sexta-feira, 28 de abril de 2017

Vale prevê dobrar “blendagem” na Ásia em 2017

Vale prevê dobrar “blendagem” na Ásia em 2017


A brasileira Vale prevê dobrar o volume de minério de ferro “blendado” (misturado) na Ásia neste ano, estimando ainda uma melhora significativa dos preços da commodity em 2017, o que poderá amenizar uma esperada redução temporária de vendas decorrente dessa estratégia para melhor atender o cliente asiático. A expectativa é atingir uma “blendagem” de cerca de 80 milhões de toneladas em 2017 na Ásia, afirmou nesta quinta-feira o diretor-executivo de Ferrosos da Vale, Peter Poppinga, durante teleconferência com analistas e investidores para comentar os resultados do primeiro trimestre.
Com essa estratégia que ganha mais intensidade neste ano, a empresa pode dar respostas mais rápidas a mudanças nas condições de mercados onde estão os principais clientes, com maior flexibilidade para moldar o produto conforme a demanda. O objetivo da maior produtora global da commodity é otimizar aumento da produção de um  minério com maior teor de ferro no Norte do Brasil, com o início da operação comercial do projeto gigante S11D, em Canaã dos Carajás (PA), a partir da mistura com um produto menos valioso, extraído de operações em Minas Gerais.
O executivo observou que os volumes “blendados” na Ásia ainda deverão crescer em 2018, mas não no mesmo ritmo verificado desde 2015, quando somaram 20 milhões de toneladas. Em 2016, foram 40 milhões de toneladas. “Provavelmente (2017) não será o pico, em 2018 ainda vai ter um aumento… mas não será provavelmente nessa progressão aritmética que a gente acabou de ver aqui, será um pouco maior que esses 80 milhões”, disse Poppinga.
No curto prazo, o efeito da estratégia da Vale de maiores volumes de “blend” é um aumento temporário dos estoques, que no primeiro trimestre causou um impacto negativo nas vendas do produto. O tema gerou forte interesse dos analistas na teleconferência, que buscavam precificar a questão. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do primeiro trimestre foi de 13,523 bilhões, queda de 13,4 por cento ante o trimestre anterior, principalmente em função do menor volume sazonal de vendas e dos impactos do acúmulo de estoque para apoiar a estratégia de “blendagem”.
O efeito negativo foi parcialmente compensado por uma melhora dos preços do minério de ferro no primeiro trimestre, ante o trimestre anterior. “Os números do primeiro trimestre da Vale foram marcados por uma combinação de volumes menores compensados por preços mais altos, especialmente na divisão de Ferrosos, que funcionou muito bem”, disse o JP Morgan, em um relatório a clientes. Poppinga explicou que os estoques podem crescer ainda nos próximos trimestres –quando a empresa terá uma nova gestão, com a saída do presidente Murilo Ferreira programada para o próximo mês.
Mas a tendência é que os estoques voltem a patamares considerados normais pela empresa. O executivo, entretanto, não forneceu detalhes números sobre tema. “Comparando 2015-2016 nós reduzimos os estoques… Agora, no último trimestre, aumentamos os estoques provavelmente na casa de uns 5 milhões de toneladas ou mais, que como eu disse é temporário”, frisou. Além disso, ele pontuou que os embarques do produto neste ano serão maiores na proporção do aumento da produção, que sofrerá impulso com o desenvolvimento de S11D.

Recuperação de preços

Mas os efeitos de um possível impacto nas vendas poderá ser também compensado por uma recuperação dos preços do minério ao longo do ano.
Poppinga acredita que os preços da commodity fiquem em torno de 70 dólares por tonelada em média em 2017, após passar a maior parte do ano passado mais perto da faixa de 50 e 60 dólares, principalmente devido a uma maior demanda por aço na China e com uma redução da oferta internacional da commodity.
“Eu acho que o mercado está bem balanceado e vejo significativamente o preço maior em 2017 do que em 2016”, afirmou, ainda durante a teleconferência de resultados.
A Vale registrou lucro líquido de 7,891 bilhões de reais entre janeiro e março, melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2013, com alta de 25 por cento ante o mesmo período do ano passado, devido à melhora das cotações e maior produção.
Em fevereiro, ao publicar os resultados de 2016, o diretor havia afirmado que os preços poderiam ultrapassar os 80 dólares por tonelada em 2017, o que não foi repetido desta vez. Naquela oportunidade, o valor do minério para pronta entrega na China estava acima de 90 dólares.
Nesta quinta-feira, a commodity no mercado à vista chinês foi cotada a pouco mais de 66 dólares a tonelada.
O executivo explicou nesta quinta-feira que a oferta nova da commodity no mercado internacional será de cerca de 70 milhões de toneladas neste ano, ante 115 milhões de toneladas em 2016.
Do lado da demanda, o executivo frisou que “a demanda de aço na China vai aumentar significativamente” neste ano ante 2016, em 3 por cento, suportando os preços de sua matéria-prima.
Fonte: Exame

