domingo, 16 de março de 2014
Frank o caçador de meteoritos
Frank o caçador de meteoritos
Poucas
pessoas, durante a sua vida, conseguem perseguir objetivos com grande
intensidade, sem perder o foco, amalgamando o conhecimento científico com as
ideias e os dados de uma longa e extenuante pesquisa ao longo do tempo, em uma
cruzada épica, em busca de respostas.
O Frank
Guardia, um geólogo canadense, que morou no Brasil, criador de empresas e
descobridor de jazidas e oportunidades é uma dessas pessoas.
Nestas
últimas décadas, Frank embarcou em uma viagem solo, na busca de dados que possam
comprovar a sua grande convicção: muito do que se vê e se propaga da geologia
nada mais é do que o efeito direto dos impactos de meteoritos.
Frank
está certo!
É só
olharmos para o nosso satélite, a Lua, e veremos uma superfície coberta por
milhões de cicatrizes de impactos de meteoritos. Na Lua essas crateras estão
ainda preservadas, pois lá não existe a erosão química e física que a atmosfera
e as águas aqui na Terra ocasionam. É lógico que a Terra, por ser mais antiga e
muito maior que a Lua, recebeu um número bastante superior de impactos diretos
de meteoritos que devem ter ocasionado imensas modificações geológicas ao longo
dos tempos.
Eu sei
que esse é um assunto por demais conhecido de todos. Afinal, quem não conhece, e
fala, sobre as extinções dos dinossauros causadas, provavelmente, pelo imenso
impacto de um meteorito que atingiu a Terra no Cretáceo, possivelmente onde hoje
é o Golfo do México?
Esse impacto foi o responsável pela
extinção em massa de quase ¾ de todas as plantas e seres vivos do planeta
incluindo os dinossauros é claro.
O que
não se fala é sobre o efeito cumulativo de milhões de impactos de meteoritos e
sobre as quatrilhões (isso mesmo, números com mais de 15 zeros) de toneladas de
material terrestre que foram pulverizadas e ejetadas na atmosfera cobrindo
enormes regiões adjacentes ao impacto: o ejecta.
Pouco se
fala sobre a formação de imensos mares de lava que cobriram continentes e foram
derivados de grandes impactos, ou sobre enormes pedaços da Terra que foram
lançados ao espaço sideral, após impactos catastróficos, como o que gerou a
própria Lua.
Esta
relação de causa e efeito, entre os impactos e a geologia Terrestre, ainda é uma
das áreas cinza do nosso conhecimento e é onde Frank Guardia excede. Ele
investiu décadas em viagens, pesquisas e reconhecimentos geológicos sempre em
busca das evidências geológicas que possam iluminar essa área. Se um dia o campo
da geologia dos impactos de meteoritos se solidificar não podemos esquecer de
Guardia, que chegou a ser ridicularizado por muitos colegas por estar,
simplesmente, à frente de sua época.
Para que
você possa ter uma ideia sobre a enormidade do problema vamos fazer uma
comparação entre a Terra e a Lua.
A
inspeção da Lua mostra gigantescas crateras, como a Aitken, com 2.500km de
diâmetro e 13km de profundidade. É só calcular e veremos que o impacto da Aitken
deslocou mais de 25 milhões de quilômetros cúbicos de material. É como abrir uma
cratera de 2.900m de profundidade em todo o Brasil. Isso causado por apenas um
meteorito...
Os
números dos grandes impactos são simplesmente enormes e a Terra teve, nos
últimos 4,5 bilhões de anos, incontáveis impactos que ejetaram muitos
quatrilhões de toneladas que
cobriram praticamente toda a superfície do planeta várias vezes,
que foram processadas pelo intemperismo terrestre, se transformando, aos
poucos, em sedimentos e em rochas metamórficas e ígneas no interminável ciclo
geológico. A real influência desse processo de redistribuição de rochas e de
homogeneização da crosta terrestre nunca será totalmente entendida.
Frank
está certo. A influência dos meteoritos na geologia da Terra é simplesmente
enorme, muito maior do que a geologia ensinada nas Universidades propaga.
A ele o
nosso reconhecimento e respeito.
