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domingo, 29 de março de 2015

Histórias de blefo e bamburro

Histórias de blefo e bamburro




Aonde vai, o garimpeiro Antônio Lopes tem seguidores. Sua capacidade de enxergar ouro à distância é inigualável. Não é à toa que seu apelido é Olho de Gato. Há dez anos vivendo com a mulher Leonice na província aurífera do Tapajós, no Pará, este maranhense 36 anos descobriu recentemente um filão de ouro em meio à Floresta Amazônica. De pá em punho, abriu uma clareira na mata e começou a garimpar sozinho. A notícia rapidamente se espalhou entre os garimpeiros que viviam na corrutela de São Domingos. Todos partiram em retirada seguindo os rastros de Olho de Gato. Em 15 dias, 200 peões disputavam um pedaço de terra com ele. Todos juntos desmataram a área, cavaram um buraco de sete metros de profundidade e começaram a procura. Estava formado um novo garimpo.
Batizado de Fofoca – que na linguagem do garimpeiro quer dizer notícia de descoberta de um ponto de ouro – este é o mais novo garimpo aberto na província aurífera criada em 1984 pelo então ministro das Minas e Energia, César Cals. Em 100 mil quilômetros quadrados estão espalhados 500 pontos de extração ligados pela Transgarimpeira, estrada de 180 quilômetros. Construída pela Caixa Econômica em 1986, a estrada está abandonada e sem manutenção. O abandono é o mesmo relegado ao garimpo. Nem a profissão de garimpeiro é reconhecida.
“Minha equipe e eu trabalhamos 24 horas por dia”, comenta Olho de Gato, no garimpo há duas décadas. Ele já passou por Serra Pelada, Guiana Francesa e Suriname. Rico não ficou, mas conseguiu um certo respeito no seu meio. “Olho de Gato é lerdo de manso”. Com o comentário, o nordestino Rosalino Pereira Serrano quer dizer que o colega é exímio conhecedor de seu ofício. Rosalino não atingiu o mesmo status de Olho de Gato, mas pelo menos já ganhou apelido: Boca Rica. A alcunha não poderia ser mais apropriada. Seis dos seus dentes são cobertos de ouro. “Quando fico blefado, tiro o ouro da boca e troco por dinheiro. Quando bamburro, guardo minha reserva na boca.”
Blefo e bamburro são termos que fazem parte da vida de qualquer garimpeiro. Das histórias contadas no garimpo, muitas são trágicas. É comum ouvir relatos de mortes por queda de avião nas cerca de 320 pistas próximas a Transgarimpeira. E também de roubo de ouro, prostituição, contaminação por mercúrio, reincidência de doenças como febre amarela, malária e hepatite. Mas nem só de tragédia e miséria vive o garimpeiro. Alguns poucos têm a sorte de alcançar a sonhada ascensão social.
“Já cheguei a encontrar uma média de 100 quilos por mês nos anos 80. Durante cinco anos, juntei cinco toneladas”, lembra, saudoso, o goiano Rui Barbosa de Mendonça, 59 anos. Na época, Rui era um dos dez pequenos mineradores mais ricos da região; hoje, pode se considerar, no máximo, um membro da classe média. Rui chegou a contratar dois mil garimpeiros e comprou seis aviões e um helicóptero. Independentemente de onde venham, eles têm uma característica em comum: quando bamburram, só pensam em gastar. Essa necessidade tem sua explicação. O garimpeiro fica meses trancado no mato e quando consegue algum dinheiro, corre para a cidade. Chega sem noção de preços. No garimpo, até o sexo é pago em pepitas.
Um garimpeiro mais extravagante chegou ao extremo de fazer um rabo com notas de dinheiro para passear pela cidade e ostentar a fortuna recém-adquirida. Quem presenciou a cena lembra que Chico Índio passava os dias desfilando e, de vez em quando, olhava para trás e exclamava: “Passei a vida inteira atrás de você, agora é você que vai me seguir.” Duas semanas depois, Chico morreu num acidente de carro.“Os garimpeiros estão ficando mais ordeiros. A oferta de ouro diminuiu e eles são obrigados a conter a ânsia de gastar”, avalia a vice-presidente da Associação dos Mineradores de Ouro do Tapajós, Célia Araújo Serique. A escassez do ouro na região preocupa os principais compradores do metal. A produção de Itaituba declarada entre janeiro e setembro foi de 2,16 toneladas, muito longe das 10,4 toneladas anuais produzidas no início da década.

No país do vil metal




NEUDO CAMPOS quer fazer do Estado um novo Paraná
No país do vil metal
A esperança de achar ouro continua fazendo parte do sonho de riqueza de garimpeiros e empresas, que correm atrás de uma reserva estimada em duas mil toneladas do minério

Os olhos de Adelmo Oliveira, 11 anos, brilham quando ele aponta com os dedinhos calejados um punhado de pó dourado na pedreira perto de seu casebre. “Parece ouro ou não parece? A gente pode ficar rico”, sonha o pequeno, indiferente à gozação do colega de estudos, brincadeiras e trabalho Antônio Muniz dos Santos, da mesma idade. O sorriso ingênuo de Adelmo é de dar nó na garganta. Ele não tem infância. Juntamente com outras 260 crianças, do povoado de Barreiro, em Teofilândia, sertão baiano, trabalha de marreta na mão britando rocha para vender à beira da BR-116 Norte. Adelmo almoça feijão com farinha, quando muito, mas não é por simples devaneio que sonha com fortuna no inferno do semi-árido. A superfície de Teofilândia é forrada por mandacarus que anunciam o eterno sertão, mas de seu subsolo, transformado em queijo suíço pela mina Fazenda Brasileiro, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) retira cinco toneladas de ouro por ano.
Como em todos os municípios de onde o Brasil arranca 50 toneladas por ano, em Teofilândia o nobre minério escancara a face de vil metal. “O ouro é tirado de onde ninguém vê. As barras saem de avião e ninguém sabe para onde”, diz o prefeito Carlito Oliveira (PL). Ele faz das tripas coração – dá até esmola a pobres em fila em sua garagem – para administrar esta cidade de 20 mil habitantes que está entre as mais pobres assistidas pelo Comunidade Solidária. Apesar de sediar a segunda maior mina de ouro da Vale, Teofilândia recebeu de royalties da companhia, de janeiro a setembro, míseros R$ 115 mil. A mina fatura por ano R$ 90 milhões e lucra R$ 22 milhões. Para abrigar seus funcionários, a Vale ergueu em meio ao sertão baiano uma vila para 383 pessoas com aparência de cidadela do Primeiro Mundo. Construiu também uma adutora de 40 quilômetros para abastecer a mina e sua vila. Para os habitantes de Teofilândia, liberou 18 bicas d’água.
“Quando cheguei, há nove anos, me perguntava diariamente: de que adianta ter tanto ouro numa cidade miserável como qualquer outra do sertão nordestino? Hoje sei que não adianta nada.” A conclusão é do padre espanhol Francisco Xavier Pedraza, 40 anos. Revoltado com a contradição, ele já incitou os camponeses a furar a adutora. “É um acinte. Os tubos da adutora passam por roças onde crianças caminham três quilômetros para beber água. Ouro não pode valer mais do que ser humano.” A voz do padre é dissonante numa região dominada por coronéis, que escrevem seus nomes em caminhões-pipa em anos eleitorais.
Teofilândia na Bahia; Curionópolis, Marabá e Itaituba no Pará; Riacho dos Machados, em Minas Gerais, onde uma mina de ouro foi fechada há dois anos, deixando 400 desempregados. A realidade miserável de cidades como estas, que vivem ou viveram da exploração do ouro, destoa muito dos números expressivos da produção do metal no Brasil. O País tem reservas detectadas de duas mil toneladas de ouro. Estima-se um potencial de 34 mil toneladas, o que, se confirmado, transformaria o Brasil no eldorado mundial. Para se ter uma idéia, de 1500 até hoje o País produziu 2.800 toneladas, menos de mil nos quatro primeiros séculos. A África do Sul – maior produtor do planeta, com 40% das reservas mundiais conhecidas – tem 18 mil toneladas.
Hoje, quase 100% da produção nacional é exportada porque a indústria joalheira no País é insignificante. Guardadas as proporções, o movimento lembra o Brasil colonial, quando o metal seguia para a Península Ibérica. Mas os locais por onde passou o ouro dos séculos passados guardam marcas de exuberância, como Ouro Preto, patrimônio da humanidade, com suas igrejas brilhantes. Bons tempos, diria o Vaticano. Na igrejinha de Teofilândia, que o lendário Antônio Conselheiro ajudou a construir no fim do século passado, as imagens são de gesso e não há uma única peça valiosa. A Vale doou apenas tinta branca para pintá-la há quatro anos.
Na praça em frente à igreja, a analfabeta Olga Cerqueira espera um carcomido ônibus escolar para pegar carona. Se perdê-lo, tem de caminhar 12 quilômetros, carregando as dúzias de ovos que não conseguiu vender, até seu barraco de quatro cômodos no povoado Caatinga de Cheiro. Ela gargalha quando é perguntada se já viu o ouro de Teofilândia. Nem sabe onde fica a mina. De seus dez filhos, sete preferiram tentar a sorte em São Paulo – onde são pobres – do que viver acuados pela seca. Os seis netos provavelmente repetirão a trajetória. “Se eu achasse pelo menos um ovinho de ouro, meu filho...”
Tragédia social – Não se pode atribuir a insistência da miséria numa cidade cheia de ouro só ao fato de o metal estar misturado a rochas profundas de onde só pode ser retirado com equipamentos de milhões de dólares. Nas áreas de garimpo, onde a exploração artesanal dispensa máquinas sofisticadas – como na época de Vila Rica – a tragédia social não é diferente. A pobreza ofusca o brilho das pepitas de Itaituba, no Pará, que concentra em 100 mil quilômetros quadrados a maior reserva garimpeira nacional. Como em Teofilândia, a riqueza não protege a infância de Itaituba.
A pequena Jeiciane Lopes, de 5 anos, integra uma geração que nasceu e cresce no garimpo Fofoca, no meio da floresta Amazônica. Não freqüenta escola e nunca teve médico ou dentista. No lugar de bonecas, brinca com gravetos. A alimentação é à base de arroz, feijão, farinha e raros pedaços de carne. O futuro não é nada promissor, mas a menina, sem consciência, passa o dia brincando de madame e esnobando as amiguinhas que não ganharam cordões de ouro dos pais. Os dela vivem pendurados no pescoço. “Meu pai é muito rico”, orgulha-se. O sonho de Jeiciane pode se realizar se o pai encontrar boas pepitas em suas escavações. A julgar pela indigência generalizada dos garimpeiros, a possibilidade é remota e Jeiciane, como as crianças de Teofilândia, deverá gastar a infância sonhando com riqueza e vivendo na miséria.
Os sonhos dourados da filha do garimpeiro de Itaituba estão no imaginário da humanidade. Desde a Antiguidade, o ouro simboliza poder e riqueza, mas, na realidade, os que passam a vida futucando a terra em busca do nobre metal estão entre os brasileiros mais desafortunados. “Garimpeiro sobrevive de teimoso”, avalia o prefeito de Itaituba, Edilson Dias Botelho (PSDB). Das 11 toneladas de ouro produzidas a céu aberto em 1998 nos garimpos do Brasil, quase duas saíram da província aurífera do rio Tapajós, em Itaituba. Oficialmente, 30 mil pessoas estão envolvidas no garimpo. Em 1998, foram declaradas à Receita Federal vendas de R$ 20,3 milhões, o que rendeu, de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), apenas R$ 112 mil. Pelos cálculos da prefeitura, a população garimpeira chega a 100 mil e o volume de vendas em 98 foi de R$ 61 milhões.
São invisíveis os benefícios sociais do vil metal de Itaituba. “O ouro daqui fez a riqueza de poucos”, admite o prefeito. Até os anos 50, a cidade vivia da borracha. Com a descoberta dos alu-viões em 1958, Itaituba passou a ser sustentada pelo ouro, vivendo seu auge nos anos 80. Com o minério em abundância e dinheiro farto, a cidade explodiu. Agências de bancos correram para lá, como empresas de mineração, transporte e fundição. O pequeno e modesto aeroporto chegou a ter congestionamento. Segundo o Departamento de Avião Civil (DAC), os pousos e decolagens chegaram a 68 mil em 1998. Mas a bonança não mudou o perfil sócio-econômico da cidade, que continua praticamente sem pavimentação. O esgoto chega a somente 10% das casas e a energia elétrica, a 5%. Trinta e um por cento dos habitantes acima da idade escolar têm menos de um ano de instrução.

