sexta-feira, 14 de abril de 2017

Empresas usam sisal, conchas e pedras preciosas em joias e ganham o exterior

O artesanato de tempos passados se transforma em cadeia produtiva estruturada. A necessidade de qualificar a extração e o manejo de insumos típicos do Brasil cresce com o interesse de mercados externos e se torna um negócio rentável devido à desvalorização do real diante do dólar e do euro.
Esses insumos são, por exemplo, pedras preciosas, conchas e materiais de origem vegetal como fibra de coco, capim dourado etc. "São produtos que carregam o apelo do exclusivo, de valores regionais, que têm muita aderência lá fora", diz Gustavo Carrer, do Sebrae-SP.
O setor de bijuterias e pedras preciosas do Brasil tem um mercado forte nos EUA, na Alemanha e na China. O segmento gera 8.400 empregos formais aqui, segundo o IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos).
"Todo o nosso trabalho é artesanal, nossos fornecedores têm certificação 'ecofriendly' [amigo da natureza], com indicação da procedência", diz Paula Santos, 44, sócia da empresa Mãos da Terra, de São José do Rio Preto (a 438 quilômetros de São Paulo), que exporta para 12 países.
Segundo a empresária, são produzidas 1.400 bijuterias por mês, e 14% de tudo é vendido no mercado externo. A Inglaterra é o maior cliente. Pedras, sementes e fibras são selecionadas por produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Amazonas.
Renato Costa/Folhapress
Anel de ouro com casca de coco brilhante do joalheiro Antonio Henrique, de Brasília
Anel de ouro com casca de coco brilhante do joalheiro Antonio Henrique, de Brasília
As menos nobres, como a ágata, são compradas pela Mãos da Terra por R$ 24 a unidade. Ônix, quartzo rosa e amazonita custam, em média, R$ 70. O metro do material de origem vegetal que imita o couro é encontrado por R$ 3. Já o sisal certificado é cotado a R$ 8 o metro. E a empresa vende um colar de amazonita com fio folheado a ouro a R$ 800 para o consumidor final.
A maior dificuldade da empresa é garantir o estoque de peças o ano todo. "Passamos por safras e entressafras, a oferta dos produtos varia muito", afirma Paula Santos. O joalheiro Antonio Henrique, 40, planeja exportar.
Sua empresa, que fica em Brasília e está no ramo há dez anos, começou misturando fios de coco tucum com ouro para fabricar colares e anéis. O insumo da vez é a concha de um pequeno caramujo fornecido pelos índios krahô, do Tocantins, combinada com ouro e brilhantes.
O exotismo desperta interesse, mas traz um problema. "A produção dos caramujos na aldeia é muito lenta, cada coleção não passa de 20 peças", diz Henrique. Além da sede em Brasília, o negócio tem um ponto de venda na vila de Trancoso (BA). O valor de uma joia varia de R$ 3.000 a R$ 7.000. "É um setor que exige bastante persistência. Quem consome é um público mais despojado", afirma o empresário.
Caso leve seu projeto adiante, Henrique terá pela frente um longo processo. De acordo com Diego Coelho, especialista em negócios internacionais da ESPM, elaborar um plano de ação e entender a dinâmica de mercados externos são passos complexos.
"É uma ação com retorno a longo prazo. Só o planejamento de uma inserção internacional leva entre três e cinco anos", diz Coelho.
Segundo Juliana Borges, do Sebrae, o empreendedor do ramo não pode se contentar só com o apelo regional e uma história bonita da origem dos produtos, o que pode deixar o trabalho caricato. "O desafio do empreendedor é apostar em um design cada vez mais contemporâneo. O folclórico demais traz uma ideia muito restrita e pode até desvalorizar o que é vendido", afirma Borges.
COMO EXPORTAR?
Ter um selo de produção sustentável no Brasil não isenta o empreendedor da necessidade de um novo certificado para exportação. Produtos de origem orgânica podem cair em exigências sanitárias impostas por outros países.
"É preciso conhecer cada mercado e se adequar. Já houve casos em que o empreendedor só soube das normas do país de destino ao tentar desembarcar sua carga, que foi incinerada no porto estrangeiro", afirma Diego Coelho, especialista em negócios internacionais da ESPM.
A disponibilidade da matéria-prima também deve ser observada –pode ser um gargalo para quem quer trabalhar com produtos de origem natural.
Divulgação
Mobiliário de quarto infantil feito com madeira de reflorestamento da empresa Viscondesconde, de SP
Mobiliário de quarto infantil feito com madeira de reflorestamento da empresa Viscondesconde, de SP
A empresária Maria Fernanda Principe pesquisou muito até achar, em São Paulo e no Paraná, fornecedores de madeira de reflorestamento para o ano inteiro. Ela é dona da Viscondesconde, fábrica paulistana de móveis infantis. "Queríamos madeira resistente, certificada e com menos manchas." Na loja, uma cama com mezanino custa R$ 9.000.
Depois de achar o fornecedor, o passo seguinte é gerir o estoque, diz Gustavo Carrer, consultor do Sebrae-SP. "Só assim a comercialização do portfólio de produtos será garantida o ano todo."
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A PESO DE OURO
Dados do mercado de pedras brasileiras
1.254 kg
foi o total de pedras lapidadas exportadas para a União Europeia em 2016
1.450
são os fabricantes de bijuterias no país
8.395
é o número de empregos formais gerados no setor de bijuterias

