domingo, 13 de julho de 2014

Itaituba perde maior mineradora

Itaituba perde maior mineradora

 
 DECADÊNCIA Com queda da produção de ouro, economia entra em queda e aeroporto perde status
 A cidade de Itaituba, a 950 quilômetros de Belém, no oeste do Pará, aos poucos vai se transformando na terra do “já teve”. No início do ano, o aeroporto de Itaituba - que na década de 80, no auge da produção aurífera do município, chegou a ser o segundo mais movimentado do país, em número de pousos e decolagens (atrás apenas de Guarulhos (SP), perdeu a condição de aeroporto, passando a ser simples pista de pouso, como as que existem nos grotões amazônicos. Agora o município perde uma de suas maiores empresas de mineração. Desde maio passado, a Serabi, maior mineradora em operação, em Itaituba, decidiu levar o seu escritório central para Fortaleza (CE), deixando em Itaituba uma representação e a estrutura de exploração e de pré-beneficiamento do ouro, depois mandado principalmente para o exterior.
 A Infraereo (Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária) - empresa que administra os aeroportos brasileiros - chegou à conclusão de que o aeroporto de Itaituba não se justificava mais em operação e retirou de lá todos os equipamentos e pessoal empregado na manutenção da estrutura aeroportuária, fechando dezenas de postos de trabalho. Nenhuma voz se levantou no Congresso nacional para defender a permanência do aeroporto nas suas antigas condições, já que era uma das alternativas para os vôos com destino a Manaus (AM).
 Com relação à Serabi, que produziu 1,1 tonelada de ouro em 2006 e 888 quilos no ano passado, apenas os vereadores de Itaituba, liderados por César Aguiar, manifestaram-se de forma enfática, puxando uma sessão especial na Câmara, em novembro passado, para discutir o assunto. Mas nem os parlamentares eleitos pelo oeste do Pará, como os deputados federais Zé Geraldo (PT), Joaquim Lira Maia (DEM) e os deputados estaduais Airton Faleiro (PT), Carlos Martins (PT), Josefina Carmo (PMDB), Júnior Ferrari (PTB) e José Megale (PSDB), por exemplo, levaram o caso para apreciação mais ampla em suas bancadas. Tampouco o Executivo paraense procurou evitar a consumação da mudança feita a passos de cágado, para minimizar o impacto e despistar a operação. No auge da produção de ouro, os garimpos do Tapajós produziam 14 toneladas de ouro por ano, em média. Só perdiam para Serra Pelada que teve uma vida útil efêmera. Hoje, o Tapajós produz, em média, 1,5 tonelada de ouro. Os altos investimentos necessários para a exploração manual e o rigor cada vez maior da legislação ambiental, praticamente inviabilizaram esse tipo de mineração. Atualmente, o Pará produz apenas 4,41 toneladas de ouro.
 Área ainda tem muito ouro
 O geólogo Alberto Rogério, com mais de 30 anos de atuação na Amazônia – foi diretor do DNPM e da secretaria especializada do governo, de 1989 a 1999 - afirma que esta ainda é uma das maiores áreas de concentração de ouro do mundo, embora admita que dificilmente se possa encontrar o metal na superfície ou nos leitos dos rios.
 “ Nos últimos 50 anos, aquela região foi varrida por garimpeiros, que tiraram tudo o que estava ao seu alcance. O momento agora é outro. Chegou a hora das empresas, capazes de aliar a experiência dos garimpeiros ao conhecimento científico fundamentado, às pesquisas do subsolo, para tirar o ouro de onde os garimpeiros não puderam alcançar. Os resultados vão depender da capacidade de investimento de cada empresa e, acima de tudo, do preço do ouro. Mas se eu tivesse dinheiro, certamente investiria em mineração de ouro do Tapajós”, observa.
 A riqueza do subsolo da região do Tapajós tem explicação científica. Analisando imagens de satélites, geólogos da Universidade de São Paulo (USP), constataram a existência de uma caldeira vulcânica na bacia do rio Tapajós, datada de 1,9 bilhão de anos. Isso explicaria a abundância nessa área, não só de ouro, mas praticamente de todos os minérios conhecidos pelo homem, que servem de estímulo a futuras prospecções pelas empresas.
 A Serabi Mineração, que já produz em média 100 quilos de ouro por mês, no antigo garimpo do Palito, cujas reservas estão estimadas em 27 toneladas. Outras mineradoras desenvolvem projetos na região, atraídas pelo novo recorde do preço do ouro -- que bateu US$ 907,09 a onça no mercado de Londres, na primeira quinzena de janeiro de 2006 e mantém-se em alta até hoje. A Serabi é subsidiária da Serabi PLC, com ações listadas na Bolsa de Londres, onde captou 8 milhões de euros para financiar o empreendimento. A área da Mineração Serabi é de 1.713 hectares, dos quais 13% são de uso intensivo. Os outros 87% são áreas de Reserva Legal.
 Empresa fez enxugamento
