sábado, 12 de março de 2016

Garimpo do Roosevelt abriga um kimberlito mineralizado (rocha de origem vulcânica que dá diamante)

Garimpo do Roosevelt abriga um kimberlito mineralizado (rocha de origem vulcânica que dá diamante)

Reserva indígena, que pode ter a maior mina de diamantes do mundo, é explorada pelo crime organizado, que fatura US$ 20 milhões por mês

Numa sala dos fundos da joalheria Oriental, no centro do município de Juína, no Mato Grosso, o comerciante Rogério de Souza desdobra uma folha de veludo preto e espalha sobre a mesa centenas de pequenas pedras brilhantes. Depois de separar com uma pinça um lote de diamantes maiores, o comerciante anuncia o preço do produto: R$ 150 por quilate (1/5 de grama). “Veio de longe. Mas se você quiser as pedras boas e grandes dos índios tem de avisar antes. Na semana passada, um garimpeiro de Rondônia estava pedindo US$ 6 milhões por uma raridade de mais de 100 quilates”
A exemplo dos demais escritórios
de diamantes do município, a Oriental fica na avenida 9 de Maio,
o local preferido dos garimpeiros 
e dos compradores da Bélgica, de Israel e de vários outros países. 
O comércio de pedras também
é intenso nos principais hotéis 
da cidade. “IMG Comércio de Diamantes”, anuncia uma placa colocada no apartamento 202 
do Hotel Caiabi. Era nesse escritório improvisado que despachava o contrabandista de Tel-Aviv Israel Mattiyahu Garby, preso em março
do ano passado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande (MT), quando tentava contrabandear dois quilos de diamantes. Uma carga avaliada em R$ 1,5 milhão ao preço
do mercado de hoje. A prisão de Garby, no entanto, não foi suficiente para afugentar os compradores estrangeiros. No mesmo hotel, o belga Luix Uícus, não hesitou em dizer a ISTOÉ por meio do amigo Talai Did
o que procurava na cidade: “Diamantes grandes e bonitos.” Did e Uícus somente perderam a calma e encerraram a conversa quando
foram perguntados sobre a legalidade da transação.
Esse cenário explica por que Juína, município cercado por várias reservas indígenas, na divisa de Mato Grosso com Rondônia, é conhecido por manter em funcionamento a bolsa de diamantes do País. Na década de 90, esse título, escrito em duas torres erguidas na avenida 9 de Maio 
pelo israelense Izac Ben David, 
se devia à grande produção de diamante industrial no município. Minúsculo, escuro e vendido a preços bem inferiores para indústrias
de ponta, esse tipo de diamante anda em queda, mas é o único
produzido nos garimpos do município. A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sabem 
que as pedras preciosas que atraem compradores e contrabandistas 
para Mato Grosso têm outra procedência: a reserva Roosevelt dos
índios cinta larga. Ocupando uma área de 2,6 milhões de hectares nos Estados de Rondônia e do Mato Grosso, a reserva foi presenteada com um raro kimberlito (rocha vulcânica onde é encontrado diamante).
Segundo estudo da Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), órgão do Ministério das Minas e Energia, o kimberlito, o único do País que pode gerar uma mina industrial de diamante de gema, tem capacidade para produzir no mínimo um milhão
de quilates de pedras preciosas por ano, o que representa uma receita anual de US$ 200 milhões. A extração de mineral em terra indígena é ilegal
e depende de regulamentação do Congresso. Mesmo assim, a Abin
e o serviço de inteligência da PF estimam que US$ 20 milhões de diamantes do Roosevelt saem ilegalmente do País todos os meses.
Para a PF e o Ministério Público, o contrabando explica a enorme discrepância entre a exportação legal 
de diamantes de gemas, que segundo o Serviço de Comércio Exterior (Secex) no ano passado foi de apenas 9.096 quilates, e o destaque
que as pedras brasileiras começam a ganhar no mercado externo.
De acordo com o Mining Journal, publicação especializada da Inglaterra 
que mede a comercialização de pedras preciosas na Europa, a produção de diamantes de gema do País foi de 900 mil quilates, no mesmo 
período, comercializados a US$ 41 milhões. Esse número colocou o
Brasil como o 10º maior produtor de diamantes do mundo. Basta fazer
