domingo, 29 de outubro de 2017

Brasil de volta ao clube dos grandes produtores de diamante

Brasil de volta ao clube dos grandes produtores de diamante

Descoberta na Bahia estimula corrida pelo mineral. País pode subir a 11º lugar no ranking



Diamante (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)
Após a descoberta na cidade de Nordestina, no interior da Bahia, de uma reserva de diamante capaz de multiplicar a produção nacional da pedra preciosa numa escala superior a dez vezes, o país voltou a ficar na mira de investidores. Ao menos três empresas estão prospectando a pedra preciosa no país — na Bahia, em Goiás e em Minas Gerais — num movimento que deve colocar o Brasil de volta no mapa mundial dos diamantes. Um mercado seleto, com apenas 21 nações produtoras e que em 2015 movimentou US$ 13 bilhões.
O Brasil já liderou a produção global de diamante no século XVIII e, hoje, representa ínfimo 0,02% desse mercado, ocupando a 19ª posição do ranking, capitaneado pelos russos. Considerando o pico de produção na mina de Nordestina, em 2020, estimado em 400 mil quilates, o Brasil será alçado ao 11º lugar, mantida estável a produção dos demais países. Em 2015, foram produzidos 127,4 milhões de quilates de diamantes no mundo.
Paralelamente à chegada de novos investidores, está em fase final de revisão um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), órgão do governo federal, com áreas potenciais para exploração de diamantes.
O projeto Diamante Brasil identificou 1.344 dos chamados corpos kimberlíticos e rochas associadas, reunidos em 23 campos. É nessas áreas de nome esquisito que se encontra o diamante primário, incrustado em rochas e cuja produtividade é bem maior que a do diamante secundário, geralmente encontrado nos rios.
É sobre esse mapa da mina que as empresas estão se debruçando atrás de novas jazidas. Uma atividade cara e de risco. Estima-se que apenas 1% dos corpos kimberlíticos tenha diamantes economicamente viáveis. No mundo, pouco mais de 20 jazidas de kimberlíticos estão em produção. Até ano passado, o Brasil estava fora dessa estatística. Produzia somente diamantes secundários, muito explorados por cooperativas de garimpeiros.
A descoberta de Nordestina mudou o cenário. Em meados de 2016, deu-se início a primeira produção comercial de diamante primário no Brasil. Liderada pela belga Lipari, a produção deve alcançar este ano 220 mil quilates — em 2015, último dado fechado, a produção nacional havia sido de 31 mil quilates.
Segundo o canadense Ken Johnson, presidente da empresa, as terras onde a Lipari prospecta diamantes foram adquiridas da sul-africana De Beers, em 2005. Desde então, foram investidos R$ 214 milhões. A produção será exportada.
"O trabalho na mina é de 24 horas por dia. Temos 270 funcionários e devemos chegar a 290 empregados no fim do ano. E isso é só o começo. Estamos olhando outras áreas em Rondônia e Minas Gerais", diz Johnson.
Descompasso entre oferta e demanda
O diamante é feito de carbono e é formado na base da crosta terrestre, a pelo menos 150 quilômetros de profundidade. Para que se forme, é necessário que esteja em ambiente estável, com elevadíssimas temperaturas e determinadas condições de pressão. Com a movimentação no interior da Terra, há liberação de energia. O magma, então, busca uma válvula de escape e aproveita falhas geológicas para chegar à superfície. O diamante “pega carona” no magma.
"Quando esse percurso é feito em poucas horas ou poucos dias, o que é bastante raro, o diamante é preservado. Caso contrário, desestabiliza-se e vira grafite", explica a geóloga Lys Cunha, uma das chefes do projeto Diamante Brasil.
Ao chegar à superfície, o magma se solidifica e forma as chamadas rochas kimberlíticas. O diamante primário fica incrustado nessas rochas. Com o passar do tempo, as rochas sofrem processo de erosão e o diamante acaba sendo carregado para outras áreas, alojando-se ao longo de rios. Nesse caso, passa a ser chamado de diamante secundário. Segundo empresários e especialistas, não há diferença de qualidade entre eles. O que muda são os meios de extração empregados e a sua produtividade.
"O diamante secundário tem uma produção errática, pois fica mais espalhado. Além disso, não se costuma cavar mais de 15 metros a 20 metros de profundidade para encontrá-lo. Já o diamante primário fica mais concentrado. No processo de extração, pode-se perfurar de 200 metros a 300 metros de profundidade, o que exige uma produção bastante mecanizada e investimento bem maior. O volume de produção também é muito superior", explicou Francisco Ribeiro, sócio da Gar Mineração. "Por isso, temos a oportunidade de voltar a ocupar posição de destaque no ranking global".
A empresa, de capital nacional, atua há 60 anos no Brasil e hoje produz cerca de 3.600 quilates a 4.800 quilates por ano de diamante secundário no Triângulo Mineiro. Agora se prepara para estrear na produção de primário. Segundo Ribeiro, a companhia está em fase de qualificação das reservas, também em Minas Gerais. E a estimativa para iniciar a produção é de um a dois anos.

