quarta-feira, 3 de maio de 2017

Vale vê preço do minério em torno de US$ 70/t neste ano

Vale vê preço do minério em torno de US$ 70/t neste ano


A diretoria da mineradora brasileira Vale calcula que os preços do minério de ferro aumentem significativamente em 2017 ante 2016, ficando em torno dos 70 dólares por tonelada na média, principalmente devido a um aumento da demanda por aço na China e com uma redução da oferta internacional da commodity, afirmou nesta quinta-feira o diretor-executivo de Ferrosos, Peter Poppinga.
Em teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados no primeiro trimestre, o executivo da maior produtora global de minério de ferro explicou que a oferta nova do produto no mercado internacional será de cerca de 70 milhões de toneladas neste ano, ante 115 milhões de toneladas em 2016.
Fonte: Exame
 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Vale é uma das vencedoras do prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica Brasileira

Vale é uma das vencedoras do prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica Brasileira


A Vale é uma das empresas vencedoras do 19º Prêmio de Excelência da Indústria Minero-Metalúrgica Brasileira, da Revista Minérios e Minerales. A premiação, realizada anualmente, ocorrerá dia 9 de maio, em Belo Horizonte, Minas Gerais. São diversas as categorias de premiação, entre elas, Lavra, Processo, Manutenção, Gestão, Relação com a Comunidade, Meio Ambiente, Segurança, Metalurgia, Gestão, Economia de Água, Economia de Energia e Geologia.
Foram três os trabalhos premiados da Vale. Na categoria Tratamento Mineral, um dos vencedores foi o Projeto e Implantação de Planta de Britagem e Peneiramento a seco (IB04), na Mina de Fazendão. Já na categoria Manutenção, os vencedores foram os seguintes projetos: Análise Multiparâmetros na redução dos custos de manutenção dos equipamentos de mina, e Implantação de Sistema de Monitoramento de Nível de Óleo Hidráulico em tanque hidráulico de caminhão fora de estrada, na Mina do Sossego.
Fonte: Vale

Gemstones: onde encontrar e como se classificam as pedras preciosas ?

Gemstones: onde encontrar e como se classificam as pedras preciosas ?

Assim como nós, humanos, os animais e as plantas, as pedras preciosas, ou Gemstones, também são matérias regidas pelas leis da natureza. As ações do vento, temperatura, pressão, águas subterrâneas e movimentações da superfície ajudam a formar as pedras preciosas que tanto admiramos. São necessários milhões de anos para que partes da superfície terrestre formem essa variedade de minerais e de cristais.

Existem três tipos de formação de pedras preciosas:
1. Formação magmática: são as pedras formadas pela consolidação do magma. A lava no interior da Terra sofre pressões tão grandes que se solidificam, moldando-se em cristais valiosos.
Formação das rochas magmáticas
Exemplos: diamante, esmeralda e água-marinha.
Diamante
Esmeralda
Água-marinha bruta
2. Formação sedimentar: são as pedras formadas pela sedimentação de outras rochas. Os minerais dissolvidos pela erosão dessas pedras, com a ajuda do vento e da água, formam camadas que ao evaporarem se cristalizam.
Formação das rochas sedimentares.
Exemplos: arenito, argilito e calcário.
Arenito
Argilito
Calcário
3. Formação metamórfica: são as pedras formadas pela transformação, química e física, de outras rochas. Mudanças bruscas de temperatura, pressão, deslizamentos, são alguns dos fatores que provocam a cristalização desse tipo de rocha.
Formação de rochas metamórficas e seus tipos
Exemplos: quartzo e mármore.
Quartzo
Mármore

Existem também dois tipos de depósito, o primário e o secundário que são assim chamados devido à ordem que as pedras preciosas são encontradas.
1. Depósito Primário: As pedras desse tipo de depósito se encontram no seu local de origem, o que torna a retirada muito mais difícil.
2. Depósito Secundário: Já o depósito secundário é formado por pedras que foram transportadas do seu local de origem. No caso do depósito secundário, a pedra já foi transportada e, devido a isso, as pedras possuem formato mais arredondado. Existem três tipos de depósitos secundários: os depósitos em vias fluviais, os depósitos marinhos e, por último e menos comum, o depósito eólico.

