domingo, 9 de abril de 2017

Peter Drucker: O cara por trás da gestão contemporânea de empresas

Preparamos um conteúdo completo sobre um dos mais notáveis pesquisadores área de gestão: Peter Drucker, conhecido como “pai da administração moderna”. Leia e confira!
De certo modo, fazer negócios é uma atividade que sempre esteve presente na história da humanidade. Hebreus, fenícios, gregos, romanos e egípcios moldaram as relações de suas civilizações tendo como objetivo melhorar suas relações comerciais, ganhando espaço de seus concorrentes e, claro, tornando seus produtos cada vez mais relevantes.
Milênios depois que esses povos criaram as bases do comércio, muitos estudiosos dedicaram suas vidas para tornar o ato de empreender cada vez mais eficiente. Um dos mais notáveis pesquisadores dessa área foi Peter Drucker, conhecido como “pai da administração moderna”.

Quem foi Peter Drucker?

Nascido em Viena, no ano de 1909, Peter Drucker passou sua infância e juventude em um ambiente estimulante. Seus pais Adolph e Caroline eram pessoas influentes, que promoviam debates sobre política, economia e cultura em sua casa.
Essas conversas incentivaram Peter a tornar-se um pensador. Formou-se na cidade alemã de Frankfurt, onde também se tornou Doutor em Direito Público e Internacional, pela Universidade de Frankfurt.
Mudou-se para Londres, onde atuou como jornalista e economista, até resolver se mudar para os Estados Unidos, no ano de 1937, quando aceitou o cargo de correspondente internacional do prestigiado Financial Times.
No ano de 1939 Peter Drucker lançou seu primeiro livro “The End of Economic Man”, que recebeu elogios do então primeiro-ministro britânico Winston Churchill.
Em 1942, Peter Drucker desenvolveu uma grande pesquisa sobre a General Motors. Esse trabalho deu origem ao livro “Concept of Corporation”.
No ano de 1950 Peter mudou-se para Nova York para dar aulas de Administração na New York University.
Mudou-se, novamente, em 1971. Dessa vez com destino ao estado da Califórnia. Deu aulas por trinta anos na Claremont Graduate University, na cidade de Claremont.
A abordagem de Peter Drucker valorizava a importância humana no empreendedorismo. Não por acaso, Peter referia a si mesmo como um “ecologista social”. Ele observava o comportamento das pessoas com relação aos diferentes atores econômicos, como governos e lideranças.

Ideias de Peter Drucker

Muito do que se pratica nas empresas hoje é fruto do trabalho de Peter Drucker. A descentralização no ambiente corporativo é um exemplo.
A ideia de um gestor autoritário, que comanda absolutamente todas as tarefas de uma organização era algo comum antigamente. Hoje sabemos que esse tipo de gestão não traz bons resultados.
O mesmo vale para o Estado enquanto principal ator econômico. Conceitos como a privatização de empresas estatais, com o objetivo de melhorar o serviço oferecido ao consumidor são conceitos que ganharam força graças aos livros de Drucker.
Além disso, o modo com que o trabalhador é visto dentro da empresa também sofreu grandes modificações graças a Peter. Antes dele o trabalhador era visto como um agente passivo dentro da estrutura empresarial, quase como uma máquina.
Peter reverte esse quadro demonstrando que o trabalhador é um ator importante dentro do processo de produção. Não por acaso, atualmente, chamamos os trabalhadores de “colaboradores”. Essa mudança no olhar com relação à mão de obra começa com Peter Drucker.
Vamos entender melhor esse conceito?

