sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Pará deve autorizar mineração de ouro nas bordas de Belo Monte

Pará deve autorizar mineração de ouro nas bordas de Belo Monte

O governo do Pará está prestes a autorizar o início da operação de um projeto bilionário para explorar ouro nas bordas da barragem da Hidrelétrica de Belo Monte, ignorando a conclusão de parecer técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai), que não aprova o licenciamento da mineração por conta de falhas nos estudos de impacto às comunidades indígenas. Pessoas que acompanham o processo dizem que a autorização sairá nos próximos dias.
Para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará, órgão que é responsável pelo licenciamento do projeto, não há mais nada o que discutir sobre questões indígenas. A empresa canadense Belo Sun, dona do empreendimento batizado como Projeto Volta Grande, que pretende ser o “maior programa de exploração de ouro do Brasil”, já teria apresentado ao governador do Pará, Simão Jatene, todos os dados relacionados ao assunto e discutido seus efeitos sobre o meio ambiente e as comunidades locais.
Não é o que diz, porém, a Funai. Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o órgão federal reafirmou o posicionamento apontado por um relatório técnico que realizou no fim do ano passado, com base em informações apresentadas pela Belo Sun. A conclusão é que o estudo que trata do licenciamento ambiental “foi considerado inapto à apresentação para as comunidades indígenas”, por não atender a critérios básicos exigidos pela autarquia.
A Funai afirma que não há nem sequer “dados primários” sobre as duas terras indígenas mais próximas ao local onde se pretende extrair ouro, no município de Senador José Porfírio, na orla do Rio Xingu. A despeito dos riscos e de impactos ao meio ambiente ou aos índios, o governo paraense está de olho mesmo é nos números do projeto.
A Belo Sun, controlada pelo grupo Forbes & Manhattan, um banco de capital privado que investe em projetos de mineração mundo afora, promete injetar R$ 1,2 bilhão na região. Com explosões de dinamites, tem planos de arrancar 4,6 mil quilos de ouro por ano do subsolo do Xingu. E isso durante duas décadas, o que coloca seu projeto no nível das maiores explorações de ouro do País, como a da mina subterrânea de Crixás, em Goiás, com produção anual de 6 toneladas.
Para se ter uma dimensão do projeto, dados oficias dão conta de que, nos anos 80, foram retiradas do maior garimpo a céu aberto do mundo, Serra Pelada, no Pará, 30 toneladas de ouro.

Contas

O governo do Pará fez suas contas. Seriam 2.600 empregos diretos e arrecadação de R$ 60 milhões por ano em royalties da mineração por 12 anos. Em impostos, os cálculos chegam a R$ 132 milhões durante a fase de implantação e mais R$ 55 milhões anuais quando a operação estiver a plena carga.
Os números não conseguem ofuscar, porém, a polêmica que gira em torno do projeto, que enfrenta resistências até da própria Norte Energia, concessionária que administra a Hidrelétrica de Belo Monte. Movimentos indígenas e ambientais, além de o Ministério Público Federal, criticam a proximidade da mineração, que prevê a remoção de nada menos que 37,80 milhões de toneladas de minério da área próxima à barragem de Belo Monte.
A mineração ocorreria abaixo do eixo da barragem, numa área conhecida como Volta Grande do Xingu. Por conta do acúmulo de água no reservatório da usina, esse trecho do rio, que tem aproximadamente 100 km de extensão, passou a ficar permanentemente com uma vazão mínima de água. É justamente nessa área que vivem diversas comunidades indígenas.
A preocupação é de que a exploração mineral possa potenciar ainda mais os problemas que essa região já enfrenta. Por meio de nota, o secretário adjunto de gestão e regularidade ambiental do Pará, Thales Belo, afirmou que todas as comunidades indígenas da região vivem acima do raio de 10 quilômetros do projeto, parâmetro legal usado para estabelecer quando um empreendimento tem “impacto direto” sobre as terras indígenas. De acordo com o governo do Pará, as comunidades indígenas estão a 12 e 16 quilômetros do local de atuação da empresa.
A Belo Sun não respondeu ao pedido de entrevista. Em sua página na internet, com conteúdo apenas em inglês, a empresa convida investidores para entrar em negócio com “tremendous” potencial no Brasil. Há cinco anos, os canadenses tentam liberar a exploração. O projeto já conseguiu obter sua licença prévia da Semas, documento que garante a viabilidade ambiental da exploração. Em abril do ano passado, o governo do Pará chegou a anunciar uma cerimônia na qual a licença seria emitida. Porém, o anúncio foi adiado após alguns dias.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Exame