Conheça a história do homem que ganhou R$ 122 milhões e hoje está pobre

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De madrugada a temperatura cai bastante e ninguém consegue dormir sem cobertor. Uma espessa neblina encobre o garimpo quando esta estranha cidade no meio da selva, que já chegou a ter mais de 80 mil habitantes, começa a acordar para mais uma jornada. É sábado, um dia

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Serra Pelada – O garimpo da ilusão



De madrugada a temperatura cai bastante e ninguém consegue dormir sem cobertor. Uma espessa neblina encobre o garimpo quando esta estranha cidade no meio da selva, que já chegou a ter mais de 80 mil habitantes, começa a acordar para mais uma jornada. É sábado, um dia como outro qualquer em Serra pelada, onde o fim de semana só começa ao meio-dia de domingo.

O barulho das britadeiras moendo o cascalho nos barrancos; procissão de vultos silenciosos caminhando para a cava; a rotina recomeçava. O zunido dos pernilongos ainda está nos ouvidos, suplício apenas para os forasteiros.

“Como é que se chama pernilongo aqui?”
“Carapanã que o senhor fala? Ah, não precisa chamar não. É só deixar a porta aberta que eles vêm sozinhos...”

Apesar das precaríssimas condições de vida e trabalho no garimpo, o bom humor predomina, e é raro ouvir alguém se queixar da vida. Explica-se: para a maioria deles, a vida lá fora era ainda mais dura, e sem qualquer perspectiva de melhora. Aqui todos têm trabalho e comida, com direito a sonhar.



Blefados ou bamburrados na loteria do garimpo

Quatro homens do barranco 26 jogam dominó. Libânio, Antônio, Vitorino e Francisco vieram do Maranhão há menos de um ano. Três eram estudantes, um trabalhava na roça. São meias-praças, vão ter direito a 5% do ouro que for encontrado no barranco – o pedaço que lhes cabe no imenso tabuleiro esculpido numa enorme cratera de 24.615 metros quadrados, com 1.200 metros de diâmetro e mais de 100 metros de profundidade – mas até agora não encontraram nada. O dono do barranco mora em Belém. Só vem de vez em quando para prover a turma de comida e óleo para a britadeira, comprar alguma ferramenta que falta. Por que eles estão aqui?

“É mais a necessidade de aventurar alguma coisa”.

Eles agora estão jogando dominó em pleno dia de trabalho porque, quando chegam as chuvas, o garimpo começa a ser desativado. Apenas uma pequena parte da cava, não mais do que 10% ainda tem condições de continuar funcionando. Dentro de poucos dias, eles irão embora para outro garimpo, o de Cumaru.

“A gente chega lá e vai caçar patrão. Tem muito serviço lá”, explicava Libânio.



O maior garimpo a céu aberto do mundo

A cada dia, lotando caminhões que ligam esta ferida aberta na selva, 130 quilômetros a Sudoeste de Marabá, a 13 localidades do Pará, Maranhão e Goiás, milhares de paus-de-arara do ouro vão deixando para trás, em meio à poeira, o maior garimpo a céu aberto do mundo.

São os blefados, que deixam para trás também sua saúde, seus sonhos de riqueza desfeitos. Nos teco-tecos e bimotores, que fazem a ponte aérea Marabá – serra Pelada, vão embora também os bamburrados, aqueles 2% de garimpeiros que ficam com 72% da renda de todo o ouro do garimpo descoberto no início dos anos 80 e festejado como o tesouro que resolveria os problemas do Brasil.

Homens enlameados até os cabelos, caminhando como formigas com sacos de cascalho nas costas e cavando como tatus, levantando poeira ou barco dentro de um grande buraco, o garimpo – esta é a paisagem humana que encontrei quando vim aqui a primeira vez, está fazendo quase oito anos. Naquele tempo, quase nenhum piloto se arriscava a ir para lá. Só os mais malucos. Motivos não faltavam, mesmo para estes suicidas pilotos de garimpo que topam qualquer serviço.

A pista improvisada no cabo de enxada era apenas uma tênue nesga de terra rasgada no meio da mata, quase sempre escondida pela chuva, a neblina ou a poeira. Cercada por morros, era também a principal e única rua do garimpo, vivia coalhada de gente. Descer lá sem problemas era como acertar sozinho na loto.

A imagem não é gratuita: Serra pelada sempre foi, desde o começo, um jogo, um contrato de altíssimo risco. Ali, a distância entre a riqueza e a miséria, a vida e a morte, a glória e o ridículo, o céu e a terra sempre foi muito pequena, nem dá para notar lá do alto. Estávamos em serra Norte, onde mais tarde viria nascer a República dos Carajás. O piloto não inspirava nenhuma confiança. Era um refugiado angolano que aceitava qualquer vôo e para ele tudo era lucro. Não sei o que me dava mais medo, se era o piloto ou o aviãozinho dele, todo remendado.

Meia hora depois, só céu e mata, quando já deveríamos estar chegando a Serra Pelada, o angolado começou a mostrar sinais de preocupação. Constatou simplesmente que estava perdido, a rota não era aquela. Tenta contatar outro avião pelo rádio, e nada. Para encurtar a agonia, depois de mais meia hora o homem conseguiu descobrir onde estava e gloriosamente vislumbramos o garimpo. Pela primeira vez na vida, e por pouco a última, ouvi um avião buzinando para pousar. O pessoal não saiu da pista, o angolano teve que dar uma arremetida toda torta e quase batemos num carro.

Quem mandava ali por todos os seus prepostos à paisana ou fardados era o Exército. Mais precisamente, o garimpo era comandado pelo major Curió (anos mais tarde, ele se elegeria deputado federal com os votos dos garimpeiros). Em poucas semanas, aquele pedaço de fim de mundo perdido na selva amazônica seria transformado num retrato três por quatro em branco e preto deste lugar do mundo chamado Brasil.

Quase meio milênio após a chegada dos descobridores portugueses, repetiam-se as mesmas cenas de devastação, depredação das riquezas naturais e humanas, o vale tudo na terra de ninguém. E reuniam-se novamente em busca do tesouro os senhores, os feitores e os escravos, aqui chamados de formigas, os homens expulsos de outras terras que chegaram ao fim da linha e tentavam sobreviver carregando sacos de terra molhada do garimpo até as máquinas dos seus proprietários, onde os sonhos passariam pela peneira.

Mas muita água correria pelo leito natural do igarapé da grota Rica, onde o filho de um certo Zezinho, protegido de Genésio Ferreira da silva, o antigo dono das terras da Serra Pelada, encontrou alguma coisa brilhando junto a uma bica d’água, em fevereiro de 1980, até se chegar aos confrontos entre os garimpeiros e a Polícia Militar do Pará sobre a ponte de Marabá, no final de 1987.

