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Colecionador de Hong Kong bate recorde e paga US$ 33 milhões por diamante azul
O preço foi cerca do dobro das estimativas antes do leilão
Um comprador de Hong Kong pagou US$ 32,6 milhões por um diamante azul de quase 10 quilates em leilão
realizado
pela Sotheby's em Nova York, evidenciando a crescente demanda por essas
pedras brilhantes por ricos colecionadores chineses.
Um
colecionador de Hong Kong, que não foi identificado, derrotou seis
outros concorrentes e estabeleceu um novo preço por quilate já pago por
qualquer diamante, disse a Sotheby's em um comunicado nesta sexta-feira.
O preço foi cerca do dobro das estimativas antes do leilão.
A
China, mercado de diamantes com crescimento mais rápido, está
impulsionando a demanda global no setor, com gerações mais jovens de
chineses escolhendo as pedras preciosas no lugar de peças de ouro para
marcar noivados e votos matrimoniais.
As vendas de joias de
diamantes na China cresceram 12% anualmente de 2008 a 2013, de acordo
com uma estimativa deste ano da revendedora De Beers. Esse é o segundo
maior mercado, atrás apenas dos EUA, em um mercado de US$ 79 bilhões.
A
produção mundial de diamantes caiu 3,7% em 2013 em relação ao ano
anterior devido às poucas vendas, que caíram 16%, segundo dados
publicados na conferência de Windhoek. A produção de diamantes passou de
168 milhões de quilates em 2012 para 161,8 milhões de quilates no ano
passado.
O comércio de diamantes passou de US$ 37 bilhões em
2012 para US$ 30 bilhões em 2013. Os países produtores de diamantes
estão reunidos desde terça-feira na Namíbia para avaliar os esforços do
processo de Kimberley, cujo objetivo é acabar com o comércio ilegal de
pedras preciosas para financiar conflitos.
Essa é uma oportunidade para comprar diamantes, pois a valorização vai ser enorme, assim como os alvarás de diamantes espalhados no rico Brasil, em todo o país tem diamantes, mais em MG, BA, RO, MT, PI, ETC..Boa sorte...
Cooperativa de garimpeiros vai negociar diamantes em Israel
Coromandel
– Depois de fazer sua primeira exportação de diamantes para a Bélgica, a
Cooperativa de Garimpeiros de Coromandel (Coopergac) tem planos
ambiciosos. Um deles é entrar na Bolsa de Diamantes de Israel, a segunda
maior do mundo (só perde para a belga), com movimentação de US$ 10
bilhões anuais. “E estamos negociando também com um grupo suíço, que tem
interesse em diamantes menores”, revela Darío Machado Rocha, fundador
da entidade e considerado seu comandante de fato.
Os planos de
voo da Coopergac têm o aval do governo mineiro, que, segundo Darío, foi
fundamental nas vendas para a Bélgica, por intermédio da Secretaria de
Desenvolvimento Econômico e da Central ExportaMinas. “Foi um processo
complexo, pois, além de ter toda a documentação para exportar, os
garimpeiros precisaram cumprir as exigência do Certificado Kimberley”,
diz o subsecretário de Desenvolvimento Minerometalúrgico e Política
Energética, Paulo Sérgio Ribeiro. “O governador Aécio Neves ficou
impressionado com Israel”, reforça Darío, lembrando que o país não
produz um quilate sequer de diamante.
O governo mineiro está,
neste momento, negociando um acordo com a bolsa israelense para
intensificar a negociação entre os dois países. O acordo prevê,
inicialmente, a organização da cadeia produtiva, formalização das
exportações de diamantes brutos e a internacionalização de pequenas
cooperativas e médias empresas, além do aumento do fluxo de
investimentos internacionais e intercâmbio tecnológico, com treinamento
de mão de obra e modernização do parque industrial lapidário de Minas.
Segundo o DNPM, em 2007, a Coopergac foi responsável por 22% de toda a
arrecadação proveniente da comercialização legal de diamantes no Brasil.
Coromandel
abriga cerca de 3 mil garimpeiros, ou quase 10% da população da cidade.
E a cooperativa espera que agora, com a crise mundial e a queda nas
vendas e preços de diamantes, empresas estrangeiras abram mão do direito
de lavra na região, que seriam arrematados pela entidade. Dessa forma, a
Coopergac poderia ampliar o número de cooperados. “Hoje, temos uma área
útil de 100 hectares. Não há como abrigar novos cooperados”, explica
Darío. “Além do mais, nem todo garimpeiro quer trabalhar nessa área.