a conta – 900 mil quilates menos nove mil – para concluir que 890 mil quilates saíram ilegalmente do País em 2001. Cerca de 98% da
produção nacional. “Está claro que a maior parte desses diamantes 
sai do País contrabandeada”, afirma o procurador da República Pedro Taques, que coordena uma força tarefa do MP que investiga o contrabando de diamantes em terras indígenas.
“Lá está a riqueza que os estrangeiros e os políticos querem tirar do meu povo. Tudo o que saiu é pouco. Os garimpeiros estão somente arranhando a rocha maior (kimberlito), abaixo do igarapé, onde está o grosso do diamante”, mostra o cacique Tataré Cinta Larga, enquanto a aeronave sobrevoa o garimpo do Roosevelt. Visto do alto, o cenário apontado por Tataré é assustador. Em meio à floresta devastada, dezenas de tratores e escavadeiras abrem crateras no Igarapé do Lajes, que numa extensão de 40 quilômetros se transformou num gigantesco lamaceiro. Os problemas do garimpo do rio Roosevelt não se resumem, no entanto, ao campo ambiental. A quantidade de pedras preciosas, grandes e de várias cores, atraiu, além dos garimpeiros e mineradoras do Brasil e do Exterior, todo tipo de criminoso e forasteiro para a região. Nos últimos dois anos, a PF retirou cinco mil garimpeiros do local. Centenas de carros e 200 toneladas de maquinário de garimpo foram apreendidos.
A presença de policiais federais não conseguiu, no entanto, acabar com a atividade ilegal. Contrabandistas do Mato Grosso e de Minas Gerais e até mesmo políticos da região assumiram o controle do garimpo. Cooptados pelos grupos organizados, os caciques, iludidos pelos contrabandistas com carros importados e outros presentes caros, além da porcentagem na venda das pedras, passaram a exigir um pedágio de R$ 30 mil pela entrada de cada máquina no garimpo. Um amontoado de quase mil fotos apreendidas no mês passado pela PF, ao qual ISTOÉ teve acesso, mostra cenas assustadoras. Armados com escopetas e armas de repetição, policiais e contrabandistas desfilam com celulares ligados a satélites e em aviões que descem em pistas clandestinas para buscar as pedras valiosas.
A PF chegou a montar dois postos de fiscalização na reserva para combater
o crime organizado, mas, revoltados 
com a apreensão de maquinários e camionetes do garimpo, os guerreiros cinta larga, acionados pelos caciques, expulsaram os federais de sua reserva
no mês passado. Em protesto contra
a apreensão, os caciques assumiram 
o comando do escritório da Funai 
em Cacoal, que permaneceu fechado durante 15 dias em outubro. O administrador do escritório, Laerte Ferraz, em conflito com os Cinta Larga, se licenciou do cargo. Os índios, que exigem a exoneração de Laerte, se aliaram aos técnicos indigenistas José Nazareno de Mares e Valdir Gonçalves, que estão sendo investigados pela PF pelo envolvimento com o contrabando de pedras. As investigações atingem também Vladimir Manqueiro, fiscal do Ibama de Cacoal.
A vida dos contrabandistas tem sido facilitada ainda pela concessão
de licenças de pesquisas minerais em áreas próximas à reserva pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão do 
Ministério das Minas e Energia que regulamenta a atividade mineral
no País. Nem mesmo os parques federais são poupados pelo DNPM. 
A PF acredita que licenças como essas são utilizadas pelos contrabandistas para regularizar as pedras retiradas ilegalmente da reserva. “Essa mina é amaldiçoada, é a mina da morte. Estou cansado
de tanta violência. Já pedi minha transferência para outro local”,
afirmou o delegado Raimundo de Souza Filho, de Espigão D´Oeste, assustado com a onda de crimes e violência no local.
Pelos cálculos do delegado, o garimpo do Roosevelt, que atraiu ladrões de pedras, prostitutas e traficantes para a região, provocou a morte de pelo menos 100 garimpeiros, índios e contrabandistas nos últimos dois anos. Normalmente, as vítimas são garimpeiros que não trabalham para os grupos organizados. Sem dinheiro para pagar o pedágio, eles se arriscam a entrar clandestinos na reserva, onde acabam sendo mortos por índios guerreiros e jagunços contratados pelos contrabandistas. Nos últimos dois anos, 11 ossadas foram encontradas por agentes federais.