Gemstones

Chama-se de  gema um mineral, rocha ou material petrificado que, quando lapidado ou polido, é colecionável ou usável para adorno pessoal em joalheria.
A distribuição das pedras preciosas pela Terra são muito irregulares. As regiões onde podemos encontrar mais pedras são a África do Sul, o sudeste da Ásia, o Brasil, a Austrália e as zonas montanhosas nos Estados Unidos.
Diamante Hope, um dos mais famosos do mundo
Pulseira de Esmeralda da Bvlgari
Água-marinha após lapidação

Descoberta de pedras preciosas em Coronel Fabriciano/MG

Descoberta de pedras preciosas em Coronel Fabriciano/MG

Juiz deixa de cumprir função Jurisdicional e leva autor de processo judicial a processar o Estado por danos morais e materiais 



Em 2008 entrei com um processo no DNPM, número 830.599/2008, para pesquisa de pedras mineral de uma área de 711 hectares na cidade de coronel Fabriciano, e por embaraços judiciais e interesses econômicos de pessoas gananciosas e ambiciosas da região e de outras regiões, sabedoras desta descoberta, barraram este meu empreendimento que mudaria a vida econômica da cidade.
Quando eu tinha 17 anos, eu localizei uma pedra preciosa, formação da turmalina, no sitio de meu avô, "Neca Martins", no bairro Córrego do Camilos em Coronel Fabriciano, bairro onde tem a estrada da amizade que liga Coronel Fabriciano à Ipatinga, e fiquei calado com a descoberta pois eu era um adolescente e na década de 80 havia estourado um grande garimpo na região da cidade de Antônio Dias, vizinha à minha, garimpo de alexandrita, e em tal garimpo havia dado muita confusão, e por isto é que guardei segredo por mais de 20 anos e a pedra que eu havia localizado ficava na minha casa este tempo todo, muito escondida. Eu escutava atentamente as histórias do meu avô que dizia que lá no sitio tinha muita pedra preciosa e ouro e que por isto o sitio não tinha muito valor, mas nunca revelava a ele nem a ninguém o grande segredo de minha descoberta. Eu andava por todo o sítio na procura de outras pedras preciosas, e as encontrei, granada, topázio, quartzo fumê. Em 2008, mais de 20 anos da minha descoberta, requeri a área para pesquisa mineral, junto ao DNPM, processo 830599/2008. De lá para ca gastei muito dinheiro com Advogado, geólogo, licenças, e com o próprio DNPM (pois tinha que pagar a Taxa por hectare, anualmente). Como não consegui entrar no terreno do meu avô para executar a pesquisa mineral, tive que acionar o DNPM e comunicar-lhe o fato.
Diante desta minha comunicação, o DNPM acionou o Judiciário de Coronel Fabriciano, para abrirem processo judicial, na 2º vara cível, número 0194.12.001613-5, para que eu pudesse ter acesso ao terreno através de via judicial, conforme diz a lei Federal.
Como minha descoberta tinha ganhado manchete e notícias de jornais escritos, divulgação na TV local e ampla divulgação na internet, várias pessoas, ambiciosas, gananciosas, oportunistas, políticos e pessoas influentes, não só da minha cidade e região, mas de outras, "cresceram o olho" em cima da minha descoberta e grande riqueza em pedras preciosas que tinha no sítio do "Neca Martins", o que mudaria a estrutura econômica e social da cidade, nem mesmo a Prefeitura Municipal, que a meu ver deveria ser a primeira interessada no progresso e geração de empregos e renda na cidade, me deram apoio algum. No judiciário meu processo ficou praticamente parado, o que deveria terminar em rito especial, por lei, se arrastou por quase dois anos sem me colocarem no terreno por ordem judicial, e ainda se se encontra em andamento, mas como os prazos no DNPM não suspendem por ordem judicial, mesmo que hoje, Agosto de 2014, o Juiz decida por fim do meu processo no Fórum de Coronel Fabriciano, não adiantaria em nada pois como o meu prazo no DNPM está terminando, não daria mais tempo hábil para eu executar as formalidades de uma pesquisa mineral na região.
Por esta morosidade do judiciário não me restará outra opção do que entrar no judiciário para pleitear indenização por danos morais e materiais contra o Estado e contra o Juiz de Direito com quem iniciei o processo em 2012 (juiz este que "segurou", ou seja, não fez o processo andar como diz o rito especial, com rapidez e prioridade, mantendo o processo por mais de dois anos, sem decisão, fazendo eu perder o prazo no DNPM, pois não há mais prazo hábil para executar nada da pesquisa mineral, pois hoje, faz pouco mais de seis meses para que o meu alvará de pesquisa caduque no DNPM em 19/03/2015, não tendo tempo hábil para executar nenhuma pesquisa mineral mesmo se o juiz decidisse o processo hoje.
O Estado deixou de cumprir, por negligência do Juiz, a função Jurisdicional, causando prejuízo a mim, autor, portanto cabe ação de dano material e moral contra o Estado, que entrará com ação regressiva contra o Juiz.
O valor do dano moral e deve ser proporcional ao prejuízo causado ao autor do processo. Dano moral este incalculável pois tive meu empreendimento prejudicado e deixei de ganhar uma boa soma em dinheiro. Se o autor teve um prejuízo financeiro por erro de Magistrado, deve-se processar o Estado por dano morais e materiais e, futuramente, após a condenação do Estado este processará o Juiz, em ação regressiva, ou seja, quem pagará a conta será o Juiz.
Estas mesmas pessoas que estão de olho neste meu empreendimento, aposto que quando meu alvará de pesquisa caducar no DNPM, requererão a área para eles e explorarão as pedras preciosas do sitio do meu avô, "neca Martins", mas tal descoberta irá ficar na história como foi feita por mim, isto há mais de 25 anos atrás.