Seus principais ensinamentos

Se você já assistiu filmes que retratam o trabalho na época da Revolução Industrial, deve ter percebido que a opinião — e o bem-estar — do trabalhador não era levada em conta.
A relação profissional se dava da seguinte maneira: o empresário oferece o salário e o empregado a mão de obra. Se você já teve a oportunidade de liderar uma equipe, deve ter percebido que, nem sempre, o dinheiro é suficiente para motivar o funcionário. Existem outros aspectos, emocionais e psicológicos que devem ser levados em consideração.
Hoje sabemos disso, e pesquisadores do mundo todo dedicam esforços para entender como melhorar o rendimento das pessoas em seus ambientes de trabalho.
Parte desses esforços teve início graças às pesquisas de Peter Drucker, quando ele nos apresenta o conceito de “administração por objetivos”.
Como vimos no início deste tópico, antigamente prezava-se por um modelo hierárquico de convivência no trabalho. Peter reverte essa ideia, quando sugere que, ao invés de um modelo vertical nas relações, a empresa optasse por um diálogo. Desse modo, os objetivos da empresa seriam definidos por mais de uma pessoa, seriam frutos de conversas entre diferentes setores da empresa.
Com isso o trabalho foi descentralizado, e se hoje podemos sugerir a você, leitor, dicas para melhorar os processos dentro de sua empresa, é porque você já sabe que é impossível ser responsável por todos eles.
A partir da Administração por Objetivos, de Peter Drucker, o mundo dos negócios entendeu que o objetivo central da empresa deveria ser desmembrado em outras metas, menores. Desse modo era mais fácil acompanhar o desempenho de cada uma delas.
Se formos analisar modelos de negócios mais antigos, como as montadoras de automóveis, veremos que hoje elas possuem muitos departamentos, e os colaboradores têm outros objetivos dentro da empresa, além de cumprir com sua carga horária.
Benefícios são oferecidos a quem trabalha, de modo com que a pessoa se sinta valorizada e motivada.
Hoje a Administração por Objetivos começa a ser questionada. Algo natural, afinal, o conceito ajudou empresas a partir da década de 60. Nesse período a competitividade era menor e os negócios não tinham que lidar com a influência da internet, que modificou para sempre a forma com que a informação é distribuída.

O consumidor é importante

Pode parecer estranho, mas em algum momento da história as empresas não davam a devida atenção ao consumidor. Hoje as organizações dedicam muito tempo tentando entender como o cliente pensa. Hoje temos o Marketing, e, de certa forma, essa conquista também é fruto do trabalho de Peter Drucker.
No passado era comum imaginar que o público deveria se adaptar ao produto. Como se fosse responsabilidade do cliente entender um serviço e gostar dele.
Hoje sabemos que não é assim. Cabe à empresa adaptar seu produto, de modo com que ele se torne relevante e atraente ao consumidor.
O Marketing tem esse papel. Para Peter Drucker, quando a empresa conhece seu cliente em profundidade, entende seus hábitos de consumo e sabe qual demanda ele espera que seja solucionada, o produto se venderá sozinho.
É justamente esse o pensamento que permeia o empresário de hoje: entender o comportamento do consumidor.

Peter Drucker e o Brasil

Peter Drucker visitou nosso país diversas vezes. Era um admirador da brasileira Embraer — uma das gigantes da aviação mundial —. Ao conhecer o presidente Juscelino Kubitschek entusiasmou-se com a ideia da construção de Brasília.
Segundo Drucker não existem países subdesenvolvidos, mas subgeridos. O que nos leva a concluir que a distância entre a objetividade do modelo administrativo do setor privado deveria ser adotada pela gestão pública.
Druker também incluiu em seus estudos a necessidade da privatização de serviços, por parte do Estado, para garantir que os consumidores tivessem acesso a serviços de melhore qualidade.
Para o pesquisador, aspectos como o terrorismo estavam diretamente ligados ao fracasso econômico dos países que originam terroristas.  Para ele, o abismo econômico formado pela distância entre os mais ricos e os mais pobres é um dos fatores que ocasiona o extremismo e a violência.
Em 2001 Drucker mencionou que a globalização estava alicerçada no desejo de todos os países em terem um padrão de vida — e consumo — semelhante ao mundo ocidental, tido como um ideal.
Isso explicaria o fato de que os chineses desejassem consumir como os americanos, em um momento no qual não tinham esse poder de compra.
Quando observamos que hoje o governo chinês está priorizando seu mercado interno, percebemos que Drucker estava certo.
Peter Drucker defendeu que essa era a grande vantagem que o Brasil tinha em relação à sua economia, um mercado interno carente de bons serviços e com desejo de tê-los: “Se fosse brasileiro, na próxima década, eu investiria em serviços financeiros, educação e prestação de serviços em geral. As oportunidades não estarão na exportação, mas na satisfação das próprias necessidades internas”, recomendou.
Analisando o crescente número de brasileiros interessados em estudar, assim como a popularização das faculdades on-line, percebemos que, mais uma vez, a análise feita por Drucker estava correta.
Analisar os diferentes aspectos que formam o ato de administrar uma empresa foi o grande legado de Peter Drucker. Ele conseguiu ressignificar os conhecimentos em Psicologia, História, Economia e Matemática, concluindo como tudo isso deveria ser aplicado à Administração.
Ainda que hoje aspectos como o relacionamento interpessoal dentro da empresa, a importância da eficiência na gestão pública e privada e a relevância do conhecimento no comportamento do consumidor sejam assuntos comum no mundo dos negócios, nada disso seria possível sem a grande contribuição de Peter Drucker, que humanizou uma atividade que antes era vista apenas como um amontoado de números.
Peter Drucker dedicou seus últimos anos de vida ajudando instituições sem fins lucrativos a desenvolverem autonomia e melhorarem seu modelo de trabalho. O pesquisador se preocupava com a ambição exagerada de muitos empresários, e a busca incansável pelo lucro, sem pensar no desenvolvimento da sociedade.
Como vimos neste artigo valorizar o capital intelectual dos colaboradores é um desafio do empreendedor.