Reação – Mas nem tudo está perdido. Uma operação conjunta de vários órgãos federais vem dando resultado. O Ministério Público e a PF comemoram a prisão do advogado Avelino Tavares Jr. e dos empresários de Juína Laudelino Alves Queiroz e Renato Marine, do piloto Eliano Antônio Correia e de um grupo de compradores do Paraná. Mas o policial militar mato-grossense Carlos Santana e o comprador Nilmo Pires dos Santos conseguiram fugir. Depoimentos sigilosos apontam que o grupo de Juína é controlado pelo ex-garimpeiro Hermes Bergamini, proprietário da Diajamur, uma das principais lojas de compras e exportação de pedras da avenida Nove de Maio. A Diajamur reserva uma sala especial para um comprador indiano, que se identifica apenas como Zavarello, principal contato de Bergamini com a Bélgica. Está sob investigação também a prefeita de Espigão D’Oeste, Lúcia Teresa Rodriguez dos Santos (PDT), acusada
em vários depoimentos de manter máquinas dentro do garimpo, que funcionariam com combustível desviado da prefeitura. As investigações atingem até mesmo assessores de políticos de Rondônia e uma quadrilha de Minas Gerais liderada pelo comprador de pedras e empresário Gilmar Alves Campos. Segundo os índios e os garimpeiros, Gilmar teria 
assumido o controle do contrabando no Roosevelt logo após a prisão
de alguns integrantes da quadrilha mato-grossense. Curiosamente,
o empresário ganhou notoriedade ao aparecer no mercado de 
diamantes há dois anos com uma pedra rosa de 75 quilates.
A luta dos Cintalarga
A invasão na reserva dos cinta larga começou na década de 60. Os seringueiros foram os primeiros a chegar. Logo depois, os garimpeiros passaram a rondar as terras indígenas à procura de diamantes, que já brotavam às margens do rio Roosevelt. Muito antes de o sertanista Apoena Meirelles manter contato amistoso com os cinta 
larga na década de 70, os índios
que moram há pelo menos 500 anos nos cerca de três milhões de hectares nos Estados do Mato Grosso e de Rondônia já eram atormentados por invasores. “Eu era criança quando numa emboscada vi meu tio ser morto pelos garimpeiros”, recorda o cacique Tataré Cinta Larga. Naquela época, na avaliação do cacique Nacoça Piu,
os cinta larga eram uma nação composta por seis mil pessoas. Atingidos por constantes conflitos e doenças trazidas pelo homem branco, a reserva está reduzida hoje a 1.200 índios.
Mas, para antropólogos, procuradores e autoridades os estragos provocados pelo novo garimpo à beira do Igarapé Lajes conseguiram, em menos de três anos, superar os muitos anos de invasão. Embora
a maioria dos cinta larga ainda não tenha aprendido o português
e o estado de miséria seja uma realidade na reserva, os caciques
e os índios mais jovens começam a tomar gosto por carros importados, bebidas, óculos escuros, drogas, frete de avião e outros hábitos
da cidade. Na maioria das vezes, o luxo da cidade é trocado por pedras que os contrabandistas recebem por um preço infinitamente abaixo do preço do mercado. Histórias como a do índio que trocou
uma pedra preciosa por dois carrinhos de supermercado cheios de
leite Moça são contadas nas esquinas e nos bares da cidade. “Tentaram eleger o índio como o grande culpado pelo contrabando. Essa visão é simplista e atende aos grandes interesses que a 
mina desperta. Os índios são as principais vítimas de tudo o que
está acontecendo”, afirma o procurador Guilherme Schelb, que
integra a força-tarefa que investiga o contrabando.
A Constituição de 198 passou para o Congresso a responsabilidade
de regulamentar a extração mineral em terras indígenas. Um projeto
de lei, do senador Romero Jucá (PSDB-RO), que permite a entrada
das mineradoras nas reservas, tramita desde 1996. Mesmo antes
de a atividade ter sido regularizada, as mineradoras do País e os grandes produtores do mundo já demonstram cobiça pelos diamantes dos índios. De acordo com levantamento da ISTOÉ, foram registrados no DNPM mais de 400 pedidos de licença de pesquisa na reserva Roosevelt. As mineradoras esperam a aprovação da lei para disputar
o direito de extrair os diamantes da reserva.
Os maiores