Depoimento de um lapidador, 56 ans (Teófilo Otoni)


Depoimento de um lapidador, 56 ans (Teófilo Otoni)

“Abandonei a escola muito cedo, só estudei até o primeiro grau, então comecei a vender pedras na rua desde os 14 anos, assim como muitas outras pessoas. Depois comecei a trabalhar ao mesmo tempo como lapidador aos 16 anos e assim que consegui juntar um pouco de dinheiro, fui trabalhar sozinho. Em seguida aluguei um local perto da principal praça da cidade, onde acontecia o grosso do comércio, o que continua sendo o caso hoje em dia. De tempos em tempos dou uma volta pela praça de manhã para saber o que está acontecendo no mercado e às vezes compro algumas pedras.
(…) Eu me dedico mais ao negócio de esmeraldas. Tento me abastecer direto nas minas e vou de vez em quando em Goiás e na Bahia, mas bem menos hoje em dia, já que está mais difícil encontrar esmeraldas de boa qualidade. Na verdade, meus principais centros de abastecimento agora são Itabira e Nova Era, que são bem mais próximos. No momento trabalho em casa, no meu quintal. Lapido as pedras para dar a forma principal e depois terceirizo o facetamento e o polimento por um custo de 50 reais por pedra. Depois de lapidada, normalmente vendo a gema pelo dobro do preço que paguei por ela, mas claro que isso varia muito, pois às vezes a pedra é menos bonita do que o esperado depois de lapidada, ou então pode se quebrar no processo. O fato de fazer eu mesmo as primeiras etapas de lapidação me permite economizar um pouco de dinheiro, mas principalmente me dá a certeza de que a pessoa não vai trocar a pedra por outra parecida de menos valor depois de trabalhá-la. Isso pode acontecer porque é bastante difícil associar uma pedra bruta a uma pedra lapidada.
(…) Eu já tive alguns clientes joalheristas, principalmente um que trabalhava para Amsterdam Sauer e que vinha mais ou menos a cada três meses em Teófilo Otoni para comprar pedras comigo. Mas agora os joalheiros trabalham cada vez mais exclusivamente com as grandes empresas da região e mandam lapidar as pedras diretamente em São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte. Então viajo todo mês ou a cada dois meses para estas cidades para vender minha produção. Também costumo ir a Ouro Preto ou Brasília. Sei por experiência que as joalherias estão à procura de esmeraldas, então vou oferecer espontaneamente. Mas também acontece de eu ligar para alguns ex-clientes antes de ir. Faço negócio principalmente com brasileiros, mas também tem alguns estrangeiros, inclusive alguns chineses em Brasília, Rio de Janeiro ou São Paulo que chegaram a pouco tempo. No final dos anos 80 me inscrevi no Sindicato Nacional dos Garimpeiros para conseguir uma carteira provando que eu trabalhava no ramo, mas nunca renovei minha inscrição, pois a primeira carteira já é suficiente para não ter mais problemas com a polícia”
(…) Mesmo se o comércio já foi melhor, ainda está bom para mim. Minha mulher e minha filha me ajudam um pouco com as tarefas administrativas e meu sobrinho toma conta do cyber café que comprei há pouco tempo. Tenho uma outra filha que foi para a Itália, perto de Nápoles, e ela trabalha ilegalmente no setor da agricultura. Hoje está casada com um italiano e faz dois anos que começou a vender algumas pedras diretamente para joalherias napolitanas. Claro que ela precisa de uma nota fiscal para provar que a mercadoria é legal, é arriscado demais passar a fronteira sem provas e também é mais fácil para vender depois de chegar lá. Os chineses também tentam vender suas pedras, mas os italianos não confiam neles. Por outro lado, parece que agora está mais complicado fazer negócios, acho que por causa da crise que atinge a Europa, as pessoas acabam comprando menos joias. Mas imagino que seja temporário. Minha filha mais nova que mora com a gente pensa em fazer um curso de joalheria, mas eu estou velho demais para mudar de carreira agora e, de qualquer forma, isso não me interessa.”.

