quinta-feira, 17 de julho de 2014

Brasil assume posição de destaque no ranking de produtores

Brasil assume posição de destaque no ranking de produtores
Inauguração da LargoResources, a mina Vanádio de Maracás, em Maracás (BA), produzirá 9,5 mil t de pentóxido de vanádio por ano

A Largo Resources inaugurou no dia 21 de maio a Vanádio de Maracás, primeira mina de vanádio da América Latina, em Maracás (BA). A planta teve investimento de R$ 555 milhões, provenientes de uma combinação de capital levantado pela Largo Resources no Toronto Venture Stock Exchange e pelo financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). O minério pode ser usado em indústrias de aços especiais, ferro liga de alta resistência, empregados nas áreas de óleo, gás, materiais cirúrgicos, turbinas eólicas e ferrovias de alta velocidade.
 
Esq. p/dir. Danilo Correia, Kurt Menchen, Hari Brust e Paulo Magno
 
O diferencial do Projeto Vanádio de Maracás são as características únicas da planta, que produz um concentrado substancialmente superior aos outros produtores: o alto teor e qualidade da jazida (1,34%), com conteúdo de pentóxido de vanádio e ferro elevado e os níveis muito baixos de contaminantes, como a sílica.

As características geológicas da mina compreendem a intrusão do osill(limite inferior de um suporte, uma galeria ou passagem em uma mina) doRio Jacaré, com 70 km de norte a sul, onde existe uma camada de magnetitita enriquecida com vanádio.“A estimativa é de que o volume movimentado seja de 1 milhão de t de minério/ano e 2 milhões de t de estéril/ano”, diz o Presidente das Operações no Brasil da Largo Resources, Kurt Menchen.

A exploração é feita em mina a céu aberto, em uma área plana com colinas. O desmonte é realizado por meio de explosivos comdeemulsão bombeada. Os furos possuem3 polegadas de diâmetro executadas por perfuratriz de nívelhidraúlica. A malha está sendo testada e mede 2,5m por 5m. Todo o procedimento é realizado por uma equipe terceirizada da Fagundes. Os ciclos de carga se efetuam em dois turnos totalizando 16h/dia, seis dias por semana.

O beneficiamento começa na britagem segue para o moinho de bolas e em seguida, o concentrador magnético.O rejeito não- magnético é depositado em bacias e o concentrado magnético é adicionado de recebe carbonato de sódio e sulfato de sódio e é alimentado ao calcinador a1.200°C. O produto calcinado passa por um processo de lixiviação a água e o líquido, rico em metavanadato de sódio, é separado por filtragem., contendo metavanadato de sódio por causa dometavadato de sódio. Orejeito calcinado é minério de ferro e é depositado em outra bacia.  A solução de metavanadato de sódio é enviada para a planta química. Após Noprocesso dea retirada de sílica é adicionado sulfato de amônia e ele se transforma em metavanadatode amônia. Neste momento, vai para um cristalizador e para a secagem rápida do metavanadato e em seguida, para um equipamentoo deamoniador, que gera o produto final, o pentóxido de vanádio. EleO pentóxido, então,vai para o forno de fusão, e em seguida é resfriado e transformado em escamas, forma em que está pronto para ser comercializado.

“A operação da Vanádio de Maracás posiciona o Brasil estrategicamente na produção do metal minério, uma vez que a produção inicial da planta corresponde a 7% do consumo mundial do metal mineral”, ressalta Menchen. 

A produção anual, nos três primeiros anos, será de 9,6 mil t de pentóxido de vanádio, que corresponde a uma produção mensal de, aproximadamente, 800t. O projeto da mineradora é expandir a produção em 50% em dois anos. Os primeiros seis anos de produção já estão comercializados por meio de um acordo offtake com a Glencore, multinacional de commodities de mineração. O faturamento inicial ainda não está determinado pois a instalação encontra-se em “rampup”.foi estimado, já que a primeira entrega foi feita no fim de maio.


Pilha de material britado
        
Bacias de rejeito reduzem consumo de água
A planta da Vanádio de Maracás é a mais moderna planta de extração e processamento de vanádio do mundo.        A extração do minério é feita a céu aberto, o que facilita a lavra do material com equipamentos de médio grande porte, que compreendem uma escavadeira Catterpillar de 36 t e outra de 32 t, uma perfuratriz Sandvik DX 1800, oito dois caminhões Mercedes bitrucados de 35 t e 40 t, um trator de esteira, uma carregadeira, uma motoniveladora e um caminhão aguador. O minério é transportado até o britador de mandíbulas, onde começa o beneficiamento. Para evitar a formação de poeira durante o processo de britagem existe em funcionamento um sistema de aspersão de água. são adicionados reagentes químicos.