Redução de custos e alta na produção criam cenário favorável para Vale

Redução de custos e alta na produção criam cenário favorável para Vale


 Vale está deixando para trás o período difícil vivido em decorrência da forte queda dos preços e do aumento da oferta global. Especialistas enxergam um cenário mais favorável para a companhia ganhar competitividade no curto e médio prazo. ”Atualmente, excluindo o frete, o custo de produção da Vale é o menor do mundo”, afirma o analista de mineração da Tendências Consultoria, Felipe Beraldi.
Na visão do analista da Planner Consultoria, Luiz Francisco Caetano, mesmo com os preços do minério de ferro na casa dos US$ 65 a tonelada, o negócio continua altamente rentável para a mineradora. “Além disso, a companhia continua elevando os níveis de produção.” No primeiro trimestre, a Vale atingiu produção de aproximadamente 86 milhões de toneladas de minério de ferro, recorde para o período. Somente em Carajás, o volume produzido foi de 36 milhões de toneladas.
“O lucro líquido registrado nos três primeiros meses do ano foi o melhor desde 2013. Estamos muito orgulhosos do nosso resultado”, disse nesta quinta-feira (27) o diretor-executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Luciano Siani. Ao comentar o balanço da companhia, o executivo destacou que a Vale reduziu a dívida líquida de US$ 25 bilhões no quarto trimestre de 2016, para US$ 22,8 bilhões de janeiro a março deste ano.
“Esse resultado mostra que a companhia está em trajetória de desalavancagem”, complementou Siani. Caetano acrescenta que a possibilidade de desinvestimentos confere à Vale uma perspectiva ainda mais positiva. “O endividamento da mineradora está claramente em trajetória descendente”, diz. Isso porque, de acordo com o analista, a empresa tem a receber importantes valores, como o montante referente à venda do ativo de fertilizantes fosfatados à Mosaic, arrematado por US$ 2,5 bilhões. “Além disso, espera-se que a companhia consiga vender também os supernavios”, pontua.
Desempenho
Apesar da acomodação dos preços do minério de ferro no fim do primeiro trimestre, a Vale conseguiu elevar substancialmente os seus indicadores financeiros. Além do aumento de 82% da geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) na comparação anual, o lucro líquido cresceu expressivos 30% na mesma base de comparação.
“O mercado já esperava um resultado positivo da empresa. Hoje a Vale possui uma larga faixa de retorno”, diz Caetano.
A margem bruta da companhia – que mede a rentabilidade sobre as vendas – saltou de 26,8% para 44,4% em um ano, segundo balanço.
“A Vale possui custo muito abaixo dos preços de venda praticados no mercado”, acrescenta o analista.
No início do ano, a cotação do minério de ferro atingiu US$ 90 a tonelada, impulsionada pelo aumento dos estoques na China e problemas pontuais de oferta global. Com isso, a Vale teria se beneficiado em termos de rentabilidade. “Mas a empresa também elevou fortemente a sua produção”, assinala Caetano.
No entanto, a Tendências projeta uma estabilização dos preços para os próximos meses, resultado da desaceleração da demanda chinesa e aumento da oferta global, especialmente o grande projeto da Vale, o S11D em Carajás.
“Devemos ter uma forte correção das cotações no terceiro trimestre. O cenário aponta para preços entre US$ 55 e US$ 60 a tonelada no período, patamar que deve se manter na média do ano”, estima Beraldi.
Caetano, da Planner, destaca que a partir dos próximos meses a geração de caixa da Vale deve vir menos robusta, mas ainda assim positiva. “É natural se imaginar que no segundo trimestre as margens da companhia virão menores. Mas a mineradora tem feito sua parte ao cortar custos para garantir um fluxo de caixa saudável”, observa.
Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, o diretor-executivo de ferrosos da Vale, Peter Poppinga, disse que os embarques de minério de ferro devem aumentar neste ano. “Isso deve ocorrer proporcionalmente ao aumento da produção”, explicou.
Samarco
O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse em teleconferência que os funcionários da Samarco terão uma nova suspensão temporária do contrato de trabalho (lay-off) entre 1º de junho e 31 de julho, podendo ser prorrogada. Este será o terceiro lay-off promovido pela Samarco desde o acidente com a barragem de Fundão em novembro de 2015. O mecanismo foi aprovado nesta semana pelos empregados das unidades operacionais de Germano (MG) e Ubu (ES), assim como do administrativo. Mas o número de funcionários que aderiram ao lay-off não foi divulgado.
Fonte: DCI