Terras-raras: Estados Unidos e o resto do mundo lutam para acabar com monopólio chinês
Terras-raras: Estados Unidos e o resto do mundo lutam para acabar com monopólio chinês. Novas descobertas poderão mudar este cenário em breve
Os elementos do grupo terras-raras são 17. Os mais importantes, do ponto de vista econômico/estratégico, são, em torno, de 5. São os 5 elementos mais pesados deste grupo e, por total infelicidade dos americanos, esses cinco são, quase que exclusivamente, controlados pela China. Já os elementos disprósio, térbio, európio, neodímio e ítrio, não tão críticos, estão presentes como subprodutos, em varias jazidas americanas.
Mas, esses não são os elementos TR que o mercado de celulares, TVs de tela plana, geradores eólicos, imãs de alto poder, equipamentos eletrônicos de última geração, consome. O mundo está, literalmente, de joelhos quando o assunto são os terras-raras pesados. Somente os Japoneses, grandes consumidores, ainda tem uma participação neste mercado por terem muitas das principais patentes, o que, aliás, está sendo contestado pela China em uma nova batalha judicial.
Enquanto o mundo se debate asfixiado pela total dependência dos terras-raras os chineses vêm mantendo uma estratégia de alimentar os mercados a conta-gotas: eles estão gradualmente diminuindo a sua produção anual.
Em 2010 os chineses forneceram 97,6% do mercado mundial, mas em 2013 essa participação caiu para 92,1% . Uma queda significativa que pode significar uma retomada dos americanos na batalha dos TR.
Segundo o Instituto de Geociências da Alemanha, 4,2% dos terras-raras produzidas no mundo, em 2013, vem das minas americanas e 2,3% das russas.
Como sempre, quando um único grupo controla um bem mineral, a exploração e pesquisa mineral é ampliada e, logo, as descobertas minerais começam a ocorrer ao redor do mundo.
É o que está ocorrendo, para desespero dos chineses. Nestes últimos anos 440 depósitos minerais com terras-raras foram descobertos. O maior e mais significativo, pelo menos segundo a mídia, é o imenso jazimento que a SRE Minerals fez na Coréia do Norte, que pode conter 216,2 milhões de óxidos totais de terras-raras, uma monstruosidade, considerando que a demanda mundial é de 140.000 toneladas por ano...
Vai sobrar terras-raras...
Aqui no Brasil a pesquisa feita, como sempre, por junior companies está trazendo novas e importantes descobertas de jazimentos de terras-raras. É o caso da Mining Ventures que planeja a construção de uma planta de beneficiamento de terras-raras no seu projeto de Minaçu em Goiás. A ideia é fornecer concentrados de óxidos de TR ainda em 2016.
Se estas descobertas se confirmarem e esses jazimentos entrarem em produção, nos próximos anos veremos uma revolução nos preços e na oferta dos terras-raras.
Quem vai ganhar essa batalha serão aqueles mineradores capazes de produzir com o menor custo do que os chineses conseguem produzir nas suas minas de Baotou, na província de Jiangxi que é a fonte de 95% das TR do mundo.
Diamante brasileiro indica existência de oceano sob a crosta terrestre
Diamante brasileiro indica existência de oceano sob a crosta terrestre
Para pesquisadores, minério sugere que, a mais de 400 quilômetros de profundidade, há reservatório com quantidade de água equivalente à soma de todos os oceanos
O pequeno diamante encontrado no Mato Grosso não tem valor comercial, mas é uma importante descoberta científica
(Alberta University)
O minério foi descoberto em 2008 no município de Juína, no interior do Mato Grosso, por mineradores. Cientistas acreditam que existam milhares de diamantes como esse a mais de 400 quilômetros de profundidade.
O estudo sobre o diamante, publicado nesta quarta-feira pela revista Nature, revelou que ele contém um mineral raro chamado ringwoodita. Acredita-se que o mineral exista em grande quantidade debaixo da Terra. Segundo a pesquisa, ele leva uma quantidade significativa de água – cerca de 1,5% de seu peso. As ringwooditas têm sido vistos em meteoritos, mas essa é a primeira vez em que são identificadas em amostras terrestres.
Para os pesquisadores, a presença do líquido dentro do diamante prova que há muita água abaixo da crosta terrestre. Segundo eles, o líquido está presente em uma zona de transição entre o manto superior (entre 100 e 410 quilômetros sob a superfície) e o inferior (a mais de 660 quilômetros de profundidade).