O forno de calcinação é o mais moderno do mundo em operação em uma mineradora de vanádio, com componentes originários da China, Finlândia, Dinamarca, Alemanha, Espanha e Estados Unidosentre outro. O calcinador com resfriador tem aproximadamente 125 m de comprimento e cerca de 4,3 m de diâmetro e foi fabricado pela FL Smith americana.

Foram adotadas bacias de rejeito com deposição a seco - “drystacking” - em substituição às tradicionais barragens. O processo reduziu a área de ocupação e reduzirá sensivelmente o consumo de água.em aproximadamente 375% durante a operação.

Crescimento da economia local
Desde o início da construção do projeto, em junho de 2012, a economia local de Maracás foi beneficiada com a geração de oportunidades para a população. Na fase inicial, foram empregados 1,2 mil pessoas, investidos R$ 6 milhões em estruturas para acomodar esses trabalhadores e R$ 1,5 milhão foram usados na recuperação da estrada de acesso ao projeto. Atualmente, as operações empregam 400 trabalhadores diretos gerando até e aproximadamente 2,8 mil indiretos. Estão sendo investidos R$ 5,9 milhões em projetos ambientais e R$ 2,7 milhões em projetos sociais.

Além disso, a projeção é de que a empresa irá injetar na economia local cerca de R$ 13 milhões por ano, referente à massa salarial. O Imposto Sobre Serviço (ISS) arrecadou entre junho de 2012 e dezembro de 2013, R$4,3 milhões. O evento da inauguração contou com a presença de autoridades governamentais, funcionários da mineradora, representantes de entidades de classe e da população local.  

 

