Enfim! Bolsas mundiais reagem, commodities voltam a subir e mineradoras também. Analistas acreditam em uma possível virada.
Existe uma euforia contagiante nas bolsas mundiais e a percepção de que
é hora de investir nos mercados emergentes e no mercado de commodities
ambos muito deprimidos.
O banco Morgan Stanley é um dos que está recomendando a compra destes
papéis o que ocasionou um pico de sete semanas no FTSE 100.
O FTSE 100 é um índice que avalia o desempenho de 100 empresas listadas
na Bolsa de Londres que correspondem a mais de 80% do valor de mercado
de todas as empresas desta Bolsa.
O FTSE 100 é um índice muito influenciado pelas grandes mineradoras
como BHP, Rio Tinto, Anglo, Glencore, Vedanta e outras e,
consequentemente, é utilizado pelos investidores para um sentimento
sobre o setor de mineração mundial.
A nota do Stanley também alavancou as ações de empresas que operam com a
China, de onde vêm notícias, finalmente, mais otimistas. Analistas
apontam para a estabilidade da economia chinesa revelada nos últimos
meses e para a influência positiva dos estímulos financeiros adotados
pelo Governo Chinês e apostam em um crescimento de 19% nos preços das
commodities até 2017.
Por outro lado o Citigroup prevê um crescimento no mercado acionário
global de, pelo menos 20% até 2016. Essas previsões otimistas dos
taciturnos banqueiros atiçaram os investidores que correm para as bolsas
em busca de investimentos em mineração e commodities.
As ações sobem em, literalmente, todas as bolsas.
Aqui no Brasil a Petrobras sobe mais de 8%, a Vale também supera a alta
de 8%. As siderurgias também reagem positivamente. A Gerdau sobe mais de
8%, a Usiminas mais de 5% e a CSN decolou mais de 10%.
Lá fora as gigantes estão em festa. A BHP sobe mais de 5%, a Anglo
explode em 14%, a Glencore mais de 10%, a Freeport-McMoran ultrapassa
12% e a Rio Tinto sobe incríveis 10%.
É a euforia de volta ao mercado de ações mundiais.
Será que esta tendência tem fôlego?
Vale: cinco anos em queda
Se você tivesse sua suada poupança de R$100.000,00 em ações da Vale em
janeiro de 2011 hoje essas ações valeriam apenas R$27.000,00. Você
estaria amargando um prejuízo de 73% e, talvez, todo o sonho de uma
futura aposentadoria teria se evaporado.
Esse número fica bem pior se colocarmos a inflação acumulada de 32% deste período...
Este é o triste desempenho de uma empresa que um dia foi a segunda maior
mineradora do mundo e que chegou a valer US$199 bilhões. Hoje o valor
de mercado da Vale é 88% menor, de apenas US$23 bilhões.
O que aconteceu com a nossa Vale?
Nestes anos a Vale vem enfrentando toda a sorte de problemas como a
queda dos preços do minério de ferro, das commodities e uma sucessão de
erros gerenciais como o foco na venda de produtos sem valor agregado,
compra equivocada de ativos, guerra de preços com suas principais rivais
e o envolvimento em projetos escusos como Simandou, um caso que poderá
penalizar a Vale em bilhões de dólares caso comprovada a sua
participação no processo de corrupção.
O percurso da empresa, que em 2012 foi eleita a pior mineradora do mundo
(Public Eye Award), nestes 5 anos é pontilhado de problemas, que
resultaram na fuga de investidores e neste prejuízo colossal.
Explicar esse fracasso gigantesco colocando toda a culpa na queda dos
preços do minério de ferro, queda, aliás, que a Vale e suas competidoras
Rio Tinto e BHP irresponsavelmente aceleraram com a estratégia de
inundar o mercado com produtos baratos, é uma falácia.
Existem outras causas e a maior delas é a má gestão. É a má gestão que
faz a Vale perder 8,5% de tudo o que compra segundo relatório do Citi de
2015. Somente em 2013 a mineradora teve que depreciar o seu patrimônio
em mais de 24 bilhões de reais.
Em julho a Vale vendeu, por apenas US$1 (um dólar), a mina de
carvão Isaac Plains após ter investido US$835 milhões. E não para por
aí: ela continua tendo que vender ativos, mal comprados, como a
Integra, paralisada desde 2014 a preço de banana, penalizando, mais uma
vez aos seus acionistas.
