quinta-feira, 18 de agosto de 2016

PRASIOLITA: A GEMA QUE IRRADIA BELEZA


PRASIOLITA:
A GEMA QUE IRRADIA BELEZA



A Prasiolita (ou “ametista verde” como é comercialmente conhecida), tornou-se famosa dentre as demais pedras preciosas e utilizada  abundantemente  pela indústria de gemas e jóias devido ao seu verde incomum que lhe proporciona rara beleza. Nos dias atuais gemólogos do mundo inteiro encontram-se “quebrando a cabeça” para descobrir de onde surgiu tanta prasiolita no mercado, já que se trata de uma variedade de quartzo extremamente rara.

LAVRA E GARIMPOS DE PRASIOLITAS
Poucas lavras de prasiolita natural  têm sido relatadas no mundo. No Brasil, a única que se tem conhecimento é a de  Montezuma-MG, mesmo assim não apresenta quantidades viáveis comercialmente. Assim sendo,  por se tratar de uma gema tão rara, como explicar sua grande presença no comércio de gemas e jóias nos dias atuais? Explico: apesar de existir na natureza, a prasiolita observada abundantemente hoje em dia é resultado da aplicação de radiação no quartzo natural, incolor ou levemente violeta (daí o nome “ametista verde”) proveniente de lavras e garimpos de quartzo com características especiais
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TÉCNICA DE TRATAMENTO DA PRASIOLITA
A técnica de tratamento foi desenvolvida pioneiramente pela EMBRARAD-EMPRESA BRASILEIRA DE RADIAÇÕES em quartzo incolores da região de Uberlândia-MG, a partir dos meados de 2003. Atualmente todas as prasiolitas observadas no comércio nacional e internacional passam por esta empresa para o beneficiamento de sua cor antes de chegar ao consumidor final. A técnica envolve radiação gama em uma câmara do tipo “tote box”, onde a fonte da radiação é o Cobalto-60.
Porém, não é todo quartzo natural incolor que após tratamento com radiação gama origina o aparecimento da cor verde característico da prasiolita. Tal mineral precisa conter, além do SiO2, elementos químicos tais como Fe (Ferro)  que atuam como impurezas em sua composição original básica. Assim sendo, encontrar uma lavra de quartzo incolor que após irradiado passe a prasiolita com o “bombardeio” não é tarefa fácil. No Brasil já se tem conhecimento de lavras ou garimpos de quartzo incolor com estas características, tais como em Uberlândia-MG, e algumas regiões do Rio Grande do Sul e Uruguai.
CAUSA DE COR
Sabe-se que ambas prasiolitas (tanto a prasiolita natural quanto a irradiada em laboratórios) são produtos de radiação. A origem de seu verde incomum  parece estar relacionada a formação de centros de cor (vacâncias causadas na estrutura pela irradiação natural dos depósitos ou de laboratório como o da EMBRARAD) em quartzos naturais inicialmente incolores com alto teor de ferro. Apesar de tantas pesquisas sobre causas de cor em prasiolitas, os pesquisadores ainda não chegaram a um consenso quanto a real causa de cor neste mineral. O que pode se afirmar é que a mesma está relacionadas a ambientes geológicos com alto teores de Ferro (Fe de valência 2+) e de caráter hidrotermal ou seja tal cristal cresceu em ambientes geológicos com a presença de H2O (água).
IDENTIFICAÇÃO
Métodos convencionais de identificação de gemas não conseguem distinguir entre a prasiolita natural e o seu correspondente irradiado. Assim sendo, a prasiolita - mesmo que irradiada em laboratório - é classificada gemologicamente como uma  variedade natural do mineral quartzo (SiO2). Vale ressaltar que  a aplicação da radiação gama na prasiolita e em qualquer outro tipo de pedra preciosa não usa qualquer tipo de corante que altere as propriedades fisico-químicas original do mineral quartzo. A cor da prasiolita irradiada é simplesmente uma aceleração do processo iniciado pela própria natureza, ou melhor, é uma resposta de sua composição em relação à aplicação de radiação natural dos depósitos ou de laboratório. Isto significa dizer que  a prasiolita irradiada não apresenta modificações ou diferenças em suas principais características gemológicas básicas. tais como índice de refração,  densidade, pleocroísmo, etc, e sua cor resultante quando comparada com o seu correspondente natural é a mesma.  Tais características levaram a aceitação da prasiolita irradiada pelo comércio e responde a questão da sua grande abundância no comércio de gemas e jóias nos dias atuais.
COMÉRCIO
Nos últimos 4 anos, as prasiolitas irradiadas têm sido sucessos absolutos nas principais feiras de gemas como em Tucson-Arizona-EUA, Hong-Kong (China) e Bangkok (Tailândia), bem como nas feiras de jóias como em  Basel (Suíça) e Feninjer (São Paulo).  A prasiolita também  tornou-se tema central da terceira edição de um dos mais importantes concurso de design de jóias do país, o Prêmio EMBRARAD de Design de Jóias.
PREÇO
Antes de encontrarmos o seu correspondente irradiado, a prasiolita era vendida a 25 dólares o quilate, em média. No entanto, isto era privilégio de poucos e nenhuma coleção de jóias contendo prasiolita poderia ser desenvolvida em série. Os mais importantes joalheiros do país comemoram com a existência do seu correspondente irradiado e de sua aceitação, e diversas coleções estão sendo desenvolvidas usando-se abundantemente esta gema. Atualmente o preço por quilate da prasiolita lapidada  gira entre 2 a 7 dólares por quilate, de acordo com a intensidade (matiz) da cor verde. Nomes como extra green and super green já estão sendo aplicados às melhores matizes de prasiolitas. Quando em bruto (e já irradiado) seu valor é dado de acordo com os tamanhos das pedras (em grama) e seu preço gira em torno de 2,5 dólares por grama em bruto do tipo extra green.