Entre euforia e preocupação

Entre euforia e preocupação
A perspectiva de crescentes investimentos no Brasil, decorrente de fatores como o bom momento pelo qual passa a economia nacional, a alta das commodities metálicas e a concessão do grau de investimento para o País pelas principais agências internacionais, convida o setor mineral a sonhar com um horizonte favorável e promissor. No contexto mundial, também merece destaque o acentuado surgimento de novos consumidores, sobretudo em países emergentes como a China e a Índia, que tem como conseqüência a iminente necessidade de investimentos em infra-estrutura, habitação e bens de consumo, como automóveis e eletrodomésticos da linha branca. O Brasil está entre os cinco principais países com economia mais atrativa para locação de investimentos estrangeiros diretos (atrás da China, Índia, Estados Unidos e Rússia, respectivamente), de acordo com levantamento feito pela World Investment Prospects Survey, para o período de 2007 a 2009. Entretanto, enquanto no mundo foram investidos em exploração mineral US$ 10,3 bilhões, em 2007, no Brasil investiu-se, no mesmo período, pouco mais do que 3% desse total – US$ 376 milhões (Fonte: Dipem + RAL/DNPM). Com esse aporte, o País empata com a China e fica abaixo do Canadá (19%), da Austrália (12%) e de países como Peru e Chile (4% e 5%). Esse e outros assuntos políticos, econômicos e técnicos, sobre o setor de mineração brasileiro, incluindo as comemorações pelos resultados e a expectativa de aumentar os investimentos no País, foram amplamente debatidos durante o III Simpósio Brasileiro de Exploração Mineral (Simexmin). Realizado de 18 a 21 de maio, em Ouro Preto (MG), pela Agência de Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Mineração (Adimb), o evento reuniu cerca de 1.100 participantes, do Brasil e do exterior. Tabus anacrônicos Diante do potencial brasileiro e da expectativa por mais e melhores investimentos, alguns participantes do Simexmin manifestaram suas preocupações em relação aos problemas nacionais que ainda persistem e impedem que o País assuma definitivamente o seu papel de destaque no cenário internacional da mineração. Entre essas vozes, ecoou forte a de Onildo João Marini, coordenador-geral do evento e secretário executivo da Adimb. Segundo ele, o Brasil tem potencial para figurar ao lado dos países que mais se destacam internacionalmente no setor – Canadá e Austrália. Marini disse mais: “Podemos até superá-los, se levarmos em conta que lá fora já foi prospectado e extraído muito mineral. Eles poderão, certamente, descobrir novos depósitos, mas não como o Brasil que tem todo um caminho pela frente, desde que crie atrativos para promover a entrada de investimentos”. Marini destacou que o País recebe poucos aportes de recursos externos para exploração mineral, conforme indicam os números do Metals Economics Group (MEG). Isso, segundo ele, “sem falar em investimentos em urânio, que, nos últimos tempos, teve o preço elevado de US$ 10/libra para mais de US$ 130/libra e, mesmo assim, sua prospecção continuou praticamente parada no Brasil. No mundo, foram aplicados cerca de US$ 1,5 bilhão no segmento mineral”. O urânio, que pode vir a ter papel importante na geração de energia elétrica no País, é, para Marini, um dos exemplos do que ele chama de “tabus anacrônicos persistentes” do Brasil: “O mineral já é reconhecidamente aceito como gerador de energia limpa, tanto que a França, que é um dos países mais críticos em termos ambientalistas, tem 70% da sua energia elétrica gerada a partir desse mineral”. Partilha dessa preocupação o consultor John M. Albuquerque Forman, que falou sobre o assunto no III Simexmin: “A prospecção e pesquisa para minerais radioativos no Brasil, que foi interrompida em 1982, não alcançou mais do que 30% do território nacional. Além disso, o urânio associado aos minérios fosfatados e ao carvão, por exemplo, nem é computado nas reservas que são divulgadas”. Segundo Forman, considerando-se as estimativas potenciais do Brasil, mesmo com eventuais perdas no processamento do urânio até a produção do elemento combustível, da ordem de 30%, um programa de geração de energia que inclua as usinas de Angra 1, 2 e 3, mais outras quatro centrais energéticas de capacidade igual à de Angra 2 (1.350 MW), com vida útil de 60 anos, e somando-se ainda a demanda prevista pelo Centro Tecnológico da Marinha de São Paulo (CTMSP), consumirá apenas cerca de 30% das reservas hoje conhecidas (RAR). “Hoje o País conhece reservas de urânio que permitirão cobrir, com grande sobra, a demanda prevista para as sete usinas nucleares contempladas até 2030, no planejamento energético do governo”, resumiu o consultor. Ele acrescentou ainda que é preciso revisar a política de monopólio estatal do mineral, com todas as salvaguardas necessárias, a exemplo do que foi feito com o petróleo, cujos resultados não deixam dúvidas sobre as vantagens dessa medida. De acordo com Marini, a falta de condições para investimentos faz com que empresas como Votorantim, Vale, Yamana e outras tenham um grande