7 grandes exemplos de mulheres empreendedoras do mundo dos negócios

O mundo do empreendedorismo ainda é muito dominado pelos homens, que são, em sua maioria, os donos das maiores corporações e redes ao redor do mundo.

O mundo do empreendedorismo ainda é muito dominado pelos homens, que são, em sua maioria, os donos das maiores corporações e redes ao redor do mundo.
Porém, com a emancipação da mulher, o aumento do seu nível de escolaridade e sua entrada no mercado de trabalho isso vem mudando.
Segundo o SEBRAE, o número de mulheres empreendedoras ou trabalhando por conta própria aumentou 16% nos últimos 10 anos contra 7% em relação aos homens.
Com isso, é cada vez mais importante se focar na representatividade e buscar inspirações de grandes líderes femininas para ter sucesso no mercado.

Grandes exemplos de mulheres empreendedoras:

Por isso, veja a seguir 7 grandes exemplos de mulheres empreendedoras e conheça mais sobre suas histórias.

Luíza Helena Trajano

Quando se fala em empreendedorismo feminino, um dos primeiros nomes nacionais que vem à cabeça é o de Luiza Helena Trajano.
Nascida no interior de São Paulo, ela foi a responsável por transformar uma loja local em um dos maiores varejos do Brasil: Magazine Luiza.
Para tanto, a empreendedora precisou aprender desde cedo as peculiaridades do processo de convencer o cliente a comprar e, quando mais velha, precisou ousar e arriscar.
Mudou o nome do negócio até então bem consolidado, instituiu uma cultura organizacional de sucesso e deu início ao crescimento bem sucedido do negócio de família.
Os resultados aparecem em forma de números mais do que positivos: somente no primeiro trimestre de 2016 o lucro da rede de lojas subiu 243% e atingiu o patamar de mais de R$ 10 milhões.

Lorena de Carvalho

A coxinha de frango é um dos quitutes mais típicos e apreciados pelos brasileiros. Sabendo disso, a empreendedora Lorena de Carvalho deu um passo a frente e começou um negócio de sucesso antes dos 25 anos.
A ideia foi simples: vender copos com 15 minicoxinhas ao preço de R$ 1. A ideia do negócio, chamado de Zé Coxinha, deu tão certo que não demorou até a marca se transformar em uma franqueadora.
Lorena é um exemplo porque seu investimento foi de apenas $ 60 mil, considerado pequeno para boa parte dos novos negócios, mas o grande diferencial foi a personalidade única à marca e o preço justo com grande margem.
Em 2014, o número de lojas já passava de 58 e o faturamento mensal superava o valor de R$ 600 mil.

Patrícia Bonaldi

Uma estilista queridinha de famosas e anônimas e que despontou no mercado nacional é Patrícia Bonaldi. Se hoje ela é responsável por criar vestidos e peças trabalhadas em pedrarias, tudo começou com uma loja voltada para artigos de festa.
Com o fortalecimento e crescimento da marca que leva o seu nome, ela ganhou seu espaço no competitivo cenário da moda brasileira.
Não apenas suas criações já foram parar em tapetes vermelhos e premiações em diversas famosas como também já esteve na São Paulo Fashion Week.
Hoje, suas criações são cobiçadas, reconhecidas e também vendidas em diversas lojas espalhadas pelo país, além de participar de desfiles internacionais. Além disso, a empresária mostra versatilidade ao apostar em novos segmentos, como ao abrir uma escola de costureiras.