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS: NOVA TENDÊNCIA

QUARTZOS FUMÊ E MORION IRRADIADOS:
NOVA TENDÊNCIA 




O mineral quartzo pode ser considerado um verdadeiro “camaleão” em se tratando das variedades de cores alcançadas com a aplicação da radiação gama (tratamento em pedras preciosas comumente conhecido como “bombardeio”). Entre eles, grandes destaques para os quartzos fumê e morion irradiados a partir do quartzo natural incolor. Nos últimos tempos, tais variedades vêm ganhando espaço e ocupando seu lugar no comércio de gemas e jóias. Em função desta nova tendência de mercado, grandes quantidades de quartzos naturais incolores oriundos de diferentes regiões brasileiras têm chegado às unidades de radiação da EMBRARAD (Empresa Brasileira de Radiações), para transformá-los em quartzos destas tonalidades.
 
O quartzo fumê ou enfumaçado (Smoky quartz) é uma das variedades mais populares do mineral quartzo. Sua cor é facilmente reconhecida pelo público em geral - quando apresenta certa transparência o nome quartzo fumê é mais corretamente aplicado. Apesar de existir na natureza, o quartzo fumê pode ser obtido facilmente a partir da aplicação de radiação gama em seu correspondente natural e incolor. A cor fumê após bombardeio deve-se à presença do elemento químico alumínio.
 
Quando o mineral quartzo (após irradiado pela natureza ou laboratório) não apresenta nenhuma transparência, o nome mais correto seria morion ou black quartz - ou seja, quartzo completamente preto e opaco. Alguns quartzos morion são tão escuros que se tornam similares ao ônix (agregrado microcristalino de quartzo) e difíceis de serem encontrados. Portanto, seu correspondente irradiado tornou-se preferido pelos designers de jóias, devido a sua perfeita combinação com brilhantes incolores e ouro branco, além de ser mais facilmente encontrado. Quartzos morion são estremamente enriquecidos em alumínio, elemento fundamental na formação de “centros de cor” com a aplicação da radiação gama, que faz com que este mineral fique saturado na cor preta.
 
Quartzos enfumaçados com tonalidades laranja-amarronzados, conhecidos no comércio como quartzos conhaque, são obtidos a partir da aplicação de radiação gama em quartzos naturais incolores enriquecidos em Fe e Al. Esta é outra variedade preferida pelos designers. Vale ressaltar que o correspondente natural do quartzo conhaque é extremamente raro e poucas lavras deste tipo de material são conhecidas.