Em Ascensão e Queda do Império X, Sergio Leo narra história do empresário que perdeu bilhões

Em Ascensão e Queda do Império X, Sergio Leo narra história do empresário que perdeu bilhões
A história do empresário brasileiro Eike Batista, que, após ser considerado o sétimo homem mais rico do mundo, perdeu bilhões de dólares e causou prejuízo a dezenas de investidores, é narrada no mais recente livro do jornalista Sergio Leo.
Ascensão e Queda do Império X, da editora Nova Fronteira, já teve lançamentos no Rio de Janeiro e em Brasília. Em entrevista ao R7, o autor contou detalhes sobre a vida do "excêntrico" ex-bilionário.
Ilustrações retratam manias e superstições de Eike
Confira a entrevista completa abaixo.
R7 — Este livro é uma biografia?
Sergio Leo — Certamente não é uma biografia. Ele menciona episódios da biografia do Eike Batista porque a biografa do Eike se confunde muitas vezes com a história das suas empresas. É um livro que tenta contar essa história empresarial não só para quem se interessa por negócio, mas [para] quem tenta entender a economia brasileira, para saber como funcionam essas engrenagens.
O meu principal objetivo mesmo é entreter com histórias interessantes. Ele (Eike Batista) se meteu em uma quantidade de empreendimentos, do minério ao petróleo, ao estaleiro, ao cosmético. Até empresa de Correio, feito o Sedex, ele tentou fazer, mas foi um fiasco.
Como você chegou até as “histórias exóticas de um excêntrico bilionário”?
Essas histórias são bastante conhecidas, o próprio Eike se encarregava de espalhar. Fazia parte um pouco do marketing pessoal do Eike, como um milionário excêntrico. Ele de fato é um cara meio místico, tem umas manias e isso acaba afetando, às vezes, a maneira de fazer negócio. Ele virou as chamas do sol, que era o símbolo da empresa (EBX), porque uma mística disse para ele que os negócios estavam andando para trás porque o sol estava virado para o lado errado.
Você não consegue entender o que aconteceu com as empresas X só apelando para o lado racional. A gente costuma imaginar que um cara bem sucedido é um cara que pesa, mede cada passo, investimento. Às vezes o cara é guiado por algum intuição, alguma mania, uma superstição. O Eike é uma espécie de empresário “funk ostentação”. Essa ideia de mostrar, de exibir riqueza, é exatamente o que o Eike faz numa escala bilionária.
No livro, você diz que o governo gostava dele, mas os empresários não simpatizavam. Por quê?
Sempre teve gente do mercado que desconfiou, pensou que não ia dar certo. Mas a verdade é que o Eike apareceu para todo mundo como um empresário convincente. (...) Qual o cenário do mundo que você tinha? A Europa e os Estados Unidos entrando em rescessão com a crise econômica, os fundos de investimento, aplicações cheias de dinheiro, que não perderam tanto, precisando achar um lugar onde colocar dinheiro, e aparecia o Brasil como um país Bric (grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia e China), como um lugar para estar naquele momento.
O governo também precisava de um empresário disposto a se mostrar, disposto a investir do zero. Eike representava o tipo de empresário que dava a imagem que o governo precisava, para mostrar que um governo de esquerda pode ter seu capitalista. O mercado financeiro abraçou o Eike. Ele mostrava que o mercado de ações dava muito dinheiro e oferecia oportunidades maravilhosas para quem resolvesse comprar. O fracasso foi compartilhado por muita gente do setor privado e público.
Quando ele começou a fracassar?
Uma das razões para o fracasso das empresas é que ele apostou alto demais. Ele comprou por um preço muito alto as reserva de petróleo e apostou num grau de produção que era o mais otimista que havia. Superdimensionou as plataformas, as encomendas. Ele gritava com os executivos, dizia que eles tinham calças curtas, que não serviam para trabalhar com ele, que gostavam de puxadinho. [Eike dizia que] não fazia puxadinho, fazia logo uma coisa para durar. Foi a perda da credibilidade dele que anunciou o começo do fracasso. É quando a OGX anuncia que as reservas, que eram gigantescas, na verdade não eram nem viáveis.
Qual imagem o povo brasileiro tem dele?
Você vai ter de tudo. No lançamento do livro, eu encontrei gente que ainda acha que o Eike vai se levantar, e gente que o xingava, dizia que era uma farsa. Eike é uma figura interessantíssima porque ele conseguiu cativar amigos e inimigos fiéis.
Você acha que ele conseguirá sair desta situação?
Isso é um grande mistério. Ele já mostrou outras vezes que foi capaz de cair e se levantar e fingir que nada tinha acontecido, mas nunca ele tinha levado um tombo tão grande. Nesse caso agora, ele cravou os holofotes, levou um tombo na frente de todo mundo em cadeia nacional. A credibilidade dele ficou muito abalada. (...) O crescimento dele foi muito baseado no talento que era o de despertar confiança. Subitamente ele virou o maior visionário do Brasil e as pessoas resolveram pagar caro pelas ações que ele vendeu na bolsa.