portfólio de atividades no exterior: “Embora até estejam mantendo o nível de investimento aqui, elas aumentaram o volume de recursos aplicados lá fora. As autoridades brasileiras têm de atentar para o fato de que a atividade de mineração é global e quem oferece melhores condições, quem é mais ‘amigável’, recebe mais capital. É uma questão de vantagem competitiva”. Além disso, o dirigente da Adimb também inclui, entre os tabus brasileiros do setor, a dificuldade de se obter a licença ambiental que, às vezes, leva anos para ser deferida: “Há muitos empecilhos e até má vontade. Com as mudanças no Ministério do Meio Ambiente, acreditamos que haverá melhorias nesse aspecto. Nós somos muito lerdos para decidir. Uma licença ambiental, às vezes, leva anos para obter deferimento. A questão ambiental estava praticamente travada. Com a ministra Marina Silva, o pessoal do Ibama (antes de separar Ibama e Instituto Chico Mendes) era extremamente niilista. Só sabiam dizer não, demonstrando compromisso só com a natureza e nenhuma preocupação com as necessidades do País. Com a criação do Instituto Chico Mendes, isso mudou. O licenciamento ficou no Ibama e o pessoal mais utópico, que, normalmente, são os biólogos, foi para o Chico Mendes. E melhorou”, afirma. Outra questão que preocupa o setor, segundo Marini, é a mineração em terras indígenas, que precisa urgentemente de equacionamento: “Isso já está previsto na Constituição, mas não se consegue chegar a uma regulamentação sensata. Outros países já resolveram a questão, mas nós estamos patinando e não conseguimos encontrar uma solução satisfatória. É claro que essa solução passa necessariamente pela garantia de benefícios aos índios. São 25% da Amazônia, de terras indígenas, onde as empresas organizadas e sérias, que cumprem a lei, não têm como entrar”. Para ele, a zona de fronteira também é outro tabu: “A faixa de 150 km nas fronteiras em que há restrições, principalmente para empresas com capital do exterior, é demasiadamente grande. São 12% do território nacional. Por outro lado, a área de preservação ambiental também é muito grande (mais de um milhão de km²) e, na prática, não impede a grande proliferação de pequenos mineradores ilegais”. O que diz o governo Cláudio Scliar, titular da Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, do Ministério de Minas e Energia, um dos participantes do Simexmin, destacou que a busca pelo aperfeiçoamento dos órgãos ligados ao setor levou o governo a retomar os levantamentos geológicos e aerogeofísicos básicos e a promover a estruturação da gestão dos recursos minerais. Nesse mesmo contexto, o diretor-geral do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM), Miguel Nery, salientou a modernização da autarquia com a implantação, em junho, dos sistemas de Pré-Requerimento Eletrônico – versão 2.0, de Cadastro Mineiro (CadMin_Web) e do SigÁreas. “Esses novos sistemas vão permitir a evolução da relação do usuário com o DNPM. Esses programas são integrados, garantindo segurança, agilidade e transparência em todos os atos de outorga”, explicou. Segundo ele, “com uma nova base de dados, segura e depurada de erros, o setor mineral será beneficiado porque o DNPM terá condições de, cada vez mais, oferecer a segurança jurídica nos atos de outorga que tanto o investidor necessita. De sua parte, a autarquia, como órgão gestor, também terá maior controle, sabendo quem está requerendo o quê”. Nery informou que esse trabalho vem sendo desenvolvido há três anos e que já foram feitos diversos testes que garantem a sua validação. De acordo com o diretor-geral do DNPM, a modernização do órgão, incluindo esse lançamento, tem sido possível com investimentos da ordem de R$ 6 milhões por ano, desde 2003. “Nós pretendemos avançar na eliminação do nosso passivo, que hoje é de cerca de 9 mil requerimentos, aproximando as duas curvas, a do alvará e a do pedido, e reduzir ao menor prazo possível a emissão dos alvarás a partir do recebimento do requerimento”, disse Nery. O modelo canadense Para Miguel Nery, “o Brasil concentra a maior indústria mineral e o maior consumo de minerais da América Latina, tem o mais extenso território com potencial para grandes jazidas minerais, é um grande produtor de equipamentos, infra-estrutura e mão-de-obra especializada e tem larga tradição mineira”. No entanto, o ambiente de mineração, de acordo com Elmer Prata Salomão, diretor da Verena Mineração, tem como características essenciais o potencial mineral, que atrai os capitais, e o ambiente político ou institucional do país, que dá a garantia de segurança para o aporte de recursos. Segundo ele, “além de ser um território fértil para a exploração mineral, haja vista que ao longo dos anos vêm sendo identificados muitos depósitos com potencial para atrair investimentos, o Brasil também apresenta níveis de estabilidade política e econômica que jamais pôde oferecer ao mundo, que consolidou o país como o caminho de capitais”. A atração dos fundos institucionais, decorrente do grau de investimento recebido pelo País, abre amplas perspectivas, a