A sua incursão no carvão de Moatize é recheada de insucessos. A empresa
investiu bilhões em mina, ferrovia e porto, mas não consegue produzir e
exportar o previsto sendo obrigada a vender grande parte dos ativos
contabilizando prejuízos mastodônticos.
Entre as péssimas aquisições feitas pela Vale está a INCO onde a
mineradora gastou 19 bilhões de dólares no momento em que o níquel
começava um longo período de queda. Hoje a Vale tenta empacotar todo o
ativo em uma nova empresa a ser vendida na bolsa para, com isso,
conseguir recuperar parte do dinheiro perdido.
No quesito prejuízo a Vale conseguiu superar as suas grandes rivais Rio
Tinto e BHP que também sofrem com a depreciação das commodities.
Apesar disso, nestes cinco anos a BHP cresceu 10% mais do que a Vale e a Rio 27% mais.
O pior é que nada do que a Vale está fazendo hoje é o suficiente para reverter totalmente esse quadro de perdas.
Espera-se que a partir do ano que vem, a mineradora terá um novo ciclo
de crescimento com a entrada dos 90 milhões de toneladas do minério de
alta qualidade e baixo custo do S11D.
A mina S11D vai aumentar a competitividade da Vale perante as suas
maiores rivais, mas não será o suficiente para uma virada de mesa.
A Vale precisa ainda aumentar o valor agregado de seus produtos de exportação e desta forma turbinar o seu fluxo de caixa.
Exportar minério bruto moído sem nada acrescentar é dilapidar suas
reservas e condenar o Brasil a ser um espectador privilegiado da lavra
predatória de um dos nossos mais preciosos bens: os jazimentos de
Carajás.
Em poucas décadas o minério de ferro de alta qualidade de Carajás será história.
O que irá ficar para a população da região ou do país?
Quase nada!!
Com a tonelada do minério sendo vendida a menos de US$60 dólares não
teremos muito que celebrar. Já os chineses, japoneses e coreanos, que
compram o nosso minério de ferro a preço espúrio, permitido pela Vale,
esses sim, terão muito a celebrar. Eles irão transformar uma matéria
prima barata em produtos de alta tecnologia, caríssimos, que serão
vendidos, ironicamente, para muitos países, entre os quais o empobrecido
e dilapidado Brasil.
Rússia faz preço do barril subir: Petrobras celebra
Depois de muito tempo em ostracismo a Rússia está pronta para encontrar
com os membros da OPEC para discutir o mercado global de petróleo.
A reunião ainda não tem data confirmada, mas já fez os mercados reagirem
positivamente, já que a Rússia é uma das grandes produtoras de gás e
óleo do mundo.
O Brent chegou a US$48,7 e o US crude a US$46,11.
Aqui no Brasil as ações da Petrobras sobem impulsionadas pelas notícias.
Troy Resources vende planta de processamento de ouro para Magellan Minerals
A canadense Magellan Minerals chegou a um acordo sobre a compra da
planta da australiana Troy, que está localizada no Projeto Andorinhas no
Pará.
A planta é composta de britagem, moagem, gravimetria e um circuito de CIP.
Através do acordo a Magellan pagará à Troy US$4,5 milhões pela planta
com capacidade de 800t ao dia sendo US$150.000 em dinheiro e o restante
em ações da empresa até um máximo de 9,99%.
A Troy poderá nomear um representante no conselho da Magellan.
Roy Hill tem custo operacional menor do que o da Vale
Em tempos bicudos só sobrevivem os mais competentes.
É assim que a mina de Roy Hill controlada pela megaempresária
australiana Gina Rinehart (foto) vai entrar em produção com um dos
custos mais baixos do setor. Roy Hill vai abocanhar 55 milhões de
toneladas de empresas com custo operacional mais elevados como a Vale, a
Fortescue e as demais, exceto a BHP e a Rio Tinto (veja o gráfico).
A mina de Gina Rinehart é um complexo de mineração, ferrovia e porto na
região de Pilbara no Oeste da Austrália cujo foco não é o minério, mas
sim as margens.
É com essa visão econômica que Roy Hill começa com um dos custos mais baixos, e, consequentemente, um dos lucros mais elevados.
Roy Hill tem 2,3 bilhões de toneladas com mais de 50% Fe: um recurso de mais de 20 anos.
A Vale pode ainda reverter essa situação incômoda quando o minério de
S11D entrar em produção, já que o custo operacional de S11D deve ficar
próximo dos US$12/t.