A exposição dele exagerada contribuiu para essa queda?
Talvez [a exposição o] tenha distraído de coisas realmente práticas que ele deveria estar trabalhando, na própria gestão das empresas. Não sei se [seu estilo] é por causa da visibilidade, ou se a visibilidade é por causa do estilo de gerência, que não é compatível com os negócios. Acho que a celebridade fez mais mal ao próprio Eike e aos filhos do que às empresas.
O casamento com Luma de Oliveira ajudou ou prejudicou?
Procurei sair do aspecto mais íntimo e falar da intimidade quando tivesse ligado ao negócio. No casa da Luma, ele mesmo dizia que era mais conhecido como marido da Luma do que como empresário. É uma faceta importante da vida empresarial dele. Evidente que uma mulher celebre, charmosa, como era Luma de Oliveira, ajudava nos negócios, abria as portas, facilitava o reconhecimento, ajudava no marketing pessoal dele.
Você acredita que o Eike era puro marketing?
Ele não era puro marketing porque, de fato, criou empreendimentos, mobilizou capitais, começou negócios onde não havia nada. Tinha de fato um lado concreto além do marketing.
De que forma ele foi ajudado nos negócios por seu pai (Eliezer Batista foi ministro de Minas e Energia do governo João Goulart, em 1962 e 1963, e também presidente da Companhia Vale do Rio Doce)?
Foi o pai dele que ajudou, no começo da carreira, a colocá-lo no lugar certo, com as pessoas que podiam ajudar a fazer negócios. O pai dele nos bastidores buscava aliados ou investidores para ajudar o filho. A própria relação com a [presidente] Dilma foi facilitada porque a Dilma era uma profunda admiradora do Eliezer Batista. (...) Agora ele [Eike] tinha luz própria. Em alguns momentos, conseguiu sim superar e ir além do que o pai queria.
E a história de que Eike teria recebido do pai um mapa com a localização das riquezas naturais do Brasil? É verdade ou mentira?
Eu não descarto nada, mas eu ficaria muito surpreso.  A maioria das pessoas com quem eu falei, gente que conhece profundamente a carreira do Eike, me garante que não é isso. Até porque, se você olhar, as minas mais produtivas que ele teve nos melhores negócios eram conhecidas. A grande diferença do Eike é que ele foi capaz de mobilizar capital e ajuda do governo para explorar essas minas. Esse é o tipo de mito que o próprio Eike ajudava a espalhar, porque, quando ele foi para a OGX, uma coisa que ajudou a vender as ações da empresa foi o número de grandes funcionários da Petrobras que ele levou para lá. Parecia que ele tinha nas mãos algo que ninguém sabia.
Os minoritários da OGX, que perderam muito dinheiro quando as ações passaram a valer centavos, afirmam que não houve fiscalização dos órgãos competentes.
Fiscalização houve, mas foi incipiente. Quando você vê dez acionistas perderem muito com a empresa é natural. Mas é muito grande a quantidade de gente que estava na OGX e que, de uma hora para outra, foi informada que as informações das empresas não valiam nada.
Os acionistas minoritários foram enganados?
Você tem uma mistura de tudo. Tem gente que sabia que aquilo ia estourar e não foi ágil para sair a tempo. Tem gente que merecia ser enganado porque não se informou direito. E tem quem achava que estava sendo bem informado, porque confiou na fiscalização e nas informações prestadas pela empresa. O cara confiava no sistema e o sistema tinha umas malandragens que ele não contou.
O que faltou ao Eike para que ele evitasse essa decadência?
Nenhum grande desastre tem uma causa só. Isso vale para fenômenos meteorológicos, implosão de prédio e vale para implosão de carreiras. [A explicação passa por] falta de profissionalismo na gestão, mudança de ânimo dos investidores estrangeiros em relação ao Brasil e alguns azares que eu conto no livro.
Quanto Eike ainda tem de dinheiro?
Só ele pode saber. Muitas das empresas dele são fechadas, os números são desconhecidos. Não se sabe quais que foram entregues em garantias ao fundo árabe Mubadala, o maior credor dele privado, e tem os processos na Justiça.
Quais as lições que ficam sobre a queda do império X?
Eu acho que ficam varias lições. Uma é o seguinte: tanto os investidores quanto a imprensa econômica devem cobrar uma transparência maior do mercado de valores, da bolsa, da CVM e dos órgãos regulatórios e fiscalizadores.
A gente tem que ter mais atenção e cuidado com essas celebridades, essas pessoas que convencem, porque já convenceram alguém antes e não porque a gente sabe alguma coisa sobre elas. Eu acho que essa história é meio exemplar, vai além do mundo das finanças.