Um estudo inédito que mapeou
as reservas minerais do Brasil apontou que o garimpo do Roosevelt abriga um kimberlito mineralizado (rocha de origem vulcânica que dá diamante) com idade, estrutura geológica e capacidade de produção de pedras preciosas semelhantes
às da mina de diamantes do Guaniano, na Venezuela.
Elaborado pela Companhia de Pesquisa e Recursos Minerais (CPRM), o levantamento apontou que o kimberlito tem 1,8 bilhão de anos e uma capacidade de produção de no mínimo um milhão de quilates por ano. Esse número subestimado coloca a Roosevelt, no mínimo, entre as cinco maiores minas de diamantes do mundo. A capacidade real somente poderá ser verificada com uma análise mais detalhada, o que ainda não foi feito, pois o garimpo está localizado em área indígena. Para especialistas, a sondagem poderá indicar a Roosevelt como a maior mina do mundo, superando a atual campeã, localizada em Botsuana, que produz nove milhões de quilates por ano.
Segundo o diretor de geologia e recursos minerais do CPRM,
Luiz Augusto Bizzi, o levantamento foi feito com base na análise
de imagens de satélite, cedidas pelo Japão e pela Nasa, e de
ondas magnéticas captadas por avião. Bizzi lembra que a mina Guaniano já está operando industrialmente com uma produção
de 350 mil quilates por ano. Nos próximos cinco anos, atingirá
a marca de um milhão de quilates. Os maiores produtores 
são Austrália, Botsuana, Rússia, Congo e África do Sul.

Projeto pesquisa 'Diamantes Superprofundos' em Juína (MT)

 Cidade é mundialmente conhecida por conter diamantes originados a profundidades extremamente elevadas
O Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), por meio do “Projeto Diamante Brasil” do Departamento de Recursos Minerais(Derem), participou de uma campanha de campo multi-institucional na região de Juína, Noroeste do Mato Grosso. O campo diamantífero de Juína, maior produtor nacional de diamantes na atualidade, é mundialmente conhecido por conter diamantes originados a profundidades extremamente elevadas (400 a 600 km). Estes são denominados "diamantes superprofundos" e são conhecidos em poucos locais do planeta, Juína é um deles.
Recentemente, o artigo “Geologia: reservatório de água profunda da Terra” foi publicado na revista Nature confirmando a primeira evidência natural da ocorrência do mineral ringwoodita, um polimorfo de alta pressão da olivina capaz de apresentar até 2,5% em peso de água. Este fato gerou grande repercussão no meio científico principalmente em função da afirmação de que a zona de transição terrestre pode apresentar água em abundância. A proposição para este artigo partiu do estudo de inclusões minerais em um diamante de Juína.
Para dar continuidade às recentes pesquisas publicadas, ampliar os conhecimentos sobre os peculiares diamantes de Juína e, consequentemente, das zonas ultraprofundas da Terra, foi realizada a etapa de campo com o objetivo de adquirir amostras de diamantes para estudos laboratoriais diversos (morfologia, microssonda, difração de raios-X, espectroscopia com infravermelho, espectroscopia Raman, etc).
Cabe destacar que estas amostras não contêm valor comercial significativo em termo de diamante tipo gema, apresentando, em geral, baixa quilatagem (< 1 ct), grande quantidade de inclusões e de defeitos estruturais (como p. ex., fraturas preenchidas por minerais do manto). Os diamantes foram todos obtidos em atividade de mineração na área de Juína e legalizados em conformidade com o processo de Certificação Kimberley.
A campanha de campo ocorreu no período de 17 a 24 de maio e participaram os seguintes pesquisadores: Débora Araújo, da Universidade de Brasília (UnB); Marina Dalla Costa, do Departamento Nacional de Produção Mineral(DNPM); Ricardo Weska, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT); Steven Shirey, do Carnigie Institution for Science; Graham Pearson, da University of Alberta;  e Francisco Valdir Silveira e Izaac Cabral, do Serviço Geológico do Brasil. Também contribuíram substancialmente com essa etapa as empresas locais SL Mineradora Ltda, por meio de Paulo Traven;  Cooperativa de Produtores de Diamantes Ltda (Cooprodil) com Roberto Veronese e Romeu Veronese; e o prospector Océlio Alcarás.