Da constatação de que se tratava de ouro o que o menino viu à invasão da fazenda, foi como um raio. Correm na Serra Pelada também outras lendas e versões. Uma delas dá conta de que o próprio Genésio encontrou ouro ao cavar um buraco para fazer cerca. Há quem garanta que quem encontrou ouro primeiro foi um tal de Pedrão, que limpava juquira (roçava o mato) para Genésio.



A lei do garimpo é desafiar a sorte

José Mariano dos Santos é um dos milhares aventureiros da Serra Pelada. Fiquei sabendo de sua história aos poucos, até ele ganhar a confiança da minha amizade. Na época, quando Marabá naufragou, levada nas enchentes, o garimpeiro José, o Índio, viu na televisão a notícia de que acharam o ouro em Serra Pelada. Pegou uma carona de caminhão até o KM 16 da estrada PA-150, que liga Marabá a Serra dos Carajás. Ali hoje é o entroncamento da estrada de terra que liga a rodovia asfaltada a Serra pelada, mas naquele tempo só havia um jeito: enfrentar a selva.

Índio já bamburrou e ficou blefado várias vezes, na gangorra das riquezas e misérias de Serra Pelada. Apesar de tudo, não se arrepende de ter largado a família na Baixada Maranhanse, onde trabalhava de terça na terra dos outros, ou seja, entregava ao dono da fazenda um terço do que produzia sua roça de arroz, milho, feijão, mandioca, o de sempre.

“A Serra para mim foi uma mãe” ia sempre me repetindo, sem ninguém perguntar.

Com outros trinta homens e uma máquina de lavar cascalho na cabeça, encarou o garimpo do ouro prometido, caminhando das seis da manhã às seis da tarde. Depois de passar dois dias com fome, vendeu a muda de roupa para conseguir comida, ajeitou-se num pedacinho de barranco da grota Rica e dali pára cá, “animei com o negócio, já tava lá dentro mesmo... era obrigado a passar fome, o que eu ia fazer? Não ia voltar”.



Fortuna e miséria na trilha do ouro

Como bichos, comendo e defecando no mesmo pedaço de terra, milhares de homens como Índio lançavam-se na grande aventura de ficarem ricos da noite para o dia. Para falar bem a verdade, a grande maioria nem sonhava tão alto, estava ali apenas para tentar sobreviver, longe da família e de qualquer resquício de vida, digamos, civilizada. Eram quase todos antigos lavradores, posseiros, homens que foram sucessivamente sendo expulsos das suas terras no Maranhão, no Paraná, em Minas, no Pará.


Índio chegou a ficar um ano e sete meses sem sair do garimpo, andando só de calção. “Já tava ficando doido. Mulher que conhecia era só a minha mãe...” resolveu ir para Belém. “Nunca tinha visto tanto dinheiro na minha vida, nem sabia como funcionava banco”. A esta altura, ele estava só no mundo. Sua mulher, Ângela Maria, com quem teve dois filhos, o havia abandonado depois de três anos de casamento. “Ela fugiu com outro, um motorista de caminhão. Eu era um braçal, ele era motorista, ela quis melhorar de vida...”

Ao bater com a picareta numa pepita de 13 quilos de ouro, Índio tinha ficado rico, mas agora já era tarde demais. A mulher e os filhos estavam longe, não tiveram paciência para esperar o resultado da loteria. A primeira coisa que fez em Belém foi o que fazem todos os garimpeiros bamburrados comprou um carro zero quilômetro. Como não sabia dirigir, contratou um motorista. Ele queria apenas um carro novo, mas logo descobriu que com o dinheiro do ouro daria para comprar 30 carros novos...

“Tanto dinheiro... Eu achava que era o homem mais rico do mundo. O carro era azul-metálico, todo mundo ficava olhando”. O motorista Domingos que, arrumou para roubá-lo nos oito dias em que dirigiu, conseguiu comprar dois táxis.

Mas Índio parecia conformado; dizendo que “o primeiro dinheiro que a gente pega, joga fora. Depois acaba aprendendo”.



Um estádio de futebol escavado a mão

Nem sempre isso é verdade. No garimpo, é como se não houvesse amanhã. O dinheiro corre rápido, assim como entra, sai. O que explica a multiplicação de bordéis, que depois se transformam em vilarejos em torno de Serra Pelada (até há dois anos, era proibida a entrada de mulheres no garimpo). Quem nunca perde nada é o Posto Serra Pelada. Bem em frente ao posto está instalado o depósito de gás engarrafado. O dono de tudo é um advogado paranaense, Milton Gatti, um dos pioneiros de Serra Pelada, que chegou a ter mais de 300 homens trabalhando nos seus barrancos.

Com o prazer de quem vai mostrar sua própria casa ao visitante, benedito Evaristo, paulista de São José do rio Preto, conhecido por Adão, seu nome artístico de cantor de música sertaneja, me lva até a cava, uma cratera do tamanho do Estádio do Morumbi escavado a mão! Em torno dela corre um riacho formado pelas águas do fundo do tilim, a parte mais baixa do garimpo, bombeadas por duas dragas. É a periferia do garimpo, lugar onde trabalham os requeiros.

Vizinho ao barranco de Adão, três paulistas fazem hora para bagere, o almoço no garimpo. Um bancário, um químico e um comerciante, que largaram tudo, estão há 60 dias sem sair daqui e não se queixam: “ouro tem, é só a gente ter paciência que encontra”. E se divertem com as histórias do garimpo. “Sabe como é que a gente fazia rabo-de-galo (pinga com vermute) aqui no garimpo? Era álcool com Biotônico Fontoura. Mas, agora, até o hospital ta proibido de usar álcool e as farmácias não podem mais vender biotônico...”, confidenciou-me o bancário.

Passado alguns anos, voltei lá, voltei outras vezes e dava para ver a olho nu que a degradação da natureza acompanhava a degradação humana, na mesma proporção – a revolta silenciosa e profunda se espelhando nos rostos de homens que já não tinham mais volta, que já tinham deixado tudo para trás e agora se apegavam ao buraco feito náufragos sem esperança de chegarem à terra, mas reunindo as últimas forças para se segurarem no barco virado.

Na terceira visita à Serra assisti uma cena trágica que não abandona. Destruídas as famílias e os sonhos perdidos, só filhos dos que foram aventurar-se em Serra Pelada perambulavam pelas ruas de marabá, de Imperatriz de muitas cidades. Meninas bonitas, que fariam sucesso nas colunas sociais, se tivessem dentes, se fossem bem cuidadas, ofereciam-se a qualquer um, para que as levassem junto, para qualquer lugar. Seus pais chegaram aqui buscando riqueza. Pois agora, as filhas imploram para sair de lá.

Com pás e picaretas, carregando sacos de terra nas costas, eles tiraram do mapa um morro com mais de cem metros de altura e, em seu lugar, cavaram um enorme buraco com o mesmo tanto de profundidade por trezentos metros de largura. Em volta, a mata cedeu lugar a mais uma favela, um monstruoso favelão sem futuro, porque mais dia, menos dia, chega a temida mecanização do garimpo.

Serra Pelada sempre foi, desde o início até as revoltas mais recentes que fizeram o governo se lembrar da sua existência, um jogo em que poucos ganharam muito, alguns se arrebentaram e a imensa maioria apenas lutou para sobreviver, por absoluta falta de opção de vida, trabalhando para comer em condições que fazem lembrar as minas dos garimpeiros escravos do século XVIII. Homens enlameados até a raiz dos cabelos, caminhando como formigas com sacos de cascalho nas costas, levantando poeira ou barro de um grande buraco, enquanto uns poucos viviam como reis.
Estradas foram rasgadas na selva, algumas até asfaltadas, chegaram os fliperamas, a televisão e telefones, e já não se depende do aviãozinho do angolano para descobrir o que se passa naqueles grotões do Brasil. Nem o angolano nem seu teco-teco existem mais: dias depois daquela primeira viagem, uma pequena notícia de pé de página informava que ele havia se espatifado com três passageiros na cabeceira da pista de Serra Norte, a mesma de onde decolamos.

Ninguém saberá dizer ao certo quantos morreram nesta aventura. Foram centenas, com toda certeza – o trágico resultado de uma guerra de vida e morte pelo sonho do ouro.



O processo de extração

O processo inicia-se no fundo da cava com pá e picareta. Entre as escadas adeus-mamão os trabalhadores retiram o cascalho do barranco de seu dono – um dos 3200 quadrados de terra que compõem o tabuleiro de xadrez de Serra Pelada. Como cada barranco pertence a um proprietário diferente, a progressão na escavação é desigual, criando às vezes enormes desníveis que podem provocar desabamentos. Mais como segurança psicológica do que física, os cavadores usam cordas de nylon (azuis) amarradas no corpo na tentativa de evitar a queda junto com a terra. Durante uma das visitas dos autores ao garimpo, um desses desmoronamentos matou instantaneamente 13 garimpeiros, paralizando a extração por três dias.

Os formigas carregam os sacos de terra para fora da cava. Antes de subir, passam pelo controle do apontador de baixo que controla as saídas de cada homem da cava para conferir mais tarde a chegada da carga com o apontador de cima e executar o pagamento por viagem.

Quando o barranco cai no ouro, os sacos ficam estocados embaixo e são retirados apenas no fim da tarde ou de noite por motivos de segurança. Nestes casos uma caminhonete do proprietário do barranco fica esperando o transporte dos sacos para levá-los diretamente para sua refinadora.