BRDE financia R$ 31,5 milhões para a Mina do Seival

BRDE financia R$ 31,5 milhões para a Mina do Seival


O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e a Seival Sul Mineração celebrarão nesta quarta-feira (12) contrato de financiamento, no valor de R$ 31,5 milhões, de um investimento total de R$ 86,3 milhões, para implantação da unidade de extração e beneficiamento de carvão da Mina do Seival, em Candiota (RS).  A Seival Sul tem participação acionária da Copelmi Mineração (70%), que detém 80% do mercado privado de carvão industrial do país, e da Eneva (30%).
Durante a fase de operação, a Mina do Seival, com capacidade de produção de 2,8 milhões de toneladas/ano, criará cerca de 217 empregos diretos ao longo de 25 anos, no mínimo, gerando também arrecadação de tributos em uma região deprimida economicamente do Estado. O Rio Grande do Sul possui cerca de 90% das reservas de carvão do Brasil e, em Candiota, se encontra a maior jazida do país, que corresponde a 38% das reservas nacionais.
O minério explorado na Mina do Seival será destinado à operação da Usina Termelétrica Pampa Sul I, de propriedade da Engie Brasil Energia (antiga Tractebel), que terá capacidade de 340 MW e início da operação comercial previsto para janeiro de 2019. No pico da obra da Usina, serão gerados 1.800 empregos diretos. As termelétricas fornecem segurança e estabilidade ao sistema elétrico nacional, pois independem de condições climáticas para gerar energia. Das opções de insumos existentes, o carvão é o de menor custo e de maior abundância atualmente.
Fonte: Amanhã

Lucro líquido acima de R$ 8 milhões em 2016

Lucro líquido acima de R$ 8 milhões em 2016


A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), empresa vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), registrou desempenho positivo, apesar do ano difícil e dos efeitos negativos que atingiram o setor mineral em 2016. Os preços das commodities internacionais permaneceram em baixa, acumulando variação negativa em relação a 2015. Isto fez com que a CBPM suspendesse a produção na mina de níquel de Itagibá temporariamente. A minha é arrendada pela CBPM e operada pela Mirabela Mineração.
Apesar dos percalços, a gestão equilibrada e alocação criteriosa dos recursos financeiros fizeram com que a CBPM registrasse lucro líquido superior a R$ 8 milhões, o que representou 18,1% da receita líquida, que ficou em R$ 44,3 milhões. O resultado financeiro do exercício de 2016 é mais que o dobro do exercício de 2015 que foi o montante de R$ 3,5 milhões.
Fonte: Brasil Mineral