"É possível que exista tanta água quanto a soma de todos os oceanos", diz Graham Pearson, pesquisador da Universidade de Alberta, no Canadá, que coordenou o estudo. Mas é possível que essa água não esteja na forma livre, formando oceanos subterrâneos, mas aprisionada nos
O aumento do interesse chinês por turmalinas e outras pedras preciosas do Brasil
O aumento do interesse chinês por turmalinas e
outras pedras preciosas do Brasil já provoca uma pequena revolução no
mercado de global.
Cinquenta
metros abaixo do chão, trabalhadores caminham por túneis estreitos,
abertos na rocha e cheios de poças de água, para extrair a pedra que
caiu no gosto do mercado de luxo da China. Com pás, picaretas e
furadeiras, uma centena deles retira todos os dias quilos e quilos de
turmalina na Mina do Cruzeiro, no município de São José da Safira,
interior de Minas Gerais. As pedras são exportadas em forma bruta,
lapidadas na China e também lá transformadas em anéis, brincos e
pingentes usados por chinesas endinheiradas.
O aumento do interesse chinês por
turmalinas e outras pedras preciosas e semipreciosas de cor do Brasil é
ainda uma novidade, mas já provoca uma pequena revolução no mercado de
gemas. Os chineses tornaram-se mais visíveis como compradores depois da
crise financeira mundial de 2008, quando os compradores tradicionais -
americanos e europeus - se retraíram. A demanda da China literalmente
salvou empregos em algumas cidades do interior de Minas Gerais - o
Estado mais tradicional na produção e venda de "pedras coradas" do país -
que são centros de exploração ou comércio de pedras. Mas o apetite
asiático também é motivo de preocupação.
Grandes joalherias brasileiras que usam
em suas peças pedras nacionais viram quase de uma hora para outra
compradores chineses arrematando grandes lotes de turmalinas, topázios,
águas-marinhas e muito quartzo. A disponibilidade de pedras para o
mercado nacional diminuiu, ao mesmo tempo em que os preços explodiram.
Algumas pedras estão sendo vendidas a preços 400% superiores aos que
eram praticados há quatro anos e muitos produtores acabam privilegiando
fazer negócios com os chineses porque eles estariam em geral mais
dispostos do que os compradores brasileiros a pagar mais pelas pedras,
compram lotes maiores e pagam à vista.
Um dos efeitos do aquecimento do mercado
pela China se vê nas minas. Segundo o chefe do escritório do
Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) em Governador
Valadares, Marlucio Dias de Souza, há um movimento de reabertura de
minas na região.
Marcos de Moura e Souza/Valor / Marcos de Moura e Souza/ValorO resultado do trabalho na Mina do Cruzeiro
Marcos de Moura e Souza/Valor / Marcos de Moura e Souza/ValorO resultado do trabalho na Mina do Cruzeiro
Em seu discreto escritório na cidade,
Douglas Willian Neves, um dos proprietários da Mina do Cruzeiro, diz que
antes da crise de 2008 a China representava 20% de suas vendas. Hoje,
representa 80%. Neves está à frente também da Nevestones, empresa de
compra e venda de gemas. "A China aqueceu o mercado. Eles compram de
tudo, pedras para joias e para bijuterias. Antes de 2008, até o cascalho
de turmalina [pedras pouco aproveitadas para lapidação, mas que têm
valor para coleções e entalhes], que custava US$ 200 o quilo, hoje custa
US$ 3,5 mil."
Outro comerciante de pedras preciosas e
semipreciosas de Valadares, José Henrique Fernandes, dono da Pinkstone
International e da Mina de Aricanga, diz: "Se não fossem os compradores
asiáticos, nós, pedristas, teríamos quebrado. Exportávamos para o
mercado dos EUA e da Europa, mas, com a crise, a tendência dos preços
era cair".
Não se trata apenas de uma substituição
do mercado. Os empresários que produzem pedras dizem que com os chineses
- e em menor escala outros novos clientes da Índia e Rússia e de alguns
países asiáticos - compram mais do que os americanos e europeus.
Em 2009, a China já era o principal
destino das exportações de pedras brutas brasileiras. Naquele ano, Hong
Kong sozinha comprou US$ 6,5 milhões e a China continental mais US$ 6,2
milhões. Em 2011, as vendas para cada um estavam na casa dos US$ 11
milhões. Para a Índia, as exportações saltaram de US$ 4,1 milhões para
US$ 9,5 milhões. No mesmo período as exportações para os EUA ficaram num
nível bem inferior: de US$ 3,8 milhões em 2009 para US$ 4,7 milhões no
ano passado. Para a Alemanha, a maior economia da Europa, foram de US$ 1
milhão para apenas US$ 1,5 milhão.