A história do diamante no Brasil remonta ao século XVIII. Não se sabe ao certo quando houve a primeira descoberta, mas historiadores apontam o ano de 1729 como o que o então governador da capitania de Minas Gerais, Dom Lourenço de Almeida, oficializou a existência das minas à metrópole. Até então, as descobertas da pedra preciosa corriam à boca pequena e enriqueciam quem se aventurava na clandestinidade.
Com a Coroa ciente, a produção no então Arraial do Tijuco (atual Diamantina, Minas Gerais) ganhou novo impulso e o Brasil assumiu a liderança mundial do diamante, desbancando a Índia. Durante quase 150 anos, manteve a dianteira. Em 1867, a descoberta de um diamante nos arredores de Kimberley, na África do Sul, levou a uma corrida pela pedra preciosa no país. O Brasil, então, perdeu a hegemonia e está hoje na lanterna da produção global, à frente apenas de Costa do Marfim e Camarões.
Nos EUA, peça essencial do noivado
Desde 2010, a produção mundial está estacionada na faixa dos 130 milhões de quilates. Recente relatório da consultoria Bain&Company, porém, estima que a demanda vai crescer a um ritmo de 2% a 5% ao ano até 2030, embalada pelo consumo da classe média americana e chinesa. Cobiçado por casais apaixonados, o diamante brilha com frequência em joias que os maridos americanos dão a suas esposas. Pesquisa mostra que 71% dos americanos nascidos entre os anos 1980 e 2000 consideram o diamante um elemento essencial do anel de noivado.
A oferta de diamantes, no entanto, não deve acompanhar a retomada do consumo. A consultoria projeta queda de 1% a 2% por ano na produção da pedra até 2030, devido ao esgotamento das minas. É nesse desequilíbrio que está a oportunidade para o Brasil voltar ao clube.
"O Brasil, de alguma forma, foi ignorado pelos maiores produtores e a oportunidade de identificar e desenvolver novas minas é única. Em uma recente viagem a Antuérpia, houve empolgação quanto à qualidade dos diamantes brasileiros. O país tem chance de voltar a figurar entre os líderes da produção global de novo", diz Joe Burke, diretor de Marketing da Five Star Diamond.
A empresa foi fundada por um geólogo australiano, que se associou a investidores estrangeiros e a um advogado brasileiro. Juntos, compraram áreas em diferentes regiões no Brasil para prospectar diamante. Segundo Burke, em 15 dos cerca de cem corpos kimberlíticos que a companhia tem no portfólio há grande chance de ocorrência de diamante. A Five Star já levantou US$ 7 milhões com investidores e se prepara para listar a empresa no mercado de capitais canadense. A produção no Brasil deve começar em Goiás, onde o projeto está mais avançado, no fim do ano.
Burocracia e falta de segurança
A ausência de guerras civis e religiosas no Brasil é apontada por fontes do setor como um atrativo. A exploração da pedra preciosa sempre levantou polêmica porque costumava ser usada para financiar conflitos civis na África. Com o filme “Diamante de sangue”, estrelado por Leonardo DiCaprio em 2006, a crueldade das guerras e a associação à produção do diamante se tornaram mundialmente conhecidos.
O diamante produzido legalmente no Brasil e em outros países, no entanto, segue o processo de certificação Kimberley, espécie de atestado de origem criado justamente para inibir o comércio ilegal. A burocracia no país para emitir os certificados, no entanto, é uma trava na expansão do mercado, alertam empresários. Antes de ser exportado, o diamante precisa ser pesado, medido e analisado. Isso é feito por um funcionário do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM) em uma unidade regional do órgão.
Como o certificado precisa da assinatura do diretor-geral do DNPM e o sistema não é informatizado, ele é enviado por Sedex até Brasília, sede da instituição, e retorna ao produtor igualmente pelo correio. O processo leva de dez a 15 dias, segundo João da Gomeia Silva, da coordenação de ordenamento e extração mineral do DNPM.
Durante esse período, os diamantes ficam em cofres das próprias empresas produtoras ou de seguradoras, trazendo risco à segurança das companhias e dos funcionários. Mês passado, a Lipari foi invadida e teve parte de sua produção roubada. Se depender da agilidade do poder público, as mineradoras continuarão vulneráveis.
"O DNPM está na era digital. Até 2018, a ideia é eliminar o papel", diz Silva.