 Mas enquanto a Vale traz novos investimentos, como uma siderúrgica, e promete gerar 35 mil empregos, a Serabi optou por enxugar a sua estrutura, na explicação do superintendente administrativo, Rodrigo Mota, que falou com o repórter por telefone e negou a transferência do escritório central da empresa para a capital cearense. “Itaituba já era uma filial da Serabi. A sede da empresa fica no Distrito de Morais de Almeida (onde explora a mina Palito, a 600 quilômetros de Itaituba). Fortaleza é mais uma filial que a empresa abriu”, diz, assegurando que não houve prejuízo para o Pará ou para o município de Itaituba, com essa decisão. “A empresa precisava ser enxugada. Mas não fechamos postos de trabalho em número significativo. Alguns foram demitidos e a maioria aproveitada em Itaituba mesmo, ou Morais de Almeida, ou em Fortaleza”, disse. Já os vereadores avaliam que o município perde bons empregos.
 Sonho renasce nas mineradoras juniores
 Cinqüenta anos de garimpagem manual não foram suficientes para exaurir a Província Mineral do Tapajós,como muitos previam.
 A região vive novo ciclo de produção de ouro, dessa vez tendo como protagonistas as mineradoras juniores, apoiadas por novas tecnologias e conhecimento geológico. Estão catando com mais eficiência que os garimpeiros e suas bateias, mercúrio e chupadeiras, o ouro que escapou da primeira e longa corrida.
 O antigo Garimpo do Palito, em Moraes de Almeida, distrito de Itaituba, margem esquerda do rio Tapajós, junto a um dos seus afluentes, o Jamanxin, é um bom exemplo desse renascimento do velho Eldorado. De Belém até lá são 1,6 mil quilômetros.
 A Província Mineral do Tapajós é uma das maiores áreas de mineração do mundo, maior que Portugal. São 100 mil quilômetros quadrados. Na década de 1980, a região foi considerada um verdadeiro Eldorado, atraindo milhares de garimpeiros, aventureiros de todas as partes do País.
 Mais de 100 mil garimpeiros teriam invadido cidades como Itaituba e Santarém, revirando rios e florestas da região, sem nenhum controle do Estado. A agressão ao meio ambiente era uma constante. Abriam-se clareiras no meio da selva e pistas de pouso clandestinas.
 A Polícia Federal chegou a identificar cerca de 500. Diariamente, centenas de pequenos aviões dedicavam-se ao transporte de garimpeiros, víveres e ouro. A produção média anual atingiu, ao final dos anos 1980, a marca recorde de 14 toneladas.
 Mas estimativas conservadoras de órgãos como o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) dão conta de que outras 14 toneladas de ouro saíam ilegalmente da região.
 Oficialmente, toda a produção dessa província garimpeira até hoje, somaria cerca de 800 toneladas. Isso equivaleria a 16 vezes a produção total de Serra Pelada.
 Assim, o ouro do Tapajós teria rendido aproximadamente US$ 2 bilhões, embora os números oficiais dêem conta de que a região produziu, até 2006, não mais que 194 toneladas do metal.
 MECANIZAÇÃO - Atualmente, as reservas primárias passaram são encontradas apenas no subsolo, entre 50 e 300 m de profundidade. Por isso, o Garimpo do Palito e muitos outros entraram em decadência.
 O golpe fatal foi desferido pelo próprio mercado internacional. Entre 1990 e 1996, a onça do ouro, que estava cotada entre US$ 380 e US$ 400, despencou para US$ 260, tornando economicamente inviável o trabalho dos garimpeiros . Só empresas com lavras mecanizadas passaram a ter condições de explorar o ouro primário.
 Mina tem reserva de 10 toneladas
 A Serabi estabeleceu-se no Tapajós em 1999, quando iniciou a aproximação com garimpeiros interessados em negociar suas concessões, por causa da baixa produção da mina do Palito. Em 2000, comprou áreas em torno dessa mina e na região do Jardim do Ouro, iniciando os primeiros projetos para a implantação de uma planta de lixiviação por agitação, tipo CIP (carbon in pulp) para tratamento dos rejeitos deixados pelos garimpeiros.
 A partir de 2003, iniciou a exploração de uma mina de pequeno porte, com a abertura de duas galerias subterrâneas de desenvolvimento, que continuam ativas até hoje, paralelamente à terceira e última, de maiores proporções. Ao fluxograma de processo original da planta de concentração (inicialmente moagem e lixiviação), foram adicionadas as operações de britagem e flotação.
 Atualmente, a mineradora processa 500 toneladas por dia de minério bruto, o que equivale a uma produção média atual, recuperada, em torno de 3 quilos de ouro por dia, sendo 70% na forma de concentrado de ouro e cobre, 30% de lingote.
 A planta industrial apresenta uma recuperação metalúrgica total da ordem de 93%, assegurando um nível de aproveitamento de 500g de ouro de boa qualidade por tonelada. Até 2007, a média de produção anual era de 30 mil onças de ouro (31,1 gramas).
 A expectativa da direção da empresa, no entanto, é de alcançar, em 2008, o patamar de 35 mil onças. As pesquisas já realizadas apontam para uma reserva estimada em 10 toneladas de ouro. E nesse momento a mineradora está investindo em torno de R$ 10 milhões em pesquisas geológicas, em áreas próximas, que poderão apontar para reservas ainda maiores. “Talvez mais 10 toneladas de ouro”, estima um geólogo da empresa.
 