GEMAS IRRADIADAS DO PARÁ: UM FUTURO PROMISSOR

GEMAS IRRADIADAS DO PARÁ:
UM FUTURO PROMISSOR 



PARÁ começa a despontar como uma das maiores províncias gemólogicas de materiais passíveis de beneficiamento  pela radiação gama (Cobalto-60). Testes recentes realizados pela EMBRARAD - Empresa Brasileira de Radiações em  garimpos da região de São Geraldo do Araguaia (Sudoeste do Pará) demonstram o grande potencial existente naquele Estado. Os testes foram realizados inicialmente  em quartzos completamente incolores, que após o tratamento passaram a um verde puro e  muito  acentuado.
Tudo indica que, além do mineral quartzo, outros minerais oriundos de regiões paraenses também podem ter suas cores melhoradas com o processo de radiação gama, pois segundo o Mapa Gemológico Paraense, diversas ocorrências de minerais como berilos, turmalinas, topázios, etc, já foram constatadas no local.


O objetivo principal - do  tratamento de minerais naturais usando-se radiação é o de originar e/ou melhorar  a  condição inicial de um determinado mineral gemológico que se apresente  incolor ou levemente colorido na natureza, conseqüentemente agregando-lhe com tal processo mais valor comercial.

O processo - A radiação gama aplicada em minerais gemológicos naturais incolores e/ou levemente coloridos é uma técnica ultra moderna existente no Brasil e desenvolvida pioneiramente pela EMBRARAD - Empresa Brasileira de Radiações (com sede em São Paulo) há 25 anos. A fonte da radiação gama utilizada no melhoramento da cor de pedras preciosas é o cobalto-60. Tal radiação quando aplicada em minerais gemológicos apenas acelera o que a natureza faria em milhares de anos  no que diz respeito a sua cor. A técnica não usa qualquer tipo de aditivo químico, ou altera a composição química original do mineral, sendo por este fato, o produto resultante aceito nacional e internacionalmente por comerciantes de gemas e joalheiros.
Exemplo significativo - A  cultura de tratar minerais gemológicos (através da aplicação de radiação gama) incolores ou levemente coloridos,  que saem das mais diversas lavras e garimpos do Estado de Minas Gerais, tornou-se uma constante dos comerciantes de gemas locais.  Para se ter uma idéia, no  ano de 2006 o comércio de gemas em Minas teve um crescimento de aproximadamente 70%, grande parte devido ao processo de tratamento de minerais gemológicos tratado pela radiação gama, em particular pela EMBRARAD, pois os materiais ditos 100% naturais (ou que já saem coloridos da própria natureza) já encontram-se cada vez mais escassos na região. Por outro lado, o paraense ainda está alheio ao conhecimento dos benefícios que a radiação gama possa trazer ao material gemológico existente em sua grande e  “virgem” província gemológica, e está deixando de gerar riqueza. Em síntese, ter o real conhecimento dos benefícios do tratamento por radiação gama em pedras preciosas faz-se extremamente necessário.
exemplos de quartzo - Museu de gemas do ParáOs benefícios futuros - O tratamento dos minerais gemológicos da Província Gemológica Paraense através da radiação gama, a priori, do mineral quartzo existente abundantemente  naquele  estado, será de grande ajuda para a APL (Arranjo Produtivo Local) que atualmente é direcionado pelo POLO JOALHEIRO PARAENSE SÃO JOSÉ LIBERTO. Com este novo conhecimento, os designers de jóias paraenses terão um atributo a mais para enriquecer suas jóias, não apenas em beleza como também em valores mais acentuados, além de fomentar sua indústria de lapidação, que ainda se apresenta modesta.