exemplo do que ocorre no Canadá, onde esses fundos sustentam grande parte dos IPOs de projetos de mineração nas bolsas de valores. Para o diretor da Verena Mineração, o próximo passo será consolidar, na economia nacional, um modelo de suporte à exploração mineral tal como o que a nação canadense desenvolveu com o flow through share e outros mecanismos. O Brasil tem a mesma dimensão econômica canadense, mas o seu mercado de capitais ainda não está acostumado ao risco. Então, nos próximos anos, esse mercado precisa desenvolver-se para trazer aportes adicionais de recursos para a mineração. “Com isso, em breve, o Brasil se posicionará entre os três ou quatro maiores países nesse setor”, prevê. Um fator, mais político do que econômico ou técnico, tem perturbado esse ambiente. Dentro das esferas governamentais brasileiras, segundo Elmer, existe um desencontro de pensamentos. Enquanto o governo federal dá um título de exploração mineral, as diversas agências do próprio governo agem de forma diferenciada. “Isso é muito complicado para o investidor estrangeiro. Na área mineral, ele sabe quem vai estudar os seus processos e qual é o mecanismo para isso. Mas, no segmento ambiental, por exemplo, ele não tem a menor idéia. Eventualmente, um técnico de nível médio pode vir a decidir sobre o investimento de milhões de dólares. Então, o governo tem que primeiro alinhar e uniformizar os seus procedimentos”, reivindicou Salomão. Ouro e níquel lideram Em 2007, o ouro ficou com o maior investimento em pesquisa mineral no Brasil, ou seja, R$ 68,7 milhões ou 29% do total investido no período. Na seqüência, vieram o níquel com US$ 61,1 milhões (24%) e a bauxita com US$ 18,7 milhões (7%). A Vale é a empresa que prevê maiores investimentos, totalizando cerca de US$ 350 milhões no seu programa de exploração mineral, que abrange atividades nos cinco continentes, em mais de 20 países, entre os quais Chile, Peru, Moçambique, Angola, Gabão, Argentina, Mongólia, Austrália, China, Índia, Cazaquistão, Venezuela, Colômbia, Canadá, África do Sul e Rússia. Suas atividades nesses locais envolvem bens minerais como cobre, carvão, níquel, ferro, bauxita, fosfato, potássio e urânio. Outro grupo que divulgou novos investimentos no setor foi a Votorantim Metais. A empresa está investindo, em 2008, US$ 150 milhões em exploração mineral, de acordo com seu diretor de exploração mineral, Jones Belther. Desse total, o Brasil deverá absorver R$ 107 milhões, o Peru, R$ 24 milhões, a Colômiba, R$ 10 milhões, e o restante será aplicado em outros países. A Votorantim Metais conta com 68 projetos em diferentes estágios de desenvolvimento para zinco e níquel, sendo 14 joint ventures de exploração mineral. Os mais avançados encontram-se no Brasil, onde são desenvolvidos 41 projetos, atualmente. Os principais são o de Aripuanã (MT), que tem recurso total de 41 milhões t, com teor de 5,16% de zinco equivalente; o de Ferro-níquel, um projeto brownfield da Unidade de Niquelândia (GO), que está em construção e tem início de produção previsto para 2009, com 35 milhões t de recurso e teor de 1,30% de níquel; e o de Montes Claros de Goiás (GO), que tem recurso total de 140 milhões t a 0,83% de níquel. Fora do País, há no Peru o projeto Bongará, com previsão de recursos minerais de 17,7 milhões t e teores de 7,99% de zinco e 1,06% de chumbo. A Yamana Gold, de acordo com seu vice-presidente de exploração, Darcy Marud, deverá investir US$ 83,7 milhões em seus projetos. O País receberá 27% do total desse orçamento, onde há quatro minas em operação. A empresa planeja atingir a produção total de 2,2 milhões de onças de ouro até 2012. Amazonas mira o potássio O Amazonas, sempre reconhecido pela sua biodiversidade, com quase 98% do seu território coberto por florestas, paradoxalmente, segundo Daniel Borges Dantas, secretário executivo de Geodiversidade e Recursos Hídricos do estado, também detém reservas minerais importantes, de classe mundial. São os casos, por exemplo, das ocorrências de nióbio, no Morro dos Seis Lagos, tida como a maior reserva do planeta, e de estanho do Pitinga. O objetivo do Estado é atender à demanda dos mineradores e prospectores a partir de uma condição de sustentabilidade. “Nós não queremos qualquer negócio para o nosso Estado. Queremos aliar a mineração à marca da Amazônia e do Estado do Amazonas. Que é uma marca de sustentabilidade, de mineração com responsabilidade ambiental e com responsabilidade social”, disse Dantas. Durante o III Simexmin, primeiro evento desse tipo do qual o Amazonas participa, apresentou-se o mapa geológico do Estado, com as reservas minerais conhecidas. Além disso, divulgou-se também a relação estratégica que o Amazonas busca fazer com a Petrobras, para a exploração das reservas de potássio, em Fazendinha e Arari. “Essas jazidas serão extremamente importantes para o Brasil, que compra no mercado externo 4 milhões t por ano de potássio. As reservas amazônicas têm potencial para 1 bilhão t, com teor de 18% a 27%, o que significa cerca de 300 milhões t de cloreto de potássio. Se pensarmos numa planta