A atividade garimpeira de ouro lateritico em Pocone

A atividade garimpeira de ouro lateritico em Pocone, embora remonte ao seculo XVIII, resurgiu nos anos 80 agravada pelo uso intensivo de mercurio. A localizacao estrategica dos garimpos em relacao a planicie de inundacao e uma das principais preocupacoes da sociedade pelos riscos de contaminacao do homem e dos recursos naturais do Pantanal. O objetivo deste trabalho foi caracterizar o perfil da estrutura garimpeira e os problemas ambientais relevantes que podem advir decorrentes desta atividade. Foram levantadados e informatizados os registros de 113 garimpos cadastrados na Prefeitura Municipal de Pocone, em 1989. Os dados (n = 1130 evidenciram maior concentracao (81%) de garimpos nas proximidades da cidade de Pocone do que no distrito de Cangas (19%). Foi detectado (n= 110) que a maioria dos garimpos (66,4%) nao sao proprietarios do solo. A area total do municipio ocupada com garimpo foi de 357 hectares com area media de 6 ha p/ garimpo. Verificou-se tambem que 63,7% dos empreendimentos (n= 113) se dedicavam a mineracao e 36,3% somente ao beneficiamento de rejeitos. O teor medio de ouro no minerio foi aproximadamente 0,5 g/m3 de cascalho (n= 95). A producao total media de ouro (n= 93) foi 61.358 g/mes, o equivalente a uma producao media mensal de 660 g de ouro/garimpo. Estimou-se a producao total de ouro em 1989 em 736.176 g, correspondendo a 7,915 gramas de ouro/garimpo/ano. Como para cada miligrama de ouro extraido utilizam-se 2 mil gramas de mercurio, calcula-e que em 1989 foram lancadas no meio ambiente...

Jóias seguem a moda

Jóias seguem a moda
O processo de produção industrial de uma jóia começa com o trabalho de criação, com a elaboração dos desenhos das peças e a definição de qual mercado se quer alcançar com elas. Ou seja: em primeiro lugar é preciso definir se é uma jóia exclusiva ou se ela será um produto de linha, sempre tendo como base as tendências das cores da moda. O diretor industrial da Manoel Bernardes, Sérgio de Oliveira Bernardes, joalheria mineira especializada na utilização de pedras brasileiras e que tem clientes em todo o Brasil, conta que a criação é feita seis meses antes do lançamento. Normalmente o mercado trabalha com o lançamento de duas linhas por ano. “As pedras brasileiras têm uma infinidade de cores e é preciso estudar as tendências da moda para acertar nos resultados”, explica. Na maior parte dos casos, trabalha-se com pedras como quartzo que, antigamente, eram consideradas menos nobres num universo de pedras preciosas dominado por diamantes, topázios imperiais – encontrados somente em Ouro Preto (MG) -, e turmalinas da Paraíba, existentes apenas neste Estado. Ao lado delas, embora menos caras, esmeraldas e águas marinhas também costumam ser utilizadas na confecção das jóias. “O uso de pedras preciosas nobres encarece muito o produto e o torna inviável no mercado brasileiro. Por isso, geralmente só fabricamos jóias com pedras muito caras (o quilate da turmalina da Paraíba custa R$ 100 mil), sob encomenda”, explica o empresário. De acordo com o diretor, a empresa compra a pedra bruta diretamente da mina e, em seguida, a peça é enviada para o departamento de lapidação. Depois, as gemas são cravadas nas jóias, que seguem para o consumidor final. Em alguns casos, porém, a pedra pode ser adquirida lapidada e seguir direto para a cravação. Quando se trata de gemas de alto valor - água-marinha, rubelita e topázio imperial, por exemplo – elas podem ser aproveitadas ao natural, adaptando-se o design à pedra. Segundo Bernardes, apenas 20% das gemas brutas são aproveitadas para o produto final. “Uma pedra bruta, que segue para a lapidação pesando 100 quilates, chega ao consumidor final com o peso de 20 quilates, em média”, diz. Depois de desenhadas as peças, elas passam ao departamento de modelagem da empresa, no qual trabalham além de duas designers, seis ourives com experiência profissional suficiente para montar as jóias à mão. “A primeira peça é feita em prata e serve como molde para as demais”, diz Sérgio de Oliveira Bernardes. Na opinião dele, diferente de outros setores da economia e até do próprio comércio, o mercado de jóias no Brasil está maduro, o que significa que não há espaço para aumento de vendas, a não ser avançando sobre a concorrência. Lapidário A joalheria Manoel Bernardes surgiu de uma empresa de lapidação fundada em 1944 pelo ex-estudante de medicina Manoel Bernardes, que se apaixonou pelas pedras preciosas brasileiras. A empresa começou como um lapidário – Lapidação Minas Gerais – no qual, dos 20 empregados, 13 eram lapidadores e o restante trabalhava como assistente. Em 1970, surgiu a Manoel Bernardes, instalada numa sede moderníssima para a época, inspirada na arquitetura de Brasília. De lá para cá, passou por muitos percalços até se tornar uma empresa com reconhecimento nacional e internacional. “As pessoas não conheciam as pedras brasileiras, que eram consideradas semi-preciosas. Nessa época, os olhos do mundo estavam voltados para o rubi, a safira e a esmeralda”, conta o atual presidente da empresa, Manoel Bernardes, o filho. Só a partir da década de 1970 foi iniciado o processo de exportação dessas gemas para os Estados Unidos, Inglaterra e Japão, principal comprador das pedras brasileiras daquela época.

