paz e acalmar o espírito. Dizem que fortalece a sabedoria e a religiosidade. Ela impede que a pessoa tenha pensamentos e ações malignas, dá sensibilidade nos negócios e boa saúde. Mulheres orientais a utilizam na testa e acreditam que ela dá energia positiva para o chakra Ajna, conhecido também por “terceiro olho”.

Cuidados
A ametista é uma pedra muito durável, porém deve-se tomar o cuidado de retirar a joia em atividades que a pedra possa sofrer riscos. É importante não expô-la à luz solar intensa por muito tempo, radiação ou luz negra. Pode ser facilmente limpa com água morna e sabão neutro, com pano macio ou escova de dentes. Ao armazenar deve-se ter cuidado para não colocá-la junto com outras pedras mais duras, pois riscos são inevitáveis. Não utilizar produtos químicos e abrasivos. O ideal é enrolá-la em um pano macio ou uma caixa forrada com tecido.

Quartzo Rutilado

Quartzo Rutilado 

NOMES UTILIZADOS PELO MERCADOcabelo de venus, flecha do cupido ou flecha do amor, quartzo com cabelo, quartzo pelo de gato, quartzo rutilado, quartzo sagenítico (geralmente se refere a quartzo transparente contendo incusões como agulha).
CORNormalmente incolor com inclusões tipo agulhas amarelas, latão, pretas ou vermelhas, e com brilho metálico.
VARIEDADESquartzo rutilado

Heliodoro

Heliodoro 

NOMES UTILIZADOS PELO MERCADOheliodoro, berilo amarelo, berilo dourado.
CORDe amarelo esverdeado a alaranjado ou marrom amarelado.
VARIEDADESheliodoro.