No processo de refino o material bruto é primeiro triturado em britadeiras. A terra com ouro escorre sobre uma calha recoberta com mercúrio; que se liga quimicamente apenas ao ouro, formando a amálgama. Para separação final da mistura ouro-mercúrio da terra, o garimpeiro utiliza a baleia, que faz o papel de uma centrífuga primitiva. É nessa operação que pode ocorrer a contaminação dos rios da região pelo mercúrio excedente, que por descuido ou negligência é arrastado pela água. O manuseio sem proteção do mercúrio pode intoxicar o próprio garimpeiro, provocando seqüelas congênitas e distúrbios nervosos com a acumulação do metal no organismo.

Na etapa final do refino a amálgama é aquecida, vaporizando o mercúrio e deixando o ouro limpo. As pepitas (pequenos pedaços de ouro) são levadas ao barracão da Caixa Econômica federal onde são fundidas na presença do proprietário em um lingote que será vendido à própria Caixa. Nas produções maiores é utilizado um alto-forno. Finalmente o processo, quase totalmente artesanal, está pronto, resultando na barra de ouro puro. A última limpeza retira a fuligem que recobre o ouro. Este lingote pesa 1,7 kg, resultado de uma tarde de extração depois de 2 anos cavocando um barranco. O dono, José Aparecido, espera tirar 13 kg de ouro desse barranco, para compensar seu investimento.

De acordo com os técnicos da DOCEGEO e do DNPM – Departamento nacional de produção Mineral, o garimpo manual desperdiça em média 40% do ouro de Serra pelada. A poluição do mercúrio e o alto índice de perdas são o grande argumento dos que defendem a mecanização do garimpo.

As empresas envolvidas estimam um aumento de produção de pelo menos 30% do ouro, que até hoje já rendeu 40 toneladas. Anualmente a produção vem caindo, ocupando agora apenas 5.000 garimpeiros, muito abaixo dos 50.000 homens que trabalhavam na cava em 1983, o melhor ano da Serra.

Por outro lado criou-se uma verdadeira cidade em torno do buraco, que resiste como pode contra a mecanização. Seria o fim do sustento para milhares de garimpeiros, que consideram Serra Pelada a sua casa.



O dialeto do garimpo

CAVA: como é chamado o grande buraco do garimpo aberto à mão; a de Serra Pelada tem hoje cerca de 100 metros de profundidade e o formato de um feijão.

BARRANCO: pedaço de terra de dimensões variáveis, comprado dentro da cava por um ou mais garimpeiros para ser explorado na busca do ouro.

CATA: sinônimo de barranco, onde os garimpeiros “catam” o ouro.

APONTADOR: empregado do dono do barranco que controla a quantidade de sacos retirados pelos carregadores de terra e despejados fora da cava. Têm direito a uma porcentagem da produção de ouro do barranco.

FORMIGA: carregador de sacos de terra e cascalho. São os bóias-frias do garimpo, que recebem um pagamento correspondente aos sacos carregados entre o barranco e o alto da cava.

MELEXETES: são os formigas sujos de barro.

ADEUS-MAMÃE: nome dado às escadas utilizadas pelas formigas para levar os sacos de cascalho para a superfície. São verdadeiras estradas de trânsito com mão própria de subida e descida. O nome vem dos freqüentes acidentes fatais quando do desabamento das escadas com dezenas de formigas sobre elas.

MEIA-PRAÇA: trabalhadores braçais que têm direito a uma porcentagem sobre o ouro encontrado no barranco do dono.

CAPITALISTA: dono do barranco, que normalmente vive fora do garimpo; financia as despesas com comida e equipamentos.

EMBARCADOR: indivíduo que coloca o cascalho com ouro na britdeira, onde o material é moído por um processo rudimentar.

COBRA-FUMANDO: “uma banheira de botar água para lavar cascalho e separar ouro”, na definição dos próprios garimpeiros.

MÁQUINA: sinônimo de cobra-fumando.

PASSADOR-DE-MÃO: indivíduo que procura separar à mão o ouro da terra, na qual está misturado.

CURIMÃ: rejeito mais nobre da separação do ouro, que geralmente passa por uma segunda lavagem.

BATEIA: instrumento em forma de peneira feito de chapa de metal, utilizado para a purificação manual final da mistura de mercúrio com ouro.

APURADOR: indivíduo que faz a separação do ouro utilizando-se de uma bateia para lavar o amálgama mercúrio-ouro. O mercúrio liga-se quimicamente ao ouro, facilitando a separação das impurezas.

REQUEIRO: fazer reque; procurar ouro nos rejeitos que correm nas águas, as migalhas que sobram.

DÍZIMO: porcentagem retirada da venda do ouro destinada à cooperativa dos garimpeiros para efetuar melhoramentos e obras de estabilização da cava.

BAMBURRADO: aquele que tirou a sorte grande no garimpo, encontrando um filão de ouro no seu barranco.

BLEFADO: garimpeiro que perdeu tudo, só é dono da roupa do corpo.

CUTIA: carregador de cascalho que fica com a pele vermelha.

ORELHA DE JEGUE: vale, adiantamento.

Novo Horizonte Documentário amostra

Rutilo, o minério da moda

Rutilo, o minério da moda


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Barracos de plástico, de papelão. No meio do nada, pequenos abrigos acolhem famílias inteiras. A vontade de ficar rico da noite para o dia impõe sacrifícios, improviso. A Vila da Esperança, construída por exploradores de um minério pouco conhecido, deve ser a mais nova vila de garimpeiros do Brasil.  
Quem já ouviu falar em rutilo ou quartzo rutilado? Segundo os geólogos, é o minério da moda no mundo das pedras preciosas. Um cristal amarelado com fios dourados dentro. As minas foram descobertas há pouco tempo, em Novo Horizonte, sudoeste baiano. São as únicas no Brasil.
A maneira de extrair é o que há mais precário em mineração. Os aventureiros entram e saem de buracos sem nenhuma segurança, como se fossem exímios equilibristas. Os menos corajosos dependem de quem controla o carretel, uma espécie de elevador manual.
Os buracos mais rasos têm 15 metros de profundidade. Embaixo do chão, o trabalho, além de pesado, é extremamente perigoso. É preciso muita sorte, não só para encontrar o rutilo, mas para não morrer também, porque não há nada que sustente o teto. O otimismo e o sonho de ganhar muito dinheiro fazem com que eles esqueçam o medo.
Os garimpeiros Gilson e Giorlando Moraes começaram a abrir a galeria, e as pedras foram aparecendo. "A parte mais escura é o rutilo. Talvez tenha toneladas", comenta Gilson.
Um comprador pagou R$ 70 por 70 quilos de pedra – R$ 1 por quilo. Os preços do rutilo variam de acordo com a qualidade das pedras. Em três lotes selecionados, considerados bons, um vale R$ 100 reais o quilo, outro vale R$ 150 e o outro, R$ 300. O garimpeiro que encontrar uma peça especial ganha muito mais dinheiro. Os exportadores chegam a pagar até R$ 2 mil por quilo.
Antes de seguir para o exterior, o minério passa por uma limpeza. Os chineses compram tudo o que os garimpeiros produzem. Todo mês, a região exporta cerca de 60 toneladas. Só uma empresa vende quase mil tonéis de rutilo por ano para indústrias de Hong-Kong.
"O quilo de uma pedra especial custa de US$ 90 a US$ 150, mais de R$ 400", conta a gerente Leila Catarine Fernandes.
Enormes, bonitas e caras. As pedras que saíram do garimpo de Luiz Antônio dos Santos, só colecionadores ricos conseguem comprar. Chegam a custar R$ 70 mil.
"As pessoas compram para fazer bolas de pedras", diz o garimpeiro.
Molhado e no reflexo da luz do sol, dá para ver melhor a beleza do rutilo.
"Cinqüenta quilos custam cerca de R$ 30 mil. É fácil achar comprador", afirma Luiz Antônio.

Garimpo no Pardo teve até pepitas de ouro

Garimpo no Pardo
teve até pepitas de ouro

MEMÓRIA — Aposentado conta ter achado pepitas, pedras semipreciosas e um diamante de cinco quilates no rio Pardo no final da década de 50


Benedito guarda pedras como o feijão preto e moedas do Império


Durante a década de 50, os garimpeiros que passaram pelo rio Pardo puderam achar pedras semipreciosas, diamantes e até pepitas de ouro.
O aposentado Benedito Rodrigo Monteiro, 75, o Dito Berruga, por exemplo, conta ter achado uma quantia de pepitas de ouro suficiente para encher uma caixa de fósforos. Benedito, aliás, afirma ter sido o responsável pela descoberta da maior pedra no rio Pardo: um diamante de cinco quilates. O garimpeiro achou a pedra no final de 59, mas valia tanto dinheiro que só a vendeu quatro anos depois — os possíveis compradores tentavam colocar defeitos para reduzir o preço. “Quando achei a pedra, o Fermino Rocha Contim — inspetor de alunos na Escola de Comércio — disse para levar [o diamante] para o professor Hélio Castanho ver se era de verdade”, conta Benedito. O professor passou uma lixa na pedra, examinou-o atentamente com uma lente para verificar se saía pó. “Você conhece o diamante pelo brilho, peso e dureza. O que eu achei era bom”, contou o garimpeiro.
Benedito trabalhava em uma fábrica de sapatos e garimpava por “gosto”, nas horas vagas. O diamante foi vendido na Galeria Prestes Maia, em São Paulo. Casado com Ana de Jesus Monteiro, Benedito seria pai em pouco tempo. “A pedra deu um dinheiro bom”, conta.
Benedito garimpou no Pardo até meados da década de 60. O garimpo era feito com um parceiro, João Cândido da Silva, o João Branco. Os dois praticavam o garimpo em barrancos — perto da ponte velha do rio Pardo e para cima da usina velha. Para escolher o local do garimpo, eles usavam uma sonda de ferro.
O local bom para o garimpo era o que tinha cascalho. Pedras do tamanho e peso de diamantes — como o feijão preto — indicavam a possibilidade de se achar algo precioso. Os garimpeiros tiravam o cascalho do rio com um balde. O cascalho era despejado em uma armação que tinha quatro peneiras de tamanho diferente, uma sobre a outra. A dupla encontrou muitas pedras no rio. Só para um certo João Garimpeiro, vindo de Minas Gerais, Benedito lembra-se de ter vendido cerca de 15 diamantes pequenos. “Achamos pedra verde, champanhe, cor de conhaque, xibiu de todos os tamanhos”, recorda. Muita gente passava, naquela época, pelo Pardo à procura de diamantes. “Lembro que uma caravana passou o Pardo de ponta a ponta. Limparam quase tudo de pedra que havia”, conta Benedito.
O garimpeiro também achou — e guarda até hoje — moedas do tempo do Império nas proximidades da ponte velha.