Bahia e Pará querem atrair novos recursos

Bahia e Pará querem atrair novos recursos
Enquanto cresce a tendência de alguns países optarem por caminhar na contramão do processo de atrair novos investimentos em mineração, por diversas motivações e interesses, estados brasileiros se antecipam e preparam-se para catalisar positivamente potenciais novos investidores para o setor. São os casos, por exemplo, dos estados da Bahia e do Pará, que estão abrindo novas oportunidades de exploração mineral em seus territórios, oferecendo prospecções viáveis (técnica, econômica e comercialmente), incentivos e estudos preliminares. As oportunidades oferecidas por esses estados são diversificadas e com potencial, o que facilita a atração de investidores e de empresas interessadas. Licitações na Bahia A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), empresa vinculada à Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (SICM), do Estado da Bahia, lançou em junho último um conjunto de editais de licitação para exploração comercial de minérios em diversas regiões do estado. As oportunidades disponibilizadas abrangem depósitos e jazidas de minerais, rochas industriais e minerais metálicos. As descobertas englobam argilas, areia silicosa, ferro, ferro-titânio-vanádio, cobre, ouro, quartzo, feldspato, cianita e esmeralda. Os municípios que abrigam as jazidas são Camacan, Nova Viçosa, Canavieiras, São Sebastião do Passé, Itanagra, Belmonte, Casa Nova, Remanso, Sento Sé e Pilão Arcado. O setor mineral na Bahia, segundo a CBPM, tem assumido importância cada vez maior, representando atualmente 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, considerando-se todas as riquezas geradas. O valor da produção mineral baiana corresponde a cerca de R$ 2,46 bilhões, com a extração de petróleo e gás natural respondendo por 55% e os restantes 45% gerados por uma pauta de 34 bens minerais. A Bahia conta com 350 empresas de mineração operando em mais de uma centena municípios e gerando mais de oito mil empregos diretos e indiretos. Em 2007, houve um recorde em requerimentos de mineração (cinco mil), deixando a Bahia no primeiro lugar entre os estados brasileiros. Em 2008, já se tem informações sobre dois mil requerimentos, o que indica um crescimento ainda maior para o período. O grande potencial da Bahia nesse setor demonstra que o estado se encontra pronto para novos saltos no crescimento da atividade mineral, especialmente por ser, reconhecidamente, o estado que possui a melhor cobertura geológica do Brasil. Um grande exemplo é o investimento que o governo vem fazendo na pesquisa geológica com levantamentos aerogeofísicos. A Bahia possui a melhor cobertura geológica do país, de acordo com a CBPM: 38,5% do território (217 mil km²) já cobertos com aerogeofísica e previsão de mais 52 mil km², em 2008. Auto-sustentabilidade em níquel As ações do governo objetivam principalmente a descoberta de novas jazidas, realização de diagnóstico eficaz da sua potencialidade mineral, desenvolvimento tecnológico e implantação de infra-estrutura viária e energética, de forma a criar condições para atração de investimentos e viabilização dos empreendimentos no setor. As oportunidades minerais reveladas e disponibilizadas pela CBPM aos investidores do setor mineral, através de processo de concorrência pública, garantem a trajetória de elevação no valor da produção mineral baiana. Em 2007, o setor acresceu à economia do estado o montante de R$ 1,2 bilhões. Em 2009, com o início das atividades dos projetos Santa Rita, maior jazida de níquel sulfetado do Brasil, e do Ouro Maria Preta, a CBPM alcançará a auto-sustentabilidade. Os empreendimentos citados localizam-se nos municípios de Itagibá e Santa Luz, respectivamente. “A CBPM transferiu para a iniciativa privada, por meio de licitação, as jazidas descobertas, como o níquel de Itagibá, o vanádio de Maracás, a bentonita de Vitória da Conquista e o ouro de Santa Luz. Esses projetos mínero-industriais estão em fase de implantação. Quando atingirem plena produção, entre a metade de 2009 e o início de 2010, gerarão receitas que irão duplicar o valor da produção mineral do estado da Bahia”, afirma o diretor presidente da CBPM, Nilton Silva Filho. Conduzida pela Mirabela Mineração, subsidiária da australiana Mirabela Nickel, a produção de níquel sulfetado, em Itagibá, recebeu investimentos da ordem de R$ 700 milhões. A geração de recursos através do Imposto Sobre Serviço (ISS) para o município, do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o Estado e para a CBPM, através da Compensação Financeira pela Extração de Recursos Minerais (CFEM), reflete o bom momento econômico. Só em royalties, a CBPM arrecadará cerca de R$ 8 milhões mensais. Da CFEM, o município de Itagibá arrecadará 65% e o Estado da Bahia, 23%. Já o ouro da mina Maria Preta, empreendimento conduzido pela Mineração Fazenda Brasileira S.A., do Grupo Yamana Resorces Inc, do Canadá, receberá investimentos da ordem de US$ 51,1 milhões, devendo gerar US$ 2 milhões em royalties, 2% da receita bruta anual. A Votorantim Metais anunciou, no início de julho, que investirá R$ 24 milhões em exploração mineral na Bahia até o final de 2008. A empresa assinou contrato com a CBPM para exploração de zinco nos municípios de Irecê e Mundo Novo, e níquel, em Pedras Altas. “Acreditamos no potencial mineral da Bahia e vamos continuar investindo no estado. O foco do nosso trabalho é a busca por novos depósitos de zinco e níquel”, afirma Jones Belther, diretor de exploração mineral da empresa, área que receberá em 2008 investimentos de R$ 150 milhões, para serem aplicados no Brasil e no exterior. Com a assinatura desses contratos, a Votorantim Metais assume o compromisso de investir R$ 7,8 milhões em pesquisa mineral nos próximos 24 meses, em Irecê, R$ 10 milhões em pesquisa mineral por zinco, em Mundo Novo, e R$ 2,5 milhões em exploração por níquel em Pedras Altas. “Além desses três projetos, temos outras áreas em fase inicial de pesquisa mineral no estado desde 2002,” acrescenta Belther. Com um projeto inovador na Bahia e fortalecendo o Brasil como maior produtor de minério de ferro no mundo, a empresa Bahia Mineração tem intenção de investir R$ 3,7 bilhões na construção de uma mineradora de ferro em Caetité, tornando-se o maior fornecedor da indústria siderúrgica e contribuindo com cerca de 1.000 empregos. A CBPM investirá, em 2008, R$ 12 milhões em pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é aproveitar o momento positivo pelo qual vem passando o setor mineral em todo o mundo. De acordo com Nilton Silva Filho, a iniciativa faz parte de uma nova estratégia adotada para atrair recursos e gerar negócios