Fonte: Brasil Mineral



Lítio: Uma corrida louca que vai do Congo à Cornualha

Lítio: Uma corrida louca que vai do Congo à Cornualha

Com o equilíbrio do mercado ainda longe de ser atingido e as grandes potências a posicionarem-se perante a procura deste metal no futuro, várias mineiras procuram oportunidades em vários continentes.
Lítio: Uma corrida louca que vai do Congo à Cornualha

Bloomberg 28 de outubro de 2017 
Para se ter uma ideia da procura a que está a ser sujeito o lítio, elemento utilizado no fabrico de baterias, basta olhar para a australiana AVZ Minerals Ltd. Uma empresa com acções "penny stock" há apenas alguns meses, a promissora mineira valorizou em bolsa cerca de 1.300% este ano. A sua proposta: voltar a explorar uma mina de estanho remota e centenária na República Democrática do Congo para fornecer o lítio necessário para dar energia aos carros eléctricos.

Embora a subida tenha sido dramática, a AVZ não está sozinha na corrida por um lugar na "explosão" das baterias recarregáveis. No Reino Unido, a empresa fundada por um antigo banqueiro de investimento, Jeremy Wrathall, planeia aproveitar nascentes termais na Cornualha, uma região que é mais famosa pelas suas enseadas. Outras empresas estão à procura de depósitos - desde a Alemanha até ao Mali - e até o Afeganistão está a planear leiloar licenças de exploração.

"Há uma grande disputa por depósitos e uma procura que parece impressionante, a questão está sempre do lado da oferta," afirma Paul Gait, um analista na Sanford C. Bernstein Ltd. em Londres. Na pressa de corresponder à procura, há o risco de que venham a ser desenvolvidas muitas minas e de que seja fornecido demasiado metal, considera Gait. "Quando a maré recuar, aqueles que não tiverem uma boa geologia não estarão à altura."

O preço do lítio, que é dominado por três grandes produtores, tem aumentado à medida que cresce a procura por baterias de iões de lítio usadas em veículos eléctricos e em sistemas de armazenamento de electricidade. A Bloomberg New Energy Finance estima que os veículos eléctricos representarão mais de metade das novas vendas de automóveis a nível global até 2040. E a incerteza em torno do crescimento da produção global significa que os fabricantes de carros estão a procurar garantir a oferta futura de metal.

Ainda que a produção possa ter dificuldades iniciais em acompanhar o crescimento da procura, o lítio não é verdadeiramente raro quando comparado com outros metais para baterias, como o cobalto e a grafite, de acordo com o analista da Bloomberg Intelligence, Eily Ong. E a história da mineração está cheia de exemplos prudentes de "explosões" que terminaram em fracassos, quando a corrida para impulsionar a produção superou o crescimento da procura.