quinta-feira, 13 de abril de 2017

De modelo a proprietária de uma mina de ouro e diamantes na África

De modelo a proprietária de uma mina de ouro e diamantes na África

De modelo a proprietária de uma mina de ouro e diamantes na África
Tiguidanke Camara durante entrevista em Guingouiné, no dia 25 de fevereiro de 2017 - AFP
A ex-modelo guineana Tiguidanké Camara trocou os vestidos de gala e os saltos altos por camisa e botas ao se tornar a primeira mulher proprietária de uma empresa de mineração na África Ocidental.
Em Guingouiné, uma pequena aldeia no oeste da Costa do Marfim, Camara está à frente de uma equipe de dez pessoas (geólogos e operários) que prospectam o solo em busca de ouro. E não hesita em se meter na lama para extrair amostras destinadas ao laboratório de pesquisa.
“Quando era modelo, desfilei para joalheiros. Tinham licenças na África que os abasteciam de pedras preciosas”, explica.
Esses desfiles “despertaram minha curiosidade. Disse para mim mesma: e se os africanos ou africanas se apropriassem do negócio do setor mineiro?”, conta.
“Sou a resposta a essa pergunta”, aponta Camara, considerada pela revista Jeune Afrique uma das “50 mulheres de negócios mais influentes da África francoparlante”.
Aproveitando que seu pai, ex-prefeito, tinha contatos na zona, a ex-modelo lançou em 2010 o Tigui Mining Group e comprou duas licenças de exploração de ouro e diamantes na Guiné, seu país natal, gastando as economias acumuladas nos desfiles e publicidades para marcas de luxo.
Em 2016, obteve mais uma autorização para explorar e prospectar ouro na Costa do Marfim, atualmente “sua base na África Ocidental”.
“Sou proprietária de uma companhia mineira que me pertence 100%”, diz com orgulho a fundadora e diretora-executiva da Tigui. Ela é uma exceção no continente, “exceto na África do Sul, onde há outras mulheres com cargos de responsabilidade”, aponta.
‘Exasperada’
Devido à sua silhueta de modelo, muitos homens lhe perguntavam: “De quem você é assistente?”, conta. “Exasperada, um dia me vi obrigada a mostrar meu crachá de diretora”. Mas, de um modo geral, Camara não se considera vítima de comportamentos machistas.
Em Guingouiné, os moradores sonham com grandes mudanças que poderiam beneficiar a aldeia se o local resultar ser rico em ouro e se uma mina for cavada.
Na língua local yacuba, “Guingouiné significa felicidade, mas carecemos de tudo”, lamenta o chefe da aldeia, Alphonse Doh, vestido com um boubou (túnica tradicional) branco e azul.
“A escola, com seis turmas, é um barraco sem eletricidade. As mulheres que vão dar à luz são transportadas em carretas ao longo de dez quilômetros até o centro de saúde mais próximo”, explica.
Para ele, a instalação de uma mina permitiria transformar a vida de cerca de mil habitantes. A ex-modelo tem a intenção de ajudar a aldeia se os negócios prosperam.
Além dos benefícios econômicos, Doh espera que Camara sirva de modelo de sucesso nesta região, onde o nível de analfabetismo chega a 80% entre as meninas.
Cooperativa
Entretanto, “a mineira”, como a conhecem na região, ressuscitou na aldeia uma cooperativa de mulheres, à qual forneceu material agrícola e dois painéis solares.
“Estamos muito contentes com esta colaboração”, afirma Elise Kpan, responsável das mulheres de Guingouiné. Esta organização lhes permitiu colocar seus cultivos “no mercado e ganhar dinheiro”.
O setor de mineração marfinense, dominado pela produção de manganês (duas minas) e de ouro (cinco), está em plena expansão há uma década. A atividade contribui com 5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, cujo subsolo também é rico em diamantes, ferro, níquel, bauxita e cobre.
Mas as mulheres representam apenas 112 dos 6.000 empregados diretos, e cerca de 400 entre os 30.000 indiretos no setor, segundo a Agrupação Profissional de Mineiros da Costa do Marfim.

Após quedas, cobre sobe após comentários de Trump e dados melhores da China

Após quedas, cobre sobe após comentários de Trump e dados melhores da China


O preço do cobre opera em alta nesta quinta-feira ajudado pelo enfraquecimento do dólar ao longo da madrugada depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a moeda americana estava “muito forte”. Além disso, dados chineses mais fortes do que o esperado contribuíram para os ganhos, após cinco dias de perdas. Por volta das 7h10 (de Brasília), o cobre para três meses negociado na London Metal Exchange (LME) subia 1,30%, a US$ 5.695,00 por tonelada. Na Comex, divisão de metais da bolsa mercantil de Nova York (Nymex), o cobre para maio tinha alta de 0,95%, a US$ 2,5685 por libra-peso, às 7h59(de Brasília
Em entrevista ao The Wall Street Journal, ontem no final do dia, Trump disse que o dólar se tornou muito forte depois que ele foi eleito, o que gerou um movimento de baixa na moeda. “Este foi o principal impulsionador dos ganhos intraday do cobre e do aumento noturno do ouro”, disse Xiao Fu, da BOCI Global Commodities. O cobre atingiu níveis baixos não vistos desde janeiro durante a sessão de quarta-feira. Dados econômicos da China – que é o maior comprador do metal do mundo – também ajudaram na recuperação, disse Alastair Munro, da Marex Spectron.
O Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) fortaleceu o yuan em 0,4% – a maior alta desde 18 de janeiro – e os dados de importação mostraram aumento de 26% em março na comparação mensal. No mês passado, a segunda maior economia do mundo registrou superávit comercial de US$ 23,93 bilhões, revertendo o déficit de US$ 9,15 bilhões observado em fevereiro, segundo dados da Administração Geral de Alfândega do país. Economistas consultados pelo Wall Street Journal previam saldo positivo menor em março, de US$ 12 bilhões.
Estes desenvolvimentos, mais as expectativas de aumento da demanda sazonal, desempenharam seu papel na ascensão do cobre, Munro acrescentou. Entre outros metais básicos negociados na LME, o alumínio subia 0,50%, a US$ 1.908,00 a tonelada métrica, o níquel ganhava 0,15%, para US$ 9.720,00 a tonelada métrica e o estanho avançava 1,49%, para US$ 19.765,00 a tonelada métrica. O zinco caía 0,83%, para US$ 2.580,50 a tonelada métrica e o chumbo recuava 0,07%, a US$ 2.241,00 a tonelada métrica.
Fonte: Dow Jones Newswires