promissores no estado. “Com a chegada do novo governo, foi realizada uma reavaliação das oportunidades minerais que a Bahia possui. Decidimos agir com mais agressividade, disponibilizando para o investidor do setor as oportunidades identificadas. No curso de um ano, colocamos em processo de licitação, através de concorrência pública, cerca de 25 empreendimentos minerais”, revela. Prospectos e depósitos na Bahia Mineralizações de ferro Situadas na área central do extremo-norte da Bahia, as regiões de Sento Sé, Casa Nova, Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes apresentam acervo mineral bastante diversificado. Há ocorrências de mineralizações de ferro, cobre, ouro, chumbo, magnesita, talco, cianita, pedras gemológicas (quartzo cristalino, quartzo esfumaçado, citrino e ametista) e de dolomitos e calcários para corretivo de solos. Entretanto, apenas as jazidas de magnesita, em Sento Sé, são lavradas constantemente. A proximidade com as cidades de Juazeiro, na Bahia, e Petrolina, em Pernambuco, que possuem notável grau de desenvolvimento, garante infra-estrutura urbana às regiões mineradoras. Ferro-titânio-vanádio de Campo Alegre de Lourdes Nos depósitos de ferro-titânio-vanádio do município de Campo Alegre de Lourdes foram quantificados 134 milhões t de minério. Desse total, têm-se 60 milhões de reserva medida, 40 milhões de reserva indicada, 20 milhões de reserva inferida e 14 milhões de minério coluvial. Ouro de Jurema Leste Coberto por nove áreas de pesquisa de titularidade da CBPM, o prospecto possui vocação para a exploração de ouro e de metais-base do tipo sulfetos maciços vulcano-exalativos (VMS). As pesquisas, realizadas nos alvos Arapuá, Jararaca, Mata-Burro e Olho d´Água, indicam uma zona mineralizada com largura útil de 20 m, teor médio de 2 g/t e potencial de recursos de 21,6 t de ouro contido até a profundidade de 50 m. No extremo-sul do prospecto foi identificada uma mineralização de alto teor, com 30 m de comprimento, 2 m de largura e 31 g/t de ouro. O potencial para ouro e cobre-zinco, ao norte do prospecto, deverá ser estudado em investigações posteriores. Ouro Itapicuru Norte – Blocos Deixai e do Tarugão Entre os municípios de Cansanção, Monte Santo, Euclides da Cunha e Quijingue, localizam-se prospectos e mineralizações de ouro, com destaque para o garimpo de Água Branca, que possui extensão de 2 km e largura útil de aproximadamente 30 m. Até a profundidade de 100 m, o potencial de recursos é da ordem de 48 t de ouro. Cobre de Riacho Seco Na região de Riacho Seco, localizado no município de Curaçá, no extremo-norte do Estado, as mineralizações são compostas por disseminações de sulfetos de cobre em rochas gabróicas anfibolitizadas. Após desenvolver atividades de pesquisa e avaliação mineral, a CBPM identificou uma reserva total de 5 milhões de t de minério, com teor médio de 0,8% de cobre. Há possibilidade de existência de reservas de maior porte, uma vez que o depósito se situa numa área com elevado potencial para mineralizações de cobre. Prospectos e depósitos de minerais industriais e gemológicos Quartzo e feldspato de Castro Alves As pesquisas realizadas na região de Castro Alves resultaram na definição de um novo distrito pegmatítico na Bahia. Foram cadastrados, mapeados e avaliados 265 corpos de pegmatitos com recursos totais de 856 mil t de feldspato e 3,23 milhões de quartzo industrial. Observa-se ainda uma faixa de quartzo de alta pureza, com teor de sílica acima de 99,5% e potencial para possuir reservas de quartzo industrial com recursos de 140 milhões de t. Em 2005, as produções de quartzo (130 mil/t) e feldspato (25 mil/t) do distrito de Castro Alves foram consumidas em sua totalidade. Areia silicosa de Santa Maria Eterna O distrito de Santa Maria Eterna, localizado a 200 km de Ilhéus, abriga depósitos de areia silicosa de alta pureza. Os levantamentos feitos pela CBPM identificaram uma reserva com recurso de 69,5 milhões de t, sendo 11 milhões t de reserva medida, 51 milhões t de reserva indicada e 7 milhões t de reserva inferida. Cianita de Anagé A jazida situada no município de Anagé, distante 22 km de Vitória da Conquista, possui 188 mil t de reserva medida. Nessa área, que mede 352,5 ha, há ocorrência de quatro corpos elúvio-coluviais de concentrações residuais de cianita, e com participações subordinadas de granada, estaurolita e quartzo. Os cristais de cianita, com dimensão acima de 5 mm, representam 56% da reserva. Os outros 44% são de cristais de cianita cujo comprimento varia entre 0,6 e 5mm. As características geológicas favoráveis aliadas à simplicidade das operações para a concentração de minério permitem a redução de custos nas atividades de lavra e beneficiamento da jazida. Esmeralda de Carnaíba As zonas com mineralizações de esmeralda estão presentes em três áreas de pesquisa da CBPM, localizadas no distrito de Carnaíba. Recentemente, as investigações apontaram a existência de uma reserva de 18,3 milhões t de biotita xistos, sendo 6,3 milhões t de reserva medida e 12 milhões t de reserva indicada. Estima-se que haja um potencial significativo de xistos hospedeiros de esmeralda-berilo nas demais áreas de titularidade da CBPM. Dados históricos nos garimpos apontam para uma produtividade de 1,11 kg de esmeralda total por tonelada de biotita xisto lavrado. A partir dessa relação, é possível presumir reservas com recursos de 7 mil e 13,4 mil toneladas de esmeraldas gemológica e não gemológica, respectivamente. Argilas e insumos cerâmicos do Recôncavo Baiano Os depósitos de argila descobertos nos municípios de Simões Filho, Mata de São João, Alagoinhas, Entre Rios, Esplanada e Itanagra apresentam características físicas e químicas condizentes com as exigências da indústria cerâmica. Nessa região, foram dimensionadas reservas de 220 milhões de t. As jazidas, que estão localizadas em uma área estratégica, contam com infra-estrutura adequada, permitindo a consolidação do Pólo Cerâmico do Recôncavo. A Região Metropolitana de Salvador (RMS), maior centro consumidor do Estado – com uma demanda anual projetada de 6 milhões de metros quadrados de revestimentos cerâmicos e 800 milhões de peças de cerâmica vermelha – faz parte desse pólo. Argilas e insumos cerâmicos da região sul A CBPM identificou, na região entre os municípios de Santa Luzia e Mucuri, reservas que totalizam 632 milhões de t de materiais argilosos. Dessa quantia, aproximadamente 10 milhões são de reservas medidas. Os levantamentos da CBPM apontaram a existência de 51 ocorrências de depósitos de argilas e 19 ocorrências de depósitos feldspáticos e filíticos. Esses materiais podem ser utilizados no fabrico de porcelanatos, monoporosos, louças sanitárias