O minério de ferro é um exemplo recente, com o "boom" na produção de aço na China a impulsionar a construção de novas minas. Acabou mal para muitos dos recém-chegados ao sector que, quando preparavam projectos no terreno ou começaram a produzir depararam com a queda dos preços daquela matéria-prima.

Mais tarde ou mais cedo, haverá excesso de produção

A produção mundial de lítio aumentou cerca de 12% no ano passado, com as baterias a representar cerca de 39% do consumo, de acordo com o U.S. Geological Survey. Apesar de a Austrália ser o maior produtor em 2016, os seus recursos identificados são pequenos quando comparados com a Argentina e Bolívia, cada um com cerca de 9 milhões de toneladas, e o Chile, com mais de 7,5 milhões.

"Este não é um metal que vá estar isento das leis normais da economia das commodities," afirma Gait. "Mais tarde ou mais cedo, teremos sobreprodução.

Há cerca de uma dezena de projectos a serem construídos ou ampliados a nível mundial, de acordo com a Liberum Capital Ltd. Estes, a que se junta uma mão cheia de outros cujo avanço é visto como provável, poderão ajudar a quase triplicar a oferta de lítio até 2025, que ainda assim ficará aquém da procura prevista.

Além disso, há mais oito projectos que ainda não asseguraram financiamento mas que podem conduzir o mercado a um excedente de produção até 2025, refere um relatório da Liberum.

Negócio do lítio é uma "mina"

Os preços do carbonato de lítio mais do que duplicaram nos últimos dois anos, segundo dados da Benchmark Mineral Intelligence. "Com os preços actuais, não há mina potencial de lítio no mundo que não venha a fazer uma extraordinária quantidade de dinheiro," afirma Richard Knights, analista na Liberum. "Há todo o incentivo para estimular a oferta."

As actuais necessidades podem reduzir-se até 2019-2020, com base na resposta forte do lado da oferta, diz o analista Joel Jackson, da BMO Capital Markets, numa nota de 24 de Outubro. No entanto, a incerteza sobre premissas como a penetração dos veículos eléctricos, a tecnologia de baterias e o crescimento do fornecimento de lítio torna difícil de prever quando é que o mercado atingirá o equilíbrio, acrescenta.

No Congo, a AVZ ainda tem de provar que a extracção de lítio é economicamente viável. É também necessário reabilitar uma velha central eléctrica e construir mais de 600 quilómetros de estradas para ligar a mina à capital regional de Lubumbashi para garantir as exportações. Ainda assim o projecto está a atrair investidores, como a chinesa Zhejiang Huayou Cobalt Co., uma das maiores refinadoras de cobalto do mundo.

"As maiores empresas da China estão a fazer fila," disse o chairman da AVZ, Klaus Eckhof, a partir do Dubai. "Todos eles querem participar porque não têm uma cadeia de fornecimento, o meu telefone não pára de tocar."


Portugal também nos radares internacionais

O interesse desperto pelo lítio também está a ter efeito em Portugal, que historicamente extrai o mineral para aplicação na indústria cerâmica. No ano passado entraram na Direcção Geral de Energia e Geologia 30 pedidos de direitos de prospecção e pesquisa de lítio, que têm subjacentes cerca de 3,8 milhões de euros de propostas de investimento nos primeiros dois a três anos, numa área total de 2.500 quilómetros quadrados.

O mineral extraído no país tem sido usado pela indústria para reduzir o ponto de fusão para produção de pastas cerâmicas – baixando o consumo energético –, mas segundo o relatório do grupo de trabalho "lítio" encomendado pelo Governo e concluído em Março passado, as ocorrências de lítio detectadas em Portugal têm potencialidade para uso também na indústria de compostos de lítio para obter concentrados de minerais de lítio de alto teor, como os que são usados na construção de baterias para os automóveis eléctricos.

Segundo o grupo de trabalho, e de acordo com relatórios técnicos de cinco empresas, com direitos atribuídos de prospecção e pesquisa e de exploração, é possível estimar um total de 29,74 milhões de toneladas em recursos mineralizados de lítio no país.