Bovespa sobe 1,12% puxada por commodities e balanços; GPA é destaque positivo

Bovespa sobe 1,12% puxada por commodities e balanços; GPA é destaque positivo

sexta-feira, 28 de abril de 2017 17:49 BRT
 


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Por Gabriela Mello SÃO PAULO (Reuters) - O mercado acionário brasileiro encerrou a sexta-feira no azul, apoiado na recuperação das commodities e balanços positivos de empresas brasileiras, com destaque para o Grupo Pão de Açúcar (GPA), que teve o melhor desempenho do principal índice de ações da bolsa paulista. O Ibovespa fechou em alta de 1,12 por cento, a 65.403 pontos, na máxima da sessão. O indicador acumulou ganho de 2,58 por cento na semana, e de 0,65 por cento no mês de abril. O giro financeiro somou 7,84 bilhões de reais. Investidores aproveitaram também para ajustar posições no último pregão do mês e antes do fim de semana prolongado pelo feriado do Dia do Trabalho, na segunda-feira. O cenário político seguiu no radar e ainda inspira cautela, com as atenções voltadas para os desdobramentos da greve geral contra as reformas trabalhista e da Previdência propostas pelo governo de Michel Temer. Entre outros fatores para a alta, operadores citaram a recuperação das commodities no exterior, que deu sustentação a papéis de peso dentro do Ibovespa, incluindo Vale e Petrobras, além das siderúrgicas. Começa a vigorar na próxima semana a nova carteira teórica do Ibovespa para o período de maio a agosto, que passará a contar com o papel PNB da Eletrobras. DESTAQUES - GRUPO PÃO DE AÇÚCAR PN fechou em alta de 9,46 por cento, tendo o melhor desempenho do Ibovespa, depois que a varejista divulgou um resultado acima do esperado, com lucro líquido consolidado de 215 milhões de reais no primeiro trimestre, revertendo prejuízo de 157 milhões de reais um ano antes. - SMILES ON fechou com valorização de 2,75 por cento, após ter registrado alta anual de 32 por cento no lucro líquido do primeiro trimestre, a 156,3 milhões de reais. - RD ON, ex-Raia Drogasil, subiu 2,2 por cento, beneficiada pelo crescimento de 17 por cento do lucro líquido do primeiro trimestre, conforme esforços para controlar despesas permitiram a melhora das margens. - VALE ON encerrou com ganho de 2,39 por cento e VALE PNA subiu 2,58 por cento, reagindo positivamente ao forte avanço dos preços do minério de ferro na China e ao balanço do primeiro trimestre, no qual a mineradora apurou o maior lucro trimestral desde 2013. - PETROBRAS ON fechou em alta de 1,75 por cento e PETROBRAS PN avançou 1,13 por cento, na esteira da recuperação do petróleo no exterior e expectativas de resultados melhores no primeiro trimestre. A estatal divulga seu balanço em 11 de maio. - CIA HERING ON, que não faz parte do Ibovespa, disparou 15,89 por cento e liderou os ganhos do índice de small caps, que subiu 2,52 por cento. O resultado trimestral da empresa agradou investidores e alimentou expectativas de recuperação da receita nos próximos meses. - FLEURY ON, que também não está no Ibovespa, saltou 11,11 por cento, tendo atingido máxima histórica, após divulgar lucro líquido 82,6 por cento maior no primeiro trimestre. - BRADESCO PN caiu 0,24 por cento, ainda refletindo o balanço trimestral. Apesar da alta de 13 por cento no lucro recorrente, o resultado foi ofuscado pelo aumento do índice de atrasos e pela piora no desempenho do negócio de seguros. - TIM PARTICIPAÇÕES recuou 0,87 por cento, com a terceira maior baixa do Ibovespa, depois que a empresa informou queda de 8 por cento na base de clientes, com lucro líquido de 132 milhões de reais no primeiro trimestre.