Garimpo em Poconé- Mato Grosso

Garimpo em Poconé

Grande é o clamor popular em Poconé contra a extração de ouro nas imediações da área no entorno daquela cidade pantaneira onde vive uma população constituída há mais de dois séculos e que mantém tradições culturais das quais Mato Grosso se orgulha. 

O município de Poconé nasceu do garimpo do ouro nas lavras Tanque do Padre, Lavra do Meio, Ana Vaz e outras, por volta de 1777. A atividade garimpeira manual resultou na formação da vila de Beripoconé – a primeira denominação do lugar, em alusão aos índios de idêntico nome que viviam naquela área. 

Com o passar do tempo Poconé descobriu a pecuária na imensidão pantaneira e se tornou um dos principais criadores de gado no Brasil. Além da bovinocultura o poconeano também se dedica ao cavalo da raça Pantaneiro, cuja associação nacional, a ABCCP, tem sede naquela cidade. 

Mesmo com o surgimento e o fortalecimento da pecuária o poconeano nunca abriu mão do garimpo de ouro. Porém, nas últimas décadas, em razão da fiscalização ambiental, essa atividade entrou em forte declínio. Os garimpeiros tradicionais foram praticamente banidos das frentes de garimpagem cedendo lugar a grandes grupos empresariais mineradores, que agora são acusados por moradores de agredirem o meio ambiente e de colocarem em risco a cidade e sua gente. 

A manchete da edição anterior deste Diário mostra o que se passa em Poconé. A publicação do material despertou interesses de organizações não governamentais e de muitos leitores inclusive de outros estados, que cobram providências por parte das autoridades. 

A existência de enormes, profundas e extensas crateras nas imediações de Poconé, de onde mineradores retiram cascalho em suas frentes de garimpagem é inegável e tanto pode ser vista do alto quanto do solo. Essa ação, ainda que respaldada em licenciamento ambiental precisa ser disciplinada antes que a relação do homem com o meio ambiente se torne totalmente insustentável. 

Além das crateras abertas a constante movimentação de caminhões transportadores de cascalho compromete a qualidade do ar, causa problemas respiratórios e cria clima de insegurança para pedestres. 

Por mais que se justifique a atividade mineradora em Poconé com base em sua lucratividade empresarial, ela precisa ser revista pelo Ministério Público, Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Secretaria de Indústria, Comércio, Minas e Energia (Sicme), Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), pela Associação dos Geólogos de Mato Grosso (Agemat) e pelos sindicatos patronal e dos empregados na extração do ouro. 

Mato Grosso tem que fomentar todas as atividades econômicas, mas isso não significa que para tanto tenha que abrir mão de controlar seus excessos. O garimpo de ouro poconeano merece respeito, desde que praticado dentro das normas legais e de modo que não comprometa a estrutura urbana de Poconé e não coloque em risco seus moradores. Que as autoridades tomem as providências cabíveis. 



O garimpo de ouro poconeano merece respeito, desde que praticado dentro das normas legais