Exemplos de empresas que anunciaram a entrada no país são a Novo Lítio (anteriormente Dakota Minerals, que tem operado em Sepeda, Montalegre – onde pondera uma instalação de produção de concentrado de lítio - e está em litígio com a Lusorecursos, a detentora da licença de prospecção) e a Savannah, sediada em Londres, que em Maio anunciou a compra de parte dos direitos de exploração de quartzo, feldspato e lítio na Mina do Barroso, concelho de Boticas, Trás-os-Montes.

Portugal tem segundo aquele relatório nove regiões com ocorrência de mineralizações de lítio caracterizado por intrusões pegmatíticas, concentradas no Centro e Norte do país: Serra de Arga, Barroso-Alvão, Seixoso-Vieiros, Almendra, Barca de Alva-Escalhão, Massueime, Guarda, Argemela e Segura.

O grupo de trabalho refere ainda que a DGEG definiu 11 "campos" correspondentes às zonas de potencial interesse das empresas (onde : Arga, Sepeda-Barroso-Alvão, Covas do Barroso-Barroso-Alvão, Murça, Almendra, Penedono, Amarante Seixoso-Vieiros, Massueime, Gonçalo Guarda-Mangualde, Segura e Portalegre.

Nas suas conclusões, o grupo defende a criação de um programa de fomento mineiro para avaliar os recursos minerais de lítio existentes no país e a implementação de duas unidades experimentais – minero-metalúrgica e de demonstração, em consórcio com empresas exploradoras - para aferir da viabilidade económica da cadeia de valor.
Fonte: Bloomberg                    

Esta casa de 14 milhões de dólares é a mais segura dos EUA

Esta casa de 14 milhões de dólares é a mais segura dos EUA

"Esta é uma casa na qual poderia pendurar um quadro de 20 milhões de dólares na parede e dormir tranquilamente à noite", disse o corretor do anúncio, Paul Wegener,
Esta casa de 14 milhões de dólares é a mais segura dos EUA
Bloomberg

28 de outubro de 2017 
É conhecida por Mansão Wayne do Sul. A fachada creme com colunas da Rice House, construída numa área de 1,4 hectares nos arredores de Atlanta, EUA, esconde muito mais do que um cinema privado, pista de bowling e uma piscina "infinita".

O quarto principal e os de hóspedes têm portas à prova de bala, capazes de resistir aos disparos de uma AK-47. A garagem de carros tem capacidade para 30 veículos com entrada projectada para ficar escondida por uma cascata. As portas secretas levam a um bunker de 4.500 metros quadrados no qual um dono com problemas poderia, teoricamente, esconder-se durante vários anos, com electricidade independente da rede pública e água extraída de três poços com 300 metros de profundidade. A casa teve o seu próprio arquitecto de segurança, que trabalhou durante duas décadas em projectos de edifícios seguros para o Departamento de Justiça dos EUA.

O anúncio de venda afirma que esta é "uma das casas ou a casa mais segura dos EUA".
"Esta é uma casa na qual poderia pendurar um quadro de 20 milhões de dólares na parede e dormir tranquilamente à noite", disse o corretor do anúncio, Paul Wegener, da Atlanta Fine Homes Sotheby’s International Realty. "O mesmo vale para a sua família."

O empreendedor dono da Rice House investiu seis anos e cerca de 30 milhões de dólares para construir essa fortaleza de 10.900 metros quadrados, disse Wegener à Bloomberg. Apenas por diversão.

"Ele disse-me: ’Se alguém me quiser pegar, encontram-me no [restaurante] Chick-fil-A’", disse Wegener. Foi uma espécie de exercício intelectual criar uma casa impenetrável, uma Batcaverna pessoal da qual o dono pode sair a acelerar com um Bugatti Veyron.

A casa acaba de ser anunciada com novo preço, 14,7 milhões de dólares, menos que os 17,5 milhões originais. Além disso, a propriedade precisa ainda de ser concluída, o que custaria entre 3 a 5 milhões adicionais, estima Wegener.