Chieko Aoki

Chieko Aoki é a fundadora e também a presidente da Blue Tree Hotels, uma das redes hoteleiras mais importantes e mais presentes em todo o território nacional.
Para conseguir chegar ao sucesso, a empreendedora acumulou experiência no Brasil e também nos Estados Unidos, Ásia e Europa. Inserida no mercado hoteleiro, decidiu largar suas funções em 1997 e criou a rede de hotéis.
Mais do que apenas bem-sucedida em relação ao empreendedorismo, é uma líder de muitos talentos que divide seus conhecimentos com os principais grupos sobre esse assunto.
Em 2014, a Blue Tree Hotels teve um aumento de receita de 9%, com uma margem de lucro de quase 37% e com um faturamento total de R$ 381 milhões.

Zica Assis

Zica Assis, nome pelo qual é conhecida Heloísa Assis, é uma ex-empregada doméstica que fez fortuna ao valorizar a beleza natural de seus cabelos.
Junto de Leila Velez, ex-taxista, a empresária começou a misturar produtos e criar fórmulas que deixassem seu cabelo do jeito que sempre sonhou.
A partir daí, criaram o Beleza Natural, o primeiro instituto voltado exclusivamente para cabelos crespos e cacheados. Com um produto único no mercado, criado por ela própria, começou a conquistar clientes e realizar a expansão.
Hoje, a marca tem mais de 130 mil clientes, quase 2 mil funcionários e um faturamento de R$ 250 milhões em 2015.

Donatella Versace

Donatella Versace é uma das figuras mais icônicas da moda internacional. Sua filha foi considerada a herdeira da grife Versace, que era de seu irmão.
Desde 1957 a empresária italiana é responsável por comandar a marca, que é uma das mais conhecidas em todo o mundo.
Não apenas Donatella teve sucesso em fazer a transição de governança da grife, como também conseguiu garantir que a marca se adaptasse às novas necessidades de consumo, mantendo um ótimo posicionamento no mercado mundial.
Com ajuda do e-commerce e de acordo com a própria marca, o crescimento do negócio em 2015 chegou aos dois dígitos, atingindo o valor de 20%.

Sara Blakely

Sara Blakely é uma empreendedora da Flórida que ficou milionária graças ao mercado de lingerie. Ela fundou a grife Spanx, responsável por oferecer ao mercado peças sem costura e de alta compressão.
Utilizada por famosas em todo o mundo, logo a marca ganhou projeção e se tornou uma verdadeira febre. A empresária precisou falhar e tentar novamente até desenvolver seu próprio modelo de liderança corporativa, o qual inclui ela mesma realizar os testes das peças que cria.
Com um investimento inicial de 5 mil dólares, ela se transformou na mais jovem empreendedora a construir fortuna própria. Hoje, seu patrimônio é avaliado em 1 bilhão de dólares.
O número de mulheres empreendedoras vem aumentando e por isso é sempre positivo se inspirar nas histórias de sucesso de quem prosperou no mercado.
Em diferentes segmentos, cada uma tem suas próprias características e a própria fórmula para conseguir o desempenho tão desejado.

Saiba quem são as mulheres mais ricas da atualidade e como elas chegaram ao topo

Saiba quem são as mulheres mais ricas da atualidade e como elas chegaram ao topo

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Embora o mercado, de uma maneira geral, ainda seja fortemente dominado pelos homens, as mulheres buscam cada vez mais o seu lugar ao sol. Com isso, se antes as listas de grandes investidores e bilionários do mundo eram quase que exclusivamente dominadas por homens, já não é incomum ver mulheres ocupando posições diversas nas seleções dos mais ricos.
Seja pelo recebimento de heranças ou pela construção da própria fortuna, as mulheres mais ricas do mundo são fontes de inspiração para quem deseja chegar ao sucesso. Elas ocupam desde áreas tradicionalmente masculinas, como a exploração de recursos naturais, até áreas diversificadas, como a tecnologia.

sábado, 8 de abril de 2017

Garimpo marcou história de Itaituba

A diversidade do Vale do Rio Tapajós foi um dos grandes responsáveis pela ocupação de Itaituba, que hoje ostenta títulos como Cidade Pepita e Província Mineral. A história de cada morador do município tem uma passagem pelo garimpo, algumas bem-sucedidas, outras nem tanto. Maria de Lourdes Linhares da Silva viveu as duas experiências. Ainda mocinha, deixou o Maranhão rumo a Itaituba para trabalhar no garimpo, onde o irmão já estava há algum tempo. Não tinha ideia do que era uma mina de extração de ouro.