Marcos de Moura e Souza/Valor / Marcos de Moura e Souza/ValorLapidador em Valadares trabalha em turmalina
Marcos de Moura e Souza/Valor / Marcos de Moura e Souza/ValorLapidador em Valadares trabalha em turmalina
Quando a China começou a abrir sua
economia, o consumo local por pedras preciosas era quase todo limitado
ao jade, pedra verde com longa tradição no país e que era usada para
joias, estatuetas e talismãs, diz Hécliton Santini Henriques, presidente
do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), cujos
escritórios ficam em Brasília e em São Paulo. Com a abertura, outras
pedras ganharam espaço. Comerciantes de diamantes foram um dos primeiros
a se estabelecer. Depois, veio o forte consumo de platina. "De três
anos para cá, os chineses começaram a descobrir a cor, a variedade de
pedras de cor. E começaram a comprar turmalina, principalmente a
vermelha. Daí essa valorização brutal", diz Henriques. "Eles também
compram quartzo rutilado e a demanda por esmeraldas está em um processo
de crescimento."
Esse interesse, trouxe à região de
Valadares um tipo diferente: o comprador chinês de pedras preciosas. "Os
chineses ficam circulando por aqui, nas cidadezinhas menores, como São
José da Safira, por exemplo. Estão em todo o lugar. Nos garimpos
ilegais, eles dominam", diz Douglas Neves. Em Curvelo e Corinto,
municípios da região central de Minas e onde o forte é o quartzo,
chineses também passaram a fazer parte da paisagem e da economia locais.
Esses compradores são tipos sui generis,
segundo a descrição que se ouve entre empresários: andam de chinelo,
mal vestidos, dormem em pensão ou às vezes debaixo de lona no mato e
falam um português arrevesado (quando falam). E, apesar da aparência,
compram lotes de pedras com dinheiro vivo, à vista - muitas vezes pagam
adiantado por uma produção. São eles que passaram a concorrer com vários
compradores de pedras brasileiros.
Parte das pedras sai do subsolo de Minas
Gerais de modo ilegal e entra também de modo ilegal no mercado. Não há
consenso entre empresários e autoridades, qual o peso da extração e do
comércio clandestino no comércio total de pedras no Brasil. Mas até o
DNPM em Valadares admite que o número de minas sem autorização de
funcionamento deve ser muito maior do que as meras dez autorizadas em
todo o leste e nordeste do Estado. Quanto ao envio das pedras para o
exterior, o caminho alegadamente mais fácil para quem está no mercado
clandestino é o de subfaturar lotes de pedras - algo difícil de ser
captado pelas autoridades.
Para os produtores e comerciantes de
maior porte, como Neves e Fernandes, a porta para o mercado externo
costuma ser outra. Como vários exportadores brasileiros, José Henrique
Fernandes, participa da feira de joias e gemas de Hong Kong, a Jewellery
and Gem Fair. É lá onde faz muito de seus negócios. "Antes
participávamos das feiras de Tucson, Nova York e Las Vegas (EUA) e na
Basileia (Suíça). Hoje, nos concentramos só nas feiras de Hong Kong, que
não atrai só compradores chineses, mas americanos e europeus." Na
edição de setembro da feira (são três edições anuais), das 35 empresas
no pavilhão do IBGM, 30 são de Minas, segundo Hécliton Henriques.
O Brasil é, segundo o IBGM, o maior
produtor de pedras coradas em termos de variedade. Produz mais de cem
tipos de gemas, num mercado que só aqui movimenta entre US$ 250 milhões e
US$ 300 milhões. Estimativas citadas pela instituição em seu site
apontam o Brasil como a fonte de cerca de um terço do volume das gemas
do mundo - sem levar em conta diamantes, rubis e safiras. Dois Estados
são grandes produtores e polos de negócios: Minas Gerais e Rio Grande do
Sul. Minas é o maior produtor em termos de valor.