Considerado foragido, Eike Batista entra na lista da Interpol

Considerado foragido, Eike Batista entra na lista da Interpol

Defesa do empresário afirma que ele vai se entregar à polícia o mais rápido possível



Eike teve sua prisão decretada em desdobramento de operação da Lava JatoGetty Images
O nome do empresário Eike Batista foi incluído nesta quinta-feira (26) na difusão vermelha da Interpol (Polícia Internacional) — índice com os foragidos mais procurados em todo o mundo.
Nesta manhã, Eike não foi encontrado pela PF (Polícia Federal) em sua residência, no Rio. O empresário, que saiu do Brasil com passaporte alemão, foi formalmente declarado foragido. O advogado de Eike, Fernando Martins, no entanto, afirma que negocia com as autoridades o retorno do empresário ao País e garante que o empresário vai se entregar o mais rápido possível.
A Interpol funciona como uma rede que mantém conexão com as polícias de quase 200 países. Os nomes dos procurados abastecem o cadastro da Interpol.
Eike pode ficar preso em cela comum
A ordem de prisão contra Eike foi decretada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal do Rio, no âmbito da Operação Eficiência — desdobramento da Calicute e da Lava Jato que mira o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB).
Com base nas delações premiadas de dois operadores do mercado financeiro, Renato e Marcelo Chebar, a Polícia Federal e a Procuradoria da República descobriram remessas de R$ 317 milhões (US$ 100 milhões) para o exterior em favor do peemedebista. Eike foi o ‘autor intelectual’ da transferência de R$ 52 milhões (US$ 16,5 milhões), transação que envolveu conta do empresário no Panamá e remessa final para o Uruguai.
A prisão de Eike foi decretada no dia 13. A PF acredita que o empresário pode ter saído do País usando passaporte alemão. O delegado Tacio Muzzi, da PF, disse que não trabalha com a hipótese de que houve vazamento da Operação Eficiência, abrindo caminho para a fuga de Eike.
A defesa do empresário informou que ele ficou ‘surpreso’ com a ordem de prisão. A defesa disse que Eike vai se apresentar, mas não disse quando isso vai ocorrer.
Eike Batista na mira da Lava Jato: ascensão e queda do ex-homem mais rico do Brasil

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Ruínas de Gongo Soco guardam lembranças da exploração do ouro


Conjunto tombado pelo Iepha fica em Barão de Cocais, na Região Central de Minas Gerais.