Foto: Sergio Castro/Estadão
SCA 21/05/2014 - ITAITUBA - ECONOMIA - ESPECIAL DOMINICAL - ITAITUBA/HIDRELETRICA - Fotos do trecho urbano da rodovia Transamazônica BR 230 em estado precário de uso, sem manutenção por parte do governo federal, na cidade de Itaituba (PA).FOTO SERGIO
SCA9355 21/05/2014 - ITAITUBA - ECONOMIA - ESPECIAL DOMINICAL - ITAITUBA/HIDRELETRICA - Fotos beneficiamento de pó de ouro em barra em casa de compra de ouro na cidade de Itaituba, na margem do rio Tapajós(PA).FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.



Ao chegar no local, foi encaminhada para uma casa de prostituição. Por sorte, foi resgatada pelo irmão, que queria enviá-la de volta para o Maranhão. Mas Maria de Lourdes bateu o pé e encontrou uma forma de ganhar dinheiro: cozinhava, lavava e passava para os garimpeiros. Em troca recebia ouro. “Juntei 150 gramas (de ouro), fui para Manaus, comprei várias mercadorias e comecei a vender no garimpo.” Aos poucos, montou uma loja para atender os trabalhadores. “Com o dinheiro, comprei terra e casa em Itaituba”, conta ela.
Personagens como Maria de Lourdes estão espalhados por todos os cantos de Itaituba. Nem todos, no entanto, gostam de falar do garimpo. Muitos fizeram do ouro o trampolim para negócios mais sólidos. Viraram donos de empresas de aviões, comércio e restaurantes. Muitos garimpeiros, no entanto, continuam sem dinheiro e sem patrimônio. Reinvestiram tudo na exploração de ouro, sonhando em fazer uma fortuna que até hoje não veio.
Na cidade do ouro, as caminhonetes (nacionais e importadas) - sonho de consumo de muitos brasileiros - representam 30% dos automóveis e comerciais leves. Os moradores dizem que muitos não têm casa própria, mas têm uma caminhonete “traçada” (com tração nas quatro rodas). Uma Hilux 2010, por exemplo, está na casa de R$ 99 mil.
Economia. Hoje a mineração e o comércio de ouro representam mais da metade da economia de Itaituba, por onde circulam entre 400 e 800 quilos do metal por mês. “Infelizmente, uma parte vem do garimpo ilegal”, afirma o presidente da Associação Nacional do Ouro (Anore), Dirceu Frederico.

Foto: Sergio Castro/Estadão
SCA 21/05/2014 - ITAITUBA - ECONOMIA - ESPECIAL DOMINICAL - ITAITUBA/HIDRELETRICA - Fotos do trecho urbano da rodovia Transamazônica BR 230 em estado precário de uso, sem manutenção por parte do governo federal, na cidade de Itaituba (PA).FOTO SERGIO
SCA9576 21/05/2014 - ITAITUBA - ECONOMIA - ESPECIAL DOMINICAL - ITAITUBA/HIDRELETRICA - Fotos beneficiamento de pó de ouro em barra em casa de compra de ouro na cidade de Itaituba, na margem do rio Tapajós(PA).FOTO SERGIO CASTRO/ESTADÃO.



Ele conta que há cerca de 430 pistas de pouso no Vale do Tapajós e 600 pontos de exploração do mineral na região, considerada a maior área em extensão territorial do mundo com registro de ouro. “Ali também temos o mais antigo vulcão do mundo, o que possivelmente pode explicar a diversidade geológica que há na área, com ocorrência de ouro, diamante, ametista, ferro, manganês, entre outros”, diz Frederico.
Toda essa diversidade tem reflexos em Itaituba. Numa das ruas principais da cidade, na Travessa 13 de Maio, entre lojas de armarinho, restaurantes e hotéis, vários Distribuidores de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) e joalherias se destacam com letras garrafais anunciando a compra de “Ouro”. Num passeio pelas ruas da cidade é muito comum encontrar funcionários das lojas beneficiando o ouro ou pessoas encomendando joias exclusivas.
São dezenas de lojas, instaladas ao lado do concorrente. Algumas não seguem as regras para a compra de ouro, como a exigência de certificações para a exploração. Normalmente, essas lojas pagam mais pelo ouro do que as lojas legalizadas. “Se na bolsa o ouro está R$ 91, as lojas legalizadas compram por R$ 87,5 o grama. As demais compram por R$ 90. Esse ouro está indo para outros mercados que não é o de joias”, diz o presidente da Anore.
Frederico afirma que boa parte da exploração no Vale do Rio Tapajós é feita de forma manual, sem grandes tecnologias. Alguns usam escavadeiras hidráulicas, que melhoram a produtividade da mineração. Mas são poucas as grandes empresas que estão na região, afirma Frederico. “Nos últimos 60 anos, foram extraídos cerca de 700 toneladas de ouro do Tapajós. Podemos dizer que isso representa um terço do potencial da região. Ainda há um potencial magnífico a ser explorado.”