O comércio

16As atividades de comércio incluem o conjunto das operações ligadas à compra e venda de pedras de cor, brutas ou lapidadas, sem um objetivo de tranformação suplementar. Duas formas de comércio se destacam: a corretagem, que faz o papel intermediário entre o vendedor e o comprador em troca de um porcentagem da venda; e o comércio clássico, que consiste na compra do produto, estocá-lo e vendê-lo. Mas uma terceira forma de comércio poderia ser tambem integrada: aquela onde as próprias empresas mineradoras se encarregam de exportar diretamente sua produção, sem passar por intermediários.
Foto 11. Amostras de topázios imperiais e esmeraldas por um vendedor de rua.
Foto 11. Amostras de topázios imperiais e esmeraldas por um vendedor de rua.
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Fonte: Aurélien Reys (2013).
17Os corretores exercem suas atividades de maneira informal na rua. É na rua também que se faz contatos profissionais e se troca informações sobre o mercado. Nas zonas rurais da região são geralmente os postos de gasolina que muitas vezes servem de endereço dessas trocas comerciais, mas o local pode variar. Em Araçuaí, por exemplo, os bares atrás da estação rodoviária têm esta função. Nas maiores cidades da região, os pontos de encontro se localizam à proximidade dos centros urbanos, próximo a sedes das principais empresas mineradoras e de comércio de gemas do nordeste de Minas Gerais. Em Governador Valadares os corretores podem ser encontrados no cruzamento das ruas Peçanha e Afonso Pena, local conhecido como “esquina dos aflitos”, onde uma mesa é posta em frente a um bar e cerca de vinte pessoas se sentam sobre cadeiras de plástico encostadas a um muro que lhes faz sombra. Em Teófilo Otoni, pelo menos uma centena de comerciantes costuma ocupar a principal praça da cidade diariamente, fazendo do lugar provavelmente o maior centro de trocas informais de pedras do país. A constante presença dos corretores e a maneira desordenada e, às vezes, insistente com que abordam os raros clientes em potencial pode dar uma imagem um pouco agressiva do negócio, muitas vezes mais exagerada do que é na realidade.
Foto 12. Vendedores de pedras com suas bolsas na Praça Tiradentes em Teófilo Otoni.
Foto 12. Vendedores de pedras com suas bolsas na Praça Tiradentes em Teófilo Otoni.
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Fonte: Aurélien Reys (2012).
18Muitas vezes, atores que se apresentam como corretores podem também vender mercadorias próprias, aproximando-se do papel de comerciante clássico, mas sem loja física para exercer a profissão. A maioria deles mantém suas pedras guardadas em pochetes ou bolsas, mas há quem exponha os produtos em mesas, o que pode dar à praça de Teófilo Otoni uma imagem de feira de pedras para quem vem do exterior. Se o número de corretores perambulando na praça ainda é grande, o número de clientes estrangeiros está em constante diminuição, segundo os atores locais. Por isso, muitos vendedores de pedras passaram a ter outras profissões, como cantor de bar, pintor de prédio, etc, além daqueles que já beneficiam de uma aposentadoria. A falta de clientes faz com que uma grande parte das pedras acabe circulando apenas nas mãos dos próprios corretores. Entretanto, alguns deles percorrem o país inteiro comprando a mercadoria nas áreas rurais da região ou do nordeste do país, vendendo-a posteriormente em Teófilo Otoni, plataforma da corretagem do país, ou ainda nas grandes cidades do sudeste brasileiro.
Foto 13. Águas-marinhas espalhadas sobre uma cama de hotel de um vendedor de pedras
Foto 13. Águas-marinhas espalhadas sobre uma cama de hotel de um vendedor de pedras
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Fonte: Aurélien Reys (2013).