e de mesa, cerâmica vermelha e telhas brancas. O significativo potencial dos depósitos de matérias-primas cerâmicas presentes no Sul da Bahia e a localização geográfica das reservas em relação ao mercado consumidor criam condições favoráveis ao surgimento de um novo pólo cerâmico no Estado. Oportunidades no Pará A atividade econômica no Estado do Pará, segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia (Sedect), encontra-se historicamente associada ao modelo primário-exportador, que se constitui no direcionamento da produção, na sua forma bruta, ao mercado externo e às regiões mais desenvolvidas do país. A indústria extrativa mineral não é uma exceção a essa regra. Assim, ainda que a exploração econômica das riquezas minerais do estado apresente algum rebatimento positivo na economia local, a transferência efetiva de benefícios para a sociedade paraense está muito distante do potencial. Esse modelo está calcado nos grandes projetos minerais, intensivos em capital, que geram elevados impactos ambientais e estão associados a resultados socioeconômicos locais incipientes em decorrência da baixa agregação de valor do processo. Para romper a condição extrativista que permeia grande parte da base produtiva do estado e viabilizar a consecução de elevadas taxas de crescimento econômico consorciadas ao enraizamento social do desenvolvimento, o Pará programou uma agenda com o propósito de induzir um novo modelo que favoreça a inclusão social e o respeito ao meio ambiente. Essa iniciativa se orienta no esforço estratégico de modernização, visando a seu transbordamento para todas as cadeias produtivas relevantes da trama produtiva, incorporando ferramentas e processos com vistas a promover ganhos de competitividade pela incorporação de tecnologia e inovação. O governo, segundo a Sedect. vem desempenhando a função de articulador de vários agentes e atores econômicos e sociais com vistas a prover condições favoráveis e seguras à produção de ciência, tecnologia e inovação, principalmente por meio da instituição do SIPI – Sistema Paraense de Inovação. Busca-se também eliminar os gargalos do desenvolvimento produtivo, com a instalação do Fórum Paraense de Competitividade (FPC), garantindo a efetivação de investimentos em energia, logística e infra-estrutura social e urbana alinhada às necessidades das cadeias produtivas. Entre as iniciativas governamentais, vêm sendo utilizadas algumas ferramentas como: criação e revitalização de distritos industriais, que oferecem áreas com total infra-estrutura a baixos preços; promoção de incentivos financeiros e tributários com recursos a baixos custos e condições favoráveis para amortização; instituição de programas de capacitação de mão-de-obra, que antecipam as necessidades do investidor e geram economias; programa de extensionismo industrial para pequenos e médios empresários; ampliação do programa de qualidade de fornecedores, contribuindo para reduzir custos empresariais nas fases de implantação e manutenção. Na busca do desenvolvimento sustentável e integrado das cadeias produtivas, o governo dá prioridade aos investimentos voltados às atividades que permitam o encadeamento dos processos de exploração e transformação primária. Com relação às atividades de base mineral, há especial interesse nas atividades associadas aos insumos industriais do segmento dos metais ferrosos (hematita, ferro gusa, ferros liga e aço), dos metais não ferrosos (alumina, alumínio, zinco, cobre, manganês, níquel, silício metálico e ouro) e dos minerais não metálicos (caulim, gemas preciosas e semipreciosas). O setor mineral paraense O Estado do Pará se mantém em destaque no cenário nacional como importante província mineral, congregando parcela substancial das reservas brasileiras de importantes commodities. Detém cerca de 75% das reservas nacionais do cobre, 33% da gipsita, 53% do caulim e mais de 80% da bauxita, 35% do manganês e 30% do ferro. O ferro, com elevado teor de óxido de ferro (Fe2O3) provém de Carajás, que é a maior concentração de ferro do planeta, garantindo condições diferenciadas de competitividade ao ferro brasileiro no mercado mundial. Nos últimos anos, os investimentos no setor, realizados por empresas mineradoras da iniciativa privada, controladas por capitais nacional e transnacional, alcançaram US$ 20 bilhões, resultando na ampliação das reservas conhecidas e nos sucessivos recordes da produção mineral do estado. As maiores inversões financeiras são da Vale, que investiu cerca de US$ 15 bilhões na prospecção e exploração de ferro, bauxita/alumínio, caulim, cobre, manganês e ouro; seguida pela Mineração Onça Puma Ltda., que se tornou subsidiária da Vale, com US$ 854,7 milhões na exploração do níquel; a Alcoa, com cerca de US$ 660 milhões em bauxita/alumínio, a Imerys – Rio Capim Caulim S.A., com cerca de US$ 290 milhões; as siderúrgicas, exportadoras de ferro gusa, com perto de US$ 975 milhões, o Grupo João Santos, US$ 200 milhões na produção de cimento e calcário e, a Globe Metals, produtora de silício metálico, com US$ 16 milhões. O vulto desses investimentos para a economia paraense contribuiu para a predominância do setor mineral na base econômica do estado, tornando a atividade da mineração um dos pilares do atual modelo de aproveitamento dos seus recursos minerais. O valor da produção mineral do Pará, em 2007, alcançou R$ 8,3 bilhões, crescendo 7% em relação ao ano anterior e representando 19% do PIB e 28% do Produto Industrial do Estado. Nas exportações, os produtos minerais paraenses representaram aproximadamente 80% da pauta, atingindo US$ 6,4 bilhões, em 2007. Conforme pode ser observado na tabela, sete dos dez itens mais significativos provêm do setor mineral. Esses resultados, de acordo com a Sedect, colocam o Pará como o segundo maior produtor mineral do País. Entretanto, novos projetos se encontram em estudo para serem instalados: na produção do cobre, o 118, no município de Canaã dos Carajás, o Cristalino, em Curionópolis e o Alemão, em Parauapebas; na bauxita, o Juruti, na localidade do mesmo nome e o Vera Cruz, em Paragominas. Além desses, o Vermelho, voltado para o níquel, em Canaã dos Carajás e o ABC, de alumina, em Barcarena. Faz parte também dessa cadeia produtiva o segmento de gemas, jóias e artesanato mineral, que vem se destacando no estado. Já foram catalogadas mais de 200 ocorrências de depósitos e garimpos, e mais de 60 variedades de rochas com caráter gemológico, principalmente nas regiões sul e sudeste. Dentre estes se destacam: o diamante, o cristal de rocha, a ametista, o citrino, a malaquita, a turmalina, o topázio, a opala, entre outras, que colocam o estado como um importante produtor de gemas.