com capacidade para produzir 3 milhões t/ano, já é possível projetar um ciclo de produção por um período de 100 anos”, afirmou o secretário. O volume de investimento necessário, para isso, é alto. Poderá chegar a US$ 2 bilhões, porque demandará um rigoroso controle tecnológico. As reservas, que estão a 900 m de profundidade, são pouco espessas e localizam-se em regiões muito úmidas, nas áreas alagadiças dos rios. O preço do potássio, entretanto, está extremamente competitivo. Saiu de US$ 180,00/t, no ano passado, e já está em US$ 600/t. Dadas as perspectivas planetárias de produção de potássio no mundo, especialmente no Canadá e na Rússia, é possível que o estado venha a viabilizar esse ousado projeto, de acordo com Daniel Dantas. Segundo ele, o Amazonas tem a infra-estrutura necessária na região e conta com um pólo industrial que está aberto para desenvolver investimentos na captação de um novo perfil produtivo. Além disso, segundo o secretário, o gás natural de Urucu tem, dentro da sua concentração, níveis importantes de nitrogênio e já existem estudos na Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para produção de amônia. Isso, com o nitrogênio e potássio, segundo ele, praticamente fecha o circuito para uma linha de produção de fertilizantes (NPK). Para o investidor e o empreendedor do setor mineral, Daniel Dantas informou que o Amazonas oferece mapa geológico do território, na escala 1:1.000.000; Sistema de Informação Geográfica (SIG), banco de dados que está georeferenciado e que pode ser acessado e vasta área com aerolevantamentos geofísicos, com espaçamento de 500 m, com dados coletados em 2007 em parceria com o Serviço Geológico do Brasil. O Amazonas também trabalha com a possibilidade de produção de ouro, dentro da Província do Tapajós, no sul do estado, que tem 90.000 km² de área, está localizada no Magmatismo Uatumã, com área estimada de 2 milhões km², no craton amazônico. Nessa região, entre os depósitos auríferos existentes, estão Ouro Roxo (250,000 oz), Palito (680,000 oz) e Tocantinzinho (1.6 milhão oz), de acordo com apresentação feita por Douglas Arantes, presidente da Adimb. A Província do Tapajós recebe cerca de 60% dos investimentos nacionais em exploração mineral para ouro e já acumulou uma produção histórica de 25 milhões de onças. O sucesso da Bahia no fomento A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), em 35 anos de serviços, acumula o desenvolvimento de mais de 380 projetos, com um investimento histórico médio de US$ 6 milhões por ano. Em 2008, a previsão é de investir R$ 16,6 milhões (US$ 7 milhões), de acordo com José Carlos Cunha, assessor técnico da empresa. A empresa busca identificar oportunidades de investimento mineral, o que se traduz em prospectos, em áreas em estágio inicial de exploração e também em descobertas de jazidas e depósitos com informações avançadas e com reservas definidas. “Todo esse acervo está disponível para o investidor privado, sob a forma de concorrências públicas, cujo processo ágil se desenrola, em média, no período de 60 dias”, destacou o assessor. Em 2007, a CBPM fez a licitação de nove oportunidades minerais, incluindo ouro, zinco, níquel e fosfato. Dentro dessa oferta também foram contemplados minerais industriais, como areia silicosa de alta pureza, que é uma ocorrência inusitada no Brasil e no mundo, talco e outros bens. “Cinco dessas oportunidades já foram contratadas, com destaque para a Votorantim Metais que fez a melhor oferta de royalties para o zinco de Mundo Novo e Irecê e o níquel de Ponto Novo, de Jacurici do Sul”, informou Cunha. No momento, o Estado está preparando outra licitação para um novo conjunto de 15 oportunidades minerais. Já estão em licitação insumos para a indústria cerâmica, com seis jazidas de argila. As demais oportunidades incluem jazidas de ferro de baixo teor (30% contido), que tem potencial para 1 bilhão t, e um depósito de classe mundial de ferro-titânio e vanádio que fica no município de Campo Alegre de Lourdes e tem reservas medidas de 60 milhões t, ou 130 milhões t, considerando-se a reserva indicada. Só a produção prevista das oportunidades já contratadas, cujo processo de jazimento está em fase de implantação, deverá dobrar a capacidade produtiva mineral da Bahia, a partir de 2010. Esses contratos incluem o vanádio de Maracás, a betonita de Vitória da Conquista, o níquel de Itagibá e o ouro da Maria Preta. De acordo com Cunha, a previsão produtiva de níquel na Bahia representará um acréscimo de 30% à produção do País. Esse é considerado o maior projeto, em execução, de níquel sulfetado da América do Sul. Além da geração de oportunidades, segundo Ernesto Fernando Alves da silva, gerente de geologia básica e aplicada, a CBPM também tem investido no conhecimento do seu território. Hoje, o Estado tem dois projetos de mapeamento geológico básico, na escala de 1:100.000, em parceria com a CPRM. Um deles, o de Barra-Oliveira dos Brejinhos, que está em fase de conclusão, dá ênfase para o ouro e implementação de metodologias para reconhecimento de fontes de diamante.