Novas jazidas de diamantes no Brasil

Novas jazidas de diamantes no Brasil

Oito especialistas do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia, mapearam e identificaram dezenas de novas áreas potencialmente ricas em diamantes no País, especialmente no Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará.
Essa iniciativa faz parte do projeto Diamante Brasil, cujas pesquisas de campo começaram em 2010. Desde então, os geólogos visitaram cerca de 800 localidades em diversos estados, recolheram amostras de rochas e efetuaram perfurações para descobrir mais informações sobre as gemas de cada um dos pontos.
O ponto de partida para as expedições foi uma lista deixada ao governo pela empresa De Beers, gigante multinacional do setor de diamantes que prestava serviços para o Brasil na área de mineração. Neste documento, constavam as coordenadas geográficas de 1.250 pontos, entre os quais muitoskimberlitos*. Apesar das informações sobre as possíveis localidades dessas jazidas, não havia detalhes sobre quantidades, qualidade e características das pedras, impulsionando o trabalho de campo dos geólogos.
O objetivo principal dos pesquisadores era fazer uma espécie de tomografia das áreas diamantíferas no território brasileiro, visando atrair investimentos de mineradoras e eventualmente ajudar a mobilizar garimpeiros em cooperativas. Essas medidas podem trazer um aumento na produção de diamantes em território nacional e coibir as práticas ilegais relacionadas a essas pedras preciosas.
Atualmente, o Brasil conta principalmente com reservas dos chamados diamantes industriais e de gemas (para uso em jóias). Os de gemas são os que fazem girar mais dinheiro, considerando que um diamante desses pode ser vendido em um garimpo do Brasil por R$ 2 milhões. Já o valor da pedra lapidada pode chegar à R$ 20 milhões.
Os detalhes dos achados ainda são mantidos em sigilo. Com o fim do trabalho de campo, os geólogos do Diamante Brasil darão início à descrição dos minerais encontrados e as análises das perfurações feitas pelas sondas. A intenção dos pesquisadores é divulgar todos os dados em 2014.
*O que é um Kimberlito?
De acordo com Mario Luiz Chaves, doutor em geologia pela Universidade de São Paulo e professor adjunto da UFMG, kimberlitos são rochas hibridas, ígneas ultrampaficas, potássicas e ricas em voláteis, com origem a mais de 150km de profundidade e que chegam a superfície por meio de pequenas chaminés vulcânicas ou diques. Normalmente, os diamantes são encontrados neste tipo de rocha. Confira uma foto:

Os cinco maiores diamantes lapidados do mundo

A obra Diamante: a pedra, a gema, a lenda, de autoria do professor doutor Mario Luiz Chaves e do doutor em engenharia de minas Luís Chambel, aborda aspectos geológicos e de mineração relacionados aos famosos minerais e traz diversas curiosidades para os leitores. Abaixo separamos uma lista baseada no livro com dados sobre os maiores diamantes do mundo e fotos incríveis de cada um deles.
1)    Cullinan I
Essa pedra foi encontrada em 1905 na África e recebeu o nome de Cullinan em homenagem ao dono da mina, Thomas Cullinan. É considerado o maior diamante já encontrado e pesa 3.106 quilates. Atualmente, adorna o Cetro do Soberano, propriedade real da Inglaterra.
2)    Incomparable
O Incomparable, ou Imcomparável, tem uma história curiosa: foi encontrado em 1984 por uma garota em uma pilha de cascalho próxima à mina MIBA Diamond, no Congo. Considerado inútil pela administração da mina, o cascalho foi descartado com a pedra, e a menina acabou descobrindo o segundo maior diamante bruto do mundo, com 890 quilates. O corte do diamante gerou 14 gemas menores e o Incomparável, um diamante dourado com 407,48 quilates.
3)    Cullinan II
O Cullinan II, conhecido como Pequena Estrela da África, foi encontrado no mesmo ano e local que oCullinan I. Com 317.4 quilates (63.48 g) é o terceiro maior diamante lapidado do mundo, e foi colocado na coroa imperial, também pertencente à realeza da Inglaterra.
4)    Grão Mogol
Encontrado na Índia em 1550, pesa 793 quilates. A pedra deu nome a um município em Minas Gerais. O paradeiro atual desta preciosidade é desconhecido.
5)    Nizam
O Nizam é o diamante mais antigo desta lista e foi descoberto na Índia em 1830. A pedra tem 227 quilates e já adornou coroas e joias reais (Elizabeth). Atualmente ninguém sabe ao certo qual foi o seu último destino.