Anglogold Ashanti abre represas para ajudar no suprimento de água a BH

Anglogold Ashanti abre represas para ajudar no suprimento de água a BH



A seca já começa afetar a região de Belo Horizonte.

A Copasa, prevendo o pior, já negociou com a mineradora Anglogold Ashanti  a liberação de parte da água utilizada na geração de energia, na hidrelétrica  localizada no Rio do Peixe. A Copasa percebendo que houve uma redução de 50% na vazão do Rio das Velhas, que abastece a grande BH, já se prepara para um cenário de desabastecimento... 

Seca na Califórnia: fazendeiros deixam de plantar para vender água

Seca na Califórnia: fazendeiros deixam de plantar para vender água


A indústria do arroz do Sacramento Valley está em plena crise: mesmo com água muitos campos irão permanecer secos.

É que muitos fazendeiros estão fazendo o impensável. Vendendo a sua água para a cidade de Los Angeles.

A Califórnia é um estado com baixíssima precipitação pluviométrica.

Cercada de desertos ela sobrevive graças às muitas represas e a uma legislação implacável que penaliza o gasto excessivo e o desperdício.

A situação de Los Angeles, uma cidade de 3,9 milhões de habitantes, agravou-se drasticamente nos últimos anos com a forte seca que afeta a região.

Nesta quinta o Governador Jerry Brown aprovou um plano de emergência de US$1 bilhão que deverá mitigar, em parte, os efeitos da seca que já dura quatro anos.

Parte desses fundos será direcionada para o longo prazo, visando o controle das cheias, a reciclagem de água e a construção de plantas de dessalinização da água do mar.

Apesar do clima desértico as chuvas, quando ocorrem, causam grandes cheias e as águas quase não são aproveitadas ou armazenadas. Desta forma o governo local espera investir, pelo menos, US$660 milhões em projetos de controle de cheias que poderão recuperar as reservas subterrâneas exauridas.

A população da cidade, que deveria estar racionando pelo menos 20% de seu consumo, só conseguiu reduzir 8,8% no início de 2015. Um fato preocupante.

Em breve a estação das chuvas estará terminando, sem o volume esperado. Os técnicos, no entanto, esperam que as montanhas sejam, mais uma vez, cobertas por neve que, possivelmente, não derreterá tão cedo não contribuindo para o aumento do nível das drenagens.

É onde entram os fazendeiros do Sacramento Valley? 

 Com as opções de curto prazo quase esgotadas o governo local criou uma nova fonte de água que, pouco tempo atrás seria inacreditável. É aí que entram os fazendeiros do Sacramento Valley.

Eles estão vendendo a sua água por US$0,57/m3.

Em outras palavras, esses fazendeiros estão tendo um lucro bem maior na venda de água do que no plantio do arroz.

E os preços pagos pelo governo em 2015 já subiram 40% sobre os do ano passado!

Os efeitos serão sentidos em breve quando os preços dos produtos agrícolas decolarem.

Enquanto isso o governo local está tentando todos os truques para reduzir o efeito da seca. Nos próximos dias serão criadas novas leis de emergência que afetarão e restringirão alguns negócios e hábitos dos cidadãos.

A Califórnia está, finalmente, mergulhando em uma guerra de vida ou morte contra a seca. Será que eles irão conseguir?

Com certeza sim!

Se um estado que tem um PIB de 2 trilhões de dólares, o mesmo tamanho do PIB de toda a Rússia, não conseguir, ninguém mais conseguirá!

Será que o impensável vai ocorrer e a Vale vai vender parte de Carajás?

Será que o impensável vai ocorrer e a Vale vai vender parte de Carajás?


Desde a descoberta, em 1967, Carajás vem sendo o maior e mais rico distrito mineiro do Brasil. Lá existem grandes concentrações de minério de ferro, cobre, ouro, alumínio, manganês, molibdênio, níquel e caulim.

Mas foi o ferro de Carajás que literalmente transformou a Vale em uma potencia mundial, chegando em 2006 a ultrapassar a Rio Tinto e se tornar a segunda maior mineradora do planeta.

Infelizmente, mesmo com a qualidade excepcional do minério, a empresa vem sofrendo um cruel e lento processo de degradação causado por planejamentos deficientes e péssimas tomadas de posição.

Como resultado destes sucessivos erros a megamineradora perdeu, sistematicamente, o seu valor de mercado: em 2006 a empresa valia US$298 bilhões e hoje teve o seu “market cap” reduzido para apenas US$28,1 bilhões.

Uma queda, maior que 90%, inexplicável para quem tem a qualidade de Carajás e o melhor minério de ferro do mundo.

Uma realidade que nos envergonha!

Agora, em mais um desdobramento do mau gerenciamento recorrente que a caracteriza, a depauperada mineradora, a quarta do mundo, está colhendo o veneno que ela mesma plantou: a queda do preço do minério de ferro.

Esta queda, que foi causada pela inundação de minério de ferro em um mercado em processo de encolhimento, foi mais acentuada do que os protagonistas da trapalhada (Vale, Rio Tinto e BHP) imaginaram.

Enquanto todos os executivos acreditavam em preços ao redor dos US$90/t, o que se viu foi um desastre. Os preços caíram abaixo de US$55 e podem continuar ultrapassando a barreira dos US$50/t.

Os prejuízos estão sendo imensos, tornando as fraquezas da Vale ainda mais aparentes.

Além da óbvia perda de receitas e de investidores a empresa mergulha em um cenário de dívidas que ameaçam a eclipsar a própria empresa.

O analista do Deutsche Bank, Wilfredo Ortiz, agiu rápido e jogou a primeira pedra: ele diz que a Vale deve vender, pelo menos 20%, do seu melhor e mais extraordinário projeto: Carajás.

O que Ortiz fala foi ecoado por outros que também concordam que a empresa talvez não tenha outra solução a não ser a venda de Carajás.

Uma venda que, para todos os brasileiros deve ser inaceitável.

Vender parte de Carajás para tapar os buracos causados pelo mau gerenciamento é absolutamente impensável. Infelizmente essa medida, proposta pelos estrangeiros, serve para mostrar o que os executivos da Vale fizeram nos últimos anos com uma empresa que era sólida e o orgulho de um país.

Comprar um pedaço de Carajás é o sonho de qualquer mineradora do mundo, afinal ninguém mais tem minério de ferro com tal volume e qualidade.

No nosso entender isso pode, também, ser interpretado como um crime lesa-pátria. Carajás é um patrimônio nacional e como tal deve ser tratado.


O trem de Carajás e a pobreza...

O trem de Carajás e as desigualdades que poderiam ter sido minimizadas se a empresa adicionasse valor aos bilhões de toneladas de minério de ferro que ela exportou.

A Vale já causou inúmeros estragos à economia nacional e ao povo brasileiro que ainda se encontra mergulhado no desemprego e na pobreza, ao vender o minério de Carajás sem nenhum valor agregado. Ela literalmente “entregou” o minério de altíssima qualidade a preços de banana para chineses, japoneses e coreanos que usam o aço de Carajás para gerar produtos industrializados de alta tecnologia que exportam de volta ao Brasil a preços exorbitantes.

Graças a essa política pouco inteligente bilhões de toneladas de minério de ferro, vendidas a preços espúrios, retornaram com preços estratosféricos.

Alguém reclamou?

Não! Nós continuamos pagando, humildemente, sem questionar ou reclamar, como bons terceiro-mundistas que somos.

Por décadas os executivos da Vale celebraram a venda de um minério de ferro sem nenhum valor adicionado. Todo o lucro da cadeia produtiva é repassado aos países importadores.

Enquanto eles celebravam, muitos de nós, brasileiros, choramos.

Se o Brasil deixar, esses mesmos incompetentes, podem querer vender parte de Carajás para encobrir os seus próprios erros gerenciais.

Não queremos acreditar nesta hipótese, mas se ela for realmente cogitada, vamos lutar para que Carajás não seja entregue em uma bandeja e que os responsáveis da Vale voltem a celebrar, mais uma vez como heróis, em cima da dilapidação do patrimônio brasileiro.

sábado, 28 de março de 2015

Guerra do minério de ferro: preço atinge US$54,80/t. Assustada Fortescue pede para grandes mineradoras “agir como adultos”

Guerra do minério de ferro: preço atinge US$54,80/t. Assustada Fortescue pede para grandes mineradoras “agir como adultos”




O preço da tonelada do minério de ferro atingiu agora, US$54,80 no Porto de Tianjin, na China. Uma queda de 1,3% que fez as ações das mineradoras, também, cair.

A Vale está sendo negociada a -3,5%.

Do outro lado do mundo a quarta maior produtora de minério de ferro, a Fortescue, já começa a dar sinais evidentes de seus primeiros estertores.