Rondônia: perspectivas promissoras para o setor estanífero

Rondônia: perspectivas promissoras para o setor estanífero
Nos últimos oito anos, de acordo com Airton Nogueira de Oliveira, chefe da regional do DNPM, constatou-se a reativação de antigas áreas de lavra de cassiterita, outrora objeto de concessão de lavra, como também na pesquisa de novas áreas face à diminuição da produção de estanho na Bolívia e as incertezas geopolíticas naquela região. 

“O setor estanífero nacional vem sentindo a falta de planejamento e de investimentos em pesquisa mineral, desde a década de 1990, o que gerou a necessidade de prospecção de novas reservas e a reavaliação de reservas já conhecidas que, por diversas razões, foram abandonadas”, analisa.

Nesse contexto, a Província Estanífera de Rondônia, acena com grandes perspectivas para novas oportunidades para investimentos. Ainda nesse segmento, Airton Nogueira salienta o papel significativo das fundições de estanho dos municípios de Ariquemes e Campo Novo de Rondônia, que transformam a totalidade da cassiterita produzida no Estado  em estanho com alto grau de pureza.

Oportunidades e investimentosDentro desse cenário, o nióbio tem tido boa oportunidade de exploração, além de rochas ornamentais, cobre, ouro, diamante, manganês, estanho, wolframita, topázio, ametista e columbita.
“Existem casos concretos de investimentos para produção de manganês, na região de Espigão do Oeste e Alvorada do Oeste, e de cassiterita, na região de Rio Crespo, Ariquemes, Campo Novo e Porto Velho, na região de São Lourenço”, informa.

O ouro, da região do Rio Madeira (leito e terraços), também tem proporcionado a produtores ligados ao cooperativismo mineral investimentos mais seguros, graças à outorga de permissões de lavra garimpeiras, que até então não existiam na região.

O Grupo Santa Elina e a Canamera são dois exemplos de empresas que estão investindo na pesquisa de diamantes. Somente na região dos municípios de Espigão D’Oeste e Pimenta Bueno, mais de 40 corpos kimberlíticos já foram mapeados e são alvos de estudo por esses grupos.

A empresa Metalmig Mineração pretende investir, em 2009, US$ 6,5 milhões nas áreas de wolframita e cassiterita, em Rondônia. São três plantas móveis alimentadas através de desmonte hidráulico, que operarão no setor Cachoeirinha, na Flona Jamari, assim como uma planta com capacidade de 15.000 m3/mês, em Oriente Novo. A empresa, segundo Nogueira, também pretende investir na reavaliação da reserva e na montagem de uma planta com capacidade para 20 mil m3/mês para lavrar minério primário no Setor Liberdade. A lavra será executada a céu aberto, através de desmonte mecânico e com utilização de explosivos.

A Rio Madeira, a partir de maio de 2008, já investiu cerca de R$ 4 milhões, para produzir 2,5 t mensais de manganês, no projeto do Morro do Florêncio, que fica no município de Espigão D’Oeste. Esse projeto está em fase de requerimento de lavra. 

Prioridades
As prioridades atuais para o Estado, segundo o chefe do DNPM, são para o estanho, columbita, wolframita, ouro, diamante e agregados para a construção civil. “É de se destacar que, com a construção das hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau, no Rio Madeira, o setor da construção civil reaqueceu e vem exigindo novos investimentos para extração de agregados. Por esse mesmo motivo, também será instalada uma fábrica de cimento em Porto Velho, pelo Grupo Votorantim, que, além de atender à demanda dessas obras, também suprirá os mercados de Rondônia e Acre e de países limítrofes”, salienta Nogueira.

Parte da matéria-prima, constituída dos argilo-minerais que compõem o cimento, deverá ser extraída em Rondônia. Para tanto, a Votorantim requereu diversas áreas de pesquisa, sendo que o relatório final de duas delas já foi apresentado.

Alguns investimentos na área energética, como linha de transmissão, vêm possibilitando as instalações e o melhoramento dos métodos de beneficiamento de minério, como no caso da cassiterita, minério primário encontrado no garimpo de Bom Futuro e na região de Rio Crespo.

O melhoramento da malha viária estadual, também é outro atrativo. Grande parte do Estado é servida por linhas e travessões do Incra, distanciados de 5 km em 5 km, facilitando a pesquisa mineral. Há incentivos fiscais tributários para exportação de granito como pedra ornamental. Outro ponto positivo, segundo Nogueira, é a rapidez na liberação dos licenciamentos ambientais por parte do órgão de meio ambiente estadual.

PropostaCom base no exemplo específico dos diamantes da Terra Indígena Roosevelt, ele acredita que o governo brasileiro deveria instituir naquelas terras a Reserva Nacional do Diamante. Essa iniciativa permitiria que o próprio governo viesse a conhecer melhor suas reais potencialidades, antes mesmo que o Congresso Nacional viesse a decidir sobre como deve ser autorizada a pesquisa mineral e a lavra em terras indígenas. “Nesse sentido, é imperativo que se tenha uma área como modelo de estudo ambiental, geológico e gemológico e de que tipo de empreendimento seria possível para conciliar sua viabilidade e sustentabilidade com os interesses dos povos indígenas”, explica o técnico.