Wall Street recua com PIB fraco, mas fecha mês com ganhos acumulados

Wall Street recua com PIB fraco, mas fecha mês com ganhos acumulados

sexta-feira, 28 de abril de 2017 18:52 BRT
 


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(Reuters) - Os índices de Wall Street recuaram nesta sexta-feira, após os dados que mostraram que a economia dos Estados Unidos cresceu no seu ritmo mais fraco em três anos no primeiro trimestre darem aos investidores reazões para realizar lucros. O índice Dow Jones caiu 0,19 por cento, a 20.941 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,19 por cento, a 2.384 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuou 0,02 por cento, a 6.047 pontos. Na semana, o Dow Jones subiu 1,9 por cento, o S&P ganhou 1,5 por cento e o Nasdaq avançou 2,3 por cento. Em abril, o Dow ganhou 1,3 por cento, o S&P subiu 0,9 por cento e o Nasdaq saltou 2,3 por cento. O Nasdaq acumulou seis meses consecutivos de ganhos, a sequência mais longa em quase quatro anos. O Produto Interno Bruto dos EUA cresceu a uma taxa anual de 0,7 por cento nos primeiros três meses do ano, abaixo da taxa de 1,2 por cento estimada por economistas, com os gastos dos consumidores subindo muito pouco e as empresas investindo menos em estoques. No quarto trimestre, a economia dos EUA tinha crescido a um ritmo anual de 2,1 por cento. "O PIB foi um pouco fraco e isso pode ser a causa de alguma debilidade de hoje (sexta-feira)", disse Gary Bradshaw, gerente de portfólio da Hodges Capital Management em Dallas. O crescimento mais fraco é uma má notícia para o governo de Donald Trump, depois que ele prometeu durante a campanha impulsionar significativamente o crescimento, e acrescenta preocupações entre alguns integrantes do mercado de que a redução dos impostos, a desregulamentação e o aumento dos gastos do governo - as principais razões para um avanço das ações após as eleições de novembro - podem atrasar. O Nasdaq foi impulsionado nesta sexta-feira por ganhos da Amazon e da Alphabet, dona do Google. A Amazon chegou a subir 3,4 por cento para um patamar recorde de alta, a 949,59 dólares, e fechou com avanço de 0,7 por cento, a 924,99 dólares. Já as ações da Alphabet subiram 5 por cento para um recorde de 935,90 dólares durante o pregão, mas fecharam em alta de 3,7 por cento, a 924,52 dólares, Os resultados trimestrais das gigantes de tecnologia superam as estimativas.

Protestos fecham vias e transporte é afetado em dia de paralisação contra reformas no país

Protestos fecham vias e transporte é afetado em dia de paralisação contra reformas no país