Andrew Forrest, o CEO e principal acionista da Fortescue, abriu a boca e disse para o trio Vale, Rio Tinto e BHP que eles deveriam começar a “agir como adultos” iniciando um corte de produção e com isso evitando o colapso de tantas mineradoras.

A fala de Forrest parece não ter tido eco junto às mineradoras do triunvirato. Ele pode até ser interpretada como uma proposta de aliança para subir os preços do minério de ferro de volta para o patamar de US$90/t...

Sam Walsh, o CEO da Rio Tinto, não perdeu a oportunidade e disse que os comentários de Forrest “não faziam senso e que talvez ele não tenha tido a devida assessoria jurídica”...

O que Sam Walsh quer dizer é que se ele( Rio Tinto) não suprir o minério de ferro uma outra empresa vai.

Com esse raciocínio está fechado o círculo.

É guerra e ninguém vai carregar os feridos...

Real fraco traz investidores estrangeiros para a Bovespa: Petrobras sobe

Real fraco traz investidores estrangeiros para a Bovespa: Petrobras sobe




O Ibovespa está em alta, na contramão das demais bolsas, impulsionado pela forte entrada de capital estrangeiro.

Nos últimos dias os investidores estrangeiros compraram, na bolsa, mais de dois bilhões de reais. Eles se beneficiam de um Real barato que torna as ações brasileiras muito atraentes.

A Petrobras que pode publicar os seus balanços, paralisados desde setembro de 2014, subiu, somente hoje 5,58%.

terça-feira, 24 de março de 2015

Nem só de diamantes vive a Mineração duas Barras

Nem só de diamantes vive a Mineração duas Barras


Que a Mineração Duas Barras e sua subsidiária Brazil Minerals estão no comércio de diamantes todos sabem, mas que agora começaram a vender areia nem todos sabem...

Pois areia, um subproduto da operação de lavra do aluvião diamantífero está trazendo um novo fluxo de caixa para os cofres da mineradora. A planta de lavagem tem uma capacidade instalada de 450.000 toneladas, ou 80 toneladas de sedimentos por hora. George Prajin Não precisa ser Einstein para perceber que se 36% do sedimento processado é areia a produção diária será de 230t de areia por dia que podem ser vendidos reduzindo ainda mais os custos operacionais do processo. < br>
A Brazil Minerals produz diamantes, ouro e, agora, areia.

Interessado em diamantes? Que tal 77,77 quilates de pura beleza?

Interessado em diamantes? Que tal 77,77 quilates de pura beleza?




Enquanto a indústria tenta entender se o momento do diamante é bom como se esperava, contabilizando as vendas do Natal, do feriado chinês e do St Valentine, em outro cenário, o mundo verá mais um leilão espetacular calcado exatamente na venda de uma única pedra.

Em abril a Sotheby´s vai leiloar um diamante raro. Uma pedra perfeita de cor amarela vívida com 77,77 quilates: o Pricey.

A pedra, pela sua qualidade, transparência, pureza e cor extraordinária é considerada muito rara e deverá ser vendida por mais de US$8 milhões.

Será que existirão compradores para essa raridade?

Com certeza sim! O dinheiro existe e pedras dessa qualidade são grandes investimentos de elevada liquidez.

Interessado?

STJ mantém proibição de mineração em área dos índios Cinta Larga

STJ mantém proibição de mineração em área dos índios Cinta Larga




O Superior Tribunal de Justiça (STJ) ordenou o DNPM cancelar as concessões de lavra e/ou pesquisa mineral e indeferir todos os requerimentos em terras dos Cinta Larga.

A proibição abrange áreas das reservas do Roosevelt, Aripuanã, Parque Aripuanã e Serra Morena .

O assunto vem tramitando há bastante tempo e, em 2014, o procurador-geral da República Rodrigo Janot já havia ajuizado ação cautelar para que as operações de mineração e pesquisa fossem canceladas nas terras indígenas dos Cinta Larga.

O DNPM havia registrado um recurso contra a decisão do TRF1, tentando defender a pesquisa nas terras dos índios e, agora, é derrotado, mais uma vez.

Os conflitos entre os índios e os garimpeiros começaram no momento em que os diamantes do Roosevelt foram descobertos, em 1999, pela mineradora De Beers.

Desde então, com a invasão das terras indígenas por garimpeiros, os conflitos se intensificaram, até 2004, quando houve o massacre de 29 garimpeiros pelos Cinta Larga.

Geólogos acreditam na extração econômica de ouro e metais preciosos nos esgotos

Geólogos acreditam na extração econômica de ouro e metais preciosos nos esgotos




Estudos feitos pela Universidade do Estado do Arizona estimaram que uma cidade de 1 milhão de habitantes joga no esgoto o equivalente a 13 milhões de dólares por ano em metais preciosos.

Os metais preciosos, ouro, prata, platina, paládio junto com outros metais como o cobre, vanádio, zinco, chumbo e estanho fazem parte do lixo jogado todos os dias no esgoto.

Um grande número de novos produtos industriais como shampoos, detergentes e até roupas (com prata para reduzir o odor) estão enriquecendo o valor dos resíduos sólidos que não são processados em plantas de filtragem e tratamento de água.

Nos oito anos que os estudos foram feitos, quando foram testados mensalmente os esgotos, chegou-se a uma conclusão extraordinária: o material sólido tem, em média 28g/t de prata, 0,6% de cobre, 49g/t de vanádio e 0,4g/t de ouro.

Os teores de ouro e de cobre são compatíveis com os teores médios de algumas minas econômicas famosas como a de Paracatu ou dos pórfiros de cobre ao redor do mundo.

Imagine ter verdadeiras minas de ouro a partir do sujo esgoto de uma cidade como S. Paulo, que polui os rios e o mar...

Não é ficção científica e pode ser feito economicamente!



água
O tratamento dos esgotos é feito nos Estados Unidos e em vários lugares do mundo (veja acima), mas, por enquanto, só a água é recuperada podendo ser imediatamente consumida pela população.

Já o resíduo sólido do tratamento dos esgotos onde estão os metais preciosos e que, depois do processo pode ser transformado em fertilizante e bioplásticos reduzindo ainda mais os custos do processo de tratamento.

Mais importante que tudo, a mineração dos esgotos irá viabilizar duas das maiores riquezas da humanidade: a água e o meio ambiente.

A mineração a serviço do meio ambiente...

terça-feira, 17 de março de 2015

Barrick em dificuldade pode vender mina gigante

Barrick em dificuldade pode vender mina gigante


A situação da maior mineradora de ouro do mundo não é fácil.

A Barrick Gold perdeu mais de 50% do seu valor em apenas dois anos e precisa reduzir o seu débito em US$3 bilhões ainda em 2015.

Esses pontos mostram as rachaduras na estrutura da mineradora tida como uma das mais sólidas, algum tempo atrás.

Hoje a Barrick Gold tem um débito astronômico, maior que US$13 bilhões e um valor de mercado de apenas US$12,6 bilhões.

A melhor forma de sair desta arapuca financeira é a venda de ativos de alto valor.

E a Barrick está, possivelmente, colocando à venda nada menos do que a sua mina chilena de cobre Zaldivar.

Zaldivar é um desses super-porphyry coppers de imenso valor. Na realidade Zaldivar é o corpo norte do complexo de Escondida, controlada pela BHP.

A jazida está localizada na cordilheira, no norte do Chile, próximo a Antofagasta (imagem).

Trata-se de uma operação a céu aberto onde o minério é lixiviado em pilhas e o cobre recuperado transformado em catodos.

Em 2014 a mina produziu 1 milhão de toneladas de cobre. Os custos de produção do cobre em 2014 foram de US$1,9/libra.

As reservas de Zaldivar são simplesmente enormes e atingiam 5,5 bilhões de libras de cobre em 2014.

Se a Barrick vender Zaldivar acredita-se que ela poderá levantar US$1,5 bilhão, o que é somente a metade dos US$3 bilhões planejados para a redução do débito...

Será que ela consegue?

USGS diz que a possibilidade de um grande terremoto na Califórnia está maior do que nunca

USGS diz que a possibilidade de um grande terremoto na Califórnia está maior do que nunca



Segundo os geólogos do USGS (US Geological Survey) a chance de que a Califórnia seja atingida por um devastador sismo de 8 ou mais na Escala Richter, nos próximos 30 anos, está aumentando significativamente. Eles calculam que agora a probabilidade aumenta de 4,7% para 7%.

O aumento da chance de um grande terremoto é causado pelo desenvolvimento de novas fraturas que interligam as grandes falhas. Essas falhas não eram interligadas.

Agora quase todas as falhas estão interconectadas a múltiplas fraturas menores que devem se romper simultaneamente, maximizando os efeitos e estragos dos próximos sismos.

O USGS acredita que os sismos de magnitude 6,7 devem ocorrer a cada 6,3 anos .

Enquanto isso, na cidade de Fuyang na China (foto), um terremoto de magnitude 4,7 danificou mais de 10.000 casas e matou, pelo menos, duas pessoas.

domingo, 15 de março de 2015

Diagnóstico dos garimpos de topázio imperial no Alto Maracujá, Sub-bacia do rio das Velhas, MG

1. Introdução
Segundo Miranda et al. (1997), a atividade garimpeira é uma forma muito antiga de extração mineral. Provavelmente remonta ao século XV através do avanço dos europeus sobre terras desconhecidas como aconteceu no continente americano. Essa atividade pode ser considerada uma modalidade marginal à mineração, encarada pela sociedade como símbolo de desorganização, violência, insegurança, insalubridade, problemas sociais, degradação ambiental e a total falta de técnica para a explotação dos bens minerais. Os garimpos trazem sérios danos ao meio ambiente (IBRAM, 1992).