GEMAS IRRADIADAS: PROCESSOS

GEMAS IRRADIADAS:
PROCESSOS




Resultado das maravilhas do mundo moderno, o melhoramento de cor pedras preciosas pela radiação está revolucionando o comércio de gemas e beneficiando cada vez mais indústria joalheira mundial. Gemas naturais incolores ou levemente coloridas, tais como topázios, quartzos, berilos, turmalinas, espodumênios e diamantes têm agora suas cores melhoradas por esta tecnologia.A qualidade e seriedade do melhoramento, a estabilidade da cor resultante, preços mais convidativos, variedade de cores e tons resultantes e, principalmente, a aceitação nacional e internacional estão fazendo a diferença por esta nova escolha.
O Brasil que, desde longa data, figura no cenário mundial como um dos maiores produtores de pedras preciosas, passa a figurar também como um dos principais produtores de materiais gemológicos beneficiáveis pela radiação, com destaque para a Província Pegmatítica Oriental Brasileira (Norte de Minas Gerais), Espirito Santo, Goiás, Bahia, Pará e Rondônia.
O melhoramento de cor de pedras preciosas com uso de radiação é parte integrante dos diferentes usos pacíficos da energia nuclear na indústria. Sua aceitação, regulamentação e benefícios já são assuntos amplamente discutidos.

Embora os cientistas saibam desde o começo do século XX que a radiação afeta a cor de pedras preciosas, foi somente na década de 80 que várias tecnologias foram desenvolvidas visando este novo nicho de mercado. Assim sendo, gemas naturais incolores ou levemente coloridas oriundas de lavras, minas e áreas de garimpo do mundo inteiro podem agora ter suas cores melhoradas por tais processos. São eles:

Radiação Gama - usa como fonte da radiação o Cobalto-60. As principais gemas melhoradas em sua cor por este processo são: quartzos incolores naturais (cristais) que passam para quartzos verdes (olive, green- gold, prasiolita), ametistas, citrinos laranja, laranja amarronzados, amarelos, quartzo fumê e morion, berilos incolores (goshenitas) que passam a morganitas, berilo verde, e heliodoro, espodumênios - principalmente kunzita que tem seu róseo intensificado, topázios incolores que passam a topázios azuis e turmalinas de cor rosa e vermelha que têm suas cores acentuadas.
Acelerador de elétrons - um acelerador linear, ou "linac" como é comumente conhecido, é uma espécie de "arma" que dispara elétrons. As principais gemas tratadas por este processo são: topázios incolores naturais que passam a topázios azuis conhecidos como sky blue, swiss blue, baby blue e electra blue, berilos incolores naturais que passar a berilos verdes e amarelos, e diamantes incolores naturais que passam a diamantes coloridos.

Reator Nuclear - usa neutrons como fonte da radiação. As principais gemas tratadas por este processo são os topázios incolores naturais, que passam a topázios azuis do tipo london blue e diamantes incolores naturais, que passam a coloridos.

Lápis de Cobalto 60 - Radiação Gama (Embrarad)

Acelerador de Elétrons

Reator nuclear Trigga

GEMAS IRRADIADAS: KUNZITA

GEMAS IRRADIADAS:
KUNZITA




O beneficiamento (intensificação) da cor rosa de kunzitas naturais para tons mais fortes, usando-se radiação gama, tem agregado mais valor e beleza às jóias brasileiras. Tons mais fortes de kunzita rosa (lavanda) e bordeaux, preferidos pelosdesigners, indicam que a kunzita passou por processos de radiação.
Apesar da produção de kunzita irradiável ser considerada sazonal, grande quantidades deste mineral chegam às unidades de radiação para tratamento a todo momento. Os principais depósitos de kunzitas irradiáveis estão localizados em Minas Gerais, nos municípios de Galiléia, Conselheiro Pena, Resplendor, entre outras regiões daquela província de gemas.
Cobiçada pela indústria joalheira, a kunzita irradiada
valoriza a jóia no ato da venda
O que acontece cientificamente na kunzita durante a intensificação da cor rosa ainda necessita de estudos mais detalhados. Alguns autores acreditam que tal intensificação esteja ligada ao elemento químico manganês.
Vale ressaltar que apesar de apresentar ótima estabilidade em sua cor, deve se evitar fogo direto durante a confecção de jóias com kunzita e também exposição excessiva ao sol. Devido a isto e, também, à sua beleza noturna, esta gema ficou conhecida como "dama da noite".
         
Colar e anel em ouro branco, kunzitas, pérolas e diamantes
Design por Ruth Grieco