Austrália: fim da taxa carbono

Austrália: fim da taxa carbono
O Parlamento Australiano aboliu a taxa carbono. Aos olhos da população essa taxa se traduzia em contas mais elevadas pagas pelos consumidores. A taxa foi introduzida em 2012 e penalizava o cidadão, as pequenas empresas e a própria economia do país que ainda depende da queima de carvão para a geração de energia. Com esta cobrança esperava-se que houvesse uma significativa redução do efeito estufa. No entanto, o que se viu, foi um choque negativo na economia do país que se ressente da crise que afeta a mineração mundial.

Com a retirada da taxa o consumidor australiano terá uma redução de US$550 nas suas contas e a economia australiana terá uma aceleração no seu crescimento com a geração de novos empregos.

O debate sobre a influencia do homem no clima é parte integrante desse assunto. Consequentemente o órgão da Mudança Climática da Austrália está sendo, também, abolido. Muitos australianos não acreditam que o Homem seja o principal causador do aquecimento global.

A Austrália é a primeira nação desenvolvida a abolir as leis do carbono. As estatísticas mostram que a segunda maior emissão de carbono per capita é feita pelo cidadão australiano.

O brasileiro está no décimo sétimo lugar desta lista. 

Mato Grosso: destaque para ouro, diamante, calcário e níquel

Mato Grosso: destaque para ouro, diamante, calcário e níquel
O Estado do Mato Grosso, de acordo com Jocy Gonçalo de Miranda, chefe do 12o Distrito do DNPM-MT, tem como destaques os seguintes bens minerais: ouro, com gênese primária e secundária, em diversas regiões; diamantes, com gênese secundária e ambiente geológico favorável a ocorrência de jazimentos primários; calcário, em grande quantidade; e jazimento de níquel de primeira ordem, na região sudoeste.

Por outro lado, há estudo de viabilidade de jazimento polimetálico na região de Aripuanã e já foram identificados extensos jazimentos de ferro e manganês na região de Juína. O Estado possui ainda ocorrências de rochas alcalinas, com mineralizações de fosfato em estágio de avaliação, na região central do seu território.

Miranda destaca, entre as prioridades mato-grossenses, a exploração mineral de rochas fosfatadas e carbonatadas, ouro e diamante. Em relação aos investimentos previstos para o Estado, ele relaciona como principais:

•Estudo de reavaliação de reservas no Distrito Aurífero do Alto Guaporé , em São Vicente, Pau-a-Pique, Lavrinha e Ernesto, pela Serra da Borda Mineração, do grupo Yamana Desenvolvimento Mineral.

•Ampliação de programas de exploração e entrada de novas empresas na Província Aurífera de Alta Floresta, municípios de  Peixoto de Azevedo, Alta Floresta, Apiacás, e Juruena.

•Início de lavra de ouro no distrito de Nova Xavantina, pela Mineração Caraíba.

•Estudo de viabilidade do Projeto Morro Sem Boné, em Comodoro, da Anglo American do Brasil (Níquel), e Projeto Aripuanã (Zinco, prata, ouro e chumbo) pelo Grupo Votorantim.

•Campanhas exploratórias da GME4 Global Mine Exploration, Votorantim Metais, Vale, IMS/Prometálica, Mineração Bravo Cavalo, Mineração Santa Eliana e de empresas juniores.

Além disso, ele lembra que foi significativa a mobilização de empresas direcionadas para pesquisas minerais em decorrência dos recentes mapeamentos geológicos e aerolevantamentos executados pelo CPRM em parceria com o governo do Estado, conforme indica o crescente número de requerimentos de pesquisa no DNPM-MT.

Restrições
Alguns fatores funcionam como pontos restritivos ao desenvolvimento do setor mineral no Estado de Mato Grosso: falta de infra-estrutura (energia, estradas, etc.); acirramento de exigências ambientais e para o desenvolvimento de atividades em faixa de fronteira; e possibilidade de taxação na extração de minerais devido à aprovação de lei estadual, pelo Fundo de Transporte e Habitação (Lei 8.960, de 13 de agosto de 2008), que onera em até 16,34% do valor da UPF/MT a tonelada da substância mineral manejada.

As áreas indígenas do Mato Grosso somam quase 30% do território. Algumas apresentam ambiente geológico favorável a diversas mineralizações, em especial as ocorrências de ouro e diamante. É ansiosamente esperada, nesse aspecto, a regulamentação pelo Congresso Nacional do projeto que autoriza a mineração em terras indígenas, segundo Miranda.