Garimpeiro não é boi, que você coloca no curral e ele fica lá. Ele
trabalha onde seu sonho diz é que melhor”, compara.
Entra aí um
aspecto curioso. A Operação Carbono, deflagrada pela Polícia Federal em
2006, afugentou parte dos atravessadores e comerciantes estrangeiros da
região. A economia de Coromandel sofreu um baque. As banheiras de
hidromassagem do Hotel Alemão, um dos principais da cidade, estão
fechadas desde então. “Hoje, temos 1,5 mil garimpeiros desempregados em
Coromandel, 400 em Abadia, 700 em Estrela do Sul, 2 mil em São Gonçalo
do Abaeté (cidades da região) e 5 mil em Diamantina”, diz Darío, para
justificar seu projeto mais ousado: a criação de uma federação de
garimpeiros no estado. “Não vejo outra instância capaz de organizar a
categoria. Estamos fechando um acordo com a cooperativa de Diamantina. A
ideia é que eles possam se filiar conosco para exportamos em conjunto”,
garante.
Investimentos recentes podem mudar situação do Brasil no setor de diamantes
País já foi o maior
produtor do mundo e hoje é insignificante no mercado. Especialista diz
que Brasil tem imenso potencial ainda inexplorado
Na
África, a pedra preciosa deixou de ser apenas algo que se consegue
peneirando cascalho. A profissionalização mudou o status da extração
Brasília
– Diamantes dão brilho ao roteiro de um filme ou de uma telenovela. E
também podem se destacar nos relatos da formação de um país. Quando se
descobriram os primeiros exemplares desse mineral na região onde hoje
fica Diamantina (Vale do Jequitinhonha), em 1725, só se tinha visto algo
semelhante extraído de minas da Índia.
As pedras foram levadas
por um padre para a corte portuguesa, que tratou de regulamentar e
incentivar as lavras no Brasil. “A história dos diamantes se confunde
com a do país”, resume Francisco Valdir Silveira, chefe do departamento
de recursos minerais da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais
(CPRM).
Surgiram garimpos nas Gerais, na Chapada Diamantina, da
Bahia, e em tantos outros lugares. O Brasil foi, durante muito tempo, o
maior produtor mundial. Até que se descobriu o minério na África.
Primeiro, no leito dos rios, como aqui, depois, no início do século
passado, em depósitos primários subterrâneos.
Diamante deixou de
ser apenas algo que se consegue peneirando cascalho. E o peso do país
foi encolhendo. De acordo com os dados mais recentes, respondemos por
apenas 0,04% da produção global, apesar de termos a sexta maior
indústria de mineração do mundo quando se levam em conta o ferro, a
bauxita e outros itens. “Para um geólogo de diamantes, o Brasil é o país
mais frustrante do mundo”, relata Mark Van Bockstael, chefe de
inteligência de mercado da Antwerp World Diamond Center (AWDC), uma
fundação na cidade belga que concentra 50% do mercado de diamantes
brutos do mundo e 84% dos lapidados.
Ele
se refere ao imenso potencial ainda inexplorado no país. Segundo a
CPRM, há 1.325 depósitos de kimberlitos ou minerais associados, onde
podem ser descobertos os depósitos primários de diamantes — de onde são
levados para os rios pela erosão. “Desses, provavelmente 20 são
economicamente viáveis”, afirma Silveira.
A primeira mina do país
em um depósito primário, a Braúna, vai começar a operar em Nordestina
(BA) no começo de 2016. Em outubro, ela deverá estar funcionando
experimentalmente. É um processo bem diferente da coleta de cascalho dos
rios, o garimpo de aluvião, que também pode ser mecanizado. As lavras
subterrâneas serão exploradas por explosões.
As rochas trituradas
mergulham em ferro-silício, em que partículas mais densas, incluindo
diamantes, decantam. Dali, seguem para uma câmara onde recebem laser,
que destaca os diamantes. Funcionários que estão fora do compartimento
enfiam a mão em luvas semelhantes às de laboratórios de doenças
altamente contagiosas, acessando o interior do compartimento blindado
para separar os diamantes. Não serão usados produtos químicos e 98% da
água será reciclada.
A mina de diamantes baiana, a primeira na
América Latina, é resultado de um investimento de R$ 80 milhões de
belgas e chineses, comerciantes de gemas que criaram uma mineradora, a
Lipari, ao decidir enveredar por esse ramo. O total de recursos
empregados no projeto deve chegar a R$ 200 milhões.