De uma lavra de turmalina, topázio
imperial ou água marinha no interior de Minas, até a vitrine de uma
joalheira brasileira num shopping de São Paulo, por exemplo, o caminho
costuma ser mais ou menos o mesmo. Começa com o empresário, o dono da
lavra; passa pelos representantes das empresas de joias que vão a campo
ver e escolher os lotes de pedras; segue para as mãos de lapidários; dos
designers e da equipe de montagem da indústria joalheira e pronto, as
peças estão à disposição dos clientes. Se o efeito China é ótima notícia
para quem investe e trabalha na ponta inicial dessa cadeia, para os
demais é um estorvo.
Os lapidários, por exemplo, parecem
estar em fase de extinção. "Aqui em Valadares havia há uns 10 ou 15 anos
cerca de 2 mil oficinas de lapidação. Hoje são no máximo 50", diz
Ronaldo Rodrigues Barbosa, 45, ele mesmo um lapidário. É a velha questão
dos custos da mão de obra: enquanto no Brasil o preço do trabalho por
quilate oscila de US$ 0,80 a US$ 1,20, na China, fica entre US$ 0,25 e
US$ 0,35. Um grama é equivalente a 5 quilates. Barbosa conta que muitos
de seus colegas de profissão ficam duas ou três semanas sem trabalho;
outros tantos simplesmente abandonaram o ramo porque os clientes que
tinham passaram a contratar lapidários na China e na Índia.
Mas quem se queixa mais da concorrência
asiática são mesmo as empresas de joias que dependem da oferta das
pedras nacionais. "Tivemos de rever o tamanho das pedras de algumas de
nossas coleções. Antes, podíamos fazer o que quiséssemos com pedras de
quaisquer tamanhos, hoje já não é mais assim", diz Rodrigo Robson,
designer da Vivara, empresa paulistana, fundada em 1962, que se
apresenta como a maior rede varejista de joalherias do Brasil. Segundo
ele, a maioria dos fornecedores de pedras da empresa são de Minas
Gerais. Topázio e quartzo são as duas mais usadas nas joias de Vivara.
"O que estamos percebendo é uma diminuição na oferta de pedra bruta. As
pedras maiores vão para a China."
Daniel Sauer, diretor da Amsterdam
Sauer, sediada no Rio, diz: "Se eu quiser comprar, tenho de pagar o
preço que eles [chineses] estão pagando ou mais. E tem pedras que eles
estão pagando o dobro e ninguém quer pagar mais". "A China não está
apenas comprando commodities. Está consumindo muito produto de luxo e a
joia está nesse contexto."
A vantagem de sua empresa, diz ele, é
estar há 70 anos no mercado, enquanto os chineses ainda não
estabeleceram uma base de confiança com muitos fornecedores. Os
chineses, no entanto, compram quantidades maiores e pagam valores acima
do que as joalherias nacionais estão dispostas a pagar.
Em Belo Horizonte, a grife joalheira
mais conhecida da cidade, a Manoel Bernardes, desistiu de depender da
pedra preciosa de cor brasileira. "Comprávamos mais de Minas Gerais, mas
hoje 80% das pedras brutas de cor que compramos vêm da África, de
Moçambique e Nigéria. Às vezes também do Paquistão", diz Marcelo
Bernardes, que junto com o irmão, Manoel, dirige a empresa fundada pelo
pai. A vantagem, diz ele, é que a oferta africana é maior e mais
contínua.
Segundo Bernardes, a oferta brasileira
de pedras é pequena e os produtores preferem vender mais para quem paga
mais, que são os chineses atualmente. "É difícil para nós pagarmos o
preço que eles pagam. Sai mais barato comprar em Moçambique do que
aqui".
Nem todos veem assim. Raymundo Vianna,
um dos maiores exportadores de joias do Brasil, com vendas para 112
países, é um deles. Dono da Vianna Brasil, ele diz que se fosse depender
de pedras importadas para competir mundo afora seria derrubado pela
carga tributária do Brasil, que onera pedras preciosas de fora em 40%.
"Nossa empresa já está tendo dificuldade de adquirir matéria-prima no
Brasil. Se continuar assim, a empresa não terá condições de sobreviver."
Presidente do Sindicato da Indústria de
Joalheria, Bijuteria e Lapidação de Gemas de Minas Gerais
(Sindijoias-MG), Vianna defende medidas drásticas do governo: estancar a
saída de pedra bruta do Brasil e motivar empresas de joias e lapidação a
se instalarem aqui. "Algo tem de ser feito, senão acaba a indústria da
joia no Brasil."
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