Terra de oportunidades

Terra de oportunidades
Em meados deste ano, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) colocou mais duas oportunidades no mercado, por solicitação dos próprios interessados, informa o geólogo José Cunha, com prazo de conclusão ainda na 1ª quinzena de março. “Tratam-se de jazidas localizadas no canto Noroeste do Estado, em região em que já opera a Galvani, com elevado potencial de manganês e ferro”, informa. O edital dá continuidade à política de atração de investimentos, iniciada pela CBPM em 2007 e  ampliada em 2008. Segundo Cunha, alguns contratos ainda estão em fase de assinatura, mas todas as licitações foram encerradas com sucesso.

Por conta dos investimentos feitos na área de pesquisa, o Estado vem dando um relativo salto para a consolidação do setor minerário. Em 2007, o setor da mineração acrescentou à economia baiana R$ 1,2 bilhão. Em 2009, com o início das atividades dos projetos Santa Rita, grande jazida de níquel sulfetado do Brasil, e Ouro Maria Preta, a CBPM alcançará a auto-sustentabilidade financeira, por conta dos royalties recebidos. Os empreendimentos ficam nos municípios de Itagibá e Santa Luz, respectivamente.

“A CBPM transferiu para a iniciativa privada, por meio de licitação, as jazidas descobertas, como o níquel de Itagibá, o vanádio de Maracás, a bentonita de Vitória da Conquista e o ouro de Santa Luz. Esses projetos minero-industriais estão em fase de implantação. Quando atingirem plena produção, entre a metade de 2009 e o início de 2010, vão gerar receitas que irão duplicar o valor da produção mineral do Estado”, afirmou o presidente da empresa, Nilton Silva Filho.

Até 2010 deverão estar em operação os empreendimentos de Vanádio de Maracás, Ouro do Itapicurú, Fosfato de Irecê e Bentonita de Vitória da Conquista. As jazidas privatizadas já levantaram investimentos de R$ 600 milhões e a estimativa é que esses três projetos injetem uma receita bruta de US$ 800 milhões na economia baiana quando entrar em operação.