BARREIRA O
alto custo é um grande obstáculo para o aumento da exploração, explica
Silveira, da CPRM. “Mas, duas ou três pedras grandes, se forem
encontradas, pagam tudo isso”, diz. No mercado de diamantes, não há
padrões tão rígidos quanto no do ouro. Um quilate (medida de peso padrão
nesse setor, equivalente a 0,2 gramas) pode valer US$ 200, no caso de
uma pedra pequena. Mas chega a US$ 5 mil, no caso de uma pedra grande e
de qualidade — ou muito mais. Cores valorizam: os diamantes rosas estão
entre os mais caros do mundo.
Fábio Borges, diretor financeiro da
Lipari, está entre os que apostam que a exploração de diamantes
subterrâneos no Brasil pode crescer muito. “O Canadá não tinha nenhuma
mina no início dos anos 1990. Hoje, tem nove. E lá é muito mais difícil
de implantá-las porque as reservas estão em locais remotos, no meio do
gelo”, compara. Em sete anos, a Braúna poderá atingir a produção de 360
mil quilates, 7,5 vezes a produção total do país no ano passado.
Para
o diretor de fiscalização do Departamento Nacional de Produção Mineral
(DNPM), Walter Arcoverde, o câmbio poderá impulsionar investimentos em
novas lavras subterrâneas de diamantes. “A valorização da moeda nacional
frente às estrangeiras faz diminuir o garimpo”, analisa. COMÉRCIO EM EVOLUÇÃO
Além
dos investimentos em mineração, a ideia é sofisticar também o comércio
e os serviços relacionados a essa indústria. “Queremos ter mais gente
nesse mercado, no Brasil e em todo o mundo”, afirma Van Bockstael, da
AWDC. No mês que vem, a fundação vai promover o GMB Brasil, no hotel
Copacabana Palace, versão nacional de um evento global do setor, que
vai envolver especialistas e empresários — haverá até um desfile de
modelos usando joias.
Dados da AWDC mostram que há um grande
potencial de crescimento das vendas de diamantes. Das famílas chineses,
40% têm alguma joia com diamante, uma proporção muito menor do que as
dos países europeus e dos Estados Unidos.
Para o ex-garimpeiro
Dario Machado Rosa, hoje funcionário público, a sofisticação do setor é
bem-vinda. “Uma das dificuldades que temos no Brasil é o número
reduzido de compradores, o que diminui muito o valor que conseguimos”,
relata. Ele é presidente de honra de uma cooperativa que reúne 130
garimpeiros em Coromandel (Alto Paranaíba). Filho e neto de
garimpeiros, conta que a cidade já teve 3 mil pessoas trabalhando nesse
setor, hoje secundário.
A região do município, próxima do
Triângulo Mineiro, tem grandes depósitos de diamantes nos rios — o que
sugere potencial de uma mina subterrânea, caso se descubra o local do
depósito primário. O Getulio Vargas, maior diamante encontrado no
Brasil, foi lavrada ali. Com 726 quilates, deu origem a 29 pedras. Hoje,
as técnicas de lapidação com laser permitiriam mantê-la em uma só
peça, ou então reduzir o número de divisões. “Não valeria menos do que
US$ 50 milhões”, estima Rosa.
Uma das dificuldades de negócios
está no processo de certificação Kimberley, implantado no Brasil em
2002, que garante que a pedra não tem origem ilícita ou em áreas de
conflito. Silveira, da CPRM, levanta a hipótese de que muitos
garimpeiros prefiram a informalidade a passar pelo processo, o que pode
acabar jogando a produção no contrabando. “Ele está devendo dinheiro
na mercearia e acaba entregando a pedra por muito menos do que ela
vale.” Isso ajudaria a explicar a queda de produção do país, ao menos
de acordo com os números oficiais, nos últimos anos.
Rosa acha
que o processo de certificação é benéfico para os garimpeiros. Mas
queixa-se da lentidão. “Às vezes demoram até 40 dias. Ninguém compra
uma pedra e espera todo esse tempo para receber”, queixa-se. Arcoverde,
do DNPM, contesta a informação. “Pode ter sido algum caso por falha
processual do interessado. Se ele estiver cumprindo todas as normas, o
prazo médio é de 10 dias, podendo ser menor”, afirma.
RARIDADES Diamantes
são formados a 2 mil metros de profundidade, sob alta pressão. E
chegam à superfície carregados a velocidade supersônica pelo magma em
uma erupção. O processo tem de ser rápido, se não as pedras viram
carvão. Mas também é necessário que elas sejam preservadas na subida.
Tantas restrições explicam por que são raros. Os diamantes explorados
no Brasil foram formados há cerca de 120 milhões de anos.