Depoimento de um corretor, 64 ans (Teófilo Otoni, mas originário de Itinga)

“Entrei tarde no negócio. Até meus 48 anos eu era agricultor e criador, mas um dia perdi todo meu rebanho, 80 cabeças de gado atingidos pela raiva. Neste dia perdi tudo e decidi fazer como muitos outros na região: trabalhar no garimpo. Comecei perto de Medina, em um terreno que pertencia ao meu sogro, que era um modesto agricultor, ele também. Eu equilibrava a atividade de escavação com a agricultura de subsistência e participava também de algumas atividades de corretagem, mas de maneira bem local.
(…) Um dia um conhecido meu, dono de um hotel em Itaobim, veio me dizer que um francês estava procurando pedras para comprar. Eu o coloquei em contato com as pessoas que ele procurava, nós dois simpatizamos e depois disso nos encontramos a cada três meses. Ele vem ao Brasil comprar pedras brutas para revender na França. Ele faz porta-a-porta e vai de comércio em comércio lá, pelo que me falou. Hoje ele se tornou meu principal cliente e a gente viaja pela região cada vez que ele vem aqui para comprar mercadoria a um preço melhor.
(…) Há seis anos vim morar em Teófilo Otoni para acompanhar meu filho que é funcionário público. Como minha mulher adoeceu gravemente e precisa ir regularmente ao hospital, achamos melhor virmos também. Para mim, o comércio de pedras está bem melhor agora do que quando comecei, mas meu filho me ajuda com 400 reais todos os meses (cerca de 150 euros) para colaborar com as despesas. Tenho também uma aposetadoria como agricultor. Hoje penso em talvez voltar para o garimpo em um futuro próximo. Não tenho mais condição física para cavar a terra, mas posso ser útil cozinhando ou fazendo pequenas tarefas do dia-a-dia.”
19Os comerciantes possuem geralmente um endereço formal para exercer sua atividade, apresentando-se como lojas de vendas de pedras de cor. O atrativo de uma loja é que ela tem mais chances de ter um primeiro contato com novos clientes, pois é um lugar físico e oficial que passa mais confiança para os visitantes ocasionais do que uma esqunia de rua ou praça. A loja também permite ao visitante saber onde encontrar a pessoa com quem ele manteve contato da última vez que fez negócio, e é principalmente uma vitrine para o comerciante, já que as pedras expostas geralmente representam apenas uma ínfima parte dos produtos estocados. Os proprietários deste tipo de comércio muitas vezes trabalham com outras atividades relacionadas, como a mineração, a lapidação ou a venda à distância pela internet, por exemplo. Alguns deles também estão implicados no comércio de minerais industriais.
Foto 14. Estoques de pedras de coleção de comércio, com quartzos fumê em primeiro plano.
Fonte: Aurélien Reys (2012).
20Em Teófilo Otoni existe uma estrura comercial original e relativamente organizada, em formato de galeria, composta por cerca de vinte pequenas lojas: a galeria da Associação dos Corretores e Comerciantes de Pedras Preciosas, mais conhecida localmente pelo acrônico ACCOMPEDRAS. Construído no início dos anos 90 com a ajuda das autoridades locais, o lugar foi concebido na sua origem para oferecer a alguns corretores que trabalhavam na praça um ponto “formal” de venda. Algumas lojas mudaram de dono e é possível achar hoje proprietários em situações diversas - do corretor que consegue a maior parte de seu lucro graça às comissões, até pequenas empresas que vendem pela internet. Alguns investem parte de seus lucros em atividades de garimpo, onde viram sócios.
Foto 15. Entrada da galeria ACCOMPEDRAS em Teófilo Otoni.
Foto 15. Entrada da galeria ACCOMPEDRAS em Teófilo Otoni.
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Fonte: Aurélien Reys(2012).
21Por último, certos pontos de comércio aparecem na forma de escritórios. Normalmente escritórios de empresas mineradoras possuem explorações à proximidade e têm a função de cuidar da parte administrativa. De uma forma ou de outra acabam filtrando pessoas indesejáveis – a maior parte dos corretores –, se dedicando exclusivamente àqueles que interessam mais – geralmente clientes ricos. Tal filtragem é possível por causa de uma entrada com um importante sistema de segurança. Há clientes brasileiros, mas a maior parte dos produtos é exportada para outros países e os negócios fechados cada vez mais frequentemente à distância. Muitas destas empresas, realizam parte de seus negócios em feiras internacionais estrangeiras, geralmente nos Estados Unidos (Tucson) ou em Hong-Kong (três feiras anuais), às vezes na China (Shangai) ou na Europa (Munique, Sainte-Marie-aux-Mines). Bem mais raramente, para não dizer nunca, participam das feiras organizadas no Brasil (São Paulo, Soledade, Teófilo Otoni, e às vezes Governador Valadares), cujo alcance é sobretudo nacional, apesar das propagandas locais