O proprietário planeou a Rice House para que fosse um legado familiar, mas no fim das contas o seu filho preferiu não morar lá. A casa em si está completamente construída, com oito quartos, 14 casas de banho, três cozinhas, um museu privado, uma adega, um campo de tiro interno e elevadores de nível comercial. Mas em vez de realizar os acabamentos adequados para a colecção de móveis do século XVIII, deixou a tarefa para o próximo proprietário.

Embora a informação não esteja incluída no anúncio - para manter o sigilo -, a Rice House fica no Country Club of the South, uma comunidade fechada de relvados bem cuidados em Alpharetta, Geórgia, a cerca de 30 minutos de carro do centro de Atlanta. As casas mais baratas da subdivisão de 733 unidades custam várias centenas de milhares de dólares.

Ao longo dos anos, várias celebridades teriam tido casas no Country Club of the South, entre elas o antigo jogador de basebol do Atlanta Braves Tom Glavine, Usher, Whitney Houston e a ex-estrela da NBA Allen Iverson. O bairro tem 19 campos de ténis, um campo de golfe com 18 buracos desenhado por Jack Nicklaus, campos de basquetebol, uma instalação para espectáculos e, claro, segurança 24 horas.

Não que os novos proprietários precisem disso.
Fonte: Bloomberg                    

Tecnológicas com maior disparo da era Trump. S&P 500 também renova recordes

Tecnológicas com maior disparo da era Trump. S&P 500 também renova recordes

Um conjunto de bons resultados de títulos como a Alphabet, Amazon e Google impulsionou os ganhos no sector tecnológico para a melhor sessão em quase um ano. As acções foram ainda animadas por dados na frente económica e expectativa de maior definição na política monetária.
Tecnológicas com maior disparo da era Trump. S&P 500 também renova recordes
Reuters

27 de outubro de 2017 
Os títulos das tecnológicas destacaram-se nas bolsas norte-americanas na sessão desta sexta-feira, 27 de Outubro,  levando o índice de referência Nasdaq a novos recordes na sequência de resultados positivos das cotadas e dados melhores que o esperado para o PIB dos EUA.

O optimismo dos investidores, numa sessão que começou mista com o índice industrial do lado das perdas, acabou por generalizar-se ao longo do dia, contagiando igualmente o transversal S&P500, que registou também um novo recorde histórico.

Fechada a sessão, o Dow Jones foi o único que escapou à maré de máximos, penalizado por empresas do sector petrolífero e terminando a valorizar 0,14% para 23.434,19 pontos. O novo máximo do S&P 500 é de 2.581,06 pontos, após uma apreciação de 0,81% enquanto o Nasdaq teve a melhor sessão desde 7 de Novembro do ano passado - um dia antes das eleições que dariam a vitória a Donald Trump -, subindo 2,20% para 6.701,26 pontos.

Antes da abertura da sessão foi anunciado que a economia norte-americana cresceu 3% no terceiro trimestre em termos anuais, acima do estimado pelos analistas (que apontavam para 2,5%) e depois de ter progredido 3,1% nos três meses anteriores.

A Alphabet, casa-mãe da Google, fechou a subir mais de 4% após lucros e receitas acima do esperado impulsionados pela actividade publicitária. A Microsoft subiu mais de 6% também a beneficiar de resultados surpreendentemente bons, resultantes do negócio de armazenamento em "cloud" (nuvem).

A Amazon progrediu mais de 13%, com os resultados a reflectirem o contributo positivo da cadeia de retalho alimentar Whole Food e a Apple, que hoje disse que as pré-encomendas para o seu novo iPhone X superaram qualquer expectativa, ganhou mais de 3,5%.


A contribuir para os ganhos esteve também uma maior definição na política monetária norte-americana, depois de a Casa Branca ter anunciado que Donald Trump revelará o nome do novo presidente da Reserva Federal na próxima semana. A Bloomberg noticiou hoje que o presidente dos EUA está inclinado para nomear Jerome Powell, visto como defendendo uma transição mais suave de política monetária.