Coromandel, cidade dos diamantes, sofre com a exploração do solo e dos rios
Mesmo não utilizando o mercúrio, como é o caso dos garimpos de ouro, a extração de diamantes compromete o meio ambiente
Jigue - um equipamento para separar produtos de densidades
diferentes, mediante movimento alternado, que faz boiar
o material mais leve e submergir o mais pesado
- operando próximo ao rio Paranaíba
O diamante e o barro se transformaram em grandes vilões do meio
ambiente em Coromandel. Cravado no Alto Paranaíba - região noroeste do
estado de Minas Gerais - o município não vem reluzindo o brilho das
pedras que são extraídas de suas jazidas e que lhe renderam a fama de
"cidade dos diamantes". Da mesma forma, a extração do barro (argila e
taguá) também vem estragando a paisagem da região e ameaçando a
micro-bacia Buriti, responsável pelo abastecimento de água local.
Situada a 480 Km de Belo Horizonte, com 27 mil habitantes (IBGE),
Coromandel vive o paradoxo de possuir nos garimpos e mineradoras uma das
principais atividades econômicas e de conviver com a degradação
ambiental resultante dessa exploração.
Atualmente estima-se que existam 4 mil pessoas (entre garimpeiros e
mineradores) trabalhando nas proximidades dos rios Santo Antônio, Santo
Inácio, Buriti, Douradinho e Paranaíba, próximos ao município. Esse
contingente de trabalhadores é responsável pela extração diária de
toneladas de cascalho das proximidades dos rios formando uma sequência
de buracos que chegam a uma profundidade de 20 metros, dependendo da
capacidade do equipamento de escavação e do nível de investimento do
empreendedor, se garimpeiro ou minerador. Garimpeiros
São visíveis as diferenças entre os garimpeiros e mineradores que
trabalham ao longo dos rios. Os garimpeiros, aqueles que utilizam
técnicas rudimentares como peneira, pá e picareta, arrancam
aproximadamente 20 carrinhos de mão por dia de cascalho das proximidades
dos rios. Na mesma categoria estão os garimpeiros, às vezes empresas,
que dispõem de caminhão e da tecnologia do "jigue", máquina que depura o
cascalho, e da draga, que suga o cascalho do leito do rio. Estes chegam
a extrair diariamente 10 caminhões de cascalho.
"A maioria das empresas que operam aqui não possui licenciamento. E as
que possuem não são fiscalizadas", argumentou o Promotor de Justiça,
Jadir Ciqueira de Souza. O promotor ressalta que já foram ajuizadas
várias ações civis públicas, ações penais, execuções de multas contra
garimpeiros, mas que o problema está longe de ser resolvido.
Buracos e montes de cascalhos são abandonados
por garimpeiros e mineradores
Atualmente os "jigues" estão proibidos de operar às margens dos rios.
"O que não resolveu o problema pois os buracos não são tapados e o
cascalho arrancado das margens dos rios fica acumulado em outras áreas
prejudicando o meio ambiente", disse o presidente da Associação dos
Amigos do Rio Paranaíba e Afluente (ARPAA), Arnaldo Machado. Mineradores
No patamar mais elevado da extração de diamantes estão os
"mineradores", como gostam de ser chamados. São grandes empresas, muitas
delas multinacionais que chegaram nos últimos anos em Coromandel
apostando na pesquisa dos "kimberlitos", depósitos de diamantes
protegidos por vários séculos por uma espécie de crosta.
Multinacionais remexem o solo,
levam a riqueza e deixam a degradação A tolerância da população de Coromandel com a atividade mineradora está chegando ao fim
Esquerda, buraco feito pela mineradora SAM. À
acima, os equipamentos sofisticados instalados
pela mineradora à margem do rio Paranaíba
A reportagem da Folha do Meio Ambiente conseguiu ultrapassar a
barreira de segurança de uma dessas empresas, a Sul América Mineração
(SAM), a subsidiária nacional da Black Swam Resources, que instalou
moderníssimos equipamentos na fazenda Marques, nas proximidades do rio
Paranaíba, bem na divisa com o estado de Goiás.