Vulcões explicam riquezas do solo de Mato Grosso

Vulcões explicam riquezas do solo de Mato Grosso

Estudos da UFMT em conjunto com instituições estrangeiras detalham fatos de milhões de anos

EVILÁZIO ALVES/DC
Vulcanismo, segundo o professor Ricardo Weska, contribuiu para formação do Cerrado


Quem deseja conhecer a fundo — literalmente — a história de Mato Grosso, não pode deixar de lado fatos que ocorreram há 85, 350, 600 milhões de anos. De fato, inúmeros e recentes estudos vêm comprovando que a paisagem natural do Estado — com suas tão propaladas belezas e tão cobiçadas riquezas —, não é senão o resultado de fenômenos geológicos que, ao longo de todo esse tempo, foram formando o que hoje vemos e exploramos. 

Dentre esses fenômenos, o do vulcanismo, de acordo com professor de Geologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ricardo Weska, foi um dos que mais contribuíram para a formação da paisagem do Cerrado. Em sua tese de doutorado, o professor comprovou que, há 85 milhões de anos, uma imensa bolha formada por rochas magmáticas partiu do interior da Terra rumo à superfície. Era tal a força da bolha que ela conseguiu romper a crosta terrestre (que em Mato Grosso tem cerca de 90 quilômetros de espessura) e explodir em centenas de vulcões. “Mais de mil corpos de vulcões, datados de 85 milhões de anos, podem ser encontrados hoje nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás”, diz Ricardo Weska. 

As bolhas, ou plumas, são originadas a partir do limite entre o manto pastoso e o núcleo da Terra, que é uma estrutura sólida formada especialmente por ferro e níquel, materiais densos e pesados. Essa fronteira de onde saem as plumas responsáveis pelos vulcões tem até 700 quilômetros de espessura. Por estar hoje sob a ilha brasileira de Trindade, a 1.200 quilômetros da costa do Espírito Santo, a bolha estudada por Ricardo Weska foi chamada de Pluma de Trindade. 

Os estudos do professor foram realizados em parceria com pesquisadores de universidades inglesas e canadenses, o que lhe permitiu datar de maneira precisa a época em que o fenômeno ocorreu, pela análise da composição química das rochas vulcânicas encontradas nos municípios de Chapada dos Guimarães, Dom Aquino e Poxoréu e nas cercanias da Serra de São Vicente e na localidade de Paredão Grande. 

Sob o aspecto econômico, o intenso vulcanismo ocorrido há tanto tempo foi tão generoso quanto no aspecto visual. As melhores terras para a agricultura, por exemplo, estão localizadas ao redor desses vulcões. A pluma fóssil foi responsável por derrames de lava que, resfriadas e transformadas ao longo do tempo, originaram as rochas que se decompuseram em terras pegajosas e férteis. “O aparecimento de águas minerais e termais em Campo Verde, São Vicente, Dom Aquino, Poxoréu, General Carneiro e Barra do Garças, também pode estar relacionado com a pluma”, diz Ricardo Weska. “À medida que ela se aproxima, vai esquentando toda a crosta terrestre”. 

De acordo com o professor, esse esquentamento da superfície terrestre, há 85 milhões de anos, coincidiu com a época do desaparecimento dos “dinossauros mato-grossenses”, entre eles os Tiranossauros Rex. Segundo Ricardo Weska, muitas arcadas dentárias do Tiranossauro Rex, um dinossauro de tamanho médio, carnívoro e predador, já foram encontradas em Chapada dos Guimarães. Mas as vantagens da Pluma de Trindade, (sob o ponto de vista humano) não terminam por aí. 

Em sua viagem do interior da Terra rumo a superfície, a bolha traz consigo toda sorte de minerais que formam a crosta terrestre. Entre eles o diamante, que estão a cerca de 150 quilômetros de profundidade. O diamante, como se sabe, é formado por carbono, elemento químico que, ao ser queimado, transforma-se em grafite, usado em lápis de escrever, e quando submetido a condições de altíssima temperatura e pressão, peculiares em tal profundidade terrestre, transforma-se na tão valiosa pedra. 

“Tenho uma forte suspeita de que os vulcões originados pela Pluma de Trindade contem parte da história do diamante em Mato Grosso”, diz Ricardo Weska. Segundo o professor, outras pedras muito valiosas encontráveis no Estado também podem ter sido trazidas pelos vulcões, como as opalas e as safiras azuis.