2. Material e métodos
A metodologia utilizada para a realização desse trabalho consistiu em observações de campo, análise de documentos, levantamento de bibliografia técnica e histórica, depoimentos de pessoas ligadas direta ou indiretamente ao garimpo, entre outros expedientes que se fizeram necessários para melhor avaliação do problema.

3. Resultados
3.1 O topázio imperial
O topázio imperial é o principal objetivo da atividade garimpeira do Alto Maracujá. Trata-se de uma gema rara no mundo, de alto valor econômico, atualmente encontrada somente na região de Ouro Preto (Gandini, 1994). Castañeda et al. (2001) afirma que o topázio imperial foi descoberto por volta de 1772, no local denominado Morro de Saramenha, em Ouro Preto. Com o passar do tempo, a extração dessa gema foi evoluindo e diversos depósitos vêm sendo trabalhados dentro dessa região como as minas do Vermelhão em Saramenha e a do Capão do Lana (maior em produtividade e totalmente mecanizada), em Rodrigo Silva (Sauer et al., 1996). Outras áreas de ocorrência do topázio imperial se caracterizam pela presença de pequenos garimpos de aluvião, grande parte deles, ilegais. A Figura 1 mostra a localização das ocorrências e locais de extração de topázio imperial.
3.2 O Rio Maracujá
O rio Maracujá é afluente da margem esquerda do rio das Velhas, um dos principais afluentes do rio São Francisco. Formado pelos córregos Cipó, Arranchador e Caxambu, o Maracujá banha o maior distrito de Ouro Preto, Cachoeira do Campo. Trata-se de um rio de extrema importância para a região, dotado de grande valor histórico e físico, como atesta Ramos ([ 196_ ]).
3.3 Atividade garimpeira no Alto Maracujá
A atividade de mineração está muito presente no Alto Maracujá com os garimpos de topázio imperial. Pequenas empresas extrativas legais e garimpos individuais ilegais se estabeleceram no local, principalmente, a partir da década de 70 do século XX, quando houve uma intensificação dos garimpos de topázio na região de Ouro Preto.
3.4 Garimpos clandestinos
Os garimpos clandestinos ou manuais de topázio imperial podem ser divididos em dois tipos específicos: o garimpo de margem e o de leito. Entretanto, na maioria das vezes, esses tipos se confundem no campo. A seguir são descritos os diversos tipos identificados durante esse estudo.
3.4.1 Garimpo de margem
Figura 2 mostra um esquema de um garimpo de margem. Primeiramente há o desmatamento para a retirada da camada de solo orgânico. Seqüencialmente, o decapeamento culmina com a remoção dos horizontes superficiais do solo, de modo a dar ao garimpeiro acesso às camadas mineralizadas e preparar a área para a lavra em profundidade. O decapeamento pode ser desenvolvido por meio de enxadas, enxadões e picaretas.


A abertura da frente de lavra é a fase posterior ao decapeamento, onde os garimpeiros procuram, conforme a necessidade, expandir horizontal e verticalmente sua área de atuação, escavando horizontes mais profundos de solo e as camadas mineralizadas denominadas cascalho. Essas camadas, mais resistentes ao avanço da lavra, são formadas pelas rochas com veios de quartzo onde há a ocorrência do topázio imperial. A profundidade das escavações, tomando-se como nível de referência o topo do horizonte A do solo, varia muito, podendo atingir de 2 a 7 metros em média. Os cortes são abertos em taludes de 90 graus ou taludes irregulares negativos. As ferramentas utilizadas nas aberturas das frentes de lavra são picaretas, enxadas, enxadões e a inusitada enxada-pá (cabo de enxada e na extremidade uma pá disposta em ângulo de 90 graus com o cabo). A Figura 3ilustra uma frente de lavra na margem do córrego Cipó.


Para a retirada da água que se acumula nas frentes de lavra devido à proximidade do lençol freático, os garimpeiros usam, como subterfúgio, longas mangueiras de 10, 20 metros ou mais de comprimento com diâmetros de 1" e 1,5", estendidas em direção à jusante do córrego Cipó, para sugar a água da abertura produzida.
O cascalho mineralizado é retirado das frentes de lavra e transportado até as margens do córrego por meio de carrinhos de mão ou latas ou galões de plástico. Para a lavagem do cascalho, o garimpeiro se vale de uma peneira de pedreiro ou uma maior, construída por ele próprio com a finalidade de facilitar a cata do topázio imperial.
3.4.2 Garimpo de leito
Esse tipo de garimpo é executado diretamente no leito do córrego ou próximo à margem desse. A Figura 4mostra a configuração de um garimpo de leito. Desconsiderando o desmatamento e o decapeamento, basicamente comporta as mesmas operações realizadas nos de margem. Tem como diferencial o maior volume de água acumulado nas frentes de lavra e a instabilidade dos taludes escavados no leito do córrego. A Figura 5mostra uma frente de lavra no leito do córrego Cipó, no Alto Cipó.




Em outra forma de garimpo de leito são utilizadas dragas para aumentar o rendimento da produção. A Figura 6ilustra como é feito o trabalho de dragagem. O cascalho, juntamente com lama e água, é dragado da área de escavação e jogado contra a superfície de uma peneira. O garimpeiro realiza a cata do topázio na superfície da peneira. A Figura 7 mostra uma frente de lavra no Alto Cipó com uso de draga abandonada temporariamente.




4. Discussão
4.1 Impactos ambientais
As operações que constituem um garimpo de topázio imperial trazem uma série de impactos para o ambiente de entorno. O desmatamento, o decapeamento e a abertura das frentes de lavra destroem ou alteram a diversidade da mata ciliar e interferem na fauna local. Além disso, o decapeamento e a abertura de frentes de lavra elevam os impactos negativos na drenagem do córrego Cipó a níveis preocupantes em escala local e regional. Pilhas de estéril ficam expostas à ação do escoamento superficial e ao transporte de sólidos sedimentáveis. Principalmente, no período das cheias, ocorre o deslocamento dos sólidos rumo à jusante do Cipó, acarretando um alto grau de assoreamento deste, como pode ser verificado na Figura 8.


Quando a lavra do topázio imperial é realizada por dragagem, a geração de sólidos sedimentáveis torna a operação extremamente danosa ao córrego Cipó, devido ao aumento expressivo do nível de turbidez das águas deste. Nota-se, também, uma contribuição considerável desse processo no assoreamento à jusante.
O esgotamento das águas acumuladas nas frentes de lavra, se feito por mangueiras, causa apenas impacto visual. Porém, se realizado com o auxílio de pequenas dragas, causa impactos imediatos ao curso d'água, devido ao aumento da turbidez deste.
Na lavagem do cascalho, a contaminação do curso d'água se dá pelo passante da peneira onde todo o material é manipulado, aumentando a concentração de finos e, conseqüentemente, o nível de turbidez das águas do córrego Cipó. Quando o garimpeiro se vale da construção de barramentos para o represamento das águas do córrego para posterior lavagem do cascalho, isto resulta na interferência do fluxo normal das águas e no impacto visual negativo.
A cata do topázio permite a formação de pilhas de rejeito compostas pelo descarte do cascalho, que contribuem para o assoreamento do córrego no período chuvoso. Seqüências de pilhas ao longo do leito do córrego interferem no fluxo normal de suas águas, na sua morfologia e contribuem para o impacto visual negativo no local.
O abandono temporário das frentes de lavra, seja na margem ou leito do córrego, é uma das ações mais freqüentemente efetuadas pelos garimpeiros. Em geral, costuma-se associar essa prática ao insucesso da lavra ou tática do garimpeiro para escapar da fiscalização ambiental. Os constantes abandonos e retomadas de frentes de lavra impedem a recuperação natural do local afetado.
4.2 Questões sociais, de saúde e de segurança
Além dos impactos diretos e indiretos ao meio ambiente, questões voltadas ao próprio garimpeiro e sua relação com a atividade e o entorno foram consideradas nesse estudo. Esse tipo de atividade predispõe o trabalhador a constantes ameaças à sua integridade física, tais como doenças ocupacionais, desmoronamentos, traumas, quedas, etc. Risco maior é exposto àqueles indivíduos não garimpeiros que circulam desavisados pelo local.
Conflitos entre garimpeiros e entre estes e indivíduos externos ao garimpo são freqüentes, em alguns casos, resultando em morte. Em muitos momentos, tensões com donos de terras ou órgãos fiscalizadores desencadeiam situações desagradáveis a ambas as partes, levando o local a um estado crítico.
Ameaças a obras civis na região também são fatos reais devido ao volume de impactos gerados nos garimpos de topázio imperial. São comuns erosões em estradas que tangenciam o córrego Cipó geradas a partir de desvios deste. O volume de sólidos sedimentáveis acarreta problemas de ordem estrutural em galerias, pontes e pequenos barramentos de sitiantes locais. Impacto de maior destaque se constitui na degradação da qualidade da água que abastece uma população de cerca de 6000 habitantes, comprometendo a eficiência da estação de tratamento de água de Cachoeira do Campo.

5. Conclusões
As atuais condições do garimpo de topázio imperial no Alto Maracujá comprometem o ecossistema da região e a infra-estrutura pública. Caso não ocorra uma organização da atividade sob a forma de cooperativa ou associação, torna-se impossível solucionar o problema e recomenda-se a paralisação imediata do garimpo.
Não há estudo que comprove a dependência econômica da atividade por todos os garimpeiros que atuam na região. Sabe-se que muitos são esporádicos e se beneficiam do garimpo como um instrumento de renda extra. Entretanto, outros têm, nessa prática extrativista, o sustento de suas famílias, já que a atual conjuntura econômica do país não oferece melhor sorte aos mesmos. Isto torna o problema ainda mais complexo. Saber avaliar o ponto exato de equilíbrio entre a necessidade humana de sobrevivência e a preservação ambiental é um desafio proposto a toda sociedade.