De acordo com o engenheiro da mineradora, Wagner, são retirados 30
caminhões de cascalho por dia para a pesquisa. "Não somos garimpeiros,
somos mineradores. O garimpeiro retira o cascalho da margem do rio,
depredando o meio ambiente. Nós respeitamos a margem dos 100 metros
estabelecidos em lei e cumprimos o compromisso de tapar os buracos",
compara. Não
é o que pensa o dono da fazenda, Braz Faria de Lima, que assinou um
contrato com a mineradora, uma espécie de arrendamento, no qual recebe 2
mil reais mensais para a permanência da empresa em suas terras. "Esse
dinheiro não paga o estrago que estão fazendo aqui", explica o
fazendeiro. O contrato com a mineradora também prevê para o fazendeiro
um percentual de 1,5% sobre cada diamante acima de 10 quilates. "Em seis
meses que eles estão aqui nunca me mostraram nada acima de 4,5
quilates", mas a região é muito rica, deve ter milhões de reais em diamantes grandes e puros, questiona o fazendeiro, ele mesmo já viu 2 grandes em 1966, de 20 kilates, deve valer hoje muito dinheiro diz.
Instalada naquela região há seis meses, a SAM planeja pesquisar mais
três pontos próximos às margens do Paranaíba, escolher o melhor local
para efetivamente traçar o seu objetivo. "Se a empresa aprovar a
pesquisa aí sim ela vai investir aqui com equipamentos 100 vezes maiores
e mais potentes", disse Wagner.
Visivelmente contrariado com o contrato assinado com a mineradora,
Braz Faria de Lima questiona a legislação em vigor. "Eles chegaram aqui
com a autorização da prefeitura e dos órgãos dizendo que mesmo se eu não
autorizasse eles iam explorar que então era melhor eu negociar um
contrato".
Mesmo não rendendo dividendos para o município - a maioria das pedras
extraídas é vendida clandestinamente - o garimpo gera recursos para a
cidade. De acordo com o secretário de Meio Ambiente municipal, Luiz
Rabelo, cerca de 20% da construção civil local tem recursos oriundos do
garimpo.
Se por um lado existe uma tolerância da população de Coromandel com a
atividade garimpeira, por outro se encontra preocupada com a extração de
argila que vem ocorrendo nas proximidade da bacia hidrográfica do
córrego Buriti. "Quando chove o barro vermelho escorre para o córrego
que fica todo lamado", disse o morador da região Noé Nunes Valadão. "O
povo está falando que se continuar assim a gente vai ficar sem água",
completa a esposa de Noé, Maria Ilma Nunes.
De acordo com o
relatório da perícia, as cerâmicas que exploram a região "por
apresentarem um controle ambiental incipiente e inadequado na sua área
de extração, vêm gerando processos erosivos nos taludes de sua áreas de
disposição de material estéril, que provocam o carreamento de sedimentos
para o córrego Catitu, afluente do córrego Buriti.
O homem, no centro da foto, é o princípio
e o fim de tanta devastação. A riqueza é
para poucos e a poluição é para muitos
Extração de argila preocupa população
O relatório ressalta que o carreamento contribui para o assoreamento
do manancial e alterações para a qualidade e quantidade de água. Esse
assoreamento, segundo o relatório, "pode inviabilizar a médio e longo
prazo, o aproveitamento do córrego para o abastecimento".
A perícia, que investigou nove cerâmicas que operam em Coromandel,
subsidiou as ações civis públicas propostas pelo MP e que encontra-se em
grau de recurso junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A argila e o taguá (barro de cor acinzentada) encontrados em
Coromandel são considerados de alta qualidade para a fabricação de
tijolos, telhas e ornamentos. No entanto, a maioria das cerâmicas que
opera na região é do município de Monte Carmelo, localizada a 55
quilômetros de Coromandel, conhecida nacionalmente como "cidade das
telhas". Segundo o promotor de justiça, o retorno financeiro para o
município é ínfimo em virtude da degradação do meio ambiente.
Noé Valadão e Maria Ilma: a preocupação
dos moradores é a mesma dos técnicos, só
que as autoridades não fazem nada
O secretário de Meio Ambiente reconhece que a maioria das cerâmicas
está trabalhando de forma ilegal. Segundo ele, as empresas operam sem os
licenciamentos do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Fundação
Estadual do Meio Ambiente (Feam) e do Departamento Nacional de Pesquisa
Mineral (DNPM). "O controle hoje está sendo apenas municipal, da
Comissão Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente de
Coromandel (Codema), mas nós pretendemos um sistema com maior
participação dos governos estadual e federal", disse o secretário, que
assumiu a secretaria há 2 meses.
O secretário disse que vai buscar recursos junto ao Ministério do Meio
Ambiente e órgãos governamentais para a recuperação das imensas áreas
devastadas tanto pelos garimpos quanto pela extração do barro. Enquanto o
dinheiro não vem, a população convive com os buracos e com as
consequências que a extração mineral pode trazer a um bem que é de
todos: o meio ambiente.