O Terra de Minas viajou até a Vila do Gongo Soco em Barão de Cocais, na Região Central do estado. O lugar, ocupado pelos ingleses, tem ruínas que guardam lembranças do período da exploração do ouro em Minas Gerais.
Em 1824, o barão de Catas Altas vendeu as terras de Congo Soco para uma empresa britânica, a primeira de capital estrangeiro a se instalar em Minas. Na vila viveram de 400 a 600 famílias inglesas, entre 1826 e 1856, enquanto havia muito ouro a ser retirado.De Congo Soco, sairam mais de 60 toneladas de ouro, isso registrado, fora o contrabando. Acredita-se que tem muito ouro lá, mas a VALE não deixa entrar.

O conjunto de ruínas é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) desde 1995. Uma capela católica, datada de 1780, foi a única construção que pode ser restaurada. A vila resiste à chuvas e aos ventos para provar que existiu.
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Warren Buffet: o investidor tranquilo

Warren Buffet: o investidor tranquilo
"Seu objetivo como investidor deveria ser simplesmente comprar, a um preço racional, uma participação num negócio que é fácil de entender, e cujos lucros, está praticamente certo, vão ser significativamente mais altos daqui 5, 10 e 20 anos.
Com o tempo vai descobrir que poucas empresas se encaixam neste padrão. Por isso, se descobrir uma, você deve comprar uma quantidade significativa de suas ações. Você também deve resistir à tentação de se desviar de suas diretrizes. Se não estiver disposto a manter uma ação durante 10 anos, evite manté-la por 10 minutos.
Junte uma carteira de empresas cujos lucros marcham para cima ao longo dos anos, e o valor do mercado da carteira marchará junto."

"Investimento inteligente não é complexo, o que tampouco signifique que seja fácil. O que um investidor precisa é de uma capacidade para avaliar corretamente negócios selecionados. Note a palavra "selecionados": não precisa ser um especialista em todas as empresas, nem, necessariamente, em muitas. Você só precisa ter a habilidade para avaliar as empresas que ficam dentro de seu círculo de competência. O tamanho do círculo não é muito importante; o conhecimento de suas extremidades, no entanto, é vital."
- Warren Buffet

Invista em negócios, não ações
As duas citações destilam uma boa parte da filosofia de Warren Buffet, um dos investidores mais renomados dos Estados Unidos, e o expoente mais conhecido de investimento em valor (value investment). Como pode ser visto, ele é a antítese da concepção popular de um investidor em bolsa: considera que investe em negócios, não em ações; não se preocupa com o movimento dos preços de suas ações, mas com as vendas, lucros, margens e necessidades de capital de suas empresas; não procura ganhos de capital de curto prazo mas compra participações em poucas empresas para manté-las durante anos, se não décadas; e mora em Omaha, bem longe de Wall Street. Mas com sua técnicas "pão-pão queijo-queijo" conseguiu juntar uma das maiores fortunas do país.
Simplicidade enganadora
As idéias de Buffet são fascinantes mas antes de descrevé-las em mais detalhe, um aviso. Suas estratégias parecem simples mas não são: envolvem uma vida de conhecimento do mundo de negócios. Enquanto Graham, a principal influência sobre o Buffet como investidor, dedicou uma parte de seu trabalho ao pequeno investidor amador, não é o caso do Buffet. A estratégia defensiva do Graham é relativamente fácil de adotar; para implementar as estratégias de Buffet, no entanto, um pequeno investidor deve ter um profundo conhecimento de pelo menos um segmento da economia.
A bolsa não serve como guia
A primeira coisa de Buffet que chama a atenção é sua visão da bolsa de valores. Para ele a bolsa não serve como um guia na escolha de investimentos - é simplesmente um local onde se executam operações de compra e venda. Para ele o valor cotado em bolsa, movido mais a sentimento do que a dados fundamentais, nada tem a ver, necessariamente, com o valor verdadeiro de um negócio. É por isso que um investidor de sucesso é, freqüentemente, aquele que consegue dominar suas emoções durante o processo de investimento.
Nível da bolsa é imaterial
O nível da bolsa não é um empecilho para Buffet. Se encontrar uma empresa interessante a um preço que ele considera bom, ele comprará em qualquer época. Só que, numa época em que a bolsa estiver em baixa, o número de oportunidades será maior.