A marcar a sessão a nível internacional esteve ainda a incerteza vivida ao longo do dia em Espanha, com o parlamento catalão a declarar a independência da região e, horas depois, o governo de Madrid a anunciar as primeiras medidas a implementar para fazer valer o artigo 155 da constituição - demissão do governo da Catalunha e marcação de novas eleições para 21 de Dezembro.

Fonte: Reuters

O brilho do diamante

O brilho do diamante

O bem mais mítico do mundo poderá perder rapidamente o seu valor no mercado global. Quem coloca a hipótese são os próprios agentes da oferta, assustados com a geração que atinge agora a maturidade.
O brilho do diamante

 
Que todas as instituições mais sólidas do mundo, da família ao direito ao trabalho, estejam a sofrer abalos ciclónicos nos dias que correm só é novidade, ou uma preocupação recente, para os mais distraídos. Mas que o bem que simboliza por excelência a posse, o charme, a sedução, o poder e a riqueza, entre várias outras propriedades raras, possa de repente e irreversivelmente perder o brilho, será ainda um choque para a larga maioria de nós. No entanto, é isso que poderá vir a acontecer muito rapidamente com o diamante, se tivermos em conta os sinais que surgem dos principais "players" deste mercado, a começar pelo gigante mineiro De Beers.

O estado de preocupação do sector foi referenciado recentemente por uma notícia do Financial Times ("miners out to prove diamonds are still a cut above", 20 de Maio, pesquisável através de motores de busca), que dava conta de um paradoxo interessante, aquele criado pelo actual momento do mercado, por um lado, e o cenário a curto prazo desenhado pelos agentes da oferta, por outro lado.

Quanto ao primeiro, os indicadores não são para euforia, mas estão longe de ser deprimentes. Assim, o lucro da venda de diamantes para joalharia, a nível global, tem crescido sustentadamente desde 2009. No ano passado, aumentou 1% em relação a 2015, tendo o mercado global atingido os 80 biliões de dólares. Assim, tudo menos um mercado deprimido. Mas, este é o outro lado do paradoxo para os "players", o futuro próximo do mercado está subordinado à lei cruel da demografia, e esta mostra que o poder de compra actual e a médio prazo pertence à geração "millennials", ou geração dos milenares, aqueles nascidos entre 1980 e 1996.

Para a De Beers e os seus pares, a chegada da geração referida à idade madura é uma péssima notícia, por várias razões. A primeira, ou a mais forte, é que as estatísticas credíveis dos países ocidentais mostram que esta geração se envolve em noivado e casa em muito, mas muito, menor número. Ora, dizem os "players", homem sério e digno até agora não encetava noivado ou casamento sem oferecer uma jóia com diamante à sua paixão.

Se a tendência se mantiver, ou agravar, acrescentam os agentes, uma fatia importante do mercado irá desaparecer. Mas a geração milenar constitui ainda uma preocupação devido a outros valores ou ideias. De facto, parece, ou assim indicam os dados existentes, que esta é a geração que prefere a experiência à posse de um bem, e que tem preocupações de sustentabilidade ecológica e de direitos humanos, o que os faz desconfiar dos métodos da indústria diamantífera.

Além das dores de cabeça gerada pela geração dos milenares, os produtores têm ainda uma outra frente de combate. Aquilo que parecia impossível, um diamante criado em laboratório pelo homem ter valor, está afinal a acontecer, como mostram os relatórios de venda do, por exemplo, Diamond Foundry, um dos líderes deste sector. A razão para os diamantes de laboratório estarem a ser aceites pelo mercado é muito simples: o preço é menor 30 a 40%.

Assim, perante esta conjuntura, os agentes da oferta reuniram-se pela primeira vez numa associação e planearam uma campanha de comunicação que está agora no terreno. A mensagem não podia ser outra: "Real is Rare." Os próximos tempos serão fascinantes para aqueles que se interessam por um dos bens mais míticos do mundo. Especialmente para aqueles que investiram ou tencionam investir em diamantes. Será que a pedra irá manter o seu brilho, ou a cultura de uma geração irá acabar com ele?
Fonte: De Beers