Conduzida pela Mirabela Mineração, subsidiária da australiana Mirabela Nickel, a produção de níquel sulfetado, em Itagibá, recebeu investimentos de R$ 700 milhões. A geração de recursos por meio do Imposto sobre Serviço (ISS) para o município, do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o governo estadual e para a CBPM, através da Compensação Financeira pela Extração de Recursos Minerais (CFEM), é bastante promissora. Só em royalties, a CBPM arrecadará cerca de R$ 8 milhões mensais. Da CFEM, o município de Itagibá arrecadará 65% e o Estado, 23%.

Já o ouro da mina Maria Preta, empreendimento conduzido pela Mineração Fazenda Brasileiro, do grupo Yamana, receberá investimentos de US$ 51,1 milhões, devendo gerar US$ 2 milhões em royalties (2% da receita bruta anual).

Outros projetos e pesquisas que compõem o patrimônio da CBPM e estão em andamento também constituem oportunidades de investimento em empreendimentos produtivos – a exemplo do Ferro do Norte, do ferro-titânio e vanádio, em Campo Alegre de Lourdes; do ferro, em Campo Largo; do zinco, em Irecê e Mundo Novo; do cobre, em Riacho Seco; da areia silicosa de alta pureza, em Santa Maria Eterna; da barita, em Contendas do Sincorá; da cianita, em Anagé; do fosfato primário, em Irecê; além de jazidas de granito ornamental e jazidas de argilas cerâmicas.

A previsão da empresa é investir neste ano R$ 12 milhões em pesquisa e desenvolvimento, como parte da estratégia de atrair recursos e gerar negócios promissores no Estado, destaca o presidente da companhia Nilton Silva Filho. “Com a chegada do novo governo, foi realizada uma reavaliação das oportunidades minerais que a Bahia possui. Decidimos atuar com mais agressividade, disponibilizando para o investidor do setor as oportunidades identificadas. Em um ano, colocamos em processo de licitação, via concorrência pública, 25 empreendimentos minerais”, disse o presidente da CBPM.

A Bahia é um dos Estados mais bem estudados e conhecidos geologicamente do País, com 38,5% do seu território (217 mil km2) cobertos por levantamentos aerogeofísicos. Em julho deste ano, outros 12.964 km2 serão mapeados. O uso dessa tecnologia representa a diminuição de riscos para o investidor e confere maior segurança às informações oferecidas para o desenvolvimento dos projetos. Os programas de levantamento aerogeofísico realizados pela CBPM desde 1975 totalizam 523 mil km de linhas de vôo, em 30 áreas potenciais do território baiano.

“A CBPM continuará investindo em pesquisas geológicas básicas, como mapeamentos geológicos e levantamentos aerogeofísicos. Há uma crescente demanda das empresas mineradoras. Apostamos que esse momento vai durar. As jazidas descobertas pela empresa e transferidas para o setor privado são evidências dessa perspectiva. Quando elas atingirem a sua plena capacidade de produção, vão gerar receitas que dobrarão o valor da produção mineral da Bahia”, afirmou Silva Filho.

As oportunidades minerais reveladas permitiram a  considerável elevação no valor da produção baiana. As áreas das 20 oportunidades já licitadas englobam um conjunto de 269 requerimentos de pesquisa da CBPM, abrangendo cerca de 280 mil ha, distribuídos por 26 municípios baianos, a maior parte no semi-árido.

Duas rodadas de licitações
Segundo o geólogo José Cunha, da CBPM, alguns empreendimentos ainda estão em fase de assinatura de contrato. “Mas todas as oportunidades serão devidamente desenvolvidas pelas empresas, mesmo nesse atual cenário mundial. Algumas empresas poderão dilatar os prazos, mas nada que prejudique os projetos, que têm se comprovado bastante promissores. Tanto que a empresa já colocou neste ano mais duas oportunidades em licitação, por solicitação dos próprios investidores. São depósitos promissores na área de manganês/ferro e potássio”, informa.

A primeira fase de licitações permitiu a celebração dos contratos entre CBPM e as empresas vencedoras - Votorantim Metais, Galvani Indústria Comércio e Serviços e Risa Refratários e Isolantes, com oportunidades nas áreas de extração e produção de concentrados dos minérios de zinco, níquel, fosfato e talco. Os concentrados dos minérios deverão alimentar futuras metalúrgicas, indústrias de produção de fertilizantes e de produção de refratários, cerâmica, papel, tintas, plásticos, borrachas e cosméticos, entre outros.

O segundo pacote de oportunidades, lançado em 2008, compreende  áreas de ouro, cobre e ferro-titânio-vanádio associados, além de minerais e rochas industriais como feldspato, quartzo, barita, areia silicosa de alta pureza, argilas cerâmicas e granitos ornamentais, incluindo uma jazida de esmeralda.

A estatal mantém atualmente outros projetos de pesquisa promissores: ferro, titânio e vanádio, em Campo Alegre de Lourdes; estuda os depósitos de ferro, em Campo Largo; o zinco, em Irecê e Mundo Novo; cobre, em Riacho Seco; areia silicosa de alta pureza, em Santa Maria Eterna; barita, em Contendas do Sincorá; Cianita, em Anagé; do fosfato Primário, em Irecê; além de jazidas de granito ornamental e argilas cerâmicas.