Impossível escapar aos fundamentos
Associada ao ceticismo de Buffet em relação à bolsa vem sua descrença com respeito às previsões sobre o rumo do mercado - e às estratégias de investimento baseadas nestas previsões. Ele acredita, no entanto, que enquanto a bolsa for capaz de se manter supervalorizada ou subvalorizada durante muito tempo, o mercado não conseguirá fugir, no longo prazo, dos fundamentos dos negócios em que empresas estão engajadas.
Pesquisa de opinião não substitui avaliação
Buffet não tenta prever períodos de alta ou baixa da bolsa. Mas também ele não ignora estes períodos: ele "simplesmente tenta ser medroso quando outros são gulosos e guloso quando outros são medrosos". Mesmo assim ele insiste que uma "pesquisa de opinião" (a bolsa) não é um substituto para uma avaliação cuidadosa dos dados fundamentais de uma firma.
Margem de segurança: as três palavras certas
Mas o que mais distingue a abordagem do Buffet de outros investidores de sua geração é o que ele procura comprar. Para entender isso é necessário voltar às duas personalidades que mais o influenciam: Benjamin Graham e Phillip Fisher. Nas palavras de Buffet: "Sou 15% Fisher e 85% Benjamin Graham". Do Graham ele adotou o conceito de "margem de segurança". "Quarenta e dois anos depois de lê-las ainda acho que essas são os três palavras certas".
Procura-se uma margem enorme
O conceito da margem de segurança, o coração da escola de investimento em valor (value investment) estabelecida por Graham, envolve "uma procura por discrepâncias entre o valor de um negócio e o preço de pedaços pequenos do mesmo negócio no mercado". Não é uma discrepância pequena mas, nas palavras de Buffet, "uma margem enorme". De Fisher aprendeu os benefícios de "encontrar as verdadeiras grandes empresas, e ficar com elas por todas as flutuações do turbilhão que é o mercado".
Quatro empresas: 76% da carteira
Se juntamos o pensamento de Fisher de procurar as "verdadeiras grandes empresas" com a insistência de Graham de uma "margem enorme" entre preço e valor, é fácil entender porque há poucas firmas que preenchem os requisitos. Isso explica uma outra caraterística de Buffet: o pequeno número de seus investimentos. No fim de 1993, por exemplo, ele mantinha as ações de somente 9 empresas em carteira. Quatro destas empresas representaram 76% do valor total do portfólio.
A crítica alocação de capital
Mas Buffet vai mais além em seus investimentos: quando possível ele prefere obter o controle de uma empresa para poder influenciar a condução do negócio. Ele está particularmente interessado na questão crítica de alocação de capital. Se não tiver oportunidade de adquirir controle ele opta pela compra de ações ordinárias na bolsa de valores. Ele considera que esta segunda alternativa tem duas vantagens: na bolsa há mais opções e as oportunidades para encontrar pechinchas são maiores.
Concentre-se diz Keynes
Mas não é necessário diversificar para limitar o risco? Para justificar sua posição Buffet cita as palavras do economista Maynard Keynes: "Estou cada vez mais convencido que o método correto em investimento é investir somas relativamente grandes em negócios que se pensa que entende e em cuja administração se tem fé total. É um erro imaginar que se limita o risco quando se distribui fundos entre empresas que pouco conhece e em cuja administração não se tem nenhum razão particular para ter confiança especial".
Vantagem para um é risco para outro
Aqui estamos forçados a intervir de novo. Parece que esta declaração representa uma crítica direta das recomendações de Graham para que o investidor defensivo diversifique suas aplicações. Não é. A diferença vital é que o investidor defensivo precisa distribuir o risco exatamente porque não tem grande conhecimento dos negócios de que participa, e muito menos razão para ter fé em seus dirigentes.
O negócio ideal
No próximo artigo, vamos descrever o que Buffet procura quando analisa seus investimentos em potencial. Vamos adotar o esquema utilizado no livroThe Warren Buffet Way por Robert G Hagstrom Jr que destaca quatro áreas: as caraterísticas do negócio; as caraterísticas da administração; os critérios financeiros; e os critérios de mercado.