História do Ouro no Brasil

No fim do século XVII a produção açucareira no Brasil enfrenta uma séria crise devido à prosperidade dos engenhos açucareiros nas colônias holandesas, francesas e inglesas da América Central. Como Portugal dependia, e muito, dos impostos que eram cobrados da colônia a Coroa passou a estimular seus funcionários e demais habitantes, principalmente os do Planalto de Piratininga, atual São Paulo, a desbravar as terras ainda desconhecidas em busca de ouro e pedras preciosas.
A primeira grande descoberta deu-se nos sertões de Taubaté, em 1697, quando o então governador do Rio de Janeiro Castro Caldas anunciou a descoberta de “dezoito a vinte ribeiro de ouro da melhor qualidade” pelos paulistas. Neste mesmo ano, em janeiro, a Coroa havia enviado a Carta Régia onde prometia ajuda de custos de R$ 600.000/ano ao Governador Arthur de Sá para ajudar nas buscas pelos metais preciosos.

Iniciou-se então a primeira “corrida do ouro” da história moderna. A quantidade de gente deixando Portugal para vir ao Brasil era tanta que em 1720 D. João V criou uma lei para controlar a saída dos portugueses, como a proibição da emigração de portugueses do noroeste de Portugal, bem como autorizações especiais e passaportes para outros casos. De 300 mil habitantes em 1690, a colônia passara a cerca de 2.000.000.
Durante o século XVIII, auge do período de exploração do ouro no Brasil, diversos povoamentos foram fundados. Esta foi a medida encontrada pela Coroa para tentar acalmar um pouco o verdadeiro caos que se instalara na colônia com cidades inteiras sendo abandonadas por seus habitantes que saíam em busca de ouro nos garimpos.
Após a queda de produção do sistema de exploração aurífera de aluvião, passou a ser necessárias técnicas mais refinadas que exigiam a permanência por maior período do garimpeiro junto aos locais de exploração o que também contribuiu para o estabelecimento das vilas.
É nesse período que são fundadas as Vilas de São João Del Rei, do Ribeirão do Carmo, atual Mariana, Vila Real de Sabará, de Pitanguí e Vila Rica de Ouro Preto, atual Ouro Preto, além de outras.
Porém, a Coroa, que já impusera o imposto do Quinto quando do começo das explorações, onde exigia que um quinto de tudo que fosse extraído seria dela por direito, ainda resolvera completar a carga tributária com mais impostos gerando uma série de insatisfações (incluindo a Inconfidência Mineira, que teve na exploração da metrópole um de seus principais motivos).
A exploração do ouro no Brasil teve grande importância porque deslocou o eixo político-econômico da colônia para região sul-sudeste, com o estabelecimento da capital no Rio de Janeiro. Outro fator importante foi a ocupação das regiões Brasil adentro e não apenas no litoral como se fazia até então. A exploração aurífera possibilitou ainda, um enorme crescimento demográfico e o estabelecimento de um comércio/mercado interno, uma vez que os produtos da colônia não eram mais apenas para exportação como ocorria com o açúcar e o tabaco do nordeste e fez com que surgisse a necessidade de uma produção de alimentos interna que pudesse suprir as necessidades dos novos habitantes. Ainda um último aspecto importante da explosão demográfica provocada pelo período de exploração do ouro no Brasil colônia, foi a questão do desenvolvimento de uma classe média composta por artesãos, artistas, poetas e intelectuais que contribuíram para o grande desenvolvimento cultural do Brasil naquela época.