sexta-feira, 28 de abril de 2017
 


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Bloqueio na Dutra, nas primeiras horas do dia, em São José dos Campos 
28/4/2017     REUTERS/Roosevelt Cassio
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Por Pedro Fonseca RIO DE JANEIRO (Reuters) - A greve geral realizada nesta sexta-feira para protestar contra as reformas trabalhista e da Previdência teve como ponto principal a adesão dos trabalhadores dos transportes públicos e manifestações e bloqueios em importantes vias de diversas cidades do país. Segundo as centrais sindicais, além dos funcionários dos transportes públicos, também aderiram à paralisação portuários, aeroviários, professores, petroleiros, metalúrgicos e bancários, entre outros trabalhadores. Ao menos 16 pessoas foram detidas em São Paulo por participação em conflitos com a polícia durante os protestos, e um policial militar ficou ferido, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Também houve confrontos entre manifestantes e a polícia perto da rodoviária do Rio de Janeiro, com uso de gás lacrimogêneo. "Acho que essa greve tinha que ter parado tudo e ninguém vir. A reforma trabalhista não tem que ser como eles estão querendo fazer e a reforma da Previdência também, a gente morre e não aposenta", disse Lurdes da Silva, auxiliar de limpeza em São Paulo, de 51 anos, que teve problemas para pegar o trem a caminho do trabalho. Mas a paralisação não foi unanimidade. Várias pessoas que tentavam chegar a seus locais de trabalho reclamavam da falta de transporte. "Greve? Eu preciso trabalhar. O pessoal está com medo é de perder o emprego, a gente que tem trabalho tem mais é que agradecer todo dia", disse Michelle Barbosa, funcionária de uma padaria que abriu normalmente no centro do Rio. Os serviços de metrô, trem e ônibus de São Paulo estavam paralisados no início da manhã, apesar de decisões judiciais obtidas pela prefeitura e o governo do Estado que determinam o funcionamento de ao menos um percentual do sistema de transporte coletivo, sob pena de multa em casos de descumprimento. O metrô voltou a funcionar parcialmente ao longo da manhã, assim como os trens urbanos. Entre as seis linhas de metrô de São Paulo, duas estavam paralisadas, duas tinham funcionamento parcial e duas estavam operando normalmente, segundo balanço da operadora às 16h03. Os ônibus não estavam circulando, com exceção dos micro-ônibus que prestam serviços locais. Houve protesto no saguão de embarque do aeroporto de Brasília, atrasando procedimentos de viagens, assim como em outros aeroportos, mas 77 por cento dos voos do país estavam no horário, enquanto 5 por cento foram cancelados e 16,4 por cento sofreram atraso, segundo balanço da estatal Infraero divulgado às 17h. Em São Paulo, a avenida 23 de Maio, uma das principais artérias de ligação da cidade, foi uma das diversas vias fechadas com barricadas em chamas, e manifestantes também bloquearam temporariamente uma rodovia de acesso ao porto de Santos, o maior do país, em Cubatão. Policiais foram acionados para tentar liberar as vias. No final da tarde, uma grande manifestação acontecia no Largo da Batata, na zona oeste da cidade. No Rio de Janeiro, houve protestos no acesso ao aeroporto Santos Dumont e alguns passageiros tiveram que descer de carros e táxis e seguir a pé para tentar chegar a tempo ao terminal no centro da cidade. Manifestantes também bloquearam a Ponte Rio-Niterói logo cedo nos dois sentidos, assim como diversas outras vias importantes. No final da tarde, grupos mascarados se misturaram a manifestantes diante da Assembleia Legislativa do Estado, gerando reação de homens da Força de Segurança Nacional. [nL1N1I0229] REFORMAS O dia de paralisações ocorre na mesma semana em que a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de reforma trabalhista que tem como eixo principal a prevalência dos acordos e negociações sobre a legislação vigente, e em meio à tramitação da reforma da Previdência. A reforma trabalhista também retira a obrigatoriedade da contribuição sindical, o que tem sido apontado como um enfraquecimento das centrais sindicais.[nL1N1HZ0FE] A greve geral foi convocado como protesto contra ambos os projetos, alegando que vão tirar direitos e prejudicar os trabalhadores, enquanto o governo defende que as duas reformas são fundamentais para a recuperação econômica do país, que enfrenta a pior recessão da história. “É um movimento legítimo, apesar de muitas pessoas tentarem esvaziar esses movimentos por uma questão ideológica", disse a advogada Eduarda Bolso, que foi trabalhar normalmente no centro do Rio. "No fundo acho que o panorama não tem outro jeito. Chegou a um extremo, acho que é a única maneira de realmente enxergarem o quão grave é a situação política atual do país.” Sindicalistas comemoraram os resultados da greve, com o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, estimando a adesão em 40 milhões de trabalhadores. "O recado foi dado. O governo agora terá oportunidade de abrir negociações para fazer uma reforma justa e civilizada", disse Paulinho a jornalistas. A CUT não fez uma estimativa com números, dizendo que todos aderiram à paralisação. Já o governo considerou o movimento "pífio". "Não há nem direito o que avaliar. Há uma tranquilidade no país", disse à Reuters o ministro da Justiça, Osmar Serraglio. "Houve o chamado para uma 'greve geral', que é uma coisa para impressionar, mas foi um movimento pífio. Está tudo funcionando, os serviços, a indústria." (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier e Maria Clara Pestre, no Rio de Janeiro; Anthony Boadle, em Brasília; e Laís Martins e Thais Freitas, em São Paulo)