Degelo acelerado na Groenlândia Derretimento de calotas polares faz surgir depósitos de pedras preciosas.


Derretimento de calotas polares faz surgir depósitos de pedras preciosas.
Cidade que sobrevivia da pesca do camarão já sente impacto econômico.

À medida que os icebergs no Porto Kayak estalam e assoviam enquanto derretem, esta remota cidade ártica e sua cultura também estão desaparecendo com a mudança climática.
O maior empregador de Narsaq, uma empacotadora de camarões, fechou há alguns anos depois que os crustáceos foram para o norte em busca de águas mais frias.
Onde antes havia oito navios de pesca comercial, hoje não há nenhum. Como resultado, a população da cidade, uma das maiores do sul da Groenlândia, foi reduzida para 1.500 habitantes em apenas uma década. Os suicídios estão em alta. "A pesca é o coração desta cidade", disse Hans Kaspersen, um pescador de 63 anos. "Muitas pessoas perderam seu sustento."
Porém, mesmo com as temperaturas mais quentes afetando a vida tradicional na Groenlândia, elas também oferecem intrigantes novas oportunidades para este estado de 57 mil habitantes – e talvez em nenhum lugar isso seja mais aparente do que em Narsaq.
Vastos novos depósitos de minerais e pedras preciosas vêm sendo descobertos com o recuo da maciça calota polar da Groenlândia, formando uma indústria de mineração potencialmente lucrativa. Um dos maiores depósitos mundiais de metais raros – essenciais para a fabricação de celulares, turbinas eólicas e carros elétricos – fica exatamente ao lado de Nasdaq.
Isso pode ser oportuno para a Groenlândia, que sempre dependeu de meio bilhão de dólares em pagamentos de previdência social da Dinamarca, país ao qual pertence. Os lucros da mineração podem ajudar a Groenlândia a se tornar mais autossuficiente, e algum dia podem até mesmo transformá-la na primeira nação soberana criada pelo aquecimento global. "Uma de nossas metas é obter a independência", afirmou Vittus Qujaukitsoq, importante líder sindical trabalhista.
Mineração começa a ganhar força em cidade da Groenlândia devido ao degelo acelerado e à descoberta de recursos minerais (Foto: Andrew Testa/NYT)Mineração começa a ganhar força em cidade da Groenlândia devido ao degelo acelerado e à descoberta de recursos minerais (Foto: Andrew Testa/NYT)
Nova atividade econômica, novo impacto social
Mas a rápida transição de uma sociedade de pescadores e caçadores individuais a uma economia sustentada pela mineração corporativa levanta questões complexas. Como os assentamentos insulares da Groenlândia lidariam com um influxo de milhares de operários chineses ou poloneses, como foi proposto? Será que a mineração afetaria um ambiente essencial à identidade nacional da Groenlândia – as baleias e focas, os silenciosos fiordes de gelo, os míticos ursos polares? Conseguiriam os pescadores reinventar-se como mineiros?
"Acho que a mineração será o futuro, mas esta é uma fase difícil", declarou Jens B. Frederiksen, ministro de habitação e infraestrutura da Groenlândia e vice-premiê. "É um plano que nem todos querem. Estamos falando de tradições, a liberdade de um barco, profissões de família."
O Ártico está aquecendo ainda mais rápido do que outras partes do planeta, e o derretimento do gelo vem causando alarme, entre cientistas, a respeito do nível do mar. No nordeste da Groenlândia, a temperatura média anual subiu 2,5 graus Celsius nos últimos 15 anos, e cientistas preveem que a região poderia se aquecer de 7,8 a 11,7 graus até o fim do século.
O bloco de gelo que cobre os fiordes já não é mais estável o bastante para tráfego de trenós ou motoneves em muitas regiões. A pesca de inverno, essencial para alimentar as famílias, vem se tornando perigosa ou impossível.
Retrocesso do gelo no Ártico bateu recorde negativo histórico em 2012 devido às altas temperaturas do verão no Hemisfério Norte
Sempre se soube que a Groenlândia fica sobre enormes veios minerais, e o governo dinamarquês os mapeou durante décadas. Niels Bohr, físico nuclear dinamarquês que ganhou o prêmio Nobel e é membro do Manhattan Project, visitou Narsaq em 1957 por seus depósitos de urânio.
Mas as tentativas anteriores de explorar a mineração fracassaram, mostrando-se caras demais nas condições adversas. Agora, o aquecimento alterou a equação.

Em busca de ouro, zinco...
O Gabinete de Minerais e Petróleo da Groenlândia, responsável por administrar o crescimento, atualmente possui 150 licenças ativas para exploração mineral; há dez anos eram apenas 20. No total, as empresas gastaram US$ 100 milhões explorando os depósitos da Groenlândia no ano passado, e várias outras estão solicitando licenças para iniciar a construção de novas minas – de ouro, ferro, zinco e outros metais raros. Há também empresas estrangeiras explorando o petróleo offshore.
"Por mim, eu não ligaria se toda a camada de gelo desaparecesse", declarou Ole Christiansen, presidente da NunamMinerals, maior mineradora da Groenlândia, enquanto caminhava por um possível local para mineração de ouro perto de Nuuk, a capital. "Conforme o gelo derrete, estamos vendo novos lugares com geologias bem atraentes."
A mina de chumbo e zinco Black Angel, fechada em 1990, está tentando reabrir neste ano, disse Jorgen T. Hammeken-Holm, que supervisiona os licenciamentos no gabinete de mineração do país, "pois o gelo está recuando e há muito mais para explorar".
O governo groenlandês espera que essa mineração gere uma nova renda. Ao conceder o governo local à Groenlândia, em 2009, a Dinamarca congelou seu subsídio anual – que está programado para diminuir ainda mais nos próximos anos.
Mas a Groenlândia também pretende usar o poder proporcionado por seus novos recursos minerais para exercer "influência política em questões que importam para nós", explicou Frederiksen, o vice-premiê.
Muitos moradores se ressentem pelo fato de dinamarqueses mais instruídos administrarem as poucas empresas do pequeno país. O governo também quer persuadir a União Europeia a suspender sua proibição sobre as importações de produtos de foca, de 2009, que devastou um negócio crucial para o povo inuíte e resultou num acúmulo de 300 mil peles – cerca de cinco para cada habitante.
Vastos depósitos de pedras preciosas têm sido descobertos na região e chamado a atenção do mercado mundial de mineração (Foto: Andrew Testa/NYT)
Garimpos pelos próximos cem anos
Em Narsaq, um conjunto de casas com cores vivas e cercadas por fiordes espetaculares, duas empresas estrangeiras estão solicitando permissão ao governo para atuar na mineração.
"Isso é importantíssimo; podemos garimpar isso pelos próximos 100 anos", afirmou Eric Sondergaard, geólogo da empresa australiana Greenland Minerals and Energy, que estava nos arredores de Narsaq recentemente. Ele cutucava rochas num planalto parecido com a lua, onde se estima haver 9,5 milhões de toneladas de minério de terras raras.
Essa proximidade promete empregos e a empresa já está treinando alguns jovens em perfuração e inglês, o idioma internacional das operações de mineração. Eles pretendem construir uma planta de processamento, um novo porto e mais estradas (atualmente, a Groenlândia não possui nada disso fora das áreas povoadas).

O minúsculo aeroporto de Narsaq, antes ameaçado de fechamento pela falta de tráfego, poderá ser ampliado. Um proprietário de terras local está pensando em converter um bloco de apartamentos abandonado num hotel.
"Haverá muita gente vindo de fora, e isso será um grande desafio, já que a cultura groenlandesa sempre foi isolada", disse Jasper Schroder, estudante de Universidade da Dinamarca que veio passar férias em casa, em Narsaq.
Novos depósitos de minerais e pedras preciosas vêm sendo descobertos com o recuo da calota polar da Groenlândia
Ainda assim, ele apoia a mina e espera que ela gere empregos e contenha a onda de suicídios, especialmente entre seus colegas; a Groenlândia tem uma das maiores taxas de suicídio do mundo.

"As pessoas desta cultura não querem ser um fardo para suas famílias se já não podem contribuir", explicou ele. Mas nem todos estão convencidos dos benefícios da mineração.
"Claro que a mina vai ajudar a economia local e a Groenlândia, mas não tenho certeza se ela será boa para nós", declarou Dorothea Rodgaard, que administra uma pousada local. "Estamos preocupados com a perda da natureza."
Muitas decisões políticas importantes estão pendentes junto ao governo da Groenlândia. O sindicato nacional dos trabalhadores quer proibir o uso de tripulações estrangeiras com baixos salários, pois não quer ver o nível salarial local reduzido ou empregos perdidos para trabalhadores estrangeiros. Mas não existem trabalhadores nativos suficientes para construir as minas sem ajuda externa.
E para que o desenvolvimento vá adiante, o governo terá de revisar uma antiga política de "tolerância zero" contra a mineração de material radioativo – um reflexo da rígida postura antinuclear dinamarquesa. Minérios de terras raras ficam quase sempre entremeados com alguns elementos radioativos.
Simon Simonsen, prefeito da Groenlândia do Sul (que inclui Narsaq), afirmou que a maioria dos residentes da região já superou o medo inicial e aceitou os níveis de radioatividade envolvidos. "Se não conseguirmos essa mina", completou ele, "Narsaq continuará ficando cada vez menor".